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A triste realidade dos carneiros

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Fotos: Jo-Anne McArthur

Ao longo de um dia, a fotógrafa canadense Jo-Anne McArthur, idealizadora do projeto We Animals, testemunhou um leilão de animais na Austrália, onde foram vendidos 32 mil carneiros. A maior parte deles já tinha destino definido – a indústria da carne, inclusive brasileira, onde a oferta nacional é menor que a demanda. Não devemos desconsiderar também que a lã como subproduto torna o negócio ainda mais vantajoso para quem compra esses animais.

Segundo Jo-Anne, nos leilões de carneiros, o barulho nunca cessa. Seres humanos gritam pelos melhores preços, cães perseguem e coagem os carneiros, e os caminhões de transporte vêm e vão. Como consequência, os carneiros ficam extremamente estressados, e alguns quebram suas pernas e pescoços na tentativa de fuga.

“Muito além do estereótipo de animais estúpidos, a verdade é que os carneiros são animais com estruturas sociais altamente desenvolvidas”, declarou Jo-Anne. Eles são capazes de identificar uns aos outros. Também têm facilidade em reconhecer seres humanos, mesmo que não tenham visto o mesmo rosto por até dois anos.

Carneiros podem resolver quebra-cabeças, gostam de brincar e partilham das mesmas emoções que os seres humanos, incluindo tristeza, alegria, desgosto, tédio e raiva. De acordo com a fotógrafa que viaja o mundo registrando a realidade dos animais criados para consumo, carneiros são muito amigáveis, e quando recebem uma nova companhia, gostam de trocar carícias.

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Written by David Arioch

September 1st, 2017 at 1:48 pm

A triste realidade de ovelhas e carneiros

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Esses animais normalmente são mortos ainda jovens

Ovelhas e carneiros são tosquiados ao longo de toda a vida, assim servindo como matéria-prima para a indústria de lã. Porém, é importante considerar que há um mercado consumidor para o cordeiro, que é o carneiro ainda filhote. A carne de cordeiro é bastante valorizada quando o animal tem entre cinco e seis meses. No caso de animais da raça Dorper o abate é feito a partir de três meses.

Porém, o que determina o envio para o abate é a qualidade da carne e se o produtor tem interesse em usá-lo ou não como reprodutor. Caso contrário, mata-se nos primeiros meses um animal com expectativa de vida de 12 anos. No mais tardar, carneiros com dois anos e ovelhas com seis anos são enviados ao matadouro. Isto porque como os níveis de reprodução de ovelhas e carneiros caem nessa faixa etária, eles são considerados velhos e financeiramente inviáveis pelos produtores.

Como não são mais vistos como “boa matriz”, o destino desses animais, que muita gente pensa que são simplesmente tosquiados e têm uma vida feliz até os seus últimos dias, é o matadouro. Em qualquer parte do mundo, carneiros e ovelhas explorados pela indústria morrem precocemente, independente da finalidade da criação. Não é difícil chegar a essa conclusão se considerarmos que eles são mortos nos primeiros anos de vida, mesmo tendo uma expectativa de vida de 12 anos que pode ser estendida a 20 anos caso haja boa qualidade de vida.

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