David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Assista “Terráqueos” no YouTube

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Vale a pena assistir o documentário “Terráqueos” para entender um pouquinho a realidade da exploração animal em todas as áreas. Você pode não virar vegetariano nem vegano, mas ao final terá outra percepção em relação à exploração animal. Se possível, dedique um tempinho.

 

 

 

Quantas vezes comi no McDonald’s na minha vida?

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Consigo contar nos dedos das duas mãos quantas vezes entrei em algum estabelecimento das grandes redes de fast food (Foto: Reprodução)

Quantas vezes comi no McDonald’s na minha vida? Nenhuma. Consigo contar nos dedos das duas mãos quantas vezes entrei em algum estabelecimento das grandes redes de fast food. Claro que isso é algo pessoal, mas me recordo que quando eu era bem mais jovem sempre encontrava pessoas tentando fazer com que eu me sentisse alienado por isso.





Written by David Arioch

May 21, 2017 at 4:30 pm

Cartas que recebi de estudantes sobre a exploração animal

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Foto: David Arioch

Na foto, algumas das cartas que recebi de mais de 20 estudantes da área rural de Santa Maria de Jetibá, no Espírito Santo. Fui escolhido como ativista para me corresponder com eles sobre a realidade da exploração animal. Ainda não li todas, mas já me surpreendi com a sensibilidade e inocência deles. É uma honra participar desse projeto a convite do professor e escritor Antonio Neto. No decorrer da semana vou produzir e publicar um texto sobre isso em meu blog.





As exigências da formiga-faraó

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“Você é lerdo e cabuloso, hein? A gente quer açúcar cristal, cara!”

Ela gesticulava e falava comigo enquanto movia suas antenas

Acordei antes das seis horas ouvindo um som estranho no quarto. Como eu estava muito sonolento, não consegui identificar a origem. Eu só queria dormir mais um pouco. Mas o som persistiu, até que reconheci uma voz ecoando. Abri os olhos e não entendi de onde vinha aquela algazarra. Parecia tão próxima e ao mesmo tempo tão distante de mim. Pensei que estivesse imaginando coisa, até que alguém berrou:

— Acorda, lazarento! Acorda! Vamos! Acorde!

Virei o rosto para o outro lado e não vi nada.

— Aqui, trouxa! Pra onde você está olhando? Você é cego, otário?

Então vi uma formiga-faraó em cima da cômoda. Ela gesticulava e falava comigo enquanto movia suas antenas.

— Que isso? Que loucura! — falei esfregando as mãos contra os olhos e dando tapinhas na minha própria testa.

— Estou aqui sim, mané! Não adianta esfregar a mão na cara. Não vou desaparecer enquanto não conseguir o que quero, certo?

— Como assim. Você quer o quê? E como você está falando? Como isso é possível?

— Olhe, cara! Vamos parar com essa lorota porque não tenho tempo a perder. Como falo ou deixo de falar não interessa. A real é que você tem sido um desgraçado, cara. E isso não pode continuar assim.

— Desgraçado? Eu? Como? Nunca fiz nada contra formigas.

— Eu sei, cara! Você é vegano e todo aquele blá blá blá. Mas o negócio é o seguinte: Sei que você não come açúcar, mas e nós, seu egoísta? Você pensou na gente quando parou de comprar açúcar? Outra coisa, você acha que a gente gosta de açúcar de coco, açúcar demerara… Mano, a gente gosta de açúcar cristal. O mascavo ainda vai, mas não venha mais com esse açúcar de coco, cara. A gente gosta do branco reluzente.

— E onde eu entro nessa história?

— Você é lerdo e cabuloso, hein? A gente quer açúcar cristal, cara! Você vai ter que comprar, e se não atender nosso pedido, pode se preparar. Estamos espalhadas por todos os cômodos da sua casa. Você não tem noção, mano, do estrago que a gente consegue fazer em um dia. Estamos atrás dos rodapés, no forro, em todas as frestas da casa, nos armários, nas dobras das roupas. Não tem pra onde fugir.

— Mas por que tanta maldade?

— Maldade? Tem maldade nenhuma, irmão. É a lei da sobrevivência.

— Entendi. Vou dar um jeito nisso. Mas posso saber de onde vocês vieram?

— Viemos daqui, cara. Meus ancestrais já moravam aqui antes de você e dos seus.

— É? Sério?

— Não! Mentira! Claro que sim.

— Hum…Por que esse mau humor?

— Por causa da abstinência. Tem nada doce por aqui e a gente precisa de açúcar, cara. Já viu alguém feliz com fome? Você fica feliz com fome?

— Não…

— Então, pergunta respondida!

— Posso fazer outra pergunta?

— Caramba, mano! Mais uma? Tá! Manda lá!

— Por que chamam vocês de formiga-faraó?

— Ah! É isso? Beleza!

A formiga saltou em cima da cama, escalou o meu braço, subiu em meu ombro esquerdo e me observou por um instante.

— Louco demais! Essa barba dá um ninho da hora! A gente pode morar aí?

— Claro que não!

— Por que não, cara? Um ajuda o outro. A gente até estica ela pra você, dá mais volume; e ainda come as sobras de comida e alinha seu bigode. Fora que com a nossa presença ela ganha um tom de luzes do tipo caramelo.

— Sai fora!

— Beleza! Mas a permuta é boa e o azar é seu. Perdeu a chance de veganizar umas formigas.

— Me diga por que realmente chamam vocês de formiga-faraó.

— Ah! De novo isso? Ok!

— Meus ancestrais diziam que um dia um grande faraó decidiu banir as formigas do Egito. Ele começou proibindo a fabricação de açúcar e a importação de açúcar da Índia por um longo período. Uma de nós apareceu pra ele, assim como estou fazendo agora, e tentou dialogar. Ele não aceitou o acordo. Então elas comeram o faraó.

— Nossa! Sério isso?

— Sim…talvez…Claro que não, né?

Com a visão ligeiramente turva, cocei os olhos mais uma vez. Quando olhei para o meu ombro, a formiga tinha desaparecido. Minutos depois, meu celular tocou.

— Você estava dormindo? Estou te ligando há mais de dez minutos e você não atende — reclamou meu irmão.

— É…acho que sim.

Por via das dúvidas, esperei o mercado abrir, comprei cinco quilos de açúcar cristal e guardei no armário.

 

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Written by David Arioch

May 20, 2017 at 9:44 pm

Frangos sob chuva

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Frangos em caixas com pouco espaço para movimentarem-se (Foto: Reprodução)

Encontrei na rodovia uma carreta transportando frangos na chuva. Centenas dentro de caixas amarelas de plástico, com penas parcialmente molhadas e pouco espaço para movimentarem-se. Tive a impressão de ver uma porção de olhos entre as fendas. Não sei se faziam silêncio ou barulho, porque o tamanho da caixa não permitiu tal distinção. E lá dentro, vidas que logo mais cessarão.

 

 





Matt Skiba: “Foi uma reação instintiva não querer carne [de animais] em meu corpo”

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Skiba é fundador da banda de punk rock Alkaline Trio, além de guitarrista e vocalista da banda Blink 182

““Imaginei-me comendo meu gato e, de repente, não pareceu tão bom para mim” (Foto: Reprodução)

Fundador da banda de punk rock Alkaline Trio, além de guitarrista e vocalista da banda Blink 182 desde 2016, Matt Skiba se tornou vegetariano aos 19 anos, assim que deixou a casa dos pais. Um dia, ele estava comendo um pedaço de carne e notou os olhos do seu companheiro felino em sua direção.

“Imaginei-me comendo meu gato e, de repente, não pareceu tão bom para mim. Foi uma reação instintiva não querer carne [de animais] em meu corpo. Isso é parte de quem sou. Foi uma decisão pessoal e natural”, informou em entrevista concedida a Liz Miller, do Veg News, e publicada em 22 de fevereiro de 2010.

Skiba não teve trabalho em levar muitos amigos para o vegetarianismo. Na realidade, ele não precisou dizer nada para convencê-los a não consumir mais alimentos de origem animal. Sua tática sempre foi levá-los para comer em restaurantes vegetarianos e veganos, mostrando que opções que não custem a exploração animal não faltam.

“Se eu não tivesse dito a eles que o sanduíche de ‘frango’ que eles estavam comendo era na realidade vegetariano, eles nunca saberiam, e tinha o gosto mais fresco e melhor do que o de qualquer frango. Há muita comida de boa qualidade lá fora e isso fala por si mesmo”, exemplificou o guitarrista e vocalista.

Matt Skiba acredita que a maioria das pessoas amam os animais, e que não é porque elas comem carne que elas são más ou desgostam deles. Para o músico, o problema é a ausência do reconhecimento de uma conexão entre as coisas, de reconhecer as implicações da exploração animal. “Acho que ignorância é uma bênção para muitas pessoas”, declarou.

Ele também disse que muita gente come comida vegetariana sem saber, sem vê-las como comida vegetariana; e que isso é a maior prova de que o vegetarianismo e o veganismo não estão realmente distantes de ninguém.

“Perdi o gosto pela carne. Não como carne há 17 anos. Lembro que olhei para o meu gato e pensei: ‘Cara, não posso comê-lo. Que diferença faria se fosse um gato pequeno ou uma vaca?’ E ocorreu-me que tudo está conectado e que eu não poderia mais contribuir com isso [a exploração animal]”, enfatizou em entrevista ao Cool Try, da Austrália.

Saiba Mais

Matt Skiba nasceu em McHenry, Illinois, em 24 de fevereiro de 1976. Ele fundou o Alkaline Trio em 1996.

Entre os anos de 1998 e 2013, Skiba lançou os álbuns “Goddamnit”, “Maybe I’ll Catch Fire”, “From Here to Infirmary”, “Good Morning”, “Crimson”, “Agony & Irony”, “This Addiction” e “My Shame Is True” com o Alkaline Trio.

Com o Blink 182, ele gravou o álbum “California” em 2016.

Referências

http://vegnews.com/articles/page.do?pageId=1716&catId=5

Interview: Matt Skiba (Alkaline Trio, Matt Skiba and The Sekerets)

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“Seu nível de testosterona deve ser bem baixo, já que você é vegano”

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Prezo por um estilo de vida cada vez mais distante da exploração animal

— Seu nível de testosterona deve ser bem baixo, já que você é vegano. Talvez você devesse se consultar com um médico.

— Será? Fiz isso e está tudo em ordem. Já ouviu falar de um médico chamado Michael Greger? Ele diz que é exatamente quem consome proteína animal em excesso que corre mais riscos de ter baixos níveis de testosterona. Claro, a não ser quem mantenha uma alta ingestão de esteroides, de sintéticos.

— Acho que não, hein? Todo mundo sabe que não tem como ganhar ou manter uma boa massa muscular sem consumir proteína animal. Proteína vegetal é ruim, de baixo valor biológico. Com uma alimentação assim, sua massa muscular some em poucos meses.

— Legal, cara! Deve ser por eu ter baixos níveis de testosterona que peso, não sei, 15 a 20 quilos a mais do que você? Será que é por causa do meu baixo nível de testo que meu braço dá dois ou três do seu? Não precisa responder agora. É só chegar em casa e se observar um pouquinho no espelho.

— Você está me chamando de frango?

— Não, de modo algum. Longe de mim ofender alguém. Além disso, por que eu iria colocar os galináceos nessa história? Eles não têm nada a ver com isso.

— Seu nível de testosterona não vai se manter alto para sempre não…

— Sei disso. Nem o meu, nem o seu, nem o de ninguém, mas isso não me impede de prezar por um estilo de vida cada vez mais natural e cada vez mais distante da exploração animal.

A conversa acabou e nos despedimos cordialmente.

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Written by David Arioch

May 19, 2017 at 1:35 am

César Chávez: “Me tornei vegetariano depois de perceber que os animais sentem medo, frio, fome e tristeza como nós”

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“Bondade e compaixão para com todos os seres vivos é uma marca de uma sociedade civilizada”

Chávez com seus companheiros caninos (Foto: Cathy Murphy)

César Chávez foi um líder dos direitos civis nos Estados Unidos que atuou em defesa dos trabalhadores rurais. Em 1962, ele fundou com Dolores Huerta a National Farm Workers Association, atual United Farmer Workers (UFW). Assim como Mahatma Gandhi e Martin Luther King, Chávez também defendia o ativismo não violento. E foi exatamente isso que o levou a adotar mais tarde o vegetarianismo e a tornar-se também um defensor dos direitos animais.

Em vez da violência, o líder dos direitos civis chamava a atenção para a situação dos trabalhadores rurais por meio de táticas pacíficas como boicotes, greves e jejuns. Em 1968, ele ficou famoso pela realização de um jejum de 25 dias. Logo depois, César Chávez tornou-se vegetariano. A sua adesão ao vegetarianismo também foi influenciada por seu cão Boycott.

“Me tornei vegetariano depois de perceber que os animais sentem medo, frio, fome e tristeza como nós. Tenho sentimentos profundos pelo vegetarianismo e pelo reino animal. Foi meu cão Boycott que me levou a questionar o direito dos seres humanos de comer outros seres sencientes”, disse Chávez em citação registrada no livro “Animal Rights: All That Matters”, publicado em 2013 por Mark Rowlands.

Chávez, que foi vegetariano por 25 anos, e por vezes também considerado vegano, já que ele não consumia nada de origem animal, tornou-se um crítico da exploração animal em todos os níveis, inclusive tendo grande influência sobre milhares de pessoas. Ele não admitia que animais continuassem sendo usados como fonte de comida, cobaias em experiências científicas, “entretenimento” e “esportes”.

De acordo com Marc Grossman, que foi assessor de Chávez, o líder dos direitos civis fazia o possível para mostrar às pessoas que o vegetarianismo já deveria ter sido adotado pela humanidade se o nosso objetivo é um futuro mais justo e pacífico. Em homenagem ao tio e sua filosofia de vida que excluía a violência até mesmo do próprio prato, Camila Chávez tornou-se vegetariana, e em entrevista a Más Magazine declarou que o vegetarianismo é um caminho bem fácil. “Cresci rodeada por vegetarianos, e refeições vegetarianas são sempre uma opção”, comentou.

Carta escrita por Chávez em defesa dos animais (Foto: Reprodução)

Chávez acreditava que a paz só poderia ser verdadeiramente alcançada a partir do momento em que começássemos a respeitar todas as criaturas. “Bondade e compaixão para com todos os seres vivos é uma marca de uma sociedade civilizada. Por outro lado, a crueldade, seja dirigida contra seres humanos ou animais, não é exclusiva de qualquer cultura ou comunidade de pessoas”, escreveu em uma carta de 26 de dezembro de 1990, endereçada a Eric Mills, da Action For Animals.

Ele declarou ainda que luta de cães e galos, touradas e rodeios são provenientes da mesma fábrica, a fábrica da violência. Além disso, César Chávez defendia a valorização dos pequenos agricultores, e a produção de alimentos naturais. Nos Estados Unidos, o dia 31 de março, que lembra o seu aniversário, é dedicado à sua memória.

Nesse dia, muitas pessoas, principalmente na Califórnia e na Flórida, realizam trabalho voluntário em benefício da comunidade. Muitos inclusive passam o dia em abrigos de animais, distribuindo e divulgando panfletos sobre os direitos humanos e animais – considerados por Chávez como indissociáveis.

Saiba Mais

César Chávez nasceu em 31 de março de 1927 em Yuma, Arizona, e faleceu em San Luiz, também no Arizona, em 23 de abril de 1993.

Ele foi indicado três vezes ao Prêmio Nobel da Paz.

Referências

Rowlands, Mark. Animal Rights: All That Matters. McGraw-Hill Education; Primeira Edição (2013).

http://www.all-creatures.org/articles/ar-honoring.html

https://web.archive.org/web/20110708042558/http://in-dios.blogspot.com/2008/03/soy-vegetariano.html

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Breve conversa entre um vegano e um não vegano

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Two Men Talking, de Mike Jones

Um vegano encontrou um não vegano.

— Você sabia que as plantas sentem dor, né?

— Não, elas não sentem. Elas respondem a estímulos sonoros, o que ainda está longe de significar dor.

— Elas sentem sim. Tenho certeza disso. E estão no mesmo nível evolutivo dos animais. Você não tem dó das plantas?

— Tenho dó sim, tanto que eu arranco-as gentilmente da terra para não vê-las sangrar.

— Engraçadão.

— Mas e se um dia for comprovado que todas as plantas sentem dor?

— Eu me adaptaria. Pararia de comê-las. Há sempre uma solução para coisas assim. Mas por que essa preocupação vindo de alguém que se alimenta de tudo que caminha sobre a terra? Quando você vai parar com essa demagogia e deixar de comer seres vivos que sangram como nós e apodrecem como nós? Não há sentido em defender a senciência das plantas enquanto ignora a dor daqueles que agonizam diante de seus olhos. Reflita.

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Uma luz estranha

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Notei uma luz estranha, como se estivesse me seguindo

À noite, saindo da academia, notei uma luz estranha, como se estivesse me seguindo; projetando-se rasteira, em direção às minhas pernas. Quando olhei para trás, vi um cachorro com uma lanterninha na cabeça.

 

 





Written by David Arioch

May 17, 2017 at 1:06 am