David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

106 mil pessoas morrem anualmente em decorrência dos efeitos colaterais dos remédios nos EUA

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Food Matters é um documentário que discute a importância da boa alimentação

O The Journal of the American Medical Association publicou dados que indicam que aproximadamente 106 mil pessoas morrem anualmente nos Estados Unidos em decorrência do consumo de drogas farmacêuticas. São drogas que são prescritas por médicos, não são resultados de erros médicos. E esses efeitos colaterais são normalmente esperados, e essas pessoas tomam esses medicamentos exatamente como indicado. Não são casos de overdose ou engano.

Então, se 106 mil pessoas morrem em decorrência de esperados efeitos colaterais dessas drogas apenas nos Estados Unidos, e apenas em um ano, em 23 anos isso representaria uma quantidade enorme de pessoas mortas. Estamos falando de milhões [2.438 milhões] de pessoas mortas por causa de drogas farmacêuticas. E em 23 anos, alegadamente, apenas dez pessoas morreram em consequência do consumo de suplementos de vitaminas. Claramente, temos problemas muito mais sérios em relação à prescrição nutricional. Como Roger Williams disse uma vez, o inventor do ácido pantotênico, em caso de dúvida, use a nutrição primeiro, não remédios.

A indústria farmacêutica está nesse negócio não para fazer drogas farmacêuticas; está nesse negócio para fazer dinheiro. O que acho totalmente razoável, já que há grandes corporações internacionais, e elas têm um dever com seus acionistas; e isso é o que corporações fazem, elas fazem dinheiro. Vivemos em uma sociedade capitalista e não acho que isso seja ruim. Acho que o capitalismo tem grandes vantagens, e acho que é preciso ponderar sobre os dois lados. O problema é a forma como a indústria farmacêutica é regulada. Por um lado, acredito que temos bons reguladores, mas por outro lado péssimos reguladores.

A indústria farmacêutica paga aos reguladores que deveriam inspecionar as drogas, paga os pesquisadores acadêmicos que deveriam realizar pesquisas com essas drogas, e frequentemente remunera os profissionais que vão realizar testes com essas drogas. Eles também colocam publicidade nos jornais de medicina, e muitos dos jornais de medicina recebem dinheiro da indústria farmacêutica.

Se checarmos a literatura médica dos últimos 65, 75 anos, há milhares de provas de que grandes quantidades de bons nutrientes curam doenças. Você não tem como ter acesso a muitos desses artigos, porque eles dizem que a United States Library of Medicine se recusa a indexá-los. Isso não é interessante? Então isso significa que há jornais lá fora que estão em uma espécie de lista negra por dizerem a verdade.

Tudo que foi publicado no Jornal de Medicina Ortomolecular, do qual sou editor-assistente, ao longo de 41 anos, e isso significa centenas de artigos, nada disso foi indexado pela United States Library of Medicine, que se autointitula a maior biblioteca de medicina da Terra. Então, o que parece puramente científico e acadêmico, como jornais, publicações, e toda essa edificação da ciência, atualmente foi transformado em uma extensão do departamento de marketing da indústria farmacêutica.

Depoimentos

Dan Rogers, médico especialista em medicina integrativa.

Ian Brighthope, professor de medicina nutricional.

Phillip Day, jornalista investigativo.

Jerome Burne, jornalista com especialização em saúde e medicina.

Andrew W. Saul, doutor em nutrição terapêutica e editor-assistente do Jornal de Medicina Ortomolecular dos Estados Unidos.

Fonte: Food Matters, de James Colquhoun e Carlo Ledesma, lançado em 2008.

 

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Written by David Arioch

July 23, 2017 at 8:57 pm

Os riscos da interpretação pessoal do discurso vegano

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Se formos falar de veganismo, creio que o mais importante é manter o foco nos direitos animais, no abolicionismo animal

Interpretação pessoal do veganismo é uma coisa arriscada dependendo do discurso. Às vezes, vejo pessoas o relacionando com questões que não são prioritárias nesse contexto, ou que nem mesmo têm relação direta com o veganismo. Acho importante ter cautela nesse sentido porque isso em vez de unir pode segregar. Seres humanos são muito diversos e querer uma unidade de pensamento é uma coisa muito difícil. Afinal, somos singulares, temos nossas particularidades, perspectivas de vida, de mundo.

Há veganos com quem a única coisa que tenho em comum é a defesa pelos direitos animais, nada além disso. E pra mim está bom assim, já que essa é a base do veganismo. Fazer as pessoas enxergarem que os animais têm direito a vida não é fácil. Se eu complicar ainda mais isso, não creio que o resultado seria mais positivo. Claro, a não ser que haja abertura para uma discussão mais abrangente envolvendo formas de exploração, o que neste caso seria uma iniciativa pessoal minha.

Eu, por exemplo, venho de uma consciência que desde a minha adolescência foi fundamentada no humanitarismo, mas nem por isso acho que todos devem ser iguais a mim. Sou paciente, e espero que pelo menos aos poucos as coisas melhorem. Acredito que é essencial ter calma e, se formos falar de veganismo, creio que o mais importante é manter o foco nos direitos animais, no abolicionismo animal.

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Written by David Arioch

July 23, 2017 at 5:02 am

O quanto é velha a sua comida?

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“Se você tiver sorte, talvez você esteja recebendo 40% do que você precisa” (Foto: Arquivo Pessoal)

“O quanto é velha é a sua comida? Se você pensar sobre isso, a sua comida, no melhor dos cenários, tem viajado por mil e quinhentas a duas mil milhas antes de você adquiri-la, e ela já tem pelo menos uma semana de idade. O que nos leva à próxima questão, qual é a quantidade de nutrientes que você está recebendo a partir dessa comida que já tem pelo menos cinco dias? Se você tiver sorte, talvez você esteja recebendo 40% do que você precisa.”

Victor Zeines, nutricionista, em “Food Matters”.





Written by David Arioch

July 23, 2017 at 4:02 am

Erica Floyd e a exploração de animais na indústria de laticínios

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Arte: Erica Floyd

A artista vegana Erica Floyd desenhou a imagem de um ser humano bebendo leite do úbere da vaca e afastando o bezerro, que tem lágrimas em seus olhos porque foi privado do direito de mamar. A proposta da pintora é mostrar o que acontece quando consumimos laticínios, ou seja, quando damos suporte à exploração das vacas. Ao fundo, bezerros mortos e envoltos por manchas de sangue.





Written by David Arioch

July 22, 2017 at 12:53 am

A dieta vegana é benéfica ao longo de todo o ciclo da vida

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Matt Ruscigno: “Podemos consumir tudo que precisamos em uma dieta vegana” (Foto: Arquivo Pessoal)

“Podemos consumir tudo que precisamos em uma dieta vegana. Ela é benéfica ao longo de todo o ciclo da vida. Ou seja, desde a gravidez, passando pela lactação, infância, adolescência e toda a fase adulta. Uma dieta vegana bem planejada é totalmente adequada. Acho que o veganismo é muito saudável. Se olharmos para as organizações de saúde nos Estados Unidos, veremos que elas estão promovendo dietas vegetarianas. Elas dizem que devemos comer mais frutas, mais vegetais, mais grãos integrais, mais feijões, mais oleaginosas, mais sementes. Elas não estão dizendo que devemos ser ideologicamente veganos. Mas a diferença entre isso e o veganismo [enquanto filosofia de vida] é de apenas mais alguns passos.”

Matt Ruscigno, nutricionista e ex-presidente da Academia de Nutrição e Dietética dos Estados Unidos, em “Live and Let Live”.





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July 22, 2017 at 12:50 am

Associação Dietética Americana reconhece os benefícios da dieta vegana

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Foto: David Arioch

A posição da Associação Dietética Americana é de que as dietas vegetarianas, incluindo a dieta vegetariana estrita ou a dieta vegana, são saudáveis, nutricionalmente adequadas e oferecem benefícios para a saúde na prevenção e tratamento de certas doenças.

Esse posicionamento da ADA foi publicado na US National Library of Medicine e pode ser conferido neste link:

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19562864





Duas perguntas sobre direitos animais e plantas

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No utilitarismo existe a defesa de que caso um animal não seja senciente, não há problema em sua morte, já que ele não sente dor. Você concorda?

Arte: Bool

De modo algum. Embora os animais que a humanidade mais explora e mata sejam aqueles que, de fato, são sencientes, pra mim esse não é e não deve ser o único argumento em defesa dos direitos animais, do abolicionismo animal. Até porque se formos por esse caminho, acabaremos por ignorar o que ainda nos é desconhecido. Vejamos. Dizem que há 7,77 milhões de espécies animais no mundo, mas pouco mais de 953 mil foram estudadas em algum nível, mesmo que superficial, pela humanidade. Sendo assim, é difícil dizer se todos foram ou são sencientes. Justamente por isso eu acho que a senciência não deve ser a única baliza moral no reconhecimento do direito à vida animal. Por exemplo, vamos supor que eu tenha nascido sem a capacidade de sentir dor. Ou seja, você pode me bater, me esfaquear, que não sentirei nada. Isso seria motivo para que alguém tivesse o direito de me matar? Claro que não, porque aqui ainda existe uma vida com nível de consciência. E os animais não humanos também têm seus níveis de consciência. Afinal, eles se comunicam, se movem, interagem de alguma forma. Os julgamos de forma bastante equivocada, principalmente quando partimos do obtuso senso comum. Porque nesse caso temos o falho costume de usar como referência a forma como vivemos, nos comunicamos e nos relacionamos. E o especismo nos leva a isso, a uma forte crença de que tudo que é diferente de nós é inferior, menos digno. Os outros animais não precisam ser como nós para terem direito à vida. Eles são como são, e o que devemos fazer é respeitar isso.

Mas se você reconhece que os animais têm direito à vida mesmo quando hipoteticamente eles não são sencientes, as plantas reduzidas a alimento também têm, não acha?

Então, as plantas não têm cérebro, e não há nada realmente concreto quanto aos níveis de consciência delas. Mesmo entre os estudiosos do tema, não há consenso, principalmente quando se compara com os níveis de consciência dos animais humanos e não humanos. O que se descobriu de forma concreta até hoje é que elas respondem a estímulos externos. Há uma pesquisa interessante que repercutiu em 2016 envolvendo o sistema acústico-etileno, que captou reações das plantas a situações bem específicas, ou seja, com manipulação do ambiente. Os próprios pesquisadores deixaram claro que isso não significa consciência como conhecemos, mas sim reações ao meio. Além disso, existe a questão da autoconsciência também que é encontrada nos animais, mas não nas plantas. O que se sabe com certeza é que as plantas possuem elementos de consciência anótica, que é reação sem cognição, o que em si não é a mesma coisa que consciência. Bom, é aquela, vivendo, aprendendo e se adaptando conforme for surgindo novas descobertas. Estou preparado para qualquer coisa. Não vejo isso como um problema.

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A morte e a ajuda de Chester Bennington

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Chester Bennington, encontrado morto hoje

Em muitos vídeos da banda Linkin Park no YouTube tem dezenas, talvez centenas ou milhares, de comentários de pessoas que sofriam ou sofrem de depressão e encontraram alento nas músicas do vocalista e compositor Chester Bennington, encontrado morto hoje, após cometer suicídio por enforcamento.

Inclusive pessoas que disseram ter desistido da ideia de cometer suicídio enquanto ouviam Linkin Park. Música é uma coisa extremamente poderosa. Há pessoas que confortam tanta gente em proporção inimaginável, o que não significa que sejam inatingíveis ou que não sejam frágeis.

Written by David Arioch

July 21, 2017 at 2:09 am

“”Não nos ensinam sobre o poder do alimento na faculdade de medicina”

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Hipócrates: “Que seu alimento seja seu remédio”

“Não nos ensinam sobre o poder do alimento na faculdade de medicina. Ninguém aprende que as mudanças que fazemos em nossa dieta provavelmente é a coisa mais poderosa que podemos fazer para determinar o nosso destino. Supera a nossa genética.”

Michelle McMacken, professora da Escola de Medicina da Universidade de Nova York, em “What The Health”.

Written by David Arioch

July 21, 2017 at 1:25 am

Como surgiu o termo vegan

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Termo foi criado por Donald e Dorothy Watson

O termo vegan é uma versão reduzida da palavra vegetarian, mas tem uma história bem interessante por trás disso. Em 1944, o casal inglês Donald e Dorothy Watson estavam dançando quando decidiram pensar em um nome para a criação de um movimento que não concordava com o fato de que as sociedades vegetarianas da época achavam aceitável um vegetariano não comer carne, mas continuar consumindo laticínios e ovos. Donald e Dorothy entendiam que esse consumo também já representava privação e sofrimento animal. Então durante a dança veio a sugestão:

— Que tal vegan?
— O que significa isso?
— O começo e o fim de VEGetariAN.





Written by David Arioch

July 21, 2017 at 1:11 am