David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for the ‘Reflexões’ Category

Não comemoro mortes, mas infelizmente…

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Não comemoro mortes, mas infelizmente esse senhor que faleceu na quarta-feira, e que foi um dos fundadores da Minerva Foods, era um dos responsáveis por pagamentos de propina visando “relaxamento” da fiscalização nas superintendências federais de agricultura entre os anos de 2010 e 2016. Aí eu te pergunto, de que adianta ganhar tanto dinheiro, lucrar tanto, morrer e não levar nada? Lesou animais humanos e não humanos a custo de que?

Deixou um estranho legado de muitos bens e muito dinheiro, mas que não existiria sem a desconsideração por vidas humanas e não humanas. Vale a pena? Tudo que lucrou, esse império magnânimo, não garantiu que ele passasse dos 68 anos. As pessoas parecem não entender que nem tudo está ao alcance do dinheiro, e que o tempo se encarrega de enterrar a imagem que criamos de nós mesmos e o que tivemos para preservar ou não o que verdadeiramente deixamos.





 

Written by David Arioch

February 17th, 2018 at 12:48 am

Sou um justiceiro social…

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Foto: Jo-Anne McArthur/We Animals

Sou um justiceiro social, odeio as desigualdades sociais, as mazelas econômicas e políticas, sou contra a formação de latifúndios, mas não abro mão de ir ao mercado comprar minha carne, minhas caixinhas de leite e meus ovos.

Não me importo que isso signifique a manutenção do status quo, que esse dinheiro seja usado com finalidades que não me interessam, que sirva para eleger políticos que vão legislar em causa própria ou em benefício daqueles que os financiaram.

Tanto faz se isso tem impacto no meio ambiente, se nesse meio há casos de mão de obra análoga ao trabalho escravo; e menos ainda me importa se animais vão sofrer por causa disso. O mais importante é eu não saber de nada disso, porque assim posso continuar lutando por “justiça para todos”, uma justiça pela qual sou capaz de tudo, menos readaptar o meu paladar.





 

Posso te fazer uma sugestão?

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Fotos: Reprodução

Posso te fazer uma sugestão? É a mesma que faço quando me convidam para dar palestras para crianças e adolescentes nas escolas. O que você sabe sobre seu pai? Sua mãe? Seu avô? Sua avó? Seu bisavô? Sua bisavó? Você tem alguma história da infância deles que pode me relatar neste momento? Você sabe como sua mãe era na adolescência?

Não estou falando de foto, mas de personalidade. E seu pai?
Você sabe de algum episódio marcante que ele viveu, por exemplo, na fase mais tenra da infância? Está estranhando minhas perguntas? Então, é que nossos familiares morrem e nós nem sabemos quem eles eram. Que tal descobrir quem eles eram? Para além do nosso parentesco. Afinal, todo ser humano, é mais do que irmão, pai, mãe, vô, vó…

Quando nasci, meu avô já era o vovô, e minha avó também já era a vovó. Sim, pra mim já tinham feições de velhinhos, era como tivessem nascido velhinhos. Não tinha como eu saber como eles eram antes de eu nascer, então eu pedia que eles me contassem histórias. Desde a minha infância, meu avô fazia isso por iniciativa própria, porque ele já nasceu um contador de histórias.

Ainda assim, nos últimos anos de vida dele, comecei a registrar as nossas conversas em um gravador; dezenas de horas. E mais tarde, mesmo sem saber quando ele morreria, coincidiu de eu produzir um pequeno documentário sobre a sua vida, registrando seu cotidiano, intercalado com histórias de sua infância, da mocidade, da família, do envelhecimento, e do que a vida representava para alguém perto dos 90 anos.

Admito que não tenho o costume de ir a velórios, não fui nem mesmo no velório do meu pai. Se me chamar para algum, provavelmente recusarei, mas por um motivo que nem eu mesmo sei explicar, compareci ao do meu avô. Ele estava deitado, com semblante sereno, a pele álgida e arroxeada, e eu me recordando de suas histórias. Eu sabia que ele não estava mais ali, mas quando o caixão foi lacrado, imaginei centenas de livros se fechando, livros que nunca mais serão lidos ou abertos.





 

Written by David Arioch

February 9th, 2018 at 10:58 am

Sobre grilagem de terras e política

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Estudei e escrevi durante alguns anos sobre a problemática da grilagem de terras no Extremo Norte do Paraná das décadas de 1930 a 1950, e o que mais me surpreende nisso tudo é que as pessoas que cometiam esse tipo de crime rapidamente se engajavam na política para se blindar; prática muito comum inclusive hoje.

Mais tarde, seus filhos, netos e bisnetos seguiram o mesmo caminho, gozando de um legado que não existiria sem grilagem de terras, expulsão de pessoas de suas casas e uso de violência. E não creio que o Paraná seja exceção. Mais tarde, as novas gerações migraram para outras regiões desabitadas do Centro-Oeste e do Norte do Brasil e fizeram o mesmo – desmataram áreas, dizimaram animais e expulsaram pessoas de suas terras.

Tenho um grande carinho pelo Paraná, mas sou totalmente contra o romantismo histórico, que vejo como um problema comum no Brasil, porque ajuda a perpetuar as mazelas. Sim, me agrada também histórias bonitas, mas desde muito cedo me satisfaz mais ainda aquelas que não são registradas oficialmente sob o suposto risco de “manchar a reputação histórica” de uma cidade ou região. Afinal, são essas que melhor representam a realidade histórica, mesmo que mais relegadas à oralidade do que aos livros.

E infelizmente vejo que é essa falta de memória das mazelas que também ajuda na perpetuação da miséria política. Quando não buscamos a história por vias próprias, e não a compartilhamos, estamos sempre fadados a nos contentar com aquilo que os outros querem que acreditemos. E esses outros, não raramente contam o que querem contar, em conformidade aos seus interesses, não o que deve ser contado.





 

Written by David Arioch

February 9th, 2018 at 10:48 am

Quando se fala em amor…

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Written by David Arioch

February 9th, 2018 at 12:51 am

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A megalomania é uma doença

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Written by David Arioch

February 8th, 2018 at 7:40 pm

Sobre fazer parte de uma bancada política

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Foto: Portal do Senado

Na política, se você concorda em fazer parte de uma bancada, naturalmente você vai ser cobrado em participar de alguma votação que prejudique interesses que não sejam os dessa bancada. Ninguém entra em uma bancada sem ter consciência disso.

Sim, não cabe generalizações, assim como não cabe inocência. Bancadas existem para fortalecer segmentos. Em menor ou maior nível, o Brasil tem um histórico de bancadas funcionando como clubismo. Algo que na prática funciona mais como “os interesses da população são levados em conta se não entrarem em conflito com os nossos”.

Posso ser um cara extremamente honesto, mas se entro em uma bancada e não ajudo a fortalecer essa bancada, e pior ainda, voto contra seus membros várias vezes, vocês acham que eles me deixarão continuar compondo a bancada? Sem qualquer implicação?

 

 

Written by David Arioch

February 8th, 2018 at 7:32 pm

Estar sob um partido não significa que todos são iguais em ideais

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Partidos não são homogêneos. Estar sob um partido não significa que todos são iguais em ideais ou mesmo semelhantes; e menos ainda aqueles que compõem partidos que possuem maior número de filiações. Não acredito que vivemos um tempo em que as pessoas normalmente buscam um partido por postura ideológica.

Filiação partidária no Brasil, pelo menos nos moldes mais corriqueiros, há muito tempo tem a ver com conveniência, não com posicionamento ideológico. O indivíduo escolhe o partido levando em conta o que atende melhor os seus interesses. É isso que tem acontecido há muito tempo.

Sabe quais são os pontos que um pré-candidato costuma considerar para ingressar em um partido? Que tipo de visibilidade o partido pode proporcionar, quais são as chances de ser eleito, influência, poder de intervenção e capacidade de captação de recursos para a campanha, seja por vias lícitas ou ilícitas; e relacionamento com outros partidos que podem beneficiá-lo.

Se estudarmos com atenção os estatutos de diversos partidos, constataremos que na prática eles não representam nem mesmo o que dizem representar quanto às suas pautas e interesses. Simplesmente escrevem algo que pareça bonito na teoria, mas sem compromisso com a vericidade.

Written by David Arioch

February 8th, 2018 at 7:28 pm

Reflexões sobre política – III

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Written by David Arioch

February 6th, 2018 at 5:42 pm

Reflexões sobre política – II

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Written by David Arioch

February 6th, 2018 at 5:41 pm