David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Harper Lee e “O Sol é Para Todos”

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16830823_1342851275806264_1364202372851685136_nComprei hoje o livro “O Sol é Para Todos”, que nunca li, embora sempre tenha ouvido falar bem a respeito. É um dos maiores clássicos da literatura dos Estados Unidos, que garantiu a escritora Harper Lee o Prêmio Pulitzer.

A obra narra a história de um advogado que se torna alvo de uma comunidade racista ao defender um homem negro acusado de estuprar uma mulher branca. Eu já conhecia o filme, também um clássico eternizado por Robert Mulligan e Gregory Peck em 1962. Harper Lee é a mulher que ajudou a alavancar a carreira daquele que é considerado um dos nomes mais importantes do jornalismo literário norte-americano – Truman Capote.

Ele é mais conhecido pelo clássico A Sangue Frio, obra que conta a história do bárbaro massacre de uma família do Meio-Oeste, e que Capote só conseguiu escrever graças ao suporte de Harper, que foi quem o assessorou e garantiu contato com as mais importantes fontes e referências. Uma pena que Capote não deu a ela qualquer crédito, inclusive mais tarde sendo apontado como um sujeito que embora talentoso, também era invejoso e mesquinho.

Written by David Arioch

fevereiro 19, 2017 at 12:01 am

Eraldo, um bom exemplo

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Por volta das 14h, na saída de Maringá, passei no Catuaí e decidi comer alguma coisa no restaurante Jin Jin Wok. Peguei um prato e percebi que havia poucas opções para quem é vegetariano ou vegano. Muitos dos alimentos deles que não têm carne, normalmente têm ovo ou algum derivado lácteo.

Então peguei os únicos alimentos vegetarianos disponíveis e fui até o outro lado ver o que eles tinham preparado de sushi. Olhando atentamente, notei que não havia nada para mim. Então perguntei ao sushiman se eles não tinham nenhum sushi sem ingredientes de origem animal.

Ele me mostrou um sushi com pepino, mas avisou que não estava tão fresco, e sugeriu que eu esperasse porque ele iria preparar algo. No mesmo instante, pediu a uma mulher que estava no caixa para não cobrar pelo sushi, justificando que não havia nada para mim entre as opções prontas.

Assim que pesei meu prato e paguei a conta, caminhei até o sushiman e ele pediu que eu posicionasse meu prato em sua direção. Me entregou oito unidades de sushi de três variedades e perguntou se eu queria mais. Agradeci, mas expliquei que era o suficiente.

Depois de comer, o agradeci mais uma vez pela gentileza. Então eu soube que seu nome é Eraldo. Está aí um exemplo de bom profissional e ser humano.

Written by David Arioch

fevereiro 18, 2017 at 9:02 pm

Considerações sobre compaixão e paladar

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Companheiros, pintura do alemão Hartmut Kiewert

Quem diz que veganos e vegetarianos não têm bons argumentos são os mesmos que colocam o paladar acima do direito à vida. Mas tais pessoas provavelmente não dirão simplesmente que querem apenas que alguém morra para saciar um prazer fortuito.

Então, para parecerem justos, falseiam justificativas que nada mais são do que cortinas de fumaça que tentam velar anseios puramente sensoriais. Compaixão é um sentimento superior a qualquer estímulo efêmero desencadeado pelo paladar.

E acho que sobre isso, não há o que discutir, já que a compaixão é um dos sentimentos mais nobres da humanidade, enquanto que a gustação, um sentido condicionável, não existe com a finalidade de fazer do ser humano um refém, revelando suas fraquezas. Muito pelo contrário, é algo que o ser humano pode e deve aprender a disciplinar.

 

Written by David Arioch

fevereiro 17, 2017 at 11:18 pm

Uma declaração de amor

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Sim, sua suavidade incorporava a própria graça da existência

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É sempre difícil se declarar assim para alguém, mas não tenho vergonha de admitir o que sinto por você. Me apaixonei desde a primeira vez que a vi. Foi subitâneo, instantâneo. Ninguém esperava. Você ainda tinha cabelos bem curtos de azeviche. Era reservada e não conseguia velar a timidez. Mas eu pensava em você a maior parte do tempo. A primeira vez que dormimos juntos e a senti acariciando meu rosto e minha boca foi inacreditável, ilimitável. Claro, mesmo com um pouquinho de aspereza de sua parte.

Com o tempo, você se fez cada vez mais presente, e permitiu que nos tornássemos um. Quantas vezes depois de quase um ano amanheci a sentindo em minha boca, percorrendo meus lábios, massageando meu peito? Você fazia tudo no silêncio das sensações; sem falar nada, simplesmente se insinuando como se sua existência se pautasse somente na frugalidade do momento.

Realmente, mergulhamos na mais figadal das experiências insólitas. Você sempre gostou de brincar com minhas reações. Não nego que tive pesadelos em que amarguei o irreal desespero de sua partida. Sim, eu acordava com o rosto úmido, os olhos marejados, receoso em ter de aceitar a famigerada despedida, que por bem jamais aconteceu. Para me animar, você se achegava, se movia de maneira ímpar, extraordinária, como se acompanhasse a aragem serena que invadia a janela de meu quarto.

Você se lembra quando eu confundia sua leveza com o próprio vento nas noites mais frescas? Sim, sua suavidade incorporava a própria graça da existência. Você sempre me fez feliz, um sonhador nesses quase 14 meses em que estamos juntos. Saiba que às vezes ainda fico enciumado quando olham demais para você nas ruas, mas aprendi a aceitar que o seu brilho é independente, único, resplandecente; e que devo tão e somente orgulhar-me de ti.

Sei que sua ternura subsiste em mim depois de compartilhamos tantos momentos inimagináveis. E nada é capaz de abalar isso, nem as manhãs em que você amanhece arredia e indisposta, sem querer ver ninguém. Mas todo bom relacionamento funciona assim, na compreensão do silêncio, no olhar sem ciceronear, na partilha do que deve ser partilhado e no respeito do que deve ser ignorado. Muito obrigado por tudo, Minha Barba.

Written by David Arioch

fevereiro 17, 2017 at 11:13 pm

Publicado em Autoral, Crônicas/Chronicles

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Sobre produtos de higiene pessoal e cadáveres de animais

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Muitas pessoas compram e usam sabonetes e outros produtos de higiene pessoal que são baseados em ingredientes de origem animal, principalmente gordura bovina e caprina. Sendo assim, é difícil acreditar que alguém esteja realmente se higienizando ao usar um produto que tem em sua composição algo que é extraído de cadáveres de animais.

Inclusive a indústria cria propagandas em que ilude o consumidor com a ideia de uma suposta purificação corporal baseada em algo proveniente de animais mortos. Muita gente toma banho com sabonete baseado em sebo, algo que é recolhido em frigoríficos. Como isso pode não ser no mínimo estranho?

Written by David Arioch

fevereiro 15, 2017 at 11:21 pm

Cortes de carne nada mais são do que fragmentos de cadáveres

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Pessoas sempre se incomodam quando alguém se refere à carne como cadáver. Não há nada de errado em se referir à carne dessa forma. Cortes de carne nada mais são do que fragmentos de cadáveres, como o escritor J.M. Coetzee, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, destaca em livros como “Desonra”, “Elizabeth Costello” e “A Vida dos Animais”.

É apenas uma questão de compreensão, constatação da realidade. Quem chama carne de cadáver pensa na origem da carne, ou seja, no animal que morreu para que ela fosse comercializada nos açougues. Quem se incomoda com essa palavra, oculta-se na ilusão, se nega a crer que o que está comendo custou a vida de um animal – o que é bastante óbvio. Afinal, não existe carne sem morte.

Written by David Arioch

fevereiro 15, 2017 at 11:17 pm

Sobre comer animais

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Ontem, encontrei um camarada na rua e a breve conversa foi assim:

– Por que você não come nada de origem animal?

– Porque eu gosto de animais, acho que eles têm direito à vida, logo não acho certo comê-los.

– Mas eu também gosto! Só que não fico sem carne, leite e ovos.

– Intrigante isso.

Sem dizer mais nada, o camarada se afastou incomodado, como se eu o tivesse ofendido.

Written by David Arioch

fevereiro 15, 2017 at 11:13 pm