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Chris Adler: “O problema com a coisa toda é educação e informação. A maioria das pessoas não pensa sobre a exploração de animais”

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Chris Adler em campanha para a Peta, organização em defesa dos direitos animais (Arquivo: Peta)

O baterista estadunidense Chris Adler, um dos fundadores da banda de metal Lamb of God, que compõe a chamada Nova Onda do Heavy Metal Americano, é considerado um dos melhores bateristas de metal da atualidade, de acordo com a Revolver Magazine. Em 2012, ele contou à Peta, organização que atua em defesa dos direitos animais, sua história com o vegetarianismo e como desde a infância ele sente uma real conexão com os animais.

Adler, que já fez parte da banda de thrash metal Megadeth por dois anos, com quem gravou o álbum “Dystopia”, lançado no início de 2016, abdicou do consumo de carne vermelha quando soube o que acontecia com bois e vacas nas fazendas industriais. O que o motivou a refletir sobre o assunto foi o livro “Diet For a New America”, do escritor John Robbins, lançado em 1987.

A mesma obra influenciou o humorista Weird Al Yankovic a tornar-se vegetariano. Após parar de comer carne vermelha, Chris Adler parou de consumir carne de frango quando viu um caminhão cheio de frangos indo em direção a um matadouro. “Era simplesmente nojento. Não comi mais nenhum pedaço de frango desde então. A verdade é que eu meio que sabia o que acontecia, mas não queria pensar a respeito”, disse à Peta.

Para Adler, que depois se tornou vegetariano, é importante incentivar as pessoas a pesquisarem sobre o que acontece nas fazendas industriais e nos matadouros. “O problema com a coisa toda é educação e informação. A maioria das pessoas não pensa sobre isso [a exploração de animais]. Ninguém nasce pronto para comer carne, é um hábito que você tem que desenvolver, e não é algo que você precisa desenvolver. A maior parte das pessoas veem apenas comida, não o que existe por trás disso”, lamentou.

Considerado um exemplo de versatilidade da chamada Nova Onda do Heavy Metal Americano, iniciada nos anos 1990, Chris Adler já tocou e gravou com as bandas Lamb of God, Megadeth, Testament, Burn The Priest, Blotted Science, Protest The Hero, Nitro e Jettison Charlie. “Meu casamento, meu relacionamento com minha família, minhas conquistas com a minha banda e minha escolha em ser vegetariano não são apenas coisas das quais tenho orgulho, elas me definem”, destacou à Peta.

Referências

http://www.peta2.com/heroes/lamb-of-gods-chris-adler/

http://www.gmanetwork.com/news/story/248413/lifestyle/lamb-of-god-drummer-chris-adler-speaks-up-for-animals

https://www.chrisadler.com/

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Marcus Dotta: “Ainda sentimos o descrédito por sermos brasileiros”

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Destaque nacional, baterista fala sobre a carreira e a experiência de tocar com o vocalista Warrel Dane

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“Para alguns, o fato de você ser do mesmo país ou não tocar no Angra ou Sepultura, não te torna digno de estar no palco” Foto: Renan Facciolo)

Em 2014, a produtora TC7, de São Paulo, convidou o vocalista estadunidense Warrel Dane, famoso por integrar conceituadas bandas de heavy metal como Sanctuary e Nevermore, para realizar alguns shows com músicos brasileiros. A iniciativa deu tão certo que a banda que acompanha o vocalista, formada por Marcus Dotta, Thiago Oliveira, Johnny Morais e Fábio Carito, continua excursionando com Dane dentro e fora do Brasil. E o mais interessante de tudo é que essa formação se provou a mais sólida da carreira do vocalista nos últimos anos.

Marcus Dotta, o último músico a ingressar na banda, conquistou a vaga de baterista após enviar um vídeo tocando Born, do álbum This Godless Endleavor, de 2005. Dotta, um baterista que se identifica essencialmente com rock e heavy metal, começou a tocar em 2000 e teve como principal inspiração o baterista alemão Uli Kusch que fez história na banda de power metal Helloween entre os anos de 1994 e 2000.

“Na minha opinião, ele gravou os melhores e mais técnicos discos da banda. De tanto ouvi-lo tocar, sei cada nota que ele executa. Também não tenho como fugir dos clássicos como Scott Travis [Racer X, Judas Priest e Thin Lizzy] e Gene Hoglan [Dark Angel, Death e Devin Townsend]. Aqui no Brasil, com certeza tive como maior influência o Aquiles Priester, com quem já trabalhei como roadie por um tempo. Somos muito amigos”, declara.

Sobre a experiência de trabalhar com um dos grandes vocalistas da história do heavy metal, Marcus Dotta lembra que em 2006 sua banda abriu um show do Nevermore em Curitiba. Como ele já era muito fã dos caras, fez questão de assistir tudo do backstage. “Hoje, toco as mesmas músicas que assisti ao vivo e com um dos principais membros da banda. Às vezes, parece surreal”, avalia.

Em março tive a oportunidade de assistir ao show da turnê Warrel Dane Brazilian Tour 2016 em Florianópolis, Santa Catarina, e posso dizer que a sintonia e a qualidade dos músicos justificou a casa cheia. Entre berros empolgados e refrãos perfeitamente cantados pelo público, um dos destaques daquela noite foi o baterista Marcus Dotta, com quem conversei sobre a sua carreira, experiência de tocar com Warrel Dane, turnê europeia, fatos inusitados, repertório e recepção do público, entre outros assuntos. Confira:

Marcus, sei que você já integrou e integra muitas bandas e projetos como Thram, This Grace Found, Seventh Seal, Hevilan, Skin Culture, Addicted To Pain, Hatematter e Tiago Della Vega, além de atuar como sideman. Quais desses trabalhos você considera mais enriquecedores para a sua formação profissional? Tem algum projeto que você qualifica como o seu preferido?

Todos eles contribuíram de alguma forma com a minha carreira. Basicamente, existem diferenças muito grandes em como você deve lidar com um trabalho próprio autoral e com um trabalho em que é contratado como sideman. No seu disco ou show, você pode agir de uma forma, no disco ou show de quem te contratou, você deve respeitar regras. São experiências que qualquer um que vive de música deve ter porque enriquece muito a nossa visão profissional. Em relação ao projeto preferido, atualmente é uma banda nova chamada Soulhost. Já estamos começando a lançar material. É uma mistura de estilos que se encaixam – eletrônico, metal e pop, um som diferente que nunca toquei antes. Tenho dois projetos autorais com músicas e clipes para serem lançados este ano – Soulhost e O.S.P.

Dotta: "Hoje, toco as mesmas músicas que assisti ao vivo e com um dos principais membros do Nevermore" (Foto: Renan Facciolo)

Dotta: “Hoje, toco as mesmas músicas que assisti ao vivo e com um dos principais membros do Nevermore” (Foto: Renan Facciolo)

Você chegou a ter algum receio ou apreensão ao tocar com o Warrel Dane? Foi um desafio na sua carreira?

Eu não diria receio, até porque nos preparamos muito antes do primeiro ensaio. Afinal, ele já tinha tocado com alguns dos melhores músicos do mundo dentro do estilo. Mas já no primeiro ensaio descobrimos que ele é uma pessoa muito simples e fácil de trabalhar, então o desafio maior foi executar bem as músicas para agradar aos fãs. E algumas dessas músicas não são nada fáceis.

A formação atual com o Warrel Dane é composta pelo próprio, você, Thiago Oliveira, Johnny Morais e Fábio Carito. Você já tinha trabalhado com todos esses músicos?

Eu tinha gravado algumas músicas para um projeto chamado Addicted to Pain com o Fábio. Porém, só tinha ensaiado e feito shows com o Warrel Dane mesmo.

Da turnê de 2014, An Evening with Warrel Dane, você destaca quais momentos como os mais inesquecíveis? Como foi a receptividade do público? Surgiu alguma situação desconfortável ou inesperada?

Acontece de tudo em turnê, desde imprevistos técnicos, como estourar corda ou pele e termos que nos virar para continuar tocando até o roadie trocar, até momentos de nudez repentina do Johnny [Morais] em situações inapropriadas [risos]. E, claro, o Warrel nos obrigando a ver pérolas da internet como a Vomit Pool Party.

Na Grécia, um jamaicano tentou te dar um golpe? Como foi essa história?

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“Tenho dois projetos autorais com músicas e clipes para serem lançados esse ano – Soulhost e O.S.P” (Foto: Evandro Camellini)

Como você soube disso? [risos] Lá eles sacam quem é turista e colocam uma pulseira artesanal de “presente” em você, sem obviamente pedir. Também tentam arrancar alguns euros se fazendo de vítima enquanto outro vem e “bate” sua carteira sem você perceber. Não dei dinheiro nenhum e ele retirou do meu pulso o “presente” que me deu [risos].

Como tem sido a turnê Warrel Dane Brazilian Tour 2016?

Nos apresentamos em algumas cidades de São Paulo e também em lugares que nunca tocamos, como Florianópolis e Brasília. Este ano não temos como prever por quantas cidades ainda vamos passar porque o Warrel está sempre voltando para os Estados Unidos para dar continuidade à produção do novo disco dele. Então os shows ocorrem nos intervalos de produção. Em setembro, devemos voltar para a Europa e fazer uma turnê bem longa por lá, tentando cobrir o maior número possível de países. Ano que vem talvez tenhamos alguns shows nos EUA. Nesse período, acredito que o Warrel também fará alguns shows com o Sanctuary. Eles também pretendem gravar um novo disco.

Vocês foram muito bem recebidos na Europa no ano passado. No Brasil a receptividade também tem sido a mesma?

Realmente fizemos muitos amigos e conquistamos fãs em todo o lugar, mas ainda sentimos o descrédito por sermos brasileiros. Para alguns, o fato de você ser do mesmo país ou não tocar no Angra ou Sepultura, não te torna digno de estar no palco com alguém como o Warrel, independente se você faz um bom trabalho. Infelizmente isso é cultural.

O repertório tem passado por mudanças significativas de um show para outro?

Se já tocamos em uma cidade antes, sempre mudamos o repertório quando voltamos. O tema do show também costuma mudar. No ano passado, tocamos o álbum Dead Heart In a Dead World na íntegra. Já em 2016, misturamos o Dead Heart com o Dreaming Neon Black.

Show em Floripa, um dos melhores da turnê de 2016 (Foto: Carla Galdeano Candiotti)

Show em Floripa, um dos melhores da turnê de 2016 (Foto: Carla Galdeano Candiotti)

Como é a convivência com o Warrel Dane?

Muito boa, conversamos sobre absolutamente tudo. Hoje, vemos ele mais como um amigo bem próximo mesmo, mas às vezes ainda temos um brainstorm ao lembrarmos o que ele representa.

Existe alguma possibilidade de vocês gravarem novo material em estúdio com o Warrel Dane?

Sim, já estamos produzindo seu novo disco solo. Queremos terminar as composições ainda este ano. Não dá para adiantar muito agora, mas o que podemos dizer é que ele vai se chamar Shadow Work.

Atualmente você se sente mais seguro quando sobe no palco? Já chegou a ficar ansioso ou nervoso?

Nunca tive problema com nervosismo para subir no palco, até porque é a melhor parte do trabalho. Como tenho o instrumento mais complexo de transportar e montar, sempre fico nervoso com a logística que envolve tudo [risos].

O que vocês acharam da experiência de tocar em Floripa?

Florianópolis foi de longe um dos nossos melhores públicos! Unanimidade entre todos da banda. Fizemos muitos amigos. O show foi animal! A cidade realmente faz jus à fama de ser muito bonita.

Uma curiosidade, por que o Warrel Dane tem tomado chá durante os shows?

Chá e uma dose de Jack Daniels são itens obrigatórios para ele no camarim. Não me pergunte o motivo [risos]. Na verdade, em relação ao Jack Daniels, dá para entender, porque temos um ritual de virar uma dose generosa de whisky antes de subir no palco, como sinal de boa sorte. Coisa do patrão também [risos].

Marcus, você tem algum episódio cômico para relatar dessas turnês?

Temos boas histórias de groupies stalkers [risos], mas essas quem quiser saber tem que perguntar pessoalmente para a gente nos nossos próximos shows.

Quem quiser comprar a nova camiseta da banda Warrel Dane, basta acessar: http://warreldane.net/item/dead-heart-in-dead-world-15th-anniversary-tour/

Elizeu Moraes e a paixão pela música

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Elizeu Moraes: "Todo baterista precisa ter um estilo próprio"

Há dez anos, o designer gráfico Elizeu de Moraes Severino encontrou na bateria uma maneira particular de expressar a paixão pela música. O interesse surgiu muito antes, na infância, quando Elizeu conheceu o grupo Roupa Nova.

“Quando vi o Serginho Herval na bateria decidi que iria tocar aquele instrumento. Na época, ouvia muito pop-rock do final dos anos 80 e início dos 90”, lembra o designer.

Aos 17 anos, Elizeu começou a se apresentar em igrejas locais. Logo estava tocando com dezenas de músicos da cidade, dos mais variados gêneros como pop, rock, sertanejo, MPB, vanerão, entre outros.

“Percebi que muita gente legal precisava de baterista, então sempre tentei ajudar todo mundo”, explica Elizeu de Moraes que já chegou a tocar até 5h30 em um baile de formatura, o que ele admite exigir bastante condicionamento físico.

Segundo o baterista, quando o assunto é música, qualquer pessoa interessada em tocar bateria tem que querer conhecer de tudo um pouco. “É importante porque todo baterista precisa ter um estilo próprio, e isso a gente só cria tirando algo dos mais variados tipos de música”, afirma. Entre as pessoas que contribuíram para a evolução de Elizeu de Moraes como músico estão os bateristas Paulo de Castro, conhecido como Spock, e Glaudemir Ribeiro.

Moraes já tocou em várias edições da ExpoParanavaí, do Festival de Música e Poesia de Paranavaí (Femup), gravou um DVD com a dupla sertaneja Edinho e Cristiano e também um CD com a dupla feminina Elen e Jessy.  “Também já gravei uma música da Sirlei Leonardo, uma grande parceira. Minha profissão mesmo é designer gráfico, mas tocar bateria é algo que faço por ser apaixonado por música”, enfatiza Elizeu em tom de satisfação.

Além de baterista, Moraes é percussionista; toca principalmente bongôs e tumbadoras. Atualmente está impossibilitado de tocar bateria em decorrência de uma lesão, mas garante que retorna até o meio do ano.

Ralph Oliveira: referência em bateria e percussão

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Ralph Oliveira é músico profissional há oito anos

Há nove anos, Ralph André Rangel de Oliveira descobriu o talento para tocar bateria. O tempo de dedicação ao instrumento se encarregou de transformar o músico em referência quando o assunto é bateria e percussão em Paranavaí.

Ralph lembra que profissionalmente já atua como baterista há oito anos, mas admite que na atualidade dedica-se mais a percussão. “Isso acontece porque aqui me procuram mais pra tocar música regionalista, que tem tudo a ver com o instrumento, além disso, existe uma carência local, principalmente nos festivais”, frisa Rangel de Oliveira que participa do Festival de Música e Poesia de Paranavaí (Femup) desde 2001.

Já em outras cidades a realidade é diferente, o músico quase sempre é chamado para tocar bateria. Ralph conta que sua experiência com a percussão inclui a execução de instrumentos como cajóns, bongôs, bumbos legueros, carrilhões de chaves, além de outros.

“Quando montamos uma música, a escolha de cada instrumento de percussão é feita de acordo com o que queremos. Por exemplo, se queremos um som suave dá pra encaixar o carrilhão de chaves”, explica Ralph Rangel que é bastante procurado por bandas de pop, rock e MPB.

Atualmente, o músico integra o projeto Marcela Martins do qual faz parte há três anos. Ralph conta que se apresentam todo final de semana em bares e pubs de Paranavaí e região. “Nossa música tem uma levada bem brasileira, é um tipo de música bem agradável e que dá pra tocar em qualquer lugar”, ressalta, acrescentando que em locais pequenos a apresentação é sempre acústica – somente voz, violão e percussão.

Em parceria com Marcela Martins, o músico já se apresentou em Rosana (interior de São Paulo), Curitiba, Foz do Iguaçu, entre muitas outras cidades. Quem quiser entrar em contato com o projeto Marcela Martins, do qual Ralph Rangel de Oliveira faz parte, basta ligar para (44) 9113-9581.