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2,3 milhões de crianças são exploradas pela indústria do chocolate na Costa do Marfim e em Gana

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Foto: Slave Free Chocolate

Em 2017, de acordo com a ong Slave Free Chocolate, 2,3 milhões de crianças continuam trabalhando em regime análogo à escravidão na produção de cacau na Costa do Marfim e em Gana. A maior parte dos produtores ganha menos de um dólar por dia. Essa realidade é sustentada por fabricantes de chocolate que pagam uma miséria pelo cacau produzido.

Entre eles estão Hershey, Mars (que fabrica o Snickers), Nestlé, ADM Cocoa, Godiva, Fowler’s Chocolate e Kraft (que inclui Lacta, Trident e Oreo). Ou seja, ao comprarmos produtos desses fabricantes, contribuímos com essa escravidão moderna. Outro ponto a se considerar é que essas marcas também contribuem com a exploração de animais nesse mercado.

Referência

Slave Free Chocolate

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Sobre a exploração de animais na indústria de chocolate

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É importante e possível a criação de alternativas à exploração animal na fabricação de chocolate e outros produtos

Sinceramente, não sei se realmente existe alguma marca de chocolate que não esteja envolvida em algum tipo de exploração, a não ser que produzam o próprio cacau e não concordem com essa prática. As gigantes do mercado exploram mão de obra barata na Costa do Marfim, onde, além de usarem animais, os produtores de cacau são tão pobres que muitos deles nunca tiveram dinheiro para comprar e experimentar nem mesmo o chocolate que ajudam a produzir. Já no Brasil, pelo que vejo,mesmo as fábricas de chocolate artesanal compram matéria-prima de locais onde a prática tradicional de colheita do cacau envolve a exploração de burros e jumentos.

Não sou da opinião de que devo simplesmente condenar essas pessoas de origem humilde que exploram essa atividade, até porque muitos são praticamente iletrados, semianalfabetos e analfabetos. Quero dizer, eles fazem isso porque foi o que fizeram a vida toda, assim como seus pais, avós e bisavós. Então o que falta para eles mudarem é um trabalho de conscientização e boa vontade em ajudá-los a enxergar o futuro sem prejudicar os animais não humanos.

Uma sugestão seria fazer um acordo com os compradores de cacau, os fabricantes de chocolate, para que ofereçam subsídios, ou que pelo menos ajudem de algum modo, para que esses produtores não apenas não explorem animais no transporte de cacau, mas também ofereçam uma saída sustentável que ajude a agilizar o processo de colheita. Todos ganhariam, porque isso seria um trabalho social que também traria boa publicidade para a empresa que investiria nisso. Afinal, consciência social é um atrativo em um mundo em que os olhos estão se voltando um pouquinho mais para a questão da responsabilidade e consciência social.

Uma alternativa como a do carrinho elétrico, mas que seja adaptado para circular por terrenos irregulares da zona rural, se necessário, seria uma opção interessante no transporte de cacau, até porque tem um custo baixo, já que possui engenharia simples e manutenção barata, como provam alguns projetos brasileiros bem-sucedidos. Claro, o ideal seria enviar um profissional para estudar o trajeto feito pelos produtores, a quantidade média de carga, e adaptar o carrinho a essas necessidades.

Não creio que seja difícil colocar isso em prática, levando em conta que em algumas cidades do Brasil os carrinhos elétricos que substituem carroças já existem na área urbana. Talvez um projeto de financiamento endossado pelo governo, mas a preços que condizem com a realidade dessas pessoas também pode ser uma alternativa viável. Creio que com boa vontade não é difícil resolver esse problema. Esse projeto se fortaleceria ainda mais com a sólida participação de estudantes de engenharia elétrica e mecânica, e, claro, poderia se estender não apenas à produção de chocolate, mas todas as formas de mão de obra que envolvam animais usados no transporte de carga.

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