David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for the ‘animais’ tag

Uma mensagem de Natal

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Written by David Arioch

December 24th, 2018 at 7:01 pm

Acredito que veganos votando no Bolsonaro estão sendo os mais especistas

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Eu acredito realmente que veganos votando no Bolsonaro estão sendo os mais especistas. A lógica é simples. Esse voto é uma reação de ódio ao PT, e nesse caso quem vai pagar a conta são os animais, simplesmente porque a cólera humana desconsidera até mesmo as lutas em defesa dos mais vulneráveis. E ódio é uma manifestação de ego, uma manifestação de veleidade.

Não vejo maior prova disso do que o endosso às três bancadas que historicamente neste país mais desprezaram os animais – ruralista, religiosa e armamentista. Ninguém nega que a JBS cresceu assustadoramente no governo PT, e que há sim muita culpa nos benefícios concedidos a JBS, mas, francamente, eu não vou ficar olhando pra trás quando um candidato a presidente já firmou compromisso para os próximos quatro anos de transformar o Brasil em um inferno ainda mais visceral para os animais, com apoio de centenas de deputados que olham para os animais como objetos, bens de consumo e até mesmo lixo.

Estou falando de um cara que apoia abertamente caça (não me interessa se ele citou apenas javali, caça é caça. E ainda por cima firmou compromisso com o Clube de Caça de Goiânia). O sujeito apoia vaquejada, pesca em área de proteção ambiental, já disse que vai sair do Acordo de Paris, que é o único compromisso do Brasil com a redução da emissão de gases do efeito estufa. O indivíduo deixou claro que as questões ambientais passarão pela bancada ruralista, o que coloca as nossas reservas naturais em risco mais premente. Estou fora de apoiar alguém assim.

 

Written by David Arioch

October 10th, 2018 at 3:09 pm

Parta-me a cabeça, mas preserve a deferência

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Ele construiu sozinho um forte subterrâneo para abrigar uma superpopulação de cães perseguidos pelos otomanos (Arte: Hendrik Gericke)

“Parta-me a cabeça, mas preserve a deferência”, esta foi a última frase de um homem em Smederevo chamado Struja, morto em 1413. Ele construiu sozinho um forte subterrâneo para abrigar uma superpopulação de cães perseguidos pelos otomanos. Quando o encontraram, havia mais de 300 animais vivendo com ele abaixo da superfície. Rodeado de cães, Struja os observou e disse:

“Finda minha jornada onde começa a vossa.” Um golpe certeiro de espada ceifou-lhe a vida, arrastando sangue morno pelas pedras. Os otomanos partiram e os cães continuaram ao redor de Struja. Dias depois, quando os otomanos retornaram, não havia mais cães nem o corpo deixado para apodrecer.

No ano seguinte, um homem com as mesmas características de Struja foi visto atravessando o Danúbio em um barco com centenas de cães. Os otomanos só localizaram a embarcação uma semana depois. Não havia ninguém: “Morro porque não morro. A vida que me habita não me pertence. E se sua força não delega o bem, às vezes a sorte vem” – escreveu em uma pedra deixada no barco.

Written by David Arioch

August 4th, 2018 at 5:38 pm

Cientistas reconhecem que animais se comunicam de forma semelhante à humana

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Não são apenas os seres humanos que consideram rude as interrupções durante uma conversa

Descoberta revela não apenas a capacidade não humana de definições de comportamento social, como também inteligência (Foto: Reprodução)

Cientistas do Reino Unido e da Alemanha publicaram este mês na revista científica da “The Royal Society” um artigo intitulado “Taking turns: bridging the gap between human and animal communication”, em que reconhecem que os animais se comunicam de forma semelhante à humana.

De acordo com os cientistas Simone Pika, Ray Wilkinson, Kobin H. Hendrick e Sonja C. Vernes, animais não humanos, embora partilhem de um diferente código comunicativo em relação aos humanos, também costumam considerar a importância de “um ouvir enquanto o outro fala”. O que revela não apenas a capacidade não humana de definições de comportamento social, como também inteligência – o que não é limitado a poucas espécies. O artigo afirma que isso pode ser encontrado em todo o reino animal.

Durante muito tempo, acreditou-se que a pausa para ouvir enquanto o outro fala fosse uma característica estritamente humana, inclusive nos diferenciando dos primatas. O que, sobretudo, não é verdade, segundo os cientistas. Até mesmo animais como rato-toupeira reconhecem que a comunicação depende de turnos de emissões de sons – ou seja, é importante o silêncio de um dos interlocutores enquanto o outro se comunica.

Os autores do estudo afirmam que o “timing” é uma característica fundamental nos turnos de comunicação de animais humanos e não humanos. Mas o tempo de espera pode variar de espécie para espécie. Algumas aves, por exemplo, são conhecidas como “tagarelas” e “impacientes”, então não aguardam mais do que 50 milissegundos para “falarem” durante uma conversa. Já os cachalotes estão entre os animais mais pacientes porque, em resposta a um diálogo, normalmente “falam” dois segundos depois.

O artigo publicado pela The Royal Society deixa claro que não são apenas os seres humanos que consideram rude as interrupções durante uma conversa. Chapins e estorninhos europeus dão tanta importância ao “timing” em uma conversa que foram identificados como espécies que “treinam” para evitar a sobreposição durante a comunicação:

“Se ocorrer sobreposição, os indivíduos ficam em silêncio ou fogem, sugerindo que a sobreposição pode ser tratada, nessa espécie, como uma violação das regras socialmente aceitas de tomada de turnos”, informa o estudo “Taking turns: bridging the gap between human and animal communication”.

Os pesquisadores reconhecem que a falta de dados e de comunicação entre cientistas dificultou que estudos como esse fossem viabilizados anteriormente, já que o último trabalho nessa linha foi feito há 50 anos. Agora, Simone, Wilkinson, Hendrick e Sonja, que são especialistas em linguagem humana e animal, estão planejando traçar a história evolutiva da tomada de turnos durante a comunicação, o que pode permitir um novo entendimento das origens da linguagem, um território em que ainda há muito a ser explorado.

Referências

Pika, Simone; Wilkinson, Ray; Kendrick, H. Kobin; Vernes, C. Sonja. Taking turns: bridging the gap between human and animal communication. Proceedings of the Royal Society B – Biological Sciences. The Royal Society Publishing (6 de junho de 2018). 

Gabbattis, Josh. Animals are always talking to each other, scientific review finds. The Independent (6 de junho de 2018).

 

 

 

 





Written by David Arioch

June 20th, 2018 at 12:27 pm

Por que é mais ético não se alimentar de animais

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Gary Francione critica veganos que “celebraram” a morte de Anthony Bourdain

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Anthony Bourdain se tornou impopular entre vegetarianos e veganos por causa de suas declarações e fotos polêmicas (Foto: Reprodução)

No último final de semana, o professor de direito da Rutgers School of Law, de Newark, New Jersey, Gary Francione, uma das referências internacionais na luta pelos direitos animais, criticou em sua página os veganos que “celebraram” o suicídio do chef e autor Anthony Bourdain.

Bourdain era conhecido por fazer críticas a vegetarianos e veganos. Em uma entrevista concedida à Folha de S. Paulo em 2000, ele declarou que o vegetariano é uma pessoa que pede a um pintor para que faça um quadro usando apenas duas cores. “Ignorar todas as carnes, ou, pior, leite e derivados, como fazem os radicais, é inaceitável.”

No ano seguinte, ele publicou o livro “Kitchen Confidential”, em que compara vegetarianos e veganos com membros do Hezbollah, os chamando de inimigos de tudo de bom e decente no espírito humano. “Uma afronta a tudo que defendo, o puro prazer da comida”, escreveu. Bourdain também era conhecido por suas fotos provocativas em que aparece debochando de animais mortos. Paradoxalmente, o chef também dizia que ele não tinha de concordar com uma pessoa para gostar dela ou respeitá-la.

Por outro lado, os defensores de Anhony Bourdain dizem que ele se tornou mais flexível nos últimos anos, levando em conta que suas declarações mais polêmicas são da década passada. Em entrevista concedida ao Eater e publicada em 18 de abril deste ano, Bourdain afirmou que reconhece a importância das alternativas aos alimentos de origem animal, considerando principalmente a quantidade de pessoas passando fome no mundo.

Diante da grande repercussão após a morte de Bourdain, Gary Francione decidiu se manifestar a respeito, dizendo que viu um número de postagens absolutamente vis de pessoas que afirmam serem veganas celebrando a morte por suicídio de Anthony Bourdain. “Bourdain não era diferente de qualquer outro não vegano. Aqueles veganos que celebraram o suicídio de Bourdain, mas não festejaram o suicídio de seus parentes e amigos não veganos, são apenas hipócritas misantrópicos.” Ele enfatizou que nenhum vegano abolicionista deve celebrar a morte de ninguém – incluindo a morte de alguém que acabou com a própria vida por causa da depressão.

 





 

Written by David Arioch

June 12th, 2018 at 3:08 pm

Ativistas veganos podem ser condenados à prisão por resgatarem animais da morte

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“Porcos bebês estão sofrendo mutilação, fome e abuso em Smithfield”

Ativistas podem ser condenados a anos de prisão por resgatarem leitões (Foto: DxE)

Esta semana, alguns ativistas da rede global de direitos animais Direct Action Everywhere (DxE) terão de comparecer ao tribunal após serem acusados no mês passado de invadirem uma fazenda industrial em Mildford, no condado de Beaver, em Utah. Na ocasião, eles resgataram dois leitões da morte. No entanto, o gabinete do procurador-geral de Utah fez outra leitura do episódio.

A procuradoria acusou Wayne Hsiung, Paul Picklesimer, Samer Masterson, Andrew Sharo e Jonathan Frohnmayer de arrombamento e roubo de animais – qualificados como crimes de segundo grau. Com exceção de Masterson, os outros ativistas também foram acusados de tumulto, delito tipificado como classe A.

Eles irão ao tribunal duas vezes esta semana. Na quarta-feira, além dos cinco acusados, Diane Gandee Sorbi, de 63 anos, também deve comparecer à Corte de Sanpete County, onde enfrenta duas acusações por ter roubado um filhote de peru, na tentativa de livrá-lo da morte. Segundo os ativistas, que podem ser condenados a anos de prisão, os animais estavam vivendo em situação degradante.

“Porcos bebês estão sofrendo mutilação, fome e abuso em Smithfield, e a empresa não quer que o público saiba disso”, declarou Wayne Hsiung. Em sua defesa, a Smithfield Food’s Circle Four Farms negou todas as acusações feitas pelo grupo.





 

Como o consumo de carne favorece a destruição da identidade dos animais

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Como achar normal a morte de 70 bilhões de animais terrestres por ano para consumo?

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Moby: “Precisamos parar de usar os animais como alimentos”

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Imagem publicada por Moby em sua conta no Instagram

Ontem, no Dia Mundial do Meio Ambiente, o músico vegano Moby usou a sua conta no Instagram para motivar as pessoas a abdicarem do consumo de alimentos de origem animal.

Ele publicou uma foto da destruição das florestas tropicais provocada pela invasão da agropecuária e declarou que vale a pena lembrar que a agricultura animal é responsável por 45% das mudanças climáticas, 95% da destruição das florestas tropicais, 40% do uso de água e 50% da acidificação dos oceanos.

“Então, é claro que precisamos acabar com nossa dependência dos produtos petrolíferos e parar de usar óleo de palma, mas, para salvar a única casa que temos (assim como 100 bilhões de animais, anualmente), precisamos parar de usar os animais como alimentos”, alertou.