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Augusto Cury apoiar Flávio Bolsonaro deveria surpreender alguém?
Augusto Cury apoiar Flávio Bolsonaro deveria surpreender alguém? O cara é autor de autoajuda, defende que os problemas não são estruturais e sim individuais. Ou seja, uma questão de vontade e mentalidade.
Ele é a personificação da negação de que devemos mudar estruturas e sim atribuir falhas e problemas a uma questão individual. “Se você não venceu, a culpa é sua. Falta mentalidade, falta foco, falta disciplina, falta ‘gestão da emoção’.” O mundo é apresentado como um terreno neutro onde cada um colhe o que planta.
Nessa lógica distorcida e falsa, não há estruturas, não há desigualdade, não há privilégio. Há apenas indivíduos e suas escolhas. A literatura de autoajuda, assim como a posterior cultura coach, vieram para validar o neoliberalismo, que é o que a direita bolsonarista abraçou desde sempre para ter poder econômico também para fazer sua guerra cultural e falsear narrativas.
É no neoliberalismo que Cury e o bolsonarismo se encontram – porque os dois são dependentes dele e não querem deixar de alimentá-lo e promovê-lo, porque eles não apenas prosperam, como só podem existir a partir dele. Afinal, se as pessoas tiverem mais consciência social, questionarem mais as desigualdades e entenderem como tudo isso envolve olhar para os problemas estruturais, e não isoladamente para os indivíduos, nem Cury nem os Bolsonaro prosperam.
A autoajuda e o bolsonarismo compartilham o solo da individualização dos problemas estruturais, da responsabilização do indivíduo pela própria situação; e no caso, do bolsonarismo, que é um emaranhado de contradições, também da invenção do inimigo, de um bode expiatório – de colocar oprimido contra oprimido; mas sem que um deles se veja como oprimido porque reivindica também, e até sem perceber, o lugar de oprimir.
Flávio Bolsonaro teve esmagadora maioria de votos em cidade de SC com má fama associada ao neonazismo
Timbó (SC), uma das cidades onde Flávio Bolsonaro teve proporcionalmente mais votos (76,5%), possui registros históricos e ocorrências policiais recentes relacionados ao neonazismo. Estudos históricos também apontam que a primeira seção oficial do Partido Nazista no Brasil foi fundada na região de Timbó, em 1928, chegando a contar com centenas de membros filiados nas décadas de 1920 e 1930.
Em setembro de 2021, a Polícia Civil de Santa Catarina encontrou uma fábrica clandestina de símbolos nazistas em Timbó. O local funcionava em dois contêineres e produzia bustos de Adolf Hitler, bandeiras, insígnias, canecas e peças com a suástica. Na mesma operação policial de 2021, foi localizado um bar na cidade decorado com imagens e forte simbologia ligada ao regime nazista e ao supremacismo.
As investigações da Justiça de SC apontaram que os objetos produzidos na cidade abasteciam um site de comércio eletrônico focado em militaria e materiais de extrema direita. Esses episódios colocaram o município de forma recorrente nos relatórios de monitoramento de células extremistas e neonazistas no Sul do Brasil realizado por forças de segurança e pesquisadores.
É preciso parar de eleger quem legisla para os mais ricos
Lula e Haddad têm falado a cada ano sobre o esforço para tributar os ricos. Daí o governo envia para o Congresso uma pauta que só pode avançar passando pelo Congresso. O ponto é que as pessoas elegem exatamente para o Legislativo uma maioria que atua em favor da elite econômica porque é dela que recebe financiamento, apoio e privilégios. E por isso, jamais atuará contra os interesses dela. Então o governo fica de mãos atadas, e não consegue desonerar impostos sobre as classes baixas e médias.
Daí os políticos que antagonizam o governo fazem o jogo da falsidade, tão comum a eles. Culpam o governo por algo que eles mesmos fazem de tudo para impedir que avance. E desta vez elegeram um Congresso muito pior em matéria de trabalhismo e economia. Não por acaso, os ricos pagam menos da metade de impostos que a classe média, e a diferença é ainda maior em relação às classes mais baixas. Continuem votando na direita e no neoliberalismo.
E o mais bizarro é que, enquanto isso, muita gente está ignorando projetos reais de transformação (políticas que melhorariam a vida da população) para se engajar em pautas de costumes fabricadas para distorcer o debate. E não percebem o quanto isso é conveniente para ofuscar os assuntos que deveriam ser a verdadeira prioridade: salário digno, alimentação de qualidade, saúde, moradia, educação, etc. A guerra cultural da direita não é um acidente. É uma cortina de fumaça. E quem lucra com ela é quem não quer que a população olhe para o andar de cima.
O Bolsa Família sobrecarrega os trabalhadores?
Uma mulher compartilhou que o Bolsa Família sobrecarrega os trabalhadores – uma narrativa que tem sido muito explorada pela direita bolsonarista nas redes sociais.
Enquanto o Bolsa Família deve movimentar R$ 158 bilhões em 2026 (destinados a cerca de 19,9 milhões de famílias), os ricos no Brasil, por meio do forte lobby no Congresso, terão uma renúncia fiscal de R$ 903 bilhões.
Desse total, a Unafisco classifica pelo menos R$ 618 bilhões como “privilégios tributários” – benefícios sem contrapartida econômica ou social comprovada. A diferença entre os valores é brutal.
Enquanto o Bolsa Família passa por supervisão e fiscalização, a renúncia que beneficia os ricos carece muito mais de transparência, operando como um “orçamento paralelo” sem a mesma vigilância.
A mulher que compartilhou a mensagem atacando o Bolsa Família não é rica. Ela é da classe trabalhadora. E ela está defendendo, sem saber, os interesses de quem realmente tira dinheiro dela: os bancos, os rentistas, os grandes empresários e ruralistas que pagam menos impostos que ela – e que, quando confrontados, repetem o clichê de que “geram empregos”.
Como se emprego não fosse gerado por demanda, por consumo, por renda na mão do trabalhador. Como se isenção fiscal para rico fosse sinônimo de prosperidade. Não é. Quando a desproporção é grande, como a realidade escancara, não é estímulo, é privilégio.
O Bolsa Família não é o problema. O problema é um sistema tributário que faz o pobre pagar mais e um sistema de propaganda que convence o pobre a culpar outro pobre pela sua própria miséria. A “lógica” que eles criam é falsa, mas é funcional para quem está no topo. E é por isso que ela continua sendo repetida.
Ademais, você não vai encontrar a direita defendendo uma proporcionalidade de impostos mais justa, porque historicamente isso nunca foi uma bandeira da direita, que no Brasil é economicamente neoliberal e faz lobby no Congresso tanto pela manutenção quanto pelo aumento dessa distorção.
Basta olhar para quem está defendendo que os mais ricos paguem mais impostos, visando corrigir essa disparidade que é também uma grande forma de injustiça. Com certeza, não é a direita nem os neoliberais.
Imagine ser um iraniano…
Imagine ser um iraniano, sentado em sua casa em Teerã, Isfahan ou Shiraz. Ao seu redor, há ruínas de 2,5 mil anos ao lado de arranha-céus modernos. Você cresceu ouvindo histórias de Ciro o Grande, o persa que libertou os judeus do cativeiro na Babilônia e declarou o que muitos consideram a primeira carta de direitos humanos. Você estuda a poesia de Hafez e Rumi, que são amados em diferentes lugares do mundo. Você sabe que, enquanto os ancestrais de Trump ainda viviam em tribos na Europa, os seus já construíam impérios e desenvolviam matemática, astronomia e filosofia.
E de repente, um magnata do setor imobiliário de Nova York, que ficou famoso por demitir pessoas em um programa de TV e que provavelmente nunca leu um livro de história na vida, aparece na televisão e diz que vai “destruir completamente” seu país. A reação não é medo. É um misto de espanto, desdém e, para muitos, uma risada amarga. É como ver uma criança fazendo caretas para um ancião. A arrogância é tão desproporcional, tão ignorante do contexto, que se torna quase cômica.
Para um iraniano com senso de história, Trump é um acidente de percurso; apenas mais um presidente dos EUA em uma longa lista. Eles já viram presidentes “da grande potência” irem e virem. Eisenhower (golpe de 53), Carter (revolução), Reagan (apoio a Saddam), Bush (guerra no Iraque), Obama (aproximação), Trump (hostilidade), Biden (tentativa de volta ao acordo). Cada um com sua política, cada um passageiro. O Irã continua.
Trump, que não duvido que ache que iranianos são árabes, age como se a história começasse quando ele entrou na política (o mal do presenteísmo absoluto). Fala em “fazer o Irã se curvar” sem saber que tentaram isso antes e falharam. Muitos iranianos veem a arrogância de Trump não como força, mas como sintoma de fraqueza. Um país confiante em seu poder não precisa gritar tanto. Quem grita “sou o maior” o tempo todo geralmente está tentando convencer a si mesmo.
Para Trump, o mundo é feito de indivíduos e transações. Países são como empresas. Se você pressionar o suficiente, o CEO (líder) vai ceder para salvar seus ativos (economia, poder). Tudo é negociável. Na visão iraniana, o mundo é feito de comunidades e história. A nação é um organismo vivo que existe antes de você e continuará depois.
A honra coletiva vale mais do que o conforto individual. Algumas coisas não são negociáveis, porque estão ligadas à identidade. Ademais, o que pode ser mais antiético do que matar 153 crianças em uma escola e ainda negar autoria criando uma narrativa sem sentido de que o ataque foi iraniano? Não há base lógica para isso.
Trump ignora que o Irã é a antiga Pérsia. Achar que se trata de um país qualquer, só porque é um país que não figura como uma das maiores potências capitalistas do mundo é um cálculo muito tosco e ingênuo. Muito do que conhecemos como ocidental já existia na Pérsia. O Irã não é apenas um país antigo, é uma das civilizações fundadoras do mundo como o conhecemos.
Os gregos, que deram origem ao que chamam discutivelmente de “civilização ocidental”, aprenderam muito com os persas, inclusive quando estavam em guerra com eles. Alexandre o Grande, ao conquistar a Pérsia, ficou tão impressionado que adotou costumes persas. É um grande equívoco avaliar um país apenas pela sua posição no capitalismo global. O Irã não é uma nação jovem tentando se afirmar; é uma civilização com memória milenar que já viu impérios virem e irem.
Quando um iraniano resiste a pressões dos EUA, não é apenas “nacionalismo”. É a memória de pertencer a uma civilização que ensinou o mundo a administrar impérios enquanto os ancestrais de muitos de seus atuais adversários viviam em tribos. Esse orgulho é mais profundo e mais resiliente do que qualquer lealdade a um regime específico.
Lembre-se que a Pérsia sobreviveu a Alexandre o Grande; invasões árabes (que mudaram a religião, mas a cultura persa absorveu e transformou o Islã); invasões mongóis (que destruíram Bagdá, mas Teerã resistiu); o imperialismo britânico e russo no século XIX; o golpe da CIA em 1953 e oito anos de guerra com o Iraque com apoio ocidental a Saddam Hussein.
Essa história ensina aos iranianos algo que charts de poderio militar não medem, ou seja, paciência estratégica. Eles sabem que impérios caem, que potências se cansam, que eleições mudam governos. Eles podem esperar, já que se trata de uma civilização com 2,5 mil anos de história registrada.
Enfim, os persas nos deram a primeira declaração de direitos humanos. Nos deram estradas, correios, moeda e padronização de pesos e medidas. Nos deram poesia muito antes do Ocidente. Nos deram ciência que iluminou a Idade Média – incluindo astronomia, álgebra, algoritmos, geometria e trigonometria. Nos deram contribuições fundamentais à arquitetura. Também nos deram palavras que são usadas sem que se saiba ou reconheça sua origem.
E o persa Avicena foi a referência em medicina no Oriente e no Ocidente por cerca de 600 anos – graças ao seu “Cânone da Medicina”. Também nos deram azulejos e mosaicos, tapeçaria e instrumentos musicais (foram precursores de instrumentos de cordas como o violão); e a ponte que salvou o conhecimento grego para que pudesse renascer na Europa, além do primeiro império multicultural da história. A própria filosofia ocidental tem raízes persas, assim como o que podemos chamar de conceitos éticos (Ciro).
Ademais, irônico é que a eleição de Trump, que ataca o Irã, usando inclusive o pretexto de “ilegitimidade” e “defesa da democracia”, algo que ele tem mudado recentemente, ao dizer que o que importa já não é democracia, “mas alinhamento aos EUA”, é considerada questionável. Imagine se algum país o considerasse ilegítimo e decidisse bombardear os EUA… E Khamenei morreu e os bombardeios continuam…Enfim, é sobre definir os rumos de um país dentro da agenda trumpista – ou tentar destruí-lo se não aceitar isso; algo que Trump nem esconde mais, ao contrário de meses atrás.
E mais, por que ele não leva “democracia” para a Arábia Saudita (monarquia absoluta sem eleições, execuções em massa, assassinato de jornalistas no consulado) ou para os Emirados Árabes (monarquia sem eleições, trabalho análogo ao escravo, bombardeio de vizinhos no Iêmen)? Porque são grandes compradores de armas produzidas nos EUA.
Só a Arábia Saudita assinou acordos militares recordes (superiores a US$ 140 bilhões). Já os Emirados Árabes são o terceiro maior importador de armas do mundo – comprando dos EUA caças F-35, drones MQ-9 Reaper, mísseis Patriot, sistemas THAAD…Enfim, o Irã para Trump não é uma questão de direitos humanos e sim de subjugação econômica – por ser um país incapaz de controlar e de não se submeter aos seus interesses como outros.
A ira ocidental contra o Irã tem um tempo bem determinado no século passado, que em 1951 ficou conhecida como “O Pecado de Mossadegh”. O então primeiro-ministro democraticamente eleito no Irã nacionalizou o petróleo iraniano. Até então, o petróleo era controlado pela Oil Company (atual BP – antes British Petroleum e hoje uma gigante britânica transnacional de energia), que pagava migalhas ao Irã (só 16% dos lucros) e levava quase tudo para a Grã-Bretanha.
Mossadegh virou herói popular no século passado, mas cometeu “o pecado imperdoável” de tirar o petróleo do controle ocidental. Trump quer retomar esse controle, só que para os EUA. Por fim, se os EUA acreditassem que o Irã tem armamento nuclear, por que se arriscariam em atacá-lo? A lógica de dissuasão nuclear é clara há 80 anos. Quero dizer, você não ataca uma potência nuclear a não ser que esteja disposto a sofrer um golpe devastador em retaliação.
O Irã é punido por insistir em existir fora do controle dos EUA, que sempre se coloca em posição de “excepcionalismo determinante da hegemonia global”; por buscar desdolarização (negociar petróleo em outras moedas); aliar-se à China e Rússia (BRICS) e servir de exemplo de independência para outros países.
O Ministério da Agricultura quer o fim da lista de animais aquáticos sob ameaça de extinção?
Segundo a Folha de S. Paulo, o Ministério da Agricultura quer o fim da lista de animais aquáticos sob ameaça de extinção. É importante lembrar que se trata de um acordo de longa data que o Brasil tem com a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). A justificativa é que esse tipo de conteúdo “pode causar prejuízos econômicos ao Brasil”.
Se isso é verdade, apenas mais uma prova de que o governo prioriza somente interesses econômicos. E sendo assim, não se iluda, porque não são interesses econômicos que beneficiam toda a população, mas sim aqueles que mais lucram com a pesca comercial no país. De acordo com a Folha, o documento é assinado pelo secretário de Aquicultura e Pesca (SAP/MAPA), Jorge Seif Júnior.
Será que os militares de alto escalão realmente gostam do Bolsonaro?
É apenas minha opinião, mas não acho que os militares de alto escalão realmente gostam do Bolsonaro. Eles parecem tolerá-lo, porque provavelmente veem ele como um meio para um fim, que ainda não se sabe qual é exatamente.
Mas o Mourão está aí para provar que os militares não se submetem ao Bolsonaro e já deixaram claro que têm suas próprias pautas, independente da vontade do presidente. Até porque têm seus próprios representantes no Congresso.
Acho que não é difícil perceber também que o Bolsonaro é um sujeito indisciplinado (o seu histórico militar está disponível na internet), e isso não inspira muita confiança por parte dos militares. Até me surpreendo com o fato dele ter sido militar, se bem que esteve na ativa por pouco mais de dez anos, o que é realmente pouco se tratando de alguém com 64 anos.
Tem um material raro que o Roberto Simon, diretor para a América Latina da FTI Consulting, de Nova York, divulgou recentemente que traz uma entrevista com o Geisel, que qualificou o Bolsonaro como um mau militar.
Além disso, qualquer pessoa pode ter acesso aos depoimentos do Jarbas Passarinho (ex-ministro em vários governos militares) via Google dizendo que ele nunca suportou o Bolsonaro.
E só esses dois nomes que citei são considerados dois dos mais emblemáticos do período da ditadura militar. Então honestamente não creio que Bolsonaro seja tão estimado pelos militares.
A falácia de Ricardo Salles sobre Chico Mendes
Marina Silva publicou no Twitter que o ministro Ricardo Salles desconhece a relevância de Chico Mendes. Salles respondeu que está indo se informar e compartilhou uma matéria de 2014 em que a família de Chico Mendes é acusada de desvio de recursos.
No Google, você encontra apenas uma notícia, e repetida por diversos meios, de 2014. Sendo assim, se eles cometeram alguma ilegalidade e tiveram definitivamente que devolver recursos públicos, por que não há mais nenhuma matéria sobre o assunto nos últimos anos? Que eu saiba não tem ninguém da família de Chico Mendes preso por improbidade administrativa.
Outra coisa, o falecido ambientalista Chico Mendes é responsável por algo que sua família possa fazer décadas depois? Então quer dizer que se um primo do Ricardo Salles, por exemplo, mata alguém, sem que haja o envolvimento dele, nós podemos culpá-lo pelo assassinato? Não, mas claro que podemos lembrá-lo que ele foi condenado em dezembro, um fato recente, por fraude no Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental da Várzea do Rio Tietê.
Que argumento mais fragilizado, embora típico da capciosidade desse pessoal que tem promovido o anti-intelectualismo no Brasil. Apenas jogam com o populismo barato para ludibriar a população mais incauta.
A deslealdade vergonhosa de Ricardo Salles sobre Chico Mendes
Em entrevista ao Roda Viva, o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles deu a entender que quando se fala do Chico Mendes é preciso ouvir os dois lados – o dos ambientalistas e também o dos agropecuaristas em relação à Amazônia. E que segundo ele, Chico Mendes não é o que dizem ser. Chico Mendes morreu milionário ou bilionário atuando como ambientalista? Não. Já escrevi sobre isso em um artigo há algum tempo. Quem será que tem mais interesses escusos e nocivos em relação ao meio ambiente? Pra mim, é uma questão bem lógica.
Não conheço nenhum ambientalista que tenha feito o estrago daqueles que lucram com a degradação ambiental. E que credibilidade tem tais observações vindo de alguém que já foi condenado ao fraudar o processo do Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental da Várzea do Rio Tietê? Simplesmente não consigo não ver o Ricardo Salles como um oportunista tentando confundir a população. O sujeito diz isso no Brasil, um dos países que mais mata ambientalistas.
Veja a história da freira Dorothy Stang, do José Cláudio Ribeiro da Silva e da Maria do Espírito Santo. O retrato mais comum é de pessoas simples morrendo por um ideal. Querer comparar quem lucra milhões ou até bilhões de reais com a exploração do meio ambiente com o ideal de um ambientalista, ainda que cometesse equívocos ou tivesse má conduta em alguns momentos, é de uma deslealdade vergonhosa.
Você conhece a história do DEM?
O Democratas (DEM) é o partido com maior número de políticos cassados no Brasil, e agora ocupa a maior posição de destaque da sua história ao reeleger o Rodrigo Maia para a presidência da Câmara dos Deputados e o Davi Alcolumbre à presidência do Senado.
O DEM foi criado para se desvincular da sua própria história quando ainda era o Partido da Frente Liberal (PFL), que contava com 15 políticos de um total de 37 envolvidos em crimes e irregularidades, segundo a reportagem “PFL é recordista em número de escândalos”, publicado pela Folha de S. Paulo em 16 de julho de 2000.
Mais tarde, em 2007, a direção do PFL decidiu começar uma nova história sob o nome Democratas (DEM). No entanto, na última pesquisa sobre o ranking da corrupção no Brasil, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) apontou o DEM como o partido com maior número de políticos cassados – somando 69, o equivalente a 20,4% do total de políticos cassados em um período de sete anos.
O DEM é hoje o partido que está no controle das duas casas legislativas mais importantes da política nacional. Mas há um outro ponto intrigante, que é o fato de que o PFL que surgiu em 1985, ao final da ditadura militar, teve um longo legado enquanto Aliança Nacional Renovadora, partido mais conhecido como ARENA, e que foi fundado em 1965 para atender aos interesses dos militares que ocupavam o poder.
A ARENA tinha Sarney e Maluf entre seus membros, e foi o partido mais influente da política brasileira por um longo período (de voto de cabresto), conseguindo ocupar a maioria das cadeiras na Câmara dos Deputados em quatro eleições consecutivas, assim contendo e lidando facilmente com a oposição em tempos de política bipartidarista. Parece que a história se repete…









