David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for the ‘Crueldade’ tag

Você sabia que quando foram abertos os primeiros zoológicos, os tratadores tinham de proteger os animais dos ataques dos espectadores?

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Elizabeth Costello: “Os espectadores sentiam que os animais estavam ali para serem insultados e humilhados”

Você sabia que quando foram abertos os primeiros zoológicos, os tratadores tinham de proteger os animais dos ataques dos espectadores? Os espectadores sentiam que os animais estavam ali para serem insultados e humilhados, como prisioneiros em uma marcha triunfal. Já promovemos uma guerra contra os animais, que chamamos de caça, embora, na verdade, guerra e caça sejam a mesma coisa (Aristóteles percebeu isso claramente).

Essa guerra foi travada ao longo de milhões de anos. Só a vencemos definitivamente faz algumas centenas de anos, quando inventamos as armas de fogo. Só quando a vitória foi absoluta é que pudemos nos permitir cultivar a compaixão. Mas a nossa compaixão é muito rarefeita.

Por baixo dela existe uma atitude mais primitiva. O prisioneiro de guerra não pertence à nossa tribo. Podemos fazer o que quisermos com ele. Podemos sacrificá-lo aos nossos deuses. Podemos cortar seu pescoço, arrancar seu coração, atirá-lo ao fogo. Não existe lei quando se fala de prisioneiros de guerra.

Páginas 118-119 de “Elizabeth Costello”, de J.M. Coetzee, publicado em 2003.

O sofrimento animal na indústria do café de civeta

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Os grãos de café de civeta são comercializados livremente na internet, inclusive em sites como Amazon, Ali Baba e Mercado Livre, entre outros.

Kopi luwak ou café de civeta é o café mais caro do mundo, mas que chama a atenção sobre esse produto é que a sua fabricação está associada à morte e captura de milhares de civetas, mamíferos noturnos que são nativos da Ásia e da África.

O que tem a ver uma coisa com a outra? Acontece que no processo de fabricação esses pequenos animais são mantidos confinados em locais distantes da área urbana e condicionados a comerem grãos de café que mais tarde serão defecados, coletados e limpos. O diferencial é que civetas têm a habilidade natural de selecionar os melhores grãos para se alimentarem.

Como eles não digerem a semente do café, mas somente a polpa, o grão consumido por esses animais passou a ser visto como um produto com grande valor de mercado, até pelo fato do grão sofrer um “especial” processo de modificação no processo digestório.

De acordo com informações da World Animal Protection, em decorrência disso, civetas começaram a ser perseguidos, confinados e até mesmo mortos depois de cumprirem o seu papel. Por mais incrível e chocante que pareça, os grãos de café de civeta são comercializados livremente na internet, inclusive em sites como Amazon, Ali Baba e Mercado Livre, entre outros. Em sites do Brasil, cada 100 gramas desse café custa até R$ 368.

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Já ouviu falar em espermacete?

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Já ouviu falar em espermacete? É uma gordura extraída da cabeça de golfinhos e baleias (cachalotes). É usado em velas especiais com a finalidade de minimizar odores. Também conhecido como cetina ou cetila, a aplicação do espermacete se estende à fabricação de cosméticos, lubrificantes, óleos automotivos, detergentes e produtos farmacológicos.

O espermacete é um ingrediente considerado tão valioso pelas mais diferentes indústrias que é apontado como uma das causas da caça de golfinhos e baleias. Sendo assim, se você não quer contribuir com a caça desses animais, é melhor evitar a compra de produtos com espermacete (cetina ou cetila).

 

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300 mil animais são usados por ano nos testes do Botox

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De acordo com informações da European Coalition To End Animal Experiments (Eceae) e da Animal Friends Croatia, todos os anos cerca de 300 mil animais são usados em testes para avaliar reações adversas às novas fórmulas do Botox. A maioria morre durante os testes. Aqueles que sobrevivem são mortos através de intoxicação por dióxido de carbono ou têm seus pescoços quebrados.





Written by David Arioch

September 20th, 2017 at 1:25 pm

Como alguém consegue dedicar anos de sua vida a infligir dor a outros seres vivos?

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Acervo: Peta

É difícil entender como uma pessoa, que provavelmente tem família e convive harmoniosamente com animais de estimação, consegue dedicar anos e anos de sua vida a infligir dor a outros seres vivos. Há quem defenda que mais de 50% das experiências realizadas com animais não chegam a lugar algum. Ou seja, quando algo dá muito errado (e aqui volto a reafirmar um mínimo de 50%), não são publicados nem artigos sobre o assunto. Quando digo dar errado significa que não há nem mesmo registros consistentes do que aconteceu com os animais usados nessas experiências. Ou seja, nessas situações, tudo é abafado.

E aqueles estudos que são conclusivos, muitas vezes são desconsiderados quando se trata de comparativos com seres humanos. Hoje de manhã, por exemplo, eu estava lendo sobre uma experiência envolvendo indução à amnésia. Animais recebiam até 300 choques diários. Imagine você falando sobre o seu trabalho e dizendo: “Ah, sou pesquisador. Meu trabalho é dar choque em animais, privá-los de comida e água, entre outras coisas.”

Em testes realizados em animais, sejam de vivissecção ou não, o animal dificilmente é sedado ou recebe anestesia. Afinal, por que iriam fazer isso se o objetivo é exatamente avaliar a reação a dor e a capacidade ou incapacidade de superá-la? Não é à toa que as taxas de mortalidade nesses experimentos são extremamente altas.

 

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Manter a sanidade é importante

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Arte: Dreja Novak

Peixe sendo comido vivo sobre uma mesa de um restaurante; um animal modificado geneticamente para produzir dez vezes mais “matéria-prima” para a indústria de peles; senadora Kátia Abreu falando na construção de novos matadouros para atender ao mercado de carne de jumento; novo vídeo de matadouros onde animais são mortos à marretadas. Essas são algumas das notícias que acompanhei hoje de manhã. Manter a sanidade é importante. Por isso que meu dia não se resume a ler ou escrever sobre os mesmos assuntos o tempo todo.





Written by David Arioch

September 13th, 2017 at 1:36 am

Laos, um dos maiores fornecedores de animais para laboratórios

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Foto: Jo-Anne McArthur

Conhece o Laos? É um país asiático localizado na Indochina. O país é um dos maiores fornecedores do mundo de animais para laboratórios, para servirem como vítimas de vivissecção e outros testes realizados pela indústria cosmética e alimentícia, além de instituições de ensino, entre outros. Esses animais são condicionados a procriarem em fazendas, nas chamadas breeding facilities. Acredite, nenhum desses animais leva uma vida feliz.

As fotos da canadense Jo-Anne McArthur registram exatamente isso. Pense a respeito quando for comprar aquele produto que antes de chegar às suas mãos foi testado em animais. Talvez você tenha parcela de culpa pelo trauma e temor registrados em fotos como esta, já que essas criaturas jamais seriam criadas se não consumíssemos produtos testados em animais, ou endossássemos a realização de pesquisas com esses seres vivos.





Por que só reconhecemos a exploração animal quando envolve violência explícita?

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Foto: Jo-Anne McArthur

Basta um ser humano ser forçado a realizar um trabalho para que olhemos para sua situação com preocupação. Se uma pessoa é obrigada a algo, sem que ela assim o deseje, logo qualificamos isso como exploração ou escravidão. Não precisamos ver marcas de violência em seu corpo.

Então por que quando falamos de outros animais não nos preocupamos em analisar a situação da mesma forma? Não seria justo? Por que só reconhecemos a exploração animal quando envolve violência explícita, tortura ou outros terríveis exemplos de crueldade?

É cômodo demais analisarmos a realidade dessa forma. Afinal, normalmente toda exploração é vista com um olhar rasteiro, de quem não vê nada de errado caso um animal não traga em seu corpo as piores consequências da violência.

Um animal não precisa ser violentado para demonstrar que está sendo condicionado a algo que não é de sua vontade. Ele traz a expressão do seu descontentamento. Mesmo que não trouxesse, isso não significaria nada, já que o condicionamento bem aplicado traveste até a maldade de bondade.

Basta pensarmos em pessoas que são capazes de escravizar outras e ainda assim fazer com que os escravizados se sintam agraciados. A realidade dos animais não humanos não é diferente quando eles são considerados explorados bem tratados.

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Sobre miséria e crueldade contra seres humanos e não humanos

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Ausência de empatia, um dos agravantes da violência contra os animais

Pobreza, miséria, corrupção, crueldade contra seres humanos e não humanos, tudo isso tem relação com ausência de empatia, que deveria ser praticada não de forma seletiva, especista, antropocêntrica ou etnocêntrica. Em síntese, elementos de legítima iniquidade que surgem como consequência do anseio pela superioridade. Penso que a ideia da supremacia sempre vem embutida de um tipo implícito e explícito de conveniência e maldade que nos distancia da nossa melhor face enquanto humanidade.





Práticas violentas contra os animais só existem porque sempre há plateia e consumidores

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Em uma sociedade civilizada, não deveria haver espaço para tais práticas

Não é tão raro encontrar pessoas falando mal de toureiros. Sem dúvida, concordo que não há nada de bom a se falar a respeito, até porque ninguém deveria se “profissionalizar” em fazer mal a um animal e chamar isso de arte.

Porém, a tauromaquia, assim como qualquer atividade considerada tradicional, e que cause mal a outros seres vivos sencientes, só existe porque há plateia e consumidores. Enfim, pessoas que não racionalizam a própria maldade, ou que não são capazes de externalizá-la, pagam para que os outros façam o que elas não conseguem. Assim, tornando-se voyeurs de anseios desasseados e perigosos.

Qualquer atividade que impinge dor a um animal, seja chamada de “espetáculo” ou “esporte”, não passa de truculência, de uma expressão equivocada da ignorância e da insensibilidade humana. Se alguém convida uma pessoa para participar de algo e essa pessoa recusa, como você chamaria o ato de obrigá-la a fazer parte de algo que não é de sua vontade?

Não tenho dúvida de que alguém testemunhando tal ato, se motivado por um princípio probo de justiça, há de intervir ou se manifestar de alguma forma, porque isso também é inerente à natureza humana. E por que quando se trata dos animais não humanos continuamos a legitimar e encarar a violência até mesmo com sorrisos? Porque pessoas gargalham ao ver um animal sendo ferido?

Você rir de um touro ferido na arena, de um boi caído durante a vaquejada, de um bezerro laçado e arremessado ao chão, de um animal golpeado na farra do boi, não é diferente de rir de um gato ou um cão espancado na rua e diante dos seus olhos. Violência é violência, não importando se concordamos ou não com isso. Afinal, a vítima traz consigo a expressão da própria realidade, da consequência de nossos atos, independente se você está imerso em ilusão, negação ou dissimulação.

Não deveríamos repensar nossas relações com os animais? Não seria isso no mínimo bizarro e incoerente de nossa parte? Afinal, animais não humanos também sentem dor, agonizam, sofrem à sua maneira. Somos tão ardilosos em alguns aspectos da vida em sociedade que usamos eufemismos capciosos tentando mimetizar o impacto de nossas ações, tentando maquiá-las com algo inexistente e deletério.

Estamos tão imersos em nossos mundos particulares, em satisfazer nossos anseios obsoletos e desnecessários, travestidos de necessidades, que muitas vezes neutralizamos qualquer possibilidade natural de ver algo como ilegítimo, cruel e impraticável.

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