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70 anos depois, episódio vira documentário em Paranavaí

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No dia 23 de novembro de 1949, um avião Douglas DC-4, de Transocean Air Lines (EUA), perdeu a rota com destino a Asunción, no Paraguai, e teve de fazer um pouso forçado em Paranavaí (Acervo: Ivan Botelho)

No dia 23 de novembro de 1949, um avião Douglas DC-4, da Transocean Air Lines (EUA), perdeu a rota com destino a Asunción, no Paraguai, e teve de fazer um pouso forçado em Paranavaí, no Noroeste do Paraná. A aeronave norte-americana em missão humanitária da ONU transportava 74 passageiros mongóis e oito tripulantes estadunidenses.

Sob o comando do piloto Harvey Rogers e do navegador John Roenninger, o objetivo era cruzar o Oceano Pacífico, levando refugiados para recomeçarem suas vidas na América do Sul, livres da perseguição política e das graves dificuldades econômicas em sua terra natal.

Naquele dia estava começando a anoitecer quando alguns moradores viram um avião de grandes proporções cruzando o céu de Paranavaí, perdido em decorrência da pouca visibilidade e ansiando por uma pista de pouso.

Esse episódio é tema do documentário “Paranavaí 1949: Douglas DC-4”, lançado nesta sexta-feira (22) pelo jornalista David Arioch no canal Colônia Paranavaí no YouTube. A data antecede os 70 anos da passagem do avião por Paranavaí, celebrada no sábado (23).

Com duração de 11 minutos, o filme traz relatos de quem testemunhou a chegada do Douglas DC-4 e acompanhou de perto toda a movimentação envolvendo o acontecimento que foi considerado o mais importante de 1949 em Paranavaí, quando ainda era distrito de Mandaguari.

Entre os entrevistados estão Pedro Carvalho, Ephraim Machado, Ivan Botelho, Persiliana Domingos, Joseplinia Domingos e Clara Francisco. David Arioch, que em 2011 teve o seu trabalho sobre a colonização de Paranavaí premiado pelo Instituto Histórico e Geográfico do Paraná (IHGPR), assina o roteiro, direção e edição. Já o cinegrafismo é de Amauri Martineli, fotógrafo, ator e produtor cultural.

O projeto é realizado pela Prefeitura Municipal de Paranavaí, Fundação Cultural e Conselho Municipal de Política Cultural e foi aprovado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura e está sendo financiado com recurso público oriundo do Edital de Apoio à Cultura 001/2019 – Fundo Municipal de Cultura de Paranavaí.

 

Museu de Paranavaí vai ser reinaugurado em abril

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Nova sede vai abrigar mais de 600 objetos e 2,8 mil fotos sobre a história local

Fachada do Museu de Paranavaí que vai funcionar ao lado da Casa da Cultura (Foto: David Arioch)

Fachada do Museu de Paranavaí que vai funcionar ao lado da Casa da Cultura (Foto: David Arioch)

Fundado em 2007, o Museu de Paranavaí sempre funcionou nas dependências da Casa da Cultura Carlos Drummond de Andrade. Porém, a partir da segunda quinzena de abril, o museu começa a atender em um novo espaço – na antiga Estação do Ofício. Atualmente o local está passando por reformas e adaptações feitas pelos colaboradores da Fundação Cultural de Paranavaí.

“Estamos fazendo um trabalho com muito amor e carinho, baseado no improviso e na criatividade”, comenta a coordenadora do Museu Histórico, Antropológico e Etnográfico de Paranavaí, Rosi Sanga, que ao longo dos anos conseguiu reunir mais de 600 peças que remetem às mais diferentes fases da formação de Paranavaí.

Há inclusive objetos dos tempos da Fazenda Brasileira, como Paranavaí era conhecida nas décadas de 1930 e 1940, e um acervo com 2,8 mil fotos. Muitas já foram digitalizadas e devem compor o Memorial Digital do Pioneiro. “Assim que o Museu for reinaugurado, vamos continuar com nossas exposições. Elas são baseadas em histórias que começam na época dos índios, embora eles não tenham vivido exatamente onde a cidade surgiu. Também falaremos da derrubada da mata, da fase econômica do café e de outros ciclos. O mais interessante é que aqui cada objeto tem uma memória a ser narrada”, revela Rosi.

Uma das paredes do museu está abrigando quadros que ajudam a contar a história de Paranavaí (Foto: David Arioch)

Uma das paredes do museu está abrigando quadros que ajudam a contar a história de Paranavaí (Foto: David Arioch)

Uma das paredes do museu já está abrigando quadros que ajudam a contar a história de Paranavaí através das pinturas da artista Cecília Tortorelli. Importante referência para quem quer aprender um pouco sobre a colonização local e regional, o museu possui coleções, objetos do cotidiano, itens numismáticos, documentos e instrumentos de trabalho. Visitar o museu é uma grande oportunidade para entender o surgimento de Paranavaí e o seu desenvolvimento, principalmente nas décadas de 1930, 1940, 1950 e 1960.

Outra novidade é que no entorno do museu vai ser criado um canteiro com ervas medicinais usadas nos tempos da colonização. “Do lado de fora, vamos exibir depoimentos de pioneiros sobre essas ervas. Também vamos deixar dois tipógrafos em exposição na parte externa”, enfatiza. A tradicional Sala de Imagem e Som, que funcionava na Casa da Cultura e reunia um bom acervo de materiais e equipamentos de rádio, TV e cinema, também vai funcionar nas dependências do museu.

“A partir da segunda quinzena de abril, se tudo der certo, vamos atender das 8h às 17h, mas caso alguém nos ligue com antecedência, querendo conhecer a exposição, podemos abrir também fora do horário comercial”, declara a coordenadora. O Museu de Paranavaí continua recebendo doações, desde que sejam itens com relevância histórica. Para mais informações, ligue para (44) 3422-5018.

Saiba Mais

O Museu Histórico, Antropológico e Etnográfico de Paranavaí é administrado pela Fundação Cultural de Paranavaí.

Lembranças do Mais Cinema

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Projeto reuniu cinéfilos de Paranavaí uma vez por semana ao longo de cinco anos

Reportagem sobre o Projeto Mais Cinema que saiu no jornal "O Paraná", de Cascavel, em 2009 (Imagem: Reprodução)

Reportagem sobre o Projeto Mais Cinema que saiu no jornal “O Paraná”, de Cascavel, em 2009 (Imagem: Reprodução)

Em Paranavaí, no Noroeste do Paraná, o Projeto Mais Cinema, realizado de 2008 a 2013, oferecia uma vez por semana sessões gratuitas de cinema na Casa da Cultura Carlos Drummond de Andrade, onde cinéfilos com faixa etária de 18 a 70 anos se reuniam para assistir filmes que não fazem parte do circuito comercial. Ao final das exibições, eu sentava na beira do palco, analisava o filme e abria espaço para perguntas e comentários.

Não vou mentir e dizer que muita gente participava do Mais Cinema. Não, isso não é verdade, mas, apesar do público modesto, fazia o nosso projeto valer a pena, já que quem frequentava a Casa da Cultura sabia o que estava buscando e o que encontraria. Além da oportunidade de assistir bons filmes, os cinéfilos ainda recebiam refrigerante e pipoca – tudo isso graças à Fundação Cultural de Paranavaí e ao nosso amigo Sobhi Abdallah, responsável pelo empréstimo de um projetor que substituiu o nosso já danificado.

Pelo seu idealismo minimalista, o Mais Cinema chamou tanta atenção que em poucos meses jornais de diversas cidades do Paraná publicaram reportagens sobre a iniciativa. Um exemplo foi o “O Paraná”, de Cascavel, na região Oeste, a quem concedi uma entrevista falando do nosso objetivo após seis meses de implantação do projeto que contava com o empenho voluntário de amigos e artistas como Amauri Martineli, Rosi Sanga, Elza Pavão, Sobhi Abdallah e Paulo Cesar de Oliveira.

“Valorizamos aqueles cineastas que tiram proveito da sensibilidade para estabelecer uma profunda construção de sentido, nada óbvio, mas com uma capacidade de humanização que faz o espectador ir embora refletindo sobre o mundo, a vida, suas experiências e seu comportamento”, declarei ao jornal “O Paraná” em 2009.

Logo no início, seguindo a proposta de exibir e discutir filmes “alternativos”, o projeto presenteou o público com um cosmopolitismo cinematográfico – cinema clássico, expressionismo alemão, neorrealismo italiano, cinema surrealista, realismo poético francês, nouvelle vague, cinema noir, novo cinema alemão e cinema novo brasileiro, entre outros movimentos artísticos.

Público também participava do debate ao final do filme (Foto: Amauri Martineli)

Público também participava do debate ao final do filme (Foto: Amauri Martineli)

Ao longo de cinco anos, exibimos muitos filmes, obras de mais de 40 países e de todos os continentes. Quem participou do projeto sabe que a prioridade era seguir na contramão da Indústria Cultural, fomentadora de uma fantasia distante do homem comum. O mais importante era levar o público à imersão, um convite à reflexão – imprescindível nas obras de cineastas aptos a captar o obscurantismo da complexidade humana – individual e coletiva.

Com esse caráter, dentre filmes nacionais exibidos, vale destacar o clássico “Vidas Secas”, adaptado por Nelson Pereira dos Santos, inspirado no livro homônimo de Graciliano Ramos. Na obra, o cineasta conduz o espectador, por meio de recursos estéticos, a sentir o vazio existencial, ingente e avassalador dos personagens: flagelados do sertão. A própria ausência de diálogo, em muitos momentos do filme, é elementar em transmitir uma miséria que não agride apenas o organismo, mas a essência do homem.

Não menos marginal é o filme neorrealista “Ladrões de Bicicleta”, do mestre italiano Vittorio de Sica, em que o personagem principal é um desempregado de origem humilde – idiossincrasia de uma decadente classe operária subjugada a um sistema socioeconômico que os impele a trocar valores e ideologias por comida.

Continuando nessa dimensão variegada, o público conheceu o futurista “Fahrenheit 451”, exímio exemplar da Nouvelle Vague, e idealizado pelo singular francês François Truffaut. No filme, uma sociedade hipócrita e paradoxal – afugentada pela opressão ditatorial, renega a literatura, numa crítica mordaz ao cerceamento da liberdade intelectual.

Uma ode à fragilidade humana, a bela trilogia das cores – “A Liberdade é Azul”, “A Igualdade é Branca” e a “Fraternidade é Vermelha”, do surpreendente diretor polonês Krzysztof Kieślowski, foi exibida em três sessões – numa sequência ordenada, respeitando a característica de unidade indissolúvel dos três filmes.

Na trilogia, cada obra tem seu título justificado de várias formas, seja por meio da estética ou da dialética, e sempre a partir do momento que a individualidade de um personagem é confrontada com a de outro, no contexto de um relacionamento. Sendo assim, é possível interpretar a partir da obra-prima de Kieślowski que ideologias, crenças, valores, conceitos, são todos descartáveis perante a vida.

Muitos outros filmes foram celebrados na Casa da Cultura, mas esses em especial merecem ser citados porque marcaram o início de um projeto que trouxe a Paranavaí até cinéfilos de outras cidades da região. Boas e duradouras amizades foram construídas no auditório da Casa da Cultura, a sala oficial do projeto Mais Cinema que hoje ainda é lembrado em tom de nostalgia por tanta gente que por lá passou, mesmo que somente uma vez.

Uma vida em sintonia com a arte

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Talise Schneider, a atriz e bailarina que há anos se dedica ao desenvolvimento cultural de Paranavaí

Rosi Sanga: “Em cada movimento, ela coloca não apenas o seu suor, mas toda a sua alegria e desejo de fazer cada vez melhor.”

Rosi Sanga: “Ela coloca não apenas o seu suor em cada movimento, mas toda a sua alegria e desejo de fazer cada vez melhor” (Foto: Marcelo Zavan)

Em 1993, Talise Schneider tinha seis anos quando fazia frente aos outros alunos da Escola Municipal Elza Caselli, em Paranavaí, no Noroeste do Paraná, na hora de declamar nas comemorações do Dia das Mães e da Semana da Pátria. Foi assim, como numa brincadeira de criança, que começou a descobrir na arte uma maneira de transmitir impressões, pensamentos e sentimentos.

“Sempre gostei de teatro e dança. Sou fruto das oficinas de teatro da Casa da Cultura [Carlos Drummond de Andrade] com a atriz e professora Rosi Sanga e também das oficinas do Sesc com a atriz e professora Tânia Volpato. Ou seja, Cia. Oficinas e Grupo Tasp”, explica. Bailarina e atriz profissional, Talise se recorda com nostalgia das dezenas de espetáculos que encenou ao longo dos anos.

Entre os marcantes, cita “O Auto Popular de Romeu e Julieta”, da Cia. Oficinas; “Peter Pan”, “Refúgio das Fadas”, “O Grande Circo Paquita”, “O Mundo na Dança” e “La File Mal Gardé”, da Ballet Devant; “Sapo com Medo de Beijo”, da Vinil Cia. de Teatro, formada por integrantes do Médicos do Humor; “DiverCidade” e “Arte em Movimento”, da Varanda Cia. de Dança; “Ponto Azul”, com o grupo Cogitare; e “Bem Brasil”, “Dancing Movies”, “Dez Anos Dançando pra Você” e “Vem Dançar Comigo”, do Grupo de Dança Maria Teresa Fávero. “Foram muitos espetáculos. É até injusto listar apenas alguns”, admite.

Versátil, participou até de um grupo de viola da Fundação Cultural de Paranavaí e escreveu uma crônica publicada em um livro da escritora Cleuza Cyrino Penha. Na obra, Talise fala dos encontros que a vida proporciona. “Isso é o mais legal da vida. Acho que o que nos move são os encontros e as perguntas”, comenta com um sorriso cativante.

Patrícia Romera: "É uma ótima parceira de criação em todas as horas, profissional exigente e sabe comandar um grupo”

Patrícia Romera: “É uma ótima parceira de criação em todas as horas, profissional exigente e sabe comandar um grupo” (Foto: Amauri Martineli)

Baixinha e de fisionomia delicada, a artista admite que os seus maiores xodós são os grupos Médicos do Humor e Varanda Cia. de Dança. O primeiro foi fundado em 2008, após o resultado positivo de uma visita em que Talise e alguns amigos se vestiram de palhaço para visitar os pacientes da Santa Casa de Paranavaí. “Géssica Andrade, Jakeline Parron e Adauto Soares me incentivaram e juntos criamos o projeto Médicos do Humor que em julho completa sete anos trabalhando com a humanização”, comemora.

Aos finais de semana, a atriz se dedica exclusivamente ao Médicos do Humor que graças ao seu empenho possui dezenas de participantes. Além de qualificar os voluntários, Talise ministra aulas, coordena encontros e participa dos plantões no hospital, onde os acamados se distraem com brincadeiras e palavras de conforto da trupe. “Atendemos em média 200 pessoas a cada domingo. Já fizemos também visitas aos sábados em asilos, creches e eventos”, destaca.

Questionada se o Médicos do Humor já transformou vidas, Talise Schneider afirma que sim, principalmente a própria. Atribui à arte o seu desenvolvimento humano e o privilégio de ver os amigos que participam do projeto crescendo e “ganhando o mundo”. “Minha vida mudou bastante depois que entrei no grupo. Me tornei uma pessoa mais madura e melhor perante a sociedade graças à Talise. Tudo que ela faz tem um propósito maior. Ensina que você pode ajudar as pessoas e consequentemente ser ajudado”, garante um dos Médicos do Humor, Gustavo Peres.

Mariana Fusco: "A admiro muito pela sua preocupação com crianças hospitalizadas e sua disposição com a dança e o teatro"

Mariana Fusco: “A admiro muito pela sua preocupação com crianças hospitalizadas e sua disposição com a dança e o teatro” (Foto: Médicos do Humor)

A opinião também é dividida por Mariana Fusco que ingressou no grupo em 2009, quando se tornaram amigas após se conhecerem no curso de pedagogia da Faculdade Estadual de Educação, Ciências e Letras de Paranavaí (Fafipa). “A admiro muito pela sua preocupação com crianças hospitalizadas e sua disposição com a dança e o teatro. A considero mais que uma amiga, é uma irmã que sempre esteve presente em momentos de alegria e de tristeza”, comenta Mariana.

Talise agora está se preparando para ampliar a área de abrangência do Médicos do Humor. Além de abrir vagas para novos voluntários, vai criar campanhas e montar equipes para ajudar em comunidades carentes. “É um projeto que estimula o contato com pessoas em situações adversas. Temos a chance de conhecer histórias que moldam a nossa jornada, nos fazem avaliar onde estamos errando e o que podemos melhorar. Não tem nada melhor do que ver um projeto sair do papel e se tornar realidade”, enfatiza.

Com o Médicos do Humor, Talise Schneider conseguiu estreitar o relacionamento de muita gente com a arte. Quem antes não tinha o hábito de prestigiar eventos culturais, por exemplo, hoje não perde a oportunidade. “Estimulo todos a serem participativos. É gratificante vê-los assistindo espetáculos de teatro, dança e música. Percebo a grande diferença quando lembro que muitos nem conheciam o Teatro Municipal e a Casa da Cultura”, frisa.

“É uma menina artista, feita de inspiração, luta e coragem”

A bailarina e arquiteta Patrícia Romera relata que sempre quis participar de uma companhia profissional de dança, mas foi somente depois de conhecer Talise Schneider no Grupo de Trabalho (GT) de Dança de Paranavaí que acreditou na possibilidade do sonho tornar-se realidade. “Ela tem o dom de fazer os planos acontecerem. Foi assim que criamos a Varanda, inclusive o nome é uma ideia dela. É uma ótima parceira de criação em todas as horas, profissional exigente e sabe comandar um grupo”, revela.

Talise Schneider: “A gente sempre tenta mudar o mundo, mas cada um tem um olhar diferente para mudar o mundo." (Foto: Amauri Martineli)

Talise Schneider: “A gente sempre tenta mudar o mundo, mas cada um tem um olhar diferente para mudar o mundo” (Foto: Amauri Martineli)

O projeto deu tão certo que logo começaram a se apresentar em Paranavaí e em outras cidades do Paraná. “Até fomos selecionadas em um edital cultural do Sesi, uma grande conquista para nós”, avalia Talise que atualmente está empolgada com a montagem do espetáculo “Metade”, baseado na música de Oswaldo Montenegro. A intenção é comover o público com coreografias sobre medos, amores, loucuras e desejos. “Com movimentos e expressões, mostramos as metades que somos em cada momento que vivemos”, poetiza a bailarina que também está realizando pesquisas com a Vinil Cia. de Teatro e deve estrear um espetáculo até o final do ano.

A bailarina e professora Cristiane Ferreira, proprietária da Escola de Danças Ballet Devant, uma referência na descoberta de talentos para a Escola de Dança Teatro Guaíra – de Curitiba, e Ballet Bolshoi Brasil – de Joinville, conta que Talise Schneider ingressou no ballet em 2007. “Foi depois que a convidei para fazer um dos personagens principais do espetáculo ‘Peter Pan’, quando ela interpretou o braço direito do Capitão Gancho. Me surpreendi com seu amor pela dança, tanto que ficou sete anos aqui, firme e forte, até se formar em ballet clássico. É muito dedicada como profissional, se entrega completamente”, garante Cristiane que vê na ex-aluna um grande futuro na dança contemporânea, modalidade com a qual Talise mais se identificou.

Além de atriz, bailarina e voluntária, a jovem também atua na Fundação Cultural de Paranavaí. Tudo começou em 2007, quando o seu talento garantiu uma oportunidade de ministrar oficinas de teatro e dança na Casa da Cultura Carlos Drummond de Andrade. Em 2011, se tornou assessora de projetos culturais e em 2013 foi promovida a gerente de desenvolvimento cultural. Hoje, Talise Schneider é diretora geral da Fundação Cultural, o que representa grande responsabilidade sobre o desenvolvimento da cultura de Paranavaí. “Amo muito o que faço. Gosto de ver as pessoas envolvidas no processo. Adoro as produções, bastidores e o frio na barriga antes de subir ao palco. Gosto de todos os segmentos artísticos, me identifico com tudo”, assegura.

De acordo com a bailarina Cristiane Ferreira, 90% de tudo que envolve o Festival de Dança de Paranavaí só é concretizado graças à dedicação de Talise. “Ela tem uma responsabilidade muito grande e consegue lidar com isso muito bem. Organizar um festival é bem mais complicado do que um espetáculo. Há muitas coisas que podem sair de controle e você precisa agir rápido”, pondera Cristiane.

A atual diretora geral da Fundação Cultural também teve papéis determinantes na realização do Festival de Teatro de Paranavaí e Festival de Música e Poesia de Paranavaí (Femup). Talise Schneider é presença constante nos eventos culturais locais. Sempre educada e sorridente, mesmo quando precisa trabalhar aos sábados, domingos e feriados. “É uma menina artista, feita de inspiração, luta e coragem. Faz trabalhos lindos de entrega ao próximo. Ela coloca não apenas o seu suor em cada movimento, mas toda a sua alegria e desejo de fazer cada vez melhor. Que o universo permita que ela continue nesse movimento sempre livre para o sucesso dela e da vida artística de nossa cidade”, elogia a atriz profissional e professora Rosi Sanga.

Frase de Talise Schneider

“A gente sempre tenta mudar o mundo, mas cada um tem um olhar diferente para mudar o mundo. A gente não sabe o que se passa dentro do outro, dentro das pessoas. Mas todo mundo pode agregar, ajudar…”

Depoimentos na íntegra

“A Talise gosta de participar, de se envolver. Lembro quando ela teve a ideia de criar a Varanda. Se empenhou muito e depois me convidou para ser a madrinha da companhia. Fiquei muito feliz. É uma pessoa que gosta de desafios e está sempre apta a superá-los.”

Cristiane Ferreira, bailarina e proprietária da Escola de Danças Ballet Devant.     

“É difícil descrever o que você sabe e pensa de uma pessoa em poucas palavras. A Tali deve não saber, mas ela é figura fundamental em minha vida. Desde que entrei no Médicos do Humor e a conheci, minha vida mudou consideravelmente. Se pudesse resumir em uma palavra tudo isso, seria amadurecimento. Ter me tornado uma pessoa mais madura e melhor perante a sociedade, graças a outra pessoa que me influenciou a ser assim. Tudo o que ela faz, tem um propósito muito maior. Ela ensina que você pode ajudar as pessoas e consequentemente, ser ajudado. Ela mostra que você é capaz de fazer coisas que achava não ser capaz. Isso é dom pra poucos. Eu a amo muito e agradeço demais por tudo o que faz por mim. Sempre.”

Gustavo Peres, integrante do Médicos do Humor.

“Em 2009, na faculdade, cursando pedagogia conheci uma grande pessoa por quem tenho um imenso carinho. Na época, ela já desenvolvia o trabalho com o grupo Médicos do Humor, do qual comecei a fazer parte no mesmo ano. Conheci um pouco mais dessa pessoa e comecei a admirá-la por sua relação com a arte. A considero mais que uma amiga, como se fosse uma irmã e que esteve sempre presente em momentos de alegria e de tristeza. Nunca faltei a uma apresentação dela. Me recordo que no ano passado em sua formatura de ballet, eu estava em uma viagem com a escola onde trabalho, e demoramos para voltar. Cheguei em casa e me arrumei em 10 minutos para não perder sua dança de formatura, pois se perdesse ela me mataria. Essas foram suas palavras ao telefone.  É apenas uma lembrança de muitas histórias, vivências e cumplicidade que compartilhamos. Sei que posso contar com ela a qualquer momento e sei que este sentimento é recíproco.”

Mariana Fusco, integrante do Médicos do Humor.

 “Conheci a Talise por volta de 2009, através da Cristiane Ferreira, da Ballet Devant, quando começamos a dançar juntas nos fins de semana. Em 2011, nos aproximamos mais e em 2012 algumas circunstâncias na vida da Talise mudaram e nós fomos morar juntas. Foi nesse período que comecei a conviver realmente com ela e foi muito tranquilo. Nosso relacionamento era baseado em valores comuns e zero julgamento das atitudes uma da outra. Sempre se pode contar com uma opinião sincera vinda da Talise, mesmo que não seja a que você quer ouvir. Na época em que fomos morar juntas, foi reorganizado o GT de Dança de Paranavaí e éramos membros. Sempre sonhei em participar de uma companhia profissional de dança. No GT, a Talise começou a compartilhar desse sonho comigo e a ver possibilidades de realizações. Esse é o bom de sonhar junto com a Talise! Se eu sonho sozinha, eu continuo sonhando e esperando as coisas um dia acontecerem. Se eu sonho com ela, as coisas se tornam realidade. Esse é o dom dela! Foi a Talise junto com o Amauri Martinelli [atual presidente da Fundação Cultural de Paranavaí] que tornou possível a criação do grupo Varanda (nome que foi ideia dela inclusive). Além de amiga doida, oponente de conteúdo para discussões profundas e parceira de criação em todas as horas, ela é profissional exigente e sabe comandar um grupo para fazer as coisas acontecerem; seja para realizar um trabalho filantrópico com o Médicos do Humor, ajudar um amigo num momento difícil, como o bailarino Mario Gilberto, ou para organizar um grande evento como o Festival de Dança de Paranavaí. Em qualquer momento, fazer parte da equipe da Talise é garantia de diversão, respeito pelo trabalho dos outros, tranquilidade e confiança na liderança e parceria, sempre! Também é uma pessoa espontânea, cheia de projetos e disputada entre os muitos amigos apaixonados por ela.”

Patrícia Romera de Paula, bailarina e sócia da Varanda Cia. de Dança.

 “Bem, o que falar de Talise? O que falar dessa menina artista? Digo que um artista não é feito só de talento, que essa moleca tem de sobra. Um artista é feito de inspiração, luta e coragem, qualidades que ela também tem. Vejo isso em sua dança. Ela coloca não apenas o seu suor em cada movimento, mas toda a sua alegria e desejo de fazer cada vez melhor. Vejo isso no seu trabalho com o Médicos do Humor, um trabalho lindo de bem ao outro, de entrega ao próximo. Que o universo permita que ela continue nesse movimento, sempre livre, sempre mais e cada vez melhor – para o sucesso dela e da vida artística de nossa cidade.”

Rosi Sanga, atriz profissional e professora de teatro.

Seis anos lutando pela cultura de Paranavaí

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Paulo Cesar de Oliveira, um dos melhores presidentes da história da Fundação Cultural

Amauri Martineli: "Paulinho é da classe, é músico, é poeta, é da gente" (Foto: Amauri Martineli)

Amauri Martineli: “Paulinho é da classe, é músico, é poeta, é da gente” (Foto: Amauri Martineli)

No início de 2009, atendendo a um pedido da classe artística de Paranavaí, o prefeito Rogério Lorenzetti convidou o músico Paulo Cesar de Oliveira para assumir a presidência da Fundação Cultural. Embora já estivesse aposentado há alguns anos, Paulo Cesar aceitou o desafio de mais uma vez fazer a diferença na cultura local.

Sob a direção de Oliveira, a FC começou a trilhar um novo caminho de conquistas, transparência e interação com a população. Assim que assumiu,  sugeriu a retomada de um projeto antigo da Fundação Cultural. Ou seja, a produção do DN Cultura, página semanal em que são publicadas matérias sobre as atividades da FC, o trabalho dos artistas locais e eventos realizados no Teatro Municipal Dr. Altino Afonso Costa. Desde então, se passaram seis anos e a página continua sendo publicada no Diário do Noroeste, parceiro da iniciativa.

Também foi na gestão de Paulo Cesar que houve um grande incentivo à criação de novas mostras, projetos e festivais. “Com o PC, implementamos o projeto Portas Abertas, um evento de música com entrada gratuita. Muita gente participou”, comenta o ex-diretor geral e atual presidente da Fundação Cultural, Amauri Martineli. Com Oliveira, o Festival de Música e Poesia de Paranavaí (Femup) foi elevado à mostra, perdendo o caráter competitivo que normalmente acirrava os ânimos e segregava artistas. Com a nova proposta, houve mais harmonia entre músicos, contistas, poetas e espectadores. Não há mais motivos para conflitos porque todos os selecionados hoje recebem prêmios em dinheiro e também ajuda de custo da FC.

Paulo Cesar se esforçou para motivar a criação do Fórum de Cultura de Paranavaí que trouxe nomes de grande projeção no cenário nacional, além de propor mais diálogos e debates entre os artistas. A gestão de Oliveira marcou o retorno do Festival de Teatro de Paranavaí que cresceu consideravelmente nas últimas edições, trazendo artistas de todo o Brasil. Apesar da cidade não ter uma sólida cultura audiovisual, Paulo Cesar sempre incentivou a realização do Projeto Mais Cinema que de 2008 até 2013 exibiu mais de cem filmes seguidos de análise e debate na Casa da Cultura Carlos Drummond de Andrade.

Talise Schneider: "“Paulo Cesar foi mais que presidente, administrador e artista, foi humano ao compreender todo o movimento artístico" (Foto: Acervo Familiar)

Talise Schneider: “Paulo Cesar foi mais que presidente, administrador e artista. Foi humano ao compreender todo o movimento artístico” (Foto: Fundação Cultural de Paranavaí)

Além de duas mostras de cinema, inclusive uma internacional, o ex-presidente da Fundação Cultural também se empenhou na descentralização das atividades culturais do município. Exemplos são as muitas oficinas que foram realizadas nos bairros ao longo dos anos, atendendo crianças e adolescentes. “Com o Arte em Todos os Cantos, o Paulo Cesar também defendeu o acesso aos mais diversos tipos de espetáculos. Muita gente não tem condições de vir ao Teatro Municipal Dr. Altino Afonso Costa e Casa da Cultura, então sempre escolhemos um bairro da periferia para levar apresentações dos nossos artistas”, destaca a gerente de desenvolvimento cultural Talise Schneider.

Paulo Cesar de Oliveira uniu a equipe da Fundação Cultural e os seus colaboradores. Em pouco tempo, a FC chegou a um total de dois mil alunos participando das dezenas de oficinas de artes. É até difícil enumerar em apenas um texto todas as conquistas que tiveram a contribuição de Paulo Cesar em seis anos de dedicação. Na gestão de Oliveira, a FC criou também o Concurso Altino Costa de Declamação, que visa incentivar crianças a se interessarem por poesia, e o Femupinho, uma versão do Femup para crianças e adolescentes. “A boa vontade e empenho do Paulo permitiu também que criássemos o Festival A Voz do Trabalhador e melhorássemos o Festival de Corais de Paranavaí”, destaca Martineli.

Talise cita também que Paulo Cesar viabilizou a criação do Festival de Dança de Paranavaí, evento que tem crescido e se tornado uma grande referência regional. No 1º Fórum de Cultura de Paranavaí, o então presidente da FC incentivou a criação de grupos de trabalho divididos por segmentos. Assim os artistas poderiam se unir para discutir sobre as necessidades de cada área. Muitas vezes, Oliveira se responsabilizou por conseguir patrocínio para projetos de artistas locais. Um exemplo é o Camerata Paranavaí, coordenado pelo músico Arnaldo Santos.

Rosi Sanga: "“O Paulo César foi um grande mestre na minha juventude" (Foto: Fundação Cultural de Paranavaí)

Rosi Sanga: ““O Paulo César foi um grande mestre na minha juventude” (Foto: Fundação Cultural de Paranavaí)

Quando necessário, Paulo Cesar ia muito além da sua função. Chegou a tirar dinheiro do próprio bolso para custear despesas da Fundação Cultural e ajudar artistas que enfrentavam alguma crise financeira. Também implantou o Projeto Clave de Luz, de formação profissional de música para crianças e adolescentes na Escola Municipal de Música Luzia Guina Machado, ampliou o número de oficinas oferecidas pela Fundação Cultural e depois batalhou pela criação da Banda Sinfônica Clave de Luz.

A gravação do primeiro CD da Orquestra de Sopros Paranavaí, mantida pela Fundação Cultural, também não seria possível sem a ajuda do então presidente da FC. “O Paulo lutou também pela aquisição de novos instrumentos para a orquestra e para o Projeto Clave de Luz”, garante Amauri Martineli. O fortalecimento do Conselho Municipal de Cultura e as criações do Fundo Municipal de Cultural, Edital Municipal de Incentivo à Cultura e Conferência Municipal de Cultural também são conquistas que contaram com a dedicação de PC. Após tanto trabalho, Paulo Cesar de Oliveira pediu exoneração do cargo na semana passada para trilhar um novo caminho.

A versatilidade de Paulo Cesar de Oliveira

Filho dos pioneiros Sebastião Bem Bem de Oliveira e Elazir Azevedo de Oliveira, personagens ilustres da história de Paranavaí, Paulo César de Oliveira nasceu em Paranavaí em 30 de maio de 1951. Começou a trabalhar com apenas 12 anos no Banco América do Sul. Antes de ingressar no Exército em 1970, trabalhou na Livraria Santa Helena e na Livraria Eclética. Quando retornou, assumiu a chefia da Divisão de Pessoal da Prefeitura de Paranavaí, até que em abril de 1974 tomou posse como funcionário do Banco do Brasil, onde trabalhou até 1997.

Rafael Torrente: "Considero o PC um grande maestro da cultura paranavaiense” (Foto: Fundação Cultural)

Rafael Torrente: “Considero o PC um grande maestro da cultura paranavaiense” (Foto: Fundação Cultural)

Paulo Cesar também foi vereador por dois mandatos, secretário da administração municipal, gerente da Associação Comercial e Empresarial de Paranavaí (Aciap), presidente da Associação Atlética Banco do Brasil (AABB) e vice-presidente do Sindicato dos Bancários, além de presidente da Associação Paranavaiense de Arte e Cultura (Apac) e da comissão organizadora do Femup em 1973.

Mas para a classe cultural de Paranavaí, Paulo Cesar é sempre lembrado como membro-fundador do Teatro Estudantil de Paranavaí (TEP), um dos mais antigos do teatro paranaense, e fundador do Grupo Gralha Azul, importante nome da música regionalista do nosso estado. Músico, poeta, compositor e bacharel em direito, Oliveira compôs mais de 100 músicas ao longo da carreira.

“Ele escreveu, dirigiu e atuou no espetáculo ‘A Hora da Boia’, montado pelo TEP. Recebeu diversos prêmios, inclusive o de melhor ator coadjuvante no Festival Internacional dos Países do Mercosul, realizado em Marechal Cândido Rondon em 1999”, enfatiza Amauri Martineli. Paulo Cesar também escreveu e dirigiu a peça “Bar Copa 70”, montada pelo TEP em 2009 em comemoração aos 40 anos do grupo.

Depoimentos da equipe da Fundação Cultural de Paranavaí

“PC foi de longe um dos melhores presidentes que a Fundação Cultural já teve. Paulinho é da classe, é músico, é poeta, é da gente. Por isso seu comprometimento e seriedade à frente da cultura da nossa Cidade Poesia foi tão importante. Posso afirmar que sua ausência faz parecer que nos falta um braço direito, uma parte de nosso corpo que leva um tempo para nos acostumarmos com sua falta. PC deixa em todos nós marcas indeléveis e inspiradoras. Querido por artistas e não necessariamente artistas, PC deixa sua marca e muitas conquistas para o meio cultural. Para mim, será sempre o nosso presidente de honra.”

Amauri Martineli, presidente da Fundação Cultural de Paranavaí 

“Paulo Cesar foi mais que presidente, administrador e artista. Foi humano ao compreender todo o movimento artístico que faz de nossa Paranavaí a Cidade Poesia. A cultura chegou aos bairros mais distantes e trouxe muitos para perto. Artistas e plateia, inclusive formada por crianças, dividiram o palco inúmeras vezes. O grande pescador que sempre contava histórias ao final de cada reunião com a equipe jogou a rede e trouxe muitas conquistas para a cultura de nossa cidade. Hoje temos festivais que mobilizam artistas de todo o país. Exemplos são os festivais de teatro e dança. Admirado por muitos artistas, será sempre grande inspiração para o movimento cultural de Paranavaí.”

Talise Schneider, gerente de desenvolvimento cultural da Fundação Cultural de Paranavaí

“O Paulo César foi um grande mestre na minha juventude, quando me iniciei no teatro. Anos depois, pude me reencontrar com o mestre durante esses seis anos na Fundação Cultural. Bem, foi uma honra para mim esses dias de convivência, aprendizado e trabalho. Para ele, minha gratidão enquanto artista e agente cultural. Como presidente da Fundação Cultural, promoveu o Movimento Cultural de nossa cidade, assim como já havia feito na sua juventude e durante sua vida em tempos atrás. Não vou mensurar ou destacar aqui suas contribuições. Eu seria injusta com certeza, pois foram muitas. O que quero dizer é que sei de sua luta de anos atrás e sei da sua luta durante esses últimos seis anos. Por isso, agradeço ao mestre PC com minha alma de artista por mais essas lições e pelos caminhos apontados para trilharmos. Siga com sua poesia, mestre querido. Não podemos viver sem ela. Evoé!”

Rosi Sanga, coordenadora da Casa da Cultura Carlos Drummond de Andrade

“Eu acredito que a música é uma ferramenta capaz de formar cidadãos sensíveis e críticos, além de músicos. Assim como um maestro dotado de muita sensibilidade tira o melhor de seus músicos, o PC com sua experiência e sabedoria soube tirar o melhor de sua equipe e assim nasceram projetos incríveis como a banda sinfônica Clave de Luz e os projetos de música nos bairros. Considero o PC um grande maestro da cultura paranavaiense.”

Rafael torrente, coordenador da Escola Municipal de Música Luzia Guina Machado.

Lurdinha: “Meu sonho era trabalhar em uma biblioteca”

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Em Paranavaí, Maria de Lurdes dedicou 26 anos à Biblioteca Júlia Wanderley

Lurdinha: “Sempre gostei tanto daquele lugar que eu até falava com os livros”

Lurdinha: “Sempre gostei tanto daquele lugar que eu até falava com os livros” (Foto: David Arioch)

Em Paranavaí, no Noroeste do Paraná, até o dia 29 de setembro, uma segunda-feira, a rotina da auxiliar de serviços gerais Maria de Lurdes Sousa Silva era acordar às 5h30, chegar à Biblioteca Municipal Júlia Wanderley às 6h40 e preparar o café e o chá às 8h. Tradicionalmente, antes ouvia as notícias da Rádio Cultura e da Rádio Caiuá. “Meu expediente começava às 8h, mas eu fazia questão de chegar bem mais cedo”, comenta Lurdinha, como sempre foi conhecida no trabalho.

Aos 61 anos, a auxiliar de serviços gerais nunca deixou nada passar despercebido. Mesmo no último ano de trabalho, Lurdinha ainda tinha fôlego para limpar a biblioteca, a Fundação Cultural de Paranavaí e o Teatro Municipal Dr. Altino Afonso Costa. “Uma vez fiquei um mês sozinha. Fazia o café da biblioteca e da Fundação Cultural e ainda limpava tudo. Na hora do almoço, para adiantar o serviço, eu cuidava da limpeza dos banheiros”, relata.

A tarde de Lurdinha era dedicada ao Teatro Municipal Dr. Altino Afonso Costa. “Não saía de lá se não estivesse limpo como a minha casa. “Fazia com muito amor e carinho”, garante sorrindo e diz que não se esquece das vezes em que levou água fervendo da biblioteca para a Fundação Cultural. A intenção era ganhar tempo, deixar o cafezinho pronto o mais rápido possível.

Pontual em tudo que faz, Maria de Lurdes almoçava às 11h30, acompanhada da edição do dia do Diário do Noroeste. “Não abria mão disso. Eu ficava doente se não lesse o Diário”, brinca Lurdinha que se tornou muito querida no serviço, onde conheceu bastante gente e fez grandes amizades.

Maria de Lurdes: “Ficava curiosa em ver tanta diversidade nas estantes"

Maria de Lurdes: “Ficava curiosa em ver tanta diversidade nas estantes” (Foto: David Arioch)

Cita como exemplo do bom relacionamento o trabalho colaborativo na limpeza dos camarins do Altino Costa. “Uma colega sempre ajudava a outra, até porque ficamos bem amigas”, comenta e se emociona ao falar que considera os funcionários da Biblioteca Municipal Júlia Wanderley e da Fundação Cultural como parte de sua família.

Só na biblioteca, Lurdinha trabalhou 26 anos. Tudo começou em 1984, quando a Júlia Wanderley funcionava onde é hoje a Câmara Municipal de Paranavaí. “Pedi para a ‘dona Miriam’, mulher do ex-prefeito Pinto Dias, me transferir pra lá porque meu sonho era trabalhar em uma biblioteca. Eu não sabia o que era”, confidencia.

O pedido foi atendido e Lurdinha dedicou 18 anos à Júlia Wanderley. “Mais tarde, me transferiram para o Colégio Municipal Santos Dumont. Depois de quatro anos, voltei para a biblioteca, onde fiquei até me aposentar na semana passada”, explica.

Em tom nostálgico, se recorda com alegria dos tempos em que a Biblioteca Municipal funcionava na Rua Souza Naves, próxima ao Banco Real. “A gente recebia de 150 a 200 alunos por dia. Lá, eu tinha medo de entrar no cofre porque naquele lugar funcionou um banco e um dia um gerente se matou lá dentro por enforcamento”, relata.

Lurdinha passou mais tempo na biblioteca do que em qualquer outro lugar (Foto: Amauri Martineli)

Lurdinha passou mais tempo na biblioteca do que em qualquer outro lugar (Foto: Amauri Martineli)

Ao longo de dez anos, Lurdinha trabalhou aos sábados até as 12h. “Também trabalhei muitos domingos. Isso foi quando não havia internet e os estudantes iam para a biblioteca fazer pesquisas”, justifica e acrescenta que durante a semana a Júlia Wanderley, que chegou a ter dez funcionários, ficava aberta até as 22h para atender a demanda dos estudantes.

O ambiente fez Maria de Lurdes se apaixonar pela leitura. Além de ler nos intervalos, fazia questão de levar revistas e livros para casa. “Ficava curiosa em ver tanta diversidade nas estantes. Comecei a gostar de ler ainda na época das revistas Cruzeiro e Manchete”, destaca e conta que recentemente se encantou lendo o livro “O Menino do Dedo Verde”, do francês Maurice Druon.

Em pouco tempo, aprendeu muito sobre o acervo da biblioteca. Na ausência de alguma funcionária, os frequentadores da Júlia Wanderley tiravam dúvidas com a Lurdinha. “Sempre gostei tanto daquele lugar que eu até falava com os livros. Era uma terapia pra mim ficar em contato com eles”, assegura.

Por muitos anos, Maria de Lurdes Sousa Silva passou mais tempo na Biblioteca Municipal do que em qualquer outro lugar. “Era minha segunda casa. Agora estou numa tristeza muito grande por ter me aposentado. Ainda não me acostumei”, revela.

Sossélla, do concretismo à poesia inominada

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O poeta se inspirava no passado para transpor as barreiras do indizível

Escritor publicou mais de 200 livros (Foto: Reprodução)

Falecido em 18 de novembro de 2003, o escritor Sérgio Rubens Sossélla deveria ocupar posição privilegiada na literatura paranaense. Um dos mais produtivos escritores do Brasil, referência em neoconcretismo e poesia marginal, tem uma bibliografia que ultrapassa 200 livros entre volumes de críticas, poemas, ensaios, crônicas e artigos de jurisprudência.

Muitas das obras de Rubens Sossélla talvez não sejam conhecidas pelo fato do escritor ter adotado uma linha de produção voltada ao autor e não ao público. Exemplos são as semânticas particulares para muitas palavras, principalmente publicar. Para Sossélla, cada publicação se embutia de um sentido paradoxal de ocultação, o que justifica porque preferia imprimir não mais que 100 exemplares de cada obra em vez de grandes tiragens.

Ao lado do amigo e também escritor paranaense Paulo Leminski, com quem cursou direito na Universidade Federal do Paraná (UFPR), Sérgio Rubens se tornou nos anos 1960 um dos grandes nomes da poesia marginal que concisa e objetiva, influenciada por fontes alheias à poesia convencional, buscava inspiração até mesmo longe da literatura.

No entanto, na década de 1970, quando Sossélla já se dedicava à literatura no interior do Paraná, onde exercia a profissão de juiz, começou a se afastar da poesia marginal e do concretismo contrário ao verso, e que privilegiava tanto o apelo sonoro quanto visual.  Se desvinculou de qualquer corrente poética mais formal, assumindo uma posição de artista solitário que se refugiava em uma linha de composição cada vez mais livre, isenta de convencionalismos e mais moderna.

Tanto é que nesse período a poesia experimental do escritor assume uma linguagem mais autoral e se distancia de rótulos, não reflete apenas momentos e, mesmo que criadas como fragmentos, é melhor compreendida em um cuidadoso exercício de interpretação que depende da capacidade de ver os poemas como parte de uma mesma unidade.

Rubens Sossélla se inspirava no passado para transpor as barreiras do indizível, com um esmero estético que remetia à montagem cinematográfica. Exemplos são as obras com justaposição de imagens, páginas em branco, onde poucas palavras ou nenhuma materializam uma cena, um vazio, um silêncio, um distanciamento, um intervalo ou quem sabe uma neutralização.

No final da década de 1980, o escritor revelou em conversa com o cineasta catarinense Sylvio Back que não se preocupava com a circulação das suas obras. Para Sossélla, um poeta alheio ao grande público, a escrita lhe era um exercício de solidão, sem compromisso com os leitores. Tal pensamento conduz a ideia de que para o autor produzir era em primeiro lugar um ato existencial, de sentir-se vivo enquanto ser pensante, numa analogia ao filósofo francês René Descartes.

O pesquisador Marcelo Fernando Lima, professor doutor da Universidade Positivo, de Curitiba, conviveu com o escritor em Paranavaí nos anos 1990 e relata que anexa à residência de Rubens Sossélla conheceu a “Vila Rosa Maria”, uma biblioteca com pelo menos 30 mil obras, inúmeras mesas cobertas pelos mais variados projetos de livros de distintos gêneros. Tudo era feito simultaneamente, e entre uma escrivaninha e outra, o escritor incorporava vários autores, embora não adotasse heterônimos como fazia o português Fernando Pessoa.

Uma das célebres frases de Sossélla versa sobre a sua fonte de inspiração e faz referência aos tempos em que era um jovem freqüentador de cinema nos anos 1950. “Os grandes momentos concentram-se num apagado coadjuvante [que] encarna a coragem dos covardes, a força dos fracos, a revolta dos oprimidos, a consciência dos injustiçados”, escreveu o autor de uma bibliografia fortemente influenciada por um onirismo recheado de brevidade e ironia que o transportava à infância e adolescência.

Na juventude, o cinema o impulsionou a trabalhar com arte, tanto que se tornou crítico literário em jornais de Curitiba e lançou a obra “9 Artigos de Crítica” em 1962. Quatro anos depois, publicou o primeiro livro de poemas. A rotina dividida entre a profissão de juiz e o amor pela escrita se estendeu até 1986, quando veio a aposentadoria e decidiu se dedicar completamente a literatura, atividade da qual jamais se aposentou em mais de 40 anos de dedicação. Marcelo Fernando, estudioso da bibliografia de Sossélla, revela que em 1994 o escritor publicou 23 livros, superando 1995, ano em que produziu 21. Entretanto, o ápice foi em 1997, quando lançou 29 obras.

Fã do ator estadunidense Humphrey Bogart, de quem mantinha um grande pôster na entrada da sua doméstica sala de cinema, o escritor reunia livros sobre filmes, cartazes, roteiros, ensaios e discos de trilhas sonoras. De acordo com Lima, muitos dos livros de Rubens Sossélla têm referências cinematográficas de filmes dirigidos por John Ford, Howard Hawks e Orson Welles, além de personagens interpretados por Bogart, John Wayne, Lee Marvin e Gary Grant. O pesquisador lembra que o fascínio do escritor pelo cinema fez com que certa vez o poeta Cesar Bond qualificasse as obras de Sossélla como legendas de filmes que dependem da cumplicidade do leitor.

Alguns de seus livros mais conhecidos são “Aos Vencedores as Batalhas”, editado e lançado pela Fundação Cultural de Paranavaí; “Tatuagens de Nathannaël”, publicado pela Fundação Cultural de Curitiba; e “A Linguagem Prometida”, viabilizado pela Imprensa Oficial do Paraná. Os demais, ou seja, mais de 200 livros, foram publicados de forma independente, sem qualquer relação com editoras, fundações ou grupos de poetas. Porém, há quem acredite que Sossélla tenha produzido cerca de 370 livros de forma artesanal, como é o caso da poeta Lucy Reichenbach, de Londrina, também estudiosa do trabalho de Sossélla e divulgadora dos poemas do escritor na internet. “Ele me revelou que em apenas um ano escreveu dois mil poemas”, ressalta Marcelo Fernando Lima.

Homenagem no 46º Femup

No dia 15 de novembro de 2011, o 46º Festival de Música e Poesia de Paranavaí (Femup) contou com a apresentação da peça “O Espetáculo Interrompido”, baseada na poesia concreta do escritor e juiz Sérgio Rubens Sossélla, que viveu até os últimos dias de vida em Paranavaí. No elenco, Gislaine Pinheiro, Ramiro Palicer, Graciele Rocha, Marcos da Cruz e Rosi Sanga. A equipe técnico foi formada pelo músico Arnaldo dos Santos, a atriz Bibiane Oliveira e o iluminador Adauto Soares. Após a peça, houve bate-papo com a professora Gersonita Elpídio dos Santos, estudiosa das obras do escritor.

Saiba Mais

Escritor e juiz aposentado do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, Sérgio Rubens Sossélla nasceu em 27 de fevereiro de 1942, em Curitiba. Nos anos 1970, adotou o interior do Paraná como lar. Foi em Paranavaí que em 1986 iniciou o período mais produtivo da carreira literária.

Frase de Sérgio Rubens Sossélla

“O que sou hoje fui aprendendo na penumbra da sala suarenta, com outros no planeta Mongo, nas selvas africanas, nos poços petrolíferos, nas avenidas de Nova Iorque, no fundo dos mares, nos automóveis de corrida, nos bares dos faroestes, nos desertos, nas geleiras e nos pântanos, nas ilhas perdidas, nos bastidores dos teatros, nas redações dos jornais, nos castelos mal-assombrados, dentro dos vulcões, nos ensaios dos musicais, respirando a paixão de Cristo e a tragédia de Judas.”

Fragmento do livro de poemas Tatuagens de Nathannaël

ela atormentou

até as calmarias

de minha infância

penhorei meu relógio

e por isso me tornei

senhor e legítimo possuidor

das horas em que lhe servia

agonizo sem fim

neste inferno em mim

sou um réu sem tempo

com certidões inúteis

quando eu morrer quero ouvir

a nona sinfonia de beethoven

e reler os livros que fiquei

de levar para a ilha inviável

não me reconheço

fora do sonho

Agradecimentos

Professor doutor Marcelo Fernando Lima, de Curitiba.

Poeta Lucy Reichenbach, de Londrina.

Cineasta Sylvio Back, de Blumenau, Santa Catarina.

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A diversidade cultural do cinema

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2ª Mostra de Cinema de Paranavaí exibirá filmes de todas as regiões do Brasil e de Moçambique

Serão exibidas 16 obras de curta, média e longa-metragem

Na sexta-feira, 7, e no sábado, 8, às 20h30, a Casa da Cultura Carlos Drummond de Andrade será cenário da 2ª Mostra de Cinema de Paranavaí (MIC) em que serão exibidos 16 filmes de curta, média e longa-metragem dos mais diversos gêneros. O evento que recebeu obras de todas as regiões do Brasil e de Moçambique é uma iniciativa da Fundação Cultural. A entrada será gratuita.

Para a primeira noite da 2ª MIC está programada a exibição dos filmes “Sonho de Valsa”, de Beto Besant, de Santo André, São Paulo; Loading 66%, de Henrique Duarte, de São Carlos, São Paulo; “Caça-Palavras”, de Pedro Flores da Cunha, de São Paulo, capital; “As Aventuras de Seu Euclides Chegança”, de Marcelo Roque Belarmino, de Aracaju, Sergipe; “Maria Ninguém”, de Valério Fonseca, do Rio de Janeiro, capital; “Foi Uma Vez”, de Renan Lima e Bruno Martins, de São Paulo, capital; “Burguesia”, de Rodrigo Parra, do Rio de Janeiro, capital; “Incelença da Perseguida”, de Silvio Gurjão, de Fortaleza, Ceará; e “Eu Não Faço a Diferença?”, de Henrique Moura, de Paranavaí.

Já no sábado, serão exibidos “A Maldição de Berenice”, de Valério Fonseca, do Rio de Janeiro, capital; “Hr. Kleidmann”, de Marcos Fausto, de São Paulo, capital; “No Oco da Serra Negra”, de Angelo Bueno, Ernesto Teodósio, Pedro Kambiwá e Otto Mendes, de Recife, Pernambuco; “Aos Pés”, de Zeca Brito, de Porto Alegre, Rio Grande do Sul; “Bucaneiro”, de Juliana Milheiro, do Rio de Janeiro, capital; “Do Morro”, de Mykaela Plotkin e Rafael Montenegro, de Recife, Pernambuco; e Chikwembo, de Julio Silva, de Maputo, Moçambique.

Para o presidente da Fundação Cultural de Paranavaí, Paulo Cesar de Oliveira, o cinema brasileiro e africano está muito bem representado na 2ª Mostra de Cinema de Paranavaí pela diversidade de gêneros e também de temas que abordam desde assuntos mais simples e bucólicos até os mais controversos e subjetivos. “Escolhemos filmes que façam com que as pessoas deixem a Casa da Cultura discutindo, repensando o que assistiram”, enfatiza o diretor cultural Amauri Martineli, acrescentando que a 2ª MIC é voltada ao público com faixa etária acima de 14 anos.

Filmes poderão ser enviados a 2ª MIC até o dia 5 de setembro

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Mostra abre espaço para filmes de curta, média e longa-metragem

Nos dias 7 e 8 de outubro será realizada a 2ª Mostra Internacional de Cinema de Paranavaí (MIC) na Casa da Cultura Carlos Drummond de Andrade. Para participar, basta inscrever algum filme de curta, média ou longa-metragem até o dia 5 de setembro, a contar da data de postagem. O objetivo da Fundação Cultural é incentivar a produção audiovisual e também dar visibilidade aos cineastas brasileiros e estrangeiros, amadores e profissionais.

Cada participante pode enviar quantidade ilimitada de trabalhos, no entanto, vale lembrar que ao se inscrever para a 2ª MIC automaticamente é repassado a Fundação Cultural o direito de exibição dos filmes, sejam para fins promocionais da mostra ou divulgação de conteúdo em eventos culturais e educativos. Também será oferecido ao público um ambiente propício a troca de informações.

Nenhum dos trabalhos enviados será devolvido, pois farão parte da videoteca da Fundação Cultural. A inscrição é totalmente gratuita, no entanto, o custeio do envio das obras é de responsabilidade dos realizadores. Os participantes precisam enviar duas cópias de cada trabalho em DVD e no formato DVD acompanhado de encarte que deve conter imagens da obra e sinopse.

Por se tratar de uma mostra não haverá prêmios em dinheiro. Porém, os dez melhores filmes de cada categoria, eleitos por uma comissão julgadora formada por profissionais ligados a comunicação social e ao cinema, receberão certificados de participação. Os trabalhos que não respeitarem o prazo de envio não serão exibidos. Informações sobre a programação e o funcionamento do festival serão publicadas em breve no site da Fundação Cultural de Paranavaí: http://www.novacultura.com.br. Para mais informações, basta ligar para (44) 3902-1128.

O regulamento e a ficha de inscrição podem ser baixados no seguinte endereço:

http://www.mediafire.com/?jm91wgadsf5gpeb

Museu preserva fragmentos da colonização de Paranavaí

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Espaço reúne um acervo de mais de 600 peças doadas por pioneiros

Uma das salas de exposição permanente do Museu de Paranavaí (Foto: Casa da Cultura)

O Museu Histórico, Antropológico e Etnográfico de Paranavaí, que funciona nas dependências da Casa da Cultura Carlos Drummond de Andrade, foi criado em 2007 e deste então se consolidou como importante referência para quem quer aprender um pouco sobre a colonização de Paranavaí, no Noroeste do Paraná

Mantido pela Fundação Cultural, o museu reúne um acervo de mais de 600 peças doadas por pioneiros. A coordenadora da Casa da Cultura, Rosi Sanga, explica que o espaço do museu conta com uma exposição permanente e uma temporária. “Há desde fotografias, objetos do cotidiano, instrumentos de trabalho, da história do café, itens numismáticos, documentos, obras de arte e coleções. É um acervo muito rico”, avalia Rosi, acrescentando que as fotos estão entre os maiores atrativos do museu e chamam a atenção de crianças e adultos.

Para muitos visitantes, principalmente aqueles que viveram o pioneirismo paranavaiense nos anos 1940 e 1950, estar em contato com tantas peças familiares evoca um tempo de muita saudade e nostalgia. “Enquanto as crianças se surpreendem, animadas com os instrumentos usados pelos avós, os mais velhos saem daqui chorando, muito emocionados”, revela a coordenadora, ressaltando que apenas de visitas aleatórias já receberam este ano milhares de pessoas, sem contar os estudantes que frequentam as oficinas da Casa da Cultura. Um dos destaques é a oficina Literarte que atende turmas de crianças e adolescentes no museu com o objetivo de reviver o passado a partir de brincadeiras, histórias e atividades artísticas.

Fotos estão entre os maiores atrativos (Foto: Casa da Cultura)

No Museu de Paranavaí, as peças estão contextualizadas e organizadas por categorias. Há inclusive reproduções de espaços que remetem a um estilo de vida pautado pela luta. Exemplo é uma estrutura montada pela coordenadoria do museu para transmitir às novas gerações a sensação de viver em um rancho no período de colonização. Objetos pessoais e do cotidiano dispostos com esmero num ambiente rústico dão a tônica de uma peculiar fidelidade. Há instrumentos muito bem conservados usados por parteiras e pelos peões que trabalhavam na derrubata de mata.

O Museu Histórico, Antropológico e Etnográfico de Paranavaí funciona de segunda à sexta das 8h às 11h30 e das 13h30 às 17h. Entretanto, caso haja pedidos de abertura em outros dias e horários, Rosi Sanga deixa claro que basta agendar uma data. “A ideia do museu nasceu de uma parceria com a professora doutora Luciana Regina Pomari, do Departamento de História da Faculdade Estadual de Educação, Ciências e Letras de Paranavaí (Fafipa). Desde então, fomos reconhecidos por todos os órgãos representativos nacionais e estaduais”, enfatiza Rosi. O Museu de Paranavaí também está em todos os catálogos e guias de museus do Brasil. Em 2007 e 2008, tiveram o acompanhamento da Coordenação do Sistema Estadual de Museus (Cosem) que ministrou cursos e treinamentos em Paranavaí. Para mais informações, basta ligar para (44) 3902-1049.

Site do Museu de Paranavaí: http://museuparanavai.webnode.com.br/