David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for the ‘Educação’ tag

Posso pedir um favor?

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Arte: Gregory Thielker

Amanheceu chovendo muito. Estacionei o carro perto do centro e saí caminhando. Tentei me proteger da chuva sob a marquise das lojas. Quando virei em uma esquina, veio um homem em minha direção. Mesmo com um guarda-chuva, em vez de me dar passagem, ele manteve o corpo no mesmo lugar. Então parei e o cumprimentei.

— Bom dia. Posso pedir um favor? Estou sem guarda-chuva, e acho que seria legal se o senhor pudesse me dar espaço para que eu não precisasse me molhar desnecessariamente.

O homem, então com um sorriso amarelecido, estranhando a abordagem, me deu passagem e segui o meu caminho.

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August 16th, 2017 at 2:16 pm

Quatro horas ministrando palestra sobre a história de Paranavaí

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Foto: Unipar

Hoje de manhã, ministrei uma palestra de quatro horas sobre a história de Paranavaí para professores de história e geografia. Falei um pouco da colonização e formação de Paranavaí. Depois enveredei pela história de importantes personagens locais e regionais, além de abordar a história e a realidade de bairros da periferia, como a Vila Alta.

Estou sem voz, mas a experiência foi muito boa. Boa interação e todo mundo prestando atenção; ninguém bocejando ou dormindo. Foi mais uma experiência gratificante. Sem dúvida, uma das melhores partes de uma palestra é quando as pessoas conversam com você ao final, elogiam o seu trabalho e pedem para tirar foto contigo. É um bom indicativo.





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July 3rd, 2017 at 8:38 pm

Cartas que recebi de estudantes sobre a exploração animal

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Foto: David Arioch

Na foto, algumas das cartas que recebi de mais de 20 estudantes da área rural de Santa Maria de Jetibá, no Espírito Santo. Fui escolhido como ativista para me corresponder com eles sobre a realidade da exploração animal. Ainda não li todas, mas já me surpreendi com a sensibilidade e inocência deles. É uma honra participar desse projeto a convite do professor e escritor Antonio Neto. No decorrer da semana vou produzir e publicar um texto sobre isso em meu blog.





Se tivéssemos aulas de direitos animais nas escolas

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Foto: Elena Shumilova

Se tivéssemos aulas de direitos animais nas escolas, ou pelo menos uma disciplina de ética que realmente incluísse os direitos animais, acredito que a violência contra animais não seria tão banalizada, e creio também que isso teria bom peso no que diz respeito à violência contra seres humanos.

Quando um jovem transgressor faz piada de algum ato praticado contra os animais, por exemplo, isso nem sempre significa maldade, mas sempre significa ignorância. Além disso, o ato normalmente depende de um fator cultural de permissividade.

E a forma como os jovens são criados diz muito sobre isso. Se um filho vê o pai chutando um cachorro, naturalmente ele vai entender que o cão pode ser chutado, e que isso não é errado. Afinal, pelo menos até certo ponto da vida, as crianças se desenvolvem observando as ações parentais.

Talvez a criança nem chegue a considerar a possibilidade da dor do animal, se a empatia por outros seres vivos não for estimulada. Então creio que em situações como essa, quando os pais são omissos, uma disciplina de direitos animais, ou que incluísse os direitos animais, poderia fazer uma boa diferença.

Acredito nisso porque ao longo dos anos conheci crianças e adolescentes que levaram bons valores para casa, fazendo os pais se questionarem sobre suas más ou equivocadas ações praticadas de forma impensada ou herdadas de outras gerações.

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April 29th, 2017 at 5:16 pm

A lata na avenida

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Saí para correr há pouco e, durante o percurso, do outro lado da avenida, vi um rapaz arremessando uma lata para fora do carro enquanto o semáforo abria. Havia mais três ou quatro caras com ele.

Não nego que me deu uma súbita vontade de pegar aquela lata e devolver para ele, mas sempre pondero que nunca sabemos que tipo de pessoa podemos encontrar.

Jamais entenderei o que leva alguém a fazer isso, sendo que é tão fácil descartá-la no lixo ou levá-la para casa. Suspeito que até nessas pequenas ações deploráveis há pessoas que buscam chamar atenção.

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January 20th, 2017 at 11:06 pm

Sobre erros, apontamentos e violência verbal

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Acredito que a reação baseada na improbabilidade é o melhor caminho (Foto: Reprodução)

Vivemos numa época de tantos apontamentos e violência verbal que acredito piamente que o melhor instrumento de combate a isso é a reação baseada na improbabilidade. Para citar um exemplo, quando cometo erros em meus textos, principalmente por inobservância, já que quem escreve nem sempre percebe as próprias falhas nas primeiras leituras, tento sempre ser justo e amenizador.

Passei por várias situações em que pessoas apontaram minhas falhas de forma hostil e, contrariando o que elas esperavam de mim, sempre agradeci, demonstrei cordialidade e consideração pela observação do meu erro. Pode ter certeza que você desarma qualquer tentativa de confronto agindo dessa forma. Na realidade, acredito que seja algo válido em todas as circunstâncias da nossa vida.

Sobre o assunto, me recordo até de um episódio na academia. Um dia me aproximei de uma máquina de remada cavalinho e não vi ninguém a usando. Daí incluí algumas anilhas e um rapaz que estava papeando com um amigo se aproximou e disse:

“Qual é, cara? Que folga! Estou fazendo aí!” Então expliquei numa boa que faria apenas uma série, bem rapidinho. A contragosto, acabou concordando, mas continuou me olhando incomodado.

Assim que terminei, removi as anilhas que acrescentei e comentei com ele: “Cara, muito obrigado mesmo! Você é gente boa!” E o sujeito ficou sem graça e mudou completamente o semblante carrancudo: “Não precisa tirar não, pode continuar”, sugeriu.

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July 29th, 2016 at 1:27 pm

Jaime Mota e as escolas da Etiópia

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Mesmo nuas, crianças não deixam de ir para a escola na Etiópia (Foto: Jaime Mota)

Mesmo nuas, crianças não deixam de ir para a escola na Etiópia (Foto: Jaime Mota)

O fotógrafo andaluz Jesús Jaime Mota, falecido em 16 de junho de 2011, nos deixou uma grande lição de vida. Viajando pelo continente africano, ele se deparou com situações extremamente incomuns. Na Etiópia, Mota encontrou crianças indo nuas para as escolas. Ou seja, nem mesmo a ausência de roupas, em decorrência da pobreza extrema, as afastou do desejo de aprender.

“Eu nunca poderia imaginar que uma viagem de prazer pudesse mudar a minha visão sobre a vida. O turismo pela África é como uma cura para o espírito e a mente. Não procurem imagens sensacionais no meu trabalho. Eu quis apenas retratar cada personagem em sua forma mais pura, capaz de entrar em nossa alma e dar uma olhada sincera dentro de nós. O objetivo do meu trabalho sempre foi transmitir sentimentos e sensações que um dia eu vivi com aquele povo humilde, sentimentos puros e sinceros, sensações intensas e cheias de emoções inesquecíveis.”

Quando suas crianças se recusarem a ir para a escola, mostrem a foto de Jaime Mota a elas. Tenho certeza de que ele agradeceria.

Acesse: www.jaimemota.com

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Written by David Arioch

January 28th, 2016 at 10:17 pm

Educação sem competição

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Estudantes não são avaliados com base em notas (Foto: Divulgação)

Estudantes não são avaliados com base em notas (Foto: Divulgação)

Uma das características mais marcantes do sistema educacional finlandês é o alto grau de autonomia das escolas e dos professores.

Não há avaliação padrão obrigatória para os alunos, a não ser um único teste de língua, matemática e ciências naturais ao final do ensino secundário – quando os alunos têm entre 17 e 19 anos.

No dia a dia, os professores não avaliam os alunos por notas, e sim por critérios descritivos, evitando comparações entre eles. Em síntese, o foco não é o desempenho em situações específicas, mas o aprendizado em geral.

Acesse: http://www.oph.fi/english/education_system

Written by David Arioch

January 27th, 2016 at 12:18 am

Por que não dar brinquedos “mais comuns” para as crianças?

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Minha sobrinha fez três anos esses dias e desde que ela nasceu nunca dei nenhum brinquedo que tentasse moldar de forma limitante a personalidade dela. Sempre preferi dar algo educativo ou que a estimulasse a reconhecer a própria liberdade desde cedo. Ao longo desse período algumas pessoas vieram me perguntar porque eu não dava brinquedos “mais comuns”. A minha resposta foi a seguinte:

“Analisando hoje, como você se sentiria se ainda criança alguém te desse presentes que te condicionasse no futuro a fazer algo ou ser algo? Quando você dá um brinquedo, por exemplo, não é apenas um brinquedo. Para uma criança isso vem embutido de um sentido que nós que damos ao objeto e consequentemente ela vai absorver isso através da nossa influência. Pra mim é como se você afunilasse o mundo dela. O ser humano tem a possibilidade de uma consciência livre quando nasce, mas essa qualidade muitas vezes se perde com o tempo, quando mostramos através de pequenos atos ou condicionamentos que na realidade a liberdade dela vai só até onde queremos que ela vá, assim a impedindo de ser algo mais do que ela poderia ser.”

Written by David Arioch

December 31st, 2015 at 11:37 am