David Arioch – Jornalismo Cultural

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Drauzio Varella e a defesa dos transgênicos

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Ainda não é possível afirmar que os transgênicos são seguros (Arte: Redação Online)

Li um artigo do médico Drauzio Varella, escrito em 2011, mas atualizado este mês, em que ele diz que o benefício que os alimentos transgênicos podem trazer à humanidade não admite discussões apaixonadas. Por outro lado, ele mesmo faz um discurso apaixonado em algumas passagens do texto, e não apresenta referências, a não ser a sua própria opinião, que não é a de um especialista em organismos geneticamente modificados (OGMs), mas a de um entusiasta.

Levando em conta que o tema ainda é bastante controverso, uma citação em especial me chamou a atenção. “Os alimentos transgênicos poderão representar, para a saúde pública dos próximos cem anos, avanço semelhante ao do saneamento básico no século 20”, escreveu Varella.

Embora o médico oncologista tenha se posicionado dessa forma, se referindo aos transgênicos como se pudessem ser a salvação da humanidade, o que vai ao encontro do discurso dos fabricantes de transgênicos, é preciso ponderar sobre alguns pontos conflitantes apresentados por instituições e pesquisadores de prestígio na área:

De acordo com o projeto Genetically Modified Food, do Center for Health and the Global Environment, da Universidade Harvard, por trás do sucesso da modificação genética, ainda surgem efeitos inesperados e potenciais armadilhas.

A diminuição dos níveis de glutelina no arroz, por exemplo, foi associada a um aumento não intencional nos níveis de compostos chamados prolaminas, que podem afetar a qualidade nutricional do arroz e aumentar seu potencial para induzir a uma resposta alérgica. Organismos modificados podem, além disso, escapar de estufas, campos e gaiolas de aquicultura e invadir ecossistemas naturais ou quase naturais, e perturbar sua biodiversidade.

O programa da Universidade Harvard que realiza pesquisas na área desde 2012 também informa que os alimentos transgênicos podem danificar a biodiversidade, por exemplo, promovendo uma maior utilização de pesticidas associados com culturas geneticamente modificadas que são particularmente tóxicas para muitas espécies, e, por introduzir genes e organismos exóticos no meio ambiente, podem perturbar comunidades vegetais naturais e outros ecossistemas.

Além disso, desde o início dos anos 2000, pesquisadores brasileiros têm publicado artigos levantando questionamentos sobre a viabilidade e a obscuridade dos transgênicos. Um exemplo é o artigo “Transgênicos: avaliação da possível (in)segurança alimentar através da produção científica“, publicado na revista “História, Ciências, Saúde – Manguinhos”, da Fundação Oswaldo Cruz, em que os pesquisadores Maria Clara Coelho Camara, Carmem L.C. Marinho, Maria Cristina Rodrigues Guilam e Rubens Onofre Nodari revelaram que no Brasil os transgênicos começaram a ser aprovados e introduzidos não respeitando normas de biossegurança:

No Brasil, pelo menos 85% do milho é de origem transgênica, de acordo com a BBC (Foto: Reprodução)

“Contudo, o mais intrigante é a aprovação de três tipos de milho transgênico, o milho Liberty Link (evento LL25), o milho Guardian (evento MON810) e o milho Bt11 (evento Bt11), sem estudos sobre segurança alimentar e riscos ao meio ambiente nos ecossistemas brasileiros, contrariando as normas mais elementares de biossegurança, razão pela qual o IBMA e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recorreram contra a decisão da CTNBio, junto ao Conselho Nacional de Biossegurança.”

Em outro artigo sobre o assunto, intitulado “Avaliação de riscos dos organismos geneticamente modificados“, publicado na Ciência e Saúde Coletiva, os pesquisadores Thadeu Estevam Moreira Maramaldo CostaI, Aline Peçanha Muzy Dias, Érica Miranda Damasio Scheidegger e Victor Augustus Marin, escreveram que a Comissão nacional de Biotecnologia (CTN-Bio), deveria tomar medidas mais enérgicas e cobrar, de toda e qualquer empresa ou instituição que desejasse produzir e/ou reproduzir transgênicos, estudos de análise de risco tanto para a saúde humana quanto para o ambiente, fazendo valer também o Código de Defesa do Consumidor e o Decreto nº 4.680, de 24 de abril de 2003. Um fato preocupante, já que ainda hoje isso não é prática comum.

Considerado um dos maiores especialistas em transgênicos do brasil, o engenheiro agrônomo, cientista, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e ex-membro da Comissão Nacional de Biotecnologia (CTN-Bio), Rubens Nodari disse em entrevista à jornalista Laís Araújo, do Brasil de Fato, em setembro de 2016, que entre os impactos dos transgênicos estão as toxinas produzidas, que podem causar danos a organismos benéficos como as abelhas, e a perda de variedade genética, decorrente do fluxo gênico. Segundo o pesquisador, o impacto, que já existe, é um aumento da contaminação das variedades não-transgênicas pelas transgênicas, causando a erosão genética. A constituição genética que estão nas variedades crioulas pode ser perdida.

Em 2016, outro trabalho sobre a produção de transgênicos foi realizado por Rinaldo Vieira da Silva Júnior, no Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica (Imeecc) da Unicamp, apontando que no caso da coexistência de dois tipos de lavouras, a produtividade das duas deve cair, mas o maior prejuízo recai sobre a planta natural.

Segundo a reportagem “Transgênicos podem oferecer riscos para a biodiversidade“, do Jornal da Unicamp, embora os defensores dos transgênicos considerem esses organismos como a solução para a ampliação da produção de alimentos, os ambientalistas afirmam que os OGMs têm promovido o aumento do uso de agrotóxicos e comprometido de forma significativa a biodiversidade e a saúde da população nos países onde são produzidos.

Minha intenção não é demonizar os transgênicos ou o Drauzio Varella, mas esses questionamentos e dúvidas deixam claro que ainda não há o que exaltar ou comemorar. Por enquanto, há muitos estudos conflitantes e discordantes sobre o tema, e a população precisa ficar atenta ao desenvolvimento, benefícios, malefícios e consequências dos transgênicos.

Além das controvérsias envolvendo produção, consumo e impacto ambiental, outro ponto a se considerar é o viés econômico da produção de organismos geneticamente modificados, já que, de acordo com a Fundação Heinrich Böll, o pagamento de royalties é uma das consequências do plantio de sementes transgênicas, mas não é a única. O agricultor que planta sementes transgênicas fica vinculado, através de um contrato, à empresa dona da patente da semente.

Embora os transgênicos sejam apresentados como uma das soluções para resolver o problema da fome em países em desenvolvimento, a engenheira agrônoma Flavia Londres diz, em seu artigo “Transgênicos no Brasil: as verdadeiras consequências“, publicado pela Unicamp, que não é bem assim: “Um outro fator que se soma a estes é o modelo de agricultura no qual os transgênicos se inserem [uma “evolução” do modelo da Revolução Verde]. Caracterizado por extensos monocultivos altamente tecnificados, ele tem levado, em todo o mundo, à concentração de terras e à expulsão dos pequenos agricultores do campo. A exclusão social que vem em sua consequência só faz aumentar a fome nos países pobres.”

Saiba Mais

Alimentos transgênicos ou geneticamente modificados são produzidos a partir de organismo que sofreram alterações no DNA através de técnicas de engenharia genética.

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Written by David Arioch

March 25, 2017 at 2:41 am

A Perdigão e as controvérsias do Chester

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Suposta foto de uma produção de Chester ainda muito jovens (Foto: Perdigão)

Leiam o que a Perdigão diz quando questionada sobre a origem do Chester, o frango geneticamente modificado: “Chester é um animal, mas não é uma espécie diferente de ave, como o peru ou o avestruz, por exemplo. É a mesma espécie que o frango convencional.”

Para se ter uma ideia, um frango convencional pesa em média de 1,8 a 2,5 quilos. O Chester pesa pelo menos quatro quilos. Sendo assim, como achar normal o tamanho do Chester? Imagine o esforço que essa ave tem de fazer para se locomover.

Segundo a Perdigão, não tem sentido a aplicação de hormônios sintéticos no Chester porque as aves são abatidas antes do tempo necessário para que as substâncias comecem a fazer efeito. Por outro lado, o animal chega a quatro quilos em 42 dias. Ou seja, o dobro de um frango convencional. Em contato com a Perdigão, quando alguém pede fotos reais do Chester ainda vivo, eles dizem o seguinte: “Não dispomos de imagens desta ave em granja e/ou linha de produção.”

Ou seja, no Brasil, a Perdigão cria misteriosamente uma ave reduzida à comida e que a maioria não sabe o que é, o que não raramente levanta suspeitas. Também me surpreende saber que o Chester, um frango geneticamente modificado, e que me parece que ninguém nunca viu nem na TV, a não ser depois de morto, é consumido no Brasil desde 1982. Até hoje, não há muitas informações sobre o sistema de produção dessa ave. E as poucas a que temos acesso são controversas.

Só para endossar o quão estranho tudo isso é, pergunte aos consumidores o que é exatamente um Chester, se eles já o viram em algum aviário e se são capazes de descrevê-lo. Na minha opinião, mais uma história sobre a qual as pessoas precisam receber muito mais informações do que aquelas disponibilizadas pela indústria.

Written by David Arioch

December 25, 2016 at 6:37 pm

A Rede Globo e a vaquejada

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Vaquejada não pode ser considerada esporte (Junot Lacet Filho – Jornal da Paraíba)

A Rede Globo de Televisão ontem abordando a controvérsia envolvendo a vaquejada. Apelando às formas mais baratas de sentimentalismo, apresentou uma “reportagem” com uma família que ao longo de cinco gerações está envolvida com a vaquejada. E o mais curioso, se referindo a isso várias vezes como “esporte”. Desde quando a vaquejada tem o aval da vaca?

Mostraram inclusive pecuaristas falando sobre como os animais são bem tratados nesse “esporte” que consiste em puxar o rabo da vaca, submetendo o animal a traumas regulares. A estupidez humana me surpreende um pouco mais a cada dia. Apareceu inclusive um sujeito simulando uma expressão chorosa e ridícula. A apelação não tem limites.

Written by David Arioch

October 12, 2016 at 3:18 pm

José Oiticica definia o consumo de carne como um vício social

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Para o escritor e anarquista, a saúde humana deve envolver a alimentação vegetariana

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Oiticica via a doença como consequência da violação das leis biológicas (Acervo: Biblioteca Nacional de Portugal)

“Ele comprovou ser o homem, como primata (pelo seu tubo digestivo, intestinos, glândulas, fórmula dentária, por sua estrutura anatômica, por sua natureza, enfim), animal vegetalivoro, como muitos povos orientais e habitantes de aldeias da Europa, e não carnívoro, como as feras. Compreendeu então que a doença apareceu no homem, como nas plantas, em consequência de um erro de nutrição. A doença é, assim, uma decorrência da violação das leis biológicas, como que uma punição da natureza. Oiticica converte-se então ao vegetarianismo e a abstinência e combate ao álcool e o tabaco, discorrendo em muitas conferências sobre esses vícios sociais”, escreveu o anarquista e vegetariano Roberto das Neves, reproduzindo a visão do amigo anarquista, poeta, filólogo e ativista vegetariano José Oiticica no livro “Ação direta: meio século de pregação libertária”.

Oiticica já era vegetariano em 1912, e desde então assumiu a posição de conciliar sua ideologia política com a defesa do vegetarianismo. De acordo com Neves, ele abandonou o curso de medicina quando conheceu livros sobre evolucionistas e naturalistas que qualificavam a alimentação como a melhor forma de prevenção e combate às doenças.

“Sempre fui meio rebelde. Ainda garoto fui expulso do seminário São José porque recusei a mão à palmatória. Mas acabei indo para a Faculdade de Direito e com tal crença que disputei sempre os primeiros lugares com Levi Carneiro, que foi da minha turma. Pois, assim, com uma crença sagrada no direito, fui ao Fôro levar um alvará para registro. O oficial do registro me cobrou 13$600, quando o Regimento de Custos marcava para o caso apenas 3$600. Protestei. O homenzinho foi peremptório: ‘Não me interessa o que o Regimento diz. Eu preciso viver’. Após isto larguei o direito”, revela José Oiticica em entrevista ao jornalista Mario Camarina em “Confissões de um Anarquista Emérito”, publicada na revista O Cruzeiro de 23 de maio de 1953.

Oiticica defendia que todo anarquista deveria tornar-se vegetariano e trabalhar em prol da extirpação dos vícios. Segundo ele, a saúde do homem, tanto física como mental, deve envolver a alimentação vegetariana e uma nova relação com a natureza, com o corpo e com a mente. “A inteligência e o aprofundamento intelectual, o exercício da vontade associado à moral, a habilidade e a solidariedade, são elementos essenciais para o progresso humano. A forma pela qual os indivíduos usam as suas energias em relação às energias cósmicas como o sol, o ar e a terra chama-se trabalho”, declarou em registro publicado no livro “Nem barbárie Nem Civilização”, de Tereza Ventura.

Entre os anos de 1911 e 1955, José Oiticica lançou 14 livros de poesia, teoria anarquista e filologia. Também escreveu as peças teatrais “Azalan!”, “Pedras que Rolam” e “Quem os Salva”. “Publicou obras de sociologia e linguística, inclusive em jornais populares; difundiu o vegetarianismo entre os trabalhadores; além de ter deixado obras espiritualistas como o opúsculo ‘Os Sete Eu Sou’ e uma tradução dos ‘Versos Áureos’, atribuídos a Pitágoras”, comenta Tereza.

Oiticica vivia um conflito entre o espírito ativo e ativista, portador de conceitos de uma visão política, e o espírito sensível e inspirado de um poeta preocupado com a natureza humana, segundo o artigo “Anarquia nos Sonetos de José Oiticica”, de Maria Aparecida Munhoz de Omena. Considerado pré-modernista, ele produziu muitos sonetos, principalmente nos anos de 1911 e 1919. Ainda assim, passou despercebido pelas publicações que contam a história do modernismo no Brasil – talvez por suas inclinações ideológicas. “Uma primeira leitura do último livro que publicou em vida, ‘Fonte Perene’, de 1954, revela uma poesia vigorosa, à altura dos considerados bons poetas do período”, enfatiza Maria Omena.

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“Ele comprovou ser o homem, animal vegetalivoro” (Foto: Reprodução)

Idealista, José Oiticica que se dividia entre a literatura, o magistério e a militância anarquista, escreveu no livro “Princípios e Fins do Programa Anarquista-Comunista”, de 1919, que o fim mais alto do anarquismo é a elevação da plebe, dos verdadeiros produtores, a sentimentos e gostos aristocráticos, substituindo assim a democracia atual, calcada na ignorância e na pobreza, por uma aristocracia geral, humana. E como o poeta era um desdobramento natural do anarquista, suas insatisfações eram comumente transmitidas em seus poemas:

“Essa invisível causa, que eu procuro

nos meus tormentos de meditação,

inda é o mesmo problema ingrato e obscuro

Que atormenta homens bons desde Platão

 

Esse maldito sonho de ser puro

– Apurado na dor – é sonho vão:

E ira semeando dores no futuro…

Pobres sonhadores que virão!”

O falecido professor e filólogo Olmar Guterres da Silveira, membro da Academia Brasileira de Filologia, definia José Oiticica como um sujeito de semblante fechado, sem refinamentos elementares e de sobrecenho carregado. “Eis o exterior de um homem cujo brilho eterno desmentia a primeira impressão: culto, dedicado, agradável naquilo que fazia e suave no trato com os alunos”, assinalou. Oiticica faleceu em decorrência de infarto no Rio de Janeiro em 30 de junho de 1957, aos 74 anos. Após sua morte, o advogado e escritor Levi Carneiro o descreveu em matéria publicada no Jornal do Commercio, do Rio de Janeiro, como um homem de virtudes físicas, morais e intelectuais que não gostava muito de aparecer. Preferia refugiar-se dentro de si mesmo, dedicando-se aos estudos.

O anarquista e escritor foi qualificado como um homem que nada ambicionava a não ser o saber: “Nada receava, senão errar. (…) Erudito, cada vez mais refugiado no seu pensamento, não deserdava das ideias que afirmava, nem transigia com os interesses criados numa sociedade da qual se considerava parte”, publicou o Correio da Manhã, também do Rio de Janeiro, no dia 2 de julho de 1957. É atribuída a José Oiticica uma frase que parece referenciar criticamente tanto as desigualdades sociais quanto a relação da humanidade com os animais: “Quem vence um fraco, sempre sai vencido.”

Saiba Mais

José Rodrigues Leite e Oiticica nasceu em 22 de julho de 1882 em Oliveira, Minas Gerais. Era o quarto filho do senador e constituinte Francisco Leite e Oiticica.

Referências

Neves, Roberto. José Oiticica: Um anarquista exemplar e uma figura ímpar na história do Brasil – Rio de Janeiro (1970).

Oiticica, José. Ação Direta: meio século de pregação libertária. Introdução e notas de Roberto das Neves. Rio de Janeiro. Editora Germinal (1970).

Ventura, Tereza. Nem Barbárie Nem Civilização! São Paulo. Annablume (2006).

Omena, Maria Aparecida Munhoz. Anarquia nos sonetos de José Oiticica. Revista Litteris (2009).

Junior, Renato Luiz Lauris. José Oiticica: reflexões e vivências de um anarquista. Universidade Estadual Paulista (2009).

Camarina, Mario. Confissões de um Anarquista Emérito. Revista O Cruzeiro, 23/05/1953. Ano XXV. Nº 32.

Silveira, Olmar Guterres. Para um ideário do professor José Oiticica. Revista Idioma. Nº 20 (1998).

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Lei Rouanet precisa de mudanças

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Lei

Não concordo com o atual funcionamento da Lei Rouanet (Imagem: Divulgação)

Não concordei com a extinção do Ministério da Cultura (MinC) quando tentaram transformá-lo em uma Secretaria Nacional de Cultura, e qualquer dia vou escrever um texto justificando os meus motivos. Mas acredito que a Lei Rouanet precisa de mudanças sim e, se essa CPI for isenta, o que infelizmente não sei se é possível, acho que pode sair algo bom disso.

Não concordo com o atual funcionamento da Lei Rouanet e vou usar um exemplo simples para justificar. Uma vez enviei para o Ministério da Cultura, através do Novo Salic, um projeto de um documentário sobre a passagem do médico nazista Josef Mengele pelo Paraná. Inclusive eu já possuía um roteiro praticamente pronto e uma lista de fontes e referências, já que se trata de um assunto sobre o qual fiz até um mapeamento no Paraná e consegui importantes informações de pesquisadores brasileiros e estrangeiros.

Ainda assim a comissão de avaliação do Novo Salic não aprovou o meu projeto, declarando que eu precisava revisá-lo porque segundo eles a equipe do documentário era pequena. Oi? Então quer dizer que preciso de uma equipe grande se posso fazer um trabalho de qualidade com uma equipe pequena?

Ou seja, a impressão que tenho é que meu projeto não passou porque era econômico demais. Acabei por inferir que os documentários precisam ser produzidos por grandes produtoras. Logo se você é acostumado a trabalhar de forma independente, e não tem condições de aguardar anos para colocar um projeto em prática, parece que o jeito é tirar dinheiro do próprio bolso ou buscar patrocínio por conta própria. Triste realidade.

Todo estuprador é um psicopata?

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Estupradores são naturalmente ególatras, pessoas que não sabem lidar com negativas

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“O Estupro de Tamar”, pintura em óleo feita em 1840 pelo francês Eustache Le Sueur

Li muitos comentários e alguns textos sobre o episódio da jovem de 16 anos que foi estuprada no Rio de Janeiro por mais de 30 homens. Acho impossível não sentir asco, mas também sei que crimes como esse acontecem com mais frequência do que imaginamos. Afinal, quem não se lembra do estupro coletivo em Castelo do Piauí que teve repercussão nacional no ano passado? Quando quatro adolescentes de 15 a 17 anos foram apedrejadas, estupradas, amarradas e jogadas de um penhasco de oito metros de altura.

Não conheço a história da jovem do Rio de Janeiro e acredito também que isso não tenha relevância alguma, já que nada justifica um estupro. Não importa como ela se veste, se tem filhos, se gosta de baladas, se bebe pouco ou muito. Nossas escolhas não existem para pautar a vida dos outros. Somos o que somos, nem por isso temos o direito de decidir como as pessoas devem ser ou agir. Ademais, o fato dela ser menor de idade torna tudo ainda mais aberrante porque ratifica um estado de maior vulnerabilidade.

Há pessoas que podem qualificar o caso de estupro coletivo como um fato isolado por causa da repercussão pontual da mídia. Porém é algo que está bem longe da realidade. No Brasil, pelo menos 15% dos casos de estupros são coletivos e mais de 70% das vítimas são menores de idade. E só para mostrar como a situação é alarmante, pelo menos seis estupros são registrados por hora no Brasil.

Só em 2015, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, podem ter ocorrido 136 mil estupros, numa projeção otimista inspirada na metodologia internacional National Crime Victimization Survey. Imagine então se somarmos esses dados aos casos de violência sexual em que as vítimas ficaram aterrorizadas ou foram coagidas a não denunciar? O total pode chegar a 476 mil.

Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), não mais do que 10% dos casos de violência sexual são denunciados à polícia. Logo não tenho dúvida alguma de que ser mulher no Brasil é muito difícil, já que são obrigadas a viver em estado de alerta, ainda mais levando em conta a impunidade reconhecida pelos abusadores.

Eles zombam das nossas leis brandas que dão margem a muitos recursos por causa do viés da subjetividade. Maior exemplo do descrédito é o fato de que muitos estupradores tiram fotos ou filmam os atos de violência sexual como se fossem souvenirs ou troféus, algo de que se orgulham.

Em 2006 e 2007, fiz um trabalho junto ao Projeto Sentinela, que combate o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes. E o que tirei de lição daquele tempo para a atualidade é que estupradores são naturalmente ególatras, pessoas que não sabem lidar com negativas, seja porque foram mimados demais ou porque não conseguem aceitar o fato de que as pessoas vão continuar existindo e seguindo suas vidas independente deles.

Muitos também tendem a tentar transferir para outra pessoa o desprezo que sentem por si mesmo. Se veem como insignificantes e acabam recorrendo à objetificação sexual de alguém. Querem ferir outra pessoa, marcá-la para sempre. Sentem um prazer mórbido e doentio nisso.

No caso dos mais de 30 rapazes que estupraram a adolescente, como algumas pessoas comentaram, é difícil crer que todos sejam doentes. Mas acredito sim que eles possuem traços de sociopatia e psicopatia. A verdade é que o mundo hipermoderno está imerso em desvios de conduta que ameaçam o bem-estar social.

Nos livros The Sociopath Nextdoor e Snakes in Suits: When Psychopaths Go To Work, os estudiosos do comportamento humano Martha Stout e Paul Babiak estimam que 10% da população mundial sofre de algum tipo de psicopatia, o que me faz crer que a raiz do problema com relação aos estupros já começa nos primeiros indicativos de sociopatia, na ausência de limites e na anuência da permissividade.

Até porque, antes de tudo, todo estuprador é um psicopata, embora nem todo psicopata seja um estuprador. Talvez tenhamos dificuldade em identificar isso porque temos uma tendência obtusa e até romanesca de associar a figura do psicopata com a dos serial killers que encontramos na literatura e no cinema.

De tudo que li até agora sobre o estupro da jovem de 16 anos, só não concordo com as acusações de que todo homem é um estuprador em potencial. Não é verdade e também nem mesmo existe qualquer tipo de estudo que se aproxime de corroborar esse tipo de afirmação baseada na passionalidade.

O crime envolvendo a adolescente do Rio de Janeiro, me lembrou uma história que escrevi há alguns meses sobre uma jovem vítima de estupro

Talvez tivesse caído na rua quando caminhava do boteco para casa. Em seguida, percorreu seu corpo com a língua áspera e fedorenta que a fez sentir-se como se fosse lambida por uma dessas lagartas que invadem pedaços de pau podre em terrenos baldios. Com o rosto virado, Sandra chorava em silêncio, mordendo os lábios e mirando o telhado de fibrocimento (Eternit). Se esforçava para sair do próprio corpo. Não queria enxergar nem sentir nada. A poucos centímetros, observou Isabel à direita – a bonequinha de tecido tinha um vestido encardido, levemente avermelhado.

“Lembrei da virgindade que aquele velho pedófilo tirou de mim. Ele ainda comemorou quando viu o meu sangue escorrendo pelo lençol. Falou desse jeito: ‘É assim, filhinha, a primeira vez de vocês têm que ser com o papai’”, comentou. Turvo se levantou e desapareceu na escuridão, carregando uma garrafa de pinga e arrastando os pés no chão.

Nada a fazia esquecer o cheiro nauseante do pai. As palavras do homem continuaram ecoando pela mente de Sandra. Era como se por um artifício fantástico tivessem-lhe anexado ao ouvido um gravador que reproduzia copiosamente as frases do criminoso. Ela não conseguia expor ao mundo o sentimento inimaginável que a dominou desde a noite do estupro.

Em seu interior, o desespero incessante consumia a voz e a capacidade de se comunicar. “Os gritos e o choro não eram ouvidos e vistos por ninguém. Existiam apenas dentro de mim. E minha mãe [primeira esposa de Turvo] sabia de tudo e aceitava”, narra chorando. As lágrimas pareciam banhar o interior de cada um dos órgãos – do coração ao útero. A voz perdida, apenas ela ouvia. A vontade de viver se esvaía com o sangue maculado, arbitrariamente dilacerado do seu corpo em desenvolvimento.

Lá fora, no quintal sujo, Sandra tentava, sem sucesso, chorar, observando um pneu que balançava preso à corda amarrada em uma árvore. Para ela, tudo continuava desfocado e diluído. “Eu queria morrer e, em vários momentos da vida, sei que minhas irmãs também. Ele abusou da gente não só uma ou poucas vezes, mas muitas. Ele estuprou todas as filhas e mesmo depois de tantos anos algumas ainda recebem suas visitas noturnas”, garante Sandra que se arrepia, apontando com o dedo indicador os pelos eriçados do braço.

Há diferenças entre viver na época da ditadura e entendê-la enquanto poder político

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Analfabetismo no Brasil da década de 1960 chegava a 60 e até 70% em muitos estados

Góes Monteiro, general que inspirou a Ditadura Militar no Brasil (Foto: Divulgação)

Góes Monteiro, general que inspirou a Ditadura Militar no Brasil (Foto: Divulgação)

Me sinto deslocado lendo tantos comentários que enaltecem a ditadura militar em páginas de notícias. “Meu pai, minha mãe, meu avô, minha avó, meu tio, minha tia e tantos outros contam que só apanhava na época da ditadura quem era bandido”, dizem muitos.

Francamente? Todo mundo tem alguém na família que diz isso e não é algo que me surpreenda porque interpreto de uma forma completamente diferente. Eles não reclamavam e ainda não reclamam da ditadura porque na realidade não se importavam muito com os rumos da política brasileira. Também gozavam de pouco entendimento sobre as responsabilidades de se viver em sociedade.

O individualismo naquela época já era uma coisa aberrante e foi exatamente isso que fez com que a ditadura perdurasse por 21 anos no Brasil. Ademais, tinha uma face sombria e uma néscia. A sombria era encampada por aqueles que se beneficiavam do sistema político vigente e a néscia era a dos menos instruídos ou incultos que tinham linha de raciocínio azêmola e solene, e por assim dizer até macabra de que “se o governo não me incomoda, tudo está perfeito, mesmo que pessoas morram à minha volta”.

A verdade que vejo pouca gente divulgando nos debates sobre o assunto é que nos tempos da DITADURA MILITAR havia uma grande massa de pessoas que não se importavam realmente com a democracia ou a liberdade de expressão. Muitos nem sabiam o significado dessas palavras, o que é aceitável, levando em conta que o analfabetismo no Brasil da década de 1960 chegava a 60 e até 70% em muitos estados, segundo o IBGE.

Por isso grande parcela da população brasileira da atualidade não teve e não tem familiar que foi perseguido nessa época, o que é muito normal, levando em conta que quando a ditadura chegou ao fim o Brasil contava com mais de 136 milhões de pessoas. E tudo isso pode ser usado para reforçar o discurso falseado de que só os “piores cidadãos” eram perseguidos pelos militares. A mim isso significa algo bem simples. O que veio depois não foi graças ao esforço da maioria, o que na minha modesta opinião endossa mais ainda as histórias de luta de quem seguiu na contramão da obviedade.

Pondero que ter vivido na época da ditadura e tê-la compreendido na essência são coisas completamente diferentes. Conheço muitos idosos que a enaltecem, inclusive da minha família, mas esses não desempenhavam atividades intelectuais, culturais, artísticas ou econômicas que pudessem ser cerceadas. Sendo assim, considero no mínimo incoerente citar um familiar que pouco ou nada contribuiu para os rumos da democracia no Brasil, mesmo que não exercida na sua plena funcionalidade.

Em Paranavaí, no Noroeste do Paraná, tivemos até obras musicais e poemas censurados no Festival de Música e Poesia de Paranavaí (Femup), principalmente nas décadas de 1960 e 1970, porque o Dopes suspeitou que havia conteúdo subversivo nos trabalhos enviados, o que não era verdade. E são pessoas que qualificam a ditadura militar como revolução que falam mal de ditadores. Ou seja, um entranhado e estrambólico paradoxo.

Além disso, acredito que embora o Golpe de 1964 tenha sido colocado em prática como uma promessa de transformar o Brasil em um país do futuro, o que ele fez foi instituir uma retrógrada forma de colonialismo baseada em relações de trabalho fundamentadas no barateamento e precarização da mão de obra, o que já acontecia na Europa e nos Estados Unidos na década de 1920.

Ou seja, inspirados na velha Doutrina Góes Monteiro, da Era Vargas, os generais fizeram com que o Brasil evoluísse sim em industrialização, não tenho dúvida disso, mas um progresso que a exemplo de outras versões beneficiou a menor parcela de brasileiros.

O Bardo e o Banjo, a força do bluegrass à brasileira

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“Não foi uma formação planejada, mas sim uma união de bêbados que deu muito certo”

As primeiras releituras de O Bardo e o Banjo foram de bandas como Lynyrd Skynyrd, The Beatles e Johnny Cash (Foto: Divulgação)

O Bardo e o Banjo começou fazendo releituras de Lynyrd Skynyrd, The Beatles e Johnny Cash (Foto: Divulgação)

Em 2012, quando o multi-instrumentista e compositor Wagner Creoruska Junior se apresentava nas ruas mais movimentadas de São Paulo, divulgando a cultura bluegrass como um homem-orquestra, ele conheceu o violinista Antonio de Souza. “A ideia de criar uma banda veio daí. E logo sugiram convites para participarmos de shows e festivais. Então pensamos na entrada do Marcus Zambelo como vocalista, visando preencher mais o som que fazíamos. Ele tocava em uma banda cover do Rush”, narra Wagner em referência ao início da banda O Bardo e o Banjo, de bluegrass e folk, criada no mesmo ano.

Com a popularidade do grupo, Maurício Pilczuk, que já integrava outras bandas e era professor de música, foi convidado a ingressar como baixista, dando mais corpo aos shows. “Todos acabamos nos conhecendo enquanto tocávamos por aí. É interessante porque não foi uma formação planejada, mas sim uma união de bêbados que deu muito certo”, conta Creoruska rindo.

As primeiras releituras de O Bardo e o Banjo foram de bandas como Lynyrd Skynyrd, The Beatles e Johnny Cash, com o diferencial de uma peculiar roupagem bluegrass, o que Wagner admite não ser uma novidade, já que nos anos 1970 o grupo Old and in the Way, de San Francisco, na Califórnia, fazia covers do The Rolling Stones.

A primeira música autoral do grupo foi "Sweetums", lançada no final de 2012 (Foto: Divulgação)

A primeira música autoral do grupo foi “Sweetums”, lançada no final de 2012 (Foto: Divulgação)

“O Hayseed Dixie também ficou muito conhecido fazendo isso. Adaptar arranjos é sempre um exercício de desconstrução e reconstrução musical. Para nós é legal porque tocamos do nosso jeito as músicas que adoramos, soando menos ‘agressivas’. É engraçado, por exemplo, tocar ‘Ace of Spades’, do Motörhead, e ver as crianças dançando como se fosse o show daquela galinha azul”, comenta às gargalhadas. Outro ponto positivo é que covers bem executados atraem bom público. Por isso a banda gosta de mesclar músicas autorais e releituras, tornando o show bastante interativo.

Influenciado pela música irlandesa e norte-americana desde a infância, Wagner ainda se recorda das tardes ouvindo os discos de Willie Nelson que pertenciam ao seu tio. “Ouvia também Beatles, Creedence e Rick Wakeman. Mas diria que todos viemos do rock e do metal, embora nossas maiores inspirações sejam Heyseed Dixie, Greensky Bluegrass, Old and in the Way e Bill Monroe, entre outros. Como o bluegrass é um tipo de música folclórica com raízes nas fiddle tunes irlandesas, no country e no blues, nos definimos com bluegrass e folk. Buscamos muito essa linguagem mais tradicional”, destaca.

A primeira música autoral do grupo foi “Sweetums”, lançada no final de 2012. Desde então a boa aceitação estimulou O Bardo e o Banjo a seguir em frente. “Não parei mais de compor e hoje temos cerca de 30 composições, incluindo gravadas e não gravadas”, revela Creoruska. Entre os temas das letras estão o cotidiano, relacionamentos, histórias fictícias e divagações.

De 2012 para cá, O Bardo e o Banjo passou por apenas uma mudança na formação (Foto: Divulgação)

De 2012 para cá, passaram por apenas uma mudança na formação (Foto: Divulgação)

Em 2013, a banda lançou o EP Sinergy, seguido pelo EP Lakeside, de 2014. No mesmo ano lançaram também o álbum Homepath e o CD ao vivo Folk n’ Roll que traz covers de Motörhead, Del and Dawg, Black Sababth, Lynyrd Skynyrd, Dire Straits, The Beatles, Ozzy Osbourne, Old Truck Revival, Johnny Cash e ZZ Top.

“O Homepath teve uma divulgação bem legal desde que foi lançado. Através dele conseguimos matérias em jornais e demos entrevistas para a TV. Inclusive tivemos uma das faixas tocadas em um episódio da novela ‘I Love Paraisópolis’, da Rede Globo”, explica Creoruska. Em síntese, o álbum se tornou uma ótima porta de entrada para os outros trabalhos da banda, também servindo como convite para que mais pessoas conheçam e se aventurem pelo universo do bluegrass.

De 2012 para cá, O Bardo e o Banjo passou por apenas uma mudança na formação. Em 2015, o violinista Antonio de Souza deixou a banda e foi substituído por Peter Harris. “Também fizemos alguns shows com o baixista Beto Grangeia que chegou a tocar baixo no clipe de ‘Homepath’. Tivemos ainda a participação do violinista Rik Dias em alguns shows antes da entrada do Peter”, enfatiza.

Em 2014, a banda lançou o álbum Homepath (Foto: Divulgação)

A banda lançou o álbum Homepath em 2014 (Foto: Divulgação)

O que também chama muita atenção no trabalho da banda é a qualidade dos vídeos, acima da média nacional. De acordo com Wagner, os clipes são sempre produzidos em parceria com produtoras e filmmakers aptos a captarem a essência de cada música. “Fizemos muitos vídeos a convite de produtoras com um portfólio incrível. E todos eles estão disponíveis no YouTube”, avisa.

Atualmente os integrantes estão trabalhando na produção do segundo álbum. Tudo indica que as gravações vão ser iniciadas nos próximos meses. “Quanto a instrumentos novos, estamos experimentando outros timbres. Por exemplo, um banjo feito de lata que uso em algumas músicas novas”, informa Creoruska.

O Bardo e o Banjo já fez shows em nove estados do Brasil. Ainda assim há muitas cidades onde a banda pretende se apresentar até o final do ano. “Agora vamos fazer uma pequena turnê pelo estado de São Paulo. Serão 15 shows em duas semanas. Possivelmente passaremos por Brasília no final de julho e também pela região Sul em agosto e setembro. Em novembro voltaremos a Maringá para participar da Virada Cultural”, anuncia.

“Tocar na rua é uma experiência única”

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Wagner Creoruska: “Fico bastante impressionado com a aceitação do público em geral” (Foto: Divulgação)

O fundador da banda O Bardo e o Banjo, Wagner Creoruska Junior conta que quando começou a tocar sozinho pelas ruas de São Paulo jamais imaginou que um dia as pessoas iriam se interessar tanto por bluegrass e folk. “Fico bastante impressionado com a aceitação do público em geral. Hoje temos muitas bandas de folk, muitos artistas tocando e começando pelas ruas. Acho incrível e apoio todos eles. Tocar na rua é uma experiência única”, admite.

E foi justamente a boa repercussão do trabalho que motivou Creoruska a fundar o projeto Redneck Murder que recentemente disponibilizou o EP No Road is Too Long no site SoundCloud. “É um som mais puxado para o rock e southern rock. Fica o convite para todos ouvirem!”, recomenda o multi-instrumentista que vê a internet como aliada e a considera fundamental na divulgação de sessions, vídeos e matérias sobre o trabalho da banda – publicadas principalmente em blogs. No entanto, defende que o contato com o público nas ruas é de suma importância e nunca deve ser subestimado. “O contato visual real, a música ao vivo ali na sua frente, causa um impacto muito maior do que um vídeo ou áudio na internet”, avalia.

Wagner Creoruska também reconhece o potencial dos sites de financiamento coletivo, ferramenta que tem ajudado a transformar boas ideias em realidade. “Para quem precisa de dinheiro para gravar um álbum ou clipe, o financiamento é uma grande solução. Porém, tem que ser bem pensado e estruturado para que você consiga convencer as pessoas a participarem do projeto”, argumenta.

“Agradecemos sempre aos nossos fãs. Eles são nossos principais parceiros e patrocinadores. Realmente, o Bardo e o Banjo não estaria onde está não fosse por eles” – Wagner Creoruska Junior.  

Formação Atual

Wagner Creoruska Junior – vocal, banjo e percussão

Marcus Zambelo – vocal, bandolim, percussão e sapateado

Maurício Pilcsuk – vocal e baixo acústico

Peter Harris – violino

Saiba Mais

 O Bardo e o Banjo continua aberto a convites de shows. Para entrar em contato, ligue para (11) 98863-2373 ou envie mensagem por WhatsApp. O e-mail da banda é obardoeobanjo@gmail.com. A agenda pode ser acompanhada pelo site www.obardoeobanjo.com

 O CD Homepath, camisetas, bonés e posters podem ser comprados na loja virtual da banda: http://www.obardoeobanjo.lojaintegrada.com.br

Um breve desabafo sobre a política nacional

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Imagem do cartunista Roque Sponholz que retrata a vergonha da nossa política

Imagem do cartunista Roque Sponholz que retrata a vergonha da nossa política

O Brasil tem 35 partidos políticos ativos, além de 20 partidos em vias de legalização. Para que tudo isso? Quantos desses partidos conhecemos de verdade? Precisamos de reforma política urgente. Acho que se existisse um eficaz sistema de fiscalização de atuação partidária ficaria mais fácil saber quais são relevantes e contribuem para o desenvolvimento do Brasil.

Na realidade, o que defendo como substancial e imprescindível é que os partidos sejam obrigados a atingir metas com base na proporcionalidade de seus candidatos eleitos. O partido que não honrasse seus compromissos deveria ter seu registro cassado. Outra vantagem é que isso minimizaria a desforra de pré-candidatos que lançam o próprio nome apenas visando especulação.

Muitos eleitores ingênuos e desinformados não sabem que há sujeitos com certa popularidade que se lançam como pré-candidatos visando apenas ganhar um bom dinheiro, pois sabem que os concorrentes de maior poder aquisitivo podem remunerá-los muito bem para que desistam da candidatura.

Defendo que promessas de campanha sejam punidas quando não são honradas. Afinal, o eleitor votou com base na cartilha defendida pelo seu candidato. Além disso, quem deseja concorrer às eleições deveria obrigatoriamente participar de um curso específico sobre política, com ênfase na função pretendida.

Dessa forma, muita gente sem qualificação política seria obrigada a desistir do pleito. Também seria salutar a realização de uma nova triagem com os pré-candidatos, levando em conta a coerência e aplicabilidade de suas propostas. Assim os eleitores mais ingênuos não seriam obrigados a escolher o melhor entre os piores.

Duvido que haveria tanta bagunça na política nacional se exigências como essas fossem colocadas em prática. A política no Brasil é deplorável e constrangedora porque é amadora. Vivemos em um país que realiza eleições desde 1532 e até hoje tem uma carência hercúlea de políticos profissionais. O que vemos são amadores e libertinos rendidos à politicagem.

Written by David Arioch

April 1, 2016 at 11:24 pm

Incoerências políticas

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Não vou citar nomes nem partidos, mas há alguns anos participei de uma reunião com lideranças políticas regionais, estaduais e nacionais. Tinha muita gente mesmo. Daí durante uma conversa um dos líderes de um partido olhou para o camarada ao lado e disse: “Você tá vendo esse cara aqui? Então, foi nele que tu votou. O que achou? Valeu a pena? Gostou?” Acanhado, o rapaz disse: “Agora eu sei quem é, parece ser boa pessoa sim!” Ou seja, o camarada votou em um candidato que não sabia quem era. E o mais preocupante é que ele não foi o único.

Written by David Arioch

March 31, 2016 at 5:47 pm

Posted in Brasil

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