David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Considerações sobre musculação, fisiculturismo e veganismo

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Não é tão difícil alcançar as necessidades individuais com proteína vegetal, com uma alimentação vegetariana

Não é raro encontrar pessoas que dizem que veganos não conseguem chegar ao nível de fisiculturistas que não são veganos. O que acho? Talvez. Bom, acredito que há fatores a se considerar. Um deles é o fato de que claro que é mais fácil uma pessoa se empanturrar de proteína animal e alcançar o necessário para o ganho de massa muscular, até porque é mais cômodo. É exatamente por isso que a maioria dos que competem comem muita proteína animal. Por outro lado, não é tão difícil alcançar as necessidades individuais com proteína vegetal, com uma alimentação vegetariana. É preciso um pouco de interesse, boa vontade, paciência e empatia.

Mas claro que somente comida pode não ser o suficiente. Digo isso porque quando se fala em competição, as pessoas sempre pensam no nível dos grandes fisiculturistas internacionais, em atletas que competem no Mr. Olympia, Arnold Classic, e que obviamente não consomem poucos esteroides anabolizantes, nem mesmo fazem meros ciclos de EAs. São pessoas que, claro, se dedicam muito ao que fazem, dão a vida por isso. Mas não dá pra negar que jamais chegariam onde chegaram sem muitos recursos farmacológicos, e obviamente comem o que for necessário para acelerar o ganho de massa muscular.

Não serei hipócrita de dizer que uma pessoa pode ter um físico monstruoso simplesmente comendo comida, e isso independe se estamos falando de alimentação onívora ou vegetariana. Ninguém fica gigante só com comida, e aqui falo de alguém com quantidade imensa de massa muscular e baixo percentual de gordura. O ser humano tem um limite natural.

Claro, é possível ter um físico de qualidade sem usar EAs, ser visto como forte, grande e musculoso. Mas não no nível de atletas de elite, desses que são patrocinados ostensivamente por grandes marcas de suplementos alimentares importados. Como, por exemplo, um cara com 1,80m subindo no palco com mais de 100 quilos e 4% de gordura corporal. Esse é outro nível, outra realidade. Além disso, fisiculturismo não é sobre saúde, mas sobre desenvolvimento muscular.

Vivemos em um mundo onde tudo que é mais próximo do natural não tem grande espaço, não é admirado com o mesmo brilho do que não é. Não tenho nada contra quem usa esteroides anabolizantes, mas não é o que quero pra mim. Desde sempre treino por prazer. Sim, amo musculação, não é uma obrigação, e ela é parte importante da minha vida há mais de dez anos, até pelo fato de ter ter um papel terapêutico na minha vida. Ademais, ser vegano não me atrapalha em nada, até porque o que quero pra mim em relação a isso é o que o veganismo pode oferecer.

Se for pouco para os outros, tudo bem. Não sendo pra mim é o que me basta. Se alguém chegasse e dissesse: “Cara, tem uma substância de origem animal revolucionária que descobriram agora. Ela vai te levar a outro nível.” Eu simplesmente diria: “Não, obrigado.” Já cheguei onde gostaria de chegar. Se eu puder melhorar em algum sentido, tudo bem. Senão, bom também. Não tomar parte na exploração animal é tão importante pra mim que mesmo que eu tivesse limitações para melhorar a minha condição estética, ainda assim eu seguiria em frente, porque o meu físico não é mais importante do que a vida dos animais. E isso nunca vai mudar.

Acredito que qualquer pessoa que considera o veganismo de forma sincera tem isso em mente. Também é preciso ponderar o fato de que a maioria das pessoas que praticam musculação, sejam vegetarianas, veganas ou não, têm objetivos modestos. Querem apenas ganhar um pouco de massa muscular, diminuir o percentual de gordura ou garantir mais qualidade de vida. Sendo assim, são metas totalmente alcançáveis por veganos.

 

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