David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for the ‘Reflexões’ Category

Às vezes, tenho a impressão de que a ética jamais será tão importante quanto o dinheiro

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Vivemos em um mundo onde, infelizmente, às vezes tenho a impressão de que a ética jamais será tão importante quanto o dinheiro. Diariamente me surpreendo com as táticas usadas por pessoas que inclusive se despersonalizam em busca do lucro. Fecha-se os olhos para os mais diversos tipos de mazelas. Podem ganhar muita grana, não duvido, mas paga-se por isso com a própria integridade. E quando a integridade é sucateada, a essência humana é substancialmente violada e arrastada para longe.

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September 18th, 2017 at 8:44 pm

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Sociopatia e psicopatia no mundo

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Há estudos afirmando que 1% da população mundial possui transtorno de personalidade antissocial. Ou seja, 70 milhões de pessoas. Será mesmo que esses dados são precisos? Se levarmos em conta os fatos do cotidiano, não é difícil inferir que nos deparamos todos os dias com os mais distintos casos de manifestações de sociopatia e psicopatia.

Sendo assim, é difícil crer que há somente 70 milhões de pessoas com tal transtorno em meio a uma população de sete bilhões. Livros como “The Sociopath Nextdoor”, lançado por Martha Stout em 2006, e “Snakes in Suits: When Psychopaths Go To Work”, de Paul Babiak, de 2007, reforçam o meu raciocínio e fazem refletir sobre a possibilidade do número de psicopatas chegar a pelo menos 10%.





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September 18th, 2017 at 7:55 pm

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Trabalhe, trabalhe…

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Trabalhe, trabalhe tanto que não tenha tempo de pensar em outras coisas, a não ser em comprar coisas sobre as quais você não tem certeza da necessidade. Mas naturalmente há de comprar porque os outros também fazem isso ou querem isso.

Trabalhe, trabalhe tanto que não tenha tempo de se questionar mais do que superficialmente sobre o que existe de errado no mundo. Não tome parte nisso, afinal você não pode e não deve ter tempo para se preocupar com nada mais do que a sua própria vida e os seus. Isso seria ir contra o “curso natural das coisas”.

Trabalhe, trabalhe tanto que não tenha tempo de refletir profundamente sobre suas dúvidas, porque ter dúvidas é problemático demais, e isso seria um luxo ou um lixo, dependendo da perspectiva. Quando penso na vida comum, que poucos desejam para muitos, me recordo da minha infância brincando com os bonequinhos da Playmobil, tão facilmente manipuláveis quanto a vida de tanta gente.

 

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September 18th, 2017 at 7:50 pm

A vida e a identidade

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Quando considero a breve duração de minha vida absorvida na eternidade que vem antes e depois…o pequeno espaço que ocupo e que vejo ser engolido pela infinita imensidão dos espaços de que nada sei e que nada sabem sobre mim, fico amedrontado e surpreso por me ver aqui e não ali, agora e não depois.

Blaise Pascal em Pensées, Section III, Of the Necessity of the Wager, 205.

 

O vazio de identidade é de tal gravidade para a e estrutura humana que, estar desorientado no seu espaço moral acerca de questões do que é bom ou ruim, pode fazer o ser humano desembocar numa perda de controle da própria posição no espaço físico.

Excerto de “Sources of the Self”, de Charles Taylor.

 

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September 16th, 2017 at 10:10 pm

O silêncio e a escrita

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Pintura do escritor Evgeny Chirikov feita por Ivan Kulikov

Às vezes, passo horas em um ambiente silencioso, sem qualquer interferência, simplesmente escrevendo. Sem pessoas, sem aparelhos por perto, apenas eu, minha mão e um caderno. Então não sou mais alguém segurando a caneta, mas sim a própria caneta. Sinto os olhos quase colados no papel. Olhos que ninguém mais vê. Em menos de hora, não resta nada, nem mesmo um espaço que me situe. Acabo diluído em mim mesmo e transformo-me no que eu quiser.

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September 16th, 2017 at 9:42 pm

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O equívoco de Zezé di Camargo ao dizer que a Hungria vive uma ditadura

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Imagino que o cantor Zezé di Camargo se identifique com política de centro-direita. Ele deu uma entrevista a Leda Nagle falando que a Hungria vive uma ditadura (a citando junto com países como Coréia do Norte e Venezuela). Ignorou (ou talvez não saiba) que o primeiro-ministro da Hungria é o Viktor Orbán, líder do Fidesz, maior representante de centro-direita da Hungria. Hungria só foi “comunista” nos tempos da União Soviética. Seria o mesmo que chamar a Rússia hoje de “socialista” (vide Perestroika, Glasnost). Vamos estudar um pouquinho.





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September 14th, 2017 at 12:44 am

Eu exploro, tu exploras, ele explora, nós exploramos

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Viver é um paradoxo, existir e resistir para não cair em contradição o tempo todo. É não explorar explorando, como um eterno espetáculo que denuncia a exploração, mas é financiado por quem a edifica e a avulta. Tartufismo, mendacidade, jacobice. Vivo imerso nessas palavras que não reconheço.

Eu exploro, tu exploras, ele explora, nós exploramos. É isso. É alentador não cair em armadilhas por alguns instantes. Minutos, talvez horas do dia em que não me torno refém de incongruências, degenerescências legitimadas. Amanhã vai ser diferente. Ou não. Farisaísmo. Arataca. Estratagema.

Não sou tão ruim. Não. Sou muito bom. Fecho os olhos. Me entorpeço com a minha ablepsia, inculpabilidade, condescendência, torpor. Sou ineludivelmente bom. Compro sorrindo o que alguém chorou produzindo. Não sei se quero reconhecer que morreu para ser transformado num algo ausente de i-den-ti-da-de.

Dissociado da verdade. É bonito. Não, é lindo. Mais lindo ainda se acredito que nasceu como produto final, sem gênese. Não tenho do que me queixar se enxergo apenas o que anseio vislumbrar. É só mais um dia, da bonomia à hipocrisia.

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September 14th, 2017 at 12:37 am

Manter a sanidade é importante

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Arte: Dreja Novak

Peixe sendo comido vivo sobre uma mesa de um restaurante; um animal modificado geneticamente para produzir dez vezes mais “matéria-prima” para a indústria de peles; senadora Kátia Abreu falando na construção de novos matadouros para atender ao mercado de carne de jumento; novo vídeo de matadouros onde animais são mortos à marretadas. Essas são algumas das notícias que acompanhei hoje de manhã. Manter a sanidade é importante. Por isso que meu dia não se resume a ler ou escrever sobre os mesmos assuntos o tempo todo.





Written by David Arioch

September 13th, 2017 at 1:36 am

“A introspecção é uma atitude em extinção”

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“Em aeroportos e outros espaços públicos, pessoas com telefones celulares equipados com fones de ouvido ficam andando para lá e para cá, falando sozinhas e em voz alta, como esquizofrênicos paranoicos, cegas ao ambiente ao seu redor. A introspecção é uma atitude em extinção. Defrontadas com momentos de solidão em seus carros, na rua ou nos caixas dos supermercados, mais e mais pessoas deixam de se entregar a seus pensamentos para, em vez disso, verificarem as mensagens deixadas no celular em busca de algum fiapo de evidência de que alguém, em algum lugar, possa desejá-las ou precisar delas.”

Andy Hargreaves, professor de educação e autor do livro “Teaching In The Knowledge Society: Education in the Age of Insecurity”.





Written by David Arioch

September 13th, 2017 at 1:29 am

Jorge Luis Borges é monstro

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Jorge Luis Borges é monstro. Além de referência mundial em literatura ficcional, quase sempre é citado pelos grandes da filosofia contemporânea. Isso que é transitar belamente por distintas esferas do conhecimento e brincar com diferentes linguagens sem receio de ser (in)compreendido. Um literato que nasceu para a filosofia, mas transmutou-se em ficção. Isso deixa evidente também porque Borges não é de fácil fruição. Quando penso nesse mestre argentino, que jamais se submeteu a opressão e supressão da identidade, a primeira palavra que me vem a mente é onirismo, um onirismo cosmopolita. E de um cosmopolitismo que não pressupõe ausência.





Written by David Arioch

September 13th, 2017 at 1:17 am