David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Deadlock: “Os animais não podem falar, mas nós podemos”

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“Discordo do preço e da taxa que esses seres têm que pagar para podermos festejar e comer”

“O Deadlock é uma banda vegana e sempre escreve sobre direitos animais e coisas do tipo” (Foto: Divulgação)

Criada em Schwarzenfeld, na Alemanha, em 1997, a banda de death metal melódico Deadlock é formada por músicos que não apenas seguem o veganismo como filosofia de vida, mas também o colocam como prioridade nas letras do grupo.

“O Deadlock é uma banda vegana e sempre escreve sobre direitos animais e coisas do tipo. Sei que pode parecer um ponto de vista extremo, mas queríamos fazer um paralelo com a indústria da exploração animal”, disse o guitarrista Sebastian Reichl em entrevista a Peter Woods, publicada em 3 de agosto de 2016 no Ave Noctum.

Em 2008, a banda lançou o álbum “Manifesto”, inteiramente dedicado à questão dos direitos animais. Ao final da música “Deathrace”, ou “Corrida Mortal”, escrita pelo guitarrista Sebastian Reichl e pelo baterista Tobias Graf, começa um rap com duração de dois minutos falando sobre como os animais são tratados pela indústria da exploração animal e como as pessoas fecham os olhos para essa realidade.

“Os animais não podem falar, mas nós podemos…Olhe para o pico da evolução do líder da cadeia alimentar. Imagine que todos vocês eram canibais e a humanidade o gado do gado, bloqueado em uma caixa pequena o suficiente para entrar em estado de descontrole e violência. […] Discordo do preço e da taxa que esses seres têm que pagar para podermos festejar e comer”, criticam.

Em “Slaughter’s Palace”, ou “O Palácio da Matança”, o Deadlock conta a história de um garoto que não gostava de ir para a escola e também não se considerava bom nos estudos. Sem amigos ou qualquer outra coisa para fazer, um dia ele assistiu seu pai trabalhando como açougueiro e decidiu seguir a mesma profissão. “Não me culpe por matar animais, porque o gado é criado apenas para fazer parte da nossa cadeia alimentar”, justifica o personagem na música, que vê sua função como resultado da demanda criada pela população.

““Temos um relacionamento muito próximo com a natureza” (Foto: Divulgação)

A música “Seal Slayer”, ou “Matador de Focas”, que também faz parte do álbum “Manifesto”, chegou a ser gravada com o título de “Kill, Kill, Kill” para uma campanha de combate a caça às focas. “Eu ainda me lembro como foi matar pela primeira vez, eu devo ter batido cem vezes. E a neve ficou toda vermelha”, diz a letra.

Em entrevista ao Lords of Metal, o então vocalista do Deadlock, Johannes Prem, declarou que acharia melhor morrer do que sustentar uma família com o dinheiro conquistado por meio do sangue e da pele de lindos filhotes. “É inacreditável o quão brutal esses bastardos tratam e torturam bebês focas”, desabafou.

John Gahlert, que era baixista da banda desde 2009 e assumiu como vocalista em 2011, relatou a Kyle McGinn, do Dead Rhetoric, que o álbum “Manifesto” foi lançado como um elemento fundamental na formação da identidade vegana da banda. “Desde o lançamento desse álbum, trabalhamos com frases simbólicas em nossas letras, e há combinações de palavras que você pode encontrar em todos os nossos álbuns. São frases típicas que usamos e vamos continuar usando, porque têm um significado para aqueles com um background vegano”, justificou.

Ao All About The Rock, Gahlert enfatizou que o veganismo está se tornando cada vez mais bem aceito, o que é muito bom também para a banda, já que eles sempre deixaram claro para o público que os direitos animais é um tema prioritário, independente de críticas.

“Temos um relacionamento muito próximo com a natureza. Todos temos smartphones, mas ainda somos hippies [risos]. Quando a banda começou, foi num momento em que o movimento vegano era pequeno na Alemanha. Nosso baterista Tobias [Graff] tinha criado a primeira distribuidora vegana [online] por atacado [na Alemanha]. É um trabalho pioneiro no movimento vegano, e é por isso que o Deadlock estava mais associado com a palavra vegan do que agora”, explicou a Kyle McGinn, do Dead Rhetoric, em 7 de agosto de 2016.

Analisando todos os álbuns do Deadlock, desde o “The Arrival” de 2002, ao “Hybris”, de 2016, é fácil perceber que a questão mais pertinente levantada pela banda é a forma como a humanidade está lidando com os animais, e se ela tem condições de enxergar um futuro livre da crueldade contra seres vivos não humanos. “Claro que todos vivemos na mesma sociedade e somos peças pequenas de uma roda gigante, mas se você tem a possibilidade de dizer o que pensa, você deve fazer isso”, recomendou o vocalista John Gahlert em entrevista ao Infernal Masquerade publicada em 6 de agosto de 2013.

Formação

John Gahlert – Vocalista

Margie Gerlitz – Vocalista

Sebastian Reichl – Guitarra e teclado

Ferdinand Rewicki – Guitarra

Werner Riedl – Bateria

Saiba Mais

Entre os anos de 2002 e 2016, o Deadlock lançou os álbuns “The Arrival”, “Earth Revolt”, “Wolves”, “Manifesto”, “Bizarro World”, “The Arsonist”, “The Re-Arrival” e “Hybris”.

Em 4 de setembro de 2014, o baterista Tobias Graf faleceu em decorrência de um câncer.

Em 2016, a vocalista Sabine Scherer saiu do Deadlock e em seu lugar entrou a vocalista Margie Gerlitz.

Referências

http://allabouttherock.co.uk/deadlock-interview/

Interview – Deadlock

Deadlock – On Perseverance

http://www.lordsofmetal.nl/en/interviews/view/id/2411

http://www.roomthirteen.com/features/149/Deadlock_Interview.html – 2 de junho de 2005

http://www.infernalmasquerade.com/?q=other/002561-interview-deadlock-john-gahlert-2013

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