David Arioch – Jornalismo Cultural

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Archive for the ‘Internacional’ Category

Uma pizza vegetariana para um morador de rua, o último pedido de um condenado

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Fotos: Reprodução

Em 5 de agosto de 1981, Philip Workman, que vivia com a esposa e uma filha de oito anos em Columbus, na Geórgia, decidiu assaltar um restaurante em Memphis. Durante a ação, um funcionário acionou o alarme. Então três policiais logo chegaram ao Wendy’s.

Quando percebeu que não restaria outra alternativa a não ser fugir, Workman, que à época era viciado em cocaína, correu até o estacionamento e durante a perseguição atirou e matou o tenente Ronald Oliver. Por esse crime, Workman foi condenado à pena de morte e executado por injeção letal em 9 de maio de 2007, no Estado do Tennessee.

Porém, o seu último pedido entrou para a história dos pedidos mais surpreendentes já feitos por um condenado antes da morte, pelo menos nos Estados Unidos. Workman disse que o seu último desejo era que servissem uma pizza vegetariana para um morador de rua. Como o Estado do Tennessee não permitia que pedidos fossem realizados em benefício de terceiros, o desejo de Philip Workman não foi atendido.

Quando a notícia veio à tona, somente na cidade de Nashville, onde Workman foi executado, foram distribuídas centenas de pizzas vegetarianas para moradores de rua. Segundo dados da Union Rescue Mission, só eles receberam 170 pizzas. Doações para moradores de rua também foram realizadas em outros estados.





 

Written by David Arioch

March 21st, 2018 at 11:17 pm

Al-Ma’arri e a guerra civil na Síria

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Foto: EFE

Lendo sobre a tragédia que é a guerra civil na Síria, me recordei que no século XI o poeta e filósofo sírio Al-Ma’arri já criticava o fundamentalismo religioso, a avareza e a ganância, e defendia o direito à vida, inclusive se abstendo de se alimentar de animais. O tempo passou e as tragédias estão aí, reafirmando mais uma vez algo que um filósofo árabe cego já enxergava, temia e condenava no passado.

 





 

Considerações sobre a guerra civil síria que já matou mais de 470 mil pessoas

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Crianças têm sido as principais vítimas (Foto: AFP)

A batalha em Ghouta Oriental, na Síria, deixou mais de 600 mortos, principalmente crianças, desde o último dia 18 de fevereiro – 393 mil pessoas estão presas no cerco. De acordo com o Centro Sírio de Pesquisas Políticas, 470 mil pessoas já morreram desde o início da guerra civil síria em 2011. E cerca de cinco milhões já deixaram o país. Os dois lados já cometeram atrocidades, logo crimes contra a humanidade, ao longo dos anos. E claro, já foram financiados por “grandes e persuasivas nações”. Mais uma vez, seres humanos brigando por território ao custo de muitas mortes. De que adianta conquistar um território e perder muitas vidas? Qual é a coerência disso?

Veja a história da humanidade; civilizações e cidades que desapareceram por causa de guerras, restando apenas ruínas. É esse o presente que amargamos e o futuro que esperamos para a humanidade? Acredito que não seja novidade que os verdadeiros comandantes das guerras costumam ser aqueles que na realidade não vão à guerra, e pouco se importam, de fato, com aqueles que morrem nela; menos ainda se são inocentes – algo que chamam de “efeito colateral”. Simplesmente enviam seus intratáveis, inclementes, tolos ou ingênuos asseclas para matar ou morrer.

Quanto mais baixo o nível intelectual, mais fácil a persuasão. Egotismo, fundamentalismo religioso, ufanismo, patriotismo, nacionalismo, antropocentrismo, etnocentrismo ajudando a afundar a humanidade mais um pouco, e arrastando aqueles que nunca tomaram parte nessas ações – ideológicas ou não. Enquanto a vida não for vista como parte de uma unidade geral que deveria ser respeitada porque é essencialmente indissociável em termos de valores, para além das origens e de outras disparidades, vamos continuar cometendo os mesmos erros do passado; erros estes que por sinal podem ter até mais motivação econômica do que ideológica.

Às vezes, o que na realidade significa todo dia, penso em quantos seres humanos e não humanos estão morrendo enquanto digito algumas palavras. A vida vale pouco ou nada para aquele que não respeita nem a sua própria humanidade, logo menos ainda o direito dos outros. Creio, e há muito tempo, que guerra entre mocinhos e vilões é mais parte de uma fantasia, um conto romanesco, do que de uma realidade concreta, ponderando que em uma guerra os excessos são práticas usuais dos dois lados quando se visa atingir um fim.

Se alguém busca reparação por meio da violência, é preciso estar preparado para um possível ciclo interminável, como já havia referenciado Ismail Kadaré no romance “Prilli i Thyer” ou “Abril Despedaçado”. Talvez o símbolo que melhor represente a fealdade e a intransigência humana dos tempos atuais seja um ouroboros, a serpente que engole a própria cauda – e não no sentido simbólico mais auspicioso.





 

Written by David Arioch

March 4th, 2018 at 7:26 pm

A morte de Charles Manson e cartas de amor enviadas a assassinos

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Manson, Ramirez, Breivik e Rocha

Ao ler sobre a morte de Charles Manson, que tinha 83 anos, e faleceu de causas naturais nos Estados Unidos, me recordei de notícias sobre as cartas que ele recebeu na prisão enquanto cumpria pena. Correspondências de mulheres que se diziam apaixonadas, e que gostariam de iniciar um relacionamento com aquele que ficou conhecido como um dos criminosos mais famosos do século 20, responsável pela fundação da seita que assassinou a atriz Sharon Tate, que estava grávida, em 1969.

Ele não foi o único a atrair esse tipo de atenção. Algo semelhante aconteceu com o Nightstalker, o serial killer Richard Ramirez, que até hoje é um dos recordistas de “correspondências de amor” recebidas por um condenado nos Estados Unidos. Desde 1989, Ramirez cumpria pena por 13 homicídios, 5 tentativas de assassinato, 11 estupros e 14 roubos, até que morreu de causas naturais em 7 de junho de 2013, aos 53 anos.

Na Noruega há o exemplo de Anders Behring Breivik, autor de um atentado que matou 77 pessoas em 22 de julho de 2011. Quando começou a cumprir pena, Breivik recebeu muitas cartas de mulheres. No Brasil, temos o exemplo do Tiago Henrique Gomes da Rocha que confessou ter assassinado 39 pessoas, principalmente mulheres, entre os anos de 2011 e 2014 em Goiânia. Rocha até hoje recebe pedidos de casamento por correspondência.





Companhias suspeitas de financiarem a semi-escravidão em países subdesenvolvidos

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Companhias que, de acordo com a organização Human Rights Watch, não fornecem informações claras sobre a origem de seus produtos, levantando suspeitas sobre o financiamento de sweatshops, ou seja, locais onde pessoas trabalham em más condições e por longas jornadas, em um regime de semi-escravidão. Das 72 companhias contatadas pela HRW, apenas 17 assinaram um documento se comprometendo em fornecer todas as informações sobre seus fornecedores a partir de dezembro deste ano.

Por enquanto, esta é a lista de companhias na mira da coalizão formada pela Clean Clothes Campaign, Human Rights Watch, IndustriALL Global Union, International Corporate Accountability Roundtable, International Labor Rights Forum, International Trade Union Confederation, Maquila Solidarity Network, UNI Global Union e Worker Rights Consortium:

Abercrombie & Fitch, Adidas, ALDI North, American Eagle Outfitters, Arcadia Group, Armani, Asics, ASOS, Benetton, BestSeller, C&A, Canadian Tire, Carrefour, Carter’s, Clarks, Coles, Columbia Sportswear, Cotton On Group, Debenhams, Decathlon, Desigual, Dick’s Sporting Goods, Disney, Esprit, Fast Retalling, Foot Locker, Forever 21, G-Star Raw, Gap, H&M Group, Hanesbrands, Hudson’s Bay Company, Hugo Boss, Inditex, John Lewis, KiK, Kmart Australia, Levi Strauss, LIDL, Lindex, Loblaw, Mango, Marks and Spencer (M&S), Matalan, Mizuno, Morrison’s, Mountain Equipment Co-op (MEC), New Balance, New Look, Next, Nike, Patagonia, Pentland Brands, Primark, Puma, PVH Corporation, Raph Lauren Corporation, Rip Curl, River Island, Sainsbury’s, Shop Direct, Sports Direct, Target Australia, Target USA, Tchibo, Tesco, The Childen’s Place, Under Amour, Urban Outfitters, VF Corporation e Walmart, Woolworths.

 





Grandes companhias ajudam a financiar a exploração do trabalho infantil

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Grandes companhias que têm ajudado a financiar a exploração do trabalho infantil em países subdesenvolvidos:

Nestlé, H&M, Phillip Morris, Walmart, Victoria’s Secret, Gap, Apple, Nike, Zara, Urban Outfitters, Aldo, Primark, Disney, Forever 21, Hershey, Mars, ADM, Godiva, Kraft Foods, Cadbury, Fowler’s Chocolate, Starbucks, Aeropostale, La Senza e Toys R.

De acordo com informações da International Labour Organization (ILO), 152 milhões de crianças trabalham em regime de semiescravidão no mundo todo. Desse total, 72,1 milhões de crianças são exploradas na África, 62,1 milhões na Ásia, 10,7 milhões nas Américas, 1,2 milhão no Oriente Médio e 5,5 milhões na Europa e na Ásia Central.





2,3 milhões de crianças são exploradas pela indústria do chocolate na Costa do Marfim e em Gana

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Foto: Slave Free Chocolate

Em 2017, de acordo com a ong Slave Free Chocolate, 2,3 milhões de crianças continuam trabalhando em regime análogo à escravidão na produção de cacau na Costa do Marfim e em Gana. A maior parte dos produtores ganha menos de um dólar por dia. Essa realidade é sustentada por fabricantes de chocolate que pagam uma miséria pelo cacau produzido.

Entre eles estão Hershey, Mars (que fabrica o Snickers), Nestlé, ADM Cocoa, Godiva, Fowler’s Chocolate e Kraft (que inclui Lacta, Trident e Oreo). Ou seja, ao comprarmos produtos desses fabricantes, contribuímos com essa escravidão moderna. Outro ponto a se considerar é que essas marcas também contribuem com a exploração de animais nesse mercado.

Referência

Slave Free Chocolate

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“Recebemos uma comida tóxica e deficiente em nutrientes”

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“Quando o solo é deficiente, as plantas também são deficientes e fracas”

O tão falado fertilizante é feito de três principais minerais – nitrogênio, fósforo e potássio. Isso é bom. Mas o problema é que o solo necessita de aproximadamente 52 minerais diferentes. Então onde está o cálcio, o magnésio, o manganês, o zinco, o ferro e todas as outras coisas que não mencionei? Estão faltando. Quando o solo é deficiente, as plantas também são deficientes e fracas, e elas perdem os seus defensivos. E as pragas surgem e as atacam.

Charlotte Gerson: “Quando o solo é deficiente, as plantas também são deficientes e fracas”E o fungo e outras doenças surgem e as atacam também. Então os agricultores vão chorando até as companhias químicas e dizem: “Nossas plantas estão morrendo, e elas não crescem e temos pragas.” E claro que as companhias químicas ficam incrivelmente felizes em vender pesticidas, fungicidas e estimulantes químicos de crescimento para eles, além de outras coisas.Então o que estamos recebendo quando comemos? Recebemos uma comida tóxica e deficiente em nutrientes, porque com todos esses pesticidas e químicos, a comida não é verdadeiramente saudável. Ela é deficiente. Então, nos alimentando dessa forma, não podemos evitar que sejamos deficientes em nutrientes.

Charlotte Gerson, de 95 anos, em “Food Matters”, de 2008. Ela é defensora da alimentação orgânica e fundadora do Gerson Institute, fundado em San Diego, na Califórnia, instituição que aplica a Terapia de Gerson, um tratamento de combate ao câncer baseado em uma dieta orgânica e vegetariana.

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106 mil pessoas morrem anualmente em decorrência dos efeitos colaterais dos remédios nos EUA

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Food Matters é um documentário que discute a importância da boa alimentação

O The Journal of the American Medical Association publicou dados que indicam que aproximadamente 106 mil pessoas morrem anualmente nos Estados Unidos em decorrência do consumo de drogas farmacêuticas. São drogas que são prescritas por médicos, não são resultados de erros médicos. E esses efeitos colaterais são normalmente esperados, e essas pessoas tomam esses medicamentos exatamente como indicado. Não são casos de overdose ou engano.

Então, se 106 mil pessoas morrem em decorrência de esperados efeitos colaterais dessas drogas apenas nos Estados Unidos, e apenas em um ano, em 23 anos isso representaria uma quantidade enorme de pessoas mortas. Estamos falando de milhões [2.438 milhões] de pessoas mortas por causa de drogas farmacêuticas. E em 23 anos, alegadamente, apenas dez pessoas morreram em consequência do consumo de suplementos de vitaminas. Claramente, temos problemas muito mais sérios em relação à prescrição nutricional. Como Roger Williams disse uma vez, o inventor do ácido pantotênico, em caso de dúvida, use a nutrição primeiro, não remédios.

A indústria farmacêutica está nesse negócio não para fazer drogas farmacêuticas; está nesse negócio para fazer dinheiro. O que acho totalmente razoável, já que há grandes corporações internacionais, e elas têm um dever com seus acionistas; e isso é o que corporações fazem, elas fazem dinheiro. Vivemos em uma sociedade capitalista e não acho que isso seja ruim. Acho que o capitalismo tem grandes vantagens, e acho que é preciso ponderar sobre os dois lados. O problema é a forma como a indústria farmacêutica é regulada. Por um lado, acredito que temos bons reguladores, mas por outro lado péssimos reguladores.

A indústria farmacêutica paga aos reguladores que deveriam inspecionar as drogas, paga os pesquisadores acadêmicos que deveriam realizar pesquisas com essas drogas, e frequentemente remunera os profissionais que vão realizar testes com essas drogas. Eles também colocam publicidade nos jornais de medicina, e muitos dos jornais de medicina recebem dinheiro da indústria farmacêutica.

Se checarmos a literatura médica dos últimos 65, 75 anos, há milhares de provas de que grandes quantidades de bons nutrientes curam doenças. Você não tem como ter acesso a muitos desses artigos, porque eles dizem que a United States Library of Medicine se recusa a indexá-los. Isso não é interessante? Então isso significa que há jornais lá fora que estão em uma espécie de lista negra por dizerem a verdade.

Tudo que foi publicado no Jornal de Medicina Ortomolecular, do qual sou editor-assistente, ao longo de 41 anos, e isso significa centenas de artigos, nada disso foi indexado pela United States Library of Medicine, que se autointitula a maior biblioteca de medicina da Terra. Então, o que parece puramente científico e acadêmico, como jornais, publicações, e toda essa edificação da ciência, atualmente foi transformado em uma extensão do departamento de marketing da indústria farmacêutica.

Depoimentos

Dan Rogers, médico especialista em medicina integrativa.

Ian Brighthope, professor de medicina nutricional.

Phillip Day, jornalista investigativo.

Jerome Burne, jornalista com especialização em saúde e medicina.

Andrew W. Saul, doutor em nutrição terapêutica e editor-assistente do Jornal de Medicina Ortomolecular dos Estados Unidos.

Fonte: Food Matters, de James Colquhoun e Carlo Ledesma, lançado em 2008.

 

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Written by David Arioch

July 23rd, 2017 at 8:57 pm

A transformação de um ex-líder de um grupo racista dos EUA

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Mudança radical de Bryon Widner

Bryon Widner era um dos líderes de um dos grupos racistas mais violentos dos Estados Unidos. Seu corpo era todo coberto por tatuagens que faziam apologia ao racismo e à violência em suas mais variadas formas. Um dia, ele percebeu que se continuasse nesse caminho não viveria muito tempo. Então decidiu mudar de vida.

Uma entidade conseguiu patrocínio para a remoção da maior parte das tatuagens de seu corpo. Ele passou por 25 cirurgias. Nesse ínterim, teve a oportunidade de reencontrar um dos homens negros que espancou. Widner pediu desculpas e o rapaz comentou: “Eu já o tinha perdoado.”

Para conhecer a história de Bryon Widner, assista ao documentário “Erasing Hate”, lançado em 2011 por Bill Brummel:

http://documentarylovers.com/film/erasing-hate/

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Written by David Arioch

June 18th, 2017 at 6:34 pm