David Arioch – Jornalismo Cultural

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Será que vale a pena explorar as abelhas?

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É inevitável que abelhas morram no processo de produção de mel nas fazendas apícolas

Será que vale a pena explorar as abelhas? Creio que não. Abelhas em fazendas apícolas são condicionadas a trabalharem fora do seu ritmo natural, logo isso reduz a expectativa de vida delas, assim como acontece com qualquer outro animal explorado por seres humanos.

Além disso, mortes nesse processo são inevitáveis. Considere também o fato de que mel não é uma necessidade básica humana. Vivemos muito bem sem consumi-lo. Acredito que todo mundo já ouviu alguém dizer algo como: “Que lindo como as abelhas produzem mel para nós!”

Não, as abelhas nunca produziram mel para consumo humano. O mel produzido por elas é processado por suas enzimas digestivas e então armazenados em favos para servir como alimento para elas durante o inverno. É assim que elas produzem mel, ou seja, para elas mesmas.

Logo, se consumimos mel, estamos basicamente furtando ou roubando o alimento desses insetos. Abelhas também são animais que merecem viver livremente. Claro, elas contribuem ao realizarem naturalmente um processo de polinização que favorece o desenvolvimento de tantos vegetais que consumimos. Porém, isso não significa que elas existem para nos servir.

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Written by David Arioch

August 16, 2017 at 1:56 pm

Não sou a favor de nenhum tipo de exploração

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Acredito que o veganismo é um bom caminho para quem não quer tomar parte na exploração animal

Não endosso nenhum tipo de exploração. Mesmo criando animais em casa, jamais me alimentaria de qualquer coisa de origem animal. Também não usaria nada proveniente de seus corpos. Alguém pode me perguntar, isso não seria exagero? Não, porque se eu tratasse um animal bem e me apropriasse de algo dele, mesmo que não o violentasse, isso significaria que existe uma relação de conveniência. E eu sinceramente acredito no veganismo justamente porque não sou a favor disso.

Também significaria que está ok em consumir ou usar o que veio dele. Sendo assim, estou mandando uma mensagem para outras pessoas de que está tudo bem se eles fizerem o mesmo. E o problema surge por um motivo bem simples. Essas falsas necessidades só poderiam ser atendidas em níveis industriais em um mundo com uma população de mais de 7,2 bilhões de pessoas.

Além disso, não me considero especial. Então não acho que tenho o direito de fazer isso, mesmo que algum animal jogue algo diante dos meus pés. Até porque isso não significa que ele está dizendo pra eu consumir coisa alguma. Então, mesmo eu na minha casa, por exemplo, tosquiando a “minha ovelha” além do necessário para o bem-estar dela, comendo o ovo da “minha galinha” ou bebendo o leite da “minha vaca”, eu estaria dizendo ao mundo:

“Olha, se eu posso fazer isso, vocês também podem.” E assim teríamos uma cadeia industrial que explora animais à exaustão, que é exatamente a nossa realidade atual. Então, sim, sou radical por não me alimentar ou usar nada que venha de animais. Não faço concessões.

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Written by David Arioch

August 14, 2017 at 1:12 am

Animais são feridos na extração de lã

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Não há nada de mais em usar roupas de lã, não é mesmo?

Não há nada de mais em usar roupas de lã, não é mesmo? Afinal, o que pode acontecer, já que os animais são simplesmente tosados. Pois é, acontece que no processo de extração de pele muitos animais são feridos. A compra de produtos de lã é o que estimula a privação e sofrimento desses animais no processo de extração de pele.

Além disso, há muitos casos em que depois de terem a pele completamente removida, eles são vendidos para os matadouros, dependendo do valor agregado à carne. Ou seja, um comércio incentiva o outro, e a vida desses animais chega ao fim por causa de uma porção de lã e carne.

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Written by David Arioch

August 12, 2017 at 8:51 pm

Se a sua pele é importante para você, por que a de um animal não seria para ele?

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Se a sua pele é importante para você, por que a de um animal não seria para ele?

Written by David Arioch

August 12, 2017 at 8:46 pm

2,3 milhões de crianças são exploradas pela indústria do chocolate na Costa do Marfim e em Gana

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Foto: Slave Free Chocolate

Em 2017, de acordo com a ong Slave Free Chocolate, 2,3 milhões de crianças continuam trabalhando em regime análogo à escravidão na produção de cacau na Costa do Marfim e em Gana. A maior parte dos produtores ganha menos de um dólar por dia. Essa realidade é sustentada por fabricantes de chocolate que pagam uma miséria pelo cacau produzido.

Entre eles estão Hershey, Mars (que fabrica o Snickers), Nestlé, ADM Cocoa, Godiva, Fowler’s Chocolate e Kraft (que inclui Lacta, Trident e Oreo). Ou seja, ao comprarmos produtos desses fabricantes, contribuímos com essa escravidão moderna. Outro ponto a se considerar é que essas marcas também contribuem com a exploração de animais nesse mercado.

Referência

Slave Free Chocolate

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“A ideia é tentar controlar todo mundo, transformar toda a sociedade no sistema perfeito”

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Chomsky: “Se você fabricar vontades, fazer as pessoas obterem coisas que estão ao alcance, a essência da vida, elas virarão consumidores”

Se voltarmos ao século 19, no início da Revolução Industrial, os trabalhadores tinham muita consciência disso. Eles, na verdade, predominantemente consideravam o trabalho assalariado não muito diferente da escravidão, a única diferença é que era temporário. Na verdade, era uma ideia tão popular que era o slogan do Partido Republicano. Ali havia uma afiada consciência de classe. No interesse do poder e privilégio, é bom tirar essa ideia da cabeça das pessoas. Você não quer que elas saibam que são uma classe oprimida.

Então, esta é uma das poucas sociedades [sociedade dos Estados Unidos] em que não se fala sobre classe. Na verdade, a noção de classe é bem simples. Quem dá as ordens? Quem as segue?  Isso basicamente define classe. Tem mais nuances, é mais complexo, mas basicamente é isso.

As indústrias de relações públicas e publicidade, que são dedicadas a criar consumidores, são um fenômeno que se desenvolveu nos chamados países livres; na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, e o motivo é bem claro. Ficou claro, há um século, que não seria tão fácil controlar a população à força. Muita liberdade foi conquistada. Organização do trabalho, partidos trabalhistas em vários países, as mulheres começando a votar, etc.

Então era preciso ter outras formas de controle. E era de conhecimento expresso que você tinha que domá-las controlando suas crenças e atitudes. Uma das melhores formas de controlar pessoas em termos de atitudes é o que o grande economista Thorstein Veblen chamou de “fabricar consumidores”.

Se você fabricar vontades, fazer as pessoas obterem coisas que estão ao alcance, “a essência da vida”, elas virarão consumidoras. Ao ler os jornais empresariais dos anos 1920, eles falam da necessidade de direcionar as pessoas às coisas superficiais da vida, como “consumo de moda”, e isso as manterá fora do seu caminho.

Você encontra essa doutrina em meio a pensamentos intelectuais progressistas, como de Walter Lippman, o principal intelectual progressista do século 20. Ele escreveu famosos ensaios progressistas sobre a democracia em que sua visão era exatamente essa. “O público deve ser colocado no seu lugar para que os homens responsáveis tomem decisões sem a interferência do ‘rebanho desnorteado’.”

Devem ser espectadores, não participantes. Assim há uma democracia eficiente, retomando Madison, o Memorando de Powell e assim por diante. E a indústria de publicidade explodiu tendo esse objetivo: fabricar consumidores. E tudo é feito com grande sofisticação. O ideal é o que se vê hoje em dia. Em que, digamos, adolescentes que têm um sábado à tarde livre, vão ao shopping passear, não à livraria ou outro lugar.

A ideia é tentar controlar todo mundo, transformar toda a sociedade no sistema perfeito. O sistema perfeito seria uma sociedade baseada em uma díade, um par, o par é você e seu aparelho de TV, ou, talvez agora, você e sua internet, que lhe apresenta o que deveria ser a vida apropriada; que tipo de engenhocas você deveria ter.

E passa seu tempo e esforço para conseguir essas coisas, que não precisa, não quer, e talvez jogue fora, mas essa é a medida de uma “vida decente”. O que vemos nas propagandas na televisão, se você já fez um curso de economia, você sabe que os mercados devem ser baseados em “consumidores informados fazendo escolhas racionais”.

Bem, se tivéssemos um sistema de mercado assim, então uma propaganda de televisão consistiria de, digamos, a General Motors dando informações dizendo: “Eis o que temos à venda.” Mas uma propaganda de carro não é assim. Uma propaganda de carro tem um herói do futebol, uma atriz, um carro fazendo alguma loucura como subir uma montanha ou algo assim.

A questão é criar consumidores desinformados que farão escolhas irracionais. É disso que se trata a publicidade, e quando a mesma instituição, o sistema de RP comanda a eleição, eles fazem do mesmo jeito. Eles querem criar um eleitorado desinformado, que fará escolhas irracionais, muitas vezes contra seus próprios interesses, e toda vez vemos uma dessas extravagâncias acontecerem.

Logo após a eleição, o presidente Obama ganhou um prêmio da indústria de publicidade pelo melhor marketing de campanha. Não foi divulgado aqui, mas se procurar na imprensa internacional, os executivos ficaram eufóricos. Eles disseram: “Nós vendemos candidatos, fazemos marketing de candidatos como se fosse de pasta de dente, desde Reagan, e essa é a maior conquista que temos.”

Eu geralmente não concordo com Sarah Palin, mas quando ela zomba do que ela chama de “hopey-changey”, ela está certa. Primeiramente, Obama não prometeu nada. Isso é principalmente ilusão. Analise a campanha retórica e preste atenção. Há pouca discussão de questões políticas, e por um ótimo motivo, porque a opinião pública sobre política é muito desconectada do que a liderança de dois partidos e seus financiadores querem. A política cada vez mais está focada nos interesses particulares que financiam as campanhas, com o público sendo marginalizado.

Excertos de Noam Chomsky no documentário “Requiem for the American Dream”, de Kelly Nyks, Peter D. Hutchison e Jared P. Scott, lançado em 2015.

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Erica Floyd e a exploração de animais na indústria de laticínios

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Arte: Erica Floyd

A artista vegana Erica Floyd desenhou a imagem de um ser humano bebendo leite do úbere da vaca e afastando o bezerro, que tem lágrimas em seus olhos porque foi privado do direito de mamar. A proposta da pintora é mostrar o que acontece quando consumimos laticínios, ou seja, quando damos suporte à exploração das vacas. Ao fundo, bezerros mortos e envoltos por manchas de sangue.





Written by David Arioch

July 22, 2017 at 12:53 am

Sobre ser contra algumas formas de exploração e desconsiderar o veganismo

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Arte: End Trophy Hunting Now

É estranho ser contra diversas formas de exploração e ainda assim considerar o veganismo como algo impraticável ou impossível. Quero dizer, se me alimento de animais, e tenho acesso à informação sobre as variantes da exploração de seres sencientes, devo reconhecer que se compro um pedaço de carne isso significa que algum ser vivo passou por privação ou sofrimento, ou os dois; senão aquele pedaço não chegaria às minhas mãos.

Claro, posso defender algumas bandeiras contrárias a alguns tipos específicos de exploração, mas analisando como um todo, as minhas contrariedades seriam pontuais, e em alguns casos até paradoxais e convenientes, já que é mais fácil defender aquilo que nos atinge primariamente.

Eu não acharia justo eu fazer um discurso sobre exploração, igualdade e equidade, por exemplo, em um churrasco convencional. Quero dizer, enquanto me alimento de animais. Mas por que? Simplesmente porque eu me sentiria invalidando o meu próprio discurso. Claro, esse é o meu entendimento, e a minha perspectiva. Não vendo verdades; apenas estimulo reflexões.

Alguém que é contrário a algumas formas de exploração poderia alegar que não vive sem carne. Não, não vivemos sem a nossa própria carne, ou seja, do nosso corpo, assim como qualquer animal não humano. E é por isso que não existe carne sem morte, embora muita gente ainda resista a fazer tal associação. Não há como negar que um pedaço de carne que se consome é mais do que o simbólico fim de uma vida. Representa a negação à plena existência, e até mesmo à existência verdadeiramente pacífica.

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Written by David Arioch

June 10, 2017 at 9:04 pm

“Henry Ford, que ficou impressionado com a eficiência dos matadouros de Chicago, deu a sua contribuição para a matança de pessoas na Europa”

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Livro foi publicado em 2002 pela Lantern Books

Henry Ford, que ficou impressionado com a eficiência dos matadouros de Chicago, deu a sua contribuição especial para a matança de pessoas na Europa. Não só desenvolvendo o método de linha fabril que os alemães usaram para matar judeus, mas também lançando uma campanha antissemita que favorecia o holocausto.

O propósito da matança alemã centrava-se no extermínio de seres humanos. Operavam no largo contexto de sociedade de exploração e matança de animais, que eles imitaram. Os alemães não deixaram de matar animais quando começaram a exterminar pessoas.

Auschwitz, sob o comando de Rudolf Hess, era conhecido como o maior matadouro de pessoas que a história já viu; tinha o seu próprio matadouro. Os campos de morte mantinham o seu pessoal [nazistas] bem alimentado com carne.

Sobibor tinha currais de vacas, porcos, etc, que eram ao lado da entrada que levava os judeus à câmara de gás. Em Treblinka, tinham estábulo, e a pocilga junta ao campo das barracas dos auxiliares ucranianos.

Excertos de “Eternal Treblinka”, de Charles Patterson, publicado em 2002 pela Lantern Books.

 

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Camurça

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Registro do fotógrafo italiano Max Venturi

Camurça é um dos animais mais belos dos bálcãs. O material camurça recebeu esse nome porque originalmente surgiu a partir da exploração e morte desses animais para a extração de couro.





Written by David Arioch

June 2, 2017 at 2:42 pm