David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

No centro e no mercado

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Dias atrás, no centro, bem na esquina da Avenida Paraná com a Rua Souza Naves, uma cigana começou a balançar as pulseiras e gritou, me chamando de “wortako”. Olhei receoso, indeciso sobre parar ou não. Quando segui adiante, ela veio em minha direção, ameaçando segurar minha mão.

Fiquei tão surpreso que acabei sem reação, com os pés interrompidos. A cigana olhou bem nos meus olhos duas ou três vezes, alternando toques e esfregões na palma da minha mão direita. De repente, levou a mão à boca e disse: “Você não é filho do Tayrone?” Respondi que não, ela soltou minha mão e gritou: “Che chorrobiya! Che chorrobiya! Seu mentiroso! Mentiroso! Eu conheço a sua família!” Enquanto ela balançava as pulseiras, me afastei a passos rápidos.

Um pouco mais cedo, fui ao mercado. Na seção de grãos, peguei um pacote de farinha de trigo para quibe, de uma marca que até então eu não conhecia, e comecei a ler a lista de ingredientes e outras informações complementares. De repente, uma mulher se aproximou e disse: “Aposto que até você que come muito quibe está estranhando o preço, não?”

6 de novembro de 2016.

 

Written by David Arioch

November 16th, 2016 at 10:19 am

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