David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

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Oi…posso te fazer uma pergunta?

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Pedi só uma garrafa de água, caminhei até uma cadeira e sentei diante de uma mesa (Arte: Tom Brown)

Em outra cidade, o único local onde tive tempo de parar e checar se tinha algo que eu pudesse comer foi em uma lanchonete de um posto de combustíveis. Quando a atendente me mostrou todas as opções, expliquei que não como nada com nenhum tipo de carne, laticínios e ovos.

Então pedi só uma garrafa de água, caminhei até uma cadeira e sentei diante de uma mesa, testemunhando através de uma parede de vidro um pedaço de natureza ainda intocado. Três caras acompanhados de uma moça me observavam em uma mesa de canto.

Enquanto eu bebia tranquilamente, notei que a atendente continuava olhando para mim. Quando percebeu que percebi, ela ficou um pouco acanhada e disfarçou passando uma flanela sobre o balcão. Cerca de dois minutos depois, ela se aproximou:

— Oi…posso te fazer uma pergunta?
— Sim…
— Como você consegue ser desse tamanho sem comer carne, leite e ovos?
— Deve ser a natureza me agradecendo por não me alimentar de seus filhos.

Ela riu, eu sorri; nos despedimos.

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Matt Skiba: “Foi uma reação instintiva não querer carne [de animais] em meu corpo”

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Skiba é fundador da banda de punk rock Alkaline Trio, além de guitarrista e vocalista da banda Blink 182

““Imaginei-me comendo meu gato e, de repente, não pareceu tão bom para mim” (Foto: Reprodução)

Fundador da banda de punk rock Alkaline Trio, além de guitarrista e vocalista da banda Blink 182 desde 2016, Matt Skiba se tornou vegetariano aos 19 anos, assim que deixou a casa dos pais. Um dia, ele estava comendo um pedaço de carne e notou os olhos do seu companheiro felino em sua direção.

“Imaginei-me comendo meu gato e, de repente, não pareceu tão bom para mim. Foi uma reação instintiva não querer carne [de animais] em meu corpo. Isso é parte de quem sou. Foi uma decisão pessoal e natural”, informou em entrevista concedida a Liz Miller, do Veg News, e publicada em 22 de fevereiro de 2010.

Skiba não teve trabalho em levar muitos amigos para o vegetarianismo. Na realidade, ele não precisou dizer nada para convencê-los a não consumir mais alimentos de origem animal. Sua tática sempre foi levá-los para comer em restaurantes vegetarianos e veganos, mostrando que opções que não custem a exploração animal não faltam.

“Se eu não tivesse dito a eles que o sanduíche de ‘frango’ que eles estavam comendo era na realidade vegetariano, eles nunca saberiam, e tinha o gosto mais fresco e melhor do que o de qualquer frango. Há muita comida de boa qualidade lá fora e isso fala por si mesmo”, exemplificou o guitarrista e vocalista.

Matt Skiba acredita que a maioria das pessoas amam os animais, e que não é porque elas comem carne que elas são más ou desgostam deles. Para o músico, o problema é a ausência do reconhecimento de uma conexão entre as coisas, de reconhecer as implicações da exploração animal. “Acho que ignorância é uma bênção para muitas pessoas”, declarou.

Ele também disse que muita gente come comida vegetariana sem saber, sem vê-las como comida vegetariana; e que isso é a maior prova de que o vegetarianismo e o veganismo não estão realmente distantes de ninguém.

“Perdi o gosto pela carne. Não como carne há 17 anos. Lembro que olhei para o meu gato e pensei: ‘Cara, não posso comê-lo. Que diferença faria se fosse um gato pequeno ou uma vaca?’ E ocorreu-me que tudo está conectado e que eu não poderia mais contribuir com isso [a exploração animal]”, enfatizou em entrevista ao Cool Try, da Austrália.

Saiba Mais

Matt Skiba nasceu em McHenry, Illinois, em 24 de fevereiro de 1976. Ele fundou o Alkaline Trio em 1996.

Entre os anos de 1998 e 2013, Skiba lançou os álbuns “Goddamnit”, “Maybe I’ll Catch Fire”, “From Here to Infirmary”, “Good Morning”, “Crimson”, “Agony & Irony”, “This Addiction” e “My Shame Is True” com o Alkaline Trio.

Com o Blink 182, ele gravou o álbum “California” em 2016.

Referências

http://vegnews.com/articles/page.do?pageId=1716&catId=5

Interview: Matt Skiba (Alkaline Trio, Matt Skiba and The Sekerets)

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O chamado “abate humanitário” não é um retrato tão comum da realidade brasileira

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A privação termina somente com a morte após uma curta vida de exploração

Imagem registrada pelo fotógrafo Piero Locatelli, da ONG Repórter Brasil

Em um país onde a quantidade de matadouros clandestinos pode chegar a 50% do total, é uma grande ilusão acreditar que a maior parte da produção de carne é resultado de práticas que se enquadram no chamado “abate humanitário”. Mesmo que se fale na crescente implementação dessa prática, é inegável que não são raros os casos de privação e sofrimento envolvendo animais criados com fins de abate.

A existência de muitos matadouros clandestinos e a omissão em relação à fiscalização são grandes facilitadores de terríveis abusos contra os animais. Além disso, o YouTube, a mídia alternativa e as redes sociais estão aí para apresentar provas de que o “abate humanitário” não é um retrato comum da realidade brasileira.

No Brasil, a Operação Carne Fraca, que em março denunciou que as gigantes JBS (Friboi, Seara e Big Frango) e BRF (Sadia e Perdigão) estavam mascarando carne vencida usando produtos químicos, levantou, mesmo que modestamente, uma discussão sobre o “abate humanitário”, prática ainda muito questionável pelo seu caráter subjetivo que não garante que o animal seja “bem tratado” antes de ser morto.

Há quem diga que essas “falhas” envolvendo o abate de animais ainda acontecem por causa da defasagem na Instrução Normativa Nº 03 de 2000, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que versa sobre o regulamento técnico de métodos de insensibilização para o “abate humanitário”. No artigo “Abate dito ‘humanitário’ e o que diz a legislação brasileira”, publicado pelo site Abolicionismo Animal, os autores Ana Karine Gurgel D’Ávila e Wesley Lyeverton Correia Ribeiro apontam que não há diferenciação nos limites máximos de tempo entre o atordoamento e a sangria para as várias espécies destinadas ao consumo humano.

Outra prova de displicência, e que corrobora que o “abate humanitário” não é uma realidade comum no Brasil, foi apresentada no ano passado pela ONG Repórter Brasil. Por meio de reportagens e vídeos, eles denunciaram que trabalhadores e animais são maltratados na indústria da carne com chutes, socos e pauladas.

Mostraram que as fazendas fornecedoras da JBS, que se define como a maior indústria de proteína do mundo, contradizem o marketing da empresa, não seguindo as recomendações do Ministério da Agricultura. Ou seja, se essa é a realidade que envolve os grandes produtores de carne, que operam de forma regularizada, o que acontece em matadouros clandestinos, conhecidos por métodos mais violentos de abate?

De acordo com José Rodolfo Ciocca, gerente de Campanhas HSA (Humane and Sustainable Agriculture) da World Animal Protection, no Brasil, frigoríficos que não atendem as normas de “abate humanitário” recebem um relatório de não-conformidade, e caso o problema persista, podem ser multados. Ou seja, animais podem morrer de forma violenta, e nem por isso alguém precisa pagar alguma multa caso não haja reincidência.

A situação não melhora quando o assunto são os matadouros municipais e estaduais, porque apenas matadouros privados precisam seguir um programa de autocontrole. Além disso, qualquer punição depende de um inspetor que, em 80% dos casos, nunca está presente, segundo Ciocca. E se houver interferência política quando um frigorífico for fechado, seja por operar irregularmente ou por torturar e ferir animais antes do abate, ele não recebe nenhum tipo de punição e ainda pode retomar as atividades, mesmo que o abate seja praticado a marretadas.

Em 2008, o artigo “A clandestinidade na produção de carne bovina no Brasil”, de autoria dos pesquisadores João Felippe Cury e Marinho Mathias, publicado pela Embrapa, informou que “várias estimativas de especialistas do setor apontam uma clandestinidade [de matadouros] que varia de 30% a 50%, sendo mais comum os dados próximos a 50%”.

Em 2013, a BeefPoint publicou um artigo mostrando que a situação ainda era a mesma. E no ano passado, esses números foram corroborados por outras denúncias. Em 12 de dezembro de 2016, a Folha Web publicou uma reportagem em que técnicos da Agência de Defesa Agropecuária do Estado de Roraima (Aderr) declararam que 100% das carnes de porco de Roraima são provenientes de matadouros clandestinos.

Em 23 de dezembro de 2016, o Canal Rural informou que somente em São Paulo há pelo menos quatro mil avícolas clandestinas, baseando-se em dados coletados pela Universidade de São Paulo (USP). E onde há clandestinidade, há falta de higiene e muita violência, já que para baratear os custos de produção os métodos de execução costumam ser os mais cruéis. Outro ponto a se considerar é que com “abate humanitário” ou não, a privação termina somente com a morte após uma curta vida de exploração.

Referências

http://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/carne-fraca-perguntas-e-respostas-sobre-a-operacao-da-pf-nos-frigorificos.ghtml

http://www.abolicionismoanimal.org.br/artigos/abateditohumanitrioeoquedizalegisla_obrasileira.pdf

http://colunas.revistaepoca.globo.com/planeta/2013/05/03/e-possivel-abater-um-animal-de-forma-humanizada/

https://seer.sede.embrapa.br/index.php/RPA/article/viewFile/424/375

http://www.canalrural.com.br/videos/jornal-da-pecuaria/aves-abatedouros-clandestinos-ameacam-saude-77047

http://www.folhabv.com.br/noticia/100–das-carnes-de-porco-vem-de-abatedouros-clandestinos–/23315

Alex Bastos: qual a verdadeira porcentagem de clandestinidade no comércio de carne bovina? (Leitor Comenta)

Vida de gado

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Drauzio Varella e as falhas na afirmação de que a crítica ao consumo de carne é ideológica

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Não é verdade que não há trabalhos científicos comprovando os malefícios da carne

A minha intenção não é desmerecer o trabalho do médico oncologista Drauzio Varella (Foto: Extra)

No último dia 25 de abril, o médico oncologista Drauzio Varella, que há muito tempo se tornou uma referência para a população brasileira, afirmou na entrevista intitulada “Crítica à carne é ideológica”, publicada pela Revista Globo Rural, que não existe trabalho científico comprovando que a carne vermelha faz mal à saúde do homem”. Drauzio declarou que se criou “uma porção de mitos” a partir de estudos realizados nas décadas de 1960 e 1970 nos Estados Unidos.

Drauzio Varella tem todo o direito de se opor a pesquisadores, acadêmicos e médicos que apontam os malefícios do consumo de carne, até porque ele nunca velou que é um defensor do consumo de alimentos de origem animal. Porém, a afirmação de que não há trabalhos científicos comprovando isso não é realmente verdadeira, e pode naturalmente induzir o leitor a crer que realmente ninguém nunca apresentou nenhuma evidência das implicações do consumo de carne.

O livro “The China Study”, publicado em 2005 pelo bioquímico estadunidense T. Colin Campbell, que tem doutorado na área de efeitos da nutrição na saúde em longo prazo, e que foi criado em uma fazenda de gado leiteiro nos anos 1940 e 1950, mostra que isso não é realmente verdade. O seu livro examina a relação entre o consumo de produtos de origem animal e o surgimento de doenças cardíacas, diabetes e câncer. E chega à conclusão que uma dieta vegetariana é mais saudável.

O trabalho, que começou no início dos anos 1970 e se estendeu por 20 anos, foi realizado pela Academia Chinesa de Medicina Preventiva, da Universidade Cornell, em parceria com a Universidade de Oxford. Eles analisaram as taxas de mortalidade por câncer e outras doenças crônicas em 2400 condados chineses, reunindo ao final do estudo dados de 880 milhões de chineses (96% da população à época).

O trabalho foi realizado por iniciativa do premier chinês Zhou Enlai. Diagnosticado com câncer, pediu que fizessem um mapeamento da doença na China, para entender de que forma isso estava relacionado com os hábitos alimentares dos chineses. O estudo registrou que nos condados onde o consumo de alimentos de origem animal se tornou muito elevado, as taxas de mortalidade eram mais altas, o que eles classificaram como “doenças ocidentais”, já que esses hábitos foram influenciados pela cultura do Ocidente. Por outro lado, nas localidades onde pouco ou nada se consumia de origem animal, as pessoas eram mais saudáveis. O trabalho mais tarde foi considerado o maior estudo de nutrição da história.

Claro que há variáveis a se ponderar, como por exemplo, a prioridade a alimentos saudáveis e prática de atividades físicas, entre outras coisas. No entanto, o “The China Study” justifica que somos mais suscetíveis a contrair determinadas doenças quando consumimos carne, laticínios e ovos, o que não significa que vegetarianos ou veganos estejam livres de doenças. Mas apenas que estão indo por um caminho onde isso pode ser evitado com mais facilidade com os devidos cuidados.

Na entrevista, Dráuzio Varella diz também que nos Estados Unidos “como a carne vermelha tem colesterol, foi concluído que o consumo dela devia ser reduzido. O que aconteceu então? Os americanos diminuíram significativamente o consumo de carne e, no lugar, colocaram carboidratos. A partir dessa resolução, até hoje, a epidemia de obesidade nos EUA aumentou descontroladamente. E, dada a influência dos EUA na área da saúde, essa ideologia cresceu sem parar. Resultado: estamos todos enfrentando uma epidemia de obesidade.”

T. Colin Campbell, autor do livro “The China Study”, que estudou as implicações do consumo de alimentos de origem animal por 20 anos (Foto: Second Opinion)

Não sei em quais estudos ele se baseou para fazer tal declaração, mas isso também não é de todo verdade. Sim, os estadunidenses, assim como pessoas de outros países do Ocidente, consomem quantidades excessivas de carboidratos, e isso sem dúvida favorece o surgimento de muitas doenças, mas há equívocos substanciais no discurso de Varella. Normalmente quem opta por uma dieta vegetariana visando saúde ou qualidade de vida, dificilmente vai consumir quantidades estratosféricas de glicídios, alimentos industrializados – principalmente processados. Não se troca seis por meia dúzia quando se visa conscientemente a saúde.

Ademais, em 19 de agosto de 2016, a Fusion TV publicou uma matéria sobre um assunto também repercutido por muitos outros veículos de comunicação – “Last year americans ate meat like it was going out of style (it’s not)”, que mostra que houve um aumento no consumo de carne nos Estados Unidos em 2015, baseando-se em estudos do Rabobank. Ou seja, por si só, isso já é um indicativo de que as pessoas não estão trocando proteínas de origem animal por carboidratos ruins na velocidade apontada por Varella, mas sim consumindo os dois – que combinados são responsáveis pelo comprometimento da saúde humana.

Outra prova que refuta a posição de Drauzio é que nos Estados Unidos 5% da população se declara como vegetariana, e 2,5% vegana, segundo dados da organização One Green Planet. Sendo assim, onde está toda a população que ele afirma abdicar do consumo de proteínas de origem animal em favor dos maus carboidratos? O vegetarianismo e o veganismo tem crescido, mas, por enquanto, não na proporção desejada por vegetarianos e veganos. Ao mesmo tempo que diz que os críticos do consumo de carne se baseiam em generalizações, Varella parece ignorar que também faz o mesmo, principalmente quando diz que a crítica ao consumo de carne é meramente ideológica.

Então se não for por honestidade e visando o bem da população, por que o pesquisador T. Colin Campbell, filho de produtores de leite, se tornou um defensor da dieta vegetariana que ministra palestras contra o consumo de leite? Por que Howard Lyman, ex-pecuarista que tinha mais de sete mil cabeças de gado, abdicaria disso tudo para se manifestar contra o consumo de carne? Inclusive registrando em seu livro “Mad Cowboy” que ele mesmo tinha o hábito de mandar seus funcionários pulverizarem inseticidas na alimentação e na água do gado para afastar insetos e “pragas”.

Acredito que esses dois homens têm conhecimento mais profundo da realidade do sistema de produção de alimentos de origem animal e das suas consequências na alimentação humana do que o oncologista Dráuzio Varella que, embora seja um profissional respeitado no que diz respeito a vários assuntos, nunca realizou nenhum estudo relevante sobre o tema e incorre em análises equivocadas quando discorre sobre consumo de carne e vegetarianismo, que são áreas que fogem da sua competência.

Em 2006, o The New York Times qualificou o “The China Study” como o “Grande Prêmio da Epidemiologia”, e o “mais abrangente grande estudo já realizado sobre a relação entre a dieta e o risco de desenvolver doenças.” Drauzio pode discordar do conteúdo do livro, mas ele poderia apresentar algum outro estudo equivalente sobre o qual alguém tenha dedicado 20 anos de pesquisa?

Frank Hu: “Este estudo fornece evidências claras de que o consumo regular de carne vermelha, especialmente carne processada, contribui substancialmente para a morte prematura” (Foto: Arquivo Pessoal)

E uma prova de que talvez ele não conheça a obra “The China Study” pode ser encontrada na entrevista para a Revista Globo Rural. Drauzio Varella, parafraseando o epidemiologista Walter Willet, da Universidade Harvard, assinala que somente um estudo com duração de 20 anos poderia trazer resultados realmente consistentes. Como mencionado anteriormente, o livro de T. Colin Campbell foi baseado em um projeto de pesquisa com duração de 20 anos.

E se o “The China Study” não for o suficiente para levar o leitor a refletir sobre a questão, é válido citar o artigo “Cutting red meat – For a longer life”, publicado em junho de 2012 pela Universidade Harvard, a mesma citada por Varella quando diz que não se pode associar o consumo de carne com o surgimento de doenças. “Este estudo fornece evidências claras de que o consumo regular de carne vermelha, especialmente carne processada, contribui substancialmente para a morte prematura”, disse Frank Hu, um dos principais cientistas envolvidos no estudo e professor de nutrição da Harvard School of Public Health.

Na pesquisa, publicada no Archives of Internal Medicine em 9 de abril de 2012, uma equipe de pesquisadores de Harvard procurou estabelecer ligações entre o consumo de carne e a as causas de mortalidade. Eles examinaram os casos de 84 mil mulheres e 38 mil homens em mais de duas décadas. Aqueles que consumiam principalmente carne vermelha claramente se enquadravam nos grupos de risco de morte prematura.

Depois de 28 anos, aproximadamente 24 mil pessoas que participaram dos estudos da Harvard Medical School sobre a associação entre consumo de carne e mortalidade, faleceram em decorrência de doenças cardíacas e câncer. Analisando os questionários feitos pelos pesquisadores, constatou-se que essas pessoas tinham entre seus hábitos alimentares o consumo de bife, carne de porco, cordeiro e hambúrgueres.

Eles também comiam embutidos como bacon, cachorro-quente, salsicha e salame, entre outros. O estudo determinou que cada porção diária adicional de carne vermelha aumentou o risco de morte em 13%. O impacto subiu para 20% tratando-se de carne processada.

Na entrevista à Revista Globo Rural, Dráuzio Varella pontua que qualquer um tem o direito de ser vegetariano, mas que nem por isso evitará um ataque cardíaco, caso seja sedentário, tenha genética desfavorável, colesterol elevado e hábito de exagerar na comida. Bom, os vegetarianos e veganos que conheço não se veem como imune a todas as doenças do mundo, mas fazem o que está ao seu alcance para tentar evitá-las.

O vegetarianismo enquanto opção alimentar não é perfeito, e sabemos que há inúmeras variáveis, mas usar desse discurso para desconsiderar a dieta vegetariana é reverberar senso comum, já que ninguém está negando o fato de que sedentarismo e obesidade também podem ser prejudiciais para vegetarianos e veganos. No entanto, o que os estudos que mostram os malefícios do consumo de produtos de origem animal provam é que é mais fácil ser saudável não consumindo carne do que comendo. Ou seja, uma pessoa obesa que opta por uma dieta vegetariana tem mais chances de recuperar a própria saúde.

Outro artigo da Universidade Harvard, intitulado “Becoming a Vegetarian”, e publicado em outubro de 2009 e atualizado em 18 de março de 2016, explica que comparado com os consumidores de carne, vegetarianos tendem a consumir menos gorduras saturadas e colesterol, e mais vitaminas C e E. Também têm uma dieta mais rica em fibras, ácido fólico, potássio, magnésio, carotenoides e flavonoides.

Como resultado, eles têm níveis mais baixos de mau colesterol, pressão sanguínea mais baixa, e tudo isso pode ser associado à longevidade e redução do risco de muitas doenças crônicas. Em 2003, a Associação Dietética Americana (ADA) publicou um relatório afirmando que os vegetarianos têm 50% menos riscos de contrair diabetes, doenças cardíacas e amargar oscilações nos níveis de colesterol.

Outra citação de Drauzio Varella que merece atenção é a de que a carne é uma fonte maravilhosa de B12. Realmente, carne é uma fonte de B12, mas frisar que é uma fonte maravilhosa é algo contestável, porque dá a entender que o consumo de carne por si só sempre vai ser o suficiente para impedir a deficiência de vitamina B12, o que não é verdade.

O mito de que consumir carne sempre garante bons estoques de B12 foi derrubado em 2000, quando o Framingham Offspring Study, publicado pelo The American Journal of Clinical Nutrition, constatou que 39% dos participantes de uma pesquisa realizada com três mil homens e mulheres sofriam de deficiência de vitamina B12. A informação mais reveladora é que não foi percebida diferença entre quem consumia carne vermelha, aves, peixes ou nenhum desses alimentos.

A conclusão do estudo foi de que todos, vegetarianos ou não, devem fazer exames e, se necessário, consumir suplementos de vitamina B12. E quanto à carne ser uma grande fonte de ferro, é importante deixar claro que ela não é a única. Drauzio poderia ter citado também as leguminosas, castanhas, sementes, cereais integrais, couve, frutas secas e melado.

A minha intenção não é desmerecer o trabalho do médico oncologista Drauzio Varella, que é uma referência para tantos brasileiros, e com sua experiência e conhecimento trouxe luz a importantes debates ao longo de décadas. Porém, no que diz respeito ao vegetarianismo e à defesa do consumo de alimentos de origem animal, ele tem feito declarações, e não de hoje, ignorando todos os estudos que fazem oposição a uma dieta rica em proteínas de origem animal.

Fontes que comprovam que uma dieta vegetariana é mais saudável não faltam. Outro exemplo é a pesquisa “Vegetarian dietary patterns and mortality in Adventist Health Study 2”, da Universidade Loma Linda, referência em cardiologia, realizada com 70 mil pessoas nos Estados Unidos. Depois de seis anos, os pesquisadores concluíram que o número de morte entre vegetarianos foi 12% menor do que entre aqueles que consumiam carne.

Saiba Mais

O estudo “Comparison of Nutritional Quality of the Vegan, Vegetarian, Semi-Vegetarian, Pesco-Vegetarian and Omnivorous Diet”, concluído em 14 de março de 2014 por pesquisadores belgas concluiu que veganos têm os hábitos alimentares mais saudáveis.

O livro “The China Study” inspirou a criação do documentário “Forks Over Knives“, que conta a história do jornalista Lee Fulkerson, que teve a vida transformada depois de adotar uma dieta vegetariana.

Referências

http://revistagloborural.globo.com/Colunas/sebastiao-nascimento/noticia/2017/04/critica-carne-e-ideologica-diz-drauzio-varella.html

http://www.socakajak-klub.si/mma/The+China+Study.pdf/20111116065942/

http://www.health.harvard.edu/staying-healthy/becoming-a-vegetarian

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/10648266

http://www.mdpi.com/2072-6643/6/3/1318

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23836264

https://www.andeal.org/vault/2440/web/JADA_VEG.pdf

http://www.mdpi.com/2072-6643/6/3/1318

 

Americans are eating meat like it’s going out of style (it’s not)

 

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A problemática do consumo de leite

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Enquanto o leite for visto como alimento, a indústria vai seguir firme na exploração de animais

O leite da vaca naturalmente é do bezerro (Foto: Reprodução)

Um rapaz me disse que vive em uma chácara e tem uma vaca que ele ordenha diariamente. Afirmou que a trata bem e que ela não passa por nenhum tipo de sofrimento e privação. Certo. Mas que tipo de problemática o veganismo poderia apontar em torno disso?

O fato de você ordenhar a vaca e consumir o leite dela significa que o leite dela existe para consumo humano, o que não é verdade, já que o leite da vaca naturalmente é do bezerro. Só de consumir o leite da vaca criada, mesmo que no quintal de casa, já estamos nos posicionando de forma favorável à exploração animal em níveis industriais.

Mas como assim? Porque, mesmo que a vaca permitisse o consumo do seu leite, é importante levar em conta que nem todo mundo teria condições, espaço ou tempo para atender todas as necessidades de uma vaca. Sendo assim, é natural que a cadeia industrial acabe por suprir uma demanda gigantesca criada por força de hábitos culturais, e que se estende a milhões de consumidores só no Brasil.

Vou citar outro exemplo. Vamos supor que eu tenha uma vaca de quem extraio o leite para o consumo familiar. De repente, alguém que nunca consumiu leite decide me visitar e fica deslumbrado ao experimentar leite de vaca pela primeira vez. Então apresento as despesas com o animal, ele acha caro, fora das suas possibilidades, mas ainda assim quer encontrar um meio de ter um fornecimento diário de leite.

Vejo aí uma oportunidade e faço uma proposta de fornecimento de leite. Ele não gosta do valor e diz que encontrou um produto mais vantajoso no mercado ou na padaria perto de sua casa. Então o camarada começa a financiar as grandes indústrias leiteiras porque é mais prático para ele, mesmo que isso custe bezerros sendo apartados de suas mães e reduzidos à carne de vitela.

Nesse caso, a solução seria comprar o leite do leiteiro? Não… A única solução plausível para não tomar parte na privação ou sofrimento do gado leiteiro é não contribuindo com esse mercado. Mas por que não? O leiteiro não vai judiar da vaca.

Sim, o leiteiro pode não machucá-la e, de repente, até a deixe pastando livremente, mas qual é a participação real dele numa demanda de 34 bilhões de litros de leite [de acordo com a Embrapa] produzidos no Brasil? É muito leite, e vivemos em um país que não possui área o suficiente para a produção de tanto leite que não seja em níveis industriais – que não imponha privação às vacas e morte aos bezerros.

Enfim, não existe pasto para esses animais serem criados soltos. Sendo assim, o alto consumo de laticínios deu origem ao regime de confinamento do gado leiteiro. O que naturalmente significa animais vivendo em situação avessa à sua natureza. Ou você conhece algum animal que goste de ficar preso ou de ser condicionado? E tudo isso é legitimado porque classificamos o leite como alimento de consumo humano.

Sendo assim, mesmo que indiretamente, quem consome leite de uma vaca criada na própria chácara ou no quintal de casa, também está endossando o mercado da produção industrial de leite. E simplesmente porque enquanto o leite for visto como alimento, a indústria vai seguir firme na exploração de animais. Afinal, a única coisa que ela precisa é de pessoas afirmando que o leite de vaca é um “superalimento”.

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Written by David Arioch

April 27, 2017 at 12:03 am

James McWilliams: “Me tornei vegano no dia em que assisti um vídeo de um bezerro nascendo em uma fazenda industrial”

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“Eu tive empatia pela vaca e pelo bezerro, e assim minha vida mudou” (Foto: Divulgação)

“Me tornei vegano no dia em que assisti um vídeo de um bezerro nascendo em uma fazenda industrial. Antes de tocar o chão, o bebê foi arrastado para longe de sua mãe. A mãe correu atrás de seu filho e explodiu de raiva quando o funcionário da fazenda fechou o portão na frente dela.

Ela gemeu, e aquele foi o barulho mais doloroso que já ouvi vindo de um animal; e então ela sucumbiu e enterrou o seu rosto na própria placenta enlameada. Eu não tinha ideia do que estava acontecendo ao que diz respeito à química cerebral, instinto animal, ou o que quer que seja.

Eu só sabia que esse sofrimento nunca valeria o sabor do leite e da carne de vitela. Eu tive empatia pela vaca e pelo bezerro, e assim minha vida mudou.”

James McWilliams é professor de história da Universidade Estadual do Texas, e importante referência em história dos Estados Unidos no período colonial e história ambiental. Ele também é autor dos livros “O Selvagem Moderno: Nossa Decisão Irracional de Comer Animais” e “A Política do Pasto: Como Dois Rebanhos Inspiraram um Debate Nacional sobre o Consumo de Animais”.

Referência

http://james-mcwilliams.com/

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A consciência de José

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“Lendo os ingredientes para ver se não encontra nada de origem animal, não é mesmo?”

Arte: Shawn Sheperd

No mercado, enquanto eu olhava os produtos na seção de cereais, um camarada, a quem vou chamar de José, passou por mim, me cumprimentou e disse: “Lendo os ingredientes para ver se não encontra nada de origem animal, não é mesmo?” Balancei a cabeça em concordância e sorri.

Ele continuou: “Cara, aqueles seus textos sobre veganismo mexem com a cabeça da gente. Tenho que reconhecer.” Gostei de saber disso e comentei que a ideia é justamente essa. José deu um sorriso amarelecido e partiu empurrando seu carrinho de rodinhas tortas que dificultavam uma movimentação mais rápida.

Depois de 10 a 15 minutos, na seção de farináceos, o vi na fila do açougue. Provavelmente ele estava aguardando a vez desde que trocamos algumas palavras. Assim que me viu, desviou os olhos, nitidamente constrangido. Empunhando uma longa faca recém-usada para fatiar parte de algum animal, o açougueiro ajeitou o boné branco com uma mão enluvada e perguntou o que ele desejava. Mesmo à distância, ouvi sua resposta: “Não desejo nada, meu senhor, nada! Muito obrigado! Tenha um bom dia!”, e se afastou, esfregando a mão sobre o topo da cabeça e empurrando o carrinho em sentido oposto.

Continuando as compras, na seção de hortifruti, fiquei feliz por encontrar brócolis e couve-flor orgânicos a preços bem acessíveis. Peguei dois de cada, coloquei no carrinho e olhei à minha direita. José, como se carregasse bebês nos braços, deitou duas bandejas de iogurte grego e uma garrafa de bebida láctea dentro do carrinho quando notou meus olhos em sua direção.

Ele corou rapidamente e tirou todos os laticínios do carrinho, recolocando-os com mãos trêmulas no expositor. Testemunhando a cena, uma idosa baixinha segurando uma caixinha de leite de arroz com as duas mãos falou: “Você fez bem, filho! Leite de bicho faz mal. Olhe como você está vermelho!” Só ouvi um não sonoro e desajeitado que afastou a boa senhora, mas não sem antes fazê-la agigantar os olhos e levar as duas mãos ao coração, sem entender o que aconteceu.

Quando me recordei que em casa não havia mais alho, me apressei até a banca e, coincidência ou não, vi José segurando duas bandejas de ovos de galinha. Ele parecia preocupado em ser visto por alguém, e movia a cabeça de um lado para o outro. Não notou que havia uma plaquinha amarela avisando que o piso estava escorregadio. Gritei seu nome em vão. José não ouviu e foi ao chão, caindo sentado e resfriando o traseiro. Não restou um ovo inteiro.

A raiva era tanta que ele grunhiu: “Nunca mais como ovo na minha vida! Nunca mais! Para os diabos com os ovos!” Sorte ou não, nenhum o atingiu. Me aproximei para ajudá-lo a levantar, só que ele recusou: “Estou bem, David. Me deixe, estou bem!” As pessoas o observavam sem entender o que se passava com José. Preocupado com as horas, caminhei até as seções de produtos de limpeza e higiene, o que me tomou um tempinho considerável.

Já no caixa, logo à minha frente, encontrei José esvaziando o carrinho e colocando as compras sobre o balcão. No fundo, restavam três bandejas de embutidos, um saquinho com carne moída e outro saquinho com bifes. Ele os posicionou sobre o balcão, mas quando me viu logo atrás, levou um susto que o fez sorrir involuntariamente. Retribuí o sorriso e José chamou a atenção da moça do caixa: “Olhe, alguém deve ter colocado por engano esses embutidos e essas carnes no meu carrinho. Isso aqui não é meu. Vou deixar aqui do lado.”

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Written by David Arioch

April 25, 2017 at 1:35 pm

Taiwan aprova lei que proíbe o consumo de carne de cães e gatos

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Taiwan é o primeiro país da Ásia a proibir o consumo de carne de cães e gatos (Foto: Sputnik News)

Taiwan é o primeiro país asiático a banir completamente o consumo de carne de cães e gatos. A nova legislação aprovada na última terça-feira é resultado de uma série de protestos contra o abusos de animais. Quem for flagrado desrespeitando a lei, terá de pagar uma multa equivalente a quase 25 mil reais.

A legisladora Wang Yu-min chamou a atenção para a importância da decisão, declarando que é uma porta que se abre para leis cada vez mais justas em relação ao bem-estar animal. De acordo com o Daily Mail, Yu-min disse que autoridades taiwanesas já estavam proibindo o consumo de carne de cães e gatos em algumas regiões. No entanto, ainda eram ações pontuais, o que exigiu uma iniciativa nacional.

Outro ponto positivo da nova legislação é que quem for flagrado abusando de cães e gatos pode pegar até dois anos de prisão e ter de pagar uma multa equivalente a mais de 203 mil reais. Criminosos reincidentes podem ter a pena estendida para cinco anos e a multa aumentada para mais de 500 mil reais. A lei também proíbe que animais encoleirados sejam obrigados a correr para acompanhar veículos em movimento.

O projeto de lei foi sugerido após a divulgação de uma série de vídeos de abusos de animais em Taiwan, incluindo um vídeo em que três soldados aparecem batendo em um cão abandonado e o estrangulando até a morte. O crime gerou comoção em Taiwan, onde ativistas dos direitos animais realizaram vários protestos de grande repercussão.

Embora Hong Kong e China também tenham proibido a matança de cães e gatos com a finalidade de coibir o comércio de carne desses animais, as leis são falhas porque não criminalizam o consumo, que é o ponto mais importante da questão.

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Written by David Arioch

April 13, 2017 at 6:37 pm

Imagine passar a sua vida toda confinado

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Chegando, quem sabe, a perder a noção do que existe fora das grades que afunilam seu mundo (Foto: Reprodução)

Imagine passar a sua vida toda confinado, chegando, quem sabe, a perder a noção do que existe fora das grades que afunilam seu mundo; sem poder sentir o aroma de nada que não seja sua ração e suas próprias fezes. Aos poucos, você se torna incapaz de distinguir importantes elementos da realidade. Talvez, dependendo do nível de estresse e do tipo de ambiente, você comece a comer as suas próprias fezes confundidas com ração.

O som de seus companheiros que não voltam mais. Eles resistem quando são agarrados, mas logo são imobilizados – mesmo que isso custe penas voando e asas dilacerando. Há um tipo de esperança que persiste, mas não em todos. Os mais sensíveis enlouquecem mais rápido em meio à agitação; começam a se estranhar e tentam se bicar porque já não sabem quem são.

Aves que não se veem mais como semelhantes e pouco agem como aves, sintoma de uma degradação tradicional que usurpa do mais frágil o direito ao que seria de fato uma vida normal. Dentro de um caminhão, o colocam dentro de uma caixa minúscula. Sem espaço para movimentar naturalmente as asas, se encolhe num canto e assiste, entre grades de plástico, carros ultrapassando, caminhões encostando, pessoas falando.

Quantas vidas existem lá fora, mas nenhuma delas é como a sua. Te penduram, te atordoam e te sangram por três minutos. Sua existência se esvai com o vermelho que escorre pelo chão. Seu sangue, símbolo-mor da sua vitalidade sem unção, é tratado como imundície. Alguém deve limpar. Não existe velório. Só escaldagem, depenagem e evisceração; e mutilação, gotejamento e resfriamento. Mais tarde, te embalam e te enviam para um açougue. Alguém há sempre de comer. Quanto vale sua morte? R$ 4,50 o quilo, mais ou menos.

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A realidade, o leitãozinho e a “exceção”

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Evidente sofrimento animal na indústria da carne (Foto: A Beating Heart)

Realidade da indústria da exploração animal. Alguém pode dizer que o caso do leitãozinho da foto é exceção. Não creio, mas se for para considerar tal ponto de vista, penso da seguinte maneira:

Foi a partir das “exceções” que começamos a ser condescendentes com algumas das práticas mais nefastas perpetuadas pela humanidade. Prefiro não consumir para não ser conivente com a “exceção”, se esse for o argumento de quem vê imagens como essa como “exageradas”. Foto do projeto A Beating Heart.

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Written by David Arioch

April 8, 2017 at 12:49 am