David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Não existe heroísmo quando um animal é criado para ser explorado ou morto

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Se uma pessoa cria um animal com finalidade de consumo, ou atribui a ele uma função de objeto, ela nunca o está, de fato, salvando, independente de motivação (Arte: Jackson Thilenius)

Durante uma reportagem, o narrador diz: “A luta desses homens em salvar os animais.” Uma semana depois, eles matam os animais e comem. É uma inequívoca contradição, não? Se uma pessoa cria um animal com finalidade de consumo, ou atribui a ele uma função de objeto, ela nunca o está, de fato, salvando, independente de motivação.

Mesmo ao impedir que um animal não humano morra antes “da hora”, se a relação de uma pessoa com ele é de dominância, a ação desse indivíduo é isenta de um caráter moral não especista, até porque essa “hora” foi estabelecida por agente humano, logo animal de outra espécie, em ato baseado em interesses próprios que não pesam o mal causado ao outro, seja por exercício de privação ou violência fatal, logo uma facciosidade.

E, evidentemente, isso independe de como essa pessoa interprete a própria intenção nesse ínterim, já que suas ações são exortadas pela conveniência. Ou seja, pela preocupação em salvaguardar nada mais que os próprios interesses. Citarei um exemplo. Se sou mantido cativo em um lugar até o momento de minha injusta execução, e de repente corro um risco iminente de morte que não a planejada, não faz a menor diferença a intenção daquele que me mantém cativo.

O fato de um sujeito impedir que eu morra antes do prazo estabelecido por ele não faz dele um herói ou um indivíduo menos autocrático, mas simplesmente alguém que está romaneando apenas o seu próprio prejuízo, exercendo um poder indébito sobre uma vida que não lhe pertence. Sendo assim, não existe heroísmo quando uma pessoa cria um animal reduzido a fonte de alimentos ou produtos, não importando o que ela faça antes que esse animal pereça de forma indigna.





 

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