David Arioch – Jornalismo Cultural

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Archive for the ‘Brasil’ Category

O equívoco de Zezé di Camargo ao dizer que a Hungria vive uma ditadura

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Imagino que o cantor Zezé di Camargo se identifique com política de centro-direita. Ele deu uma entrevista a Leda Nagle falando que a Hungria vive uma ditadura (a citando junto com países como Coréia do Norte e Venezuela). Ignorou (ou talvez não saiba) que o primeiro-ministro da Hungria é o Viktor Orbán, líder do Fidesz, maior representante de centro-direita da Hungria. Hungria só foi “comunista” nos tempos da União Soviética. Seria o mesmo que chamar a Rússia hoje de “socialista” (vide Perestroika, Glasnost). Vamos estudar um pouquinho.





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September 14th, 2017 at 12:44 am

Uma boa forma de ajudar a impedir o avanço do desmatamento na Amazônia é deixando de consumir carne e laticínios

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Saiba que 38% da carne consumida no Brasil é proveniente de áreas de desmatamento da Amazônia.

Uma boa forma de ajudar a impedir o avanço do desmatamento na Amazônia é deixando de consumir carne e laticínios. Afinal, a pecuária ocupa 2/3 de uma área de 750 mil quilômetros quadrados de desmatamento.

Esse desflorestamento é uma consequência natural da demanda por carne e laticínios, o que exige inclusive quantidade absurdas de produção de alimentos, principalmente soja, para nutrir esses animais. Parece pouco? Estou falando de uma área equivalente ao tamanho da Espanha. Saiba que 38% da carne consumida no Brasil é proveniente de áreas de desmatamento da Amazônia.

Então em vez de fazer apelos na internet em defesa da Amazônia, que tal começar reduzindo o consumo de carne e laticínios até, quem sabe, abandonar completamente esses hábitos que não são essenciais à manutenção da vida? Não seria um belo gesto em defesa da Amazônia?

Quando falamos de desmatamento, ficar no discurso é totalmente improdutivo se nossas ações provam que na realidade estamos preocupados apenas com nós mesmos, com o nosso paladar. Seria o mesmo que dizer algo como: “As próximas gerações e os animais nativos que se virem. Vou simplesmente aproveitar o máximo que posso, do jeito que eu quiser. É isso aí!”

Temos que assumir nossas responsabilidades. Ninguém desmata uma área por nada. Se isso acontece é porque há muita gente comprando o que é produzido nessas áreas de desflorestamento. Ou seja, sejamos conscientes. Devemos parar com essa mania de atribuição de responsabilidades que parecem não ter nada a ver conosco, quando somos responsáveis diretos por muito do que acontece com o meio ambiente e com os animais.

Para mais informações, assista:

 

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Written by David Arioch

August 27th, 2017 at 6:27 pm

Alencar Furtado: “Tive a desventura de viver sob a inclemência de duas ditaduras”

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“Uma ditadura é, no mínimo, uma calamidade. Duas, já são uma tragédia” (Foto: Um Pouco de Muitos)

Tive a desventura de viver sob a inclemência de duas ditaduras: a do “Estado Novo” e a de “1964”. Uma, recebeu um nome; a outra, recebeu um número. Ambas fascistas. Soberbas. Plenipotenciárias. Como é da natureza das ditaduras que, sem essas desqualificações, não seriam ditaduras. Deus concedeu-me a ventura de combatê-las. Nas ruas. Na universidade. No Centro de Estudos e Defesa do Petróleo. Na tribuna forense. No Parlamento Brasileiro. Ou no MDB do GRUPO AUTÊNTICO, que travou uma das mais belas lutas políticas deste país.

Uma ditadura é, no mínimo, uma calamidade. Duas, já são uma tragédia. É que as instituições democráticas se vergam sob o vendaval das arbitrariedades. A mídia, vira instrumento de alienação de consciências. A força, sobrepõe-se ao direito. A liberdade é sufocada e proibida. A cultura, fica dirigida. O Parlamento se dobra, ajoelhado, e o Judiciário deixa de ser Poder e passa a obedecer a vontade e os caprichos do ditador.

Enfim, é o terror tocando no futuro, castrando gerações. As ditaduras torturam ou matam opositores, dispondo dos bens e da vida dos que não lhe são gratos. Entre nós, após mais de 20 anos de autoritarismo pleno, o soba tupiniquim é anistiado de todos os crimes, tem assegurados seus direitos políticos, gozando ainda de proteção policial, de veículos, funcionários, e uma pensão vitalícia do presidente da República.

É que tivemos uma abertura democrática negociada, sob a mira dos arsenais da ditadura. E muitos querendo ainda servi-la com benesses injustificadas. A minha geração foi de muita vibração cívica, nas refregas políticas e sociais. Derrubou ditadores; conquistou direitos; lutou, lá fora, contra o nazismo; defendeu as liberdades, reconquistou a democracia, abatendo-se, por isso mesmo, sobre ela todos os flagelos do arbítrio. Foi a luta de toda uma geração que se doou exemplarmente.

Quando do chamado “Estado Novo”, era eu estudante no Ceará. No reinado da ditadura de 1964, eu já residia no Paraná, Estado que me acolheu como seu filho, honrando-me com um mandato de deputado estadual e três outros de deputado federal. Por ter, como líder da Bancada Federal do MDB, denunciado pela televisão as torturas praticadas pelo governo, tive o meu mandato cassado pelo ditador Ernesto Geisel.

A cassação de mandatos era um ato imperial, inapelável e brutal praticado por um sujeito que se achava um semideus. Tanto podia ser uma vindita contra quem, como eu, denunciava tortura e investigava as multinacionais, ou um ato de amor a correligionário, como foi o caso da cassação do mandato de cinco deputados do Rio Grande do Sul, para fazer uma conta de chegar, na Assembleia Legislativa daquele Estado, que desse para eleger, por via indireta, o coronel Perachi Barcelos, governador gaúcho.

O ditador era amigo do candidato indicado. Não precisava de credencial maior. Era a ditadura bastando-se. Cobrindo-se de ridículo com atuação escandalosamente aética. As vicissitudes permearam a minha vida pública. Obtive vitórias e sofri derrotas nos episódios vividos. Levei a minha vida pública na oposição aos governos. Nada de mais. O homem nasce gritando, esperneando, já fazendo oposição. Não é como o feijão, que nasce curvo ou de joelhos, se joelhos tivesse.

O importante é que concorri, de algum modo, para a redemocratização do país. Demérito não é perder eleição. Demérito é não disputar ou omitir-se, podendo agir. Demérito é não ser, podendo ser.

Páginas 189, 190 e 191 do livro “Um Pouco de Muitos – Memorizando”, de autoria do ex-deputado federal Alencar Furtado, publicado este ano. Atualmente ele tem 92 anos e me presenteou com um exemplar do seu novo livro de memórias recém-lançado.

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Written by David Arioch

August 16th, 2017 at 4:52 pm

Um presente do médico veterinário Ailton Salvador e do ex-deputado federal Alencar Furtado

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No livro, Alencar Furtado narra suas memórias (Fotos: David Arioch)

Ontem, ganhei um livro de presente do médico veterinário e grande profissional Ailton Salvador e do ex-deputado federal José Alencar Furtado, que hoje reside em Brasília. Atualmente com 92 anos, Alencar Furtado teve o mandato cassado e os direitos políticos suspensos por ter denunciado as torturas praticadas no período da Ditadura Militar.

No livro “Um Pouco de Muitos – Memorizando”,  ele, que também foi pai do ex-deputado federal Heitor Alencar Furtado, falecido em 22 de outubro de 1982, narra as suas memórias. Fiquei honrado em ser presenteado por pessoas de grande caráter.

Written by David Arioch

August 16th, 2017 at 2:09 pm

Os perigos da generalização

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Homem que ameaçou o trabalhador sírio

Na terça-feira, um imigrante sírio foi ameaçado no Rio de Janeiro por um homem enquanto vendia esfirras. “Vai embora do meu país, sai do meu país. O Brasil está sendo invadido por esses homens bomba que matam crianças e adolescentes”, disse um homem segurando um pedaço de pau, e que recebeu apoio de transeuntes. Os caras não deixaram o homem continuar trabalhando e ele teve que sair do local.

Hoje em dia, parece que o perigo já começa quando você se refere a um país como “seu”. E como mostra a história, pessoas facilmente influenciáveis tendem a cair mais facilmente nesse tipo de armadilha falsamente travestida de patriotismo. Realmente, há situações que ilustram um ideia de “tempos sombrios”. Generalizações já trouxeram consequências bem desastrosas.

Written by David Arioch

August 6th, 2017 at 9:18 pm

Google lança vídeo denunciando o papel da pecuária no desmatamento da Amazônia

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20% das florestas da Amazônia desapareceram com o desmatamento (Foto: Reprodução)

Este mês, o Google lançou um vídeo em seu canal no YouTube intitulado “Eu Sou Mudança – Consumo Consciente”. O trabalho bastante objetivo, que não chega a um minuto e meio de duração, denuncia, de maneira bem simples e didática, como a pecuária tem contribuído com o desmatamento na Amazônia. Ao final, enfatiza que “o desmatamento pode estar no prato de quem consome carne”, relacionando esse hábito com o impacto ambiental.

De acordo com o vídeo, na Amazônia, mais de 750 mil quilômetros quadrados de floresta foram destruídos, dois terços foram transformados em pasto, o equivalente ao tamanho da Espanha. Tudo começa assim, uma pequena estrada de terra é aberta na floresta, por onde entram madeireiros interessados no corte das árvores com maior valor comercial. Quando acabam de cortar, e deixam a área, chega o fazendeiro de gado pela mesma estrada, corta todas as árvores remanescentes e bota fogo em tudo para fazer pasto.

Aí o gado se espalha, em uma imensidão de território só ocupado por ele. Segundo informações do filme, a pecuária extensiva ainda é a maior responsável pela derrubada de floresta na Amazônia brasileira. É um ciclo vicioso. Após a derrubada da floresta, o pasto se degrada rapidamente, exigindo assim novas aberturas na floresta.

O vídeo diz também que 38% de toda a carne produzida no Brasil vem da Amazônia. Somos o maior exportador de carne do mundo. “Não seria exagero dizer que o desmatamento pode estar no seu prato. Até agora já são 20% de toda a Amazônia que se foi. Todo esse pasto, e pensar que era tudo floresta”, termina.

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Written by David Arioch

July 30th, 2017 at 6:14 pm

“Por que o senhor chama a ditadura de revolução?”

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Imagem: Canal Notícias Comentadas (https://www.youtube.com/watch?v=eh4NMsN4Sm4)

Conversando, com um amigo, do nada ele me falou que com o retorno da ditadura tudo iria melhorar no Brasil. Achei melhor ficar calado, sorrir e seguir o meu caminho. Há momentos em que não é difícil perceber que o silêncio diz mais do que qualquer palavra, apesar do clichê.

Isso me lembrou das vezes em que, entrevistando pessoas idosas, principalmente homens, alguns se referiram à ditadura como revolução. Assim, é sempre difícil não suspeitar que tenham sido simpatizantes do Golpe de 1964. Um dia, quando um senhor me disse isso, perguntei:

— Por que o senhor chama a ditadura de revolução?
— Porque foi uma verdadeira revolução. Tudo melhorou.
— Sério?
— Sim…
— Então fale isso para o meu tio que levou uma camaçada de pau e foi preso porque estava tocando violão em frente de casa numa noite de 1978.

Ademais, quem quiser conhecer as muitas histórias de corrupção nos tempos da ditadura, recomendo os livros “A Chave do Tesouro”, “Os Mandarins da República” e “A Dupla Face da Corrupção”, os três publicados pelo economista José Carlos de Assis, vencedor do Prêmio Esso de Jornalismo em 1983. Outra boa referência sobre a ditadura militar é o documentário “O Dia que Durou 21 Anos”, de Camilo Tavares, lançado em 2013.

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Written by David Arioch

July 27th, 2017 at 12:37 pm

Drauzio Varella e a defesa dos transgênicos

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Ainda não é possível afirmar que os transgênicos são seguros (Arte: Redação Online)

Li um artigo do médico Drauzio Varella, escrito em 2011, mas atualizado este mês, em que ele diz que o benefício que os alimentos transgênicos podem trazer à humanidade não admite discussões apaixonadas. Por outro lado, ele mesmo faz um discurso apaixonado em algumas passagens do texto, e não apresenta referências, a não ser a sua própria opinião, que não é a de um especialista em organismos geneticamente modificados (OGMs), mas a de um entusiasta.

Levando em conta que o tema ainda é bastante controverso, uma citação em especial me chamou a atenção. “Os alimentos transgênicos poderão representar, para a saúde pública dos próximos cem anos, avanço semelhante ao do saneamento básico no século 20”, escreveu Varella.

Embora o médico oncologista tenha se posicionado dessa forma, se referindo aos transgênicos como se pudessem ser a salvação da humanidade, o que vai ao encontro do discurso dos fabricantes de transgênicos, é preciso ponderar sobre alguns pontos conflitantes apresentados por instituições e pesquisadores de prestígio na área:

De acordo com o projeto Genetically Modified Food, do Center for Health and the Global Environment, da Universidade Harvard, por trás do sucesso da modificação genética, ainda surgem efeitos inesperados e potenciais armadilhas.

A diminuição dos níveis de glutelina no arroz, por exemplo, foi associada a um aumento não intencional nos níveis de compostos chamados prolaminas, que podem afetar a qualidade nutricional do arroz e aumentar seu potencial para induzir a uma resposta alérgica. Organismos modificados podem, além disso, escapar de estufas, campos e gaiolas de aquicultura e invadir ecossistemas naturais ou quase naturais, e perturbar sua biodiversidade.

O programa da Universidade Harvard que realiza pesquisas na área desde 2012 também informa que os alimentos transgênicos podem danificar a biodiversidade, por exemplo, promovendo uma maior utilização de pesticidas associados com culturas geneticamente modificadas que são particularmente tóxicas para muitas espécies, e, por introduzir genes e organismos exóticos no meio ambiente, podem perturbar comunidades vegetais naturais e outros ecossistemas.

Além disso, desde o início dos anos 2000, pesquisadores brasileiros têm publicado artigos levantando questionamentos sobre a viabilidade e a obscuridade dos transgênicos. Um exemplo é o artigo “Transgênicos: avaliação da possível (in)segurança alimentar através da produção científica“, publicado na revista “História, Ciências, Saúde – Manguinhos”, da Fundação Oswaldo Cruz, em que os pesquisadores Maria Clara Coelho Camara, Carmem L.C. Marinho, Maria Cristina Rodrigues Guilam e Rubens Onofre Nodari revelaram que no Brasil os transgênicos começaram a ser aprovados e introduzidos não respeitando normas de biossegurança:

No Brasil, pelo menos 85% do milho é de origem transgênica, de acordo com a BBC (Foto: Reprodução)

“Contudo, o mais intrigante é a aprovação de três tipos de milho transgênico, o milho Liberty Link (evento LL25), o milho Guardian (evento MON810) e o milho Bt11 (evento Bt11), sem estudos sobre segurança alimentar e riscos ao meio ambiente nos ecossistemas brasileiros, contrariando as normas mais elementares de biossegurança, razão pela qual o IBMA e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recorreram contra a decisão da CTNBio, junto ao Conselho Nacional de Biossegurança.”

Em outro artigo sobre o assunto, intitulado “Avaliação de riscos dos organismos geneticamente modificados“, publicado na Ciência e Saúde Coletiva, os pesquisadores Thadeu Estevam Moreira Maramaldo CostaI, Aline Peçanha Muzy Dias, Érica Miranda Damasio Scheidegger e Victor Augustus Marin, escreveram que a Comissão nacional de Biotecnologia (CTN-Bio), deveria tomar medidas mais enérgicas e cobrar, de toda e qualquer empresa ou instituição que desejasse produzir e/ou reproduzir transgênicos, estudos de análise de risco tanto para a saúde humana quanto para o ambiente, fazendo valer também o Código de Defesa do Consumidor e o Decreto nº 4.680, de 24 de abril de 2003. Um fato preocupante, já que ainda hoje isso não é prática comum.

Considerado um dos maiores especialistas em transgênicos do brasil, o engenheiro agrônomo, cientista, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e ex-membro da Comissão Nacional de Biotecnologia (CTN-Bio), Rubens Nodari disse em entrevista à jornalista Laís Araújo, do Brasil de Fato, em setembro de 2016, que entre os impactos dos transgênicos estão as toxinas produzidas, que podem causar danos a organismos benéficos como as abelhas, e a perda de variedade genética, decorrente do fluxo gênico. Segundo o pesquisador, o impacto, que já existe, é um aumento da contaminação das variedades não-transgênicas pelas transgênicas, causando a erosão genética. A constituição genética que estão nas variedades crioulas pode ser perdida.

Em 2016, outro trabalho sobre a produção de transgênicos foi realizado por Rinaldo Vieira da Silva Júnior, no Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica (Imeecc) da Unicamp, apontando que no caso da coexistência de dois tipos de lavouras, a produtividade das duas deve cair, mas o maior prejuízo recai sobre a planta natural.

Segundo a reportagem “Transgênicos podem oferecer riscos para a biodiversidade“, do Jornal da Unicamp, embora os defensores dos transgênicos considerem esses organismos como a solução para a ampliação da produção de alimentos, os ambientalistas afirmam que os OGMs têm promovido o aumento do uso de agrotóxicos e comprometido de forma significativa a biodiversidade e a saúde da população nos países onde são produzidos.

Minha intenção não é demonizar os transgênicos ou o Drauzio Varella, mas esses questionamentos e dúvidas deixam claro que ainda não há o que exaltar ou comemorar. Por enquanto, há muitos estudos conflitantes e discordantes sobre o tema, e a população precisa ficar atenta ao desenvolvimento, benefícios, malefícios e consequências dos transgênicos.

Além das controvérsias envolvendo produção, consumo e impacto ambiental, outro ponto a se considerar é o viés econômico da produção de organismos geneticamente modificados, já que, de acordo com a Fundação Heinrich Böll, o pagamento de royalties é uma das consequências do plantio de sementes transgênicas, mas não é a única. O agricultor que planta sementes transgênicas fica vinculado, através de um contrato, à empresa dona da patente da semente.

Embora os transgênicos sejam apresentados como uma das soluções para resolver o problema da fome em países em desenvolvimento, a engenheira agrônoma Flavia Londres diz, em seu artigo “Transgênicos no Brasil: as verdadeiras consequências“, publicado pela Unicamp, que não é bem assim: “Um outro fator que se soma a estes é o modelo de agricultura no qual os transgênicos se inserem [uma “evolução” do modelo da Revolução Verde]. Caracterizado por extensos monocultivos altamente tecnificados, ele tem levado, em todo o mundo, à concentração de terras e à expulsão dos pequenos agricultores do campo. A exclusão social que vem em sua consequência só faz aumentar a fome nos países pobres.”

Saiba Mais

Alimentos transgênicos ou geneticamente modificados são produzidos a partir de organismo que sofreram alterações no DNA através de técnicas de engenharia genética.

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Written by David Arioch

March 25th, 2017 at 2:41 am

A Perdigão e as controvérsias do Chester

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Suposta foto de uma produção de Chester ainda muito jovens (Foto: Perdigão)

Leiam o que a Perdigão diz quando questionada sobre a origem do Chester, o frango geneticamente modificado: “Chester é um animal, mas não é uma espécie diferente de ave, como o peru ou o avestruz, por exemplo. É a mesma espécie que o frango convencional.”

Para se ter uma ideia, um frango convencional pesa em média de 1,8 a 2,5 quilos. O Chester pesa pelo menos quatro quilos. Sendo assim, como achar normal o tamanho do Chester? Imagine o esforço que essa ave tem de fazer para se locomover.

Segundo a Perdigão, não tem sentido a aplicação de hormônios sintéticos no Chester porque as aves são abatidas antes do tempo necessário para que as substâncias comecem a fazer efeito. Por outro lado, o animal chega a quatro quilos em 42 dias. Ou seja, o dobro de um frango convencional. Em contato com a Perdigão, quando alguém pede fotos reais do Chester ainda vivo, eles dizem o seguinte: “Não dispomos de imagens desta ave em granja e/ou linha de produção.”

Ou seja, no Brasil, a Perdigão cria misteriosamente uma ave reduzida à comida e que a maioria não sabe o que é, o que não raramente levanta suspeitas. Também me surpreende saber que o Chester, um frango geneticamente modificado, e que me parece que ninguém nunca viu nem na TV, a não ser depois de morto, é consumido no Brasil desde 1982. Até hoje, não há muitas informações sobre o sistema de produção dessa ave. E as poucas a que temos acesso são controversas.

Só para endossar o quão estranho tudo isso é, pergunte aos consumidores o que é exatamente um Chester, se eles já o viram em algum aviário e se são capazes de descrevê-lo. Na minha opinião, mais uma história sobre a qual as pessoas precisam receber muito mais informações do que aquelas disponibilizadas pela indústria.

Written by David Arioch

December 25th, 2016 at 6:37 pm

A Rede Globo e a vaquejada

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Vaquejada não pode ser considerada esporte (Junot Lacet Filho – Jornal da Paraíba)

A Rede Globo de Televisão ontem abordando a controvérsia envolvendo a vaquejada. Apelando às formas mais baratas de sentimentalismo, apresentou uma “reportagem” com uma família que ao longo de cinco gerações está envolvida com a vaquejada. E o mais curioso, se referindo a isso várias vezes como “esporte”. Desde quando a vaquejada tem o aval da vaca?

Mostraram inclusive pecuaristas falando sobre como os animais são bem tratados nesse “esporte” que consiste em puxar o rabo da vaca, submetendo o animal a traumas regulares. A estupidez humana me surpreende um pouco mais a cada dia. Apareceu inclusive um sujeito simulando uma expressão chorosa e ridícula. A apelação não tem limites.

Written by David Arioch

October 12th, 2016 at 3:18 pm