David Arioch – Jornalismo Cultural

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Por que consumir mel também é uma forma de contribuir com a exploração animal

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Abelhas exploradas pelos seres humanos não levam uma vida natural

Muitas pessoas estranham o fato de veganos não consumirem mel, isto porque há muito tempo criou-se um mito de que as abelhas produzem mel para nós. Por isso é importante entender como ocorre a interferência humana no estilo de vida das abelhas e como isso é prejudicial para esses animais.

O processo de produção de mel começa quando as abelhas campeiras saem para colher o néctar das flores. Nessa etapa, elas fazem a polinização transferindo os grãos de pólen de uma flor à outra e os armazenam no chamado “estômagos de mel”, ou seja, um segundo estômago.

No retorno à colmeia, elas iniciam a conversão do néctar em mel por meio de uma enzima chamada invertase, que transforma a sacarose em glicose e frutose. Com o auxílio de outra enzima, glicose oxidase, uma pequena porção de glicose é convertida em ácido glicônico, elevando a acidez do néctar e evitando a sua fermentação.

Depois, elas vomitam o néctar semi-digerido na boca das abelhas engenheiras, que terminam de digerir o néctar e o regurgitam nos alvéolos, onde ao longo de dias o mel passa por um processo de desidratação. A secagem é feita pelas próprias abelhas que movimentam velozmente as asas até o mel chegar a apenas 18% da quantidade original de água. Nesse momento, uma prova de que as abelhas não produzem mel para outros seres vivos é o fato de que elas o selam com cera, crentes de que assim estão protegendo o seu alimento dos invasores.

Todo esse processo é feito pelas abelhas e para as abelhas. Afinal, o mel é uma essencial fonte de alimento e de nutrientes essenciais para elas, e torna-se mais importante ainda quando as abelhas são incapazes de sair para buscar mais néctar e pólen, o que é muito comum em períodos de frio, escassez de floradas ou outros tipos de adversidades climáticas.

Sendo assim, esse também é um dos motivos pelos quais veganos, que evitam ao máximo tomar parte na exploração animal, não consomem mel, já que isso significa privar um ser vivo do seu próprio alimento, ou no mínimo obrigá-lo a produzir mais.

É importante ponderar também que a apicultura, que é a cultura comercial de produção melífera, é realizada de forma a subjugar as abelhas, já que apicultores usam fumaça e gás para manipular as colônias. Basicamente, são formas de condicioná-las e afastá-las do curso natural de suas vidas. Em casos em que as abelhas são contaminadas por parasitas, não é raro os apicultores fumigarem e queimarem toda a colmeia, que costuma ter de 30 a 60 mil abelhas, matando inclusive abelhas saudáveis.

Então alguém pode dizer: “Mas imagine o trabalho de separar as saudáveis das que não são.” Bom, basta não explorarmos as abelhas. Afinal, mel não é uma necessidade básica dos seres humanos. Outra informação relevante é que onde o frio é muito rigoroso, se os apicultores considerarem muito caro manter as abelhas vivas, eles destroem as colmeias usando cianeto.

Outro exemplo que revela como as abelhas são enganadas nesse processo é que quando os apicultores removem o mel da colmeia, eles o substituem por um açúcar barato e pobre em nutrientes. Isso força as abelhas a trabalharem até a exaustão na tentativa de repor o mel perdido. Além disso, durante a remoção do mel nos apiários sempre há abelhas que morrem quando reagem e tentam ferroar os apicultores.

Nos apiários, também não é raro as abelhas rainhas terem as asas cortadas, assim evitando que elas deixem as colmeias para criarem novas colônias em outros lugares, o que diminuiria o lucro e a produtividade.

De acordo com o projeto SOS Bees, a criação em massa de abelhas afeta as populações de outros insetos que concorrem pelo néctar. Prejudicadas pela quantidade imensa de abelhas cultivadas em apiários, as populações de abelhas nativas e de outros animais polinizadores têm diminuído.

Para se ter uma ideia de como é trabalhoso o processo de produção natural de mel, as abelhas precisam visitar pelo menos dois milhões de flores para produzirem 450 gramas de mel. É uma quantidade significativa de mel se levarmos em conta que cada abelha produz em média apenas um duodécimo de uma colher de chá ao longo de toda a sua vida.

Será que vale a pena explorar as abelhas? Creio que não. Afinal, abelhas em apiários são condicionadas a trabalharem fora do seu ritmo natural, logo isso reduz a expectativa de vida delas, assim como acontece com qualquer outro animal explorado por seres humanos.

Mortes nesse processo são inevitáveis. Reflita também sobre o fato de que mel não é uma necessidade básica humana. Vivemos muito bem sem consumi-lo. Acredito que todo mundo já ouviu alguém dizer algo como: “Que lindo como as abelhas produzem mel para nós!” Não, as abelhas nunca produziram mel para consumo humano.

Em síntese, o mel é uma importante fonte de alimento e de nutrientes essenciais para as abelhas, e torna-se mais importante ainda quando elas são incapazes de sair para buscar mais néctar e pólen, o que é muito comum em períodos de frio, escassez de floradas ou outros tipos de adversidades climáticas.

Logo, se consumimos mel, estamos basicamente furtando ou roubando o alimento desses insetos que merecem viver livremente. Claro, as abelhas contribuem ao realizarem naturalmente um processo de polinização que favorece o desenvolvimento de tantos vegetais que consumimos. Porém, isso não significa que elas existem para nos servir.

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Abelhas têm uma forma singular e complexa de comunicação baseada na visão e nos movimentos, e isso é algo que ainda não é bem compreendido por cientistas. Elas têm capacidade de raciocínio abstrato, além de serem capazes de distinguir os seus familiares de outros membros de uma mesma colmeia. Também usam pistas visuais para mapearem suas viagens e retornarem a locais onde já buscaram alimentos. O cheiro também estimula a memória e desencadeia lembranças poderosas nas abelhas.

Referências

http://sos-bees.org/

https://www.vegansociety.com/go-vegan/why-honey-not-vegan

https://www.peta.org/issues/animals-used-for-food/animals-used-food-factsheets/honey-factory-farmed-bees/

 

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Muitos sabonetes são baseados em sebo e banha de animais

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Se higienizar com um produto que tem em sua composição ingredientes extraídos do cadáver de um animal é algo que deveria nos levar pelo menos a uma reflexão sobre nossas relações de consumo

Muitas pessoas compram e usam sabonetes e outros produtos de higiene pessoal que são baseados em ingredientes de origem animal. Exemplo comum é o uso de gordura bovina, caprina e suína como matéria-prima. Se higienizar com um produto que tem em sua composição ingredientes extraídos do cadáver de um animal é algo que deveria nos levar pelo menos a uma reflexão sobre nossas relações de consumo.

A indústria investe massivamente em campanhas que apresentam os benefícios “inimagináveis” desses sabonetes. Por outro lado, nunca fala que o sebo extraído de bois e carneiros, assim como a banha de porco, os dois recolhidos em frigoríficos, estão entre os ingredientes principais.

O sebo e a banha dão origem, por exemplo, a um espessante chamado de ácido esteárico, que também pode ser desenvolvido de forma vegetal, ou seja, sem o uso de sebo ou banha de animais, assim como fazem muitas empresas que investem em produtos mais ecológicos e livres de exploração.

Há também fabricantes que vão muito além, e produzem sabonetes baseados inclusive em banha de tartaruga, incentivando a perseguição e o assassinato desses animais como matéria-prima ao prometer ao consumidor o rejuvenescimento e a diminuição das rugas, algo impossível de se alcançar com o uso de um sabonete.

Porém, isso não aconteceria se a indústria de produtos de higiene pessoal não usasse banha de outros animais como bovinos, caprinos e suínos. Quero dizer, um mercado abre precedente para outro que ilude o consumidor com uma suposta proposta “diferenciada”, já que trata-se de um animal menos comum do que os outros mais comumente explorados nesse mercado.

Sendo assim, o que você prefere, se higienizar com um sabonete de origem vegetal baseado em algo agradável aos olhos ou com um produto que depende da banha ou do sebo retirado do cadáver de um animal? Caso prefira a primeira opção, então comece a comprar sabonetes vegetais. Ou, melhor ainda, que também não realizam testes em animais no processo de fabricação desses produtos. Outra alternativa, caso tenha um tempinho disponível, é fabricar os próprios sabonetes, o que também tem excelente custo/benefício.

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Written by David Arioch

August 14, 2017 at 1:01 am

Danone, Nestlé e Yakult realizam testes cruéis com animais

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Cães, camundongos e porcos são explorados nos testes da Danone, Nestlé e Yakult

Danone, Nestlé e Yakult são alguns dos grandes fabricantes de gêneros alimentícios que realizam testes em animais, além, claro, de usarem matéria-prima baseada na exploração animal. Há anos as três promovem testes que envolvem alimentação forçada, irradiação, dietas restritas com não mais do que 25% das necessidades nutricionais de cada animal e implantação cirúrgica de tubos. Ao final dos experimentos, não raramente os animais são mortos.

De acordo com a ONG Cruelty Free International, elas realizam esses experimentos principalmente na Ásia. A Yakult, por exemplo, promove experiências com camundongos na Coréia do Sul. Os animais usados nos experimentos têm em média cinco semanas de idade, não têm pelos, e são expostos a irradiação a pouco mais de 12 centímetros de suas peles. Esse procedimento geralmente é realizado por 12 semanas e há um aumento gradual na dose de radiação a cada semana.

Os camundongos normalmente desenvolvem rugosidade profunda e são mortos para que suas peles sejam removidas e analisadas. Em 2015, a Cruelty Free International entrou em contato com o porta-voz da Yakult, e ele disse que esses produtos não são comercializados no Reino Unido, mas em outros países. Porém, segundo a Cruelty Free International, que investiga o uso de animais em laboratórios, o lucro da Yakult na Inglaterra até hoje ajuda a fomentar pesquisas que envolvem exploração animal em outros países. Além de camundongos, a empresa realiza testes em cães e porcos, assim como a Danone que usa suínos para testar reações adversas aos seus novos produtos.

Outro grande conglomerado envolvido na exploração animal é a Nestlé, que também usa camundongos e cães. Em um experimento realizado pela gigante do ramo alimentício, 60 camundongos morreram quando a empresa realizou testes com duração de dez semanas para avaliar a eficácia de um novo extrato de canela. No experimento, os animais foram obrigados a ingerir canela através de um tubo enfiado em suas gargantas.

O porta-voz da Nestlé admitiu o que estavam fazendo e comentou: “O teste em animais é, com razão, uma questão de interesse público e deve ocorrer quando são necessárias demonstrações de segurança como parte do processo de autorização regulamentar de um produto.” Porém, esse mesmo porta-voz ignorou que há opções no mercado de alimentos regulamentados e não testados em animais, o que rebate a sua justificativa. A Nestlé promete desde 2015 a redução de testes em animais, porém muitos de seus produtos continuam sendo testados em animais.

A diretora do departamento de ciência da Cruelty Free International, Katy Taylor, também apresentou uma falha no argumento da Nestlé: “Alguns desses testes [com animais] são realizados em produtos que já estavam no mercado. Acreditamos que não há motivo para que voluntários e consumidores humanos não possam estar envolvidos na avaliação dos efeitos desses produtos na saúde humana.” Assim dispensando o uso desnecessário de animais.

Saiba Mais

Para mais informações sobre testes em animais, acesse o site da Cruelty Free International.

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Você não sente muito ódio das pessoas por toda a violência que elas causam aos animais?

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Foto: Jo-Anne McArthur

— É muito triste, e até desanimador às vezes. Mas não chego a esse ponto, simplesmente porque se eu começar a sentir muito ódio, naturalmente vou perder o foco do meu trabalho. E emoção sem informação e conscientização infelizmente não garante compreensão nem razão, principalmente quando você fala com pessoas que não são realmente sensíveis ao sofrimento animal. É justamente por isso que não discuto com pessoas que fazem piadas sobre o sofrimento animal, ou que fazem provocações vazias, que não condizem com a realidade; porque elas simplesmente não sabem o que falam. Estão na superfície da coisa toda, e acredito que no fundo mais por ignorância do que por insensibilidade.

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Written by David Arioch

August 10, 2017 at 8:40 pm

Sobre a realidade dos animais usados como cobaias

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” Em muitos casos, uma porção do cérebro do animal é cortada e descartada”

Há experiências com animais que fazem parte da categoria comportamento e aprendizado. Nesse caso, animais usados como cobaias são submetidos a isolamento social, alimentar, desidratação severa e privação de sono que podem durar dias, semanas, meses ou anos. As pesquisas com animais que visam avaliar o comportamento e o aprendizado não humano normalmente são baseadas na abertura do crânio do animal ainda consciente e na instalação de elétrodos no cérebro.

Nesse ínterim, o cérebro da vítima é manipulado como um brinquedo. Em muitos casos, uma porção do cérebro do animal é cortada e descartada; e ele é obrigado a encontrar alguma saída em um labirinto, por exemplo, mesmo incapaz de reagir naturalmente. Também é mantido sobre plataformas por dias, mas como sempre há água embaixo, o animal evita dormir com medo de cair e morrer afogado. Somente depois de muitos episódios de vivissecção que culminam em traumas extremos, ele entra em estado vegetativo. Como já não responde satisfatoriamente aos estudos, é descartado como lixo.

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“A ideia é tentar controlar todo mundo, transformar toda a sociedade no sistema perfeito”

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Chomsky: “Se você fabricar vontades, fazer as pessoas obterem coisas que estão ao alcance, a essência da vida, elas virarão consumidores”

Se voltarmos ao século 19, no início da Revolução Industrial, os trabalhadores tinham muita consciência disso. Eles, na verdade, predominantemente consideravam o trabalho assalariado não muito diferente da escravidão, a única diferença é que era temporário. Na verdade, era uma ideia tão popular que era o slogan do Partido Republicano. Ali havia uma afiada consciência de classe. No interesse do poder e privilégio, é bom tirar essa ideia da cabeça das pessoas. Você não quer que elas saibam que são uma classe oprimida.

Então, esta é uma das poucas sociedades [sociedade dos Estados Unidos] em que não se fala sobre classe. Na verdade, a noção de classe é bem simples. Quem dá as ordens? Quem as segue?  Isso basicamente define classe. Tem mais nuances, é mais complexo, mas basicamente é isso.

As indústrias de relações públicas e publicidade, que são dedicadas a criar consumidores, são um fenômeno que se desenvolveu nos chamados países livres; na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, e o motivo é bem claro. Ficou claro, há um século, que não seria tão fácil controlar a população à força. Muita liberdade foi conquistada. Organização do trabalho, partidos trabalhistas em vários países, as mulheres começando a votar, etc.

Então era preciso ter outras formas de controle. E era de conhecimento expresso que você tinha que domá-las controlando suas crenças e atitudes. Uma das melhores formas de controlar pessoas em termos de atitudes é o que o grande economista Thorstein Veblen chamou de “fabricar consumidores”.

Se você fabricar vontades, fazer as pessoas obterem coisas que estão ao alcance, “a essência da vida”, elas virarão consumidoras. Ao ler os jornais empresariais dos anos 1920, eles falam da necessidade de direcionar as pessoas às coisas superficiais da vida, como “consumo de moda”, e isso as manterá fora do seu caminho.

Você encontra essa doutrina em meio a pensamentos intelectuais progressistas, como de Walter Lippman, o principal intelectual progressista do século 20. Ele escreveu famosos ensaios progressistas sobre a democracia em que sua visão era exatamente essa. “O público deve ser colocado no seu lugar para que os homens responsáveis tomem decisões sem a interferência do ‘rebanho desnorteado’.”

Devem ser espectadores, não participantes. Assim há uma democracia eficiente, retomando Madison, o Memorando de Powell e assim por diante. E a indústria de publicidade explodiu tendo esse objetivo: fabricar consumidores. E tudo é feito com grande sofisticação. O ideal é o que se vê hoje em dia. Em que, digamos, adolescentes que têm um sábado à tarde livre, vão ao shopping passear, não à livraria ou outro lugar.

A ideia é tentar controlar todo mundo, transformar toda a sociedade no sistema perfeito. O sistema perfeito seria uma sociedade baseada em uma díade, um par, o par é você e seu aparelho de TV, ou, talvez agora, você e sua internet, que lhe apresenta o que deveria ser a vida apropriada; que tipo de engenhocas você deveria ter.

E passa seu tempo e esforço para conseguir essas coisas, que não precisa, não quer, e talvez jogue fora, mas essa é a medida de uma “vida decente”. O que vemos nas propagandas na televisão, se você já fez um curso de economia, você sabe que os mercados devem ser baseados em “consumidores informados fazendo escolhas racionais”.

Bem, se tivéssemos um sistema de mercado assim, então uma propaganda de televisão consistiria de, digamos, a General Motors dando informações dizendo: “Eis o que temos à venda.” Mas uma propaganda de carro não é assim. Uma propaganda de carro tem um herói do futebol, uma atriz, um carro fazendo alguma loucura como subir uma montanha ou algo assim.

A questão é criar consumidores desinformados que farão escolhas irracionais. É disso que se trata a publicidade, e quando a mesma instituição, o sistema de RP comanda a eleição, eles fazem do mesmo jeito. Eles querem criar um eleitorado desinformado, que fará escolhas irracionais, muitas vezes contra seus próprios interesses, e toda vez vemos uma dessas extravagâncias acontecerem.

Logo após a eleição, o presidente Obama ganhou um prêmio da indústria de publicidade pelo melhor marketing de campanha. Não foi divulgado aqui, mas se procurar na imprensa internacional, os executivos ficaram eufóricos. Eles disseram: “Nós vendemos candidatos, fazemos marketing de candidatos como se fosse de pasta de dente, desde Reagan, e essa é a maior conquista que temos.”

Eu geralmente não concordo com Sarah Palin, mas quando ela zomba do que ela chama de “hopey-changey”, ela está certa. Primeiramente, Obama não prometeu nada. Isso é principalmente ilusão. Analise a campanha retórica e preste atenção. Há pouca discussão de questões políticas, e por um ótimo motivo, porque a opinião pública sobre política é muito desconectada do que a liderança de dois partidos e seus financiadores querem. A política cada vez mais está focada nos interesses particulares que financiam as campanhas, com o público sendo marginalizado.

Excertos de Noam Chomsky no documentário “Requiem for the American Dream”, de Kelly Nyks, Peter D. Hutchison e Jared P. Scott, lançado em 2015.

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Sobre a exploração de animais na indústria de chocolate

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É importante e possível a criação de alternativas à exploração animal na fabricação de chocolate e outros produtos

Sinceramente, não sei se realmente existe alguma marca de chocolate que não esteja envolvida em algum tipo de exploração, a não ser que produzam o próprio cacau e não concordem com essa prática. As gigantes do mercado exploram mão de obra barata na Costa do Marfim, onde, além de usarem animais, os produtores de cacau são tão pobres que muitos deles nunca tiveram dinheiro para comprar e experimentar nem mesmo o chocolate que ajudam a produzir. Já no Brasil, pelo que vejo,mesmo as fábricas de chocolate artesanal compram matéria-prima de locais onde a prática tradicional de colheita do cacau envolve a exploração de burros e jumentos.

Não sou da opinião de que devo simplesmente condenar essas pessoas de origem humilde que exploram essa atividade, até porque muitos são praticamente iletrados, semianalfabetos e analfabetos. Quero dizer, eles fazem isso porque foi o que fizeram a vida toda, assim como seus pais, avós e bisavós. Então o que falta para eles mudarem é um trabalho de conscientização e boa vontade em ajudá-los a enxergar o futuro sem prejudicar os animais não humanos.

Uma sugestão seria fazer um acordo com os compradores de cacau, os fabricantes de chocolate, para que ofereçam subsídios, ou que pelo menos ajudem de algum modo, para que esses produtores não apenas não explorem animais no transporte de cacau, mas também ofereçam uma saída sustentável que ajude a agilizar o processo de colheita. Todos ganhariam, porque isso seria um trabalho social que também traria boa publicidade para a empresa que investiria nisso. Afinal, consciência social é um atrativo em um mundo em que os olhos estão se voltando um pouquinho mais para a questão da responsabilidade e consciência social.

Uma alternativa como a do carrinho elétrico, mas que seja adaptado para circular por terrenos irregulares da zona rural, se necessário, seria uma opção interessante no transporte de cacau, até porque tem um custo baixo, já que possui engenharia simples e manutenção barata, como provam alguns projetos brasileiros bem-sucedidos. Claro, o ideal seria enviar um profissional para estudar o trajeto feito pelos produtores, a quantidade média de carga, e adaptar o carrinho a essas necessidades.

Não creio que seja difícil colocar isso em prática, levando em conta que em algumas cidades do Brasil os carrinhos elétricos que substituem carroças já existem na área urbana. Talvez um projeto de financiamento endossado pelo governo, mas a preços que condizem com a realidade dessas pessoas também pode ser uma alternativa viável. Creio que com boa vontade não é difícil resolver esse problema. Esse projeto se fortaleceria ainda mais com a sólida participação de estudantes de engenharia elétrica e mecânica, e, claro, poderia se estender não apenas à produção de chocolate, mas todas as formas de mão de obra que envolvam animais usados no transporte de carga.

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“Tentava acreditar que os animais realmente só existiam para nos servir”

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Arte: Hartmut Kiewert

Um camarada de longa data veio me falar que no ano passado ficou muito irritado com alguns textos que publiquei sobre vegetarianismo e veganismo, e porque faziam com que ele se sentisse mal por ter conhecimento do que realmente acontece com os animais, mas não fazer nada para não tomar parte nisso.

— Cara, não vou mentir. Ficava puto mesmo, em total negação. Achava que era muito sensacionalismo. Claro, era uma defesa minha, porque são coisas que tocam na ferida, são coisas reais, mesmo que a princípio a gente rejeite essa ideia. No fundo, você sabe, senão você não se incomodaria. Me sentia estranho por continuar fingindo que nada acontecia. Tentava acreditar que os animais realmente só existiam para nos servir. Mas depois, pensando bem, comecei a me sentir mal, até que parei de comer carne. Já perdi completamente o interesse em qualquer tipo de carne. Isso foi em janeiro e continuo firme, sem qualquer desejo por carne. Agora faz dois meses que também não como ovos nem laticínios.

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Uma mensagem de Woody Harrelson para o mundo

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Harrelson: “Eles só querem que você compre coisas”

Temos o hábito de comprar fast food, que não é comida de verdade. Compramos galões de produtos de limpeza que são nocivos, quando um bom sabão macio e facilmente degradável pode fazer muito bem esse trabalho. Estamos envenenando nossos lares e desperdiçando sem nenhuma boa razão o nosso dinheiro conquistado arduamente. Por quê? Porque a indústria diz que é isso que devemos fazer. Eles só querem que você compre coisas.

Por exemplo, se uma companhia polui o meio ambiente ou realiza negócios reprováveis, se você não comprar os produtos deles, eles irão mudar. Se você não quer comida com muitos produtos químicos ou transgênicos nela, então não compre. A partir do minuto que assumimos a responsabilidade e gastamos nosso dinheiro sabiamente, cada político, cada corporação e cada líder ao redor do mundo saberá que nós despertamos.

Este é o século 21, se usarmos nossos recursos sabiamente, não haverá razão para que alguém não tenha o que necessita. Não há nenhum motivo para que as pessoas morram de fome neste planeta. O homem ou a mulher comum, sejam eles israelenses ou palestinos, protestantes ou católicos, iraquianos ou estadunidenses, só querem viver em paz e justiça em um ambiente limpo.

Quando olhamos ao redor do mundo e vemos que esse não é o nosso caso, sabemos que a maioria da população não é ouvida. Esse é o primeiro sinal de que nosso sistema está quebrado. O governo não irá fazer essas mudanças para nós. Isso cabe ao ser humano comum.

Nenhuma indústria vai continuar com uma prática ou um produto que você, enquanto consumidor, não quer comprar. É de vital importância que você entenda isso, porque isso lhe dá o poder supremo de mudar o mundo em que você vive.

Empresas são extremamente sensíveis sobre sua reação em relação aos seus produtos, porque eles sabem que se você não comprá-los, eles terão que sair desse negócio. Isso não é algo que muitas empresas estão dispostas a considerar e, ao escolher gastar seu dinheiro sabiamente, você acaba promovendo as empresas que fazem negócios de forma mais socialmente responsável.

A message for the world from Woody Harrelson (Uma mensagem de Woody Harrelson para o mundo), gravado pela Real Leaders Magazine em maio de 2016. O ator estadunidense Woody Harrelson, que conquistou projeção internacional a partir de 1994, quando estrelou o filme “Natural Born Killers”, de Oliver Stone, foi indicado duas vezes ao Oscar. Ele é vegano, ativista dos direitos animais e ativista social.

Tradução: David Arioch

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Written by David Arioch

August 4, 2017 at 5:38 pm

Sobre a realidade comum dos matadouros brasileiros

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Retrato de um matadouro tipicamente brasileiro

Brasil é um dos países onde é mais difícil entrar com equipamento para registrar as atividades dentro dos grandes matadouros. Vocês podem perceber que em vídeos institucionais normalmente tudo é mostrado superficialmente, e sempre denotando muita limpeza.

Agora me diga, como que um local onde animais são mortos diariamente pode se manter tão limpo? Isso é simplesmente a dissimulação da realidade. Ou seja, material produzido estrategicamente para convencer as pessoas de que não existe nada de chocante em suas atividades. É importante entender uma coisa, não existe carne sem sofrimento e sem derramamento de sangue.

Na foto, retrato de um matadouro tipicamente brasileiro, diferente daqueles mostrados em campanhas publicitárias como aquela que o apresentador Rodrigo Faro fez para a Friboi. Onde há carne, há sangue e um rastro de sofrimento. Afinal, quem sangra sem jamais sofrer? Nenhum ser senciente.

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Written by David Arioch

August 3, 2017 at 4:43 pm