David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Cultura como necessidade primária

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O brasileiro é estimulado diariamente a não ter uma noção plausível do que significa cultura

Cultura também é muito daquilo que as pessoas fazem, mas infelizmente não têm a mínima ideia de sua importância (Arte: Reprodução)

Cultura é muito daquilo que as pessoas fazem, mas muitas vezes não têm a mínima ideia de sua importância (Arte: Reprodução)

Em um país onde não se investe mais que 0,6% em cultura, ou seja, menos de 1% do orçamento da União, poucos políticos se importam em defender a bandeira da área cultural, tão menosprezada em comparação a outros setores considerados primários. Ora, se a cultura não é uma necessidade primária, já que se vincula à identidade humana, o que mais poderia fazer o homem reconhecer a si mesmo e seus semelhantes como parte de algo? Já passou da hora de se entender que educação, saúde, segurança e questões sociais serão sempre incompletas se não forem devidamente relacionadas à cultura.

O próprio desconhecimento do local onde se vive e do espaço dividido com outros é uma consequência do descaso cultural. Pessoas cometem homicídios diariamente por causa da banalização da vida. Não se reconhecem como parte de nada e tornam-se incapazes de encararem outro ser humano como alguém da mesma espécie, que já nasce embutido de valor. Tudo isso é reforçado pela falta de pertencimento, o que tem relação direta com a ausência de uma sólida formação cultural.

Se tratando de saúde, principalmente emocional e psicológica, sabemos o quão terapêutica é a cultura. Nada mais atribui ao homem um senso de valor tão pleno, rico e heterogêneo em âmbito individual ou coletivo. Gênios da humanidade surgiram graças à edificação da capacidade de se universalizar pensamentos, emoções e sentimentos que têm como base uma bagagem cultural. Se me emociono com um fazer artístico, logo não estou sozinho, deixando de me sentir só, assim se reduz alguns dos males da hipermodernidade.

Quem avalia a realidade sob um prisma exíguo, paliativo e superficial se restringe ingenuamente a falar apenas em investir em mais armamentos e construir mais prisões. Prefiro que priorizem a construção de espaços culturais e que sensibilizem crianças e adolescentes através da inclusão de atividades culturais nas escolas e universidades. É preciso dar oportunidades para que cada um descubra em si uma habilidade ou afinidade cultural. A cultura é tão vasta que é impossível que alguém não se identifique com nada.

Com a sensibilização cultural, imagino que possamos minimizar problemas comportamentais, além de contribuir para a descoberta precoce de potencialidades que podem culminar na revelação de dons. Cultura também é muito daquilo que as pessoas fazem, mas muitas vezes não têm a mínima ideia de sua importância.

O brasileiro é estimulado diariamente a não ter uma noção plausível do que significa cultura, já que isso implica em uma conscientização e distanciamento do analfabetismo funcional. Ainda falando de cultura, não tenho dúvidas de que é preciso ser guerreiro para descer caminhando e subir correndo.

Written by David Arioch

January 5, 2016 at 1:50 pm

Posted in Autoral

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