David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Sobre textos que tentam desqualificar o veganismo

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Watson via o veganismo como uma forma de reparação moral e ética em relação ao tratamento que os seres humanos dispensam aos animais (Foto: Reprodução)

Acredito que muita gente tem lido e compartilhado dois textos que desmerecem o veganismo. Um deles se chama “Os Veganos e os Vegetarianos acreditam que não matam animais mas isso não é verdade”, publicado pelo Pensador Anônimo, e o outro é intitulado “O Mito do Veganismo”, publicado pelo blog Kataklysma, que se autointitula de ecologia radical e anticivilização. A fonte original do segundo é o blog Matar o Morir Ediciones.

Os dois seguem uma linha de raciocínio que se distanciam no decorrer de cada texto. O primeiro apresenta uma perspectiva obtusa em relação ao veganismo e bem-estarista em relação aos animais. Já o segundo, ao mesmo tempo que desqualifica o veganismo, propõe logo de cara uma transformação extremamente estoica e utópica para o momento atual, que mais parece saída de um filme de ficção científica.

Só para resumir, na minha opinião o maior equívoco desses dois textos é afirmar que o veganismo já começa errado quando fala que é uma filosofia de vida que exclui todas as formas de exploração e crueldade para com o reino animal. Não, não é exatamente isso que fala a Vegan Society.

Ela fala de buscar excluir, se esforçar para evitar todas as formas de exploração. Versa sobre a contribuição de cada um para reduzir cada vez mais a exploração, e tudo dentro das nossas possibilidades. O veganismo em essência nunca foi um movimento radical, muito pelo contrário, é um movimento pró-vida, e movimentos pró-vida nunca são radicais. Quem tem dúvidas disso, é só estudar a vida de Donald Watson, fundador da Vegan Society, o criador do veganismo como conhecemos hoje.

Ele era um sujeito bastante sociável, que simplesmente acreditava que os animais têm o direito de partilhar da mesma justiça dos seres humanos. Sim, ele foi um humanista antes de ser vegano. E quando alguém que discursa sobre isso vem com papo de anticivilização, já é possível perceber que há um nível desconcertante de incoerência conceitual.

Watson via o veganismo como uma forma de reparação moral e ética em relação ao tratamento que os seres humanos dispensam aos animais. Era alguém com um peculiar senso de justiça, não uma pessoa radical que disseminava um discurso totalmente fora da realidade como os detratores do veganismo tentam pincelar.

Como sempre digo, e acho que meu raciocínio vai ao encontro do que preconizava Donald Watson: “Minha prioridade é proporcionar o menor impacto possível aos seres vivos enquanto eu viver, e vou me adaptando às novidades sem problema algum.”

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