David Arioch – Jornalismo Cultural

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Manipulação da opinião pública durante as eleições

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Assisti hoje um vídeo (ao final do texto) sobre a manipulação da opinião pública durante as eleições. É realmente interessante. Vale a pena assistir. Eu só faria algumas observações como por exemplo o fato de haver no Brasil um desprezo crônico a um determinado espectro político hoje. Quando se fala em esquerda, há um preconceito e um desconhecimento visceral, e vindo de pessoas que na realidade nem sabem o que é de fato a esquerda, por isso há uma generalização crônica.

Na realidade, são pessoas que nem mesmo entendem o que são espectros políticos (confundem, por exemplo, centro com esquerda e vice-versa). E é fácil conduzir essas pessoas a uma visão equivocada da realidade e da história política nacional, principalmente se não a estudaram parcialmente ou integralmente – desde que o Brasil se tornou presidencialista, e como se deu as transições de poder no processo democrático e fora dele.

Estamos vivendo um momento de grande dissimulação e que tem como terreno fértil as fake news. Quem tem dúvidas, é só pesquisar e ver qual é o partido e candidato que mais tem espalhado fake news nessas eleições. Inclusive recusando-se a firmar um pacto ético. É claro que o PT errou bastante, foi negligente e parte da rejeição vem daí, mas é estranha a maneira como as pessoas desprezam o PT, mas não outros partidos ainda mais corruptos como é o caso do PP, que é o partido do qual Bolsonaro fez parte por 11 anos em dobradinha com Paulo Maluf.

E o que sem dúvida facilita a crença nas fake news é a rejeição e o desprezo. A passionalidade motiva as pessoas a não se importarem com a veiculação de inverdades. Afinal, a má predisposição e a rejeição que desconsidera até mesmo fatos já estava previamente instalada. Há algumas considerações no vídeo que achei interessante sobre como levar alguém com visões de extrema direita ao poder:

Anti-intelectualismo: Steve Bannon disse que é sobre emoção. Afinal, raiva leva as pessoas à eleição.

Você quer que a sua propaganda seja apelativa para as pessoas com limitada formação educacional.

Irrealidade: Você precisa destruir a verdade. Então razão é substituída por teorias da conspiração.

Na política fascista o grupo dominante é melhor que todos os outros. Eles foram os leais, as grandes pessoas do passado, que merecem respeito apenas porque são quem são.

Vitimismo: No fascismo, o grupo dominante são as maiores vítimas.

Lei e ordem: Eles são vítimas de que? Eles são vítimas do outro grupo, que são os únicos criminosos.

Realidade é a maior ameaça ao fascismo, porque o fascismo é construído por meio de um poder que depende da negação, da descrença na realidade.

Eles dizem algo como: “Apenas lembrem-se, o que vocês estão vendo e lendo não é o que está acontecendo.”

Written by David Arioch

October 16th, 2018 at 2:06 am

“A Streetcar Named Desire” e Elia Kazan

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A Streetcar Named Desire”, de 1951, que no Brasil recebeu o nome de “Uma Rua Chamada Pecado”. É um dos filmes mais icônicos de Elia Kazan, se não o mais – marcado pela tríplice desejo, tragédia e morte. Kazan foi um genial e polêmico artista, que concebia suas obras sob a perspectiva do realismo socialista norte-americano. Foi acusado de entregar colegas de trabalho durante o macartismo. Quando morreu, aos 94 anos, já não gozava do prestígio do auge da carreira eternizada por películas inesquecíveis como “A Streetcar Named Desire”.

Nos anos 1990, Kazan, um turco de origem grega que adotou os Estados Unidos como lar, foi alvo de críticas severas de atores conceituados como Sean Penn, Ed Harris, Richard Dreyfuss, Holly Hunter e Nick Nolte pelo que fez no passado. Até hoje há controvérsias sobre a contribuição de Kazan à lista negra do Comitê de Investigação de Atividades Antiamericanas do Senado dos Estados Unidos. Partiu, mas deixou um legado que influenciou o cinema de Francis Ford Coppola, John Cassavetes e Martin Scorsese. Para muitos, um ótimo cineasta, para outros, um traidor; pra mim, também um bom escritor, autor de “America, America”, um livro tornado filme que há muito tempo conheci acidentalmente em um sebo.

Queda na demanda por leite está tirando pecuaristas do mercado nos Estados Unidos

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Consumo de leite nos Estados Unidos é 37% menor do que na década de 1970

Laticínio vai encerrar contrato com 52 fazendas no dia 30 (Foto: Animals Australia)

Esta semana a indústria Marcus Dairy, um dos maiores laticínios de Connecticut, nos Estados Unidos, anunciou em entrevista à CBS que vai encerrar o contrato com 52 fazendas no próximo dia 30 por causa da queda na demanda por leite.

Atualmente, a população dos Estados Unidos está consumindo 37%menos leite do que nos anos 1970, dado considerado preocupante e que tem feito com que pecuaristas e laticínios migrem para outras atividades – ou até mesmo troquem o leite de vaca pelo leite vegetal.

 

Exemplos são a Arla Foods e Dean Foods, grandes empresas do ramo de laticínios que encerraram contratos com dezenas de pecuaristas do estado de Wisconsin e criaram a marca Good Karma Foods, de leites vegetais. A principal justificativa de quem está deixando esse ramo é a volatilidade do mercado aliada à queda no interesse do consumidor por produtos lácteos.

Outro exemplo que teve grande repercussão no mercado de laticínios nos Estados Unidos foi o da Elmhurst, de Nova York, que fechou a sua indústria de produtos lácteos em 2016, depois de 80 anos. Por outro lado, fundaram a marca vegana Elmhurst Milked, considerando o crescimento desse mercado, que deve representar uma receita de 35 milhões de dólares até 2024.




Written by David Arioch

June 22nd, 2018 at 1:45 pm

Página do Brooklyn está promovendo a alimentação vegetariana

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Página oferece muitas informações para quem quer começar a seguir uma dieta vegetariana

Iniciativa partiu do presidente do bairro, Eric Adams, que se tornou vegetariano em 2016 (Foto: Erica Sherman/Brooklyn Borough President’s Office

A página do bairro nova-iorquino do Brooklyn, nos Estados Unidos, está promovendo a alimentação vegetariana. A iniciativa partiu do presidente do bairro, Eric Adams, que adotou uma alimentação livre de alimentos de origem animal depois de ser diagnosticado com diabetes tipo 2 em 2016. Segundo o New York Times, uma boa dieta vegetariana permitiu que Adams perdesse quase 14 quilos e revertesse a sua diabetes.

O presidente do Brooklyn decidiu criar uma página para divulgar mais a alimentação vegetariana. Até então, a promoção do vegetarianismo era feita por ele no “boca a boca”, dialogando com os moradores do bairro sobre a sua própria história com o vegetarianismo e o quanto pode ser positivo não se alimentar de animais

Na página Plant-Based Nutrition, do site do Brooklyn, o leitor encontra links que oferecem guias com todas as informações para quem quer começar a seguir uma dieta vegetariana. Também sugere a leitura dos livros “Como Não Morrer”, do médico Michael Greger; “O Plano Garfos em Vez de Facas”, de Alona Pulde e Matthew Lederman; e “O Programa de Reversão de Diabetes do Dr. Neal Barnard”.

Além disso, disponibiliza o endereço de lojas e restaurantes vegetarianos e veganos no bairro. Também divulga eventos veganos e sugere aplicativos para vegetarianos e veganos que queiram conhecer as opções livres de exploração animal no Brooklyn.





Produtores de queijo premiado se tornam veganos e trocam o leite de cabra pelo leite de oleaginosas

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“Estávamos ampliando o problema. Não queríamos ser parte do problema, mas sim da solução”

“Agora ao não criar animais com essa finalidade [de produzir leite e queijo], podemos salvar os animais da crueldade em vez de agravá-la trazendo mais animais para o mundo” (Acervo: The Sanctuary at Soledad Goats)

Ao longo de 20 anos, Carol e Julian Pearce produziram um queijo de leite de cabra premiado nos Estados Unidos. Ainda assim, decidiram se tornar veganos e começar uma nova vida, que incluiu a fundação de um santuário e uma nova produção de queijos. Mas dessa vez baseado em oleaginosas, não em leite de cabra.

Carol e Julian se conheceram enquanto cuidavam de bezerros doentes. Quando viviam na Inglaterra, Carol era conhecida por invadir fazendas e “sequestrar” animais que seriam enviados para o matadouro.

Mais tarde, nos Estados Unidos, os Pearce investiram em uma fazenda de caprinos no Sul da Califórnia, onde a política era “nunca matar”. No entanto, com o tempo, começaram a repensar a própria história, o trabalho e a vida. Foi quando perceberam uma contradição em suas ações.

Enquanto resgatavam animais que seriam enviados para os matadouros, eles investiam na procriação de outros para a produção de leite e queijo. “Por ser uma fazenda leiteira, estávamos ampliando o problema. Não queríamos ser parte do problema, mas sim da solução”, explica o casal.

Em 2015, a decisão natural foi o veganismo, que os Pearce qualificam como um imperativo moral, de honrar e respeitar os animais rejeitando todas as formas de exploração. O leite de cabra então foi substituído pelo leite de oleaginosas – nozes, castanhas, amêndoas, etc.

“Estamos replicando a qualidade do queijo que conseguimos produzir com o leite de cabra – textura suave, ingredientes frescos, e feito artesanalmente com cuidado, consistência e paixão. Até agora nossas amostras foram muito bem recebidas, com muitas pessoas nos dizendo que continuarão comprando os nossos produtos em versão vegetal. Isso é muito encorajador para nós”, garantem.

Além de cuidar das cabras do seu antigo rebanho leiteiro, o casal resgata cabras, vacas, bois, cavalos, porcos, frangos, galinhas, patos, cães e gatos maltratados, abandonados e negligenciados. Parte desses animais seria enviada para o matadouro, outros passariam por eutanásia. “Agora ao não criar animais com essa finalidade [de produzir leite e queijo], podemos salvar os animais da crueldade em vez de agravá-la trazendo mais animais para o mundo”, justificam.

Hoje, o The Sanctuary, situado em Soledad, no sul da Califórnia, é uma entidade sem fins lucrativos, e a produção de queijo vegano ajuda a custear as despesas com os animais, assim como a contribuição de seus apoiadores. O santuário é aberto à visitação e quem quiser pode comprar diretamente no site alguns produtos veganos como chocolates, velas, sabonetes, canecas, brincos e hidratantes.

Referência

The Sanctuary at Soledad Goats – Where every animal has a home

 





 

Café gótico vegano é inaugurado em Phoenix

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Fotos: Divulgação

Foi inaugurado na última sexta-feira 13 o Dark Hall Coffee, em Phoenix, no Arizona. O café vegano com temática gótica chama a atenção não apenas pelo sabor, mas também pela estética peculiar dos alimentos.

Além de servir cafés e chás misturados com leites vegetais, o Dark Hall oferece também uma grande variedade em panificação e confeitaria – como os rolinhos de framboesa com canela, bolo blecaute de lavanda e cookies soturnos com chocolate amargo.

A estética do ambiente é marcada por uma parede preta com detalhes florais e arte baseada em esqueletos. O horário de funcionamento do café é das 7h às 14h.

Saiba Mais

O Dark Hall Coffee fica no número 3343 da Sétima Avenida.

Referências

Veg News

Dark Hall Coffee

 





Written by David Arioch

April 18th, 2018 at 11:51 pm

Governo dos Estados Unidos permite que carne orgânica seja produzida a partir de animais confinados em gaiolas

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Aves criadas para consumo estão entre os animais mais prejudicados pela ausência de políticas de bem-estar animal (Foto: Jo-Anne McArthur)

Esta semana, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos revogou as Práticas Orgânicas de Pecuária e Avicultura, uma regra que regula os padrões de “bem-estar dos animais de criação” cuja carne pode ser vendida como orgânica. A regra foi criada no Governo Obama depois de muita pressão de organizações ligadas ao bem-estar animal, visando implementar “melhores padrões de vida” para esses animais. Essas práticas exigiam que frangos e galinhas não fossem confinados em gaiolas e que também tivessem acesso ao ambiente exterior às áreas de confinamento.

O Departamento de Agricultura atrasou a votação sobre a implementação das Práticas Orgânicas de Pecuária e Avicultura três vezes e finalmente as derrubou, mesmo depois de receber 47 mil comentários em apoio à proteção aos “animais de criação”.

De acordo com Lindsay Wolf, vice-presidente de investigações da Mercy For Animals, os funcionários do governo responsáveis pela regulamentação do setor agrícola se curvaram para proteger os lucros corporativos do agronegócio em detrimento dos animais, da segurança alimentar e dos direitos dos trabalhadores.

“Como resultado, milhões de animais de criação estão sendo privados do benefício de leis e regulamentos modestos projetados para proteger seu bem-estar e promover o interesse público”, justificou Lindsay. Com essa decisão, a chamada carne orgânica comercializada nos Estados Unidos pode ser inclusive proveniente de lugares não muito diferentes das chamadas fazendas industriais.

Referência

VegNews

 

 





 

Harold Brown, o pecuarista que se tornou um defensor dos direitos animais

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Brown: “Até que questionemos esse relacionamento que existe há cerca de 10 mil anos, teremos dificuldade em ver os animais com novos olho” (Acervo: Farm Kind)

Filho de pecuaristas, Harold Brown cresceu em uma fazenda repleta de animais – bois, vacas, porcos e cabras. Começou a acreditar desde cedo que os animais existiam simplesmente para servirem aos seres humanos. “Cresci imerso em uma doutrinação de como os animais estão classificados no ciclo da vida. Também fui um caçador”, relata. Além da sua família, o que ajudava a reforçar a ideia de que Brown estava no “caminho certo” ao tomar parte na exploração animal era a sua própria comunidade, a igreja e a TV.

“Cada intervalo [na TV] tem pelo menos um comercial vendendo produtos com carne, laticínios ou ovos, e eles são inventivos. Quando via isso, eu pensava que estava fazendo uma coisa boa”, afirma. Aos 18 anos, Brown teve um ataque cardíaco, e na época não entendeu o que aconteceu. Ele estava assistindo a um filme e tomando meio galão de sorvete, até que o lado esquerdo do seu pescoço começou a doer. A dor se estendeu para a mandíbula, ombros e se espalhou pelo braço esquerdo. “Eu estava no chão e não conseguia respirar. Parecia uma eternidade, mas durou apenas alguns minutos. Eu não conhecia os sintomas de um ataque cardíaco”, enfatiza.

Mais tarde, seu pai teve dois ataques cardíacos, um acidente vascular cerebral (AVC) que o privou da fala e um aneurisma que quase o matou. Então o médico informou que levando em conta o histórico familiar, Brown, assim como o pai, tinha uma predisposição a desenvolver graves problemas cardíacos. “Disse que se eu não mudasse o meu estilo de vida, teria que usar um marca-passo aos 35 anos. Falou que eu deveria cortar o sorvete, que era um vício para mim, e a carne vermelha. Não sugeriu ser vegetariano. Além disso, eu não saberia o que isso significava. Nunca ouvi falar disso até então”, revela.

Em casa, Harold conversou sobre a sugestão do médico com a esposa e os dois decidiram fazer uma transição para uma alimentação livre de alimentos baseados em calorias vazias e livre de carne vermelha. Em pouco tempo, ingressaram no Clube Vegetariano de Cleveland e se tornaram realmente vegetarianos. À época, Brown conheceu o trabalho dos médicos Caldwell Esselstyn e Michael Greger, defensores da alimentação livre de ingredientes de origem animal.

Alguns anos depois, Harold considerou insuficiente ser vegetariano, inclusive essa etapa de sua história foi registrada no documentário “Peaceable Kingdom – The Journey Home” ou “Reino Pacífico – A Jornada Rumo ao Lar”, lançado por Jenny Stein em 2009. Segundo Harold Brown, mesmo convivendo com animais desde muito cedo, ele não tinha percebido como desenvolveu um mecanismo que o impedia de ver os animais como sujeitos de uma vida.

“Eu tinha uma imagem imediata na minha cabeça de uma luz sobre o meu coração que eu poderia ligar ou desligar dependendo com quem eu estava lidando. Também percebi que a sugestão para esse mecanismo de desconsideração era a frase: ‘Não me importo’”, frisa. No seu entendimento, o ato de negar-se a se importar com os animais permitiu que ele vivesse desconectado emocionalmente, psicologicamente e espiritualmente em relação a eles.

Harold Brown chegou a um ponto em que não considerava mais correto continuar imerso nessa crença de desconsideração. “O que aprendi então foi que ao escolher não dizer que não me importo, então não haveria alternativa a não ser dizer: ‘Eu me importo’. Chamarei isso de cuidado condicional, mas pode ser melhor entendido como compaixão incondicional, que mudou profundamente a minha vida. Tive que trabalhar duro para aprender a praticar a honestidade emocional; algo que nossa cultura não ensina às pessoas, e particularmente aos homens”, avalia.

Um grande problema na perspectiva de Harold, e que dificulta o entendimento de que o respeito à vida animal deve estar muito além de “tratar bem” para explorá-los e matá-los, é que a honestidade emocional é substanciada como contraintuitiva para os homens em nossa cultura, sendo vista inclusive como sinal de fraqueza: “Mas no coração do meu coração eu sabia que era onde eu precisava estar. Se eu quisesse fazer qualquer tipo de diferença em prol de um mundo melhor, eu teria que viver essa verdade.”

Brown admite que não se tornou vegano apenas pela própria força de vontade. Ele teve muito apoio da esposa e de amigos da comunidade vegetariana de Cleveland: “Se eles não me proporcionassem um espaço seguro para explorar os traumas da minha vida, provavelmente eu não teria aprendido a entender verdades muito importantes. Uma dessas verdades é a ahimsa, a não violência.” O ex-pecuarista crê que não há ação sem reação no que diz respeito ao tratamento que dispensamos aos animais. Se os exploramos e os matamos em algum ponto isso também há de gerar consequências para nós.

Para Harold Brown, a forma como vivemos nossas vidas, e as coisas que fazemos ou não fazemos, têm tudo a ver com a realidade que criamos. Ele se recorda que na infância observou que os animais criados para consumo buscavam conforto, prazer, boa comida, abrigo e senso de comunidade. “Mas não permiti que essas observações atingissem a cultura dominante em que vivi. Quando me permiti incluir esses animais no meu universo moral, ficou claro que as observações mais simples que fazemos sobre os animais que chamamos de ‘animais de estimação’ não são diferentes das que poderíamos fazer sobre os ‘animais de fazenda’”, confidencia.

Brown, que antes de se tornar vegano trilhava os passos do pai, ou seja, já atuava na criação de animais para consumo, defende que os animais devem ser respeitados como seres sencientes que são. “Isso significa que eles estão na Terra por suas próprias razões, não pelas nossas. Eles têm seus próprios interesses, assim como os humanos, e devem ser respeitados. Por enquanto, são vistos como propriedade legal dos seres humanos, e essa dinâmica os coloca em grande desvantagem; particularmente em um sistema capitalista de livre mercado, onde os animais são comercializados nitidamente como commodities, unidades econômicas. Até que questionemos esse relacionamento que existe há cerca de 10 mil anos, teremos dificuldade em ver os animais com novos olhos”, acredita. Desde que se tornou vegano, Brown ministra palestras contando a sua própria história e motivando mais pessoas a seguirem o mesmo caminho contra a exploração de animais.

Saiba Mais

Harold Brown vive em Cleveland, em Ohio, nos Estados Unidos.

Referência

FarmKind.org

 

 





 

Países com alto consumo de laticínios também têm altos índices de osteoporose e fratura óssea

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Consumo de leite não significa menos fratura óssea ou menor chance de ter osteoporose

Os Estados Unidos são um dos maiores consumidores de laticínios do mundo, e ainda assim um dos países com maiores índices de osteoporose e fraturas de ossos. Ou seja, o consumo de leite não garante que ninguém sofra de problemas ósseos. Por outro lado, fraturas ósseas são menos comuns em países que não têm a cultura do consumo de laticínios.

Nos Estados Unidos, de acordo com a International Osteoporosis Foundation (IOF), osteoporose e diminuição da massa óssea atingem 44 milhões de homens e mulheres com idade igual ou superior a 50 anos. No Brasil, onde o consumo per capita é de 156 litros de leite por ano, 10 milhões de pessoas, aproximadamente uma pessoa a cada 17, tem osteoporose.

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Written by David Arioch

August 19th, 2017 at 1:38 am

Jack Kerouac, o beat que não queria ser beat

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Kerouac desprezava a cultura pop e nunca quis ser um ícone

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Sem base ficcional, Kerouac criava somente genuínas, instantâneas e despretensiosas confissões baseadas em suas experiências (Foto: Reprodução)

Ao longo de nove anos, Jack Kerouac foi de Nova York a São Francisco e do México ao Alasca. Quando não estava viajando, ele passava seus dias com Allen Ginsberg e William Burroughs. Já com uma extensa produção, e logo depois de lançar seu livro mais popular – On The Road, o autor publicou o curto romance The Subterraneans.

Em 1958, a novela narrada em primeira pessoa, e que tem a estrutura de um livro de memórias, despertou controvérsias porque Kerouac apresentou os afro-americanos como personagens humildes e primitivos, sem levar em conta os aspectos culturais e sociais em que estavam inseridos. Porém, mesmo que o livro tenha sido considerado à luz da superficialidade, o potencial de Kerouac era inegável. Sob os efeitos de benzedrina, ele escreveu The Subterraneans em apenas três dias de prosa espontânea. “Depois ele descobriu o Buda e redescobriu Thoreau”, diz o escritor canadense e professor de literatura Steve King.

Mais tarde, refugiado em uma cabana nas imediações do Desolation Peak, situado nas montanhas cascadas de Washington, Jack Kerouac passou dois meses sozinho. Nesse ínterim, escreveu 12 novelas, produziu haicais e escreveu cartas. De volta a São Francisco, celebrou seu retorno em um clube de jazz. Suas impressões daquela noite foram registradas na novela Desolation Angels (Anjos da Desolação), lançada em 1965.

Alguns dizem que o termo geração beat foi cunhado pelo próprio Kerouac no início dos anos 1950. Quando On The Road foi publicado em 1957, nove anos depois de escrever o esboço de Three Weeks, um trabalho registrado em 36,5 metros de rolo de teletipo, e que exigiu muita revisão e acabou leiloado por 2,4 milhões de euros, ele se tornou o mais famoso personagem da geração beat.

Considerado um escritor dedicado que desprezava a cultura pop, Kerouac percebeu dez anos após o lançamento de On The Road que ele criou um novo estilo de literatura, sem base ficcional e profissionalismo – somente genuínas, instantâneas e despretensiosas confissões baseadas em suas experiências. “Ele estava mais interessado em escrever poesia para composições de jazz e produzir um filme experimental sobre a disciplina de fazer da mente uma escrava da língua. Ele não queria ser um beat ou um ícone”, afirma King.

O alcoolismo foi a ruína do maior nome da geração beat (Foto: Reprodução)

O alcoolismo foi a ruína do maior nome da geração beat (Foto: Reprodução)

Kerouac colocou a bebida entre as suas prioridades na década de 1960, sem saber que ela o levaria à ruína. À época, deu inúmeras entrevistas e provocou má impressão em todas. Declarou que os hippies eram um bando de comunistas e que as mulheres eram como demônios que deveriam ser mantidos dentro de casa. Falou também que negros e judeus eram um problema nacional. E contrariando a consciência popular, revelou que seu maior desejo era ser um fuzileiro naval no Vietnã. Esse comportamento fez com que Jack Kerouac não fosse mais levado tão a sério. Visto como um alienado, seguiu na contramão de amigos pacifistas como Ginsberg.

Após ser informado que seu grande amigo Neal Cassady, que o inspirou a escrever On The Road, se tornou motorista do grupo de escritores Merry Pranksters, Kerouac disse que ele foi sugado pelos hippies e pelo LSD. Quando soube disso, Cassady comentou apenas que era triste ver como Jack tinha desistido de tudo, entregue ao alcoolismo. “Agora ele é apenas um bêbado famoso em seus próprios termos”, frisou Neal.

Vítima de overdose, Neal Cassady morreu nas montanhas mexicanas em 4 de fevereiro de 1968. Próximo dele havia uma bíblia e cartas antigas de Jack e Allen. No mesmo ano, Kerouac finalizou a produção da sua 14ª novela biográfica – Vanity of Duluoz (Duluoz, O Vaidoso). Na obra, ele se recorda que era chamado de Memory Babe pelos colegas de classe por causa de sua memória extraordinária. “Vivendo novamente em Lowell [Massachussets], sua cidade natal, Kerouac não conseguia se recordar de seus ataques de fúria em decorrência do alcoolismo. Numa noite, ele arremessou uma faca na parede atrás de sua mãe”, relata Steve King.

Jack Kerouac faleceu aos 47 anos em 21 de outubro de 1969, um ano e sete meses após a morte de Cassady. A causa foi uma hemorragia gastrointestinal provocada pela cirrose. Apesar dos altos e baixos, ele foi considerado pelo jornal The New York Times como o mais importante escritor moderno desconhecido dos Estados Unidos. Até hoje muitos jovens visitam seu túmulo em Lowell, onde deixam baseados, garrafas de vinho e mensagens.

“Durante o funeral de Kerouac, o padre escolheu uma passagem bíblica que fala da reflexão de dois discípulos que acompanhavam Jesus até Emaús. ‘Não era como um fogo queimando dentro de nós quando ele falava conosco na estrada?’”, cita King.

Referências

http://www.todayinliterature.com/

Michael J. Dittman, Jack Kerouac: A Biography, Greenwood Publishing Group ( 2004).

Nicosia, Gerald. Memory Babe: A Critical Biography of Jack Kerouac. Berkeley: University of California Press (1994).