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Drácula e o homoerotismo de Bram Stoker

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Embora o livro seja conhecido no mundo todo, ele não trouxe fortuna ou sucesso ao autor dublinense

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“Em seu último ano de vida, ele ganhou tão pouco escrevendo que teve de recorrer ao Fundo Real Literário” (Foto: Reprodução)

Autor de três livros de contos, quatro livros de não-ficção e 12 romances, o escritor irlandês Bram Stoker sempre teve o seu nome associado à sua obra mais famosa – Drácula, publicada em 1897. Embora hoje o livro seja conhecido no mundo todo, ele não trouxe fortuna ou sucesso ao autor dublinense. “Em seu último ano de vida, ele ganhou tão pouco escrevendo que teve de recorrer ao Fundo Real Literário”, conta o escritor canadense e professor de literatura Steve King.

Assim como outros escritores se sentiram atraídos pela onda de histeria que atingiu a Europa no Século XVII, quando histórias sobre vampiros vieram à tona, com Bram Stoker não foi diferente. Ele queria trabalhar à sua maneira os mesmos elementos explorados por Goethe, Coleridge, Byron, Southey e Dumas.

Na literatura inglesa, o primeiro romance sobre o tema foi The Vampyre, do escritor inglês John Polidori, lançado em 1819. A história surgiu por acaso quando Polidori estava hospedado com o escritor Lord Byron em uma casa na Vila Diodati, nas imediações do Lago de Genebra, na Suíça. Como choveu muito ao longo de três dias, Byron, Polidori, Claire Clairmont, Percy Shelley e Mary Shelley decidiram passar o tempo contando histórias. Ao final, o desafio era escrever um conto baseado no que ouviram.

Após a experiência, Polidori escreveu em apenas três manhãs a sua novela vampiresca inspirada na narrativa de Fragment of a Novel, de Byron, publicada em 1816. Já Mary Shelley, com a colaboração de Percy Shelley, produziu a partir daquele encontro a obra que se tornaria uma das mais influentes da literatura gótica – Frankenstein, de 1818.

Alguns biógrafos acreditam que o interesse de Bram Stoker pelo tema vampirismo teve menos a ver com a sua simpatia por lendas do que com o seu anseio em manifestar suas insatisfações pessoais. Ele tinha um relacionamento complexo com o famoso ator inglês Henry Irving, de quem foi amigo e agente. A relação entre os dois era tão importante para Stoker que ele deu ao seu filho o nome de Irving Noel Stoker. Quem lê o livro com atenção percebe que Drácula é carregado de uma transferência homoerótica do autor para a obra. Ou seja, o autor usou a escrita como forma de dar vazão às suas frustrações.

Primeira edição de Drácula, lançado em 1897 (Foto: Reprodução)

Primeira edição de Drácula, lançado em 1897 (Foto: Reprodução)

Por outro lado, mais tradicional e menos subliminar é a hipótese de que o livro é resultado de uma pesquisa sobre o príncipe valaquiano do século XV, o lendário conde Vlad Tepes ou Vlad o Empalador. O livro se chamaria Count Wampyr, porém suas pesquisas o levaram a crer que Drácula significava diabo na língua valaquiana, por isso ele mudou o nome, uma interpretação não muito correta.

Mesmo ciente de que na realidade Bram Stoker sabia pouco ou nada a respeito da verdadeira história de Vlad Tepes ou da Transilvânia, o livro causou tanto furor que foi muito bem recebido pelo Império Austro-Húngaro. Com a popularidade cada vez mais crescente de Drácula, o que deu visibilidade inimaginável para a Romênia, o governo tomou a decisão de construir o Dracula Park na cidade medieval de Sighisoara, onde nasceu o conde Vlad.

“Depois de protestos de estudiosos, defensores da história da Romênia e anti-disneyites, eles optaram por construí-lo em Bucareste, até que no início de 2006 o governo mudou de ideia e anunciou que por causa de tantos atrasos e controvérsias, a construção do parque foi cancelada”, revela Steve King.

Saiba Mais

Importante nome da literatura da era vitoriana, Bram Stoker nasceu em Dublin, na irlanda, em 8 de novembro de 1847 e faleceu no dia 20 de abril de 1912 em decorrência de sífilis terciária.

Referências

http://www.todayinliterature.com/

Belford, Barbara (2002). Bram Stoker and the Man Who Was Dracula. Cambridge, Mass.: Da Capo Press.

Murray, Paul (2004). From the Shadow of Dracula: A Life of Bram Stoker. Random House.

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One Response to 'Drácula e o homoerotismo de Bram Stoker'

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  1. Muito bom! Histórias que a gente nem imagina, vemos por aqui. Parabéns por mais um texto surpreendente.

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