David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Exploração animal e a criança no restaurante

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Se você percorrer mercados, lanchonetes e restaurantes e, naturalmente, prestar atenção à sua volta, sempre vai encontrar pais obrigando crianças a se alimentarem de animais

Se você percorrer mercados, lanchonetes e restaurantes e, naturalmente, prestar atenção à sua volta, sempre vai encontrar pais obrigando crianças a se alimentarem de animais. Sei que muitos fazem isso até mesmo de forma irrefletida, por uma questão historicamente cultural. Afinal, poucas propagandas foram tão bem-sucedidas quanto a da suposta necessidade do consumo de alimentos de origem animal.

Porém, quem analisa sob outra perspectiva, e aqui me refiro à reação genuína de estranhamento, pode se surpreender em reconhecer como estamos entorpecidos por uma realidade fragmentada que nos condiciona a viver não da forma mais adequada, justa ou saudável, mas da maneira que parece mais socialmente aceitável.

E quando falo em socialmente aceitável, quero dizer que até mesmo a saúde é relegada a segundo plano, ou nem mesmo é relegada a plano algum. Permita-me citar uma breve história que exemplifica tal raciocínio sobre condicionamento alimentar.

Passando em um restaurante para conversar brevemente com alguém, notei uma criança com, talvez, três anos resistindo em comer um pedaço de carne bovina ou “cadáver de boi”. A garotinha não fazia barulho, apenas lacrimejava enquanto se recusava a observar um bife em seu prato.

— Num gosdibife.
— Não precisa gostar. É só comer – disse o pai.
— Num quero.
— Coma…coma já esse bife – prosseguia o homem tentando não chamar a atenção.
— Não!
— Por favor, filhinha – insistia a mãe.
— Olhe nas outras mesas, todo mundo está comendo carne. Só você que não – continuou o pai.
— Deixa. Num sou eles. E eles não é eu.
— Aé? Então tá! — reagiu o pai.
O casal acabou cedendo, mas não desistiram de punir a criança.
— Tudo bem. Mas hoje não vai ter sobremesa.
— Num picisa.

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