David Arioch – Jornalismo Cultural

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Uma visita a Seu Antonio

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Foto: David Arioch

Hoje de manhã, visitei um amigo, o artista plástico Antonio de Menezes Barbosa, que trabalha principalmente com arte rústica. É um sujeito único, que sempre tem muitas histórias para me relatar sobre os tempos de colonização. O conheci por acaso em 2009 quando eu estava pesquisando sobre esculturas baseadas em aproveitamento e reaproveitamento de matérias.

Posso afirmar que não conheço pessoa que entende mais de árvores do que o Seu Antonio. Para se ter uma ideia da singularidade do seu trabalho, ele recolhe pedras, galhos e restolhos de madeira que seriam descartados e os transforma em obras de fruição, decoração ou utilitárias. Tem uma sensibilidade destacável.

Às vezes, ele simplesmente observa algo caído no chão e já imagina no que aquilo pode se transformar. Não apenas imagina, como idealiza e materializa. Há alguns anos, ele fez uma réplica do 14-Bis, de Santos Dumont, obra que viajou pelo Paraná.




 

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January 22nd, 2018 at 6:48 pm

Hugo e Matheus

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Os dois novos alunos da Oficina do Tio Lú (Foto: David Arioch)

Os dois novos alunos da Oficina do Tio Lú (Foto: David Arioch)

Os irmãos Hugo e Matheus, um tem sete anos e o outro tem dez, são os novos alunos da Oficina do Tio Lú, na Vila Alta. Moradores do Jardim São Jorge, eles percorrem quilômetros de distância para aprender artesanato em madeira. “Em mais de dez anos de oficina, é o primeiro caso de pais que trazem os filhos nas minhas aulas. Isso me anima muito porque quase sempre as crianças chegam aqui sozinhas ou por iniciativa minha”, conta Tio Lú.

Para conhecer o trabalho do Tio Lú, acesse: https://davidarioch.com/2014/02/22/oficina-do-tio-lu/

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December 31st, 2015 at 11:35 am

Um caso de amor ao artesanato

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Há quase 60 anos, Leonor Delgado encontrou no artesanato uma grande fonte de prazer

Leonor Delgado já produziu milhares de peças (Foto: David Arioch)

Leonor Delgado já produziu milhares de peças (Foto: David Arioch)

A professora Leonor Patuci Delgado tem uma relação de amor com o artesanato que se aproxima dos 60 anos. Tudo começou na infância, quando descobriu o prazer de trabalhar com crochê, tricô e, mais tarde, biscuit e decoupage.

A artesã Leonor Delgado já produziu milhares de peças. São principalmente obras de porcelana fria e decoupage que estão espalhadas pelo Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Estados Unidos. “Já fui professora e comerciante, mas hoje me dedico 100% a esse trabalho”, afirma Leonor enquanto sorri e aponta centenas de obras bem dispostas em um grande expositor.

O perfeccionismo de Leonor está embutido em cada uma das peças, independente do tamanho e dos materiais usados. “O biscuit é o que mais gosto de fazer, mesmo que demore mais. É algo que me acalma e me dá muito prazer”, garante a artesã que encara a atividade não apenas como um costume diário, mas um fazer artístico que a cada dia dá novo fôlego a sua vida.

De acordo com Leonor, pioneira do biscuit em Paranavaí, todo artista deve ter um estilo próprio, mas a máxima é sempre a busca pela perfeição, algo que pode até mesmo partir do uso das cores que devem estar sempre vinculadas ao tema. “Gosto de produzir obras relacionadas ao universo infantil. Por isso, adoro criar bonecas, portas de maternidade, porta-fraldas, abajures, lixeiras, potes, saboneteiras e quadros”, acrescenta.

Artesã se dedica ao universo infantil (Foto: David Arioch)

Artesã se dedica ao universo infantil (Foto: David Arioch)

Os trabalhos mais demorados da artista são os quadros com biscuit em alto relevo, porque exigem um bom tempo para a criação dos personagens. “Tenho de fazer a cabecinha, pintar os olhinhos, enfim, tudo é feito aos poucos”, conta. O interesse pelo artesanato surgiu quando Leonor ainda era uma garotinha que se divertia criando bonequinhas com bucha vegetal, caminhõezinhos com latas de óleo e vaquinhas com maxixe.

“Aos 10 anos, aprendi macramé [técnica de dar nós em cordas ou cordões], crochê, tricô e bordado a máquina. Foi algo natural porque todo mundo na minha família tem alguma relação com o artesanato”, declara a artista que também faz fusão de decoupage com biscuit.

Os trabalhos mais demorados são os quadros com biscuit em alto relevo (Foto: David Arioch

Os trabalhos mais demorados são os quadros com biscuit em alto relevo (Foto: David Arioch

Com a experiência adquirida ao longo de décadas, a artesã Leonor Delgado decidiu dar aulas. “Ensino biscuit e decoupage para turmas pequenas, com no máximo cinco pessoas. A faixa etária é bem diversificada, desde alunas de nove anos até 60”, reitera. Para se ter boas noções de porcelana fria, por exemplo, é preciso dedicação de quatro a cinco meses. As despesas com o curso variam.

“Mas nem tudo precisa ser comprado. Podemos usar qualquer coisa que tenha uma boa forma geométrica, como tampinhas, tubos de PVC, toalhinhas de plástico, pedaços de tapete de carro, latas e frascos de vidro”, exemplifica. Se tratando de biscuit, há uma infinidade de objetos que em vez de irem para o lixo podem ser transformados em belas peças de apreciação, sejam funcionais ou decorativas.

Saiba mais

Tudo que é produzido pela artesã Leonor Patuci Delgado é feito sob encomenda. Os pedidos mais comuns são voltados para nascimentos de bebês, aniversários, casamentos e batismos.

Serviço

Interessados podem entrar em contato com a artesã ligando para (44) 3423-2777 ou (44) 9104-1502.

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December 31st, 2015 at 10:22 am

Oficina do Tio Lú no Encontro com Fátima Bernardes

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Artista plástico de Paranavaí recebeu a equipe do programa ontem

Tio Lú, alguns garotos da oficina e a equipe do Encontro com Fátima Bernardes (Foto: David Arioch)

Tio Lú, alguns garotos da oficina e a equipe do Encontro com Fátima Bernardes (Foto: David Arioch)

Anteontem, eu estava retornando de Curitiba, quando parei em Califórnia por volta das 22h para atender uma ligação. Era o Tio Lú, artista plástico da Vila Alta, de Paranavaí, no Noroeste do Paraná, que faz um trabalho de recuperação de crianças em situação de vulnerabilidade social. Feliz, me contou que ontem de manhã receberia a equipe de jornalismo do programa Encontro Com Fátima Bernardes, da Rede Globo. Emocionado, me agradeceu várias vezes pela divulgação da sua oficina em texto e vídeo. 

Depois pediu que eu fosse até a casa dele antes das 9h para dar uma força. Gostei muito da experiência. Fiquei emocionado em ver que após seis anos acompanhando a Oficina do Tio Lú, o trabalho do Seu Luiz vai ter uma repercussão muito maior. Outra felicidade foi encontrar o artista plástico Jesus Soares que teve importante participação nesse processo. Inclusive foi quem me apresentou ao Tio Lú há seis anos. Jesus fez questão de contribuir, tanto que dedicou a manhã toda e parte do início da tarde.

Admito que não tenho o hábito de assistir TV, mas fiquei grato em ver o carinho e a sensibilidade da equipe do programa com todo mundo que participou e testemunhou esse trabalho que findou só por volta das 14h. Tiveram uma grande preocupação em conhecer a fundo o projeto do Tio Lú. Recolheram fotos, vídeos produzidos de forma independente e checaram todos os outros materiais já publicados sobre o assunto.

É muito legal saber que o Seu Luiz, já com 84 anos, dois joelhos problemáticos e diagnosticado com uma hepatite C no final de dezembro, continua lutando pelos seus ideais, se esforçando para fazer a diferença em um mundo cada vez mais individualista e materialista. A garotada também merece só elogios. Deram um grande show de comprometimento e gratidão. A reportagem gravada em Paranavaí vai ao ar no programa Encontro com Fátima Bernardes na terça-feira.

Link do vídeo produzido pela equipe do Encontro Com Fátima Bernardes (atualizado no dia 21-04-2015):

http://globotv.globo.com/t/programa/v/gabriela-lian-mostra-trabalho-de-artesao-de-84-anos/4124935/

Conheça um pouco mais o trabalho do Tio Lú nos links abaixo:

//davidarioch.com/2014/02/22/oficina-do-tio-lu/

//davidarioch.com/2014/10/14/ajudando-jovens-em-situacao-de-risco/

Ajudando jovens em situação de risco

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Oficina do Tio Lú tira crianças e adolescentes das ruas de Paranavaí, no Noroeste do Paraná

Luiz Carlos: "me dedico a eles porque sei que eles precisam mais de mim do que eu de dinheiro" (Foto: David Arioch)

Luiz Carlos: “Me dedico à oficina porque sei que eles precisam mais de mim do que eu de dinheiro” (Foto: David Arioch)

Na Vila Alta, há poucos metros do Bosque Municipal de Paranavaí, na Casa 10 da Rua B, um corredor leva à Oficina do Tio Lú, um atelier bastante movimentado, onde 12 crianças e adolescentes em situação de risco ocupam o tempo livre transformando pedaços de madeira em obras de arte.

Sob a tutela do artista plástico Luiz Carlos Prates Lima, de 83 anos, aqueles que estão tendo o primeiro contato com a atividade aprendem sobre a utilidade de cada ferramenta, além de conservação de materiais e precauções de uso. “Ensino a lixar, medir e trabalhar simetria. Explico como reconhecer as qualidades de cada tipo de madeira. Aqui existe um passo a passo pra tudo”, garante Luiz Carlos que mostra também a importância do trabalho coletivo na criação de cada obra, o que melhora também a capacidade de socialização dos participantes.

Oficina atende jovens da Vila Alta de segunda à sexta (Foto: David Arioch)

Oficina atende jovens da Vila Alta de segunda a sexta (Foto: David Arioch)

Os mais experientes aprendem a fazer um bom acabamento e a desenhar peças, levando em conta a finalidade das obras. Se for decorativa, há uma preocupação maior com o valor estético. “Sou feliz aqui porque o ‘Seu Luiz’ é como um pai pra nós. Prefiro ficar na oficina do que na rua ou em casa”, comenta o aluno Robson Silva, de 12 anos, que se emociona e sorri com timidez ao contar que já lucrou R$ 50 com as peças produzidas na Oficina do Tio Lú.

Aproveitando a presença do amigo, Ariel Gonçalves Souza, também de 12 anos, se aproxima e conta com orgulho que sabe fazer carrinho, carroça e calhambeque de madeira. “Lixo bem, pode ver!”, comenta em tom de voz seguro. Luiz Carlos confirma: “É verdade. Ele monta direitinho cada peça.”

Na hora do trabalho, o silêncio toma conta do atelier (Foto: David Arioch)

Na hora do trabalho, o silêncio toma conta do atelier (Foto: David Arioch)

A harmonia na oficina é conduzida pelo jeito sério, mas comunicativo e carinhoso do artista plástico que se preocupa com o que acontece com os alunos dentro e fora da oficina. “Você ‘tá’ precisando de outro calçado. Nós vamos dar um jeito nisso”, diz Luiz Carlos para o lixador Vitor Hugo Gonçalves Souza, de 12 anos, que estava usando um tênis com dois furos grandes nas laterais.

Mateus Brito Gonçalves, primo de Vitor, ajeita o boné e conta que aprendeu a fazer até fogãozinho. “Ah! Tenho um amigo que conseguiu arrumar a bicicleta com o dinheiro das peças que fez e vendeu”, revela Robson. Ao longo da conversa, o artista plástico chama a atenção de um garoto que fala um palavrão sem perceber a gravidade do ato. “Foi mal, ‘Seu Luiz’”, reconhece o aluno envergonhado e cabisbaixo.

Seu Luiz: "Ensino a lixar, medir e trabalhar simetria. Explico como reconhecer as qualidades de cada tipo de madeira. Aqui existe um passo a passo pra tudo" (Foto: David Arioch)

Seu Luiz: “Existe um passo a passo pra tudo” (Foto: David Arioch)

Os participantes da Oficina do Tio Lú são todos amigos. A maioria se conhece há anos. Mesmo assim as brincadeiras são permitidas só nos intervalos, como a “hora do lanche” que começa às 17h, pouco antes do final da aula. Durante a oficina, os sons mais altos saem principalmente das lixadeiras. “Aqui é bom porque a gente não fica na rua e ainda ganha um lanche caprichado”, comenta Mateus sorrindo.

Uma vez por semana, Luiz Carlos também oferece almoço para a garotada. No sábado que antecedeu o Dia das Crianças, o aroma do frango desfiado, especialidade da artesã Lindinalva Silva Santos, companheira do artista plástico, foi tão longe que até quem não era aluno pediu para participar da festinha que reuniu 16 crianças e adolescentes. “Gosto assim, todo mundo comendo à vontade e saindo daqui satisfeito”, diz Luiz Carlos que ao final do almoço costuma reunir todo mundo para um bate-papo sincero.

Robson Silva: "“Sou feliz aqui porque o ‘Seu Luiz’ é como um pai pra nós" (Foto: David Arioch)

Robson Silva: “Sou feliz aqui porque o Seu Luiz é como um pai pra nós” (Foto: David Arioch)

Na ocasião, os garotos falam sobre a vida, a família e o cotidiano. Em seguida, ouvem conselhos de quem os trata como se fossem filhos. É interessante ver como respeitam Luiz Carlos, provavelmente porque encontraram no artista uma figura paterna, alguém que se importa muito com o futuro deles.

Não é à toa que a Oficina do Tio Lú, criada para atender jovens em situação de risco de segunda a quarta, das 14h às 18h, hoje funciona de segunda a sexta, das 8h às 11h30 e das 14h às 17h30. “Se dependesse deles, não iriam embora não. Agora faço minhas peças só de madrugada. Durante o dia, me dedico à oficina porque sei que eles precisam mais de mim do que eu de dinheiro”, avalia Luiz Carlos que também desempenha funções de pai substituto.

Mesmo sob sol escaldante, Luiz Carlos e Lindinalva já saíram muitas vezes de bicicleta para levar alunos enfermos ao Pronto Atendimento Municipal e Unidade Básica de Saúde (UBS). “Tiramos bicho-de-pé, lidamos com anemia, sarna e outras coisas mais. Fazemos tudo ao nosso alcance quando não conseguimos ajuda profissional”, garante o artista.

Saiba Mais

Localizada na periferia, a Vila Alta é um dos bairros mais pobres de Paranavaí.

Criada de forma independente por Luiz Carlos Prates Lima, hoje a Oficina do Tio Lú é um exemplo de trabalho social em prol de jovens carentes.

“Com o artesanato, diminuí 90% do meu consumo de remédios”

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Vítima de bala perdida, Élcio Caetano aprendeu a lidar com a deficiência física por meio da arte

Caetano: "Gosto de trabalhar com produtos recicláveis e transformar o industrializado em artesanato" (Foto: David Arioch)

“Gosto de trabalhar com produtos recicláveis e transformar o industrializado em artesanato” (Foto: David Arioch)

Na próxima segunda-feira, às 23h35, completa dez anos que Élcio Caetano ficou paraplégico por causa de uma bala perdida. À época, passou mais de um mês tentando assimilar o que tinha acontecido. “Demorou pra cair a ficha e tive dificuldade em aceitar o fato de que nunca mais andaria”, diz o morador do Conjunto Dona Josefa, entre a Vila Operária e a Vila Alta, em Paranavaí, no Noroeste do Paraná.

Ainda em 2004, sem saber que rumo tomar, Caetano aceitou participar de um programa de terapia ocupacional por sugestão de uma vizinha. “Naquele estado, o ócio é perigoso porque a pessoa acaba tendo muitas ideias que não são saudáveis”, comenta Élcio que teve o primeiro contato com o artesanato em um curso para confecção de tapetes com saquinhos de leite. Foi amor à primeira experiência.

Quase dez anos depois, o que começou como uma terapia se transformou em um meio de sobrevivência. Hoje, Caetano é um especialista em aproveitamento e reutilização de materiais. “Gosto de trabalhar com produtos recicláveis e transformar o industrializado em artesanato”, comenta o artista que tem familiares e amigos que o incentivam. A irmã, por exemplo, costuma ir até a rua 25 de Março, em São Paulo, comprar acessórios e adereços para incrementar as peças de Élcio.

Outros parceiros são a Santa Casa de Paranavaí e Clínica Radiológica de Paranavaí que doam radiografias que o artista transforma em belas borboletas. “Também recebo contribuições de uma cooperativa de materiais recicláveis”, declara enquanto exibe algumas peças recém-confeccionadas e de alta qualidade. Élcio Caetano manipula dezenas de matérias-primas, criando peças únicas, tanto utilitárias quanto decorativas. “Faço vaso com cipó e arame, abajour com tampinhas de garrafa, além de coelho e cortina com garrafas pet”, enfatiza, embora tenha predileção pelo trabalho com sementes.

Faz quase dez anos que Élcio descobriu o talento para o artesanato (Foto: David Arioch)

Faz quase dez anos que Caetano descobriu o talento para o artesanato (Foto: David Arioch)

Com base na demanda, Élcio produz levando em conta as mudanças de clima e tempo. No frio, confecciona toucas, cachecóis, boinas e polainas. No calor, se dedica a fazer colares, pulseiras, arranjos de flores, cortinas e bolsas. “Tem muita gente que deveria experimentar uma atividade como essa. Dá uma satisfação imensa. Com o artesanato, diminuí 90% do meu consumo de remédios. E olha que quem tem paraplegia precisa tomar remédio até pra acordar, comer e dormir”, afirma, sem esconder a satisfação e a alegria de estar vivo e fazendo o que gosta.

Sobre a concorrência com produtos industrializados, o artista que trabalha até a hora de dormir não vê motivos para preocupação. “Existe espaço pra todo mundo. A vantagem do artesanato é que as peças são únicas. Uma nunca sai igual a outra. Então atrai quem busca um diferencial nesse sentido”, esclarece. Interessados em encomendar peças ou conhecer melhor o trabalho de Élcio Caetano, podem ligar para (44) 9725-2450.

Artista deixa de lucrar para ajudar jovens da Vila Alta

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Luiz Carlos Prates: “Quero que façam trabalhos muito melhores do que os meus”

Prates: “Minha principal preocupação sempre foi tirá-los das ruas” (Foto: David Arioch)

O artista plástico Luiz Carlos Prates, referência na arte de manipular madeira, está ensinando artesanato a 12 crianças e adolescentes na Vila Alta, em Paranavaí. As aulas realizadas em período integral às segundas, terças e quartas-feiras exigem muita dedicação, tanto que o artista produz menos para garantir que os alunos aprendam o máximo possível. “Continuo na ativa porque preciso vender minhas peças para comprar o material usado na instrução deles. Às vezes, conseguimos algumas doações”, comenta Prates.

Nos três primeiros dias da semana, o artista deixa de lucrar para dar toda atenção aos alunos. “Quero que façam trabalhos muito melhores do que os meus. Me envolvo de coração com eles, tanto que a minha principal preocupação sempre foi tirá-los das ruas. Como são crianças vulneráveis, faço de tudo para evitar que se entreguem ao mundo do crime e das drogas”, explica Luiz Carlos que é muito respeitado no bairro por pessoas de todas as faixas etárias. Como incentivo, os alunos levam para casa as peças produzidas, ou seja, podem doá-las ou vendê-las, se preferirem. “Quando querem vender, são melhores que eu”, afirma Prates enquanto sorri orgulhoso, ladeado pelos alunos que o consideram um avô.

“Como incentivo, os alunos levam para casa as peças produzidas” (Foto: David Arioch)

Quando encontra uma criança à toa na rua, o artista logo pergunta se tem interesse em aprender artesanato e justifica os benefícios. Recentemente, conquistou a parceria da psicóloga Cristina Pontes que uma vez por semana atende os alunos como voluntária. “Pretendo construir um pequeno escritório ao lado do atelier para que ela possa falar com eles aqui mesmo e individualmente”, destaca Luiz Carlos, lembrando que o projeto se desenvolveria com mais facilidade se conseguissem patrocínio para custear os lanches dos alunos e também a aquisição de ferramentas.

Entre os aprendizes estão Gustavo de Jesus Souza, 13; William Viana Castro, 15; Alisson Ferreira França, 15; Danilo Medeiros França. 12; Welinton Silva, 13; Daniel Pereira Silva, 10; Luan Guilherme Moraes, 15; e Éderson França de Melo, 12. Gustavo é o primeiro aluno do projeto no qual ingressou há oito meses. Produziu mais de 20 peças. “Gosto muito daqui. Prefiro trabalhar com madeira, e já fiz copo, concha, cinzeiro, casa, cadeira e carrinho que foi o mais difícil”, revela. Quem quiser contribuir com o projeto pode ligar para (44) 3422-7635.