David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for the ‘Documentarismo’ Category

“A ideia é tentar controlar todo mundo, transformar toda a sociedade no sistema perfeito”

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Chomsky: “Se você fabricar vontades, fazer as pessoas obterem coisas que estão ao alcance, a essência da vida, elas virarão consumidores”

Se voltarmos ao século 19, no início da Revolução Industrial, os trabalhadores tinham muita consciência disso. Eles, na verdade, predominantemente consideravam o trabalho assalariado não muito diferente da escravidão, a única diferença é que era temporário. Na verdade, era uma ideia tão popular que era o slogan do Partido Republicano. Ali havia uma afiada consciência de classe. No interesse do poder e privilégio, é bom tirar essa ideia da cabeça das pessoas. Você não quer que elas saibam que são uma classe oprimida.

Então, esta é uma das poucas sociedades [sociedade dos Estados Unidos] em que não se fala sobre classe. Na verdade, a noção de classe é bem simples. Quem dá as ordens? Quem as segue?  Isso basicamente define classe. Tem mais nuances, é mais complexo, mas basicamente é isso.

As indústrias de relações públicas e publicidade, que são dedicadas a criar consumidores, são um fenômeno que se desenvolveu nos chamados países livres; na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, e o motivo é bem claro. Ficou claro, há um século, que não seria tão fácil controlar a população à força. Muita liberdade foi conquistada. Organização do trabalho, partidos trabalhistas em vários países, as mulheres começando a votar, etc.

Então era preciso ter outras formas de controle. E era de conhecimento expresso que você tinha que domá-las controlando suas crenças e atitudes. Uma das melhores formas de controlar pessoas em termos de atitudes é o que o grande economista Thorstein Veblen chamou de “fabricar consumidores”.

Se você fabricar vontades, fazer as pessoas obterem coisas que estão ao alcance, “a essência da vida”, elas virarão consumidoras. Ao ler os jornais empresariais dos anos 1920, eles falam da necessidade de direcionar as pessoas às coisas superficiais da vida, como “consumo de moda”, e isso as manterá fora do seu caminho.

Você encontra essa doutrina em meio a pensamentos intelectuais progressistas, como de Walter Lippman, o principal intelectual progressista do século 20. Ele escreveu famosos ensaios progressistas sobre a democracia em que sua visão era exatamente essa. “O público deve ser colocado no seu lugar para que os homens responsáveis tomem decisões sem a interferência do ‘rebanho desnorteado’.”

Devem ser espectadores, não participantes. Assim há uma democracia eficiente, retomando Madison, o Memorando de Powell e assim por diante. E a indústria de publicidade explodiu tendo esse objetivo: fabricar consumidores. E tudo é feito com grande sofisticação. O ideal é o que se vê hoje em dia. Em que, digamos, adolescentes que têm um sábado à tarde livre, vão ao shopping passear, não à livraria ou outro lugar.

A ideia é tentar controlar todo mundo, transformar toda a sociedade no sistema perfeito. O sistema perfeito seria uma sociedade baseada em uma díade, um par, o par é você e seu aparelho de TV, ou, talvez agora, você e sua internet, que lhe apresenta o que deveria ser a vida apropriada; que tipo de engenhocas você deveria ter.

E passa seu tempo e esforço para conseguir essas coisas, que não precisa, não quer, e talvez jogue fora, mas essa é a medida de uma “vida decente”. O que vemos nas propagandas na televisão, se você já fez um curso de economia, você sabe que os mercados devem ser baseados em “consumidores informados fazendo escolhas racionais”.

Bem, se tivéssemos um sistema de mercado assim, então uma propaganda de televisão consistiria de, digamos, a General Motors dando informações dizendo: “Eis o que temos à venda.” Mas uma propaganda de carro não é assim. Uma propaganda de carro tem um herói do futebol, uma atriz, um carro fazendo alguma loucura como subir uma montanha ou algo assim.

A questão é criar consumidores desinformados que farão escolhas irracionais. É disso que se trata a publicidade, e quando a mesma instituição, o sistema de RP comanda a eleição, eles fazem do mesmo jeito. Eles querem criar um eleitorado desinformado, que fará escolhas irracionais, muitas vezes contra seus próprios interesses, e toda vez vemos uma dessas extravagâncias acontecerem.

Logo após a eleição, o presidente Obama ganhou um prêmio da indústria de publicidade pelo melhor marketing de campanha. Não foi divulgado aqui, mas se procurar na imprensa internacional, os executivos ficaram eufóricos. Eles disseram: “Nós vendemos candidatos, fazemos marketing de candidatos como se fosse de pasta de dente, desde Reagan, e essa é a maior conquista que temos.”

Eu geralmente não concordo com Sarah Palin, mas quando ela zomba do que ela chama de “hopey-changey”, ela está certa. Primeiramente, Obama não prometeu nada. Isso é principalmente ilusão. Analise a campanha retórica e preste atenção. Há pouca discussão de questões políticas, e por um ótimo motivo, porque a opinião pública sobre política é muito desconectada do que a liderança de dois partidos e seus financiadores querem. A política cada vez mais está focada nos interesses particulares que financiam as campanhas, com o público sendo marginalizado.

Excertos de Noam Chomsky no documentário “Requiem for the American Dream”, de Kelly Nyks, Peter D. Hutchison e Jared P. Scott, lançado em 2015.

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“Na ditadura militar brasileira, eles [os críticos do Estado] eram chamados de antibrasileiros”

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Documentário aborda os princípios da concentração de riqueza e poder sob a ótica de Chomsky

Essa noção antiamericana é bem interessante. É uma noção totalitária. Não é usada em sociedades livres. Então se alguém na Itália critica o Berlusconi ou a corrupção do governo italiano, ele não é chamado de anti-italiano. Se o chamassem de anti-italiano, as pessoas iriam cair na risada nas ruas de Roma e Milão.

Em Estados totalitários essa noção é usada. Na antiga União Soviética, os dissidentes eram chamados de antissoviéticos. Era a pior condenação. Na ditadura militar brasileira, eles eram chamados de antibrasileiros. É verdade que em quase toda sociedade, os críticos são difamados ou maltratados de várias formas, dependendo da natureza da sociedade. Como na União Soviética, Vaclava Havel seria preso.

Em um Estado parte dos EUA como El Salvador, na mesma época, seus homólogos teriam seus miolos estourados por forças terroristas comandadas pelos Estados Unidos. Em outras sociedades, eles são condenados ou difamados, daí por diante. Nos Estados Unidos, um dos termos de abuso é antiamericano. Há alguns outros, como marxista.

Há uma série de termos de abuso. Mas nos Estados Unidos, você tem um alto grau de liberdade, então, se for difamado por alguns comissários, quem liga? Você continua, faz seu trabalho. Esses conceitos só surgem em uma cultura em que, se você criticar o poder estatal, e por estatal quero dizer em geral, não só o governo, mas também o poder empresarial, se criticar o poder concentrado, você é contra a sociedade, é contra o povo.

Noam Chomsky em “Requiem for the American Dream”, de 2015.

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Written by David Arioch

August 6th, 2017 at 10:28 pm

Documentário denuncia as mazelas da indústria de ração animal

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Documentário está disponível na Netflix

Caso queiram conhecer as mazelas do mercado mundial de ração animal, dominado por cinco grandes conglomerados: Mars, Nestlé, Procter & Gamble, Hills e Big Heart Pet Brands, recomendo que assistam “Pet Fooled”, de Kohl Harrington, disponível na Netfix. O documentário lançado em 2016 mostra como esse mercado funciona sob conveniência e pode não estar tão preocupado com o bem-estar animal.

 

 





Written by David Arioch

August 4th, 2017 at 1:47 pm

A vivissecção também ensina valores antropocêntricos e especistas, de que animais são objetos que podem ser jogados fora

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“Para que a pesquisa continue, é preciso afastar qualquer sinal de compaixão, e acreditar que eles são objetos, não seres vivos”

Os animais são usados há cerca de 300 anos em uma prática bastante consolidada dentro das instituições de ensino. A maioria das pessoas não sabe, mas para a formação de biólogos, profissionais da área de saúde, geralmente eles são obrigados a passar pela prática de vivissecção, que consiste basicamente em causar um dano ao animal, ou abri-lo ainda vivo.

Ou então usar o cadáver de um animal que foi sacrificado ou morto para aquele tipo de prática pedagógica, para ilustrar conhecimentos que já são sabidos. Vivissecção quer dizer “cortar vivo”, mas esse termo é aplicado hoje a qualquer forma de experimentação animal. A partir do século XIX essa prática se intensificou, e hoje é uma poderosa indústria que produz equipamentos e o que eles chamam de “produtos”.

É comum o uso de cachorros para ilustrar o sistema cardiorrespiratório. É uma prática de fisiologia bastante antiga e tradicional, que consiste em anestesiar um cão, abri-lo, e injetar algumas substâncias para ver como o sistema cardiorrespiratório responde a diferentes substâncias. Então isso é um exemplo dentro de uma série de outros que implicam técnicas de sutura, injeção de “n” substâncias, provocação de queimaduras, indução de fome, indução de estresse.

Depois que eu cumpro com os objetivos da prática, eu jogo o animal no lixo. Geralmente são animais saudáveis, provenientes de biotérios, que são lugares dentro das instituições que criam os animais para essas finalidades. Em alguns casos, esses animais são provenientes de centros de controle de zoonoses.

Peças, encomendas, produtos, modelo, material de estudo – são resumidos a isso. Para que a pesquisa continue, é preciso afastar qualquer sinal de compaixão, e acreditar que eles são objetos, não seres vivos. No começo, o estudante pega um animal, corta e se sente mal com aquele ato. Um desconforto moral, um desconforto físico. Mas se sente mal. Com a repetição, ele já passa a sublimar isso.
Então no final do curso, ele já está cortando numa boa, sem qualquer problema. Então o que é isso? Isso é um processo de dessensibilização pelo qual o estudante passa. No final, ele está mais frio em relação à vida. Ele já “coisificou” a vida na frente dele.

Quando eu corto um cachorro para estudar anatomia, eu aprendo muito mais do que anatomia. Aprendo os valores antropocêntricos e especistas, de que aquele animal é um objeto que eu posso jogar fora. Existe uma série de conteúdo ocultos que são transmitidos de arrasto à prática, e que não estão explicitados no currículo oficial, mas eu aprendo.

Um dia, a gente estava aprendendo a dar injeção em uma égua. Havia 200 alunos dando injeção nela, até que chegou um momento em que um aluno acertou a jugular dela e estourou uma veia. Começou a sangrar muito, e uma das alunas foi lá e começou a estancar o sangue. Só que veio o resto e começou a aplicar do outro lado, e a professora incentivando: “Não! É assim!” Foi horrível! A gente tem dez professores e sete deles falam: “Gente, tadinha nada! Eles estão aqui pra isso!” Nenhum vem dar uma força e falar:

“Não! Eu também acho que isso é errado.” Nenhum! E falam: “Nós temos que sacrificar alguns animais para que vocês possam salvar outros na profissão.” Isso acontece porque a estrutura da universidade está de tal maneira interpenetrada dessa recomendação atribuída a Claude Bernard, de que o cientista para agir profissionalmente ele tem que ser frio em relação ao trato com os animais, que você falar em piedade, dó, compaixão, não combina.

Fui treinado para salvar vidas, e de repente vou lá e uso um cachorro para um aluno aprender a fazer uma cirurgia no estômago e mato o cachorro. No dia seguinte, estou salvando um cachorro naquela mesma cirurgia. Adiantou eu operar? Matei um para salvar o outro. É como um médico operar um cara lá e matar o sujeito para aprender a salvar outro.

Não tem muito critério para utilizar esse método, usa porque é mais fácil. Tem um canil atrás da faculdade, eles pegam um cachorro onde é conveniente, levam para o laboratório e não precisa fazer nenhum esforço. Atualmente, o pessoal do segundo ano [de medicina] está fazendo a primeira experiência com os ratos, que é aquela de injetar estricnina no estômago ou no intestino, e os ratos começam a ter convulsões; alguns ficam com as entranhas todas para fora – intestino, estômago.

O rato morre, mas antes fica convulsionando até o final. O pessoal está me mandando mensagem [agora] de como foi a experiência, o que isso adicionou. Pelo menos quem está escrevendo aqui não ficou satisfeito com esse tipo de aula. Em síntese, você ensina o aluno a ter preconceito com os diferentes. O animal é diferente dele: “Eu tenho autoridade de sacrificá-lo.”

Thales Tréz, biólogo e professor da Universidade Federal de Alfenas (Unifal).

Ana Paula de Sá, estudante de medicina veterinária da Universidade Anhembi Morumbi

Irvênia Prada, professora titular emérita da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP.

Marco A. Gioso, professor do departamento de cirurgia da FMVZ.

Carlos Bustamante, estudante da Faculdade de Medicina do ABC.

Odete Miranda, cardiologista e professora da faculdade de medicina do ABC.

Excertos de “Não Matarás”, documentário lançado em 2005 pelo Instituto Nina Rosa. O filme critica a vivissecção, os testes em animais, ao revelar como os seres não humanos são explorados de forma desnecessária e cruel em um contexto de banalização da vida animal.

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“Fat, Sick & Nearly Dead”, um documentário em que vidas são transformadas pela alimentação vegetariana

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Documentário mostra homens perdendo dezenas de quilos se alimentando de frutas e vegetais (Arte: Reprodução)

Se você tem dificuldade de perder peso ou algum problema sério de saúde, recomendo que assista “Fat, Sick & Nearly Dead”, do australiano Joe Cross, na Netflix. O documentário conta a história de homens obesos que perderam dezenas de quilos simplesmente fazendo refeições líquidas à base de vegetais e frutas. São transformações incríveis e acompanhadas por profissionais da área de saúde. Eles conseguiram se livrar não apenas de graves doenças, mas também de todos os medicamentos que consumiram por anos e anos. Vale a pena. É uma baita lição.





Written by David Arioch

July 30th, 2017 at 8:13 pm

Algumas verdades sobre o óleo de peixe e a indústria do ômega-3

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Segundo especialistas, suplementação de ômega-3 a partir do óleo de peixe não faz a menor diferença para a saúde

Muitas dessas dietas de modinha se tornam uma indústria. Há muito dinheiro a se ganhar fazendo produtos que atendam a essas dietas. Estou convencida de que é o caso do ômega-3. Bem, é o seguinte: há dois ácidos graxos essenciais – ômega-3 e ômega-6. Todo o resto, seu corpo sintetiza. Os meios essenciais devem vir da comida. Então encontramos ácidos graxos ômega-3 em peixes, nozes, sementes de linhaça alguns tipos de soja; e encontramos ácidos graxos ômega-6 em animais da terra, frango, porco, carne vermelha e em óleos vegetais poli-insaturados.

Você pode ver qual é o nosso problema. Comemos muitos ácidos graxos ômega-6. Na verdade, a proporção de ácidos graxos ômega-3 e 6 eram entre um para um e um para quatro. Sabe qual é hoje? Entre 1 para 25 e 1 para 30. Isso levou as pessoas a dizerem: “Minha nossa! Isso está muito errado! O ômega-6 está aqui em cima e o ômega-3 lá embaixo. Talvez devêssemos tomar cápsulas de ômega-3 de óleo de peixe e encorajar o consumo de peixe. Assim voltaremos àquela proporção a que estávamos acostumados enquanto população. Bem, não há provas de que isso funcione. Neste trecho em específico se fala do ômega-3 proveniente do óleo de peixe, mas no geral se defende diminuir a ingestão do ômega-6 em vez de suplementar ômega-3. É porque pelo menos nos Estados Unidos o ômega-3 se tornou praticamente sinônimo de óleo de peixe. Na verdade, em qualquer lugar, pouco se fala de ômega-3 de outra origem.

Na verdade, uma grande metanálise que verificou 89 estudos mostrou que não faz a menor diferença para a saúde. Mas, além disso, não seria melhor reduzir a quantidade de ômega-6 da dieta? Pare de comer todos esses animais e pare de consumir tanto óleo que a proporção voltará ao normal. Não vamos complementar com ômega-3. Vamos abaixar o ômega-6 e terminaremos onde precisamos estar. Não há dinheiro envolvido na redução do consumo de ômega-6. Mas há muito dinheiro nas vendas de cápsulas de ômega-3 para as pessoas, e para fazê-las comerem peixe.

Temos boas evidências agora de que quanto maior o consumo de ômega-3, maior o risco de diabetes do tipo 2. Há provas de que o índice de câncer aumenta também [além disso, há o fato de muitas espécies de peixe estarem contaminadas com mercúrio]. O ômega-3 faz exatamente o oposto do que as pessoas acham.

Antes havia dados sugerindo que poderia ser benéfico, mas agora a preponderância de provas é de que óleo de peixe é inútil. Há uma indústria bilionária que basicamente vende às pessoas óleo de peixe e lucra com isso.

Pamela Popper, doutora em nutrição e fundadora do Fórum Wellness.

T. Colin Campbell, bioquímico e doutor em nutrição que estudou as implicações do consumo de alimentos de origem animal por 20 anos. Em 2005, o seu trabalho foi transformado no livro “The China Study”.

Michael Greger, médico especialista em nutrição e fundador da NutritionFacts.org

Excertos de depoimentos do documentário “Food Choices”, de Michal Siewierski.

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“Muitos homens comem muita carne porque se sentem muito machos assim, certo? A verdade é que a longo prazo o efeito é o oposto”

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Uma dieta rica em vegetais é muito mais saudável

Muitos caras que comem carne veem isso como um reflexo da sua masculinidade. Associam isso com ser forte e másculo. Muitos homens comem muita carne porque se sentem muito machos assim, certo? A verdade é que a longo prazo o efeito é o oposto.

Não é muito macho ter disfunção erétil [quando se chega a uma certa idade]. Estamos falando de fluxo sanguíneo. Até dizem isso em comerciais de Cialis e Viagra. Então se suas artérias estão entupidas pelo alto consumo de carne, laticínios e ovos, o que isso vai acontecer com o seu desempenho sexual? É uma ciência simples, cara.

É inquestionável que homens acham que têm que comer um monte de proteínas e que seguir uma dieta vegetariana não é algo muito masculino. Mas vou lhe dizer algo: o que realmente não é masculino é disfunção erétil. Se quer ser viril, se quer ter uma bela vida masculina, siga uma dieta vegetariana.

Há grandes evidências que mostram que a disfunção erétil é causada pela dieta em muitas circunstâncias. E o motivo é que se você tem doença arterial coronariana em uma parte do corpo, você a tem nele todo. A prova disso é que aqueles vasinhos minúsculos de sangue que levam ao pênis são os primeiros a serem afetados.

Nós nos referimos à disfunção erétil como o primeiro sinal de perigo. É o sinal de que alguma coisa está indo muito mal e que você precisa consertar [Não é à toa que pessoas com disfunção erétil podem morrer consumindo Viagra ou Cialis]. Nesse estágio, é muito mais fácil de tratar isso se você ainda não teve um infarto ou AVC.

T. Colin Campbell, bioquímico e doutor em nutrição, que estudou as implicações do consumo de alimentos de origem animal por 20 anos. Em 2005, o seu trabalho foi transformado no livro “The China Study”.

John Joseph, músico, triatleta vegano e defensor da alimentação livre de produtos de origem animal.

Pamela Popper, doutora em nutrição e fundadora do Fórum Wellness.

Excertos de depoimentos do documentário “Food Choices”, de Michal Siewierski, lançado em 2008.

 

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Sobre a indústria do tratamento de câncer

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Para entender um pouco mais sobre isso, assista ao documentário “Food Matters”, disponível na Netflix

Sejamos honestos, se o câncer desaparecesse amanhã, milhões de pessoas ficariam desempregadas, teriam que receber um novo tipo de treinamento. A indústria do tratamento de câncer movimenta 200 bilhões de dólares por ano [só nos Estados Unidos], e ela seria desmontada se a verdade a respeito do que realmente precisamos fazer viesse à tona. Na maioria dos países é ilegal o tratamento de pacientes com câncer com terapia nutricional.

Fonte: Food Matters, lançado em 2008.

 





Written by David Arioch

July 24th, 2017 at 2:42 pm

“Recebemos uma comida tóxica e deficiente em nutrientes”

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“Quando o solo é deficiente, as plantas também são deficientes e fracas”

O tão falado fertilizante é feito de três principais minerais – nitrogênio, fósforo e potássio. Isso é bom. Mas o problema é que o solo necessita de aproximadamente 52 minerais diferentes. Então onde está o cálcio, o magnésio, o manganês, o zinco, o ferro e todas as outras coisas que não mencionei? Estão faltando. Quando o solo é deficiente, as plantas também são deficientes e fracas, e elas perdem os seus defensivos. E as pragas surgem e as atacam.

Charlotte Gerson: “Quando o solo é deficiente, as plantas também são deficientes e fracas”E o fungo e outras doenças surgem e as atacam também. Então os agricultores vão chorando até as companhias químicas e dizem: “Nossas plantas estão morrendo, e elas não crescem e temos pragas.” E claro que as companhias químicas ficam incrivelmente felizes em vender pesticidas, fungicidas e estimulantes químicos de crescimento para eles, além de outras coisas.Então o que estamos recebendo quando comemos? Recebemos uma comida tóxica e deficiente em nutrientes, porque com todos esses pesticidas e químicos, a comida não é verdadeiramente saudável. Ela é deficiente. Então, nos alimentando dessa forma, não podemos evitar que sejamos deficientes em nutrientes.

Charlotte Gerson, de 95 anos, em “Food Matters”, de 2008. Ela é defensora da alimentação orgânica e fundadora do Gerson Institute, fundado em San Diego, na Califórnia, instituição que aplica a Terapia de Gerson, um tratamento de combate ao câncer baseado em uma dieta orgânica e vegetariana.

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Written by David Arioch

July 23rd, 2017 at 9:00 pm

“Se os matadouros tivessem paredes de vidro, todos seriam vegetarianos”

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Paul McCartney: “Somente o preconceito permite a qualquer um pensar que existe diferença entre maltratar um gato e maltratar uma galinha, ou maltratar um cachorro e maltratar um porco”

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O britânico Paul McCartney é o apresentador de Glass Walls

“Se os matadouros tivessem paredes de vidro, todos seriam vegetarianos” se tornou uma das citações mais populares entre vegetarianos e veganos desde 2009. A frase foi dita pelo compositor britânico Paul McCartney no documentário Glass Walls (Paredes de Vidro), apresentado voluntariamente por ele em uma produção da organização Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta).

Logo no início, McCartney relata que animais criados para atender a demanda da indústria passam por muitas situações de sofrimento. Exemplo é a realidade de frangos e perus, apontados como os animais que mais sofrem nesse mercado. Ele narra que não é incomum encontrar aves vivendo amontoadas aos milhares em espaços imundos, convivendo inclusive com os próprios excrementos.

Selecionadas geneticamente, elas chegam a crescer tanto em pouco tempo que, incapazes de suportarem o próprio peso, sofrem fraturas e ficam aleijadas. Funcionários mal remunerados também descontam nos animais as suas insatisfações. E isso acontece com frequência porque o trabalho nesses locais não é monitorado, segundo o documentário. “Muitas investigações em abatedouros de frangos e perus revelaram chocantes crueldades que vão além dos usuais abusos”, declara Paul McCartney.

O filme também mostra um vídeo de um homem falando enquanto torce violentamente o pescoço de uma galinha. “Às vezes, elas são difíceis de matar”, comenta com naturalidade. Há locais em que o espaço de confinamento das aves é tão pequeno que elas são incapazes de mover até as asas. Outro triste fato apresentado é que a ponta de seus bicos sensíveis é cortada com uma lâmina quente que provoca muita dor.

Para quem tem dúvidas sobre se essa prática é pontual ou recorrente, é possível encontrar vídeos de pessoas cortando os bicos de galinhas e frangos depois de esquentarem ferramentas na boca do fogão. O que é muito triste, levando em conta que o animal pode ficar até mais de um mês sofrendo em decorrência do corte.

McCartney afirma que frangos e galinhas são animais inteligentes cuja habilidade de raciocinar em alguns casos pode ser superior às habilidades de cachorros e crianças. Frangos e galinhas são também animais muito sociáveis, com uma elaborada ‘ordem de bicagem’ ou sistema de hierarquia social. Ainda assim, muitos são confinadas em gaiolas realmente pequenas durante sua vida inteira.

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Documentário mostra a realidade dos animais explorados pela indústria alimentícia

Acredito que todo mundo já viu galinhas ou frangos ocupando espaços minúsculos, sendo transportados por caminhões nas estradas. Então podemos dizer que não é difícil imaginar como esse tipo de confinamento é desconfortável. E se mantido por longos períodos, como acontece em grandes aviários, o confinamento em espaço reduzido gera desgaste dos músculos, além da deterioração e quebra de ossos desses animais, principalmente pela falta de uso, já que eles não têm como se movimentar.

“Seus pés ficam lacerados, e seus corpos machucados e cortados por ficarem em pé em arames durante 18 meses antes de serem enviadas para os matadouros. Ao final de suas miseráveis vidas, galinhas e perus são forçadamente jogados em gaiolas superlotadas e transportados por horas, sob todos os tipos de condições climáticas, sem comida ou água. Nos abatedouros, as pernas dessas aves são enfiadas em grilhões e suas gargantas são cortadas, muitas enquanto estão completamente conscientes”, enfatiza Paul McCartney.

Sobre os porcos, Glass Walls informa que eles são mais inteligentes do que cachorros, e se saem até melhor do que primatas em algumas tarefas, como, por exemplo, em videogames interativos. A justificativa é que suas habilidades cognitivas são superiores às habilidades de uma criança de três anos. Mesmo assim, esses animais não estão isentos de ficarem presos em condições de lotação e imundície.

“Muitos deles enlouquecem com o estresse, abusos e completa falta de estímulos mentais. Porcas reprodutoras são tratadas como máquinas, forçadas a gerar filhos atrás de filhos. Dão à luz em celas áridas, sem espaço para que cuidem dos filhotes. Leitões doentes ou muito pequenos são rotineiramente mortos”, lamenta McCartney.

O filme mostra cenas chocantes de um funcionário de um abatedouro matando um porquinho a pancadas. Um sujeito que não aparece ri e comemora. O compositor britânico denuncia que as condições vividas por muitos desses animais são tão ruins que a morte de porcos em decorrência de doenças é considerada aceitável pela indústria.

“Eles são selecionados para crescer de forma anormalmente rápida, o que provoca lesões, doenças e dor constante. Depois são submetidos a um transporte massacrante antes de serem abatidos. A insensibilização por choque elétrico não é confiável, o que significa que muitos porcos estão conscientes enquanto suas gargantas são cortadas”, revela o apresentador.

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O filme tem duração de apenas 13 minutos

De acordo com o professor e renomado biólogo britânico Donald Broom, da Universidade de Cambridge, vacas e bois nunca esquecem um rosto ou lugar. São animais com habilidades para resolver problemas complexos. Em suas pesquisas, Broom registrou que bovinos são tão dóceis que chegam a saltar no ar quando descobrem a solução para um problema. Ainda assim, são vistos apenas como matéria-prima para a produção de carnes e laticínios.

Outra informação pouco divulgada é que para ampliar a produção de carne e leite, os produtores alimentam as vacas com uma dieta não natural, gerando desconforto e dor ao animal. Durante o inverno em locais frios, não é tão incomum encontrar bovinos amontoados em galpões imundos e congestionados, o que lembra o mesmo regime de confinamento de aves e suínos. O que muita gente ignora, e também é defendido pelo documentário, é que as vacas produzem leite para os bezerros, não para seres humanos. E o que reforça essa afirmação é que para as vacas não pararem de produzir leite, elas são mantidas grávidas ou em fase de amamentação a maior parte de suas vidas.

As vacas leiteiras do mundo real  não são como a “Maiada” do Chico Bento. Uma vaca pode chegar a vinte anos se for bem tratada, mas quando exploradas muitas morrem aos seis anos, e em regime de exploração contínua, o que gera um grande desgaste psicológico e emocional. O filhote é afastado da mãe logo após o nascimento, causando grande estresse aos dois.

“Hoje em dia, nas fazendas leiteiras, as vacas são tratadas como máquinas de leite. Algumas são geneticamente manipuladas para produzir dez vezes mais leite do que seus bezerros mamariam naturalmente. Algumas vezes por dia, elas são conectadas a máquinas, o que pode causar uma dolorosa mastite por ordenha repetitiva. Quando elas não são mais úteis como produtoras de leite, são levadas ao matadouro para serem moídas e transformadas em hambúrgueres e em matéria-prima para sopas industrializadas”, assinala Paul McCartney.

Outra etapa dolorosa é a viagem de vacas até os matadouros. Muitas delas, fragilizadas pelo desgaste decorrente dos anos dedicados à produção de leite, morrem no caminho. Antes de serem mortas, elas passam pelo sistema de insensibilização que, assim como acontece com os porcos, não é realmente eficaz e pode intensificar a agonia e o desespero das vacas diante da morte. “Os abates religiosos são, no mínimo, tão cruéis quanto os métodos de abate convencionais. A carne desses animais é certificada como kosher pela União Ortodoxa, a maior certificadora kosher do mundo”, pontua McCartney.

Outro importante aspecto elencado pelo documentário é a realidade dos animais aquáticos. Paul McCartney ressalta que peixes têm tanto direito à vida quanto outros seres vivos, pois há um consenso científico de que eles são inteligentes; têm diferentes personalidades individuais e memórias sofisticadas.

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McCartney: “Sofrimento é sofrimento, não importa como você o provoque”

“Não como ninguém que eu tenha conhecido pessoalmente. Eu não comeria deliberadamente uma garoupa mais facilmente do que eu comeria um Cocker spaniel. Eles têm uma índole tão boa, tão curiosa. Você sabe, peixes são sensíveis. Eles têm personalidade, sofrem quando são feridos. Também sentem dor do mesmo jeito que mamíferos”,  constatou a renomada bióloga estadunidense Sylvia Earle. Mesmo com tantas informações disponíveis sobre a natureza dos peixes, todos os anos eles são mortos aos bilhões.

Quando centenas de toneladas de peixes são capturados em redes de pesca, é comum os animais sofrerem em consequência da descompressão, sufocamento ou esmagamento. Nesse tipo de pesca, geralmente pega-se “acidentalmente” golfinhos, baleias, tartarugas e outros animais indesejados por parte da indústria. “São todos rotineiramente fisgados por anzóis e emaranhados em redes. [Quando indesejados] Seus corpos são jogados de volta ao oceano”, acrescenta McCartney, ponderando que alguns cientistas ambientais acreditam que nesse ritmo os oceanos estarão vazios até o ano de 2048.

Em Glass Walls, a aquacultura e as criações industriais subaquáticas também são qualificadas como extremamente abusivas, já que não é tão incomum os peixes terem de nadar entre seus próprios dejetos em tanques congestionados e até contaminados. “As doenças prosperam. As condições em algumas fazendas são tão horríveis que 40% dos peixes morrem antes mesmo dos criadores matá-los e empacotá-los como comida”, critica Paul McCartney.

Outro fator a se considerar é que, segundo o documentário, o consumo de peixes é a causa número um de intoxicação alimentar, e o único meio realmente significativo dos seres humanos estarem expostos à intoxicação por mercúrio, o que, dependendo da quantidade, pode causar problemas neurológicos.

Para Paul McCartney, não importa se a carne consumida pelos seres humanos é de um animal de quatro pernas, duas ou nenhuma. No seu entendimento, todas as carnes são vermelhas, em referência ao sangue derramado. O apresentador cita o surgimento de novas doenças em decorrência da produção moderna de carne, entre as quais a doença da vaca louca, Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars) e gripe aviária.

“Produtos de origem animal estão constantemente contaminados por bactérias como campylobacter, salmonela e E. Coli. O consumo de carne animal, que está cheio de gorduras e colesterol, é também um dos principais responsáveis pelo aumento vertiginoso de pessoas com obesidade, doenças cardíacas e câncer.

Por outro lado, vegetarianos correm menos riscos de contraírem doenças, o que para o compositor britânico Paul McCartney é um grande motivo para abdicarmos dos alimentos de origem animal.

“E se você se preocupa com o meio ambiente, por favor, saiba que de acordo com cientistas da ONU [Organização das Nações Unidas], o consumo mundial de carne gera cerca de 40% mais gases do efeito estufa do que a soma dos gases emitidos por todos os transportes do mundo. O relatório da ONU também afirma que comer carne é uma das maiores contribuições à degradação de terras, escassez de água e poluição do ar e da água. Se nos preocupamos com o meio ambiente, tirar a carne da nossa dieta é a ação mais importante que podemos tomar”, recomenda McCartney.

Ao final, o apresentador diz que somente o preconceito permite a qualquer um pensar que existe diferença entre maltratar um gato e maltratar uma galinha, ou maltratar um cachorro e maltratar um porco. Sofrimento é sofrimento, não importa como você o provoque. Ademais, não tenho dúvida de que o mercado da exploração animal é um dos negócios mais lucrativos da história da humanidade. Afinal, os animais não ganham nada para serem torturados e mortos. Como isso pode não ser um grande exemplo de injustiça?

Saiba Mais

Lançado em 2009, o controverso filme de curta-metragem tem apenas 13 minutos de duração.

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