David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Charlie Hebdo, Siné e liberdade de expressão

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Siné foi demitido do jornal em 2009 por fazer críticas ao semitismo (Foto: Reprodução)

Dizem que o jornal francês Charlie Hebdo defende a liberdade de expressão acima de tudo. Tudo bem. Então por que demitiram o cartunista Siné em 2009? O demitiram porque ele fazia críticas ao semitismo. Ou seja, assim como muitos veículos de comunicação, o Charlie Hebdo também tem seus interesses bem definidos, e não se trata apenas de liberdade de imprensa.

É algo mais subjetivo, embora muita gente prefira encarar a situação sob uma perspectiva simplista e radicalmente maniqueísta. Há pessoas até divagando e comparando os cartunistas ao Carlos Martel, o tal herói que livrou a Europa da expansão islâmica na Idade Média. O que chama atenção também é que o jornal lançou três milhões de exemplares em 16 idiomas na edição seguinte ao atentado em Paris, no dia 7 de janeiro de 2015. Uma enorme discrepância com a edição anterior, limitada a 60 mil cópias.

Mesmo sediado em Paris, o Charlie Hebdo sempre foi considerado um veículo com um orçamento modesto, tanto que enfrentou inúmeras crises financeiras para não fechar as suas portas. Sendo assim, quem financiou isso tudo? E com qual interesse?

A mídia tradicional não funciona sem geração de lucros e muito menos com dívidas. Visibilidade e comunicação se constituem em formas de poder, logo é difícil crer que o foco do semanário satírico seja apenas a liberdade de expressão. Torço apenas para que a tragédia do ano passado não tenha sido usada para alimentar interesses escusos.

Written by David Arioch

January 13th, 2015 at 3:34 pm

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