David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for the ‘Autoral’ Category

Eu e Má (minha mãe)

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Acredito que as minhas melhores qualidades vêm dela

Eu e Má (minha mãe), sempre tivemos um relacionamento muito próximo. Acredito que as minhas melhores qualidades vêm dela. Quando meu pai faleceu em 1997, e eu e meus irmãos éramos praticamente crianças (o Juninho então era um bebê – tinha um ano), ela assumiu a responsabilidade de criar os três filhos sozinha. Antes, ela já havia criado suas duas irmãs.

Acredito que se escrevo hoje em dia, também devo isso à minha mãe, porque ninguém me incentivou mais a escrever do que ela. Sempre achei meu trabalho razoável ou simplesmente aceitável, e ela, que lê tudo que escrevo, sempre fez questão de dizer que não, que não existe nada de ordinário no que faço, e que devo sempre seguir em frente independente do que os outros pensem ou digam.

Written by David Arioch

May 14, 2017 at 10:55 pm

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As histórias do vovô

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Hoje, digo que o vovô foi o maior contador de histórias que conheci (Foto: David Arioch)

Meu avô, pai de minha mãe, faleceu no final de fevereiro. Desde criança, nunca o chamei de vô, mas sim de vovô. Ele foi o último dos meus avós a partir. Já não tenho mais nenhum. Não escrevi a respeito no dia do falecimento, isto porque acho que na data em que uma pessoa próxima morre os sentimentos e as lembranças de quem fica não estão na mais perfeita sinergia.

Normalmente estão em estado de transição da irrealidade para a realidade, e o que se pode escrever nesse estado pode não representar exatamente o que se quer. E comigo sempre foi assim. Gosto de escrever sobre alguém quando estou no meu estado sereno de avaliação das coisas.

Antes do vovô falecer, antes mesmo de imaginarmos que isso aconteceria, a nossa convivência se tornou diária por quase dois anos. Gravei horas e mais horas de bate-papo com ele. Sentávamos em “cadeiras de área”, como ele dizia, ao lado das pimenteiras e de outros alimentos orgânicos que ele cultivava. Abelhas o visitavam todos os dias no mesmo horário, e ele nunca se incomodava. Muito pelo contrário, comemorava.

Decidi registrar tudo que ele narrava porque isso é importante, porque os idosos são os livros da cultura oral. A matéria do vovô poderia desaparecer, mas não a essência do que ele tinha a oferecer. Ele não era um ser humano perfeito, assim como também não sou, mas foi com ele que aprendi a amar histórias e contá-las.

Ele era uma biblioteca ambulante, um memorialista. Desde a minha infância, devo ter passado milhares de dias sentado ao seu lado ouvindo histórias de um passado remoto, que quase ninguém conhece porque não foi registrado nos livros. Quero dizer, pelo menos até eu decidir conservar suas palavras.

Hoje, digo que o vovô foi o maior contador de histórias que conheci na minha vida, e quando o vi dentro de um caixão, com o corpo gelado e a tez rija, eu já sabia que ele não estava mais lá, mas sim dentro de todos aqueles que resguardaram suas histórias.

 

 

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Written by David Arioch

May 11, 2017 at 5:07 pm

Quem eu era na infância ainda vive dentro de mim

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The False Mirror, de René Magritte

Sempre que termino a musculação, faço treino de mobilidade por 10 a 15 minutos. Como não havia espaço no local onde sempre realizo esse treinamento, deitei perto do espelho que fica em frente à polia. Então prestei bastante atenção no meu rosto, e sorri sozinho, porque reconheci que quem eu era na infância ainda vive dentro de mim.

Percebi isso nos meus olhos, e me senti realmente grato, porque perder isso seria perder a minha própria identidade. Às vezes, se olhar no espelho não tem nada a ver com narcisismo, ainda mais se o que quero ver somente o reflexo não pode me oferecer.





Written by David Arioch

May 4, 2017 at 1:30 am

Nascemos para a liberdade

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Nos condicionamos facilmente às prisões (Arte: Blacksmiley)

Nascemos para a liberdade, mas nos condicionamos facilmente às prisões. Isto porque elas são sedutoras, e nos parecem mais viáveis, alcançáveis. Temos uma intrigante capacidade de rejeitar e negar a liberdade que um dia deu mais sentido às nossas vidas.

A alegria de sonhar como nos tempos de criança não raramente cede espaço ao temor da desilusão, e as incertezas de qualquer realização se transformam em fuga e rejeição. E assim, desaparecemos pouco a pouco. Quem sabe, assumimos a identidade daquilo que outrora temíamos.

É triste morrer vagarosamente sem reconhecer a própria finitude. Há dias que assumem a forma de pesadelos, mas que são naturalizados de forma a não parecerem tão ruins. Então busca-se viver somente, e não se sabe se verdadeiramente, nos finais de semana, nos feriados, quando a bebida que umedece a garganta não lava a alma, mas vela um pesar que parece impossível de enterrar.

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Written by David Arioch

April 17, 2017 at 8:31 pm

Sobre ofensas no trânsito

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Dias atrás, descendo pela Heitor de Alencar Furtado, um caminhão invadiu a pista em que eu trafegava (Foto: Helder Shiroshima)

Dias atrás, descendo pela Heitor de Alencar Furtado, um caminhão invadiu a pista em que eu trafegava. Quando estava a poucos centímetros de bater no meu carro, comecei a buzinar e o motorista recuou. Então segui meu caminho.

Um quilômetro depois, o mesmo caminhão encostou do meu lado. O motorista abaixou o vidro e começou a falar: “Ô seu palhaço, você é um palhaço, você mesmo, seu idiota! Por que ficou buzinando lá atrás? Babaca!”

Nem abaixei o vidro, só fiquei em silêncio e mantive meus olhos na avenida. Então refleti depois: “Qual é o sentido de xingar uma pessoa que você não conhece? De ir atrás dela e abordá-la apenas com a finalidade de intimidá-la ou ofendê-la?”

Há pessoas que sentem raiva e ódio com muita facilidade. Seria interessante se elas pudessem conhecer a vida das pessoas que xingam ou ameaçam no trânsito. Acredito que pelo menos uma parcela se arrependeria desse ato impensado.

Também me questiono se pessoas que fazem isso são capazes de ter a mesma atitude enquanto andam. Por exemplo, um cara esbarra em mim e começo a tentar intimidá-lo, xingá-lo. A probabilidade disso acontecer é sempre maior quando nos sentimos ilusoriamente seguros e intocáveis atrás de um volante.

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Written by David Arioch

April 12, 2017 at 12:09 am

Caso queira se surpreender…

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Caso queira se surpreender, anote suas reflexões e volte a lê-las daqui a um ano. Suspeito que você não vai poder dizer que não mudou em nada ou que não evoluiu em nenhum nível. Claro, se esta for sua vontade.

Written by David Arioch

April 9, 2017 at 10:53 pm

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No caixa do Muffato

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Na fila do caixa do Muffato, encontrei uma mulher sofrendo para carregar a compra em uma cestinha, então me ofereci para ajudar. Quando chegou a vez dela, a filhinha, que deve ter uns três anos e carregava um pacote de bolachas e um saquinho de frutas, esperou eu me afastar um pouquinho e disse: “Que muçulmano bonzinho, mãe!”





Written by David Arioch

April 1, 2017 at 11:06 pm

A morte de João Gilberto Noll, uma triste surpresa

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Mediei um bate-papo com João Gilberto Noll e Luís Henrique Pellanda em setembro de 2012 (Foto: Sesc)

Fiquei sabendo agora do falecimento do escritor gaúcho João Gilberto Noll, vencedor de cinco Jabutis. Me recordo que em setembro de 2012, quando eu ainda estava na casa dos 20, logo mais inseguro do que hoje em dia, tive a oportunidade de mediar um bate-papo com ele e com o Luís Henrique Pellanda, de Curitiba, durante a Semana Literária do Sesc.

Foi uma noite inesquecível; um bate-papo que se estendeu por quase duas horas, e depois continuou na mesa de uma pizzaria em frente ao Grande Hotel, onde ele pediu uma latinha de Coca Zero. Reservado, sua conversa era pausada, reflexiva e bastante ponderada. Por outro lado, como autor era um libertador, arrebatador; sempre semeando um espírito com ânsia pela liberdade. Penso que sua força literária era a sua coragem existencial. Quem sabe, até como reação de uma severa formação religiosa que lhe impôs tantos limites.

Ainda me recordo de sua voz morna durante a leitura ao público. Persistia uma serenidade que se misturava à ansiedade de seus personagens imersos em anseios e situações que escapavam à imaginação do público. Acredito que ainda tenho o áudio do nosso bate-papo. Se eu encontrar, e espero encontrar, vou tentar transformar em alguma coisa que compense a leitura.

 





Written by David Arioch

March 30, 2017 at 2:20 am

Children of the White Gold Cinema

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I saw the tears streaming down his face, wetting his plaid shirt buttoned up at the point of his neck

The White Gold Cinema, one of the great entertainment points of the population of Paranavaí (Archive: Osvaldo Del Grossi)

I am not part of a generation that has the strongest and clearest memories of the White Gold Cinema, one of the great entertainment points of the population of Paranavaí, in the Northwest of Paraná, until 1993. When the cinema was closed, I was still a child. Despite this, I went to the Gold Cinema for a few years of my childhood, and I have fond memories of that time.

My first time at the movies was a session of “The Bumbling Heroes – An Adventure in the Jungle”, on a weekend in 1988. By then, the biggest screen I had seen was the 21-inch TV, covered by a box of varnished wood, which was in the living room. Even so, I was happy watching cartoons on it.

As soon as my brother, my mother and I arrived in front of the White Gold Cinema, in Manoel Ribas Street, in the downtown, I paid attention to the people lined around the box office. Tiny, I watched everything in the proportionality of my stature. I saw more shoes, legs and belts than faces. Except, of course, when people were as little as I was.

Before we got inside the cinema, I walked slowly and backwards along the sidewalk, trying to observe the height of the White Gold’s building, but it was impossible for me. So, I thought that was the biggest movie theater in the world. Who knows, maybe it crossed the skies and had direct contact with the paradise they talked about in school.

The gentle popcorn seller smiled at me, noticing through my large, cylindrical black eyes that it was my movie debut. “Is it your fist time?” You’ll like it and you’ll want to come back many times”, he said, straightening a small amount of sweet pop corn, preventing it from mixing with the salty one.

Warm and smelling, the popcorn popped into the cart. For a moment, I believed, in my boyish illusion, that maybe the popcorn had a life, and wants to go to the movies to watch “The Bumbling Heroes”. By my side, prevailed a sweet aroma that pacified the most bewildering children – yes, it was an effective white-hot soothing odor.

It reminded me of the airy red tabebuia tree, that I saw every day near my house, when I pointed with my finger and shouted: “Look that sweet popcorn tree!” On the other side of the popcorn cart, the smell of popcorn changed, as well as the public. The adults, especially the men, approached and asked: “Give me the salty one, please!”

Skilled, the popcorn seller knew the exact amount of popcorn to fill every bag. I watched his grooved hands glittering in front of the small yellow lamp that glowed and gilded his wrinkled face. It was that way, whenever he leaned in or steeled himself. That was his spectacle, and at the entrance of the White Gold Cinema, nobody was more important than the popcorn seller.

On that day, before we went to the cinema, five shoeshine boys, aged between 6 and 14, approached. They leaned against a wall next to the White Gold Cinema and, as the ragamuffins boys from Buñuel’s “The Young and the Damned”, started smoking, watching families getting out of cars and crossing the sidewalk.

“If I had a father or a mother I would not be in this life, brother! Being poor and alone is not easy. No, sir! Look how much luxury those kids have”, said one of the four boys to his friends. Without a word, they just shook their heads in agreement, crushing little butts with their little feet.

Dirty, with grimy nails and the nauseating smell of cheap cigarettes, a shoeshine boy no more than 12 years old lead a group of kids. As someone hesitant about entering or leaving, he folded his arms and raised his face as one of the entrance lights highlighted his dubious expression of satisfaction

“Guys, listen up! Quickly! This movie ‘Bumbling Heroes’ is very good. There’s only one bad thing. Mussum and Zechariah die at the end. Thanks! Bye! “He shouted and ran laughing, while his dark and curly hair was fluttering. At that moment, he became an antagonist worthy of the villain Scar.

The boy dragged his shabby slippers and, with his companions, went down to Pará Street. Some children did not care about the revelation, but others were so angry that they wanted their parents to call the police or do something about it. For good, no one pursued them.

Inside the Gold White, I was stunned by the out of sight seats. “There are one thousand five hundred seats here. Look up there, it’s like an opera”, my mother told us, watching our reactions. Unhurried, we spun around the mastodontic room, trying to see all the details.

Luckily, there were vacant seats in the front row. Then, we walked there, crossing hallways and listening to the sounds of spectators eating popcorn, talking, making fun of someone and hugging each other. Near us, the usher accompanied everything with its indefectible aura of firefly. He felt like the leader of a coliseum where nothing would happen without his permission, especially when the lights went out.

As soon as I sat down, I observed a boy in mended clothes sitting next to me, accompanied by his mother. His name was Juscelino, and he was a year or two older than me. It was also his first time at the movies. I noticed his anxiety because his small feet kept swinging, as did mine.

His trembling hands sweated so much that every time he wiped them on the sides of his plaid pants. Juscelino was talking to me, keeping his face toward the disproportionate projection screen. I thought he was excited because of the movie, until I noticed something different in his eyes, a crystal clarity like I’ve never seen before. Naturally, the mother revealed that her son was born blind.

Juscelino could not see anything. Still, his excitement at White Gold Cinema surpassed even mine. The sounds and smells that came to him were like immaterial gifts, memorials. With a rare auditory and olfactory acuity, Juscelino could even see what people were doing or eating in the furthest seats- and he liked to discuss everything with me.

Son of peasants from Alto Paraná, he arrived in Paranavaí by bus in the morning, and stayed waiting for hours for the ticket office to open. His father could not participate in the big event, because the savings just barely covered the expenses of his wife and child. “It’s going to start, mom!” Said the little boy seconds before the projector started showing the movie, as if he had a gift for omens.

From beginning to end, Juscelino was completely silent, trying to absorb as much sound information as possible. Occasionally, he moved about the chair without making a sound, worried about bothering people. Juscelino, my brother and I were united by an experience that would never be repeated. Our greatest discoveries were visual, and those of Juscelino were auditory. Perhaps even richer than ours, as he put himself in the position of creator by putting forth to the creativity of everything he heard.

Still in the dark, I saw the tears streaming down his face, wetting his plaid shirt buttoned up at the point of his neck. At the end, with the return of the lights, I asked him what it was like to watch a movie at the cinema without being able to see. My mother scolded me, but Juscelino’s mother did not mind the question.

“I can not explain it right, but I see, yes, I just do not see with my eyes. I see everything I carry inside me”, he justified before taking hold of his mother’s hand and walking in short steps toward the exit. The artificial lighting contrasted and harmonized with the compliant light of the newly arrived portentous moon.

On the corner, at the intersection between Pará and Manoel Ribas Street, the five shoeshine boys, children living as adults, drummed their boxes. They were seated on the curb, immersed in false smiles and sullen stares, trying to exist for a world that scarcely recognized their true intentions.

Returning home on foot, we crossed the street. As we passed them, the same boy, who caused the commotion at the entrance to the cinema, pulled me by the arm and, with an implied look, asked “Hey, my friend. Can you tell us the story of the movie you saw there at the cinema?”

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Written by David Arioch

March 30, 2017 at 1:28 am

Oito anos de David Arioch – Jornalismo Cultural

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Desde 2009, produzo e edito de forma independente todo o material do blog

Em menor ou maior proporção, me guiei por um universo realmente diverso

Em março de 2009, completei três anos de exercício profissional como jornalista, depois de trabalhar desde 2006 produzindo principalmente matérias especiais sobre histórias e personagens do Noroeste do Paraná. Afeiçoado a escrever sobre fatos históricos e figuras pitorescas, dentre outros assuntos, decidi modestamente criar um blog para compartilhar o meu trabalho, e sem qualquer pretensão. À época, comecei a transformar em textos algumas entrevistas que não tiveram espaço nos meus tempos de foca na mídia impressa.

Meu primeiro texto, intitulado “De Bamberg a Paranavaí”, conta a história do Frei Bonaventura, um alemão que foi enfermeiro do Exército Alemão na Segunda Guerra Mundial. Ele se tornou padre, perdeu quase toda a família na guerra, e veio ao Brasil trazendo a cunhada e os sobrinhos. Frei Bona, como era mais conhecido, dizia, com um sorriso cândido e olhar profundo “que não errou em escolher um país que tem tudo para estar entre os melhores do mundo.” Ele fundou um seminário que ofereceu boa educação para centenas de crianças e adolescentes ao longo de décadas.

Desde então, publiquei matérias e outros tipos de texto sobre assuntos que me agradavam e me motivavam como jornalista e curioso da oralidade. Ouvir pessoas foi o que mais fiz durante muito tempo, e ainda faço sempre que posso. Transformei relatos, anseios, aspirações, sonhos e ideias em quase 1,2 mil textos publicados.

Alguns trabalhos exigiram semanas de dedicação, enquanto outros, muito, muito menos. Desde o início, sempre trabalhei com seriedade, mas não me preocupava nem pensava em repercussão. Fazia isso apenas pelo prazer de ler o resultado final, e ter a certeza de que a história de algo ou alguém já não seria mais esquecida, mesmo que meu trabalho não fosse mágico como eu gostaria.

Matérias, reportagens, artigos, aforismos, opiniões, reflexões, críticas, contos e crônicas. Em menor ou maior proporção, me guiei por um universo realmente diverso. Publiquei pouco conteúdo factual, do cotidiano, e que no dia seguinte seria visto como matéria antiga ou texto velho. Me distanciando um pouco do jornalismo, passei por alguns ambientes onde a realidade vai à ficção e a ficção à realidade.

Nunca tive hora para produzir, ou melhor, para parar de produzir. Se uma ideia surgia, já anotava em um pedaço de papel ou apenas a memorizava, ansiando por transformá-la em algo, mesmo quando a cidade silenciava. Escrever por satisfação, não por obrigação, tem dessas coisas. Ainda sou assim.

Sempre dei prioridade ao que pode transparecer atemporal, porque acho que isso tem tudo a ver com uma proposta variegada de jornalismo cultural, embora possa ir além. Também divulguei a realidade dos marginalizados, o aspecto íntimo e humano de personagens anônimos, ignorados e relegados ao esquecimento. Algumas publicações cresceram e se tornaram modestos documentários.

Também me lancei como personagem em minhas histórias – crônicas e contos que remetem à minha infância, adolescência e início da fase adulta, principalmente. Ademais, assumi a forma de humanos, animais e até mesmo da chuva caudalosa. Alguns de meus trabalhos geraram bastante controvérsia, consequência natural de um processo.

A verdade é que nunca me dei bem com barreiras. Escrevo sobre aquilo que me agrada, e meu blog deixa isso às claras. O mais importante é eu estar em sintonia com o que estou produzindo. Atualmente escrevo bastante sobre vegetarianismo, veganismo e direitos animais, porque são assuntos que me interessam muito. Também me sinto motivado pelo feedback dos leitores, que normalmente compreendem e respeitam minha produção.

Além disso, estou sempre aberto a críticas e disposto a aceitar sugestões de pauta, desde que estejam dentro do que tenho me proposto a fazer. Depois de oito anos, decidi abrir espaço para que os leitores possam contribuir com o meu trabalho no meu blog independente David Arioch – Jornalismo Cultural.

Por isso, disponibilizei um botão de doação ao final de cada publicação para que os leitores contribuam, se acharem que vale a pena, me incentivando a prosseguir nessa caminhada. Muito obrigado, e que venham mais anos de blogosfera…

Saiba Mais

Atuo profissionalmente como jornalista desde março de 2006.

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Written by David Arioch

March 26, 2017 at 6:07 pm

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