David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for the ‘arte’ tag

Roland Straller e a inversão de papéis entre animais humanos e não humanos

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Mulheres no lugar de vacas leiteiras, na perspectiva de Straller

Roland Straller é um artista vegano alemão que gosta de abordar a inversão de papéis na relação entre animais humanos e não humanos. Na série “Got Milk?”, ele convida os consumidores de leite a passarem um dia na pele das vacas leiteiras exploradas em regime industrial. Straller é satírico e suas obras de caráter quase sempre sepulcral destacam a perversidade semeada pela indiferença e pela legitimação de um caos que parece invisível aos olhos da maioria.





Written by David Arioch

August 26th, 2017 at 6:12 pm

Sue Coe e o retrato do sofrimento das porcas nas gaiolas de gestação

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Arte: Sue Coe

Gosto do trabalho da artista vegana inglesa Sue Coe. Ela produz uma arte lúcida, fidedigna, testemunhal e desconcertante. Em uma de suas obras, que faz parte do seu acervo na Graphic Witness, ela mostra porcas em gaiolas de gestação. O espaço é tão estreito que elas são incapazes de se moverem, realidade que ela testemunhou em fazendas industriais.





Written by David Arioch

August 15th, 2017 at 2:14 am

Sue Coe e o bezerro no matadouro

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Arte: Sue Coe

“Inside the Abattoir” é um incrível e realista desenho da artista britânica Sue Coe. O contraste do bezerro hesitante e assustado, e as figuras humanas indiferentes ao temor animal, acostumados com essa realidade em que a criatura bovina não simboliza nada mais do que um objeto.

E nas laterais, de um lado alguns bezerros sobressaltados observam com olhos intumescidos e suplicantes a insensibilidade humana. Do outro, bezerros assistem a inação do bezerro na pista. Os bezerros à esquerda estão mais imersos nas sombras, talvez pelo choque com a última grande desilusão representada pelo homem que se distrai com um cigarro na boca, ignorando tudo que está logo atrás dele.

As paredes brutas, o isolamento, o ambiente soturno que não revela o que existe mais adiante também parece representar o fato de que o animal é morto de forma traiçoeira, já que ele é impossibilitado de ver o que aconteceu com aqueles que seguiram antes dele pelo mesmo caminho.

 

 

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Erica Floyd e a exploração de animais na indústria de laticínios

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Arte: Erica Floyd

A artista vegana Erica Floyd desenhou a imagem de um ser humano bebendo leite do úbere da vaca e afastando o bezerro, que tem lágrimas em seus olhos porque foi privado do direito de mamar. A proposta da pintora é mostrar o que acontece quando consumimos laticínios, ou seja, quando damos suporte à exploração das vacas. Ao fundo, bezerros mortos e envoltos por manchas de sangue.





Written by David Arioch

July 22nd, 2017 at 12:53 am

“O Porco Abatido”, de Lovis Corinth

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“Geschlachtetes Schwein”, de Lovis Corinth

Um dos mais importantes nomes do impressionismo alemão, Lovis Corinth foi um dos primeiros artistas a registrar com um olhar humanizado a realidade dos animais mortos para consumo humano. Diversas de suas pinturas retratam o cotidiano dos matadouros, dos animais antes e após o abate.

Em “Geschlachtetes Schwein”, obra de 1906-1907, ele retratou a escuridão que permeia a morte de um porco recém-abatido. A única claridade é emanada do corpo do próprio animal. Ao seu redor parece restar apenas o vácuo da inexistência.





Hoje é aniversário do Tio Lu

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Tio Lu usa a arte como meio de afastar crianças e adolescentes das ruas, das drogas e do crime (Foto: David Arioch)

Hoje é aniversário do Tio Lu, da Oficina do Tio Lu. Fui até a Vila Alta dar um abraço nele e conversar um pouco. Ele está muito feliz de chegar aos 87 anos com pique para trabalhar e para ajudar a garotada do bairro. Tio Lu, que foi tema do meu documentário “Oficina do Tio Lú“, usa a arte como meio de afastar crianças e adolescentes das ruas, das drogas e do crime.

Written by David Arioch

June 2nd, 2017 at 12:33 am

Paolo Troubetzkoy: “Se você compra [carne], você está autorizando a morte de animais”

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“Como não posso matar, não posso autorizar os outros a matarem”

Alexandra Tolstói: “O meu pai gostava muito dele. Era um doce e inocente ser humano com grandes dons” (Foto: Reprodução)

Considerado pelo escritor irlandês George Bernard Shaw como o escultor mais surpreendente dos tempos modernos, o escultor italiano de origem russa Paolo Troubetzkoy conquistou muita fama na Rússia nas primeiras décadas do século 20. Influenciado pelas obras de Auguste Rodin e Medardo Rosso, Troubetzkoy criou esculturas que se tornaram mundialmente famosas, como do imperador Alexandre III da Rússia, do pintor Isaac Levitan, do escritor Liev Tolstói, da princesa M.N. Gagarina com sua filha Marina e da grande duquesa Elizabeth Feodorovna.

Assim como Tolstói e Elizabeth, o escultor e pintor italiano de origem russa também era vegetariano. “O meu pai gostava muito dele. Era um doce e inocente ser humano com grandes dons. Ele praticamente não lia nada, falava pouco e passou toda a sua vida envolvido com esculturas”, declarou Alexandra Tolstói, a filha caçula de Liev Tolstói, reproduzindo memórias que seu pai preservou da amizade com Troubetzkoy, para quem posou de bom grado na criação de várias esculturas em sua homenagem. A citação pode ser encontrada no livro “Tolstoy: A Life of My Father”, publicado em 1953 e em 1972.

Quando o questionavam sobre o motivo dele não se alimentar de animais, Troubetzkoy quase sempre respondia com uma voz tranquila e parcimônia peculiar: “Não posso me alimentar de cadáveres.” Em seu estúdio em São Petersburgo, ele produziu muitas obras inspiradas na vida selvagem. Inúmeras de suas esculturas foram criadas visando captar a essência da importância da liberdade animal.

O escritor George Bernard Shaw dizia que ele era um humanitarista extraordinário, incapaz de se alimentar de um animal. Sua contrariedade em relação à matança de animais era tão grande que, mesmo tímido, ele jamais deixou de se manifestar em relação a isso.

Talvez essa insatisfação também tenha influenciado o estilo de Troubetzkoy, marcado por um intimismo e melancolia que deram origem a uma forma nervosa de impressionismo. Além de Bernard Shaw e Tolstói, outros nomes importantes de sua época e que viam uma qualidade rara em suas obras estavam o Barão de Rothschild, o conde Robert de Montesquiou, Gabriele D’Annunzio, Arturo Toscanini, Enrico Caruso e Giovanni Segantini.

Escultura que Troubetzkoy fez em homenagem ao escritor russo Liev Tolstói (Foto: Reprodução)

O escultor russo lecionou na Academia Imperial de Belas Artes de Moscou e recebeu importantes prêmios – como o grande prêmio da Exposição de Paris em 1900. Além da Europa, suas obras também foram levadas para os Estados Unidos. “Como não posso matar, não posso autorizar os outros a matarem. Você entende? Se você compra [carne] de um açougueiro, você está autorizando a morte de animais – a morte de criaturas indefesas e inocentes, que nem eu nem você poderíamos matar”, declarou em entrevista registrada na página 22 da The Vegetarian Magazine em 1907.

Saiba Mais

Paolo Troubetzkoy nasceu na comuna italiana da Verbania em 15 de fevereiro de 1866 e faleceu na comuna de Novara, também na Itália, em 12 de fevereiro de 1938.

Referências

The Vegetarian Magazine, Volume 11, página 22 (1907).

Davis, Gail. Vegetarian Food for Thought. Página 69. New Sage Press (1999).

IVU World Vegetarian Congress Souvenir Book. Warriors for Vegetarianism  (1957).

Tolstoy, Alexandra. “Tolstoy: A Life of My Father”. Octagon Books (1972).

 

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O triste fim da liberdade de Matias Ziatriko

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Foto: Samira Lemes

Fiquei sabendo agora que o malabarista uruguaio Matias Ziatriko, de 29 anos, foi assassinado com dez tiros em Ji-Paraná, Rondônia, no último dia 8, no pátio de um posto de combustíveis. Matias se envolveu em uma discussão com um rapaz que começou a ofendê-lo, chamá-lo de vagabundo, por causa do seu trabalho como artista de rua. Matias ficou um bom tempo em Paranavaí em 2016, e até onde sei, jamais foi agredido ou agrediu alguém. Lamentável saber que há lugares onde a vida vale menos ainda.

Triste como a liberdade de algumas pessoas, que não têm os objetivos comuns e tradicionalistas de tanta gente, é vista como uma afronta existencial. Desde criança, me identifico com os marginalizados, e acho tão ridículo quando as pessoas veem como sucesso apenas aquilo que lhes parece socialmente aceitável. E muitos adoecem cedo porque compram tal ideia; mesmo que isso signifique suprimir os próprios sonhos. O que vale nesta vida é ser fiel àquilo que faz a existência valer a pena. O resto o tempo arrasta sem clemência.

No dia 31 de agosto de 2016, escrevi algo sobre o Matias Ziatriko em meu blog, quando eu ainda não sabia o seu nome:

“Passei ontem à noite por um semáforo da Avenida Paraná e tinha uma fila imensa de carros. Sob chuva, um rapaz com a roupa toda molhada fazia malabarismo sobre um monociclo. Entendo que ele ame o que faz, mas provavelmente ele não estaria ali naquele momento se não precisasse.

O que me surpreendeu foi que só eu e outro cara demos alguns trocados pra ele. Será que todas aquelas pessoas não tinham pelo menos algumas moedas para darem ao artista de rua?

Sinceramente, minha situação nem sempre é das melhores, mas também não é tão ruim a ponto de eu perder completamente o ímpeto de ajudar alguém ou reconhecer o esforço dos outros.”

Ajuda

A família agora precisa de ajuda para enviar o corpo de Matias para o Uruguai. Quem puder contribuir, os dados para depósito ou transferência estão logo abaixo:

Banco Itaú
Titular: Samira Santos Lemes
CPF: 060.234.039-05
Agência: 1538
Conta Corrente: 56996-1

 

Written by David Arioch

April 11th, 2017 at 12:38 am

Raj Singh Tattal: “Quem come carne está desconectado dos animais”

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Pentacularartist, um artista britânico contra a naturalização da exploração animal

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“The Silence of the Lambs”

Aos 38 anos, o britânico Raj Singh Tattal foi diagnosticado com Síndrome de Asperger, o que o ajudou a entender porque ele se tornava tão obsessivo quando se dedicava a alguma atividade. Embora desenhasse desde criança, quando descobriu o transtorno do espectro autista fazia 11 anos que ele tinha deixado o lápis de lado. Vegano, Tattal retomou o seu trabalho como desenhista na mesma época e, entre suas prioridades, decidiu usar a arte para fazer as pessoas refletirem sobre a crueldade contra os animais.

Para o artista, quem come carne está desconectado dos animais. “Me incomoda a maneira como os animais do campo são tratados e alimentados. Cordeiros são amados pelas crianças, mas também são mortos para o consumo humano. Há tantos adultos quanto crianças que não veem problemas nisso. E um filme que mostra essa estranha relação é ‘The Silence of the Lambs’ [O Silêncio dos Inocentes’ no Brasil]”, diz Raj Singh, também conhecido como Pentacularartist.

Ele se refere à cena em que Jodie Foster relembra a infância, quando estava em uma fazenda testemunhando a matança dos cordeirinhos que ela tanto amava. Aquela passagem cinematográfica teve tanto impacto sobre Tattal que ele criou uma obra homônima. “Foi um dos meus desenhos mais difíceis, não só a nível técnico, mas também emocional. Levei 95 horas e dez dias para criá-lo”, relata.1526934_758140244200290_1177308172_n

A intenção do artista foi transmitir a relação perturbadora entre seres humanos e animais. Quando crianças, eles amam brincar com os animais, mas quando crescem aceitam a exploração como se fosse uma parte natural da vida. “[Na obra] Os adultos que esfolam os cordeiros são supostamente as crianças que estão brincando com eles. A diferença é que elas cresceram. Cordeiros são animais amados por crianças e adultos porque são vistos como dóceis e belos. Mas isso não impede que eles tenham uma existência curta e horrível”, lamenta.

A obra feita em grafite e carvão foi a primeira da sua série sobre crueldade contra animais. Também é uma crítica ao fato de que muitos pais gostam de levar seus filhos para brincar com animais, mas não dizem a eles que aqueles belos e inocentes seres não humanos são reduzidos a pedaços de carne sobre um prato. “Espero que meu trabalho faça as pessoas pensarem sobre o que estão comendo”, enfatiza o desenhista.1512526_758137560867225_1344302203_n

Raj Singh Tattal se queixa que assim que os cordeiros chegam ao princípio da maturidade, já são preparados para a morte. “A carne de cordeiro de 12 a 20 meses é chamada de carne de um ano. A carne das ovelhas de seis a dez meses é vendida como baby lamb [carne de cordeiro bebê], e spring lamb [cordeiro primavera] são aqueles com três a cinco meses de idade. Fiquei chocado quando testemunhei corações de cordeiro vendidos em um supermercado local”, revela.

Raj Singh espera que as pessoas olhem para a sua arte e reflitam sobre o que elas estão promovendo quando estão comprando e comendo carne. Para ele, o sofrimento diário imposto a milhões de animais é um dos piores atos de maldade da humanidade. “Sou um artista londrino que trabalha com lápis de grafite e carvão, que se especializou em criar obras realistas em preto e branco. Embora eu ame todas as formas de arte, sigo pelo caminho da arte hiper-realista. E isso me inspirou a seguir os passos de artistas como Kelvin Okafor, Paul Cadden e outros. Estou em minha própria jornada para tornar realidade a minha meta de ser um artista hiper-realista”, assinala.

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“End of the Road”

Na obra “End of the Road”, o Pentacularartist transmite a mensagem de que o homem só é capaz de entender a dor de um animal ao se colocar no lugar dele. “Não vou dizer o que sinto, mas deixarei que os outros interpretem”, sugere o reservado e enigmático Tattal. Obras que outras pessoas precisariam de pelo menos um mês, o artista londrino é capaz de concluir em apenas quatro dias. A explicação é que ele é um sujeito que passa até 95% do tempo consigo mesmo.

“Realmente não gosto de mudanças. Fiquei até 12 anos sem sair de Londres. Tenho os mesmos pares de tênis, e já comi feijões cozidos todos os dias por 20 anos. Algumas dessas coisas soam muito triviais, mas com o tempo isso começa a irritar as pessoas ao seu redor. No passado, comecei a beber para tentar me encaixar entre as pessoas e fazer amigos. Mas hoje não bebo, só desenho, e nunca fui tão feliz”, garante.

Embora suas obras mostrem verdades sombrias e desconfortáveis, ele não se considera uma pessoa mórbida, mas sim alguém que extrai algo de bom e motivador a partir do que é triste. “Todos os meus trabalhos são em preto e branco, e baseados em grafite e carvão. ‘Beauty and the Beast’, é o terceiro desenho da minha série sobre crueldade contra animais. Levei 100 horas e 13 dias para terminar. Foi um dos mais demorados e difíceis que fiz até hoje”, pontua.

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“The Beauty and the Beast”

Uma crítica aos testes em animais realizados na indústria cosmética, a obra coloca uma mulher na mesma situação de coelhos usados como cobaias. Embora a prática tenha sido banida na Inglaterra em 1998, Raj Singh reclama que os testes ainda são usuais em outros países. “A União Europeia tem caminhado para a proibição de testes desde março de 2009. E desde 2012, é ilegal a venda de produtos cosméticos com ingredientes recentemente testados em animais. Embora seja encorajador que vários países fora da UE também estejam tentando adotar proibições semelhantes, isso é muito comum em países como China e Estados Unidos [assim como no Brasil]”, critica.

Entre os animais mais explorados em testes de produtos estão camundongos, coelhos, porquinhos-da-índia, macacos e gatos. Testes de irritabilidade na pele são os mais comuns. Geralmente os compostos químicos são esfregados sobre a pele raspada, ou então os técnicos pingam o produto nos olhos dos animais. Coelhos confinados em pequenas caixas são mantidos com as cabeças expostas, sem qualquer possibilidade de alívio para a dor. “Eles sofrem graves lesões, chegando à cegueira. São vítimas de estudos contínuos de alimentação forçada com duração de semanas ou meses para procurar sinais de doença ou riscos específicos para a saúde, como câncer e problemas congênitos.”

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Tattal em uma de suas exposições em Londres (Acervo: The Pentacularartist)

De acordo com Tattal, ao final dos testes até mesmo os animais que sobrevivem são mortos. Os métodos mais comuns são asfixia, destroncamento ou decapitação. Não há nenhum tipo de anestesia. “Nos Estados Unidos, uma grande porcentagem de animais usados em testes não entra nas estatísticas oficiais nem recebem proteção da Lei de Bem-Estar Animal”, reprova o Pentacularartist. Por outro lado, ele acredita que está crescendo o número de testes sem animais na indústria cosmética, até porque, hoje, mais do que nunca, é injustificável o uso de seres não humanos com essa finalidade.

“Eu costumava achar que eu era um fracassado”

Além de desenhar, Raj Singh Tattal participa de um grupo de apoio para pessoas com Síndrome de Asperger em Londres. “Eu costumava achar que eu era um fracassado. Há pessoas que fazem você se sentir como se fosse uma má pessoa porque você não faz certas coisas. Indo ao grupo de apoio, você vê pessoas na mesma situação que você, e percebe que são boas pessoas. É reconfortante falar com alguém. Eles podem dar conselhos e ajudá-lo”, defende.

Na adolescência, Tattal se apaixonou por ilustrações em quadrinhos. Aos 15 anos, criou o seu próprio super-herói que ganhou espaço em um jornal britânico de circulação nacional. Depois estudou arte e design, e, na faixa dos 20 anos, foi para a London South Bank University. Se graduou em design de produtos, mas por causa de problemas pessoais parou de desenhar por 11 anos.

“Fiquei longe da arte. Em novembro de 2012, a descoberta da Síndrome de Asperger despertou em mim um impulso incontrolável e voltei a desenhar. Peguei meus lápis e minhas canetas, comecei a desenhar e nunca mais pensei em parar novamente. Minha paixão e amor pela arte estão mais fortes do que nunca”, assegura.

Conheça um pouco mais o trabalho de Raj Singh Tattal

http://pentacularartist.wixsite.com/pentacularartist

https://www.facebook.com/Raj-Singh-Tattal-the-Pentacularartist-757948990886082/

https://www.instagram.com/pentacularartist/

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Vegan Sidekick: “Veja suas opções, e você vai perceber que a exploração de animais é injustificada”

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“Devemos nos mover em direção ao futuro, sermos mais compassivos e menos violentos”

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Crítica de Vegan Sidekick ao especismo

Richard, mais conhecido como Vegan Sidekick, é um ilustrador e designer gráfico britânico que em abril de 2013 criou uma página para promover o veganismo e os direitos animais por meio de ilustrações e quadrinhos cômicos, ácidos e satíricos. A princípio, ele não tinha a mínima ideia de que um dia o seu trabalho influenciaria milhares de pessoas.

Ele conta que foi um vegano apático por muito tempo, e como nenhum dos seus amigos ou familiares demonstrou interesse pelo veganismo, ele decidiu pensar em um meio de motivar as pessoas a refletirem sobre o assunto. “Embora eu não prejudicasse os animais, eu não estava ativamente ajudando. Senti que poderia fazer algo, mas queria me focar na lógica da não-violência”, relata.

Um dia, nos tempos da faculdade, Richard estava comprando leite e queijo, e começou a refletir em como aquilo era desnecessário. Havia tantas opções ao seu redor que se sentiu mal por comprar exatamente aqueles produtos baseados na exploração de animais. “Então parei de comprá-los. Até então, eu nunca tinha conhecido um vegano, e eu não sabia que os machos [bezerros e pintinhos] morrem na indústria de ovos e laticínios, e que as fêmeas são mortas quando sua produção é menos lucrativa. Hoje em dia, é o que digo aos vegetarianos, e eles não devem apoiar isso”, argumenta.

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Muro de desculpas

Vegan Sidekick, que vê o veganismo como uma extensão do raciocínio lógico, gosta de criar imagens com elementos propositalmente mal desenhados, tornando suas criações ainda mais engraçadas e acessíveis. “A maioria das pessoas nem sabe que sou ilustrador, mas acho que a forma como meus desenhos são elaborados já revela que o conteúdo é satírico. Decidi ir por esse caminho quando criei um stickman [boneco palito], e ele se tornou mais popular do que tudo que eu tinha feito. Então continuei”, justifica.

Nos finais de semana, Richard cria pelo menos sete imagens, assim publicando uma por dia em sua página no Facebook e em seu site. Mas o ritmo de produção também pode variar, se surgirem muitas novas ideias. “Não tenho uma rotina com regras muito rígidas. Tenho apenas um bloco de notas em que mantenho uma lista de ideias que são inspiradas nos absurdos que leio na internet [sobre veganismo]. Há comentários que são tão incômodos que não consigo acompanhar por muito tempo sem contra-argumentar. Então, para não perder tempo, às vezes prefiro ignorar o que acontece ficando off-line”, pondera.

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Sátira a quem chama veganos de extremistas

Os quadrinhos e as ilustrações de Vegan Sidekick são autoexplicativos e bem diretos, direcionados para um público composto por pessoas das mais diferentes faixas etárias. Naturalmente, o britânico também se depara com críticas negativas, que revelam uma contrariedade intransigente. “Espero fazer as pessoas rirem, mas o humor é muito subjetivo. Então só posso dar o meu melhor e esperar que as pessoas façam a ligação com as imagens em vez de se focarem em sentirem-se ofendidas”, declara.

Para lidar com perguntas clichês ou questionamentos triviais, Richard criou um guia e o compartilhou em sua página no Facebook e em seu site para que as pessoas evitem repetir perguntas, sejam elas entusiastas do veganismo ou principalmente pessoas à toa, simplesmente dedicando tempo a atacar veganos e simpatizantes. “Quando minha página cresceu em popularidade, apareceram pessoas tentando justificar o abuso animal. Também criei o guia porque, francamente, ainda há muitos veganos que não são bons em defender seus pontos de vista. Pelo menos é o que vejo na internet”, avalia.

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“Quero comer suas pernas.” “Prefiro comer esta banana” – Veganos são tão estranhos

Vegan Sidekick reconhece que há dias em que se vê como alguém irônico demais ou até mesmo estoico, e em situações como essa há pessoas que tentam atingi-lo enviando muitas mensagens ásperas de contrariedade. “Se alguém repete as mesmas justificativas [contra o veganismo] inúmeras vezes, isso significa que estão apenas buscando briga, fazendo com que se sintam melhores. Então tento manter a calma e evito insultar. Há sete bilhões de nós no planeta, então se uma pessoa tapa seus ouvidos com as mãos, encontre alguém que não faça isso”, sugere.

Por outro lado, ele também recebe muitas mensagens positivas, de pessoas dizendo que suas imagens mudaram suas mentes. Esse tipo de retorno é visto como a maior recompensa, porque, segundo Richard, suas conquistas já ultrapassaram suas expectativas. “Nunca vou me acostumar com o fato de que há muitas pessoas que me têm em tão grande estima por causa do meu trabalho”, pontua.

Entre as imagens preferidas de Vegan Sidekick está uma em que um vegano tenta romper o muro de desculpas, rotineiramente usado por pessoas que criticam o veganismo porque não querem sair de suas zonas de conforto. “Estamos em uma sociedade em que muita gente prefere apenas dizer que ‘as coisas são assim’. Dê um passo para fora e veja suas opções, e você vai perceber que a exploração de animais é completamente injustificada. Devemos nos mover em direção ao futuro, sermos mais compassivos e menos violentos. Explorar vítimas inocentes por um prazer trivial não deve fazer parte disso”, desabafa.

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Escolha pessoal – “Hum, devo vestir a calça azul ou a preta?” Não é uma escolha pessoal – “Hum, eu deveria esfaquear este animal ou comer outra coisa?”

Mesmo ciente de que tem ajudado a transformar a vida de muitas pessoas, Richard diz com modéstia que não sabe se seu trabalho pode ser considerado ativismo. No entanto, desde o início ele já se sentia em uma missão e não conseguia evitar de fazer questionamentos confrontadores como: “Se você ama os animais, como você pode comê-los? Então recebia respostas do tipo: “Não dou a mínima, cale a sua boca!” “Por isso, decidi me tornar um exemplo mais positivo, e espero que pessoas assim se interessem pelo que estou fazendo”, enfatiza.

Esse novo caminho foi inspirado no fisiculturista vegano Robert Cheeke, dos Estados Unidos, a quem ele considera uma grande influência na abordagem positiva do veganismo. “Não acho que um dia terei a mesma positividade que ele”, comenta. O médico vegano Michael Greger, também estadunidense, é outra inspiração para Richard. Criador do site NutritionFacts.org, o médico é um estudioso da nutrição baseada em vegetais e há muitos anos vem confrontando os maus hábitos alimentares que se tornaram parte da cultura do Ocidente.

“Meu objetivo continua sendo ajudar as pessoas a perceberem o que acontece. Os animais não merecem toda essa exploração praticada pela indústria com seus ridículos argumentos”, assegura Vegan Side Kick que reconhece ser impossível saber o real impacto de seu trabalho.

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Socialmente inaceitável – “Tudo bem, filho, hora do seu leite!”

Mesmo sem controle das imagens que criou desde 2013, ele não consegue ver isso como algo que não seja verdadeiramente positivo. “Posso dizer que realmente servi ao meu propósito. Essencialmente, continuo trabalhando e tentando transmitir a mensagem de forma humorística e inventiva. Nunca imaginei que publicaria livros do meu trabalho”, informa.

Para quem tem vontade de ser ativista, mas acredita que ainda não encontrou o próprio caminho, Richard afirma que o mais importante é não desistir. “Se eu tivesse desistido completamente, não teria todos esses quadrinhos. Não há um beco sem saída. Você pode usar até mesmo a sua saúde e o seu corpo como meio de divulgação do veganismo. Cuide de sua alimentação, treine, corra, nade, pedale, levante pesos. Assim quando alguém questionar como você ficou assim, terá bons argumentos, e a conversa vai fluir com facilidade”, recomenda.

Curiosidade

Vegan Sidekick gosta de comer arroz integral, feijões, manteiga de castanha-de-caju, chili vegano e macarrão, além de smoothies (batidos cremosos) de frutas.

Conheço um pouco mais o trabalho de Vegan Sidekick

http://www.vegansidekick.com/

https://www.facebook.com/vegansidekick/

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Written by David Arioch

February 22nd, 2017 at 7:11 pm