David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for the ‘Música’ Category

A morte e a ajuda de Chester Bennington

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Chester Bennington, encontrado morto hoje

Em muitos vídeos da banda Linkin Park no YouTube tem dezenas, talvez centenas ou milhares, de comentários de pessoas que sofriam ou sofrem de depressão e encontraram alento nas músicas do vocalista e compositor Chester Bennington, encontrado morto hoje, após cometer suicídio por enforcamento.

Inclusive pessoas que disseram ter desistido da ideia de cometer suicídio enquanto ouviam Linkin Park. Música é uma coisa extremamente poderosa. Há pessoas que confortam tanta gente em proporção inimaginável, o que não significa que sejam inatingíveis ou que não sejam frágeis.

Written by David Arioch

July 21, 2017 at 2:09 am

Ouvindo Rammstein desde 1999

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Em 1999, a banda infelizmente não foi muito bem recebida no Brasil (Foto: Reprodução)

Curto muito a banda alemã Rammstein. Conheci em 1999 quando eu era molecote e estava em Cuiabá. Como eu já curtia metal industrial, contagiado pelo Ministry, de Al Jourgensen, foi alegria à primeira vista. Por outro lado, me recordo que naquela época era difícil encontrar quem não desprezasse a banda. Prova disso foi a primeira apresentação que eles fizeram no Brasil naquele ano, abrindo o show do Kiss. Jogaram inclusive objetos no palco e chamaram os caras de “palhaços”. Como se ser palhaço pudesse ser uma ofensa; além de uma baita contradição, já que o Kiss era a atração principal.

Muitas bandas que ouvi na adolescência e inclusive na fase adulta ficaram pelo caminho. Quero dizer, parei de ouvir muita coisa, mas Rammstein continua sendo uma banda que considero inesquecível, mesmo que haja períodos em que eu não a escute. Controversa, boas letras (consequência natural de músicos com bom nível cultural em geral – uma coisa que reconheço que não é tão comum na música) e bons clipes. Acho que tudo isso se soma para eu ter a banda em grande estima.





Written by David Arioch

June 4, 2017 at 9:50 pm

Bola Sete, um vegetariano que deixou seu nome na história do jazz

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Carlos Santana considera Bola Sete um dos maiores guitarristas de todos os tempos (Foto: Reprodução)

O compositor, violonista e guitarrista carioca Bola Sete, que foi aluno do maestro Milton Santos, fez muito sucesso tocando jazz nos Estados Unidos e no México nas décadas de 1960 e 1970. De origem pobre, mas com uma herança musical muito forte, descobriu a aptidão para a música ainda na infância, quando começou a tocar cavaquinho e violão.

No Estados Unidos, Bola Sete foi um grande parceiro de Dizzy Gillespie e Vince Guaraldi, com quem lançou em 1963 o disco “Vince Guaraldi, Bola Sete and Friends”. Guaraldi foi o autor da trilha sonora do desenho animado “Peanuts”, que traz personagens como Charlie Brown e Snoopy. Em 1967, Bola Sete deixou o Vince Guaraldi Trio para criar o seu próprio trio, que trazia na formação os brasileiros Sebastião Neto e Paulinho, contrabaixista e baterista.

Quando o grupo decidiu se separar, Bola Sete já era um homem de meia-idade com sobrepeso e alguns problemas de saúde. Então ele viu que seria necessário dar uma guinada em sua vida. Parou de tocar e começou a meditar, praticando regularmente o hatha yoga. Primeiro, ele abandonou o consumo de carne e mais tarde se tornou vegetariano.

“Isso não apenas permitiu que ele perdesse mais de 22 quilos, mas também que ele conseguisse controlar a sua asma agravada por anos inalando fumaça nos clubes onde tocava. O novo estilo de vida garantiu que ele produzisse a música mais incrível de sua carreira”, afirmou o pesquisador Gerald E. Brennan.

Embora Bola Sete tenha seu nome quase sempre relacionado ao jazz, estudiosos de sua música como Brennan o consideram o pai da música new age. Isto porque as composições do brasileiro se tornaram muito espiritualizadas, destoando do jazz tradicional; algo que ficou mais claro depois que ele se tornou vegetariano.

Em 1970, quando excursionou pelo México com Stan Getz e outros artistas do jazz, Bola Sete se tornou extremamente popular, o que o motivou a lançar em 1971 o álbum “Shebaba”. “Bola Sete é tão significativo quanto Jimi Hendrix e Segovia, no sentido de ter sabedoria, conhecimento, alma e paixão”, escreveu o célebre guitarrista mexicano Carlos Santana. Nos Estados Unidos, há mais artistas que consideram Bola Sete um dos maiores guitarristas de todos os tempos, e não somente do jazz.

Saiba Mais

Djalma de Andrade, mais conhecido como Bola Sete, nasceu em 16 de julho de 1923 no Rio de Janeiro, e faleceu nos Estados Unidos em Greenbrae, na Califórnia, em 14 de fevereiro de 1987.

Entre os anos de 1958 e 1985, Bola Sete gravou 14 discos.

Referências

Http://www.bolasete.com/index.php

http://www.musicianguide.com/biographies/1608002433/Bola-Sete.html

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Matt Skiba: “Foi uma reação instintiva não querer carne [de animais] em meu corpo”

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Skiba é fundador da banda de punk rock Alkaline Trio, além de guitarrista e vocalista da banda Blink 182

““Imaginei-me comendo meu gato e, de repente, não pareceu tão bom para mim” (Foto: Reprodução)

Fundador da banda de punk rock Alkaline Trio, além de guitarrista e vocalista da banda Blink 182 desde 2016, Matt Skiba se tornou vegetariano aos 19 anos, assim que deixou a casa dos pais. Um dia, ele estava comendo um pedaço de carne e notou os olhos do seu companheiro felino em sua direção.

“Imaginei-me comendo meu gato e, de repente, não pareceu tão bom para mim. Foi uma reação instintiva não querer carne [de animais] em meu corpo. Isso é parte de quem sou. Foi uma decisão pessoal e natural”, informou em entrevista concedida a Liz Miller, do Veg News, e publicada em 22 de fevereiro de 2010.

Skiba não teve trabalho em levar muitos amigos para o vegetarianismo. Na realidade, ele não precisou dizer nada para convencê-los a não consumir mais alimentos de origem animal. Sua tática sempre foi levá-los para comer em restaurantes vegetarianos e veganos, mostrando que opções que não custem a exploração animal não faltam.

“Se eu não tivesse dito a eles que o sanduíche de ‘frango’ que eles estavam comendo era na realidade vegetariano, eles nunca saberiam, e tinha o gosto mais fresco e melhor do que o de qualquer frango. Há muita comida de boa qualidade lá fora e isso fala por si mesmo”, exemplificou o guitarrista e vocalista.

Matt Skiba acredita que a maioria das pessoas amam os animais, e que não é porque elas comem carne que elas são más ou desgostam deles. Para o músico, o problema é a ausência do reconhecimento de uma conexão entre as coisas, de reconhecer as implicações da exploração animal. “Acho que ignorância é uma bênção para muitas pessoas”, declarou.

Ele também disse que muita gente come comida vegetariana sem saber, sem vê-las como comida vegetariana; e que isso é a maior prova de que o vegetarianismo e o veganismo não estão realmente distantes de ninguém.

“Perdi o gosto pela carne. Não como carne há 17 anos. Lembro que olhei para o meu gato e pensei: ‘Cara, não posso comê-lo. Que diferença faria se fosse um gato pequeno ou uma vaca?’ E ocorreu-me que tudo está conectado e que eu não poderia mais contribuir com isso [a exploração animal]”, enfatizou em entrevista ao Cool Try, da Austrália.

Saiba Mais

Matt Skiba nasceu em McHenry, Illinois, em 24 de fevereiro de 1976. Ele fundou o Alkaline Trio em 1996.

Entre os anos de 1998 e 2013, Skiba lançou os álbuns “Goddamnit”, “Maybe I’ll Catch Fire”, “From Here to Infirmary”, “Good Morning”, “Crimson”, “Agony & Irony”, “This Addiction” e “My Shame Is True” com o Alkaline Trio.

Com o Blink 182, ele gravou o álbum “California” em 2016.

Referências

http://vegnews.com/articles/page.do?pageId=1716&catId=5

Interview: Matt Skiba (Alkaline Trio, Matt Skiba and The Sekerets)

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Johnny Marr: “Desde que escrevemos ‘Meat Is Murder’, nunca mais comi carne”

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“Eu não poderia ser hipócrita. Para ser honesto, não foi realmente um sacrifício [ficar sem comer carne]”

Johnny Marr: “Não teria sido certo para mim tocar essa música sem ser vegetariano”

Um dos fundadores da icônica banda britânica de rock The Smiths, Johnny Marr até hoje é citado como um dos mais importantes guitarristas dos anos 1980. Ao lado de Morrissey, ele gravou o álbum “Meat Is Murder”, que se tornou um símbolo para vegetarianos e veganos do mundo todo. Enquanto Morrissey assinava as letras das músicas, Marr se responsabilizava pela harmonia. A parceria durou cinco anos, e juntos gravaram quatro discos.

Em entrevista a John Hind, do The Guardian, publicada em 20 de novembro de 2016, Johnny Marr contou que desde que ele e Morrissey escreveram “Meat Is Murder”, ele nunca mais comeu carne. “Eu não poderia ser hipócrita. Para ser honesto, não foi realmente um sacrifício [ficar sem comer carne], disse em referência ao álbum lançado em 1985.

A faixa título, que crítica o consumo de carne, e ainda traz o apelo de uma pequena gravação de vacas mugindo em um matadouro, mudou a vida de muita gente. Enquanto Morrissey canta: “Morte sem razão é assassinato”, a guitarra de Johnny Marr chora ao fundo. Sem dúvida, “Meat Is Murder” é uma das composições mais intensas e perturbadoras escritas pelo The Smiths em sua curta e produtiva carreira.

Prova da força da música é que até hoje os fãs se aproximam de Johnny Marr para dizer que “Meat Is Murder” mudou completamente seus hábitos alimentares, e mais – suas vidas. Ele se orgulha de encontrar pessoas dizendo que se tornaram vegetarianas ou veganas por causa da composição, de acordo com informações publicadas no Clash Music em 27 de julho de 2010.

“Não teria sido certo para mim tocar essa música sem ser vegetariano. A coisa engraçada é que até então a minha única interação com os animais tinha sido algo como: “Espero que este cão não me morda”. […] Mas quando parei de comer animais, comecei a sentir mais empatia por eles”, declarou em entrevista publicada por Louise Wallis em 6 de agosto de 2011.

Johnny Marr se tornou vegano em 2005, quando se mudou para Portland, no estado do Oregon, nos Estados Unidos. Sobre essa decisão, ele justificou que gosta da ideia do progresso, de ser progressista.Portland tem uma atitude muito liberal e moderna, e alguns dos meus amigos lá já eram veganos. Estou feliz por ter entrado nessa. É muito mais fácil ser vegano nos Estados Unidos do que na Europa; há mais variedade cultural e, portanto, mais escolhas”, argumentou.

Questionado sobre o processo de composição de “Meat Is Murder”, Marr relatou que Morrissey deu o título e a letra da música e ele entrou com o sentimento. “Apareci com a melodia, que interpretei como sugestiva, contudo inquietante, e a banda captou isso em uma tarde de inverno em Liverpool. A senti intensa, mas estranhamente bela quando a criamos. Adoro essa faixa”, admitiu a Louise Wallis.

“Desistir dessas coisas [alimentos de origem animal] não significa sacrifício ou miséria para mim. Vejo isso como o oposto, é interessante. […] Todas essas coisas me tornaram mais focado e energizado. Toda a minha família é vegetariana. Angie [esposa] era vegetariana quando nos conhecemos. Eu tinha 15 anos, e ela 14. Era bem informada. Eu provavelmente teria me tornado vegetariano mesmo sem a música, suponho”, destacou.

Saiba Mais

Johnny Marr nasceu em Manchester, na Inglaterra, em 31 de outubro de 1963.

Ele gosta de comer salada com tofu, comida tailandesa, mediterrânea e mexicana, além de massas e muito espinafre.

Referências

https://www.theguardian.com/lifeandstyle/2016/nov/20/life-on-a-plate-johnny-marr-the-smiths

http://www.clashmusic.com/news/johnny-marr-talks-vegetarianism

Johnny Marr interview

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Lindsay Schoolcraft: “Vejo os animais como iguais [quanto ao direito à vida], enquanto os outros os veem como mercadorias”

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“Ser vegano é ter consciência de que você pode melhorar o planeta e a vida dos outros seres tomando decisões mais inteligentes de consumo”

Lindsay se tornou vegana em 2012 (Foto: Divulgação)

Vocalista e tecladista da banda inglesa de metal extremo Cradle of Filth, Lindsay Schoolcraft se tornou vegana em 2012. O que a fez refletir profundamente sobre a realidade da produção e do consumo de alimentos de origem animal foi o documentário “Food, Inc”, lançado em 2008 por Robert Kenner.

“Depois que assisti ‘Food, Inc’, me senti desconfortável com os produtos de origem animal. Na mesma época, comecei a aprender o que significava esse estilo de vida [veganismo]. Imediatamente, me livrei de tudo que eu possuía que era feito de animais, o que se resumia a um cinto de couro, produtos de beleza e produtos domésticos testados em animais. Me tornei vegana entre o Natal e o Ano Novo de 2012. Eu não gostaria de viver de outra maneira, e gostaria de ter feito isso mais cedo”, disse Lindsay em entrevista publicada pela Headbangers Lifestyle em 23 de fevereiro de 2016.

A vocalista canadense sempre gostou de animais, mas admite que a indústria tem a seu favor recursos que dissimulam a realidade no que diz respeito ao sofrimento e à exploração animal, o que faz com que as pessoas não “liguem os pontos”. “Para mim, ser vegano é ter consciência de que você pode melhorar o planeta e a vida dos outros seres tomando decisões mais inteligentes de consumo. É libertador saber que você tem esse tipo de controle, para si mesmo e para os animais que você beneficia com essas ações”, declarou à Liselotte ‘Lilo’ Hegt, do Headbangers Lifestyle.

Ela acredita que o veganismo tem se tornando mais comum e conquistado mais reconhecido no mundo do metal, o que a deixa mais confortável. “Quando me juntei ao Cradle of Filth, pensei que seria difícil, mas quanto mais shows fazemos, mais encontro refeições veganas disponíveis nos festivais, e geralmente quando saio em turnê sempre encontro outra pessoa vegetariana viajando com a gente”, relatou.

Por outro lado, é inevitável que haja oposição, mas Lindsay acredita que isso acontece em qualquer lugar. Quando alguém a confronta e tenta apontar alguma contradição no veganismo, por exemplo, alegando que não é uma filosofia de vida que faz a diferença no mundo, a cantora argumenta que, independente das pessoas aceitarem ou não, um fato é que o consumismo está cercado pela crueldade animal. “E eu escolho não me envolver com isso”, declarou em entrevista ao Logical Harmony em 2015.

Lindsay, que faz questão de pesquisar e conhecer o sistema de produção das próprias roupas, inclusive as usadas nos shows com o Cradle of Filth, destacou que quando alguém faz piada sobre o fato dela não se alimentar de animais, ela explica todo o processo até a carne e outros produtos de origem animal chegarem ao prato das pessoas.

“É libertador saber que você tem esse tipo de controle, para si mesmo e para os animais que você beneficia com essas ações” (Foto: Divulgação)

“Posso ser desagradável sobre isso de forma sarcástica [se eu for provocada]. Mas nunca tentarei forçar minha opinião porque acredito que você tem ou não tem compaixão. Não gosto de ser ignorante. Tudo que uso, coloco em meu corpo, gosto de saber onde veio. Vejo os animais como iguais [quanto ao direito à vida], enquanto os outros os veem como mercadorias. Se você estiver interessado, vou dizer tudo o que sei”, garantiu em entrevista a Levi Seth Buckley, do Sticks For Stones, em publicação de 9 de julho de 2015.

Lindsay contou que ficou muito feliz quando soube que suas duas cantoras favoritas – Ellie Goulding e Sia, são veganas. “Quando você conhece outro vegano é como conhecer um bom amigo pela primeira vez”, comentou com Tashina Combs, do Logical Harmony. Entre as cidades em que esteve e que hoje considera duas das melhores para os veganos, ela cita Glasgow, na Escócia, e Montreal, no Canadá.

“É tão fácil ser vegano nessas cidades. Amo comida asiática. Os vegetais e as especiarias são muito bem combinados”, revelou ao Local Harmony. Ao Headbanger Lifestyle, a vocalista e tecladista do Cradle of Filth também frisou que faz o possível para sensibilizar as pessoas sobre a importância dos santuários para animais que seriam mortos pela indústria alimentícia.

“Eles merecem nosso amor e respeito tanto quanto os animais de estimação. Faço o meu melhor para ajudar instituições de caridade que defendem os direitos animais. Eu gostaria de me envolver mais com esses tipos de campanha”, garantiu.

Saiba Mais

Lindsay Schoolcraft nasceu em Ontário, no Canadá, em 26 de fevereiro de 1986.

De 2007 a 2014, ela foi vocalista da banda Mary and the Black Lamb.

Lindsay tornou-se vocalista e tecladista da banda Cradle of Filth em 2013.

Em 2015, participou da gravação do disco “Hamer of the Witches”, do Cradle of Filth.

Referências

http://www.headbangerslifestyle.com/face-body/276/beauty-and-lifestyle-profile-with-lindsay-schoolcraft-keyboardist-and-female-vocalist-of-cradle-of-filth

http://www.sticksforstones.net/single-post/2015/07/09/Interview-Lindsay-Schoolcraft-CRADLE-OF-FILTH

An Exclusive Interview with Lindsay Schoolcraft from Cradle Of Filth

 

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Converge: “Uma dieta vegetariana é a resposta lógica ao mundo em que vivo”

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Bannon: “Me senti confortável o suficiente para tomar a decisão de parar [de me alimentar de animais]”

“Me eduquei sobre esse assunto e me obriguei a ler mais a respeito” (Foto: Divulgação)

Expoente do metalcore, a banda estadunidense Converge foi formada em 1990 pelo vocalista Jacob Bannon e pelo guitarrista Kurt Ballou, que entre os anos de 1994 e 2012 lançaram oito álbuns. Bannon é vegetariano e Ballou é vegano e, coincidência ou não, o metalcore, influenciado por eles, é um dos estilos musicais em que mais cresce a quantidade de músicos vegetarianos e veganos.

Em entrevista concedida à Hilary Pollack e publicada pelo Veg News em 6 de junho de 2013, Bannon contou que a adoção do vegetarianismo por questões morais ocorreu naturalmente, e a influência veio principalmente do punk rock. “Me eduquei sobre esse assunto e me obriguei a ler mais a respeito. Ao longo dos anos, descobri que uma dieta vegetariana funciona para mim, embora eu ainda esteja explorando as implicações morais e éticas disso”, disse.

O vocalista do Converge se tornou vegetariano aos 13 anos, e relatou que não teve nenhum problema na transição. Nem sentiu-se inseguro sobre isso. “Me senti confortável o suficiente para tomar a decisão de parar [de me alimentar de animais], e simplesmente fiz isso”, relatou em entrevista à organização Pessoas Pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta), publicada em 9 de abril de 2005.

Para Jacob Bannon, não é difícil considerar o mundo um lugar muito estranho se refletirmos sobre o fato de que a tecnologia deu origem a populações “avançadas” que constroem fazendas industriais e outros mecanismos não naturais de “coleta” e consumo de alimentos. “Esses são os dilemas morais e éticos que me levam à dieta de hoje. Uma dieta vegetariana é a resposta lógica ao mundo em que vivo”, afirmou ao Veg News.

O vocalista, que considera a corrida de galgos umas das formas mais abusivas de exploração animal, defendeu em entrevista à Peta que o melhor jeito de fazer com que as pessoas reflitam sobre a exploração animal é por meio de um trabalho educacional. “Educação é a chave. Sempre foi e sempre será. Há tanta informação lá fora. […] Alguém só precisa encontrar o ponto de partida para movê-los e guiá-los por um caminho que faça a diferença”, ponderou.

Questionado pelo Veg News se há uma ligação entre vegetarianismo, veganismo e o movimento punk rock, Bannon explicou que nesse cenário há um elemento de consciência social e ética. “O movimento dos direitos animais é algo que se encaixa bem nesse cenário”, declarou e acrescentou que há muitas pessoas envolvidas com o punk rock que estão sempre abertas a outras formas de pensar.

“Educação é a chave. Sempre foi e sempre será. Há tanta informação lá fora” (Foto: Divulgação)

À Peta, ele argumentou que a comunidade do punk rock é como um fórum aberto, onde ativismo e conscientização sempre fizeram parte das conversas envolvendo músicos e público. “É uma das coisas mais bonitas que essa comunidade tem a oferecer”, frisou.

Jacob Bannon admitiu que quando era mais jovem muitas vezes se envolveu em discussões e confrontos sobre vegetarianismo e veganismo, mas chegou a um ponto em que optou por seguir outro caminho.

“Neste momento da minha vida, não sinto necessidade de discutir sobre isso o tempo todo porque estou realmente confortável com minha decisão. É simplesmente uma parte de mim agora. Nunca vou forçar ninguém a nada, mas se houver uma curiosidade em relação ao que eu acredito e pratico, vou deixar alguém saber que há questões lá fora que as pessoas devem conhecer”, revelou.

Indagado sobre o que podemos fazer para melhorar a vida dos animais, ele sugeriu: “Se importe, mostre compaixão, tenha coração.”

Formação

Jacob Bannon – Vocalista e letrista

Kurt Ballou – Guitarrista e vocalista

Nate Newton – Baixista e vocalista

Ben Koller – Baterista

Saiba Mais

Jacob Bannon nasceu em 15 de outubro de 1976 em Boston, Massachusetts.

Kurt Ballou é vegano e os demais integrantes são vegetarianos.

Referências

http://vegnews.com/articles/page.do?pageId=5833&catId=7

https://web.archive.org/web/20050409051729/http://www.peta2.com/OUTTHERE/o-converge.asp

 

 
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While She Sleeps: “Tornar-se vegano sempre foi algo que esteve em nossas mentes”

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“Quando relacionamos a nossa preocupação com a nossa saúde e o protesto contra a crueldade animal, pareceu mais lógico e compassivo dar esse passo”

Aaran McKenzie: “Sempre fomos pessoas livres e espirituosas que se desviam dos valores convencionais” (Foto: Divulgação)

Formada em 2006, a banda inglesa de metalcore While She Sleeps traz na formação o baixista Aaran McKenzie, o guitarrista Sean Long, o vocalista Lawrence “Loz” Taylor, o guitarrista Mat Welsh e o baterista Adam “Sav” Savage. Em 2012, a banda foi eleita a melhor revelação britânica pela revista Kerrang!, após o lançamento do álbum “This is the Six”. Além de ter se tornado popular principalmente entre os jovens que gostam da fusão do heavy metal com o hardcore, outro fato que chama a atenção é que o While She Sleeps é uma banda vegana.

“Sempre fomos pessoas livres e espirituosas que se desviam dos valores convencionais. A maioria de nós na banda foi vegetariano por 4 a 23 anos. Por isso, tornar-se vegano sempre foi algo que esteve em nossas mentes. Então, quando relacionamos a nossa preocupação com a nossa saúde e o protesto contra a crueldade animal, e as fazendas industriais, pareceu mais lógico e compassivo dar esse passo”, disse Aaran McKenzie em entrevista ao Vegan Blatt.

Em vídeo gravado para a Organização Pessoas Pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta) e publicado no YouTube em 3 de dezembro de 2015, Aaran e Sean relataram que sempre odiaram a crueldade contra os animais, e citaram o documentário “Earthlings” como referência para quem quiser conhecer a realidade da exploração animal. “Eu disse, ok, é isso, chega!”, declarou o baixista e membro-fundador do While She Sleeps depois de assistir ao documentário.

“Estamos tentando conscientizar as pessoas sobre toda essa merda que acontece à nossa volta” (Foto: Divulgação)

Ao Vegan Blatt, Aaran contou que o estilo de vida dos integrantes é uma forma de deixar claro que eles não são tolerantes com as atrocidades do mundo, e que esse posicionamento é algo que endossa a mensagem que a banda quer passar para as pessoas. “Não especificamos isso em um sentido literal, mas, como um todo, estamos tentando conscientizar as pessoas sobre toda essa merda que acontece à nossa volta”, informou McKenzie.

Os integrantes do While She Sleeps preferem não confrontar as pessoas. O caminho escolhido por eles é o de servir como inspiração simplesmente vivendo o veganismo ou falando sobre o assunto quando vier à tona naturalmente. “Um dia, alguém veio até mim e disse: ‘Se Deus não quisesse que comêssemos os animais, então por que ele não os fez sem carne?’ Eu não tenho nada a dizer a pessoas como essa”, afirmou.

Saiba Mais

O While She Sleeps foi fundado em Sheffield, na Inglaterra.

Entre os anos de 2012 e 2017,  eles lançaram os álbuns “This is the Six”, “Brainwashed” e “You Are We”.

Referências

https://www.veganblatt.com/while-she-sleeps-vegane-metalcore-band

http://www.peta.org.uk/blog/while-she-sleeps/

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Carnist: “A verdade é que comer carne tem um grande custo, e o custo é sempre afastado dos olhos das pessoas”

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A chapa de carne que se encontra diante de você, você se importa de onde veio?”

Em 2013, eles estrearam com o álbum “Unlearn” (Foto: Divulgação)

Fundada em 2013, a banda inglesa de hardcore Carnist se pauta em questões envolvendo veganismo e direitos animais, além de outros assuntos que o quarteto julga como relevantes na discussão sobre a exploração animal. Embora o grupo não seja antigo, o Carnist surgiu por iniciativa de integrantes das bandas Shels, Plague Mass, Unquiet Grave, Momentum, Light Bearer e Fall of Efrafa. Em 2013, eles estrearam com o álbum “Unlearn”, que fala sobre o conceito de desaprender normas sociais e traços culturais que são contrários à natureza humana.

“Ou seja, a nossa atitude em relação aos animais [tanto não humanos quanto humanos], que não se encaixam nas ideias sufocantes, arcaicas e claustrofóbicas do que é ser humano”, explica o Carnist, que tem como principais influências bandas como Dropdead, Trial, Propagandhi, Infest, Siege e Protestant. Em tom bem-humorado, eles dizem que o som da banda, que tem uma pegada crust, é melhor apreciado acompanhado de uma xícara de chá.

Em entrevista ao The New Noise, da Itália, em fevereiro de 2014, o vocalista Alex informou que não se sente especial por ser vegano. Também não vê o veganismo com algo particularmente virtuoso. “Realmente sinto que alguém de mente sã, uma vez que conseguisse digerir a informação que está livremente disponível, iria procurar eliminar o abuso animal de sua vida. Infelizmente esse sistema trabalha ativamente para ocultar e distorcer todo o processo, inclusive propagando desinformação”, criticou.

Na música “Eating Children”, do álbum “Unlearn”, Alex canta: “A chapa de carne que se encontra diante de você, você se importa de onde veio? O pedaço de músculo, atado com veias; uma carne de bebê cortada de seus membros.” Também com o objetivo de chamar a atenção para a crua realidade da exploração animal na indústria alimentícia, o Carnist lançou em 2016 o disco “Hellish”, que tem como capa a imagem de porcos sendo executados em um matadouro.

Capa do disco lançado em 2016 (Foto: Reprodução)

“Queríamos mostrar às pessoas uma verdade, e a verdade é que comer carne tem um grande custo, e o custo é sempre afastado dos olhos das pessoas. A foto é grotesca em sua exibição do assassino humano sem rosto, a trágica falta de respeito, o medo dos porcos que têm de testemunhar seu companheiro caído. Isso apresenta o inferno da indústria da carne de modo eloquente, penso”, avaliou Alex em entrevista ao Metalorgie em setembro de 2016.

A ideia do nome, “Carnist”, é uma referência ao carnismo, sistema de crença invisível, também definido como ideologia, que, segundo a psicóloga social Melanie Joy, condiciona as pessoas a comerem alguns tipos de animais. O termo foi concebido por ela em sua dissertação de doutorado em 2001, e se tornou popular por meio do livro “Why We Love Dogs, Eat Pigs, and Wear Cows”, ou seja, “Por Que Amamos Cachorros, Comemos Porcos e Vestimos Vacas”, publicado em 2009.

Saiba Mais

Todos os integrantes do Carnist são veganos.

Caso queira comprar a camiseta do Carnist, acesse:

http://doomrock.com/Band-Merch-Clothes/Bandmerch/Shirts/Carnist-Hellish-Shirt::1301.html?XTCsid=93e680a6a7da998e0f1e744595ba30a7

Referências

http://www.metalorgie.com/interviews/1356_Alex-CF-Fall-Of-Efrafa-Light-Bearer-Morrow-Anopheli_Par-Email

http://no-pasaran.org/label/artists/detail/detail/carnist-ukat/

https://www.discogs.com/artist/3661813-Carnist

http://www.chaosruralrecords.com/store/carnist_hellish_10_inch

CARNIST

Crusty doom hardcore band CARNIST streaming “Hellish” 10” in full!


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Alissa White-Gluz: “Você não tem que ser parte do sistema e parte da crueldade [contra os animais]”

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“Sou vegana porque sei que é possível ter uma vida totalmente feliz e saudável sem prejudicar ninguém”

Alissa é vegetariana desde que nasceu e depois tornou-se vegana (Foto: Divulgação)

Vocalista da banda sueca de death metal Arch Enemy, a canadense Alissa White-Gluz é vegetariana desde que nasceu, o que significa que ela jamais consumiu qualquer tipo de carne. A justificativa é que ela foi educada desde muito cedo a respeito do fato de que produtos de origem animal significam a exploração e a morte de seres vivos sencientes. “Sempre fui vegetariana, e ser vegana foi o próximo passo lógico [em 1999]. E no que diz respeito a ser straight edge, bem, se eu me importo o suficiente com a minha vida em geral, por que eu iria querer envenenar o próprio veículo que me permitiu viver – meu corpo?”, disse em entrevista ao Metal Horizons em abril de 2013.

Em junho de 2014, ela participou de um vídeo da organização Pessoas Pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta) em que ela foi questionada se era difícil ser vegana. “Absolutamente, não. Seria difícil não ser vegana”, respondeu e acrescentou que a razão pela qual ela é tão apaixonada pelo veganismo é porque é uma filosofia de vida que beneficia os animais, o meio ambiente, os seres humanos em várias partes do mundo e a sua própria saúde. “Fico feliz em ajudar qualquer pessoa interessada nesse estilo de vida”, declarou.

Para quem tem dificuldade em perceber o que existe de positivo em ser vegano, a vocalista do Arch Enemy e ex-vocalista do The Agonist (2004-2014) pede que as pessoas façam uma pesquisa na internet quando tiverem algum tempo disponível. “Os fatos estão lá, é apenas uma questão de aceitar a realidade e ser parte da solução em vez do problema, afirmou à Peta.

Na definição de Alissa, o veganismo é um estilo de vida que envolve fazer um esforço consciente para se certificar de não comprar produtos como alimentos, vestuário e  cosméticos – entre outros que envolvam privação, sofrimento e morte de animais. “Sou vegana porque sei que é possível para mim ter uma vida totalmente feliz e saudável sem prejudicar ninguém”, justificou em entrevista publicada pela Revolver Mag em 31 de dezembro de 2014.

Ela também qualifica o veganismo como o grande motivador de tudo que ela faz em sua vida; um catalisador para a sua paixão pela música e por escrever letras. Ter alcançado um certo nível de notoriedade é visto por Alissa como um grande presente, porque dessa forma ela pode compartilhar informações com o seu público que não são divulgadas pela grande mídia.

“Tenho grande interesse em direitos animais, então compartilho o que é do meu interesse. Não espero que todos se tornem veganos durante a noite, e não espero que ninguém seja perfeito. Mas se for possível despertar um pouquinho de consciência, mesmo algo tão simples como alguém evitando carne uma vez por semana ou não comprando cosméticos testados em animais mais, ou optando por peles falsas em vez de peles de verdade…isso seria uma grande vitória para mim”, enfatizou em entrevista publicada pelo Brave Words em 25 de março de 2013.

““Tenho grande interesse em direitos animais, então compartilho o que é do meu interesse” (Foto: Divulgação)

Alissa White-Gluz diz que todos estamos presos em um estado coletivo de condicionamento, mas que se abrirmos os nossos olhos para a realidade, como aquela que envolve a exploração animal, imediatamente começaremos a nossa fuga. É justamente por isso que Alissa e os outros membros da banda de death metal canadense The Agonist, chamavam seus fãs de “Prisoners” ou “Prisioneiros” – porque somos pessoas em necessidade de despertar. “Você não tem que ser parte do sistema e parte da crueldade [contra os animais]. Você pode trabalhar contra isso”, recomendou em entrevista ao Brave Words.

Ela também vê como positivo o crescimento do veganismo no cenário do heavy metal. Cita como exemplo o fato de estar se tornando difícil encontrar uma banda de metal que não tenha pelo menos um vegetariano ou vegano.

“Tenho sido vegana desde antes de fazer metal. Então isso é 100% do que sou e está 100% gravado na minha personalidade. Sou uma ativista dos direitos animais e dos direitos humanos, mas, você sabe, eu também sou uma música. Então, quando se trata de letras, é claro, me expresso sobre isso. Mas é um campo diferente. Música é arte, e eu acho legal incluir uma mensagem dentro da arte, mas não é a única coisa em que penso quando estou interpretando ou escrevendo”, revelou ao Metal Inside em entrevista publicada em 29 de maio de 2014.

Saiba Mais

Alissa White-Gluz, que é vegana desde 1999, nasceu em 31 de julho de 1985 em Montreal, no Canadá.

Ela é membro-fundadora da banda canadense The Agonist, com quem gravou os álbuns “Once Only Imagined, de 2007; “Lullabies for the Dormant Mind”, de 2009; e “Prisoners”, de 2012.

Com o Arch Enemy, Alissa gravou o álbum “War Eternal”, de 2014; e o EP “Stolen Life”, de 2015.

Foi ela que incentivou o namorado Doyle Wolfgang Von Frankenstein, icônico guitarrista do Misfits, a tornar-se vegano.


Referências

http://www.metalhorizons.com/2013/04/interview-time-with-alissa-white-gluz.html

http://www.metalinside.de/interview/arch-enemy-alissa-white-gluz-about-war-eternal-linup-changes-and-psychedelic-dreams

http://www.revolvermag.com/news/arch-enemys-alissa-white-gluz-on-veganism-and-how-to-sing-with-a-broken-rib.html

http://bravewords.com/news/the-agonist-vocalist-alissa-white-gluz-veganism-is-what-drives-me-to-do-everything-in-life

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