David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

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A perspectiva de Sócrates sobre a coisificação dos animais não humanos

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A coisificação dos animais não humanos é apontada por Sócrates e Glauco como algo capaz de impedir a humanidade de alcançar a felicidade. “E, se seguirmos esse modo de vida, não teremos de visitar o médico com mais frequència?”, questiona o filósofo, que recebe a confirmação de Glauco: “Teríamos tal necessidade.” Sócrates prevê ainda que o hábito de comer animais e criá-los com a finalidade de vendê-los transformaria o ser humano em alguém não somente ambicioso, mas ganancioso a ponto de espoliar propriedades vizinhas para ampliar suas pastagens:

“Se nosso vizinho seguir um caminho semelhante, não teremos que ir à guerra contra o nosso próximo para garantir maiores pastagens? Porque as nossas não serão mais suficientes para o nosso sustento, e nosso vizinho terá a mesma necessidade e entrará em guerra conosco?” Glauco corrobora o receio do ateniense ao confirmar que sim, deixando subentendido que a humanidade se tornaria mais suscetível à decadência e às tentações de uma sociedade imersa em desigualdades. Para Sócrates, a redução dos animais à comida seria um gatilho para minar as condições de construção de uma sociedade mais justa – e um distanciamento cada vez mais crescente da forma mais genuína de felicidade.

Essas reflexões de Sócrates envolvendo a exploração animal e o consumo de carne vão ao encontro do estudo da virtude. Ele dizia que é mais importante a busca do desenvolvimento humano do que a busca pela riqueza material – um dos principais motivos da exploração de animais enquanto produtos. Sócrates acreditava tanto nisso que nem mesmo quando foi sentenciado à morte por questões políticas, segundo as obras “Apologia” e “Críton”, de Platão; e pessoais, de acordo com Xenofonte, optou por curvar-se ao júri ou fugir em vez de enfrentar a injusta condenação. Nascido em 470 a.C., Sócrates, que preferiu à morte ao exílio, faleceu em 399 a.C, depois de ser obrigado a ingerir cicuta após 30 dias preso.





Mark Twain: “Meus experimentos provaram que o homem é o animal irracional”

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“O homem é um animal racional. Assim como ele se intitula. Eu acho que essa afirmação é discutível. De fato, meus experimentos provaram que o homem é o animal irracional. Na verdade, o homem é incrivelmente tonto. Coisas simples que outros animais aprendem facilmente, ele é incapaz de aprender. Os meus experimentos provam isso. Em uma hora, ensinei um gato e um cachorro a serem amigos. Em outra hora, os ensinei a serem amigos de um coelho. Ao longo de dois dias, incluí uma raposa, um ganso, um esquilo e algumas pombas nesse círculo social. Finalmente, um macaco. Eles viveram juntos em paz, inclusive carinhosamente.

Em outro local, confinamos um católico irlandês de Tipperary e um presbiteriano escocês de Aberdeen. Em seguida, um turco de Constantinopla, um grego cristão de Creta, um armênio, um metodista das regiões selvagens do Arkansas, um budista da China, um brâmane de Varanasi; Finalmente, um coronel do Exército da Salvação de Wapping. Então fiquei longe por dois dias. Quando retornei para observar os resultados, estava tudo bem na gaiola dos animais superiores, mas na outra havia um caos sangrento, com ossos e carne. Nenhum espécime foi deixado vivo. Esses animais racionais discordaram de detalhes teológicos e levaram a questão a um Tribunal Superior.”

Mark Twain em “Letters from the Earth: Uncensored Writings”, publicado em 1962.





Written by David Arioch

October 14th, 2017 at 3:24 am

Muitos temem reconhecer que os animais são sensíveis, conscientes e inteligentes

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Foto: Tally Walker Warne

Muitos temem reconhecer que os animais não humanos são sensíveis, conscientes e inteligentes, isto porque ao aceitar a constatação desse fato o ser humano tem de lidar com a própria consciência, e ninguém quer ver a si mesmo (e talvez menos ainda que os outros o vejam) como alguém que não se importa apenas com a sua vida e a dos seus, surgindo assim um embate que pode gerar ou não mudanças dependendo da maneira como alguém lida com a realidade, seja aceitando-a ou refugiando-se na dissimulação.

Quando o véu da inocência, do desconhecimento ou da ignorância deita ao chão, ao ser humano resta duas opções – a mudança, que pode levá-lo a uma nova perspectiva do valor da vida, incluindo talvez até um exame do seu papel enquanto ser humano; ou a uma desconsideração, empáfia ou egotismo, representando assim uma posição de reafirmação de que somente nós somos importantes, e todo o resto existe apenas para nos servir, independente se há privação, sofrimento ou morte. Afinal, toda exploração animal traz consequências negativas em menor ou maior proporção.





Jason Voorhees jamais feriu ou matou um animal não humano

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Jason Voorhees protagonizou 12 filmes entre os anos de 1980 e 2009

Um fato interessante sobre Jason Voorhees, protagonista da franquia Friday the 13th, é que embora ele tenha matado até 300 pessoas ao longo de 12 filmes, Jason jamais feriu ou matou um animal não humano. Por mais estranho que possa parecer, isso provavelmente fez com que muita gente acabasse tendo simpatia pelo personagem que se tornou um dos maiores ícones do cinema de terror, e principalmente do subgênero slasher.





Written by David Arioch

October 14th, 2017 at 2:09 am

Você sabe por que os animais ficam em jejum antes do abate?

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Fotos: Daryl Hewison e Pixabay

Você sabe por que os animais ficam em jejum antes do abate? Por um período de 8 a 24 horas dependendo do sistema de produção e da espécie.

Para evitar vômitos e congestão durante o transporte, ou até mesmo asfixia. Também facilita o abate e diminui as chances de contaminação da carne. Uma prática bastante humanizada, não? Ou seja, os interesses que são considerados prioritariamente são os dos criadores, dos frigoríficos e dos consumidores. E os interesses dos animais? Simplesmente não são abalizados, já que eles são categorizados como produtos, não sujeitos de uma vida.





Written by David Arioch

October 8th, 2017 at 1:19 am

Tom Regan: “Comer animais, comer sua carne, como eu fazia, certamente encorajava seu abate”

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Fora seu pacifismo, Gandhi me fazia um desafio novo, que falava diretamente aos hábitos da minha vida. Embora escrevesse para todo e qualquer leitor, ele parecia estar falando pessoalmente comigo. Era como se ele quisesse saber como eu, Tom Regan, podia ser contra a violência desnecessária, como a da Guerra do Vietnã, quando os seres humanos são as vítimas, mas apoiar este mesmo tipo de violência (violência desnecessária) quando as vítimas são os animais.

“Por favor, me explique, professor Regan”, a voz de Gandhi pedia, da página, “o que aquelas partes de corpos mortos (isto é, ‘pedaços de carne’) estão fazendo no seu freezer? Por favor, explique, professor, como é que o senhor pode reunir ativistas antiguerra na sua casa e lhes servir uma vítima de outro tipo de guerra, a guerra não declarada que os humanos estão empreendendo contra os animais?” Não tenho certeza, mas tive a impressão de detectar um sorriso furtivo e sarcástico no rosto de Mahatma.

Claro que Gandhi estava certo sobre algumas coisas. Comer animais, comer sua carne, como eu fazia, certamente encorajava seu abate, um modo verdadeiramente horrível e violento de morrer, algo que mais tarde eu acabaria conhecendo de perto, quando, mesmo sentindo uma forte aversão ao que estava fazendo, vi porcos, galinhas e vacas encontrarem seu fim sangrento.

Páginas 48 e 49 de Empty Cages (Jaulas Vazias), de Tom Regan.

 





Written by David Arioch

October 5th, 2017 at 8:49 pm

Aos animais a liberdade

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Bilhões de animais criados para consumo no mundo todo escutavam isocronicamente um som jamais ouvido antes

Sonhei que bilhões de animais criados para consumo no mundo todo escutavam isocronicamente um som jamais ouvido antes; um tipo de chamamento que fazia com que nada temessem, apenas reconhecessem a sua força em evidência por uma subitânea expansão da consciência.

Arrebentavam gaiolas, grades, correntes, atravessavam pastos e cidades. Se articulavam como nunca, como seres sociais que são. Fugiam de matadouros e laboratórios. Não podiam mais ser tocados, mas simplesmente observados. Aos seres humanos, incapazes de se moverem por um artifício romanesco, restava o direito e a obrigação de assistir tudo como meros espectadores.

A cada passo dos sobreviventes em direção à vida, os seres humanos eram presenteados com flashes da libitina, do decesso, da ortotanásia, da morte; não da própria morte, nem de mortes humanas, mas da finitude dos familiares daqueles animais que remanesceram. Os olhos de uma vaca que corria em celeridade, mesmo com os úberes morrudos e quase tocando o chão, projetavam titânicos hologramas de crianças mortas. Todos os seus filhos executados ao longo de anos de ordenha.

Uma galinha sem bico e com olhos cor de terra projetava o exato momento de sua debicagem, calvário que perdurou por semanas. Na cumeeira, no ponto mais alto de muitas cidades, havia projeções colossais de pintinhos sendo triturados em máquinas. Não paravam de cair, não paravam de morrer. Lembranças de um passado hodierno.

Pessoas tentavam cobrir suas cabeças, temendo que o sangue das pequenas criaturas pudesse lavar suas ignorâncias, insipiências. O obnóxio apedeutismo sufocaria. Mas o ser humano é recalcitrante. Pessoas de todas as idades persistiam; tentavam vendar os olhos, seus e dos outros. Não era mais possível abrenunciar a realidade.

Aqueles que privaram os filhos da verdade também amargaram consequências; as crianças não foram poupadas. Por que seriam? Os animais corriam, e os hologramas se expandiam. A morte evidenciada visceralmente por todos os lados, sem romantismo, sem subversão conscienciosa. A verdade avançava. O céu virou um painel.

Cenas de peixes sufocados em tralhas e devolvidos (ou não) ao mar agonizavam, incapazes de sobreviver por mais do que minutos sempiternos. O fim chegaria, mas custaria. Oceanos, mares e rios cuspiam a humanidade, seus barcos, suas bargas e tralhas. Porquinhos soluçavam pendurados sobre grilhões. Era o último registro do último matadouro. Caprinos e ovinos saltavam sobre os carros; amassavam latarias e corriam.

Aos animais a liberdade, à humanidade o reconhecimento da fealdade. Mais adiante, animais telúricos desapareciam através de tocos de árvores transformados em troncos que se alargavam e funcionavam como portais. Nas águas, os não humanos atravessavam crateras, furnas e lapas quiméricas que repeliam os indesejados. Do outro lado, na terra, na água ou no céu, não havia humanidade, somente reciprocidade semeada pela vontade.





Além do barulho desconfortável, fogos de artifício contêm insumos de origem animal

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Além de fogos de artifícios causarem um grande mal aos animais por causa da audição sensível, que acarreta demasiado desconforto em situações de muito barulho, ou até mesmo fobias, outro ponto a se considerar é que fogos de artifício normalmente têm insumos de origem animal em sua composição.

O insumo mais comum é o ácido esteárico (proveniente de gordura animal), o mesmo usado na fabricação de pneus. Mas por que colocam esse ácido em fogos de artifício? Os fabricantes fazem isso para revestir o pó metálico (de alumínio ou magnésio), assim evitando a oxidação.

Dessa forma, podemos concluir que os animais também são usados como matéria-prima para criar algo que vai incomodar outros animais, levando em conta a produção e aplicação dos fogos de artifício.

 

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Sobre testes com animais na indústria tabagista

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Foto: Occupy for Animals

Algumas pessoas ficaram chocadas com o meu artigo sobre o cigarro ser testado em animais. Achei isso intrigante. Afinal, estamos falando de um produto com 5.315 toxinas. Se usam animais até em testes de papel higiênico e alimentos, é claro que tratando-se de cigarro não é possível esperar o melhor para os animais quando eles são usados em testes da indústria tabagista. Também é importante ponderar que há animais que têm uma grande facilidade de desenvolver dependência química em estado de subjugação, como é o caso dos macacos.

 





Written by David Arioch

September 25th, 2017 at 1:23 am

Como falar em respeito às plantas quando não há respeito aos animais?

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Quando as pessoas falam em respeito às plantas, mas se alimentam de animais, às vezes pergunto: “Como você fala em respeito às plantas quando ainda não há respeito aos animais?” O respeito é um questão de gradação, as coisas vão evoluindo conforme vamos nos mobilizando e nos predispondo às mudanças que representem uma real preocupação com outras formas de vida.

E a preocupação só existe, de fato, quando nossas ações condizem com nossos discursos. Não é muito coesivo falar em respeito às plantas se antes não há respeito aos animais, já que as duas coisas estão associadas. Ademais, como falar em respeito às plantas quando o fim delas está associado principalmente à morte de animais? Pode parecer duro, mas considero uma resposta justa a essa pergunta.

 

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Written by David Arioch

September 25th, 2017 at 12:51 am