David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Cativeiro ou “cativeiro”

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Foto: Jo-Anne McArthur/We Animals

Esses dias, eu estava conversando com um amigo sobre as acepções da palavra “cativeiro”. Você já percebeu como essa palavra traz conceitos e significações diferentes dependendo do que falamos? Se você começa o desenvolvimento de um raciocínio falando em cativeiro e refere-se a um humano, antes de você fazer uma menção clara a um relato, as pessoas já o terão associado com um cenário de um refém, uma pobre vítima mantida em um lugar contra a sua vontade. Sendo assim, um ato claramente imoral, e obviamente criminoso.

Porém, quando falamos de seres não humanos, há uma superficialização da situação. Um não humano mantido em cativeiro é simplesmente um ser fora do seu habitat, o que na significação popular humana fundamentada na dissimulação remete a uma ideia apenas de um “ambiente artificial”; o que para muita gente não é ruim, mas apenas diferente, logo tolerável, transigente. Isso é o que o antropocentrismo e o especismo fazem com a nossa consciência. Suavizam realidades arrebatadoras de exploração, valendo-se não apenas da nossa ignorância ou insipiência, mas também da nossa predisposição em considerar o nosso benefício ou prazer acima dos interesses dos outros.





 

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