David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for April, 2017

Que cada um tenha o direito de fazer suas próprias escolhas

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Não é novidade que toda criança precisa de uma boa estrutura familiar

Não é difícil encontrar pessoas que criticam quem tomou a decisão de não ter filhos. E são essas pessoas que ignoram que muitos dos problemas no mundo têm relação com o fato de haver pessoas que somente colocam filhos no mundo, mas que na realidade não os educam.

Desrespeito, ausência de limites, comportamento violento, desvio de caráter, imoralidade, abandono…; não raramente isso faz parte do kit Omissão e Falta de Estrutura Familiar. Além disso, em um mundo cada vez mais populoso, não acho justo condenar pessoas que não querem ter filhos. Que cada um tenha o direito de fazer suas próprias escolhas.





Written by David Arioch

April 30th, 2017 at 10:08 pm

A história do vegetarianismo na Rússia

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Ao final de 1914, a Rússia contava com 73 restaurantes vegetarianos em 37 cidades

Antigo prédio da Sociedade Vegetariana Russa (Vegetarianskij.ru)

De acordo com informações do Vegetarianskij.ru, a história oficial do vegetarianismo na Rússia começou com o surgimento da primeira sociedade vegetariana, ironicamente chamada de “Ни рыба, ни мясо”, ou seja, “Nem Carne, Nem Peixe”, em meados de 1860, em São Petersburgo.

O presidente vitalício da sociedade era o cirurgião Alexander Petrovich Zelenkov, que faleceu em 1914. Ele se tornou vegetariano em decorrência de problemas de saúde, quando outros métodos de tratamento se mostraram ineficazes. Ele também era um defensor da homeopatia e fazia campanhas contra o consumo de álcool.

Em 1902, a esposa de Zelenkov, Olga Konstantinovna, escreveu o livro “Нечто овегетарианстве”, ou “Algo Sobre Vegetarianismo”, que foi publicado em quatro volumes, cada um trazendo um extenso estudo sobre o vegetarianismo com base em registros históricos, estudos científicos e declarações de pessoas famosas de diferentes épocas.

A obra também conta com a análise do tratado “Питание человекав его настоящем и будущем”, que significa “A Dieta do Indivíduo em Seu Presente e Futuro”, escrita pelo botânico Andrey Beketov em agosto de 1878. Seu modesto ensaio em defesa da dieta e do estilo de vida vegetariano teve um efeito significativo na sociedade de seu tempo e eventualmente foi traduzido para muitas línguas.

Em 1913, Olga publicou o primeiro livro de receitas vegetarianas da história da Rússia. O nome da obra, que traz 1500 receitas, é “Я никого не ем”, ou seja, “Não Como Ninguém”. O livro foi editado inúmeras vezes e vendeu milhares de cópias, segundo o Vegetarianskij.

À essa altura, o vegetarianismo na Rússia já passou a ser visto sob outra perspectiva, que ia muito além da saúde humana, e tudo isso graças à publicação do ensaio “O Primeiro Passo”, de Liev Tolstói, lançado em 1892. Segundo o Vegetarianskij, a sociedade vegetariana russa então encontrou um profundo argumento ético em favor da dieta vegetariana.

O ensaio teve como ponto de partida as experiências de Tolstói desde que ele abandonou o consumo de carne em 1884, quando começou a promover o ideal vegetariano. Tolstói fez uma grande diferença porque se preocupou mais com as implicações morais e éticas do consumo de carne do que com os benefícios da dieta para a saúde.

Campanha contra o consumo de carne

Valendo-se de seu prestígio, Tolstói, sem dúvida, foi um dos grandes responsáveis pelo crescimento do vegetarianismo na Rússia – que teve adesão exponencial por parcela significativa da população após o lançamento de “O Primeiro Passo”. Figuras influentes da Rússia daquele tempo, como Nikolai Peskov, Ilya Repin, Alexander Voeykov, Nikolai Ge, Sergey Esenin e tantos outros se juntaram ao movimento. Entre os que mais simpatizaram com o vegetarianismo estavam cientistas, médicos, professores, escritores e poetas.

Em 1904, B.A. Dolyachenko e um grupo de professores fundaram a primeira revista vegetariana da Rússia. Intitulada “Вегетарианский вестник”, que significa “O Mensageiro Vegetariano”. Em 1909, foi a vez de Isosif Perper fundar e publicar o “Вегетарианскоеобозрение”, ou “O Jornal Vegetariano”, em Kiev. A publicação circulou até 1915.

Em 1909, a Sociedade Vegetariana de Moscou abriu suas portas. Em abril de 1913, foi realizada a Primeira Conferência Nacional Russa de Vegetarianos em Moscou, reunindo mais de 200 participantes. Uma das questões discutidas durante o evento foi a criação de sociedades vegetarianas por toda a Rússia.

Rapidamente surgiram sociedades vegetarianas em Varsóvia, Kiev, Chișinău, Vilno, Minsk, Saratov, Poltava, Odessa, Rostov-on-Don, Carcóvia, Zhitomir, Dnepropetrovsk, Krasnodar, Tumen e muitas outras. Ao final de 1914, o número de membros já chegava a duas mil pessoas, o que favoreceu o surgimento de 73 restaurantes vegetarianos em 37 cidades da Rússia. As refeições vegetarianas nos cafés eram baratas e bem diversificadas: salsichas feitas com ervilhas, hambúrgueres de repolho, panquecas vegetarianas (blini) e muito mais. E tudo era aceito com entusiasmo – como uma ideia original.

Os grandes planos dos vegetarianos russos, que previam transformar a Rússia em referência em vegetarianismo, foram interrompidos com o advento da guerra. Naqueles anos difíceis, e com o clima bastante tenso, os defensores de uma nutrição sem morte logo se tornaram alvos de desprezo e ridicularização.

Isto porque a alimentação vegetariana começou a ser vista como imoral em um cenário em que pessoas morriam aos milhares e a escassez de alimentos era comum. No entanto, os ativistas sociais vegetarianos não desistiram. Eles se voluntariaram para trabalhar em hospitais do exército, fornecendo refeições gratuitas para os militares em seus restaurantes, e também criaram enfermarias especiais para atender os animais usados pelo exército.

Porém, o desenvolvimento do vegetarianismo na Rússia, que tinha tudo para se destacar internacionalmente, servindo de referência para países do mundo todo, encontrou sua mais forte resistência após a Revolução Russa e a implantação do regime soviético, conforme informações do Vegetarianskij. Nesse período, a divulgação do vegetarianismo foi proibida na Rússia. Inclusive ativistas foram presos e o termo vegetariano acabou banido dos dicionários. As sociedades vegetarianas também foram fechadas em todos os territórios da URSS. A última a fechar suas portas foi a Sociedade Vegetariana de Moscou, que resistiu até 1929.

Em 1961, A Grande Enciclopédia Soviética, uma publicação massivamente popular na época, registrou que: “As ideias do vegetarianismo foram fundadas em hipóteses erradas e não têm seguidores na União Soviética.” Somente em 1990, depois da perestroika [reestruturação política do país], o vegetarianismo voltou à luz pública e suas ideias ressurgiram, ganhando novamente força na Rússia.

Referência

История вегетарианства в России

 

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Se tivéssemos aulas de direitos animais nas escolas

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Foto: Elena Shumilova

Se tivéssemos aulas de direitos animais nas escolas, ou pelo menos uma disciplina de ética que realmente incluísse os direitos animais, acredito que a violência contra animais não seria tão banalizada, e creio também que isso teria bom peso no que diz respeito à violência contra seres humanos.

Quando um jovem transgressor faz piada de algum ato praticado contra os animais, por exemplo, isso nem sempre significa maldade, mas sempre significa ignorância. Além disso, o ato normalmente depende de um fator cultural de permissividade.

E a forma como os jovens são criados diz muito sobre isso. Se um filho vê o pai chutando um cachorro, naturalmente ele vai entender que o cão pode ser chutado, e que isso não é errado. Afinal, pelo menos até certo ponto da vida, as crianças se desenvolvem observando as ações parentais.

Talvez a criança nem chegue a considerar a possibilidade da dor do animal, se a empatia por outros seres vivos não for estimulada. Então creio que em situações como essa, quando os pais são omissos, uma disciplina de direitos animais, ou que incluísse os direitos animais, poderia fazer uma boa diferença.

Acredito nisso porque ao longo dos anos conheci crianças e adolescentes que levaram bons valores para casa, fazendo os pais se questionarem sobre suas más ou equivocadas ações praticadas de forma impensada ou herdadas de outras gerações.

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Written by David Arioch

April 29th, 2017 at 5:16 pm

Feliz em encontrar tantas referências literárias

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Herman Melville em Moby-Dick: “Não resta dúvida de que o primeiro homem que matou um boi tenha sido considerado um assassino”

Fico feliz em encontrar tantas referências para abordar vegetarianismo, veganismo e direitos animais a partir da literatura ficcional. A lista é imensa. E muitas dessas obras passaram e continuam passando despercebidas sob essa ótica. Mas tenho orgulho de ter a oportunidade de me empenhar para tentar ajudar, mesmo que parcamente, a trazer isso à tona. Existe muita consciência vegetariana e vegana na literatura que merece ascender à superfície.

 

 





Vaquita pode desaparecer até 2022

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Restam apenas 30 vaquitas no Golfo da Califórnia, no Noroeste do México (Acervo: Cirva)

Vaquita, também conhecida como boto-do-pacífico, é o menor cetáceo do mundo. Ela tem um metro e meio e chega a pesar cerca de 50 quilos. Segundo informações do Comitê Internacional para Recuperação da Vaquita (Cirva), atualmente restam apenas 30 vaquitas, espécie endêmica do Golfo da Califórnia, no Noroeste do México. E a má notícia é que elas podem ser extintas até 2022.





Written by David Arioch

April 29th, 2017 at 5:02 pm

A humanidade provocou a extinção de 322 espécies de animais em 500 anos

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O o rinoceronte-negro do oeste foi declarado extinto em 2011 (Foto: Reprodução)

De acordo com um levantamento feito pelo jornal Science, a humanidade provocou a extinção de 322 espécies de animais nos últimos 500 anos. Dois terços dessas espécies desapareceram nos últimos dois séculos. Na foto, o rinoceronte-negro do oeste, animal que já não existe mais em decorrência da caça.





Written by David Arioch

April 29th, 2017 at 4:59 pm

“Trabalho para os animais”

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Arte: Lovelands Lovelies

Um camarada na academia me disse que todos os dias me vê publicando novos textos sobre vegetarianismo, veganismo. E perguntou para quem eu trabalho.
Então respondi: “Trabalho para os animais, velho!” Ele deu uma risada, surpreso com a minha resposta.

E continuei: “É sério, cara! Verbalizo o que os animais não podem verbalizar. É por aí.” Ele acenou com a cabeça, sorriu e comentou: “Acho que entendo o que você quer dizer.”





Written by David Arioch

April 29th, 2017 at 4:32 pm

Um convite animador

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Eles vão enviar cartas para um ativista para relatar esse trabalho (Foto: Reprodução)

Um amigo que é escritor e professor no Espírito Santo entrou em contato comigo me contando que vai fazer um trabalho com estudantes de 13 a 16 anos sobre hábitos e práticas que tratam os animais com crueldade. Depois disso, eles vão enviar cartas para um ativista para relatar esse trabalho e o que eles aprenderam com isso. Eu fui escolhido para me corresponder com essa garotada. São alunos da zona rural de uma cidade pequena, e muitos deles ainda preservam um espírito infantil e inocente, segundo o meu amigo. Fiquei feliz com isso.





Viver na ignorância é uma bênção e uma maldade

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Obra de Andres Salvador que retrata o tema

Viver na ignorância é uma bênção e uma maldade. Uma bênção porque você não toma conhecimento de muitas coisas realmente duras. Mas também uma maldade porque são os outros que amargam as consequências da sua ignorância.

 

 





Written by David Arioch

April 29th, 2017 at 3:38 pm

Editora Escala e Penguin Classics

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Penguin Classics oferece livros baratos e boa diversidade (Foto: Reprodução)

No Brasil, quem fez um trabalho muito bom de publicação de livros com material de baixo custo foi a Editora Escala. Mas não sei se ainda publicam novos títulos nesse padrão. Comprei muitos livros da Escala na época da faculdade, e pagava-se de R$ 5 a R$ 7 por título. Hoje em dia, sou fã da Penguin Classics, livros baratos e impressos em papel reciclado e sem ácido. Isso é democratização da leitura.





Written by David Arioch

April 29th, 2017 at 2:22 pm