David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Frieda, a vaca que ganhou o direito de envelhecer

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Frieda gosta de passar bastante tempo sozinha (Foto: Hof Butenland)

Nascida em 19 de novembro de 1999, a vaca Frieda escapou de ser enviada para um matadouro em dezembro de 2005, quando ainda vivia em um cubículo em uma fazenda leiteira no Norte da Alemanha. O seu primeiro bezerro nasceu em fevereiro de 2002, meses depois de ser inseminada artificialmente.

Em abril de 2003, Frieda teve outro bezerro. À época, a sua produção de leite não passava dos cinco mil litros por ano, sendo considerada baixíssima para os padrões industriais e significando que ela não era mais lucrativa como vaca leiteira. A verdade é que Frieda não era uma exceção, mas apenas parte de um processo normalizado, se considerarmos que vacas leiteiras “de alto desempenho” costumam ser abatidas após a segunda ou terceira gestação, segundo o ex-produtor de leite alemão Jan Gerdes.

O motivo? Problemas que surgem precocemente envolvendo fertilidade, inflamações nos úberes e doenças ortopédicas. No entanto, Frieda não foi abatida de imediato porque era “útil” como uma “incubadora” para a transferência de embriões. O seu terceiro bezerro nasceu em maio de 2004. Porém, ela jamais teve a oportunidade de ver, lamber ou amamentar qualquer um de seus filhos. Por quê? “Normalmente os bezerros são separados das vacas logo após o nascimento”, lamenta Gerdes.

Depois de dar à luz ao terceiro bezerro, Frieda desenvolveu problemas nos ligamentos pélvicos e passou muito tempo imóvel em um estábulo. Isso indicava que provavelmente logo ela seria enviada para um matadouro, destino comum das vacas leiteiras que se tornam onerosas ou “inúteis” aos olhos dos produtores de leite.

Frieda escapou do matadouro graças à intervenção do casal Jan Gerdes e Karin Mück, ex-produtores de leite, e fundadores do santuário Hof Butenland, ao Norte da Alemanha. Quando chegou ao novo lar, livre da exploração, Frieda levou bastante tempo para voltar a confiar em alguém e recuperar parte da sua condição física. Precocemente envelhecida e emocionalmente exausta, ela sempre preferiu passar a maior parte do tempo distante do rebanho, aproveitando o silêncio.

De acordo com Gerdes, no geral, a sua saúde melhorou muito, mas Frieda ainda amarga consequências em decorrência de uma vida de exploração como vaca leiteira – o que inclui danos no fígado, problemas metabólicos e sanguíneos. Apesar de tudo, ela adora receber carícias e massagens por todo o seu corpo.

Referência

Hof Butenland Leaflet. Frieda’s Fate – From Dairy cow to resident of the cow retirement home (abril de 2015).