David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

O mundo é tão grande quanto a compaixão humana poderia ser

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“Dizemos que amamos a vida e o outro, mas o outro são poucos” (Foto: Reprodução)

Vivemos em um mundo onde tudo é possível, até mesmo o fim da crueldade contra os animais. O mundo é tão grande quanto a compaixão humana poderia ser. Nascemos para crescer, evoluir, transpor barreiras, e reconhecer o direito à vida daqueles que nos parecem reles simplesmente por não se comunicarem como nós.

Ignoramos que abstraímos vidas que não geramos, e acreditamos que isso é parte natural da nossa existência. Fechamos os olhos para o fato de que aquilo que corrói o outro também nos corrói – mas de maneira que não enxergamos objetivamente porque estamos preocupados demais com nossas individualidades e peculiaridades estritamente humanas.

Dizemos que amamos a vida e o outro, mas o outro são poucos; apenas aqueles com quem simpatizamos e julgamos merecedores da existência, sob uma perspectiva que é sempre mais homogênea do que heretóclita. Penso que um mundo livre da crueldade animal só vai ser possível quando a consciência da maioria apontar, quem sabe, e mesmo que infelizmente e inconsequentemente, até por força de tragédias inesperadas e pouco imaginadas, que a salvação da humanidade depende também da forma como tratamos aqueles que são inferiorizados.

Enquanto um simples animal pacato e silencioso for maltratado ou desprezado por não ter voz análoga à nossa, dificilmente sairemos do abismo moral que criamos para defender o que chamamos de direito e necessidade de sobrevivência, mesmo que o tempo há muito tenha mostrado que o que fazemos é simplesmente tentar perpetuar aquilo que relativiza nosso valor existencial – nosso desejo de provocar o fim ansiando pelo festim.

 

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