David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for March, 2017

Propagandhi: “De alguma forma, todo mundo que come carne sabe que existe algum dano nisso”

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“Não tenho nenhuma necessidade de machucar os animais para o meu próprio prazer ou conforto”

Propagandhi defende os direitos animais e promove o veganismo desde os anos 1990 (Foto: Divulgação)

Fundada no Canadá em 1986, a banda Propagandhi, importante nome do cenário punk rock da América do Norte, tem se destacado desde os anos 1990 por ter como bandeira a defesa dos direitos animais e o veganismo. Em uma de suas músicas, “Nailing Descartes To The Wall/(Liquid) Meat is Still Murder”, que faz parte do álbum “Less Talk, More Rock”, lançado em 1996, eles cantam:

“Pare de consumir animais…da carnificina espalhada pelos pátios, fábricas e fazendas. […] Mas você não pode negar que carne ainda é assassinato, e laticínios ainda são estupro. Eu ainda sou tão estúpido quanto qualquer um, mas sei dos meus erros. Reconheci uma forma de opressão. Agora reconheço o resto. A vida é muito curta para tornar a dos outros mais curta.”

E, desde o princípio, se alguém tentasse criticá-los, alegando que jovens de uma banda de punk rock dificilmente conhecem a verdadeira realidade das fazendas e dos matadouros, era preciso estar preparado. De acordo com o vocalista e guitarrista Chris Hannah, o Propagandhi veio de uma área área rural, de uma cidadezinha chamada Portage La Prairie, de pouco mais de 13 mil habitantes. Então os integrantes da banda viram e tiveram contato com vacas, fazendas, laticínios e matadouros enquanto cresciam.

“Nós somos desse meio. Sabemos o que acontece. Nós vimos isso. E sou meio que feliz por ter esse tipo de munição que me trouxe um desafio. Isso é outra coisa sobre ser do campo no Canadá, você sabe quando as pessoas estão falando merda”, disse Hannah em entrevista a Ian Phillips em 18 de dezembro de 2007, em referência às pessoas que tentam desqualificar as letras da banda, alegando que são “sensacionalistas” ou “apelativas”.

Segundo o baixista e vocalista Todd Kowalski, o Propagandhi é um grupo vegano em essência. “É importante para nós que todos [da banda] acreditem no que estamos dizendo e praticando, senão isso não seria sincero. Definitivamente, usamos a banda para promover o veganismo através da música, entrevistas, artigos, etc. Na minha vida, tento deixar um exemplo, ser a minha mensagem para as pessoas ao meu redor. E funciona. Muitos dos meus amigos, assim como meu irmão, se tornaram vegetarianos depois de ver como é fácil”, declarou em entrevista à revista T.O.F.U.

“É importante para nós que todos [da banda] acreditem no que estamos dizendo e praticando, senão isso não seria sincero” (Foto: Reprodução)

Kowalski se tornou vegetariano após pensar sobre o assunto por um mês ou mais. Depois de uma crise de consciência, o vegetarianismo pareceu a coisa certa a se colocar em prática. “Fui vegetariano por um ou dois anos antes de me tornar vegano, embora não tenha sido um processo lento”, relatou.

Em entrevista a Noisey publicada em 23 de junho de 2015, Todd disse que o Propagandhi já tinha abraçado o veganismo “antes que se tornasse algo legal”, talvez citando a tendência de pessoas que se tornam veganas por acharem “divertido”, e não pelos motivos certos.Agora há muitos livros de receita e outros materiais, mas, de volta aos anos 1980, se você quisesse fazer algo como hambúrgueres, você tinha que comprar um saco de grãos em pó e misturá-lo com água”, contou em tom bem-humorado.

Por outro lado, a popularidade do veganismo tem agradado bastante aos integrantes do Propagandhi. Todd Kowalski enfatizou que ficou muito mais fácil encontrar comida vegana durante as turn~es. Quando não vão a restaurantes veganos, eles optam pelos tailandeses, que também têm ótimos pratos sem ingredientes de origem animal. “Em casa, normalmente preparo minha comida, e de vez em quando vou ao Merkato, o meu restaurante etíope favorito em Winnipeg”, revelou ao VegNews.

Para os caras do Propagandhi, é razoável, natural e lógico que uma pessoa se torne vegana se ela estiver interessada em provar que defende a justiça para todos os seres vivos. “Não tenho nenhuma necessidade de machucar os animais para o meu próprio prazer ou conforto. Não quero contribuir com as indústrias que estão poluindo o mundo, matando e ferindo animais. Ser vegano é fácil, saudável e muito mais prazeroso do que sofrer de dor depois de comer uma bratwurst [salsicha alemã]”, declarou Kowalski rindo em entrevista à revista T.O.F.U.

Todd reclamou também que não consegue entender como as pessoas são capazes de substituir a compaixão e a justiça por um copo de leite ou um pedaço de queijo, levando em conta que isso significa a exploração das vacas por toda a vida. Ele frisou que as pessoas podem mudar facilmente se elas tiverem vontade o suficiente. “De alguma forma, todo mundo que come carne sabe que existe algum dano nisso. Sinto em algum lugar de mim um pouco de ressentimento por isso. Me pergunto como eles podem continuar contribuindo com isso se eles se consideram justos?”, questionou.

“Me pergunto como eles podem continuar contribuindo com isso se eles se consideram justos?” (Foto: Reprodução)

Entretanto, Kowalski ponderou que é muito fácil generalizar que todas as pessoas do mundo que consomem alimentos de origem animal não têm compaixão. De acordo com o baixista e vocalista do Propagandhi, há certas culturas em que, devido às circunstâncias, as pessoas nem sabem ou cogitam o que seja o vegetarianismo, até por fortes fatores culturais e educacionais.

“Não culpo essas pessoas fortemente. [Mas] nós, na América do Norte, temos a informação e a história cultural para agir de maneira diferente, especialmente considerando que a maioria da ‘nossa carne’ é produzida em revoltantes fazendas industriais. Com isso em mente, carne de animais criados livres [também] não é um substituto justificável”, argumentou e acrescentou que sua reprovação se estende a todos os países onde o consumo de produtos de origem animal foi naturalizado pela indústria.

Sendo assim, as pessoas compram carne diretamente de açougues e mercados, financiando não apenas a morte e o sofrimento animal, mas também a ganância daqueles que veem os animais apenas como um meio de obter lucro. Contudo, Todd Kowalski explicou que se tivesse nascido em Dinka, no Sudão, ou em algum lugar onde comer carne fosse a espinha dorsal de sua vida, provavelmente ele não teria chegado a se tornar vegetariano.

“Porém, se eu mudasse para o Canadá ou Estados Unidos, eu poderia ter me revoltado com isso e me tornado vegetariano. Claro que a sociedade dita como será sua vida e suas escolhas. No entanto, branco ou aborígine, comprando ‘sua carne’ das fazendas industriais é completamente injusto e decididamente contra a natureza e, ao meu entender, contra a cultura aborígine. Não é sustentável, lógico, necessário, justo ou espiritual”, criticou o baixista do Propagandhi em entrevista à revista T.O.F.U..

Formação

Chris Hannah – Vocal e guitarra

Todd Kowalski – Baixo e vocal

Jord Samolesky – Bateria e vocal

David Guillas – Guitarra e vocal

Saiba Mais

O Propagandhi é colaborador de organizações que atuam em defesa dos direitos animais, como Peta e Sea Sheperd, além de outras.

Entre os anos de 1993 e 2012, o Propagandhi lançou os álbuns “How to Clean everything”, “Less Talk, More Rock”, “Today’s Empires, Tomorrow’s Ashes”, “Potemkin City Limits”, “Supporting Castle” e “Failed States”.

Referências

https://noisey.vice.com/en_us/article/propagandhi-winnipeg-interview-2015

http://vegnews.com/articles/page.do?pageId=381&catId=5

#TBT | An Interview With Todd Kowalski (Of Propagandhi)

 

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O cardiologista de 102 anos que se tornou vegano há 52 anos

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“Quando eu estava praticando a medicina, eu dizia aos pacientes que a dieta baseada em vegetais é o caminho mais saudável”

Aos 102 anos, o cardiologista ainda cuida do próprio jardim (Foto: Patrick Strattner)

Aos 102 anos, o cardiologista Ellsworth Wareham dorme de oito a nove horas por noite, acorda às cinco da manhã e inicia o dia comendo cereais integrais com leite de amêndoas. Mais tarde, faz exercícios, cuida do jardim e passa o resto do dia com a família.

Essa tem sido a rotina do médico que se aposentou aos 95 anos. E como ele ainda consegue ser tão ativo e saudável? “Não consumo nada de origem animal” – é a resposta de Ellsworth Wareham que mora em uma pequena cidade onde as pessoas vivem mais do que a maioria da população ocidental.

Em Loma Linda, na Califórnia, não é difícil encontrar vegetarianos, inclusive, o maior mercado da cidade não comercializa nenhum tipo de carne. Além disso, também baniram o fumo, e o índice de comercialização e consumo anual de álcool está entre os mais baixos dos Estados Unidos.

É nesse cenário com uma população predominantemente adventista que podemos encontrar o vegano centenário Wareham, que vive em uma casa de dois andares, onde não demonstra nenhuma dificuldade em subir a escada. Também é o médico aposentado que cuida do próprio jardim, um exercício que o permite se sentir mais próximo da natureza.

Com boa saúde e clareza mental exemplar, ele credita todos esses benefícios a uma decisão que tomou há quase 53 anos – banir todos os alimentos de origem animal da sua alimentação. À época, Ellsworth Wareham teve contato com uma pesquisa científica realizada pela Cleveland Clinic, revelando como o consumo de proteínas de origem animal elevam o colesterol e ajudam a aumentar o risco de se contrair doenças cardíacas. A solução segundo a pesquisa, seria a adoção de uma dieta vegetariana estrita e com baixo teor de gordura.

“Quando eu estava praticando a medicina, eu dizia aos pacientes que a dieta baseada em vegetais é o caminho mais saudável. Sugeri manterem-se afastados de produtos de origem animal o tanto quanto possível. Você pode falar sobre exercícios de relaxamento, atitude mental positiva e as pessoas vão aceitar. Mas se você falar sobre o que estão comendo, elas se mostram muito sensíveis sobre isso. Se um indivíduo estiver disposto a ouvir, tentarei explicar com base científica o que acho melhor para ele”, declara.

Não me preocuparia nem em fazer um eletrocardiograma se eu tivesse uma dor no peito (Foto: Jarty)

O nível de colesterol de Wareham há muito tempo se estabilizou em 117, o que significa que ele está muito bem. “Não me preocuparia nem em fazer um eletrocardiograma se eu tivesse uma dor no peito. Se o seu colesterol for inferior a 150, sua chance de sofrer um ataque cardíaco é muito baixa”, afirma.

Por outro lado, a sua realidade não é tão comum quanto deveria. Segundo o médico, um terço da população dos Estados Unidos vai morrer em decorrência de doença coronariana, e tendo como agravante o consumo excessivo de alimentos de origem animal. “Se você puder evitar isso, vale a pena”, sugere com a experiência de quem trabalhou no Loma Linda University Medical Center, considerado um dos melhores hospitais de tratamento de doenças cardíacas dos EUA.

Saiba Mais

Nascido em 3 de outubro de 1914, o médico Ellsworth Wareham, que também é ex-veterano de guerra, realizou uma das primeiras cirurgias de coração aberto dos Estados Unidos.

Ele orientou residentes da Universidade Loma Linda até os 95 anos.

Referências

http://www.collective-evolution.com/2015/05/04/100-year-old-vegan-heart-surgeon-retired-at-95-heres-why-hes-been-a-vegan-for-50-years/

http://www.foxnews.com/health/2014/12/16/100-year-old-surgeon-wwii-vet-who-retired-at-age-5-shares-secrets-to-longevity.html

This 100-year-old Retired Surgeon Says ‘Vegan Diet’ is Key to Longevity

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Written by David Arioch

March 31st, 2017 at 12:43 pm

Considerações sobre o reality show da porca Esther

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Reality Show vai mostrar que porcos são animais sensíveis e inteligentes (Foto: Divulgação)

Publiquei ontem uma matéria sobre a porca Esther que vai ganhar um reality show. Algumas pessoas fizeram deboche em páginas que repercutiram o texto do meu blog, e sinceramente não entendi por que achar ridículo uma porca em um reality show.

Esther é uma porca que foi resgatada, ou seja, saiu do abandono para um lar onde recebeu carinho e teve sua vida transformada. Acho que não apenas seres humanos, mas outros animais também têm direito a isso.

Ela, com sua natureza singela, amorosa e benevolente, também vai espalhar uma mensagem positiva sobre o veganismo, além de conscientizar sobre a exploração animal. Ademais, vai mostrar como porcos são animais inteligentes e sensíveis. Isso é pouco? Não acho. E eu poderia listar outros pontos a se considerar.

O mundo está mudando, e quem não aceita o fato de que animais também estão ganhando espaço na TV, e justamente pelo fato de que até hoje não aprendemos a lidar corretamente com eles, reconhecer sua importância no mundo, vai ser obrigado a amargar a própria intransigência. Os animais têm muito a nos ensinar, e acho que não é preciso ser vegetariano, vegano ou defensor dos animais para atestar isso.

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Written by David Arioch

March 31st, 2017 at 10:46 am

Empédocles, um pré-socrático contra o derramamento de sangue dos animais

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Em “Retórica”, Aristóteles escreveu que Empédocles era contra a matança de qualquer criatura 

O pai da retórica defendia que é preciso seguir o princípio do amor (Arte: Thomas Stanley)

Sempre que se fala nos filósofos da Grécia Antiga, e na forma como eles influenciaram o vegetarianismo, surgem controvérsias. Alguns alegam que vários filósofos gregos apontados como vegetarianos somente se abstiveram da carne. Outros dizem que a defesa de uma dieta livre de ingredientes de origem animal normalmente tinha como motivação uma crença espiritual, principalmente a transmigração de almas; assim os julgando como antropocentristas.

Porém, mesmo que isso seja verdade, ainda é possível citar filósofos gregos que, de algum modo, contribuíram para a discussão sobre o vegetarianismo e os direitos animais, mesmo que sob viés polêmico. Ainda que, a princípio, suas ideias tenham sido pautadas a partir das consequências das ações humanas, e o que isso significaria propriamente à humanidade, o filósofo pré-socrático grego Empédocles (490-430 a.C), o pai da retórica, defendia que é preciso seguir o princípio do amor em relação a todas as espécies; portanto, abster-se de violência e derramamento de sangue, o que já figurava como uma defesa da compaixão e do direito dos animais à vida, de acordo com o livro “Animal Suffering: Philosophy and Culture”, da finlandesa Elisa Aaltola.

Rod Preece, autor do livro “Sins of the Flesh: A History of Ethical Vegetarian Thought”, segue pela mesma linha de raciocínio, e diz que, dos pitagóricos, Empédocles foi o que mais dispensou atenção à sensibilidade animal, mesmo que julgado, como ainda pode acontecer hoje, como um filósofo com uma percepção mística dos animais. “Ele era considerado um tipo de xamã em sua prática, e às vezes um extremista em suas visões. Mas podemos ver no mínimo um elemento de ética animal em suas expressões. Naturalmente, suas razões refletem seu ascetismo primário”, declara Preece.

Avesso às religiões tradicionais, Empédocles demonstrava uma forma singular de espiritualidade, até por influência de Pitágoras. O filósofo que tinha como motivação a busca pela verdade e pela virtude, abominava o sacrifício de animais. “Empédocles, como outros vegetarianos órficos-pitagóricos, lembra a Era de Ouro, em que o assassinato, a ira e a discórdia não reinavam, e em que o abate de animais, como particularmente um sacrifício aos deuses, era visto como uma ‘impureza’”, escreveram Kerry S. Walters e Lisa Portmess em “Religious Vegetarianism: From Hesiod to the Dalai Lama”.

Idealista, Empédocles dizia que não era tarde demais para os seres humanos deixarem a caverna em que se aprisionaram e, como Perséfone, conquistarem a oportunidade de experimentar o renascimento espiritual. Porém, a condição maior para essa mudança seria a recusa em continuar derramando sangue. E isso, naturalmente, e em parte, significaria um retorno à dieta vegetariana pacífica da perdida Era de Ouro.

O derramamento de sangue é o pecado de uma poluição que afasta os seres humanos da divindade (Arte: Wellcome Library, Londres)

Na observação feita por Walters e Portmess fica claro que, na defesa de Empédocles, ele apelava à espiritualidade humana e as consequências do consumo para quem via os animais como comida; talvez, não apenas por realmente acreditar nisso, mas também por entender que o ser humano não seria tocado simplesmente pela compaixão pelos animais.

“O derramamento de sangue, afirma ele, é o pecado de uma poluição que afasta os seres humanos da divindade e traz a retribuição do renascimento contínuo. A alma do assassino é forçada a uma cansada e desabrigada ronda de transmigrações. […] e o abate de animais é o que garante a continuidade da violência“, cita o livro “Religious Vegetarianism: From Hesiod to the Dalai Lama”, em referência a fragmentos de um manuscrito do poema “Purificações”, do filósofo grego.

Para Empédocles, se recusando a consumir animais, o ser humano evitaria ter sua alma aprisionada no corpo de um animal; alegando que os corpos dos animais que comemos se tornam, nas próximas vidas, moradas de almas punidas. Apesar dessa perspectiva considerada limitante no contexto do vegetarianismo, o filósofo grego também sugeria que todas as criaturas têm direito à justiça, segundo Gordon Lindsay Campbell no livro “The Oxford Handbook of Animals in Classical Thought and Life”.

Mesmo que citasse deuses e a transmigração de almas em sua defesa da abstenção de carne, e por isso muitos vejam uma relação próxima de Empédocles com o vegetarianismo de viés religioso, o professor Christian Wildberg, da Universidade de Princeton, que tem uma extensa pesquisa desenvolvida na área de filosofia antiga, argumenta que o vegetarianismo de Empédocles foi uma poderosa ferramenta de ataque à religião grega tradicional, condenando massivamente a realização de sacrifícios de animais.

Sendo assim, e também levando em conta que de toda a sua produção restaram apenas dois trabalhos parciais – os poemas “Purificações” e “Na Natureza”, não é possível dizer com certeza qual era a sua maior motivação no que diz respeito ao vegetarianismo; talvez estivessem além do que foi legado à humanidade.

Parafraseando John Rundis em “The Vegetarianism of Empedocles in Its Historical Context”, Stephen T. Newmyer, professor da Universidade Duquesne e pesquisador da questão animalista, argumenta que o vegetarianismo de Empédocles pode ser visto como uma declaração política que se opôs à identificação aristocrática do sacrifício animal. Isto porque o consumo de carne à época já era associado à barbárie e à glutonaria, já que os cidadãos de maior poder aquisitivo sempre “reivindicavam primeiro a maior porção de carne”.

Tal observação pode ser corroborada pelo estilo de vida idealista do filósofo grego. Embora não haja tantas informações sobre sua vida, sabe-se que o pai de Empédocles, Meto, foi um dos responsáveis pela derrubada do tirano Agrigento, que comandou Acragas, na região da Sicília, até por volta de 470 a.C.. Empédocles, deu continuidade à tradição familiar, sendo crucial na deposição de outros oligarcas. Dizem que, mais tarde, quando ofereceram-lhe o comando da cidade, ele recusou.

A questão de parentesco entre seres humanos e animais teve grande peso sobre a consciência do filósofo grego (Arte: Reprodução)

“Empédocles acreditava amplamente em princípios igualitários, era considerado um vegetariano e respeitava os direitos animais, acreditando que todos os seres vivos têm espíritos. Era um forte defensor da democracia. […] Desprezava abertamente a glorificação dos indivíduos e era conhecido por condenar o materialismo consumista e a gula dos cidadãos de Acragas”, escreveu Vincenzo Mormino em 2007 na revista “Best of Sicily”. Há estudiosos que afirmam que filosoficamente as ideias de Empedócles influenciaram o naturalista britânico Charles Darwin a escrever a teoria da seleção natural.

Em “Retórica”, Aristóteles escreveu que Empédocles era totalmente contra a matança de qualquer criatura, alegando que era injustificado e injusto os seres humanos matá-los. A questão de parentesco entre seres humanos e animais teve grande peso sobre a consciência do filósofo grego, segundo o livro “The Animal and the Human in Ancient and Modern Thought: The ‘Man Alone of Animals’ Concept”, de Stephen T. Newmyer. “Empédocles só falou em termos de uma lei universal [nomimon], a lei contra matar animais. É Aristóteles quem escreve a lei de Empédocles como [sendo] natural”, comenta Richard Sorabi em “Animal Minds and Human Morals: The Origin of the Western Debate”. 

Saiba Mais

Empédocles é o nome mais importante da escola plurarista, que reconhecia a não existência de um princípio único que explique todo o universo. Ele estudou com Pitágoras e foi um dos primeiros cientistas a sugerir que a luz viaja a uma velocidade constante. Embora Empédocles viveu muitos antes de Arquimedes, os dois tinham muito em comum.

“Purificações” e “Na Natureza”, suas duas únicas obras remanescentes, tinham 5 mil linhas, mas restaram apenas 500; e acredita-se que na realidade “Purificações” seja uma introdução ao poema “Na Natureza”.

Ele afirmava que tudo que compõe a natureza é formado por  terra, ar, água e fogo, misturados ou não.

Referências

 Campbell, Gordon Lindsay. The Oxford Handbook of Animals in Classical Thought and Life. Oxford University Press (2014).

Cleary, John J. Gurtler, Proceedings of the Boston Area Colloquium in Ancient Philosophy, Volume 7. University Press of America (1992).

Preece, Rod. Sins of the Flesh: A history of Ethical Vegetarian Thought. Página 92. UBC Press (2009).

Walters, S. Kerry. Portmess, Lisa. Religious Vegetarianism: From Hesiod to the Dalai Lama. State University of New York Press (2001).

Aaltola, Elisa. Animal Suffering: Philosophy and Culture. Página 68 (2012).

Newmyer, Stephen. The Animal and the Human in Ancient and Modern Thought: The ‘Man Alone of Animals’ Concept. Routledge (2016).

Newmyer, Stephen. Animals, Rights and Reason in Plutarch and Modern Ethics. Routledge; 1 edition (2005).

http://www.bestofsicily.com/mag/art242.htm

http://www.perseus.tufts.edu/hopper/text?doc=Perseus%3Atext%3A1999.01.0258%3Abook%3D8%3Achapter%3D2

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Reality show vegano vai mostrar a vida da porca Esther em um santuário

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Esther, um exemplo de como os animais podem ser inteligentes e sensíveis (Foto: Reprodução)

Em 2014, Steve Jenkins e Derek Walter resgataram uma porquinha e a levaram para casa, em Ontário, no Canadá. Mas o que eles não imaginavam é que não demoraria para Esther chegar a pesar pouco mais de 294 quilos. Mesmo percebendo que ela estava crescendo e ganhando peso muito rápido, eles decidiram criá-la.

Em pouco tempo, Jenkins e Walter começaram a refletir sobre os seus próprios hábitos alimentares. Ou seja, concluíram que animais como Esther pouco viviam porque faziam parte de sua alimentação. Essa conexão fez com que eles tomassem a decisão de não consumir mais nada de origem animal. Depois de se tornarem veganos, escreveram e publicaram um livro sobre a vida de Esther, visando sensibilizar as pessoas sobre a importância de não se alimentar de animais.

Emocionaram os leitores ao mostrarem como a vida de um ser não humano também é importante. Publicado em 2016, o livro intitulada “Esther the Wonder Pig: Changing the World One Heart at a Time” é norteado pela compaixão aos animais e também reforça o que pesquisadores defendem há muito tempo – que porcos são animais realmente inteligentes e de personalidades distintas.

Com o dinheiro arrecadado, Steve Jenkins e Derek Walter têm mantido o santuário Happily Ever Esther e ampliado o número de animais resgatados, tanto em situação de abandono quanto de abusos, além de educar o público sobre a verdadeira natureza dos animais de criação.

Em 12 de dezembro de 2016, eles publicaram um vídeo de Esther com um chapéu de inverno, contemplando a neve. O registro já teve mais de seis milhões de visualizações no Facebook e continua despertando compaixão.

O próximo passo dos canadenses é o lançamento de um reality show vegano nominado “Estherville”, que tem como protagonista a amável porca Esther em seu cotidiano no Happily Ever Esther, em Campbellville, em Ontário. Enquanto o reality show não começa, os vídeos de Esther podem ser vistos em sua página no Facebook.

Referências

https://www.happilyeveresther.ca/
http://www.estherthewonderpig.com/
http://vegnews.com/articles/page.do?pageId=9235&catId=1

 
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A morte de João Gilberto Noll, uma triste surpresa

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Mediei um bate-papo com João Gilberto Noll e Luís Henrique Pellanda em setembro de 2012 (Foto: Sesc)

Fiquei sabendo agora do falecimento do escritor gaúcho João Gilberto Noll, vencedor de cinco Jabutis. Me recordo que em setembro de 2012, quando eu ainda estava na casa dos 20, logo mais inseguro do que hoje em dia, tive a oportunidade de mediar um bate-papo com ele e com o Luís Henrique Pellanda, de Curitiba, durante a Semana Literária do Sesc.

Foi uma noite inesquecível; um bate-papo que se estendeu por quase duas horas, e depois continuou na mesa de uma pizzaria em frente ao Grande Hotel, onde ele pediu uma latinha de Coca Zero. Reservado, sua conversa era pausada, reflexiva e bastante ponderada. Por outro lado, como autor era um libertador, arrebatador; sempre semeando um espírito com ânsia pela liberdade. Penso que sua força literária era a sua coragem existencial. Quem sabe, até como reação de uma severa formação religiosa que lhe impôs tantos limites.

Ainda me recordo de sua voz morna durante a leitura ao público. Persistia uma serenidade que se misturava à ansiedade de seus personagens imersos em anseios e situações que escapavam à imaginação do público. Acredito que ainda tenho o áudio do nosso bate-papo. Se eu encontrar, e espero encontrar, vou tentar transformar em alguma coisa que compense a leitura.

 





Written by David Arioch

March 30th, 2017 at 2:20 am

Children of the White Gold Cinema

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I saw the tears streaming down his face, wetting his plaid shirt buttoned up at the point of his neck

The White Gold Cinema, one of the great entertainment points of the population of Paranavaí (Archive: Osvaldo Del Grossi)

I am not part of a generation that has the strongest and clearest memories of the White Gold Cinema, one of the great entertainment points of the population of Paranavaí, in the Northwest of Paraná, until 1993. When the cinema was closed, I was still a child. Despite this, I went to the Gold Cinema for a few years of my childhood, and I have fond memories of that time.

My first time at the movies was a session of “The Bumbling Heroes – An Adventure in the Jungle”, on a weekend in 1988. By then, the biggest screen I had seen was the 21-inch TV, covered by a box of varnished wood, which was in the living room. Even so, I was happy watching cartoons on it.

As soon as my brother, my mother and I arrived in front of the White Gold Cinema, in Manoel Ribas Street, in the downtown, I paid attention to the people lined around the box office. Tiny, I watched everything in the proportionality of my stature. I saw more shoes, legs and belts than faces. Except, of course, when people were as little as I was.

Before we got inside the cinema, I walked slowly and backwards along the sidewalk, trying to observe the height of the White Gold’s building, but it was impossible for me. So, I thought that was the biggest movie theater in the world. Who knows, maybe it crossed the skies and had direct contact with the paradise they talked about in school.

The gentle popcorn seller smiled at me, noticing through my large, cylindrical black eyes that it was my movie debut. “Is it your fist time?” You’ll like it and you’ll want to come back many times”, he said, straightening a small amount of sweet pop corn, preventing it from mixing with the salty one.

Warm and smelling, the popcorn popped into the cart. For a moment, I believed, in my boyish illusion, that maybe the popcorn had a life, and wants to go to the movies to watch “The Bumbling Heroes”. By my side, prevailed a sweet aroma that pacified the most bewildering children – yes, it was an effective white-hot soothing odor.

It reminded me of the airy red tabebuia tree, that I saw every day near my house, when I pointed with my finger and shouted: “Look that sweet popcorn tree!” On the other side of the popcorn cart, the smell of popcorn changed, as well as the public. The adults, especially the men, approached and asked: “Give me the salty one, please!”

Skilled, the popcorn seller knew the exact amount of popcorn to fill every bag. I watched his grooved hands glittering in front of the small yellow lamp that glowed and gilded his wrinkled face. It was that way, whenever he leaned in or steeled himself. That was his spectacle, and at the entrance of the White Gold Cinema, nobody was more important than the popcorn seller.

On that day, before we went to the cinema, five shoeshine boys, aged between 6 and 14, approached. They leaned against a wall next to the White Gold Cinema and, as the ragamuffins boys from Buñuel’s “The Young and the Damned”, started smoking, watching families getting out of cars and crossing the sidewalk.

“If I had a father or a mother I would not be in this life, brother! Being poor and alone is not easy. No, sir! Look how much luxury those kids have”, said one of the four boys to his friends. Without a word, they just shook their heads in agreement, crushing little butts with their little feet.

Dirty, with grimy nails and the nauseating smell of cheap cigarettes, a shoeshine boy no more than 12 years old lead a group of kids. As someone hesitant about entering or leaving, he folded his arms and raised his face as one of the entrance lights highlighted his dubious expression of satisfaction

“Guys, listen up! Quickly! This movie ‘Bumbling Heroes’ is very good. There’s only one bad thing. Mussum and Zechariah die at the end. Thanks! Bye! “He shouted and ran laughing, while his dark and curly hair was fluttering. At that moment, he became an antagonist worthy of the villain Scar.

The boy dragged his shabby slippers and, with his companions, went down to Pará Street. Some children did not care about the revelation, but others were so angry that they wanted their parents to call the police or do something about it. For good, no one pursued them.

Inside the Gold White, I was stunned by the out of sight seats. “There are one thousand five hundred seats here. Look up there, it’s like an opera”, my mother told us, watching our reactions. Unhurried, we spun around the mastodontic room, trying to see all the details.

Luckily, there were vacant seats in the front row. Then, we walked there, crossing hallways and listening to the sounds of spectators eating popcorn, talking, making fun of someone and hugging each other. Near us, the usher accompanied everything with its indefectible aura of firefly. He felt like the leader of a coliseum where nothing would happen without his permission, especially when the lights went out.

As soon as I sat down, I observed a boy in mended clothes sitting next to me, accompanied by his mother. His name was Juscelino, and he was a year or two older than me. It was also his first time at the movies. I noticed his anxiety because his small feet kept swinging, as did mine.

His trembling hands sweated so much that every time he wiped them on the sides of his plaid pants. Juscelino was talking to me, keeping his face toward the disproportionate projection screen. I thought he was excited because of the movie, until I noticed something different in his eyes, a crystal clarity like I’ve never seen before. Naturally, the mother revealed that her son was born blind.

Juscelino could not see anything. Still, his excitement at White Gold Cinema surpassed even mine. The sounds and smells that came to him were like immaterial gifts, memorials. With a rare auditory and olfactory acuity, Juscelino could even see what people were doing or eating in the furthest seats- and he liked to discuss everything with me.

Son of peasants from Alto Paraná, he arrived in Paranavaí by bus in the morning, and stayed waiting for hours for the ticket office to open. His father could not participate in the big event, because the savings just barely covered the expenses of his wife and child. “It’s going to start, mom!” Said the little boy seconds before the projector started showing the movie, as if he had a gift for omens.

From beginning to end, Juscelino was completely silent, trying to absorb as much sound information as possible. Occasionally, he moved about the chair without making a sound, worried about bothering people. Juscelino, my brother and I were united by an experience that would never be repeated. Our greatest discoveries were visual, and those of Juscelino were auditory. Perhaps even richer than ours, as he put himself in the position of creator by putting forth to the creativity of everything he heard.

Still in the dark, I saw the tears streaming down his face, wetting his plaid shirt buttoned up at the point of his neck. At the end, with the return of the lights, I asked him what it was like to watch a movie at the cinema without being able to see. My mother scolded me, but Juscelino’s mother did not mind the question.

“I can not explain it right, but I see, yes, I just do not see with my eyes. I see everything I carry inside me”, he justified before taking hold of his mother’s hand and walking in short steps toward the exit. The artificial lighting contrasted and harmonized with the compliant light of the newly arrived portentous moon.

On the corner, at the intersection between Pará and Manoel Ribas Street, the five shoeshine boys, children living as adults, drummed their boxes. They were seated on the curb, immersed in false smiles and sullen stares, trying to exist for a world that scarcely recognized their true intentions.

Returning home on foot, we crossed the street. As we passed them, the same boy, who caused the commotion at the entrance to the cinema, pulled me by the arm and, with an implied look, asked “Hey, my friend. Can you tell us the story of the movie you saw there at the cinema?”

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Written by David Arioch

March 30th, 2017 at 1:28 am

Steve-O, um “jackass” que se tornou ativista dos direitos animais

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Levantar a bunda e ajudar os animais realmente faz a diferença”

Steve-O em campanha contra o uso de animais no circo (Foto: Peta)

Stephen Gilchrist Glover, mais conhecido como Steve-O, conquistou popularidade internacional como um dos protagonistas da série de TV “Jackass”, em que sempre se destacava por fazer as mais improváveis estripulias. A oportunidade de fazer parte da equipe surgiu em 2000, mas o que permitiu que ele ingressasse na série foram os vídeos que enviou para a Big Brother Magazine, editada por Jeff Tramaine, diretor de “Jackass”.

Nos vídeos, Steve-O, um dublê graduado em artes circenses pela Ringling Bros. and Barnum & Bailey Clown College, aparece fazendo acrobacias e arte clown. Sua performance foi aprovada e ele foi selecionado para a série que lhe trouxe fama e muito dinheiro. Com o tempo, Steve-O começou a apresentar problemas com drogas, chegando a entrar em depressão e pensar em suicídio.

“Enquanto eu estava usando cocaína e [óxido] nitroso por dias, comecei a escutar vozes me dizendo que eu teria que responder por minhas ações cruéis em algum momento no futuro. [Depois] Ouvi um cara de conscientização Krishna em um vídeo no YouTube questionando: “Como você espera ser salvo se você come carne?” Fiquei aterrorizado de ter que responder por todo o sofrimento que eu estava causando aos animais e imediatamente parei de comer carne”, publicou Steve-O em sua página pessoal. O homem citado por ele disse que é muito difícil para os ocidentais encontrarem a paz e a salvação porque eles tratam a vida na Terra de forma desrespeitosa.

A experiência trouxe à tona lembranças da juventude, de quando Steve-O trabalhou em um circo em 1997 e testemunhou a infelicidade dos animais confinados em jaulas, de acordo com um vídeo gravado em novembro de 2011 para a organização norueugesa NOAH – For Animal Rights. “Se alguém perguntar alguma coisa sobre abuso de animais, você não tem opinião, você não diz nada. Você é um palhaço, cale a boca..”, confidenciou, citando as ordens dos proprietários do circo.

À época, isso o fez refletir, mas depois ele seguiu sua vida. Essas memórias seriam resgatadas mais tarde, após Steve-O anunciar em agosto de 2009 que se tornou vegano.

Em campanha bem-humorada contra o uso de peles de animais: “Prefiro ir nu do que usar pele” (Foto: Peta)

“Cheguei à conclusão que sou muito mais feliz por praticar a compaixão. Quando me tornei vegano, eu estava limpo e sóbrio por um ano e cinco meses, e livre de cigarros por um ano. […] Desde então, tenho aprendido que uma dieta baseada na exploração animal é responsável pela esmagadora maioria dos casos de câncer, diabetes, obesidade, esclerose múltipla e outros tipos de problemas”, declarou.

Steve-O sentiu-se tão motivado pelo veganismo que começou a participar de campanhas contra a dissecação de sapos em salas de aula e o uso de animais em circos. Também fez campanhas contra maus-tratos de animais em zoológicos e contra o uso de pele animal. Espontâneo, gerou controvérsia ao abandonar um jantar de arrecadação de fundos para diabéticos que trazia carne no menu.

Ele também narrou um vídeo para o Farm Sanctuary, uma organização estadunidense que resgata animais descartados por pecuaristas e pela indústria. “Estou contente de ter feito [o vídeo]. [Porém, aqui fora] Não saio por aí dizendo que as pessoas não deveriam comer carne, porque não acho que seja realmente eficaz. Tento explicar como estou me beneficiando com esse estilo de vida vegano. Mas as pessoas trabalham duro para continuarem ignorantes. Se assistissem a esse vídeo que narrei, acho que muitas parariam de comer carne”, declarou à revista Rolling Stone em 1º de fevereiro de 2013 – em referência ao filme “What Came Before”.

Steve-O também é voluntário em abrigos que realizam resgate de animais abandonados (Foto: Reprodução)

Em um vídeo publicado pelo Change.Org no YouTube em 25 e abril de 2016, Steve-O declarou, logo após comer um veggie burger, que se tem uma coisa que ele aprendeu é que “levantar a bunda e ajudar os animais realmente faz a diferença”.

Em outubro de 2015, ele foi preso por escalar um enorme guindaste em um protesto contra o parque SeaWorld, que realiza espetáculos com orcas criadas em cativeiro. Além de soltar fogos de artifício quando chegou ao topo, ele ergueu um balão gigante com a frase: “SeaWorld Sucks!”, algo como “SeaWorld é uma droga!” Mais tarde, Steve-O disse que o único ponto negativo da sua ação foi a mobilização da polícia e dos bombeiros, mas que, excetuando isso, ele fez o que era certo.

A ação teve repercussão mundial e, embora não seja possível dizer se Steve-O teve alguma influência nessa decisão, em março de 2016 o SeaWorld anunciou que não iria mais criar orcas em cativeiro. “Outra coisa que me preocupa é a conscientização sobre o resgate animal, o trabalho voluntário em abrigos. Na minha primeira vez, eu trouxe um gato para casa. E na segunda vez, eu trouxe um segundo gato, o que enriqueceu minha vida”, revelou em um vídeo gravado e publicado no YouTube pela organização Pessoas Pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta) em 29 de agosto de 2016.

Saiba Mais

Steve-O nasceu em 13 de junho de 1974 em Londres, na Inglaterra.

Referências

https://www.steveo.com/

http://www.whosay.com/status/steveo/61057

http://www.rollingstone.com/culture/news/q-a-steve-o-talks-jackass-veganism-and-quitting-drugs-20130201

Steve-O Seeks to End Pain

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Written by David Arioch

March 29th, 2017 at 9:31 pm

Hemingway, entre o céu e o inferno

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Hemingway sorrindo ao final de uma de suas caçadas (Foto: Reprodução)

A literatura de Hemingway fez parte da minha vida. Por ora, me recordo principalmente de suas descrições em que revelava entusiasmo e surpresa com a crueldade humana no tratamento dispensado a seres não humanos.

Exemplo são suas narrativas das touradas – entre o céu e o inferno; de quando os gregos quebraram as pernas de seus burros e os empurraram ao mar para morrerem afogados durante a evacuação de Smyrna em 1922. Ademais, esse mesmo homem em conflito incessante, que amargaria depressão, paranoia e se suicidaria, foi um caçador e matou dezenas de animais.

Talvez haja até mesmo uma triste e trágica correlação nisso tudo. É possível que seus hábitos tenham destruído tanto os outros quanto ele mesmo, que falecia antes mesmo de se dar conta.

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Written by David Arioch

March 28th, 2017 at 7:37 pm

Vidas são importantes, até mesmo a do menor animal

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Não vejo razão para tentar menosprezar o valor dos animais ao comparar suas vidas com o valor da vida humana (Foto: Reprodução)

Vidas são importantes, até mesmo a do menor animal que você encontrar. Não vejo razão para tentar menosprezar o valor dos animais ao comparar suas vidas com o valor da vida humana. Dizer que a vida de um animal pouco vale me parece uma forma de tentar sopitar uma consciência intransigente ou barulhenta, ou de ignorar um simples fato – que animais não precisam morrer para que humanos possam viver.

Ademais, discussões sobre superioridade e inferioridade não ajudam em nada nesse sentido, muito pelo contrário, apenas atrapalham e reforçam o antropocentrismo e o especismo. A maioria dos animais não coloca a sua existência em risco, a não ser que você invada o habitat de seres selvagens.

A tentativa de inferiorizar a vida animal nada mais é do que um pretexto que tem se perpetuado para a humanidade continuar submetendo os animais ao seu jugo. Animais não vivem com motivações humanas; não têm os mesmos anseios que nós. Quem humaniza os animais são as pessoas, e não é isso que eles desejam ou precisam. Logo não há qualquer razão para subestimá-los, inferiorizá-los ou tratá-los até mesmo como se fossem inimigos.

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Written by David Arioch

March 28th, 2017 at 7:30 pm