David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Sobre o impacto da agropecuária no Paraná

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(Foto: Jornal de Londrina)

Estudando um pouquinho da história da agropecuária moderna nos estados brasileiros, você vai perceber que há praticamente unanimidade na constatação de que “onde entrou o boi saiu o homem” – em reconhecimento do êxodo rural intensificado pela pecuária. Inclusive aqui no Paraná essa consideração se tornou bastante popular no meio acadêmico a partir dos anos 1980.

A agropecuária não é qualificada como uma real atividade de inclusão sócio-econômica. Se você estudar o fim dos ciclos do café, por exemplo, aqui no Paraná, depois das grandes geadas que também trouxeram desemprego e mais tarde a ilusão da inclusão sócio-econômica com a “Revolução Verde”, que na realidade privilegiou a formação de latifúndios, você vai perceber que nada foi mais vantajoso para grandes proprietários de terras do que gerar o mínimo possível de mão de obra com a pecuária.

Se você viajar pelo interior do estado, ainda encontra muitas colônias abandonadas – dos tempos de colonato e meeiros. Claro, mas também nem ouso dizer que não havia exploração na cafeicultura, porque essa é outra questão que merece uma discussão à parte.

No entanto, a degradação e subutilização do solo, ampliação do desmatamento de latifoliadas na Mata Atlântica, menor circulação de pessoas pelo campo, aumento de desemprego, pelo menos no Paraná, foi muito mais intenso com a emergência da monocultura da pecuária extensiva.

Claro que hoje temos também outras atividades agrícolas prejudicando o meio ambiente no Paraná. Porém, quando se reúne todos os elementos citados acima, a pecuária corrobora todos eles.