David Arioch – Jornalismo Cultural

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Archive for the ‘Carne’ tag

Sobre carne e cadáver

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Há quem diga que é errado usar o termo cadáver para se referir à carne proveniente de animais abatidos pela indústria da carne. A justificativa é que cadáver é a carne já estragada, em estado de decomposição. Na realidade, não é. O termo é duro sim, até porque a palavra não é bonita, mas não é equivocado. Veja o que informam os dicionários Michaelis e Aurélio.

Corpo de animal humano ou não, após a morte, ainda não decomposto.

Corpo morto, inteiro (ou quase inteiro), e não decomposto, de um animal.

Cadáver é o corpo de todo animal humano ou não a partir da constatação da morte. Por uma questão cultural, rejeitamos tal palavra quando falamos da alimentação baseada na morte de animais. Afinal, a não ser que você seja alguém que mate animais com suas próprias mãos, dificilmente a palavra cadáver parecerá menos do que horrível.

Um fato intrigante é que entre pessoas que praticam a caça com fins de nutrição o termo cadáver não causa real estranheza. O choque costuma ser maior entre consumidores comuns, pessoas que evitam a associação entre carne e morte, até por um condicionamento histórico baseado em propaganda e políticas de consumo.





Written by David Arioch

September 16th, 2017 at 10:15 pm

Promoção no açougue

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“Será que vou conseguir levar alguma coisa?”

Promoção no açougue. Fila imensa. Pessoas sorrindo. Pessoas apreensivas. Medo de não sobrar nada. “Será que vou conseguir levar alguma coisa?”, se perguntavam.

Alguém se acotovelou? Sim, sutilmente e bruscamente. O cheiro da câmara fria amenizava o calor de mais de 30 graus. Trazia um cheiro glacial de osso, de carne. Cheiro de morte? Sim, mas isso não sei se alguém considerou. Menos ainda se a fome dominou.

Faca que corre pelo corpo despedaçado. Serra, serra que não para. E não para mesmo. Vamos ensacar. Sorriso, churrasco, gargalhada. Gargalhada, churrasco e sorriso. Era o assunto do momento. Sem traços de vida. “Não saio daqui com menos de 30 quilos”, comentou um homem de meia-idade. Respirava com dificuldade. Fôlego fraco. Hipertensão? Doença coronariana? Pode ser.

— Com licença, posso lhe mostrar algo rapidamente? Preciso apenas de uma breve opinião.
— Sim, sem problema.
— Que merda é essa? Você é louco? Mostrar isso pra mim na fila do açougue.

Agradeci e caminhei até o próximo da fila. Mais um pedido.

— Que isso, menino! Me respeite que eu poderia ser sua mãe.
— Ok.

Mais um.

— Ah, piá sem noção! Tá maluco? — disse uma moça.

Outro.

— Respeite minha família. Estou com minha esposa e filhos aqui.

Mais.

— Acabou com o meu apetite. Tá satisfeito agora, seu infeliz?
— De modo algum, senhor.

Continuei.

— Ô açougueiro, faça alguma coisa aqui. Chame a gerência, sei lá. Esse cara aqui tá perturbando todo mundo na fila.
— Não, senhor. Pedi licença todas as vezes, e vocês concederam. Bom, acho que já cumpri o meu papel.
— Papel? Isso aí deve ser tudo mentira, coisa encenada. Ou se for verdade, coisa rara que acontece só nos piores lugares.
— Ok.
— Só isso que você tem a dizer?
— Sim. Agradeço a atenção de todos. Não tenho do me que queixar.
— É? Mas nós temos, de você sendo inconveniente.
— Obrigado. Tenham uma boa tarde.

Guardei o celular no bolso, mas antes li uma última mensagem que encerra o vídeo: “A consciência clama pelo que já não descansa.” Cinco pessoas abandonaram a fila.

— Já é alguma coisa — monologuei em direção à saída.

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Você que é o vegano?

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“Olhe, menino, a gente cuida bem deles a vida toda”

Uma amiga que eu não via pessoalmente há mais de três anos me convidou para ir até a sua casa na semana passada. Enquanto conversávamos na varanda, seu pai chegou com dois peões. Ele é pecuarista e estavam descarregando pedaços de um boi morto. Havia tanta carne que eu seria incapaz de dizer a quantidade. Encheram dois freezers. De repente, o homem tirou o chapéu da cabeça e sorriu.

— Você que é o vegano?
— Sim.
— No meu tempo não existia essas coisas.
— Tem certeza?
— Olhe que tenho.
— Acho que não, senhor. Sempre tivemos pessoas que não se alimentam de animais. A história da humanidade está repleta deles. A diferença é que essa faceta da vida de muitos foi ignorada. O veganismo, por exemplo, existe formalmente desde 1944. É um bom tempo, não?
— Hummm…é…mas não consigo entender o que tem de errado em comer carne. É parte de quem somos, da nossa história. Minha família cria gado há cinco gerações, e somos bons na lida com eles. Não deixamos faltar nada.
— Não duvido. Mas o senhor analisa a situação do ponto de vista humano ou não humano?
— Como?
— O senhor disse que é bom pra eles. Mas o que é bom pro gado? Será que o bom pro gado é o bom pra eles ou o bom pra nós?
— Aí você tá de sacanagem comigo.
— Não, de modo algum. Falo honestamente.
— Olhe, menino, a gente cuida bem deles a vida toda.
— Mas no final eles morrem?
— Claro, as pessoas precisam de carne.
— Precisam?
— O que você quer dizer com isso?
— Eu pareço doente para o senhor?
— Não, tá melhor que meus peões — comentou sorrindo.
— Então, e estou aqui vivo sem me alimentar de animais.
— Mas aí é uma opção sua. Tem gente que opta por comer os animais e o que eles oferecem.
— Sim, a princípio é uma opção, mas que deixa de ser vista dessa forma quando há o entendimento de que os animais não escolheram morrer. Veja bem, como comer animais pode ser uma opção se ninguém levou em conta os interesses deles?
— E boi lá tem interesse, rapaz? O boi é a gente que cria e molda do nosso jeito.
— Mas o senhor já viu um animal desejando a morte? Algum deles deita a cabeça calmamente para receber uma pancada ou um tiro de pistola pneumática? Eu nunca vi.
— Ai ai ai. Que conversa é essa. Acho que a gente pensa diferente.
— Pois é.
— Minha filha agora anda com essas conversas também. Você que andou fazendo a cabeça dela?
— Pare, pai. Que pergunta!
— Bom, eu não creio que eu faça a cabeça de ninguém, eu ofereço possibilidades de reflexão. Mostro outra face da realidade da exploração de animais, e sempre tenho o cuidado de fazer isso sem agredir ninguém.
— E você me acha ruim por ser pecuarista?
—Não, mas acho que seria interessante o senhor refletir um pouco sobre a pecuária de um ponto de vista que não envolva lucro, costume, essas coisas. Pense fora da sua zona de conforto. Te convido apenas a se colocar no lugar, por exemplo, desse boi que hoje se resume a porções dentro do freezer. Ele era dócil? Gostava de sentir o sol? O vento? Se relacionava com os outros animais? Uma vida, por mais que ela seja subestimada, nunca é somente uma vida, há todo um conjunto de fatores que a envolve. Quando um animal morre, eu me pergunto se ele tinha desejos, se alguém vai sentir sua falta. Imagino que o senhor já tenha acariciado alguns desses animais.

Um dos peões começou a rir e o homem chamou-lhe a atenção.

— Acaricio todos eles. Trato que nem gente da família.
— Hum, mas se o senhor trata como gente da família, por que mata eles?
— Eles vivem pra isso, menino. É a vida. Vamos deixar esse papo pra outro dia que tenho que dar tarefa pra esses peões. Mas fique à vontade, só não coloque minhoca na cabeça da minha menina — disse sorrindo.
— O senhor sabe que eles têm potencial para viver muito mais. É a objetificação que mata, o fato de resumir um ser vivo a pedaços de carne.
— Sei não, filho. Talvez. Outra hora a gente conversa. Mas te respeito por defender essa sua filosofia de vida e não abaixar a cabeça durante a conversa.
— Certo. Obrigado.

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Written by David Arioch

September 12th, 2017 at 1:41 am

Jacaré, mais um animal reduzido a alimento

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Espécie se tornou alvo da ganância humana

Corumbá, no Mato Grosso do Sul, tem o terceiro e maior frigorífico de jacarés do Brasil, e, assim como outros, com o aval e apoio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Assim como outros animais, do jacaré não se aproveita apenas a carne, mas tudo, inclusive os olhos. Para 2018, a estimativa é de que pelo menos 600 animais sejam abatidos por dia somente em um frigorífico, de acordo com informações da Caimasul. Isso representa 65 mil quilos de carne de jacaré por mês.

Estamos falando de uma carne que pode custar até R$ 70 por quilo. Logo, além da exploração desnecessária e da crueldade legitimada, interessa a quem algo assim? Quem tem condições de pagar por isso? Não é difícil interpretar que essa oferta vai ao encontro de uma demanda específica, que se volta para a exportação e para uma pequena camada da sociedade com maior poder de compra.

Atualmente, nas maiores cidades do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul, o jacaré já é visto por muita gente como alimento, assim como o boi, o porco e o frango. Não é incomum encontrar pedaços de jacaré em açougues e mercados. Normalmente, estão reduzidos à ponta de cauda, filé de cauda, filé de lombo, filé de dorso, filé mignon, coxa, sobrecoxa, linguiça e iscas. Uma cooperativa de criadores de jacaré alega que a iniciativa visa a conservação do meio ambiente e a preservação da espécie.

Mas será mesmo que criar milhares de animais em cativeiro, em baias e galpões, e manter um ritmo de produção de milhares de toneladas por ano é uma medida que visa realmente o bem-estar da espécie? E o que eles pretendem fazer quando a demanda dobrar, triplicar ou quadruplicar? Ou até mais do que isso. Afinal, eles estão incentivando novos hábitos na população, e também a ideia de que o Pantanal é território fértil para esse tipo de exploração.

Além disso, essa demanda também pode estimular naqueles que veem nisso um bom negócio, mas não têm condições de investir formalmente e legalmente na área, o interesse pela comercialização ilegal de carne de jacaré, que pode ter um custo até quatro ou cinco vezes menor. Ou seja, surge aí um estímulo para que mais animais selvagens sejam mortos para atender a uma demanda que deve crescer substancialmente.

Precisamos considerar também o fato de que esses animais estão sendo criados fora do seu habitat. Se o foco é a preservação ambiental, então por que matá-los e reduzi-los a alimentos? Se a ideia é o controle populacional, por que eles são condicionados a se reproduzirem em cativeiro?
Enfim, se há uma superpopulação de jacarés no Pantanal, e eles devem ser supostamente abatidos, a situação chegou a esse ponto por negligência e interferência humana.

Vivemos em um mundo com mais de 7,2 bilhões de pessoas, e onde mais de 870 milhões de seres humanos sofrem de subnutrição crônica, mas temos um péssimo costume de culpar outras espécies por nossas falhas e concupiscências. A comercialização de carne de jacaré é um exemplo disso. Transformamos um animal selvagem em bode expiatório, extraímos o máximo que pudermos dele para gerar lucro, e esse lucro não é redistribuído nem mesmo direcionado à recuperação do meio ambiente.

Acredito que é mister não ignorar que essa indústria mata animais privados de seu habitat, habitat este que não pertence a ninguém, a não ser a própria natureza. E os espólios de suas mortes são celebrados por uma pequena parcela da população com maior poder aquisitivo. É justo isso? Não creio.

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Written by David Arioch

September 9th, 2017 at 8:11 pm

Filósofos que abordaram o não consumo de carne, vegetarianismo e o direito dos animais à vida

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Colagem: David Arioch

Alguns filósofos sobre quem pesquisei, e publiquei artigos, que abordaram o não consumo de carne, vegetarianismo, vegetarianismo místico, vegetarianismo ético ou o direito dos animais à vida:

01 – Pitágoras
02 – Plutarco
03 – Sócrates
04 – Platão
05 – Teofrasto
06 – Empedócles
07 – Ovídio
08 – Montaigne
09 – Voltaire
10 – Schopenhauer
11 – Henry David Thoreau
12 – Agostinho da Silva





Written by David Arioch

September 9th, 2017 at 6:22 pm

Um dos maiores lutadores da história da Rússia defendia o não consumo de carne

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Ivan Poddubny ou Paddoubny era protovegetariano

Ivan Poddubny ou Paddoubny (1871-1949), também conhecido como “Ivan O Terrível” e “Hércules Ucraniano”, foi um lutador do Império Russo de origem cossaca. Poddubny era protovegetariano e defendia o não consumo de nenhum tipo de carne. Um dos alimentos que ele mais consumia era pão. O lutador alcançou prestígio internacional por vencer quatro campeonatos mundiais de luta livre.

De acordo com a obra “Bogatyr from Kasenivka”, publicada por T. Nikitenko, Ivan Poddubny, também chamado de “O Campeão dos Campeões”, continuou lutando até os 70 anos. Durante a Segunda Guerra mundial, quando os nazistas invadiram Yeisk, na costa do Mar Azov, eles ofereceram muito dinheiro para que Poddubny treinasse lutadores alemães, mas ele recusou.

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Uma boa forma de ajudar a impedir o avanço do desmatamento na Amazônia é deixando de consumir carne e laticínios

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Saiba que 38% da carne consumida no Brasil é proveniente de áreas de desmatamento da Amazônia.

Uma boa forma de ajudar a impedir o avanço do desmatamento na Amazônia é deixando de consumir carne e laticínios. Afinal, a pecuária ocupa 2/3 de uma área de 750 mil quilômetros quadrados de desmatamento.

Esse desflorestamento é uma consequência natural da demanda por carne e laticínios, o que exige inclusive quantidade absurdas de produção de alimentos, principalmente soja, para nutrir esses animais. Parece pouco? Estou falando de uma área equivalente ao tamanho da Espanha. Saiba que 38% da carne consumida no Brasil é proveniente de áreas de desmatamento da Amazônia.

Então em vez de fazer apelos na internet em defesa da Amazônia, que tal começar reduzindo o consumo de carne e laticínios até, quem sabe, abandonar completamente esses hábitos que não são essenciais à manutenção da vida? Não seria um belo gesto em defesa da Amazônia?

Quando falamos de desmatamento, ficar no discurso é totalmente improdutivo se nossas ações provam que na realidade estamos preocupados apenas com nós mesmos, com o nosso paladar. Seria o mesmo que dizer algo como: “As próximas gerações e os animais nativos que se virem. Vou simplesmente aproveitar o máximo que posso, do jeito que eu quiser. É isso aí!”

Temos que assumir nossas responsabilidades. Ninguém desmata uma área por nada. Se isso acontece é porque há muita gente comprando o que é produzido nessas áreas de desflorestamento. Ou seja, sejamos conscientes. Devemos parar com essa mania de atribuição de responsabilidades que parecem não ter nada a ver conosco, quando somos responsáveis diretos por muito do que acontece com o meio ambiente e com os animais.

Para mais informações, assista:

 

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Written by David Arioch

August 27th, 2017 at 6:27 pm

“Nossa, o seu carrinho é o mais lindo que já vi! Quanto verde, quanta cor”

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“Não tem quase coisas industrializadas”

Depois de levar meu irmão para fazer uma prova em Maringá, passei em um mercado para comprar algumas coisas. No caixa, a atendente fez uma observação:

— Nossa, o seu carrinho é o mais lindo que já vi! Quanto verde, quanta cor, e não tem quase coisas industrializadas. O que mais se vê por aqui são carrinhos cheios de carne, coisas prontas, enlatados e muita bobagens, essas coisas.

Fiquei lisonjeado, mas admito que essa observação me fez pensar depois: “Estamos imersos em uma cultura onde um ‘carrinho colorido’ chama a atenção porque não faz parte da realidade comum.”

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Written by David Arioch

August 20th, 2017 at 12:08 am

A triste realidade de ovelhas e carneiros

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Esses animais normalmente são mortos ainda jovens

Ovelhas e carneiros são tosquiados ao longo de toda a vida, assim servindo como matéria-prima para a indústria de lã. Porém, é importante considerar que há um mercado consumidor para o cordeiro, que é o carneiro ainda filhote. A carne de cordeiro é bastante valorizada quando o animal tem entre cinco e seis meses. No caso de animais da raça Dorper o abate é feito a partir de três meses.

Porém, o que determina o envio para o abate é a qualidade da carne e se o produtor tem interesse em usá-lo ou não como reprodutor. Caso contrário, mata-se nos primeiros meses um animal com expectativa de vida de 12 anos. No mais tardar, carneiros com dois anos e ovelhas com seis anos são enviados ao matadouro. Isto porque como os níveis de reprodução de ovelhas e carneiros caem nessa faixa etária, eles são considerados velhos e financeiramente inviáveis pelos produtores.

Como não são mais vistos como “boa matriz”, o destino desses animais, que muita gente pensa que são simplesmente tosquiados e têm uma vida feliz até os seus últimos dias, é o matadouro. Em qualquer parte do mundo, carneiros e ovelhas explorados pela indústria morrem precocemente, independente da finalidade da criação. Não é difícil chegar a essa conclusão se considerarmos que eles são mortos nos primeiros anos de vida, mesmo tendo uma expectativa de vida de 12 anos que pode ser estendida a 20 anos caso haja boa qualidade de vida.

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“Tentava acreditar que os animais realmente só existiam para nos servir”

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Arte: Hartmut Kiewert

Um camarada de longa data veio me falar que no ano passado ficou muito irritado com alguns textos que publiquei sobre vegetarianismo e veganismo, e porque faziam com que ele se sentisse mal por ter conhecimento do que realmente acontece com os animais, mas não fazer nada para não tomar parte nisso.

— Cara, não vou mentir. Ficava puto mesmo, em total negação. Achava que era muito sensacionalismo. Claro, era uma defesa minha, porque são coisas que tocam na ferida, são coisas reais, mesmo que a princípio a gente rejeite essa ideia. No fundo, você sabe, senão você não se incomodaria. Me sentia estranho por continuar fingindo que nada acontecia. Tentava acreditar que os animais realmente só existiam para nos servir. Mas depois, pensando bem, comecei a me sentir mal, até que parei de comer carne. Já perdi completamente o interesse em qualquer tipo de carne. Isso foi em janeiro e continuo firme, sem qualquer desejo por carne. Agora faz dois meses que também não como ovos nem laticínios.

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