David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for the ‘Direitos Animais/Animal Rights’ Category

Animais criados para consumo começaram a ser confinados durante a Segunda Revolução Industrial

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Realidade dos animais confinados no passado

Os chamados animais de criação, ou animais criados para consumo, são tratados como produtos há muito tempo, mas foi durante a Segunda Revolução Industrial, ou seja, no início do século 20, que eles começaram a viver em regime de confinamento intensivo e foram pela primeira vez submetidos aos mais diferentes tipos de experiência que visavam ampliar a lucratividade dos criadores e da indústria.

Na década de 1930, havia uma quantidade considerável de animais que já não eram criados soltos no pasto. Contudo, foi a partir das década de 1960 e 1970, quando houve um boom das grandes redes de fast food, e um aumento absurdo da demanda de produtos de origem animal para atender esses restaurantes, que se tornou comum criar animais em um novo regime de confinamento, envolvendo muito mais privação e sofrimento que precede a morte.

Ou seja, as grandes redes de fast food têm parcela de culpa pela quantidade de animais criados em confinamento para atender a uma demanda também criada por eles. Porém, é claro, isso jamais teria acontecido se o crescente consumo de produtos de origem animal não tivesse partido da própria população. Um fato que instiga reflexão é que hoje vemos essas mesmas redes de fast food alegando que farão o caminho inverso.

Porém, como não podemos deixar de considerar, morte na indústria de produtos de origem animal é sempre morte, independente de como acontece. Porém, é no mínimo intrigante reconhecer que a chamada “comida rápida”, claro, e não somente ela, ajudou a levar os animais a um novo tipo de inferno terreno.

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Sobre o abate religioso de animais

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A cow hangs from above as it is drained of blood from a slit in its throat. There are two different slits made in the cow’s throat, one for regular consumption and one for halal. Other than that, the halal process is virtually unrecognizable from all other beef processed in the slaughterhouse, contrary to popular belief.

O abate religioso de animais é regulamentado no Brasil visando atender exigências para a exportação de carne. Nesse tipo de abate, o animal é degolado com um golpe em forma de meia lua sob os preceitos islâmicos do abate halal, que consiste em cortar os três principais vasos – jugular, traqueia e esôfago. O abate kosher, de origem judaica, segue padrão semelhante. São cortadas as artérias carótidas e as veias jugulares com uma faca chalaf. No Brasil, o Inmetro emite certificação e selo para esse tipo de execução.

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Written by David Arioch

August 21, 2017 at 2:19 am

Estudo mostra que a pecuária é a atividade com maior apropriação de solo na Amazônia

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Foto: Daniel Beltrá

O artigo “Pecuária e desmatamento: uma análise das principais causas diretas do desmatamento na Amazônia”, publicado pela revista Nova Ecnonomia, do Departamento de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), avalia a evolução das causas imediatas do desmatamento da Amazônia, utilizando-se de regressões lineares.

O estudo mostra que nos estados da Amazônia não há atividade com maior apropriação de solo do que a pecuária, e exatamente por desempenhar papel tão determinante na região está fortemente associada com o desmatamento, inclusive sendo apontada como principal causa. E a agricultura em larga escala em vez de reduzir o impacto da pecuária no desflorestamento tem ajudado a ampliá-lo, até porque as duas culturas estão intrinsecamente relacionadas na região, já que uma depende da outra.

O artigo aponta que o crescente investimento em pecuária na região não tem previsão de desaceleração, até porque a pecuária exige baixos níveis de capital, pouco preparo para o solo e poucas restrições associadas ao relevo e áreas livres de troncos em florestas onde o desmatamento é extremamente acentuado.

Na área, a criação de gado normalmente é extensiva, o que significa que há grandes latifúndios contando com até uma cabeça por hectare. O estudo sugere que é preciso agir sobre a lógica dessa expansão, reduzindo o seu avanço sobre novas áreas da Amazônia. Para isso, é preciso com urgência que sejam estabelecidas novas políticas ambientais.

“É necessário também reduzir a motivação da expansão da pecuária nas áreas onde a propriedade da terra é incerta ou se encontra sobre o controle formal do governo (as chamadas áreas devolutas). Sem o aumento do grau de ordenamento sobre a propriedade da terra e do aumento da legalidade nas áreas ocupadas, a pecuária de baixa produtividade e baixo investimento de capital vai continuar fazendo parte da lógica de expansão da ocupação da terra na Amazônia”, informa o artigo “Pecuária e desmatamento: uma análise das principais causas diretas do desmatamento na Amazônia”.

 

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Written by David Arioch

August 21, 2017 at 1:55 am

A pecuária como fator colaborativo do desmatamento na Amazônia

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Desmatamento é maior em áreas que pertencem ao Pará, Rondônia, Mato Grosso e Maranhão

De acordo com o artigo “O desmatamento na Amazônia e a importância das áreas protegidas”, que faz parte do Dossiê Amazônia Brasileira 1, publicado pela Universidade de São Paulo (USP), o modelo da ocupação demográfica da Amazônia legal nos últimos cinquenta anos tem levado a níveis significativos de desmatamento, resultante de múltiplos fatores, entre eles, a pecuária.

A área cumulativa desmatada na Amazônia legal brasileira chegou a cerca de 653.000 km² em 2003. O processo de desmatamento normalmente começa com a abertura oficial ou clandestina de estradas que permitem a expansão humana e a ocupação irregular de terras à exploração predatória de madeiras nobres.

[…] Existe uma relação direta entre a economia, o avanço da fronteira na Amazônia Legal e a taxa de desmatamento crescente desde 1990, influenciada pelo estado da economia nacional. Contudo, nos últimos anos, essa relação começou a modificar-se, pois a taxa de desmatamento foi crescente, apesar da falta de crescimento econômico .

[…] Os estados que mais desmataram a Amazônia brasileira entre 2001 e 2003 foram os do Pará, Rondônia, Mato Grosso e Maranhão, que, juntos, corresponderam por mais de 90% do desmatamento observado nesse período.

 

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Written by David Arioch

August 21, 2017 at 1:50 am

50% dos municípios da Amazônia não contam com fiscalização do desmatamento

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Foto: André Penner (AP)

De acordo com o artigo “Causas do desmatamento no Brasil e seu ordenamento no contexto mundial”, publicado pela Revista de Sociologia e Economia Rural, na Amazônia Legal, onde o desmatamento provocado pela pecuária é predominante, apenas 50% dos municípios contam com a presença de um órgão fiscalizador.

 

 





Written by David Arioch

August 21, 2017 at 1:44 am

Os mercadores e consumidores da exploração e da morte animal

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AP Photo/Carrie Antlfinger

A vida, que não deveria ter preço, é um dos negócios mais rentáveis da história da humanidade. Somente a indústria da exploração animal movimenta trilhões de dólares por ano. Não há como não pensar que quando o ser humano se tornou um mercador da morte, ele abriu um precedente que ajudou a naturalizar as mais diferentes formas de violência que conhecemos hoje. Enfim, se uma vida pouco vale, o que as outras coisas, menores que a vida, devem valer? Muito menos.

Matamos por ano mais de 70 bilhões de animais, sendo que temos uma população mundial de pouco mais de 7,2 bilhões de pessoas, o que significa que para onde olhamos há morte, há algum tipo de sofrimento, padecimento, perecimento. Eu sorrio, você sorri, todo mundo sorri, e muitas vezes fechando os olhos para o que nos cerca.

O lugar que mais reflete a morte não é o cemitério, não são os hospitais com doentes terminais, mas as nossas casas, os nossos locais de trabalho, os mercados, os restaurantes, as lanchonetes, as padarias, as farmácias, os nossos espaços de lazer. Todos eles estão imersos na finitude de outras existências, de outras criaturas.

Há histórias de privação e sofrimento por todos os lados. Se os animais que morreram para tornarem-se produtos ganhassem vida em um mercado, milhares deles correriam pelos corredores. Ouviríamos berros, mugidos, zumbidos, cacarejos, grunhidos, etc. Seria uma balbúrdia inimaginável. Quantas histórias de privação e sofrimento são veladas nas embalagens dos produtos que compramos? Quantas caricaturas animalescas encontramos à venda em todos os lugares, simplesmente sendo usadas desonestamente na venda de produtos?

Agências de publicidade criam, para a indústria de produtos de origem animal, personagens animais rindo, cantando e brincando. Em síntese, dissimulação e desrespeitosa ilusão que mascara a simples realidade de que não há diversão no sofrimento nem na morte. Quando um animal se torna mascote caricato de um produto, ele não apenas tem a sua identidade dissociada, como também é elevado à condição de estúpido, parvalhão.

Qual ser vivo que não deseja morrer comemoraria o seu próprio fim ou ofereceria a sua própria carne com prazer? Nesse contexto, o ser humano não apenas mata um animal, mas macula sua imagem. Somos cegos, ou somos negligentes, ou somos tolos, ou somos indiferentes; ou somos simplesmente especistas.

Onde estariam escondidas todas essas carcaças flageladas? De bilhões de animais mortos por ano. Em todos os lugares, e até mesmo dentro de nós. Não temos onde escondê-los. Nem queremos isso. Os matamos para expô-los, para aproveitarmos o máximo possível de suas carcaças, de suas carnes, órgãos, tudo que pudermos. E se algo sobrar? Criamos um novo produto. Não há razão para desperdiçar, principalmente se é possível lucrar.

Semeamos a vida tanto quanto semeamos a morte. Choramos pelas injustiças vividas pelos que consideramos nossos semelhantes, mas não por aqueles que morrem para serem reduzido a pedaços sobre os nossos pratos. Sentimos nojo quando passamos perto de um curtume que polui um rio, reconhecendo ali o cheiro da podridão – da morte e da poluição, mas não aventamos a ideia de não usarmos sapato de couro porque a consideramos ridícula ou exagerada.

Reclamamos da violência aguardando a chegada de um lanche recheado de hambúrguer bovino, presunto, filé, de frango, ovos, muçarela e bacon. Paz somente para nós, não é mesmo? Nos sensibilizamos ao assistirmos na TV uma vaca com a pata quebrada sendo retirada de um buraco. Fazemos isso tomando milk-shake e comendo um sanduíche com queijo prato. Criticamos toda e qualquer forma de aprisionamento percorrendo as fileiras do mercado com bandejas de ovos nas mãos, ignorando a realidade das galinhas poedeiras que passam a vida toda confinadas em regime industrial.

Nos entristecemos com a cena de um porco-do-mato agonizando com a boca aberta sobre a relva. Depois o esquecemos e saboreamos um sanduíche de pernil. Abraçamos a galinha doméstica do vizinho e jantamos frango ao molho. Criamos coelhos e lavamos nossos cabelos com produtos testados em seus semelhantes. Brincamos de senhores da existência, que estabelecem prazos de vida para dezenas e até centenas de espécies de animais. Definimos quando eles nascem, crescem e morrem. Nada pode acontecer sem a nossa interferência. Afinal, somos mercadores e consumidores de morte.

 

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Written by David Arioch

August 21, 2017 at 1:39 am

Bezerros são descartáveis para a indústria de laticínios

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No Brasil, bezerros não são economicamente atrativos para a indústria de laticínios

Realmente, o Brasil é um país onde é incomum o consumo de carne de vitela, ou seja, carne de bezerro. No entanto, caso haja demanda, isso não nos impede de exportar animais vivos ou de vender a carne para que seja consumida em outros países. Ademais, quando bezerros não representam lucro para a indústria da exploração animal, isso significa que são descartáveis. Sendo assim, logo são mortos. A multibilionária indústria de laticínios nos presenteia com muitas cenas lamentáveis de privação e morte, tanto de vacas quanto de bezerros quando estes são considerados dispendiosos. Claro, até porque o consumo de laticínios muitas vezes significa bezerros na pista da morte.

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Written by David Arioch

August 21, 2017 at 12:13 am

Sobre o consumo de produtos de origem animal

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Uma das fotos que prova porque o consumo de produtos de origem animal não vale a pena

— Me diga algumas palavras que remetem ao consumo de produtos de origem animal e outras que remetem à recusa a esse consumo.

— Ao consumo, bom, eu poderia dizer apenas antropocentrismo e especismo, mas quando se trata de tal hábito penso em condicionamento, propaganda, comodismo, paladar, desinformação, negação e conformismo. Podem parecer palavras duras, mas essas citações são justificáveis e passíveis de fácil argumentação. Já a recusa a esse consumo, associo positivamente à moral, ética, justiça, empatia, compaixão, consciência, responsabilidade, meio ambiente e saúde.

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Written by David Arioch

August 20, 2017 at 11:25 pm

Meu trabalho é em prol dos animais, não para agradar egos

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Charge que vai ao encontro da filosofia vegana

Me falaram que tem gente me chamando de bem-estarista, só não sei por qual motivo, já que nenhum dos meus textos vai por esse caminho. Se isso é verdade ou não, sinceramente, não é relevante. Como já disse outras vezes, não brigo por títulos. Meu trabalho é em prol dos animais, não para agradar egos (nem mesmo o meu) ou concepções ideológicas. Faço o que faço, respondendo à minha consciência e é isso que importa. Se desagrado alguns ou muitos, isso é apenas parte de um processo natural.

E como já disse outras vezes, quando escrevo, não respondo a ninguém, a não ser a mim mesmo e a minha própria consciência. Discordar das pessoas é natural, e se posicionar sobre isso de forma crítica, porém honesta e ponderada, é muito saudável. Mas é importante ter comedimento o suficiente para não espalhar inverdades ou interpretações equivocadas sobre ninguém, até porque isso é antiético, principalmente quando conjeturamos superficialidades sobre pessoas que na realidade nem conhecemos.

Cada dia que passa tenho me preparado mais para jamais reagir a críticas que não são construtivas, até porque tudo aquilo que é destrutivo ou negativo em essência, não está apto para frutificar. Acho importante ter cuidado com o excesso de passionalidade quando lutamos por algo, porque se fugimos à sombra da realidade, a passionalidade facilmente pode ser transformada em um veneno difícil de dosar. Desse mal, acredito que não sofro, porque sei que quando falo com pessoas estou sempre me direcionando a alguém que, assim como eu, pensa, sente, tem sua própria visão de mundo, sua própria individualidade. Se alguém falar que não sou vegano? Não faço nada, porque isso não importa. O que importa é o resultado das minhas ações.

O que é bem-estarismo?

Basicamente, bem-estarismo ou utilitarismo é uma corrente filosófica que visa a redução da exploração animal, mas que não se preocupa com a libertação desses animais. Inclusive bem-estaristas consideram aceitáveis o abate desde que não seja imposto “sofrimento desnecessário” aos animais. O chamado abate humanitário, por exemplo, é uma proposição defendida pelo bem-estarismo. E muitos bem-estaristas não veem nada de errado em usar animais em inúmeras atividades e até mesmo se alimentar deles, desde que não imponham o que consideram “sofrimento desnecessário”. Em síntese, na premissa bem-estarista há uma crença de que animais são inferiores e podem ser usados pelos seres humanos, porém dentro do que eles chamam de “aceitável”. Chamar de bem-estarista também tem se popularizado como um termo pejorativo entre veganos, principalmente quando acusam alguém de não ser realmente vegano.

 

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Por que consumir mel também é uma forma de contribuir com a exploração animal

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Abelhas exploradas pelos seres humanos não levam uma vida natural

Muitas pessoas estranham o fato de veganos não consumirem mel, isto porque há muito tempo criou-se um mito de que as abelhas produzem mel para nós. Por isso é importante entender como ocorre a interferência humana no estilo de vida das abelhas e como isso é prejudicial para esses animais.

O processo de produção de mel começa quando as abelhas campeiras saem para colher o néctar das flores. Nessa etapa, elas fazem a polinização transferindo os grãos de pólen de uma flor à outra e os armazenam no chamado “estômagos de mel”, ou seja, um segundo estômago.

No retorno à colmeia, elas iniciam a conversão do néctar em mel por meio de uma enzima chamada invertase, que transforma a sacarose em glicose e frutose. Com o auxílio de outra enzima, glicose oxidase, uma pequena porção de glicose é convertida em ácido glicônico, elevando a acidez do néctar e evitando a sua fermentação.

Depois, elas vomitam o néctar semi-digerido na boca das abelhas engenheiras, que terminam de digerir o néctar e o regurgitam nos alvéolos, onde ao longo de dias o mel passa por um processo de desidratação. A secagem é feita pelas próprias abelhas que movimentam velozmente as asas até o mel chegar a apenas 18% da quantidade original de água. Nesse momento, uma prova de que as abelhas não produzem mel para outros seres vivos é o fato de que elas o selam com cera, crentes de que assim estão protegendo o seu alimento dos invasores.

Todo esse processo é feito pelas abelhas e para as abelhas. Afinal, o mel é uma essencial fonte de alimento e de nutrientes essenciais para elas, e torna-se mais importante ainda quando as abelhas são incapazes de sair para buscar mais néctar e pólen, o que é muito comum em períodos de frio, escassez de floradas ou outros tipos de adversidades climáticas.

Sendo assim, esse também é um dos motivos pelos quais veganos, que evitam ao máximo tomar parte na exploração animal, não consomem mel, já que isso significa privar um ser vivo do seu próprio alimento, ou no mínimo obrigá-lo a produzir mais.

É importante ponderar também que a apicultura, que é a cultura comercial de produção melífera, é realizada de forma a subjugar as abelhas, já que apicultores usam fumaça e gás para manipular as colônias. Basicamente, são formas de condicioná-las e afastá-las do curso natural de suas vidas. Em casos em que as abelhas são contaminadas por parasitas, não é raro os apicultores fumigarem e queimarem toda a colmeia, que costuma ter de 30 a 60 mil abelhas, matando inclusive abelhas saudáveis.

Então alguém pode dizer: “Mas imagine o trabalho de separar as saudáveis das que não são.” Bom, basta não explorarmos as abelhas. Afinal, mel não é uma necessidade básica dos seres humanos. Outra informação relevante é que onde o frio é muito rigoroso, se os apicultores considerarem muito caro manter as abelhas vivas, eles destroem as colmeias usando cianeto.

Outro exemplo que revela como as abelhas são enganadas nesse processo é que quando os apicultores removem o mel da colmeia, eles o substituem por um açúcar barato e pobre em nutrientes. Isso força as abelhas a trabalharem até a exaustão na tentativa de repor o mel perdido. Além disso, durante a remoção do mel nos apiários sempre há abelhas que morrem quando reagem e tentam ferroar os apicultores.

Nos apiários, também não é raro as abelhas rainhas terem as asas cortadas, assim evitando que elas deixem as colmeias para criarem novas colônias em outros lugares, o que diminuiria o lucro e a produtividade.

De acordo com o projeto SOS Bees, a criação em massa de abelhas afeta as populações de outros insetos que concorrem pelo néctar. Prejudicadas pela quantidade imensa de abelhas cultivadas em apiários, as populações de abelhas nativas e de outros animais polinizadores têm diminuído.

Para se ter uma ideia de como é trabalhoso o processo de produção natural de mel, as abelhas precisam visitar pelo menos dois milhões de flores para produzirem 450 gramas de mel. É uma quantidade significativa de mel se levarmos em conta que cada abelha produz em média apenas um duodécimo de uma colher de chá ao longo de toda a sua vida.

Será que vale a pena explorar as abelhas? Creio que não. Afinal, abelhas em apiários são condicionadas a trabalharem fora do seu ritmo natural, logo isso reduz a expectativa de vida delas, assim como acontece com qualquer outro animal explorado por seres humanos.

Mortes nesse processo são inevitáveis. Reflita também sobre o fato de que mel não é uma necessidade básica humana. Vivemos muito bem sem consumi-lo. Acredito que todo mundo já ouviu alguém dizer algo como: “Que lindo como as abelhas produzem mel para nós!” Não, as abelhas nunca produziram mel para consumo humano.

Em síntese, o mel é uma importante fonte de alimento e de nutrientes essenciais para as abelhas, e torna-se mais importante ainda quando elas são incapazes de sair para buscar mais néctar e pólen, o que é muito comum em períodos de frio, escassez de floradas ou outros tipos de adversidades climáticas.

Logo, se consumimos mel, estamos basicamente furtando ou roubando o alimento desses insetos que merecem viver livremente. Claro, as abelhas contribuem ao realizarem naturalmente um processo de polinização que favorece o desenvolvimento de tantos vegetais que consumimos. Porém, isso não significa que elas existem para nos servir.

 Saiba Mais

Abelhas têm uma forma singular e complexa de comunicação baseada na visão e nos movimentos, e isso é algo que ainda não é bem compreendido por cientistas. Elas têm capacidade de raciocínio abstrato, além de serem capazes de distinguir os seus familiares de outros membros de uma mesma colmeia. Também usam pistas visuais para mapearem suas viagens e retornarem a locais onde já buscaram alimentos. O cheiro também estimula a memória e desencadeia lembranças poderosas nas abelhas.

Referências

http://sos-bees.org/

https://www.vegansociety.com/go-vegan/why-honey-not-vegan

https://www.peta.org/issues/animals-used-for-food/animals-used-food-factsheets/honey-factory-farmed-bees/

 

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