David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for the ‘Internacional’ Category

A morte de Charles Manson e cartas de amor enviadas a assassinos

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Manson, Ramirez, Breivik e Rocha

Ao ler sobre a morte de Charles Manson, que tinha 83 anos, e faleceu de causas naturais nos Estados Unidos, me recordei de notícias sobre as cartas que ele recebeu na prisão enquanto cumpria pena. Correspondências de mulheres que se diziam apaixonadas, e que gostariam de iniciar um relacionamento com aquele que ficou conhecido como um dos criminosos mais famosos do século 20, responsável pela fundação da seita que assassinou a atriz Sharon Tate, que estava grávida, em 1969.

Ele não foi o único a atrair esse tipo de atenção. Algo semelhante aconteceu com o Nightstalker, o serial killer Richard Ramirez, que até hoje é um dos recordistas de “correspondências de amor” recebidas por um condenado nos Estados Unidos. Desde 1989, Ramirez cumpria pena por 13 homicídios, 5 tentativas de assassinato, 11 estupros e 14 roubos, até que morreu de causas naturais em 7 de junho de 2013, aos 53 anos.

Na Noruega há o exemplo de Anders Behring Breivik, autor de um atentado que matou 77 pessoas em 22 de julho de 2011. Quando começou a cumprir pena, Breivik recebeu muitas cartas de mulheres. No Brasil, temos o exemplo do Tiago Henrique Gomes da Rocha que confessou ter assassinado 39 pessoas, principalmente mulheres, entre os anos de 2011 e 2014 em Goiânia. Rocha até hoje recebe pedidos de casamento por correspondência.





Companhias suspeitas de financiarem a semi-escravidão em países subdesenvolvidos

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Companhias que, de acordo com a organização Human Rights Watch, não fornecem informações claras sobre a origem de seus produtos, levantando suspeitas sobre o financiamento de sweatshops, ou seja, locais onde pessoas trabalham em más condições e por longas jornadas, em um regime de semi-escravidão. Das 72 companhias contatadas pela HRW, apenas 17 assinaram um documento se comprometendo em fornecer todas as informações sobre seus fornecedores a partir de dezembro deste ano.

Por enquanto, esta é a lista de companhias na mira da coalizão formada pela Clean Clothes Campaign, Human Rights Watch, IndustriALL Global Union, International Corporate Accountability Roundtable, International Labor Rights Forum, International Trade Union Confederation, Maquila Solidarity Network, UNI Global Union e Worker Rights Consortium:

Abercrombie & Fitch, Adidas, ALDI North, American Eagle Outfitters, Arcadia Group, Armani, Asics, ASOS, Benetton, BestSeller, C&A, Canadian Tire, Carrefour, Carter’s, Clarks, Coles, Columbia Sportswear, Cotton On Group, Debenhams, Decathlon, Desigual, Dick’s Sporting Goods, Disney, Esprit, Fast Retalling, Foot Locker, Forever 21, G-Star Raw, Gap, H&M Group, Hanesbrands, Hudson’s Bay Company, Hugo Boss, Inditex, John Lewis, KiK, Kmart Australia, Levi Strauss, LIDL, Lindex, Loblaw, Mango, Marks and Spencer (M&S), Matalan, Mizuno, Morrison’s, Mountain Equipment Co-op (MEC), New Balance, New Look, Next, Nike, Patagonia, Pentland Brands, Primark, Puma, PVH Corporation, Raph Lauren Corporation, Rip Curl, River Island, Sainsbury’s, Shop Direct, Sports Direct, Target Australia, Target USA, Tchibo, Tesco, The Childen’s Place, Under Amour, Urban Outfitters, VF Corporation e Walmart, Woolworths.

 





Grandes companhias ajudam a financiar a exploração do trabalho infantil

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Grandes companhias que têm ajudado a financiar a exploração do trabalho infantil em países subdesenvolvidos:

Nestlé, H&M, Phillip Morris, Walmart, Victoria’s Secret, Gap, Apple, Nike, Zara, Urban Outfitters, Aldo, Primark, Disney, Forever 21, Hershey, Mars, ADM, Godiva, Kraft Foods, Cadbury, Fowler’s Chocolate, Starbucks, Aeropostale, La Senza e Toys R.

De acordo com informações da International Labour Organization (ILO), 152 milhões de crianças trabalham em regime de semiescravidão no mundo todo. Desse total, 72,1 milhões de crianças são exploradas na África, 62,1 milhões na Ásia, 10,7 milhões nas Américas, 1,2 milhão no Oriente Médio e 5,5 milhões na Europa e na Ásia Central.





2,3 milhões de crianças são exploradas pela indústria do chocolate na Costa do Marfim e em Gana

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Foto: Slave Free Chocolate

Em 2017, de acordo com a ong Slave Free Chocolate, 2,3 milhões de crianças continuam trabalhando em regime análogo à escravidão na produção de cacau na Costa do Marfim e em Gana. A maior parte dos produtores ganha menos de um dólar por dia. Essa realidade é sustentada por fabricantes de chocolate que pagam uma miséria pelo cacau produzido.

Entre eles estão Hershey, Mars (que fabrica o Snickers), Nestlé, ADM Cocoa, Godiva, Fowler’s Chocolate e Kraft (que inclui Lacta, Trident e Oreo). Ou seja, ao comprarmos produtos desses fabricantes, contribuímos com essa escravidão moderna. Outro ponto a se considerar é que essas marcas também contribuem com a exploração de animais nesse mercado.

Referência

Slave Free Chocolate

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“Recebemos uma comida tóxica e deficiente em nutrientes”

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“Quando o solo é deficiente, as plantas também são deficientes e fracas”

O tão falado fertilizante é feito de três principais minerais – nitrogênio, fósforo e potássio. Isso é bom. Mas o problema é que o solo necessita de aproximadamente 52 minerais diferentes. Então onde está o cálcio, o magnésio, o manganês, o zinco, o ferro e todas as outras coisas que não mencionei? Estão faltando. Quando o solo é deficiente, as plantas também são deficientes e fracas, e elas perdem os seus defensivos. E as pragas surgem e as atacam.

Charlotte Gerson: “Quando o solo é deficiente, as plantas também são deficientes e fracas”E o fungo e outras doenças surgem e as atacam também. Então os agricultores vão chorando até as companhias químicas e dizem: “Nossas plantas estão morrendo, e elas não crescem e temos pragas.” E claro que as companhias químicas ficam incrivelmente felizes em vender pesticidas, fungicidas e estimulantes químicos de crescimento para eles, além de outras coisas.Então o que estamos recebendo quando comemos? Recebemos uma comida tóxica e deficiente em nutrientes, porque com todos esses pesticidas e químicos, a comida não é verdadeiramente saudável. Ela é deficiente. Então, nos alimentando dessa forma, não podemos evitar que sejamos deficientes em nutrientes.

Charlotte Gerson, de 95 anos, em “Food Matters”, de 2008. Ela é defensora da alimentação orgânica e fundadora do Gerson Institute, fundado em San Diego, na Califórnia, instituição que aplica a Terapia de Gerson, um tratamento de combate ao câncer baseado em uma dieta orgânica e vegetariana.

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Written by David Arioch

July 23rd, 2017 at 9:00 pm

106 mil pessoas morrem anualmente em decorrência dos efeitos colaterais dos remédios nos EUA

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Food Matters é um documentário que discute a importância da boa alimentação

O The Journal of the American Medical Association publicou dados que indicam que aproximadamente 106 mil pessoas morrem anualmente nos Estados Unidos em decorrência do consumo de drogas farmacêuticas. São drogas que são prescritas por médicos, não são resultados de erros médicos. E esses efeitos colaterais são normalmente esperados, e essas pessoas tomam esses medicamentos exatamente como indicado. Não são casos de overdose ou engano.

Então, se 106 mil pessoas morrem em decorrência de esperados efeitos colaterais dessas drogas apenas nos Estados Unidos, e apenas em um ano, em 23 anos isso representaria uma quantidade enorme de pessoas mortas. Estamos falando de milhões [2.438 milhões] de pessoas mortas por causa de drogas farmacêuticas. E em 23 anos, alegadamente, apenas dez pessoas morreram em consequência do consumo de suplementos de vitaminas. Claramente, temos problemas muito mais sérios em relação à prescrição nutricional. Como Roger Williams disse uma vez, o inventor do ácido pantotênico, em caso de dúvida, use a nutrição primeiro, não remédios.

A indústria farmacêutica está nesse negócio não para fazer drogas farmacêuticas; está nesse negócio para fazer dinheiro. O que acho totalmente razoável, já que há grandes corporações internacionais, e elas têm um dever com seus acionistas; e isso é o que corporações fazem, elas fazem dinheiro. Vivemos em uma sociedade capitalista e não acho que isso seja ruim. Acho que o capitalismo tem grandes vantagens, e acho que é preciso ponderar sobre os dois lados. O problema é a forma como a indústria farmacêutica é regulada. Por um lado, acredito que temos bons reguladores, mas por outro lado péssimos reguladores.

A indústria farmacêutica paga aos reguladores que deveriam inspecionar as drogas, paga os pesquisadores acadêmicos que deveriam realizar pesquisas com essas drogas, e frequentemente remunera os profissionais que vão realizar testes com essas drogas. Eles também colocam publicidade nos jornais de medicina, e muitos dos jornais de medicina recebem dinheiro da indústria farmacêutica.

Se checarmos a literatura médica dos últimos 65, 75 anos, há milhares de provas de que grandes quantidades de bons nutrientes curam doenças. Você não tem como ter acesso a muitos desses artigos, porque eles dizem que a United States Library of Medicine se recusa a indexá-los. Isso não é interessante? Então isso significa que há jornais lá fora que estão em uma espécie de lista negra por dizerem a verdade.

Tudo que foi publicado no Jornal de Medicina Ortomolecular, do qual sou editor-assistente, ao longo de 41 anos, e isso significa centenas de artigos, nada disso foi indexado pela United States Library of Medicine, que se autointitula a maior biblioteca de medicina da Terra. Então, o que parece puramente científico e acadêmico, como jornais, publicações, e toda essa edificação da ciência, atualmente foi transformado em uma extensão do departamento de marketing da indústria farmacêutica.

Depoimentos

Dan Rogers, médico especialista em medicina integrativa.

Ian Brighthope, professor de medicina nutricional.

Phillip Day, jornalista investigativo.

Jerome Burne, jornalista com especialização em saúde e medicina.

Andrew W. Saul, doutor em nutrição terapêutica e editor-assistente do Jornal de Medicina Ortomolecular dos Estados Unidos.

Fonte: Food Matters, de James Colquhoun e Carlo Ledesma, lançado em 2008.

 

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Written by David Arioch

July 23rd, 2017 at 8:57 pm

A transformação de um ex-líder de um grupo racista dos EUA

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Mudança radical de Bryon Widner

Bryon Widner era um dos líderes de um dos grupos racistas mais violentos dos Estados Unidos. Seu corpo era todo coberto por tatuagens que faziam apologia ao racismo e à violência em suas mais variadas formas. Um dia, ele percebeu que se continuasse nesse caminho não viveria muito tempo. Então decidiu mudar de vida.

Uma entidade conseguiu patrocínio para a remoção da maior parte das tatuagens de seu corpo. Ele passou por 25 cirurgias. Nesse ínterim, teve a oportunidade de reencontrar um dos homens negros que espancou. Widner pediu desculpas e o rapaz comentou: “Eu já o tinha perdoado.”

Para conhecer a história de Bryon Widner, assista ao documentário “Erasing Hate”, lançado em 2011 por Bill Brummel:

http://documentarylovers.com/film/erasing-hate/

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Written by David Arioch

June 18th, 2017 at 6:34 pm

Massacre de Srebrenica completa 22 anos em julho

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Corpos das vítimas do Massacre de Srebrenica (Foto: Reprodução)

De 11 a 22 de julho de 1995, o Exército da República Sérvia e os Chetniks, um grupo paramilitar sérvio, mataram mais de oito mil muçulmanos ao leste da Bósnia e Herzegovina. Muitas das vítimas eram crianças, adolescentes e idosos.

Esse crime em massa foi o primeiro genocídio reconhecido legalmente após o Holocausto, segundo informações do NIOD Institute for War – Holocaust and Genocide Studies. A ação foi liderada pelo general ultranacionalista Ratko Mladić que, visando uma “limpeza étnica”, ordenou que os muçulmanos do sexo masculino (de crianças a idosos) fossem localizados e executados. Tentando escapar da morte, muitos homens buscaram refúgio em um complexo da ONU.

Quem supostamente fazia a segurança no local era uma pequena tropa neerlandesa da Missão de Paz, mas eles testemunharam todos os crimes sem reagir. Além disso, o pedido de ajuda dos perseguidos foi ignorado pela ONU.

De acordo com relato de Zumra Šehomerovic, os invasores sérvios selecionaram meninas e jovens mulheres do grupo de refugiados. Todas elas foram estupradas. Os abusos sexuais muitas vezes ocorreram diante de testemunhas – inclusive dos filhos das vítimas. “Um soldado neerlandês simplesmente ligou seu walkman e circulou pelo local, ignorando o que estava acontecendo. Vi isso pessoalmente. Estava diante dos nossos olhos. Seria impossível eles não verem isso”, afirma Zumra.

Também havia uma mulher com um bebê de poucos meses. Um chetnik ordenou que a criança parasse de chorar. Como a criança continuou chorando, ele a degolou e riu. Outro soldado neerlandês assistiu tudo e não fez nada. “Vi coisas ainda mais terríveis. Havia uma garota, ela devia ter nove anos. Em um momento, recomendaram ao irmão que a estuprasse”, declara.

O garoto não fez isso e, segundo a sobrevivente, nem poderia,  já que ele era só uma criança. Então puniram o garoto o matando. Zumra testemunhou todas essas ações. “Quero enfatizar que tudo isso aconteceu ao lado da base [da ONU]. Também vi outras pessoas serem assassinadas. Algumas delas tiveram suas gargantas cortadas e outras foram decapitadas”, narra Zumra Šehomerovic.

Referências

Van Diepen Van der Kroef Advocaten. Writ of Summons: District Court, The Hague. legal-tools.org. Páginas 107–108.

http://www.cnj.it/documentazione/Srebrenica/NIOD/NIOD%20part%20IV.pdf

 

 

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Written by David Arioch

May 9th, 2017 at 12:43 pm

Por que os muçulmanos usam barba

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Segundo a lei islâmica, a barba só pode ser aparada quando atingir o tamanho de uma mão fechada

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Segundo Abu Darba, o profeta Maomé diz não ter nenhuma ligação com aquele que não tem barba (Foto: Reprodução)

No mundo todo, é grande o número de pessoas que não sabem o motivo pelo qual os muçulmanos usam barba. Foi pensando nisso que o Mufti Afzal Hoosen Elias, jurisconsulto e intérprete do Alcorão, escreveu o folhetim “Sobre o Comprimento da Barba”.

Nele, Elias explica que o uso da barba é uma forma dos homens sentirem-se mais próximos dos ensinamentos do profeta Rasulullah (Maomé). “Para aqueles que veem a barba como algo trivial, que Alá possa guiá-los. Mas para aqueles que desejam aprender e praticar o que é certo, tenho provas suficientes da importância da barba. E elas foram extraídas do Hadith, do Alcorão”, escreveu o Mufti Elias.

Nas palavras registradas por Abu Darda no Hadith 501, do Alcorão, o profeta Maomé diz não ter nenhuma ligação com aquele que não tem barba. Segundo os ensinamentos de Hadhrat Ammar Bin Yaasir, Abdullah Ibn Umar, Sayyidina Umar, Abu Hurairah e Jaabir, a barba deve ser cultivada longa. Somente durante o Haji ou Umrah, quando os muçulmanos peregrinam até a Meca, que eles aparam suas barbas, mas sem deixá-las menores do que o tamanho de um punho.

“Aqueles que imitam os descrentes e morrem nesse estado, se juntarão a eles no Dia do Qiyamat (juízo final]”, escreveu Hadhrat Abdullah Ibn Umar em referência aos que abandonam, por exemplo, a barba. Em relato de Ibn Umar, no Hadith 498, Rasulullah recomenda que os homens mantenham o bigode curto, mas deixem a barba crescer. Recomendação parecida aparece no Hadith 500.

Maomé diz também que nenhum homem sem barba tem direito ao perdão de Alá, de acordo com transcrição de Ibn Abbas. Além disso, a recomendação de Al-Tirmidhi, registrada por Ibn Umar, é de que a barba seja aparada somente quando ela atingir o tamanho de uma mão fechada.

No contexto do islamismo fazer a barba se enquadra como haraam, ou seja, um ato proibido pela fé islâmica. O Muwatta, uma das primeiras coleções do Hadith, escrito por Imam Malik, o primeiro sheik do Islã, diz que os únicos que não usam barba são os hermafroditas, ou seja, pessoas que possuem tanto o órgão sexual masculino quanto o feminino.

Para a Hanbali, uma das quatro escolas sunitas ortodoxas, referência em jurisprudência islâmica, o crescimento da barba é fundamental e cortá-la é pecado. Tal defesa pode ser encontrada em livros como “Sharahul Muntahaa” e “Sharr Manzoomatul Aadaab”.

“Um homem sem barba é um sujeito injusto e legalmente falando jamais seria concedido a ele o direito de ser um imã [um estudioso do Islã]”, consta na página 523 do primeiro volume do livro islâmico “Shami”. Para os fundamentalistas, muçulmanos sem barba não devem ter o direito de votar ou de se candidatar a algum cargo no contexto da Charia. “A chave para a felicidade total encontra-se em seguir a Sunnah e imitar a vida de Rasulullah no que diz respeito a tudo, incluindo sua maneira de comer, dormir e falar”, escreveu o Imã Ghazzali.

“Santo é o ser rodeado de homens com barba e mulheres com tranças”, consta na página 331 do terceiro volume de “Takmela e Bahr al Raiw.”

 Saiba Mais

Abu Darda era um dos companheiros do profeta Maomé.

O Hadith é o registro dos preceitos de Maomé.

Após o Alcorão, a Sunnah é a segunda fonte mais importante das leis islâmicas.

Referências

Elias, Agzal Mufti. From The Shari Length of the Beard.

http://www.islam.tc/beard/beard.html

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Written by David Arioch

September 30th, 2016 at 10:45 pm

John Harvey Kellogg, o médico que enfrentou a indústria da carne

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Kellogg é o criador do mais famoso cereal matinal, além da manteiga de amendoim e da granola

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John Harvey viajava ministrando palestras sobre os benefícios da dieta vegetariana (Foto: Reprodução)

Administrador do lendário Sanatório Battle Creek, em Michigan, nos Estados Unidos, e famoso pela criação do cereal matinal de milho Kellogg’s, desenvolvido em parceria com a esposa Ella e o irmão Will Keith, o médico John Harvey Kellogg se tornou um defensor da alimentação sem carne a partir do século XIX.

Há diversas pesquisas realizadas pelo médico em que ele associa o consumo de carne com a redução do estímulo sexual a longo prazo. Dr. Kellogg, como era mais conhecido, foi o responsável pela criação da manteiga de amendoim e da granola. Ou seja, dois alimentos que a princípio surgiram como opções para os vegetarianos. O médico acreditava que as oleaginosas iriam salvar a humanidade quando houvesse grande diminuição da oferta de alimentos. Porém, enquanto existisse boa diversidade, ele defendia o consumo de grãos integrais, verduras, legumes e frutas, combinação que representa a dieta natural humana, segundo John Harvey.

Um distinto cirurgião, Dr. Kellogg viajava pelos Estados Unidos ministrando palestras sobre os benefícios da dieta vegetariana. Também publicava suas pesquisas sobre o assunto na sua popular revista Good Health. Seus esforços contra a indústria da carne, principalmente contra a campanha baseada no slogan “Coma Mais Carne”, ajudaram a ampliar o interesse pelo movimento vegetariano. Em 1876, o médico se tornou superintendente do Sanatório Battle Creek, que tinha seu irmão Will Keith como tesoureiro. Administrado pela Igreja Adventista do Sétimo Dia, o sanatório seguia os preceitos da própria instituição religiosa, ou seja, o incentivo à dieta livre de carne e à abstinência de álcool e tabaco. Para além disso, Kellogg estimulava a prática de atividades físicas e exercícios respiratórios.

Sob o comando de John Harvey, o Sanatório Battle Creek, que tinha características de resort e spa holístico, se tornou referência nacional e internacional. Sua popularidade cresceu muito antes da Grande Depressão que assolou os Estados Unidos em 1929. Fundado em 1866 pela Igreja Adventista de Sétimo Dia, sob o nome de Western Health Reform Institute, o sanatório foi batizado com o nome de Battle Creek pelo Dr. Kellogg porque ele achou mais adequado homenagear a cidade que o abrigava.

Foi no mesmo local que John Harvey, sua esposa Ella e seu irmão Will Keith criaram no início do século XX aquele se tornaria o mais famoso cereal matinal à base de milho. Em 1906, Will Keith fundou a Battle Creek Toasted Corn Flake Company, que recebeu o nome de Kellogg’s Toasted Corn Flakes em 1922, quando mudaram o nome da empresa para Kellogg Company. O cereal foi criado como uma reação ao café tipicamente estadunidense, que sempre incluía algum tipo de carne.

Kellogg teve a ideia de substitui-lo por uma opção saudável quando conheceu o cereal preparado por James Caleb Jackson, do Sanatório Dansville, de Nova York. A diferença é que o alimento que serviu de inspiração precisava ser embebido por uma noite antes de consumido, ao contrário do cereal Kellogg que podia ser servido imediatamente. O superintendente do Sanatório Battle Creek e sua esposa Ella criaram vários alimentos para ajudar os pacientes a continuarem se alimentando de acordo com o programa alimentar do sanatório quando retornassem para casa.

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“A carne, o cigarro e o álcool são venenos para o intestino. E todos os males começam no intestino” (Foto: Reprodução)

À época, eles contrataram cozinheiros e nutricionistas para desenvolver produtos saudáveis que pudessem ser entregues em domicílio por meio do serviço postal. Uma das especialistas em nutrição que trabalhou para o Dr. Kellogg era Lenna Cooper, fundadora da Associação Dietética Americana (ADA), principal referência em nutrição nos Estados Unidos. No Battle Creek, John Harvey e sua esposa ensinaram donas de casa a prepararem corretamente os alimentos. Até mesmo os visitantes podiam participar de sessões de exercícios de respiração e treinamentos nutricionais sobre combinação de alimentos que garantissem melhor digestão ao longo do dia. Banhos de sol também eram recomendados.

Kellogg defendia que muitas das doenças que acometem a humanidade poderiam ser amenizadas através de mudanças na flora intestinal. Ele argumentava que as bactérias do intestino poderiam produzir toxinas patogênicas durante a digestão das proteínas, assim envenenando o sangue. Por isso, o médico recomendava uma dieta livre de carnes, com moderada quantidade de proteínas, laxativa, e com alimentos ricos em fibras. Um dos cirurgiões mais habilidosos de seu tempo, Kellogg atendia gratuitamente muitos pacientes em sua clínica. Ele era contra a realização de cirurgias desnecessárias no tratamento de doenças, um problema que via como recorrente na medicina.

Defensor da circuncisão, prática que qualificava como higiênica e benéfica para a saúde do homem, John Harvey teve muitos pacientes notáveis que viam a dieta livre de carne como a alimentação do futuro. Entre eles estavam o ex-presidente William Howard Taft, o escritor irlandês e vencedor do Prêmio Nobel de Literatura George Bernard Shaw, Henry Ford (fundador da Ford), a famosa aviadora Amelia Earhart e o economista Irving Fisher. Dr. Kellogg criou o conceito “Biologic Living”, uma forma moderna de medicina preventiva.

Ele sempre dizia que a medicina deveria se voltar mais para a prevenção de doenças. Além de alimentos de origem animal, o médico recomendava abstinência de álcool, tabaco, café, chá e chocolate. Repouso adequado, atividades ao ar livre e vestuário confortável também faziam parte de sua cartilha para uma vida saudável. Mesmo acreditando na importância do descanso, quando estava com pouco mais de 60 anos, o médico dormia apenas quatro horas por noite. Com 80 anos, decidiu reduzir a própria jornada de trabalho de 15 horas para 12 horas. “A carne, o cigarro e o álcool são venenos para o intestino. E todos os males começam no intestino”, declarava copiosamente.

John Harvey Kellogg tinha argumentos para os mais diferentes públicos quando questionado sobre o motivo de reprovar o consumo de carne. Aos religiosos, ele citava referências da Bíblia. Para os darwinistas, o médico contava histórias sobre os grandes macacos, animais biologicamente próximos do ser humano e que não consumiam carne. E aos moralistas, ele dissertava sobre o fato de que ao homem jamais foi concedido o direito de matar animais – qualificando tal ato como imoral. O Sanatório Battle Creek chamava atenção de personalidades que estavam no topo da hierarquia social e financeira. Entre seus hóspedes estavam também Clarence W. Barron, presidente da financeira Dow Jones, S.S. Kresge, proprietário de uma das maiores empresas de varejo do século XX, e Harvey Firestone, fundador da fabricante de pneus que leva seu sobrenome.

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Com mais de 80 anos, Dr. Kellogg ainda andava de bicicleta (Foto: Reprodução)

Na celebração do Ano Novo de 1930, o Dr. Kellogg ofereceu aos hóspedes do Battle Creek um jantar baseado em torta de batata, berinjelas, cogumelos e geleia de groselha. Embora hoje não seja tão lembrado, John Harvey foi o responsável pela popularização e conscientização da população dos Estados Unidos no que diz respeito à importância de se comer frutas e vegetais. Somente no Sanatório Battle Creek, e valendo-se da dieta sem carne, o médico obteve êxito no tratamento de milhares de pessoas. “Tenho a cura para o câncer, úlceras, diabetes, esquizofrenia, transtorno bipolar, acne, anemia, astenia, enxaqueca e velhice prematura”, afirmava.

Entre os tipos de sementes que Kellogg considerava as mais promissoras para a saúde humana estavam gergelim e psyllium, extraído de uma planta do gênero plantago, rica em óleos, fibras solúveis, insolúveis e mucilagem. Ao médico é atribuída à introdução do psyllium na alimentação dos norte-americanos, além da descoberta do potencial do uso de grãos de soja como alimento. De acordo com a pesquisadora Amy South, do The Vegetarian Resource Group, dos Estados Unidos, John Harvey Kellogg possuía tanta energia aos 77 anos que abriu uma filial do Sanatório Battle Creek em Miami, na Flórida. Aos 78 anos, participou de uma bateria de exames de saúde, obtendo pontuação superior a de muitos jovens examinados.

Com 80 anos, ele andava de bicicleta, dava palestras e atendia pacientes regularmente. Aos 88 anos, completou 22 mil cirurgias realizadas. Quando chegou aos 90 anos, viajou para Washington em busca de subsídios para a construção de um novo prédio para o Sanatório Battle Creek. Em decorrência da Segunda Guerra Mundial, tentaram convencê-lo a desistir da ideia. Ele foi persistente e conseguiu alcançar seu objetivo. Sentindo-se em paz, John Harvey Kellogg faleceu aos 91 anos, mas não sem antes atribuir sua longevidade à dieta sem carne e ao conceito “Biologic Living”.

Na década de 1960, o vegetarianismo ganhou força nos Estados Unidos. No entanto, com mínimas referências, os vegetarianos acabaram recorrendo à literatura da Inglaterra, onde havia um movimento vegetariano bastante organizado. Nesse mesmo período, o que eles encontraram de mais valioso nos Estados Unidos foi a literatura deixada pelo Dr. Kellogg. Ou seja, seus livros, assim como de outros escritores que, inspirados no médico que criticava o consumo de carne, abordavam nutrição e saúde. O trabalho do superintendente do Sanatório Battle Creek serviu e continua servindo para derrubar o mito de que uma pessoa sem carne pode sentir-se fraca ou adoecer. Curiosamente, muito do que é dito hoje como se fosse novidade em relação à dieta vegetariana, já era difundido por John Harvey Kellogg. A verdade é que o mundo demorou para dar atenção às suas descobertas.

Quando os frigoríficos tentaram intimidar o Dr. Kellogg

Há mais de cem anos, os donos de frigoríficos dos Estados Unidos se uniram e, através de uma campanha lobista, convenceram o Departamento de Agricultura a permitir que eles espalhassem cartazes por todo o país, mostrando a carne como algo extremamente desejável e saudável. À época, o médico John Harvey Kellogg, que mais tarde criaria os Sucrilhos Kellogg’s em parceria com o irmão, ficou sabendo da ação e decidiu protestar.

Com dinheiro do próprio bolso, ele criou cartazes para serem fixados ao lado daqueles divulgados pela indústria frigorífica. Seus cartazes listavam todos os motivos pelos quais as pessoas não deveriam consumir carne, assim fazendo um contraponto. Sentindo-se ameaçados, os proprietários de frigoríficos entraram com uma queixa junto à Comissão Federal de Comércio, em Washington, tentando proibir que os cartazes que condenavam o consumo de carne fossem distribuídos.

O protesto gerou tanta comoção que um advogado foi enviado ao Sanatório Battle Creek, administrado por John Harvey Kellogg, para investigar suas ações. Depois de passar um tempo com o médico, e tomando conhecimento de seus argumentos, o conselheiro da Comissão Federal de Comércio decidiu que ele não merecia nenhum tipo de penalização. Algum tempo depois, o advogado reencontrou Kellog e disse: “Sabe, doutor, não como carne desde o dia em que estive em Battle Creek.”

Saiba Mais

John Harvey Kellogg nasceu em 26 de fevereiro de 1852 em Tyrone, Michigan, e faleceu em 14 de dezembro de 1943 em Battle Creek, Michigan.

Muitas de suas teorias sobre os benefícios da dieta sem carne foram baseadas em estudos que ele realizou com povos orientais que não consumiam alimentos de origem animal.

Em 1913, o 4º Congresso da União Vegetariana Internacional, realizado na Holanda, discutiu pesquisas feitas pelo Dr. Kellogg.

O médico reclamava que os seres humanos consumiam sal demais. Também foi um dos primeiros profissionais a perceber que o fumo se tornaria no futuro a principal causa do câncer de pulmão. À época, poucos deram ouvidos à sua declaração.

Em 1956, inspirado no trabalho de John Harvey Kellogg, o Comitê de Médicos para a Medicina Responsável dos Estados Unidos definiu que a alimentação humana essencial deveria ser prioritariamente baseada no conceito “Basic Four”, ou seja, grãos integrais, vegetais, legumes e frutas.

Referências

Schwarz, Richard. John Harvey Kellogg, M.D.: Pioneering Health Reformer (Adventist Pioneer). Review & Herald Publishing (2006).

Carson, Gerald. Cornflake Crusade. Rinehart (1957).

Berry, Rynn. Famous Vegetarians. Pythagorean Publishers (2003).

Money, John. The Destroying Angel: Sex, Fitness & Food in the Legacy of Degeneracy Theory, Graham Crackers, Kellogg’s Corn Flakes & American Health History. Prometheus Books (1985).

Kellogg, John Harvey. Plain Facts of Old & Young. I.F. Segner (1882).

South, Amy. Dr. John Harvey Kellogg. Vegan Handbook. The Vegetarian Resource Group. Disponível em http://www.vrg.org/

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