David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Por que não precisamos e não devemos consumir leite

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Walter Willett: “Seres humanos não têm nenhuma necessidade de consumir leite de origem animal”

Leite de outros animais não é um alimento essencial para os seres humanos

Leite é um alimento produzido por mamíferos para alimentar seus bebês. Realmente seres humanos dependem do leite, mas somente até o momento em que seu sistema digestivo se adapte a uma alimentação sólida. Nesse período, não é necessário mais do que o leite materno. Depois que passam a se alimentar de sólidos, os animais não têm necessidade de consumir leite. Porém, como esse consumo há muito tempo se tornou um hábito, e muitas vezes mais associado ao paladar do que à saúde, muitas pessoas não veem motivo para parar.

Quando você não consome leite, não é raro alguém em estranhar e perguntar quais são suas fontes de cálcio, vitamina D, riboflavina e outros nutrientes. Isso é uma reação cultural, porque vivemos imersos em uma realidade onde o consumo de laticínios é tão apregoado como essencial que é difícil para tanta gente assimilar o fato de que não precisamos de leite para obter esses nutrientes.

A verdade é que há muitas opções saudáveis para se obter, por exemplo, o cálcio. Podemos citar couve, acelga, chicória, espinafre, mostarda, folha de brócolis, rúcula, agrião, alface, salsa, aveia, feijão-branco, brócolis, laranja, gergelim, linhaça, lentilha, agrião, batata-doce, amêndoas, beterraba e mamão, entre outras frutas, verduras, oleaginosas, sementes e grãos. Além disso, banana e laranja são melhores fontes de potássio do que o leite, caso alguém o apresente como importante fonte desse micronutriente. Como fontes de fósforo, também há alimentos mais saudáveis –  como aveia, feijão, sementes de abóbora, e amendoim. Ou seja, tudo isso endossa o fato de que o leite não é essencial.

É importante considerar que para o cálcio chegar aos ossos, é necessário manter uma boa ingestão de vitamina C, vitamina K, vitamina D3, potássio e magnésio. Em síntese, uma boa combinação de vegetais supre facilmente essa necessidade, segundo a médica e pesquisadora Rosane Oliveira, professora do Departamento de Saúde Pública da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia. Fato que também merece atenção é que o excesso de cálcio consumido a partir do leite pode contribuir para a baixa absorção de ferro. Isso se aplica também à caseína e à proteína do soro do leite. Outro problema é que o excesso de sódio, proteína animal, álcool e cafeína favorecem o roubo de cálcio dos ossos.

Rosane Oliveira observou que quando consumimos 415 miligramas de cálcio por dia, nossos intestinos se tornam mais eficientes na absorção do cálcio. Assim, nossos rins são preservados por mais tempo. Caso o excesso de cálcio não seja eliminado do nosso organismo, ele é depositado no coração, rins, músculos e pele, nos tornando vulneráveis às doenças; e isso pode ser desencadeado pelo consumo de leite.

“Uma dieta rica em proteína animal tem uma alta taxa de excreção de cálcio, o que significa que você é forçado a consumir mais cálcio para compensar essa excreção. Ao seguir uma dieta baseada em vegetais, que também é baixa em sódio e cafeína, as taxas de excreção de cálcio diminuem. Sendo assim, a ingestão de cálcio baseada em plantas pode ser muito menor”, escreveu Rosane, que é doutora em nutrição, no artigo “Getting clarity about calcium”, publicado em maio de 2015 no site Forks Over Knives.

É importante entender também que, assim como o ferro, o magnésio e o cobre, o cálcio é um mineral que pode ser encontrado no solo, onde é absorvido pelas raízes das plantas. Isso significa que os animais, por exemplo o gado, obtêm cálcio consumindo essas plantas ricas em cálcio. Mesmo que tenhamos sido condicionados a crer que o cálcio provém naturalmente do leite e de seus derivados, isso não é verdade, já que os animais são fontes intermediárias. Ou seja, as fontes originais de cálcio são as plantas.

De acordo com o médico e pesquisador estadunidense Neal Barnard, fundador do Comitê Para a Medicina Responsável (PCRM), não há motivo para que os seres humanos consumam leite de vaca. “Há muitas razões para evitá-lo. […] Um elevado risco de incidência de câncer de próstata e mortalidade tem sido associado ao consumo de leite e pode desencadear câncer de ovário. Cálcio é um nutriente necessário, mas podemos facilmente obter o suficiente a partir de alimentos vegetais. Em vez de prejudicar nossa saúde como o leite de vaca, esses alimentos vegetais fortalecem o nosso sistema imunológico e nos ajudam a evitar graves doenças”, escreveu no artigo “Cow’s milk is unnecessary and even harmful”, publicado em janeiro de 2013.

Os Estados Unidos são um dos maiores consumidores de laticínios do mundo, e ainda assim um dos países com maiores índices de fraturas de ossos. Ou seja, o consumo de leite não garante que ninguém sofra de problemas ósseos. Por outro lado, fraturas ósseas são menos comuns em países que não têm uma cultura de alto consumo de laticínios. Nos Estados Unidos, de acordo com a International Osteoporosis Foundation (IOF), osteoporose e diminuição da massa óssea atingem 44 milhões homens e mulheres com idade igual ou superior a 50 anos. No Brasil, onde o consumo per capita é de 156 litros por ano, 10 milhões de pessoas, aproximadamente uma pessoa a cada 17, tem osteoporose.

O estudo “Milk intake and risk of mortality and fractures in women and men: cohort studies”, publicado pelo British Medical Journal em outubro de 2014, mostrou que pessoas que consumiram grandes quantidades de cálcio através do leite não tiveram redução em fraturas ósseas nem evitaram osteoporose. Na verdade, aqueles que consumiram altas quantidades de cálcio (mais de 1,1 mil miligramas por dia) apresentaram os maiores índices de fraturas de quadril e osteoporose em comparação a quem consumiu bem menos cálcio.

As pesquisas foram realizadas com mais de 61 mil mulheres e mais de 45 mil homens suecos ao longo de mais de 20 anos. A conclusão foi a de que não há nenhum benefício em consumir mais do que 700 miligramas de cálcio por dia para a saúde óssea. Também é importante ponderar que as populações do Norte da Europa são consideradas as que melhor se adaptaram ao consumo de laticínios no decorrer da história da humanidade.

Porém, o que reforça a defesa de que o leite não é um alimento realmente tão benéfico mesmo para a saúde dessas populações, que aparentemente têm menos dificuldade em digeri-lo, é o fato de que, no decorrer da pesquisa, mais de 17 mil mulheres suecas e mais de 5 mil homens que consumiam leite diariamente tiveram graves problemas de fraturas ósseas. Além disso, das pessoas que participaram da pesquisa, mais de 15 mil mulheres e mais de 10 mil homens já falecidos tiveram suas mortes associadas ao consumo de laticínios.

“Seres humanos não têm nenhuma necessidade de consumir leite de origem animal, uma evolutiva e recente adição à dieta”, escreveu Walter Willett e David Ludwig, do Boston Children’s Hospital, no artigo “Three Daily Servings of Reduced-Fat Milk – An Evidence-Based Recommendation?”, publicado no jornal JAMA Pediatrics em setembro de 2013, que refuta a necessidade de seres humanos consumirem leite e ainda aponta as consequências do excesso de laticínios.

Willett, que é médico e tem doutorado em saúde pública, é professor de nutrição e epidemiologia da Harvard T.H. Chan School of Public Health, professor de medicina da Harvard Medical School e chairman do Departamento de Nutrição da Universidade Harvard. Por suas contribuições à área da nutrição, o jornal The Boston Globe afirmou que, considerando a importância do seu trabalho, ele é um dos nutricionistas mais influentes do mundo na atualidade.

Walter Willett também publicou um estudo em que relacionou o consumo de carne, principalmente a processada, ao risco de morte precoce, levando em conta a facilidade com que a gordura trans é capaz de obstruir artérias. Também respeitado e prestigiado, David Ludwig, o co-autor da pesquisa sobre laticínios, trabalha em um dos maiores e mais bem-sucedidos projetos de tratamento de crianças obesas dos Estados Unidos, realizado no Boston Children’s Hospital.

No periódico JAMA Pediatrics, Walter Willett e seus colegas da Universidade Harvard revelaram os resultados de uma pesquisa com 96 mil homens e mulheres ao longo de décadas. Intitulado “Milk consumption during teenage years and risk of hip fractures in older adults”, o estudo divulgado em janeiro de 2014 mostrou que o alto consumo de leite na adolescência não ajuda a prevenir fraturas quando as pessoas ficam mais velhas. “O alto consumo de lácteos também tem sido associado a um risco aumentado de câncer no final da vida, incluindo câncer de mama e câncer colorretal”, alertou.

Após as evidências dos estudos sobre o consumo de leite, Willett e Ludwig criticaram o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos e a Academia Americana de Pediatria por incentivarem o consumo de três xícaras de leite por dia. Eles reprovaram inclusive o consumo de leite desnatado. David Ludwig destacou que o fato do leite conter baixo teor de gordura não faz dele um alimento a ser recomendado como parte da dieta alimentar padrão.

“Seguimos a recomendação de beber leite por tanto tempo que poucos de nós param para considerar o quanto é pouco natural o consumo de leite”, enfatizou Joe Keon, doutor em nutrição e autor do livro “Whitewash”, no artigo “Do You Need Milk?”, de Catherine Guthrie, publicado na revista de saúde Experience Life em abril de 2014.

Michael Greger: “Leite é um alimento saudável para bezerros”

Para o médico Michael Greger, especialista em nutrição e fundador do site NutritionFacts.org, leite é um alimento saudável para bezerros, para filhotes de vaca. “Por que o leite é associado com o aumento de risco de câncer de próstata? Leite é um coquetel de hormônios do crescimento que faz com que um pequeno animal bovino ganhe algumas centenas de quilos em poucos meses. Então ele é desenvolvido como um alimento para o crescimento rápido, o que é ótimo se você é um bezerro, mas se você é um humano adulto esse excesso de hormônios do crescimento não é uma coisa boa”, declarou em entrevista registrada no documentário “Food Choices”, lançado em 2016 por Michal Siewierski.

Conforme informações do artigo “Hormones in Dairy Foods and Their Impact on Public Health – A Narrative Review Article”, publicado pelo Iranian Journal of Public Health e pela Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos em junho de 2015, os hormônios esteroides são compostos muito potentes em alimentos lácteos, e exercem profundos efeitos biológicos em animais e humanos. “A maioria dos conhecimentos anteriores sobre os esteroides está de acordo com suas concentrações fisiológicas, e às vezes supra-fisiológicas de esteroides, mas recentemente descobriu-se que esses compostos, mesmo em doses muito baixas, podem ter efeitos biológicos significativos. Deve ser dada atenção especial aos efeitos, que podem ocorrer durante determinados momentos sensíveis, como períodos perinatais e puberais”, ressalta a pesquisa.

No artigo “As doenças relacionadas ao consumo de leite de vaca”, publicado pela Food Med em 5 de agosto de 2015, a autora Pamela Blumer explica que, no final dos anos 1980, e visando o aumento da produção de leite, a multinacional Monsanto desenvolveu o hormônio somatropina bovina recombinante: “Nos adultos, isso pode promover o crescimento anormal das células e levar a alguns tipos de câncer, como de mama e gastrointestinal.” Para reforçar essa afirmação, ela cita o estudo sueco “Milk intake and risk of mortality and fractures in women and men: cohort studies”, mencionado anteriormente.

Outro ponto agravante, segundo Pamela Blumer, é que o uso de somatropina bovina recombinante causa sofrimento aos animais, já que tem como efeitos colaterais febre, falta de apetite, desenvolvimento anormal de membros, mastite (inflamação das glândulas mamárias), distúrbios reprodutivos, entre outras doenças que podem levar o animal à morte.

Leite de vaca traz pus em sua composição

Uma informação pouco divulgada também é que o leite de vaca, principalmente o industrializado, traz células somáticas, conhecidas como pus, em sua composição. Isso é uma consequência de inflamações e doenças que atingem o gado leiteiro, como a mastite. No Brasil, a oferta de leite com pus é regulamentada pelo governo por meio da Instrução Normativa nº51, de 2002, que permite que cada mililitro de leite contenha até 600 mil células somáticas (pus). Ou seja, os consumidores estão sempre sujeitos a consumirem secreções decorrentes de infecções bacterianas extracelulares. Enfim, algo proveniente do mal-estar ou de alguma doença que atinge esses animais.

Descrevo laticínios como carne líquida. Basicamente, como a carne vermelha, tem alto teor de gordura, colesterol e nada de fibras. Na verdade, pode ser pior do que a carne vermelha. A caseína que usam para dar liga no queijo é cheia de química. E são químicos tão viciantes que se assemelham à heroína [nesse aspecto], pois não temos quatro estômagos como os bezerros [para metabolizá-la corretamente]. E infelizmente o leite está em tudo”, lamentou a escritora de literatura wellness Karyn Calabrese em registro no documentário “Food Choices”, de 2016.

De acordo com a doutora em nutrição Pamela A. Popper, fundadora do Fórum Wellness, uma das coisas mais difíceis para as pessoas abandonarem são os laticínios, e exatamente porque estabelecem uma nociva relação de dependência com esses alimentos. “Tomar controle da sua saúde é olhar para as informações e fazer escolhas conscientes”, comentou.

O médico especialista em nutrição e autor do livro “The Starch Solution”, John McDougall e o bioquímico e doutor em nutrição T. Colin Campbell, que estudou as implicações do consumo de alimentos de origem animal por 20 anos e publicou o best-seller “The China Study” em 2005, defendem há muito tempo que existe um mito sobre a necessidade do consumo de leite, e esse tipo de consciência é o que motiva a indústria de laticínios. Afinal, se as pessoas não acreditarem que o consumo de leite é benéfico, elas deixarão de comprá-lo.

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No estudo “Comparison of Nutritional Quality of the Vegan, Vegetarian, Semi-Vegetarian, Pesco-Vegetarian and Omnivorous Diet”, publicado em 2014 na Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, foi avaliada a densidade mineral óssea de veganos e onívoros. Os resultados surpreenderam porque mostraram que mesmo veganos com uma ingestão bastante reduzida de cálcio e proteína apresentaram um bom nível de densidade óssea.

De acordo com o Comitê para Medicina Responsável dos Estados Unidos (PCRM), 75% da população mundial sofre de alguma disfunção no processo de digestão de laticínios. Ou seja, alactasia (não possui enzimas lactase), diminuição enzimática secundária ou diminuição gradativa de lactase. O que significa que esse é o percentual de pessoas do mundo todo que têm dificuldade de digerir corretamente e naturalmente, logo sem o uso de enzimas artificiais, o leite e outros produtos baseados em laticínios.

Referências

https://www.forksoverknives.com/milk-myth-why-you-dont-need-dairy-for-calcium/#gs.FnZ2rfw

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3967195/

http://thekindlife.com/blog/2013/01/why-milk-is-harmful-by-dr-neal-barnard/

http://www.bmj.com/content/349/bmj.g6015

http://jamanetwork.com/journals/jamapediatrics/article-abstract/1704826

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24247817

https://experiencelife.com/article/do-you-need-milk/

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4524299/

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-09352008000100003

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3967195/

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-204X2006000100021

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-35982007000200010

http://www.scielo.br/pdf/cab/v17n4/1809-6891-cab-17-04-0534.pdf

https://www.statista.com/statistics/263955/consumption-of-milk-worldwide-since-2001/

http://www.pcrm.org/health/diets/vegdiets/what-is-lactose-intolerance

Food Choices, Michal Siewierski (2016).

As doenças relacionadas ao consumo do leite de vaca

 

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Written by David Arioch

August 21, 2017 at 4:38 pm

Animais criados para consumo começaram a ser confinados durante a Segunda Revolução Industrial

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Realidade dos animais confinados no passado

Os chamados animais de criação, ou animais criados para consumo, são tratados como produtos há muito tempo, mas foi durante a Segunda Revolução Industrial, ou seja, no início do século 20, que eles começaram a viver em regime de confinamento intensivo e foram pela primeira vez submetidos aos mais diferentes tipos de experiência que visavam ampliar a lucratividade dos criadores e da indústria.

Na década de 1930, havia uma quantidade considerável de animais que já não eram criados soltos no pasto. Contudo, foi a partir das década de 1960 e 1970, quando houve um boom das grandes redes de fast food, e um aumento absurdo da demanda de produtos de origem animal para atender esses restaurantes, que se tornou comum criar animais em um novo regime de confinamento, envolvendo muito mais privação e sofrimento que precede a morte.

Ou seja, as grandes redes de fast food têm parcela de culpa pela quantidade de animais criados em confinamento para atender a uma demanda também criada por eles. Porém, é claro, isso jamais teria acontecido se o crescente consumo de produtos de origem animal não tivesse partido da própria população. Um fato que instiga reflexão é que hoje vemos essas mesmas redes de fast food alegando que farão o caminho inverso.

Porém, como não podemos deixar de considerar, morte na indústria de produtos de origem animal é sempre morte, independente de como acontece. Porém, é no mínimo intrigante reconhecer que a chamada “comida rápida”, claro, e não somente ela, ajudou a levar os animais a um novo tipo de inferno terreno.

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Sobre o abate religioso de animais

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A cow hangs from above as it is drained of blood from a slit in its throat. There are two different slits made in the cow’s throat, one for regular consumption and one for halal. Other than that, the halal process is virtually unrecognizable from all other beef processed in the slaughterhouse, contrary to popular belief.

O abate religioso de animais é regulamentado no Brasil visando atender exigências para a exportação de carne. Nesse tipo de abate, o animal é degolado com um golpe em forma de meia lua sob os preceitos islâmicos do abate halal, que consiste em cortar os três principais vasos – jugular, traqueia e esôfago. O abate kosher, de origem judaica, segue padrão semelhante. São cortadas as artérias carótidas e as veias jugulares com uma faca chalaf. No Brasil, o Inmetro emite certificação e selo para esse tipo de execução.

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Written by David Arioch

August 21, 2017 at 2:19 am

Estudo mostra que a pecuária é a atividade com maior apropriação de solo na Amazônia

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Foto: Daniel Beltrá

O artigo “Pecuária e desmatamento: uma análise das principais causas diretas do desmatamento na Amazônia”, publicado pela revista Nova Ecnonomia, do Departamento de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), avalia a evolução das causas imediatas do desmatamento da Amazônia, utilizando-se de regressões lineares.

O estudo mostra que nos estados da Amazônia não há atividade com maior apropriação de solo do que a pecuária, e exatamente por desempenhar papel tão determinante na região está fortemente associada com o desmatamento, inclusive sendo apontada como principal causa. E a agricultura em larga escala em vez de reduzir o impacto da pecuária no desflorestamento tem ajudado a ampliá-lo, até porque as duas culturas estão intrinsecamente relacionadas na região, já que uma depende da outra.

O artigo aponta que o crescente investimento em pecuária na região não tem previsão de desaceleração, até porque a pecuária exige baixos níveis de capital, pouco preparo para o solo e poucas restrições associadas ao relevo e áreas livres de troncos em florestas onde o desmatamento é extremamente acentuado.

Na área, a criação de gado normalmente é extensiva, o que significa que há grandes latifúndios contando com até uma cabeça por hectare. O estudo sugere que é preciso agir sobre a lógica dessa expansão, reduzindo o seu avanço sobre novas áreas da Amazônia. Para isso, é preciso com urgência que sejam estabelecidas novas políticas ambientais.

“É necessário também reduzir a motivação da expansão da pecuária nas áreas onde a propriedade da terra é incerta ou se encontra sobre o controle formal do governo (as chamadas áreas devolutas). Sem o aumento do grau de ordenamento sobre a propriedade da terra e do aumento da legalidade nas áreas ocupadas, a pecuária de baixa produtividade e baixo investimento de capital vai continuar fazendo parte da lógica de expansão da ocupação da terra na Amazônia”, informa o artigo “Pecuária e desmatamento: uma análise das principais causas diretas do desmatamento na Amazônia”.

 

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August 21, 2017 at 1:55 am

A pecuária como fator colaborativo do desmatamento na Amazônia

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Desmatamento é maior em áreas que pertencem ao Pará, Rondônia, Mato Grosso e Maranhão

De acordo com o artigo “O desmatamento na Amazônia e a importância das áreas protegidas”, que faz parte do Dossiê Amazônia Brasileira 1, publicado pela Universidade de São Paulo (USP), o modelo da ocupação demográfica da Amazônia legal nos últimos cinquenta anos tem levado a níveis significativos de desmatamento, resultante de múltiplos fatores, entre eles, a pecuária.

A área cumulativa desmatada na Amazônia legal brasileira chegou a cerca de 653.000 km² em 2003. O processo de desmatamento normalmente começa com a abertura oficial ou clandestina de estradas que permitem a expansão humana e a ocupação irregular de terras à exploração predatória de madeiras nobres.

[…] Existe uma relação direta entre a economia, o avanço da fronteira na Amazônia Legal e a taxa de desmatamento crescente desde 1990, influenciada pelo estado da economia nacional. Contudo, nos últimos anos, essa relação começou a modificar-se, pois a taxa de desmatamento foi crescente, apesar da falta de crescimento econômico .

[…] Os estados que mais desmataram a Amazônia brasileira entre 2001 e 2003 foram os do Pará, Rondônia, Mato Grosso e Maranhão, que, juntos, corresponderam por mais de 90% do desmatamento observado nesse período.

 

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Written by David Arioch

August 21, 2017 at 1:50 am

50% dos municípios da Amazônia não contam com fiscalização do desmatamento

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Foto: André Penner (AP)

De acordo com o artigo “Causas do desmatamento no Brasil e seu ordenamento no contexto mundial”, publicado pela Revista de Sociologia e Economia Rural, na Amazônia Legal, onde o desmatamento provocado pela pecuária é predominante, apenas 50% dos municípios contam com a presença de um órgão fiscalizador.

 

 





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August 21, 2017 at 1:44 am

Os mercadores e consumidores da exploração e da morte animal

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AP Photo/Carrie Antlfinger

A vida, que não deveria ter preço, é um dos negócios mais rentáveis da história da humanidade. Somente a indústria da exploração animal movimenta trilhões de dólares por ano. Não há como não pensar que quando o ser humano se tornou um mercador da morte, ele abriu um precedente que ajudou a naturalizar as mais diferentes formas de violência que conhecemos hoje. Enfim, se uma vida pouco vale, o que as outras coisas, menores que a vida, devem valer? Muito menos.

Matamos por ano mais de 70 bilhões de animais, sendo que temos uma população mundial de pouco mais de 7,2 bilhões de pessoas, o que significa que para onde olhamos há morte, há algum tipo de sofrimento, padecimento, perecimento. Eu sorrio, você sorri, todo mundo sorri, e muitas vezes fechando os olhos para o que nos cerca.

O lugar que mais reflete a morte não é o cemitério, não são os hospitais com doentes terminais, mas as nossas casas, os nossos locais de trabalho, os mercados, os restaurantes, as lanchonetes, as padarias, as farmácias, os nossos espaços de lazer. Todos eles estão imersos na finitude de outras existências, de outras criaturas.

Há histórias de privação e sofrimento por todos os lados. Se os animais que morreram para tornarem-se produtos ganhassem vida em um mercado, milhares deles correriam pelos corredores. Ouviríamos berros, mugidos, zumbidos, cacarejos, grunhidos, etc. Seria uma balbúrdia inimaginável. Quantas histórias de privação e sofrimento são veladas nas embalagens dos produtos que compramos? Quantas caricaturas animalescas encontramos à venda em todos os lugares, simplesmente sendo usadas desonestamente na venda de produtos?

Agências de publicidade criam, para a indústria de produtos de origem animal, personagens animais rindo, cantando e brincando. Em síntese, dissimulação e desrespeitosa ilusão que mascara a simples realidade de que não há diversão no sofrimento nem na morte. Quando um animal se torna mascote caricato de um produto, ele não apenas tem a sua identidade dissociada, como também é elevado à condição de estúpido, parvalhão.

Qual ser vivo que não deseja morrer comemoraria o seu próprio fim ou ofereceria a sua própria carne com prazer? Nesse contexto, o ser humano não apenas mata um animal, mas macula sua imagem. Somos cegos, ou somos negligentes, ou somos tolos, ou somos indiferentes; ou somos simplesmente especistas.

Onde estariam escondidas todas essas carcaças flageladas? De bilhões de animais mortos por ano. Em todos os lugares, e até mesmo dentro de nós. Não temos onde escondê-los. Nem queremos isso. Os matamos para expô-los, para aproveitarmos o máximo possível de suas carcaças, de suas carnes, órgãos, tudo que pudermos. E se algo sobrar? Criamos um novo produto. Não há razão para desperdiçar, principalmente se é possível lucrar.

Semeamos a vida tanto quanto semeamos a morte. Choramos pelas injustiças vividas pelos que consideramos nossos semelhantes, mas não por aqueles que morrem para serem reduzido a pedaços sobre os nossos pratos. Sentimos nojo quando passamos perto de um curtume que polui um rio, reconhecendo ali o cheiro da podridão – da morte e da poluição, mas não aventamos a ideia de não usarmos sapato de couro porque a consideramos ridícula ou exagerada.

Reclamamos da violência aguardando a chegada de um lanche recheado de hambúrguer bovino, presunto, filé, de frango, ovos, muçarela e bacon. Paz somente para nós, não é mesmo? Nos sensibilizamos ao assistirmos na TV uma vaca com a pata quebrada sendo retirada de um buraco. Fazemos isso tomando milk-shake e comendo um sanduíche com queijo prato. Criticamos toda e qualquer forma de aprisionamento percorrendo as fileiras do mercado com bandejas de ovos nas mãos, ignorando a realidade das galinhas poedeiras que passam a vida toda confinadas em regime industrial.

Nos entristecemos com a cena de um porco-do-mato agonizando com a boca aberta sobre a relva. Depois o esquecemos e saboreamos um sanduíche de pernil. Abraçamos a galinha doméstica do vizinho e jantamos frango ao molho. Criamos coelhos e lavamos nossos cabelos com produtos testados em seus semelhantes. Brincamos de senhores da existência, que estabelecem prazos de vida para dezenas e até centenas de espécies de animais. Definimos quando eles nascem, crescem e morrem. Nada pode acontecer sem a nossa interferência. Afinal, somos mercadores e consumidores de morte.

 

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August 21, 2017 at 1:39 am

Bezerros são descartáveis para a indústria de laticínios

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No Brasil, bezerros não são economicamente atrativos para a indústria de laticínios

Realmente, o Brasil é um país onde é incomum o consumo de carne de vitela, ou seja, carne de bezerro. No entanto, caso haja demanda, isso não nos impede de exportar animais vivos ou de vender a carne para que seja consumida em outros países. Ademais, quando bezerros não representam lucro para a indústria da exploração animal, isso significa que são descartáveis. Sendo assim, logo são mortos. A multibilionária indústria de laticínios nos presenteia com muitas cenas lamentáveis de privação e morte, tanto de vacas quanto de bezerros quando estes são considerados dispendiosos. Claro, até porque o consumo de laticínios muitas vezes significa bezerros na pista da morte.

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August 21, 2017 at 12:13 am

Sobre o consumo de produtos de origem animal

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Uma das fotos que prova porque o consumo de produtos de origem animal não vale a pena

— Me diga algumas palavras que remetem ao consumo de produtos de origem animal e outras que remetem à recusa a esse consumo.

— Ao consumo, bom, eu poderia dizer apenas antropocentrismo e especismo, mas quando se trata de tal hábito penso em condicionamento, propaganda, comodismo, paladar, desinformação, negação e conformismo. Podem parecer palavras duras, mas essas citações são justificáveis e passíveis de fácil argumentação. Já a recusa a esse consumo, associo positivamente à moral, ética, justiça, empatia, compaixão, consciência, responsabilidade, meio ambiente e saúde.

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August 20, 2017 at 11:25 pm

“Sim, o plano ainda é o mesmo”

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“Claro que sim. Nada mudou”

Em uma longa fila, enquanto eu aguardava pacientemente e observava a movimentação, um camarada me ligou.

Eu — Sim, o plano ainda é o mesmo. Não precisa se preocupar.

Eu — Claro que sim. Nada mudou.

Eu — Ele confirmou que vai fazer a instalação.

Eu — Pode confiar. O material realmente é de boa qualidade.

Eu — Melhor, impossível. Com ele, não tem erro.

Eu — Acho que teremos uma explosão daquelas, de felicidade.

Eu — Sim, está tudo acertado. Vai ser uma surpresa tremenda. Só tem que tomar cuidado pra ninguém perceber nada antes.

Eu — Não, creio que não. Ele disse que o trabalho de instalação é garantido. Sim, não precisa ativar nada, vai vir tudo pronto.

Eu — Arriscado? Não, de modo algum.

Conforme a conversa fluía, notei algumas pessoas me assistindo. Mas simplesmente ignorei. Uma senhora com olhar assustado, e que estava logo atrás de mim, apontou o dedo em direção à minha barba, e saiu da fila a passos ligeiros. Não entendi o motivo e continuei a conversa.

Eu — Você avisou?

Eu — Eles vão correr onde depois?

Eu — Eles já tinham me avisado.

Mais duas pessoas saíram da fila.

Eu — Sim, ele não quer que o grupo leve crédito por nada. Já pediu anonimato.

Eu — Claro que não. Não tem a menor chance. Vai acontecer como planejado.
Mais uma pessoa se afastou.

Antes de desligar o celular, Roberto comentou:

— Uma pena que eles não poderão participar por causa do treino, mas espero que o braço mecânico funcione e que o Seu Zé goste, porque deu tanto trabalho pra conseguir um.

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August 20, 2017 at 10:32 am

Posted in Crônicas/Chronicles

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