David Arioch – Jornalismo Cultural

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Archive for the ‘Música’ Category

Matt Skiba: “Foi uma reação instintiva não querer carne [de animais] em meu corpo”

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Skiba é fundador da banda de punk rock Alkaline Trio, além de guitarrista e vocalista da banda Blink 182

““Imaginei-me comendo meu gato e, de repente, não pareceu tão bom para mim” (Foto: Reprodução)

Fundador da banda de punk rock Alkaline Trio, além de guitarrista e vocalista da banda Blink 182 desde 2016, Matt Skiba se tornou vegetariano aos 19 anos, assim que deixou a casa dos pais. Um dia, ele estava comendo um pedaço de carne e notou os olhos do seu companheiro felino em sua direção.

“Imaginei-me comendo meu gato e, de repente, não pareceu tão bom para mim. Foi uma reação instintiva não querer carne [de animais] em meu corpo. Isso é parte de quem sou. Foi uma decisão pessoal e natural”, informou em entrevista concedida a Liz Miller, do Veg News, e publicada em 22 de fevereiro de 2010.

Skiba não teve trabalho em levar muitos amigos para o vegetarianismo. Na realidade, ele não precisou dizer nada para convencê-los a não consumir mais alimentos de origem animal. Sua tática sempre foi levá-los para comer em restaurantes vegetarianos e veganos, mostrando que opções que não custem a exploração animal não faltam.

“Se eu não tivesse dito a eles que o sanduíche de ‘frango’ que eles estavam comendo era na realidade vegetariano, eles nunca saberiam, e tinha o gosto mais fresco e melhor do que o de qualquer frango. Há muita comida de boa qualidade lá fora e isso fala por si mesmo”, exemplificou o guitarrista e vocalista.

Matt Skiba acredita que a maioria das pessoas amam os animais, e que não é porque elas comem carne que elas são más ou desgostam deles. Para o músico, o problema é a ausência do reconhecimento de uma conexão entre as coisas, de reconhecer as implicações da exploração animal. “Acho que ignorância é uma bênção para muitas pessoas”, declarou.

Ele também disse que muita gente come comida vegetariana sem saber, sem vê-las como comida vegetariana; e que isso é a maior prova de que o vegetarianismo e o veganismo não estão realmente distantes de ninguém.

“Perdi o gosto pela carne. Não como carne há 17 anos. Lembro que olhei para o meu gato e pensei: ‘Cara, não posso comê-lo. Que diferença faria se fosse um gato pequeno ou uma vaca?’ E ocorreu-me que tudo está conectado e que eu não poderia mais contribuir com isso [a exploração animal]”, enfatizou em entrevista ao Cool Try, da Austrália.

Saiba Mais

Matt Skiba nasceu em McHenry, Illinois, em 24 de fevereiro de 1976. Ele fundou o Alkaline Trio em 1996.

Entre os anos de 1998 e 2013, Skiba lançou os álbuns “Goddamnit”, “Maybe I’ll Catch Fire”, “From Here to Infirmary”, “Good Morning”, “Crimson”, “Agony & Irony”, “This Addiction” e “My Shame Is True” com o Alkaline Trio.

Com o Blink 182, ele gravou o álbum “California” em 2016.

Referências

http://vegnews.com/articles/page.do?pageId=1716&catId=5

Interview: Matt Skiba (Alkaline Trio, Matt Skiba and The Sekerets)

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Johnny Marr: “Desde que escrevemos ‘Meat Is Murder’, nunca mais comi carne”

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“Eu não poderia ser hipócrita. Para ser honesto, não foi realmente um sacrifício [ficar sem comer carne]”

Johnny Marr: “Não teria sido certo para mim tocar essa música sem ser vegetariano”

Um dos fundadores da icônica banda britânica de rock The Smiths, Johnny Marr até hoje é citado como um dos mais importantes guitarristas dos anos 1980. Ao lado de Morrissey, ele gravou o álbum “Meat Is Murder”, que se tornou um símbolo para vegetarianos e veganos do mundo todo. Enquanto Morrissey assinava as letras das músicas, Marr se responsabilizava pela harmonia. A parceria durou cinco anos, e juntos gravaram quatro discos.

Em entrevista a John Hind, do The Guardian, publicada em 20 de novembro de 2016, Johnny Marr contou que desde que ele e Morrissey escreveram “Meat Is Murder”, ele nunca mais comeu carne. “Eu não poderia ser hipócrita. Para ser honesto, não foi realmente um sacrifício [ficar sem comer carne], disse em referência ao álbum lançado em 1985.

A faixa título, que crítica o consumo de carne, e ainda traz o apelo de uma pequena gravação de vacas mugindo em um matadouro, mudou a vida de muita gente. Enquanto Morrissey canta: “Morte sem razão é assassinato”, a guitarra de Johnny Marr chora ao fundo. Sem dúvida, “Meat Is Murder” é uma das composições mais intensas e perturbadoras escritas pelo The Smiths em sua curta e produtiva carreira.

Prova da força da música é que até hoje os fãs se aproximam de Johnny Marr para dizer que “Meat Is Murder” mudou completamente seus hábitos alimentares, e mais – suas vidas. Ele se orgulha de encontrar pessoas dizendo que se tornaram vegetarianas ou veganas por causa da composição, de acordo com informações publicadas no Clash Music em 27 de julho de 2010.

“Não teria sido certo para mim tocar essa música sem ser vegetariano. A coisa engraçada é que até então a minha única interação com os animais tinha sido algo como: “Espero que este cão não me morda”. […] Mas quando parei de comer animais, comecei a sentir mais empatia por eles”, declarou em entrevista publicada por Louise Wallis em 6 de agosto de 2011.

Johnny Marr se tornou vegano em 2005, quando se mudou para Portland, no estado do Oregon, nos Estados Unidos. Sobre essa decisão, ele justificou que gosta da ideia do progresso, de ser progressista.Portland tem uma atitude muito liberal e moderna, e alguns dos meus amigos lá já eram veganos. Estou feliz por ter entrado nessa. É muito mais fácil ser vegano nos Estados Unidos do que na Europa; há mais variedade cultural e, portanto, mais escolhas”, argumentou.

Questionado sobre o processo de composição de “Meat Is Murder”, Marr relatou que Morrissey deu o título e a letra da música e ele entrou com o sentimento. “Apareci com a melodia, que interpretei como sugestiva, contudo inquietante, e a banda captou isso em uma tarde de inverno em Liverpool. A senti intensa, mas estranhamente bela quando a criamos. Adoro essa faixa”, admitiu a Louise Wallis.

“Desistir dessas coisas [alimentos de origem animal] não significa sacrifício ou miséria para mim. Vejo isso como o oposto, é interessante. […] Todas essas coisas me tornaram mais focado e energizado. Toda a minha família é vegetariana. Angie [esposa] era vegetariana quando nos conhecemos. Eu tinha 15 anos, e ela 14. Era bem informada. Eu provavelmente teria me tornado vegetariano mesmo sem a música, suponho”, destacou.

Saiba Mais

Johnny Marr nasceu em Manchester, na Inglaterra, em 31 de outubro de 1963.

Ele gosta de comer salada com tofu, comida tailandesa, mediterrânea e mexicana, além de massas e muito espinafre.

Referências

https://www.theguardian.com/lifeandstyle/2016/nov/20/life-on-a-plate-johnny-marr-the-smiths

http://www.clashmusic.com/news/johnny-marr-talks-vegetarianism

Johnny Marr interview

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Lindsay Schoolcraft: “Vejo os animais como iguais [quanto ao direito à vida], enquanto os outros os veem como mercadorias”

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“Ser vegano é ter consciência de que você pode melhorar o planeta e a vida dos outros seres tomando decisões mais inteligentes de consumo”

Lindsay se tornou vegana em 2012 (Foto: Divulgação)

Vocalista e tecladista da banda inglesa de metal extremo Cradle of Filth, Lindsay Schoolcraft se tornou vegana em 2012. O que a fez refletir profundamente sobre a realidade da produção e do consumo de alimentos de origem animal foi o documentário “Food, Inc”, lançado em 2008 por Robert Kenner.

“Depois que assisti ‘Food, Inc’, me senti desconfortável com os produtos de origem animal. Na mesma época, comecei a aprender o que significava esse estilo de vida [veganismo]. Imediatamente, me livrei de tudo que eu possuía que era feito de animais, o que se resumia a um cinto de couro, produtos de beleza e produtos domésticos testados em animais. Me tornei vegana entre o Natal e o Ano Novo de 2012. Eu não gostaria de viver de outra maneira, e gostaria de ter feito isso mais cedo”, disse Lindsay em entrevista publicada pela Headbangers Lifestyle em 23 de fevereiro de 2016.

A vocalista canadense sempre gostou de animais, mas admite que a indústria tem a seu favor recursos que dissimulam a realidade no que diz respeito ao sofrimento e à exploração animal, o que faz com que as pessoas não “liguem os pontos”. “Para mim, ser vegano é ter consciência de que você pode melhorar o planeta e a vida dos outros seres tomando decisões mais inteligentes de consumo. É libertador saber que você tem esse tipo de controle, para si mesmo e para os animais que você beneficia com essas ações”, declarou à Liselotte ‘Lilo’ Hegt, do Headbangers Lifestyle.

Ela acredita que o veganismo tem se tornando mais comum e conquistado mais reconhecido no mundo do metal, o que a deixa mais confortável. “Quando me juntei ao Cradle of Filth, pensei que seria difícil, mas quanto mais shows fazemos, mais encontro refeições veganas disponíveis nos festivais, e geralmente quando saio em turnê sempre encontro outra pessoa vegetariana viajando com a gente”, relatou.

Por outro lado, é inevitável que haja oposição, mas Lindsay acredita que isso acontece em qualquer lugar. Quando alguém a confronta e tenta apontar alguma contradição no veganismo, por exemplo, alegando que não é uma filosofia de vida que faz a diferença no mundo, a cantora argumenta que, independente das pessoas aceitarem ou não, um fato é que o consumismo está cercado pela crueldade animal. “E eu escolho não me envolver com isso”, declarou em entrevista ao Logical Harmony em 2015.

Lindsay, que faz questão de pesquisar e conhecer o sistema de produção das próprias roupas, inclusive as usadas nos shows com o Cradle of Filth, destacou que quando alguém faz piada sobre o fato dela não se alimentar de animais, ela explica todo o processo até a carne e outros produtos de origem animal chegarem ao prato das pessoas.

“É libertador saber que você tem esse tipo de controle, para si mesmo e para os animais que você beneficia com essas ações” (Foto: Divulgação)

“Posso ser desagradável sobre isso de forma sarcástica [se eu for provocada]. Mas nunca tentarei forçar minha opinião porque acredito que você tem ou não tem compaixão. Não gosto de ser ignorante. Tudo que uso, coloco em meu corpo, gosto de saber onde veio. Vejo os animais como iguais [quanto ao direito à vida], enquanto os outros os veem como mercadorias. Se você estiver interessado, vou dizer tudo o que sei”, garantiu em entrevista a Levi Seth Buckley, do Sticks For Stones, em publicação de 9 de julho de 2015.

Lindsay contou que ficou muito feliz quando soube que suas duas cantoras favoritas – Ellie Goulding e Sia, são veganas. “Quando você conhece outro vegano é como conhecer um bom amigo pela primeira vez”, comentou com Tashina Combs, do Logical Harmony. Entre as cidades em que esteve e que hoje considera duas das melhores para os veganos, ela cita Glasgow, na Escócia, e Montreal, no Canadá.

“É tão fácil ser vegano nessas cidades. Amo comida asiática. Os vegetais e as especiarias são muito bem combinados”, revelou ao Local Harmony. Ao Headbanger Lifestyle, a vocalista e tecladista do Cradle of Filth também frisou que faz o possível para sensibilizar as pessoas sobre a importância dos santuários para animais que seriam mortos pela indústria alimentícia.

“Eles merecem nosso amor e respeito tanto quanto os animais de estimação. Faço o meu melhor para ajudar instituições de caridade que defendem os direitos animais. Eu gostaria de me envolver mais com esses tipos de campanha”, garantiu.

Saiba Mais

Lindsay Schoolcraft nasceu em Ontário, no Canadá, em 26 de fevereiro de 1986.

De 2007 a 2014, ela foi vocalista da banda Mary and the Black Lamb.

Lindsay tornou-se vocalista e tecladista da banda Cradle of Filth em 2013.

Em 2015, participou da gravação do disco “Hamer of the Witches”, do Cradle of Filth.

Referências

http://www.headbangerslifestyle.com/face-body/276/beauty-and-lifestyle-profile-with-lindsay-schoolcraft-keyboardist-and-female-vocalist-of-cradle-of-filth

http://www.sticksforstones.net/single-post/2015/07/09/Interview-Lindsay-Schoolcraft-CRADLE-OF-FILTH

An Exclusive Interview with Lindsay Schoolcraft from Cradle Of Filth

 

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Converge: “Uma dieta vegetariana é a resposta lógica ao mundo em que vivo”

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Bannon: “Me senti confortável o suficiente para tomar a decisão de parar [de me alimentar de animais]”

“Me eduquei sobre esse assunto e me obriguei a ler mais a respeito” (Foto: Divulgação)

Expoente do metalcore, a banda estadunidense Converge foi formada em 1990 pelo vocalista Jacob Bannon e pelo guitarrista Kurt Ballou, que entre os anos de 1994 e 2012 lançaram oito álbuns. Bannon é vegetariano e Ballou é vegano e, coincidência ou não, o metalcore, influenciado por eles, é um dos estilos musicais em que mais cresce a quantidade de músicos vegetarianos e veganos.

Em entrevista concedida à Hilary Pollack e publicada pelo Veg News em 6 de junho de 2013, Bannon contou que a adoção do vegetarianismo por questões morais ocorreu naturalmente, e a influência veio principalmente do punk rock. “Me eduquei sobre esse assunto e me obriguei a ler mais a respeito. Ao longo dos anos, descobri que uma dieta vegetariana funciona para mim, embora eu ainda esteja explorando as implicações morais e éticas disso”, disse.

O vocalista do Converge se tornou vegetariano aos 13 anos, e relatou que não teve nenhum problema na transição. Nem sentiu-se inseguro sobre isso. “Me senti confortável o suficiente para tomar a decisão de parar [de me alimentar de animais], e simplesmente fiz isso”, relatou em entrevista à organização Pessoas Pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta), publicada em 9 de abril de 2005.

Para Jacob Bannon, não é difícil considerar o mundo um lugar muito estranho se refletirmos sobre o fato de que a tecnologia deu origem a populações “avançadas” que constroem fazendas industriais e outros mecanismos não naturais de “coleta” e consumo de alimentos. “Esses são os dilemas morais e éticos que me levam à dieta de hoje. Uma dieta vegetariana é a resposta lógica ao mundo em que vivo”, afirmou ao Veg News.

O vocalista, que considera a corrida de galgos umas das formas mais abusivas de exploração animal, defendeu em entrevista à Peta que o melhor jeito de fazer com que as pessoas reflitam sobre a exploração animal é por meio de um trabalho educacional. “Educação é a chave. Sempre foi e sempre será. Há tanta informação lá fora. […] Alguém só precisa encontrar o ponto de partida para movê-los e guiá-los por um caminho que faça a diferença”, ponderou.

Questionado pelo Veg News se há uma ligação entre vegetarianismo, veganismo e o movimento punk rock, Bannon explicou que nesse cenário há um elemento de consciência social e ética. “O movimento dos direitos animais é algo que se encaixa bem nesse cenário”, declarou e acrescentou que há muitas pessoas envolvidas com o punk rock que estão sempre abertas a outras formas de pensar.

“Educação é a chave. Sempre foi e sempre será. Há tanta informação lá fora” (Foto: Divulgação)

À Peta, ele argumentou que a comunidade do punk rock é como um fórum aberto, onde ativismo e conscientização sempre fizeram parte das conversas envolvendo músicos e público. “É uma das coisas mais bonitas que essa comunidade tem a oferecer”, frisou.

Jacob Bannon admitiu que quando era mais jovem muitas vezes se envolveu em discussões e confrontos sobre vegetarianismo e veganismo, mas chegou a um ponto em que optou por seguir outro caminho.

“Neste momento da minha vida, não sinto necessidade de discutir sobre isso o tempo todo porque estou realmente confortável com minha decisão. É simplesmente uma parte de mim agora. Nunca vou forçar ninguém a nada, mas se houver uma curiosidade em relação ao que eu acredito e pratico, vou deixar alguém saber que há questões lá fora que as pessoas devem conhecer”, revelou.

Indagado sobre o que podemos fazer para melhorar a vida dos animais, ele sugeriu: “Se importe, mostre compaixão, tenha coração.”

Formação

Jacob Bannon – Vocalista e letrista

Kurt Ballou – Guitarrista e vocalista

Nate Newton – Baixista e vocalista

Ben Koller – Baterista

Saiba Mais

Jacob Bannon nasceu em 15 de outubro de 1976 em Boston, Massachusetts.

Kurt Ballou é vegano e os demais integrantes são vegetarianos.

Referências

http://vegnews.com/articles/page.do?pageId=5833&catId=7

https://web.archive.org/web/20050409051729/http://www.peta2.com/OUTTHERE/o-converge.asp

 

 
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While She Sleeps: “Tornar-se vegano sempre foi algo que esteve em nossas mentes”

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“Quando relacionamos a nossa preocupação com a nossa saúde e o protesto contra a crueldade animal, pareceu mais lógico e compassivo dar esse passo”

Aaran McKenzie: “Sempre fomos pessoas livres e espirituosas que se desviam dos valores convencionais” (Foto: Divulgação)

Formada em 2006, a banda inglesa de metalcore While She Sleeps traz na formação o baixista Aaran McKenzie, o guitarrista Sean Long, o vocalista Lawrence “Loz” Taylor, o guitarrista Mat Welsh e o baterista Adam “Sav” Savage. Em 2012, a banda foi eleita a melhor revelação britânica pela revista Kerrang!, após o lançamento do álbum “This is the Six”. Além de ter se tornado popular principalmente entre os jovens que gostam da fusão do heavy metal com o hardcore, outro fato que chama a atenção é que o While She Sleeps é uma banda vegana.

“Sempre fomos pessoas livres e espirituosas que se desviam dos valores convencionais. A maioria de nós na banda foi vegetariano por 4 a 23 anos. Por isso, tornar-se vegano sempre foi algo que esteve em nossas mentes. Então, quando relacionamos a nossa preocupação com a nossa saúde e o protesto contra a crueldade animal, e as fazendas industriais, pareceu mais lógico e compassivo dar esse passo”, disse Aaran McKenzie em entrevista ao Vegan Blatt.

Em vídeo gravado para a Organização Pessoas Pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta) e publicado no YouTube em 3 de dezembro de 2015, Aaran e Sean relataram que sempre odiaram a crueldade contra os animais, e citaram o documentário “Earthlings” como referência para quem quiser conhecer a realidade da exploração animal. “Eu disse, ok, é isso, chega!”, declarou o baixista e membro-fundador do While She Sleeps depois de assistir ao documentário.

“Estamos tentando conscientizar as pessoas sobre toda essa merda que acontece à nossa volta” (Foto: Divulgação)

Ao Vegan Blatt, Aaran contou que o estilo de vida dos integrantes é uma forma de deixar claro que eles não são tolerantes com as atrocidades do mundo, e que esse posicionamento é algo que endossa a mensagem que a banda quer passar para as pessoas. “Não especificamos isso em um sentido literal, mas, como um todo, estamos tentando conscientizar as pessoas sobre toda essa merda que acontece à nossa volta”, informou McKenzie.

Os integrantes do While She Sleeps preferem não confrontar as pessoas. O caminho escolhido por eles é o de servir como inspiração simplesmente vivendo o veganismo ou falando sobre o assunto quando vier à tona naturalmente. “Um dia, alguém veio até mim e disse: ‘Se Deus não quisesse que comêssemos os animais, então por que ele não os fez sem carne?’ Eu não tenho nada a dizer a pessoas como essa”, afirmou.

Saiba Mais

O While She Sleeps foi fundado em Sheffield, na Inglaterra.

Entre os anos de 2012 e 2017,  eles lançaram os álbuns “This is the Six”, “Brainwashed” e “You Are We”.

Referências

https://www.veganblatt.com/while-she-sleeps-vegane-metalcore-band

http://www.peta.org.uk/blog/while-she-sleeps/

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Carnist: “A verdade é que comer carne tem um grande custo, e o custo é sempre afastado dos olhos das pessoas”

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A chapa de carne que se encontra diante de você, você se importa de onde veio?”

Em 2013, eles estrearam com o álbum “Unlearn” (Foto: Divulgação)

Fundada em 2013, a banda inglesa de hardcore Carnist se pauta em questões envolvendo veganismo e direitos animais, além de outros assuntos que o quarteto julga como relevantes na discussão sobre a exploração animal. Embora o grupo não seja antigo, o Carnist surgiu por iniciativa de integrantes das bandas Shels, Plague Mass, Unquiet Grave, Momentum, Light Bearer e Fall of Efrafa. Em 2013, eles estrearam com o álbum “Unlearn”, que fala sobre o conceito de desaprender normas sociais e traços culturais que são contrários à natureza humana.

“Ou seja, a nossa atitude em relação aos animais [tanto não humanos quanto humanos], que não se encaixam nas ideias sufocantes, arcaicas e claustrofóbicas do que é ser humano”, explica o Carnist, que tem como principais influências bandas como Dropdead, Trial, Propagandhi, Infest, Siege e Protestant. Em tom bem-humorado, eles dizem que o som da banda, que tem uma pegada crust, é melhor apreciado acompanhado de uma xícara de chá.

Em entrevista ao The New Noise, da Itália, em fevereiro de 2014, o vocalista Alex informou que não se sente especial por ser vegano. Também não vê o veganismo com algo particularmente virtuoso. “Realmente sinto que alguém de mente sã, uma vez que conseguisse digerir a informação que está livremente disponível, iria procurar eliminar o abuso animal de sua vida. Infelizmente esse sistema trabalha ativamente para ocultar e distorcer todo o processo, inclusive propagando desinformação”, criticou.

Na música “Eating Children”, do álbum “Unlearn”, Alex canta: “A chapa de carne que se encontra diante de você, você se importa de onde veio? O pedaço de músculo, atado com veias; uma carne de bebê cortada de seus membros.” Também com o objetivo de chamar a atenção para a crua realidade da exploração animal na indústria alimentícia, o Carnist lançou em 2016 o disco “Hellish”, que tem como capa a imagem de porcos sendo executados em um matadouro.

Capa do disco lançado em 2016 (Foto: Reprodução)

“Queríamos mostrar às pessoas uma verdade, e a verdade é que comer carne tem um grande custo, e o custo é sempre afastado dos olhos das pessoas. A foto é grotesca em sua exibição do assassino humano sem rosto, a trágica falta de respeito, o medo dos porcos que têm de testemunhar seu companheiro caído. Isso apresenta o inferno da indústria da carne de modo eloquente, penso”, avaliou Alex em entrevista ao Metalorgie em setembro de 2016.

A ideia do nome, “Carnist”, é uma referência ao carnismo, sistema de crença invisível, também definido como ideologia, que, segundo a psicóloga social Melanie Joy, condiciona as pessoas a comerem alguns tipos de animais. O termo foi concebido por ela em sua dissertação de doutorado em 2001, e se tornou popular por meio do livro “Why We Love Dogs, Eat Pigs, and Wear Cows”, ou seja, “Por Que Amamos Cachorros, Comemos Porcos e Vestimos Vacas”, publicado em 2009.

Saiba Mais

Todos os integrantes do Carnist são veganos.

Caso queira comprar a camiseta do Carnist, acesse:

http://doomrock.com/Band-Merch-Clothes/Bandmerch/Shirts/Carnist-Hellish-Shirt::1301.html?XTCsid=93e680a6a7da998e0f1e744595ba30a7

Referências

http://www.metalorgie.com/interviews/1356_Alex-CF-Fall-Of-Efrafa-Light-Bearer-Morrow-Anopheli_Par-Email

http://no-pasaran.org/label/artists/detail/detail/carnist-ukat/

https://www.discogs.com/artist/3661813-Carnist

http://www.chaosruralrecords.com/store/carnist_hellish_10_inch

CARNIST

Crusty doom hardcore band CARNIST streaming “Hellish” 10” in full!


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Alissa White-Gluz: “Você não tem que ser parte do sistema e parte da crueldade [contra os animais]”

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“Sou vegana porque sei que é possível ter uma vida totalmente feliz e saudável sem prejudicar ninguém”

Alissa é vegetariana desde que nasceu e depois tornou-se vegana (Foto: Divulgação)

Vocalista da banda sueca de death metal Arch Enemy, a canadense Alissa White-Gluz é vegetariana desde que nasceu, o que significa que ela jamais consumiu qualquer tipo de carne. A justificativa é que ela foi educada desde muito cedo a respeito do fato de que produtos de origem animal significam a exploração e a morte de seres vivos sencientes. “Sempre fui vegetariana, e ser vegana foi o próximo passo lógico [em 1999]. E no que diz respeito a ser straight edge, bem, se eu me importo o suficiente com a minha vida em geral, por que eu iria querer envenenar o próprio veículo que me permitiu viver – meu corpo?”, disse em entrevista ao Metal Horizons em abril de 2013.

Em junho de 2014, ela participou de um vídeo da organização Pessoas Pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta) em que ela foi questionada se era difícil ser vegana. “Absolutamente, não. Seria difícil não ser vegana”, respondeu e acrescentou que a razão pela qual ela é tão apaixonada pelo veganismo é porque é uma filosofia de vida que beneficia os animais, o meio ambiente, os seres humanos em várias partes do mundo e a sua própria saúde. “Fico feliz em ajudar qualquer pessoa interessada nesse estilo de vida”, declarou.

Para quem tem dificuldade em perceber o que existe de positivo em ser vegano, a vocalista do Arch Enemy e ex-vocalista do The Agonist (2004-2014) pede que as pessoas façam uma pesquisa na internet quando tiverem algum tempo disponível. “Os fatos estão lá, é apenas uma questão de aceitar a realidade e ser parte da solução em vez do problema, afirmou à Peta.

Na definição de Alissa, o veganismo é um estilo de vida que envolve fazer um esforço consciente para se certificar de não comprar produtos como alimentos, vestuário e  cosméticos – entre outros que envolvam privação, sofrimento e morte de animais. “Sou vegana porque sei que é possível para mim ter uma vida totalmente feliz e saudável sem prejudicar ninguém”, justificou em entrevista publicada pela Revolver Mag em 31 de dezembro de 2014.

Ela também qualifica o veganismo como o grande motivador de tudo que ela faz em sua vida; um catalisador para a sua paixão pela música e por escrever letras. Ter alcançado um certo nível de notoriedade é visto por Alissa como um grande presente, porque dessa forma ela pode compartilhar informações com o seu público que não são divulgadas pela grande mídia.

“Tenho grande interesse em direitos animais, então compartilho o que é do meu interesse. Não espero que todos se tornem veganos durante a noite, e não espero que ninguém seja perfeito. Mas se for possível despertar um pouquinho de consciência, mesmo algo tão simples como alguém evitando carne uma vez por semana ou não comprando cosméticos testados em animais mais, ou optando por peles falsas em vez de peles de verdade…isso seria uma grande vitória para mim”, enfatizou em entrevista publicada pelo Brave Words em 25 de março de 2013.

““Tenho grande interesse em direitos animais, então compartilho o que é do meu interesse” (Foto: Divulgação)

Alissa White-Gluz diz que todos estamos presos em um estado coletivo de condicionamento, mas que se abrirmos os nossos olhos para a realidade, como aquela que envolve a exploração animal, imediatamente começaremos a nossa fuga. É justamente por isso que Alissa e os outros membros da banda de death metal canadense The Agonist, chamavam seus fãs de “Prisoners” ou “Prisioneiros” – porque somos pessoas em necessidade de despertar. “Você não tem que ser parte do sistema e parte da crueldade [contra os animais]. Você pode trabalhar contra isso”, recomendou em entrevista ao Brave Words.

Ela também vê como positivo o crescimento do veganismo no cenário do heavy metal. Cita como exemplo o fato de estar se tornando difícil encontrar uma banda de metal que não tenha pelo menos um vegetariano ou vegano.

“Tenho sido vegana desde antes de fazer metal. Então isso é 100% do que sou e está 100% gravado na minha personalidade. Sou uma ativista dos direitos animais e dos direitos humanos, mas, você sabe, eu também sou uma música. Então, quando se trata de letras, é claro, me expresso sobre isso. Mas é um campo diferente. Música é arte, e eu acho legal incluir uma mensagem dentro da arte, mas não é a única coisa em que penso quando estou interpretando ou escrevendo”, revelou ao Metal Inside em entrevista publicada em 29 de maio de 2014.

Saiba Mais

Alissa White-Gluz, que é vegana desde 1999, nasceu em 31 de julho de 1985 em Montreal, no Canadá.

Ela é membro-fundadora da banda canadense The Agonist, com quem gravou os álbuns “Once Only Imagined, de 2007; “Lullabies for the Dormant Mind”, de 2009; e “Prisoners”, de 2012.

Com o Arch Enemy, Alissa gravou o álbum “War Eternal”, de 2014; e o EP “Stolen Life”, de 2015.

Foi ela que incentivou o namorado Doyle Wolfgang Von Frankenstein, icônico guitarrista do Misfits, a tornar-se vegano.


Referências

http://www.metalhorizons.com/2013/04/interview-time-with-alissa-white-gluz.html

http://www.metalinside.de/interview/arch-enemy-alissa-white-gluz-about-war-eternal-linup-changes-and-psychedelic-dreams

http://www.revolvermag.com/news/arch-enemys-alissa-white-gluz-on-veganism-and-how-to-sing-with-a-broken-rib.html

http://bravewords.com/news/the-agonist-vocalist-alissa-white-gluz-veganism-is-what-drives-me-to-do-everything-in-life

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Doyle von Frankenstein, o guitarrista do Misfits que se tornou vegano por respeito aos animais

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“Gosto de animais, então foi difícil assistir isso. Sou muito mais saudável [agora]. Sinto que é ético. Não é apenas por razões de saúde”

Doyle se tornou vegano em 1º de janeiro de 2014 (Foto: Jeremy Saffer)

Lendário guitarrista do Misfits, uma das bandas que criou e moldou o horror punk, Doyle Wolfgang von Frankenstein ingressou no mundo da música em 1980, por influência do seu irmão, o baixista Jerry Only, e do vocalista Glenn Danzig, que o ensinaram a tocar guitarra. De lá para cá, ele gravou álbuns que se tornaram clássicos, como “Walk Among Us” e “Evilive” de 1982; “Earth A.D./Wolfs Blood, de 1983; e “American Psycho”, de 1997.

Ao longo dos anos, Doyle se tornou uma das faces do Misfits, e não apenas por causa do estilo macambúzio que remete aos clássicos filmes de terror, mas também por sua personalidade irreverente e pelo bom condicionamento físico preservado mesmo depois de décadas.

Acostumado a consumir muita proteína de origem animal, no dia 1º de janeiro de 2014 o icônico guitarrista do Misfits, que segue em carreira solo desde 2007, decidiu tornar-se vegano, o que surpreendeu muita gente, principalmente quem conhecia o seu trabalho, mas acreditava que veganismo e ganho ou manutenção de massa muscular não é uma boa combinação.

A transição dele foi incentivada pela namorada Alissa White-Gluz, vocalista da banda
sueca de death metal Arch Enemy, que já era vegana há muito tempo e jamais consumiu carne, de acordo com uma entrevista feita com Doyle pelo The Vintage Vegans e publicada em 25 de maio de 2016.

Antes de se tornar vegano, sempre que o guitarrista saía com Alissa, eles iam a algum restaurante vegano, e aos poucos ele foi conhecendo um novo universo de possibilidades alimentares. Quando experimentava algo novo, Doyle se surpreendia com o sabor.

“Então ela me mostrou o que eles fazem com os animais, e todas essas malditas fábricas, e como somos uns fodidos para eles [os animais]. Gosto de animais, então foi difícil assistir isso. Sou muito mais saudável [agora]. Sinto que é ético. Não é apenas por razões de saúde”, afirmou em entrevista ao Village Voice em 4 de maio de 2015.

Ele também comentou que desde então não quer deixar “uma trilha de morte e destruição” – em referência ao consumo de produtos que envolvem exploração animal. Um dos alimentos preferidos de Doyle é o seitan, inclusive é uma das suas mais importantes e preferidas fontes de proteínas. ‘Sou um adorador de seitan. Alissa e eu o preparamos muitas vezes em casa. É feito de glúten de trigo vital, muito rico em proteínas. Também tomo suplemento proteico”, revelou ao Vintage Vegans.

“Costumo dizer que os veganos é que são os caçadores” (Foto: Divulgação)

Quando está excursionando com sua banda solo, Doyle usa um aplicativo chamado Happy Cow para localizar restaurantes veganos ou que ofereçam pratos vegetarianos. “Costumo dizer que os veganos é que são os caçadores”, comentou em tom bem-humorado ao Vintage Vegans. O guitarrista garante que o veganismo já faz parte de todos os aspectos de sua vida, tanto que, segundo ele, até mesmo a maquiagem usada no palco é vegana – clown White, da marca Mehron.

Em entrevista à News Noise Magazine em 13 de março de 2017, Doyle von Frankenstein deixou claro que por enquanto não pretende abordar o veganismo em suas músicas, mas nem por isso deixa de motivar os mais jovens a seguirem por esse caminho. Na entrevista à News Noise, Gen Handley brincou com o guitarrista, perguntando se homens de verdade comem carne. Com a sua típica irreverência, ele respondeu: “Não…homens de verdade são veganos, obviamente.”

Saiba Mais

Doyle Wolfgang von Frankenstein nasceu em 15 de setembro de 1964 em Lodi, New Jersey.

Em 2005, Doyle fundou o Gorgeous Frankenstein, que lançou um disco homônimo em 2007. Mais tarde, ele mudou o nome da banda para Doyle, e lançou o álbum “Abominator” em 2013. Este ano, ele vai lançar o álbum “As We Die”.

Em 1990, ele, Jerry Only, The Murp, Jeff Scott Soto e Dave Sabo gravaram o EP “Deliver Us From Evil”, sob o nome Kryst the Conqueror – projeto fundado por Jerry e Doyle.

Referências

http://www.villagevoice.com/music/sex-knives-and-veganism-ten-things-you-didnt-know-about-doyle-from-the-misfits-6630114

Interview With Doyle of the Misfits

Doyle Home

Doyle Wolfgang von Frankenstein: “Real Men Don’t Eat Meat”

 

 


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Mille Petrozza, um vegano no cenário mundial do thrash metal

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“Há um movimento veggie no metal hoje em dia e está ficando maior”

“Piadas idiotas, sexismo, bifes e barbecue – o tratamento completo. Tento evitar esse tipo de companhia” (Foto: Reprodução)

Vocalista e guitarrista de uma das maiores bandas de thrash metal da Europa, o alemão Mille Petrozza leva uma vida pacata e caseira quando não está excursionando com o Kreator. Ele fala com orgulho do dia em que preparou um seitan schnitzel para os seus pais. Eles aprovaram e admitiram que não perceberam que não havia carne no prato. “Acho que sou um cozinheiro razoável. Pelo menos foi o que ouvi”, contou em tom de modéstia.

Vegano há anos, Petrozza vê com bons olhos o crescimento do movimento vegetariano/vegano no cenário do metal. “Piadas idiotas, sexismo, bifes e barbecue – o tratamento completo. Tento evitar esse tipo de companhia, mas para a minha sorte a maioria das pessoas são pelo menos respeitáveis [em relação ao fato de ser vegano]. Há um movimento veggie no metal hoje em dia e está ficando maior”, declarou na entrevista “Welcome to Health – A Vegetarian/Vegan Special”, publicada pelo Voices From the Dark Side.

Para o alemão, há uma série de motivos para alguém ser vegano – direitos animais, meio ambiente e até mesmo a saúde, que acaba por ser um bônus. “Está tudo conectado”, comentou. Praticamente distante do álcool, que ele há muito tempo só consome ocasionalmente, o vocalista e guitarrista explicou que não compra nem usa nada feito a partir de couro animal. “Só tomo algum tipo de medicamento [farmacêutico] em último caso”, garantiu ao Voices From the Dark Side.

Mille Petrozza disse que evita “forçar” seu posicionamento sobre os outros, mesmo quando eles falam da “teoria da vaca feliz” – animais que são criados “felizes” até o dia de serem mortos e reduzidos à comida. Mas há situações em que ele admite que é difícil ficar calado. “Já ouvi muitas piadas estúpidas sobre veganos. Se pelo menos fossem engraçadas, eu riria delas. Tento não fazer disso um problema, mas às vezes uma discussão acaba sendo inevitável”, confidenciou.

Além de já ter participado de campanhas da Peta2, em defesa dos direitos animais, ele e sua esposa escrevem para a revista vegana alemã “Kochen ohne Knochen”, que significa “Cozinhando sem Ossos”. “O cara que a dirige é meu amigo, dono da Ox Magazine, a principal revista de hardcore da Alemanha. Também foi um dos primeiros a publicar livros de receitas vegetarianas. Eu meio que o inspirei a se tornar vegano, o que é uma coisa boa, então Kochen ohne Knochen agora é vegana ao invés de vegetariana. Uma grande revista, se você puder ler em alemão”, garantiu em entrevista a Noisey – publicada em 25 de janeiro de 2017.

Questionado se é muito difícil conseguir comida vegana quando está em turnê, Petrozza explicou que normalmente isso não é um problema. “Há uma lista bem detalhada, inclusive com sugestões para aqueles que nunca ouviram falar sobre veganismo antes. 95% das vezes, os organizadores tomam conta de tudo. Mas em uma turnê com quatro bandas e 30 pessoas, às vezes eu sou o único vegano, o que não torna as coisas muito fáceis”, revelou na entrevista “Welcome to Health – A Vegetarian/Vegan Special”.

Petrozza: “Já ouvi muitas piadas estúpidas sobre veganos. Se pelo menos fossem engraçadas, eu riria delas” (Foto: Reprodução)

Mas, se algo der errado, o alemão come nozes, ou simplesmente sai para comprar a sua própria comida, tendo como auxílio o aplicativo Happy Cow, que o ajuda a encontrar locais que preparam pratos vegetarianos. Outra preocupação do músico é a qualidade dos alimentos. “Eu costumava ter o meu próprio pedaço de terra em uma fazenda orgânica. Hoje, faço compras na Vegan Wonderland, que é uma loja de vendas online”, frisou.

Fã de comida indiana, ele criticou que muitas pessoas ainda são vítimas da propaganda da indústria da carne e da indústria farmacêutica. E essas mesmas pessoas já o criticaram por ser vegano, alegando que é loucura não comer carne e outros alimentos de origem animal. “Faça o seu trabalho de casa antes de vir me falar alguma coisa. O engraçado é que a maioria das pessoas que fazem isso não sabem nada sobre comida em geral”, desabafou.

De acordo com o músico, há muita gente ignorante em relação à alimentação. Por isso, quando se sentem mal, dificilmente relacionam isso com seus maus hábitos alimentares. “A comida errada pode causar doenças muito sérias, você pode se tornar diabético. O que você coloca dentro do seu corpo causa isso. Quando estou em turnê, boa comida vegana é a chave para me manter feliz, nivelado e ter energia para dar o meu melhor no palco”, afirmou a Mark Kadzielawa, do 69 Faces of Rock, em outubro de 2012.

Mille Petrozza, que não descarta a possibilidade de um dia criar um hino vegano do Kreator, já levou a questão dos direitos animais para o cenário do heavy metal. Em 2001, a banda lançou o álbum “Violent Revolution”, que traz uma música homônima que ganhou um clipe bem produzido criticando a exploração de animais. No vídeo, eles apresentam uma inversão de papéis, em que seres humanos se tornam vítimas de vivissecção, são enviados para o abate e embalados – numa analogia às bandejas de carne disponíveis em mercados e açougues.

“[O vídeo] foi uma ideia do diretor, mas se encaixa perfeitamente. Filmamos em uma fábrica em Döner-Kebab, e o cheiro era muito desagradável. Ainda é um dos meus vídeos favoritos”, disse ao Voices from the Dark Side. Entre os veganos e vegetarianos que conheceu em turnê com o Kreator, Petrozza cita todos os integrantes do Heaven Shall Burn, alguns do Caliban, John Joseph, do Cro-Mags, e Barney Greenway, do Napalm Death.

Entre as músicas que têm os direitos animais como temática, Petrozza qualificou “Murder”, da banda inglesa de grindcore Extreme Noise Terror como um clássico. A música que faz parte do álbum “A Holocaust in Your Head”, de 1989, fala que 450 milhões de animais eram assassinados a cada ano na Grã-Bretanha, e tudo isso para descer pela garganta e sair pela bunda das pessoas.

Em entrevista publicada pela Noisey em 25 de janeiro de 2017, perguntaram ao vocalista do Kreator o que ele achou da declaração de Donald Trump, alegando que a crise climática, que segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) tem como agravante a agropecuária, é uma farsa.

“Pessoas estão morrendo por causa do aquecimento global, há provas científicas. É outra das coisas estranhas que Trump diz, uma daquelas coisas que não fazem sentido no mundo real. Talvez faça sentido no mundo de Trump. Mas no mundo real, isso é um problema concreto”, respondeu.

Mille Petrozza acredita que o número de pessoas aderindo ao veganismo cresce a cada dia, o que é algo extremamente positivo, embora ele seja cético sobre a possibilidade de ter a chance de viver em um mundo vegano.

Saiba Mais

Mille Petrozza nasceu em 18 de dezembro de 1967 em Essen, na Alemanha.

O Kreator foi fundado em Essen em 1982. Entre os anos de 1985 e 2017, a banda lançou 14 álbuns.

Referências

http://www.voicesfromthedarkside.de/Specials/WELCOME-TO-HEALTH-A-VEGETARIAN-VEGAN-SPECIAL–7789.html

https://noisey.vice.com/en_ca/article/kreators-mille-petrozza-is-still-the-angriest-vegan-in-metal

http://www.blabbermouth.net/news/kreator-frontman-we-always-try-to-re-invent-ourselves-on-every-record/

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Written by David Arioch

March 27, 2017 at 9:45 pm

Deadlock: “Os animais não podem falar, mas nós podemos”

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“Discordo do preço e da taxa que esses seres têm que pagar para podermos festejar e comer”

“O Deadlock é uma banda vegana e sempre escreve sobre direitos animais e coisas do tipo” (Foto: Divulgação)

Criada em Schwarzenfeld, na Alemanha, em 1997, a banda de death metal melódico Deadlock é formada por músicos que não apenas seguem o veganismo como filosofia de vida, mas também o colocam como prioridade nas letras do grupo.

“O Deadlock é uma banda vegana e sempre escreve sobre direitos animais e coisas do tipo. Sei que pode parecer um ponto de vista extremo, mas queríamos fazer um paralelo com a indústria da exploração animal”, disse o guitarrista Sebastian Reichl em entrevista a Peter Woods, publicada em 3 de agosto de 2016 no Ave Noctum.

Em 2008, a banda lançou o álbum “Manifesto”, inteiramente dedicado à questão dos direitos animais. Ao final da música “Deathrace”, ou “Corrida Mortal”, escrita pelo guitarrista Sebastian Reichl e pelo baterista Tobias Graf, começa um rap com duração de dois minutos falando sobre como os animais são tratados pela indústria da exploração animal e como as pessoas fecham os olhos para essa realidade.

“Os animais não podem falar, mas nós podemos…Olhe para o pico da evolução do líder da cadeia alimentar. Imagine que todos vocês eram canibais e a humanidade o gado do gado, bloqueado em uma caixa pequena o suficiente para entrar em estado de descontrole e violência. […] Discordo do preço e da taxa que esses seres têm que pagar para podermos festejar e comer”, criticam.

Em “Slaughter’s Palace”, ou “O Palácio da Matança”, o Deadlock conta a história de um garoto que não gostava de ir para a escola e também não se considerava bom nos estudos. Sem amigos ou qualquer outra coisa para fazer, um dia ele assistiu seu pai trabalhando como açougueiro e decidiu seguir a mesma profissão. “Não me culpe por matar animais, porque o gado é criado apenas para fazer parte da nossa cadeia alimentar”, justifica o personagem na música, que vê sua função como resultado da demanda criada pela população.

““Temos um relacionamento muito próximo com a natureza” (Foto: Divulgação)

A música “Seal Slayer”, ou “Matador de Focas”, que também faz parte do álbum “Manifesto”, chegou a ser gravada com o título de “Kill, Kill, Kill” para uma campanha de combate a caça às focas. “Eu ainda me lembro como foi matar pela primeira vez, eu devo ter batido cem vezes. E a neve ficou toda vermelha”, diz a letra.

Em entrevista ao Lords of Metal, o então vocalista do Deadlock, Johannes Prem, declarou que acharia melhor morrer do que sustentar uma família com o dinheiro conquistado por meio do sangue e da pele de lindos filhotes. “É inacreditável o quão brutal esses bastardos tratam e torturam bebês focas”, desabafou.

John Gahlert, que era baixista da banda desde 2009 e assumiu como vocalista em 2011, relatou a Kyle McGinn, do Dead Rhetoric, que o álbum “Manifesto” foi lançado como um elemento fundamental na formação da identidade vegana da banda. “Desde o lançamento desse álbum, trabalhamos com frases simbólicas em nossas letras, e há combinações de palavras que você pode encontrar em todos os nossos álbuns. São frases típicas que usamos e vamos continuar usando, porque têm um significado para aqueles com um background vegano”, justificou.

Ao All About The Rock, Gahlert enfatizou que o veganismo está se tornando cada vez mais bem aceito, o que é muito bom também para a banda, já que eles sempre deixaram claro para o público que os direitos animais é um tema prioritário, independente de críticas.

“Temos um relacionamento muito próximo com a natureza. Todos temos smartphones, mas ainda somos hippies [risos]. Quando a banda começou, foi num momento em que o movimento vegano era pequeno na Alemanha. Nosso baterista Tobias [Graff] tinha criado a primeira distribuidora vegana [online] por atacado [na Alemanha]. É um trabalho pioneiro no movimento vegano, e é por isso que o Deadlock estava mais associado com a palavra vegan do que agora”, explicou a Kyle McGinn, do Dead Rhetoric, em 7 de agosto de 2016.

Analisando todos os álbuns do Deadlock, desde o “The Arrival” de 2002, ao “Hybris”, de 2016, é fácil perceber que a questão mais pertinente levantada pela banda é a forma como a humanidade está lidando com os animais, e se ela tem condições de enxergar um futuro livre da crueldade contra seres vivos não humanos. “Claro que todos vivemos na mesma sociedade e somos peças pequenas de uma roda gigante, mas se você tem a possibilidade de dizer o que pensa, você deve fazer isso”, recomendou o vocalista John Gahlert em entrevista ao Infernal Masquerade publicada em 6 de agosto de 2013.

Formação

John Gahlert – Vocalista

Margie Gerlitz – Vocalista

Sebastian Reichl – Guitarra e teclado

Ferdinand Rewicki – Guitarra

Werner Riedl – Bateria

Saiba Mais

Entre os anos de 2002 e 2016, o Deadlock lançou os álbuns “The Arrival”, “Earth Revolt”, “Wolves”, “Manifesto”, “Bizarro World”, “The Arsonist”, “The Re-Arrival” e “Hybris”.

Em 4 de setembro de 2014, o baterista Tobias Graf faleceu em decorrência de um câncer.

Em 2016, a vocalista Sabine Scherer saiu do Deadlock e em seu lugar entrou a vocalista Margie Gerlitz.

Referências

http://allabouttherock.co.uk/deadlock-interview/

Interview – Deadlock

Deadlock – On Perseverance

http://www.lordsofmetal.nl/en/interviews/view/id/2411

http://www.roomthirteen.com/features/149/Deadlock_Interview.html – 2 de junho de 2005

http://www.infernalmasquerade.com/?q=other/002561-interview-deadlock-john-gahlert-2013

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