David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

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Os torneios da Games House

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Compenetrado e tenso, selecionei Blanka, um personagem improvável e até depreciado

De personagem coadjuvante, Blanka foi elevado à protagonista da própria luta (Imagem: Reprodução)

De personagem coadjuvante, Blanka foi elevado a protagonista da própria luta (Imagem: Reprodução)

Na minha infância, houve uma época em que eu ia toda semana até a Games House jogar videogame. Nos finais de semana, lá era o ponto de encontro de dezenas de crianças e adolescentes de Paranavaí que participavam de campeonatos de Street Fighter, Mortal Kombat e Fatal Fury. Os melhores jogadores ganhavam locações de cartuchos ou podiam levar para casa por um final de semana algum videogame de sua preferência.

Eu saía de casa cedo nos dias de torneio. Subia a Rua Sílvio Meira e Sá Bezerra, descia a Cândido Berthier Fortes e virava à direita na Manoel Ribas. Caminhava empolgado, saltava e imitava golpes de lutadores como Dhalsim, Scorpion e Joe Higashi. E o sol contribuía, iluminando meus braços por onde eu passasse, me banhando em fantasia e fazendo eu me sentir imponente. Não era tão anormal quanto pareceria hoje, já que esses jogos eram tão populares que muitas vezes as pessoas reconheciam minhas imitações.

Um dia, eu e meu irmão Douglas descemos correndo pelo gramado da Escola Jean Piaget, simulando uma luta entre Guile e Blanka. Um senhor de aproximadamente 50 anos chamou nossa atenção ao ver a cena. “O brasileiro tem que ganhar nessa. Dá um choque nele, filho! Não pode dar mole pra esses americanos”, disse o homem rindo, movimentando uma velha moeda entre os dedos e andando vagarosamente até a Avenida Juscelino Kubitschek.

Quando chegamos à Games House havia bastante gente. A verdade é que era praticamente impossível encontrar a locadora vazia. Mesmo pequena, era um dos locais preferidos de muitos jovens da minha geração. Me sentia inebriado pelo misto de musiquinhas eletrônicas dos jogos, o que mais parecia aos ouvidos treinados um mashup bem cadenciado de variedades oitentistas e noventistas.

Intrigante também era a olência profusa que tomava conta do ambiente. Aromas de hortelã, menta, cereja, melancia, uva e tutti-frutti se enleavam, proporcionando uma experiência sui generis de sensações. Dentro da locadora, esquecíamos completamente do mundo que existia lá fora, já que tínhamos o nosso próprio, formado por uma grande família de amigos, conhecidos e desconhecidos unidos por horas de diversão.

Era difícil circular em meio a tanta movimentação, mas pouco nos importávamos. Era como se a natureza de nossa realidade não pudesse ser menor do que aquela. A beleza subsistia na entropia, na grazinada, no eco de nossas ações que reverberavam a completude da justa desordem das coisas. Falar, rir, gritar, zombar, pular, agachar, sacolejar, dançar – tudo era permitido desde que o respeito não fosse substituído pela alarvaria.

Ao meu redor, eu observava rostos juvenis com expressões absortas, espontâneas, caricatas e difusas; dignas do expressionismo de Lang, Murnau e Wiene. A motivação? Uma luta entre Ken e Zangief. Segurando o controle com paroxismo, Hélio nem piscava sentado em uma cadeira de madeira.

Mantinha os olhos agigantados em direção à tela de um televisor de caixa cinérea de 21 polegadas. Assim que o Zangief de Beto deu um pilão giratório em Ken, quase o eliminando do torneio, Hélio se levantou e levou seu lutador até o canto esquerdo. Respirou fundo, ignorou as bolhas dos polegares e, com mãos trêmulas e suadas, venceu o adversário com uma sequência de hadouken e shoryuken; sim, com punhos flamejantes.

Para comemorar, levantou uma latinha de 7 Up e tomou um gole enquanto recebia congratulações, reclamações, leves tapinhas nas costas e na cabeça. Menos competitivo e mais circunspecto, Beto também foi elogiado, apesar do sarro tradicional. Calmo, se levantou, sorriu e declarou: “Quem não perde, não aprende a viver, diz meu pai.” Então caminhou até um expositor de jogos de Super Nintendo e começou a ler os encartes.

Quando chegou a minha vez de jogar, sentei na mesma cadeira de Beto e observei que o movimento na locadora tinha aumentado ainda mais. Notei a presença de muitas garotas da minha idade, o que não era tão comum em dias de torneio. Compenetrado e tenso, selecionei Blanka, um personagem improvável e até depreciado por uma maioria que o via como um vilão exatamente pelo seu aspecto carrancudo e burlesco. Eu não! Blanka pra mim representava um contraponto, um anti-herói que mais parecia uma versão brasileira do Hulk.

“Putz, pegou logo o Blanka! Vai apanhar fácil…”, comentou Bruno, campeão do último torneio, que selecionou Ryu, o favorito de sete entre dez garotos que frequentavam a Games House. A escolha do personagem já garantia uma plateia cativa que assobiava, ria e motivava o adversário. Eu seguia na contramão da obviedade, com menos torcedores. O fato de ter tanta gente apostando em Ryu aumentava a minha motivação, me fazia querer vencer mais do que nunca. Não me preocupava a ideia de mais tarde ser eliminado do torneio, mas eu precisava provar que o meu personagem não era inferior.

Apanhei bastante no primeiro round, o que fez muita gente crer que a derrota seria iminente. Bruno tinha um estilo de jogo que privilegiava os mesmos dois golpes de sempre, o que entre meus amigos era chamado de “apelão”. Ele inclinava o corpo pra frente, se aproximando mais da tela, emitia sons miméticos com a boca e mudava de posição frequentemente, alegando que o televisor era muito pequeno para projetar seu talento. Bruno era um showman mirim.

Mais reservado, eu jogava calado, mordendo furtivamente os lábios quando me sentia encurralado. No segundo round, o nível de confiança do meu adversário subiu demais e num átimo de epifania descobri como neutralizar seus golpes mais certeiros. Blanka já não apanhava mais e sua defesa se tornara intransponível. De personagem coadjuvante, foi elevado a protagonista da própria luta. Na minha cabeça ecoava de antemão sua frase clássica: “Now you realize the powers I possess!”, seguida por uma eclética sequência de golpes altos e rasteiros que incluíam electric thunder, lightning cannonball e outros três tipos de ataques de rolamento.

Ryu foi castigado nos dois rounds seguintes, ganhando um curioso aspecto toldado e carunchento. Blanka? Não! Parecia mais fornido, refulgente e faustoso, como se renascesse para provar naquele momento o seu valor subestimado pela sua fisionomia grosseira. “Acho que a pele dele agora tá bem mais verde e o cabelo mais laranja”, “Tá enorme! O Ryu ficou franzino perto dele!”, “Que força insana!”, “Louco demais esse Blanka!”, “Parece que tá possuído de tão forte!”, comentavam crianças e adolescentes da plateia.

A minha vitória, a mais importante de Blanka no torneio, foi selada com um choque elétrico que fez o favorito Ryu desfalecer no canto esquerdo da arena de tábuas velhas. Assim que Blanka comemorou com várias cambalhotas no ar, um repentino silêncio tomou conta da locadora. Bruno ficou calado olhando para o televisor, sem acreditar no que aconteceu. Meu irmão Douglas e alguns amigos gritaram: “Blanka! Blanka! Blanka! Blanka!”

Discreto, só me levantei e sorri, sem dizer palavra, enxergando a presença de novos espectadores na entrada da Games House. Eliminado, Bruno coçou os olhos, tentou disfarçar a decepção, mas levou quase um minuto para soltar o controle do Super Nintendo e aceitar a derrota. Foi minha última vitória naquele dia. Eliminado na semifinal por um Dhalsim mais atilado, não lamentei.

Sem grande alarde, comemorei o fim da hegemonia Ryu, Ken e Guile, celebrada com o triunfo de um pachorrento e engenhoso E. Honda comandado por Augusto, garotinho também subestimado que se identificava com a forma física do lutador de sumô. “Hoje eu sou E. Honda e E. Honda sou eu. Só me resta sorrir diante do meu raro apogeu”, poetizou com simplicidade o campeão, um filho de argentinos que adorava ler “Discurso do Urso”, de Julio Cortázar.

Quando Alex Kidd nos inspirou a viver

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“Por um momento, quis ser admirado por explodir tijolos e saltar sobre balões vermelhos”

"Pensamos em prender Pozinho no guarda-roupa para jogarmos Alex Kidd por algumas horas" (Foto: Reprodução)

“Pensei em prendermos Pozinho no guarda-roupa para jogarmos Alex Kidd por algumas horas” (Foto: Reprodução)

A primeira vez que joguei videogame foi em 1988, quando meus pais trouxeram para casa um Atari 2600. O ligávamos em uma TV com caixa de madeira de 21 polegadas. Eu achava o controle engraçado porque me lembrava o estribo de uma bicicleta na posição vertical. No dia do teste, minha empolgação era tão grande que eu não conseguia parar de sorrir. Parecia o Animal do desenho animado Muppet Babies. Também tive uma repentina crise de comichão que só desapareceu depois de 30 minutos jogando Enduro. Para mim, aqueles carrinhos que mais se assemelhavam com aranhas deformadas representavam a mais fidedigna perfeição. “Olha, Douglas! Legal demais, né? Tem até disputa na neve”, comentava com meu irmão mais velho.

Depois de Enduro, conhecemos uma infinidade de outros jogos, como River Raid, H.E.R.O, Keystone Kapers, Space Invaders, Pac-Man, Pitfall, Boxing, Ice Hockey, Freeway, Sneak ‘n Peek, Spider-Man, Adventure, Donkey Kong, Skiing e Mario Bros. O que facilitava o acesso eram os cartuchos multijogos. A maior diferença de se jogar Atari quando o videogame ainda estava no auge era a oportunidade de ver as reações de crianças, adolescentes e adultos. Não era difícil testemunhar pessoas chorando de alegria ao jogar pela primeira vez. O videogame também funcionava como um tipo peculiar de “medidor de solidariedade”. Ou seja, você podia perceber facilmente quem eram seus amigos, colegas e conhecidos mais egoístas. Alguns chegavam a chamar vizinhos apenas para assistir aos jogos, sem oferecer qualquer possibilidade dos convidados encostarem as mãos em um controle.

Participei de um episódio assim na casa do garoto mais rico do meu bairro em 1989. Detentor de um Master System novinho, ele fez questão de chamar a minha atenção e a de mais outras seis crianças. Na tarde daquele dia, brincávamos de esconde-esconde nas imediações de um terreno baldio perto da minha casa, na Rua Pernambuco, em Paranavaí. “Olha, meu pai trouxe pra mim dos Estados Unidos o melhor videogame do mundo. É um Master System. Hum…aposto que nunca ouviram falar dele, né? É muito, muito melhor do que o seu Atari. Quem quiser pode ir lá em casa daqui meia hora que vou mostrar como ele é perfeito”, disse o menino. Imediatamente, sem se despedir, virou as costas e foi embora.

Na hora, nem me importei com o tratamento dado pelo garoto. Ignorei a sua altivez, arrogância e pedantismo. Me preocupei apenas com as palavras Master System. A princípio, o resto foi descartado como se eu jamais tivesse ouvido qualquer outra frase saída de sua boca descarnada. Aquele nome mexeu tanto com a nossa imaginação que paramos de brincar de esconde-esconde. Sentamos no meio-fio e comentei em tom de contemplação: “Master System parece um nome bonito, né? Maaa…sss…teer…Syyysss….teeem. Aaaah, mas será que existe coisa melhor que Atari? Atari é Atari!” Na nossa turma de jovens de quatro a sete anos, todo mundo concordou. Alguns balançaram a cabeça e outros emitiram apenas um monossilábico “aham” seguido por risos. Chegada a hora, fomos até a casa do “Pozinho”, um apelido oculto que atribuímos àquele garoto que vivia no palacete branco da esquina. Como passamos boa parte da tarde brincando de esconde-esconde, escalando árvores e atirando com pistolas de água, não estávamos bem limpos.

Quando chegamos à esquina, do alto de seu quarto, contíguo a uma sacada romanesca, Pozinho nos observou com um olhar displicente e sobranceiro. Talvez nos enxergasse como formigas obreiras que estavam ali para cultuá-lo, levá-lo ao êxtase com nossa inferioridade reafirmada na falta de acesso a um videogame, um objeto de desejo recém-despertado em nós por ele mesmo, na gana de tentar ferir nossos sentimentos. Sim, lá em cima estava uma criança de seis anos, mas com anseios perniciosos tão sobressaltados que despertava admiração até em adolescentes celerados. Assim que Pozinho se afastou da janela, fiquei na ponta dos pés para acionar o interfone. Martinha, uma senhora negra, alta, simpática e de pele reluzente que trabalhava como empregada doméstica na casa há mais de 20 anos, destravou o portão. Quando coloquei meus pés sobre um tapete felpudo dourado que ornava o antepasso da sala, percebi como meu tênis chinesinho branco estava demasiado sujo.

Os cadarços encardidos me deixaram constrangido ao ver tudo brilhando no interior daquele cômodo. Um aroma suave e cítrico, simbolizando a mais devotada das limpezas domésticas, amplificava o meu pré-remorso. “Que vergonha! Ela limpou aqui agora”, pensei comigo mesmo. No canto, um vaso grande com lírios-da-paz, uma das plantas preferidas da minha mãe, realçava ainda mais o perfume do ambiente. Ao ver minha hesitação, Martinha disse que não tinha problema nenhum. “Entre, menino! Não vão ser seus pés miúdos e menores que a palma da minha mão que vão atrapalhar o meu trabalho. Pode ficar sossegado!”, garantiu ela com um sorriso tão confortável que fez sucumbir o meu mal-estar.  Na mesma esteira, seguiram-me as outras crianças. Martinha então nos levou até o quarto de jogos do Pozinho, situado no terceiro piso.

Éramos como os sete anões seguindo os comandos de Martinha, a nossa laboriosa Branca de Neve nos guiando aos aposentos da Rainha Grimhilde. Antes de abrir a porta e se despedir, ela recomendou que ignorássemos o jeito grosseiro e a metidez do juvenil patrão. Assim que entramos, Pozinho nos deu uma olhadela e comentou: “Todos vocês vieram? Certo! Só não fiquem muito perto de mim nem da TV porque preciso de espaço pra me concentrar.” Olhamos uns aos outros e seguramos o riso com as mãos, ignorando nossas unhas com resíduos de terra e de cascas de árvore. Sem perceber nossa reação, o garoto ligou o videogame e se acomodou em uma confortável poltrona inclinável que trazia uma etiqueta com a bandeira dos Estados Unidos. Ao alcance de sua mão direita, havia uma bandeja com Dadinho, Ice Pop, balas Fizz, pirulitos do Zorro, 7 Up e Sukita.

Ensaiando uma centelha de educação, sugeriu que sentássemos onde quiséssemos. Não havia lugar para todo mundo, então fomos todos para o chão. Em poucos minutos, nos mostrou Alex Kidd, um jogo de plataforma em que um garoto orelhudo destrói pedras com os punhos. Nossos olhos brilhavam ao ver tantas cores em um game. O que era aquilo? Quem era aquele herói cabeçudo serpenteando por bosques e cavernas? Pensei que estivesse sonhando. Quis morar naquele quarto para sempre. Não! Por um momento, quis viver dentro do jogo, sendo admirado por explodir tijolos e saltar sobre balões vermelhos. Como o jogo estava em inglês, Pozinho fez questão de dizer sem base alguma que ele entendia tudo e nós não entendíamos nada.

O ignoramos e trocamos olhares maliciosos. Nos comunicamos muito bem sem precisar abrir a boca. Havia um desejo unânime, não verbalizado, de tapar a boca de Pozinho com esparadrapo e trancá-lo dentro do guarda-roupa. Jogaríamos Alex Kidd por algumas horas e então o soltaríamos. Sim, na teoria parecia plausível. Só que a realidade era muito diferente. Não tínhamos coragem, nem achávamos aceitável fazer algo assim. Fabiano e Mariana, dois da nossa turma, não resistiram, se levantaram e pediram para jogar. Pozinho desdenhosamente declinou a proposta com um olhar de desprezo seguido por uma careta de nojo. A negativa os emocionou sobremaneira que ao longe se podia notar a transparência e o aspecto orvalhado de seus olhos. “Rá! Até parece! Chamei aqui só pra vocês passarem vontade mesmo. Agora podem sair daqui. Tchau!”, declarou sem velar o sorriso sardônico e a intenção capciosa.

Nos levantamos, abrimos a porta e descemos os degraus. Olhei para trás e mais uma vez ele estava nos observando. Se regozijava com a nossa pequenez, já que a sua anormal baixa estatura para alguém de seis anos não permitia tal comportamento tão empertigado quando estávamos de pé diante dele e sobre o mesmo piso. Para quebrantar sua satisfação, acenei, sorri e agradeci o convite. Lá embaixo, a iluminada Martinha nos aguardava com doces e refrigerantes. “Olha o que separei pra vocês. Coloquem em seus bolsos ou escondam em suas roupas e vão com Deus”, sugeriu numa despedida afetuosa. De volta ao meio-fio, entre goles de Soda Limonada, dividimos sorvete fura bolo, arrozinho em flocos, azedinho de morango e balas. Ao escurecer, fomos para casa. No dia seguinte, eu soube que três amigos adoeceram de tanta vontade de jogar Alex Kidd no Master System. Ficaram febris e passaram dias sem consumir alimento sólido.

Irritado, me senti tentado a retornar à casa de Pozinho para destruir o seu videogame a marteladas. Consegui me controlar e também evitei de contar a algum adulto o que aconteceu. Ninguém da nossa turma relatou nada. Uma semana depois, já não nos importávamos muito com o Master System. Continuamos jogando Atari, realizando pequenos torneios de jogos de corrida e luta. Quando enjoávamos, saíamos para escalar árvores, colher frutas ou brincar de esconde-esconde, pega-pega e “balança, caixão”. Em frente à Sanepar, subíamos em um muro alto que permitia uma visão privilegiada da baixada do Jardim Paulista, onde mais tarde desceríamos com carrinhos de rolimã.

Azul e límpido ou enuviado e chovediço, o céu nunca nos mostrou limites, assim como as sibipirunas, os ipês, as sete-copas e os jamelões que se refaziam conforme as estações do ano. Os muros e as escadas cada vez maiores também reconduziam nossas aventuras. As novas construções instigavam nossas visitas tanto quanto as casas e os barracões abandonados. Cães de diversos tamanhos ainda nos perseguiam, não por maldade, mas porque no dia a dia eles eram personagens dos jogos de plataforma que eram nossas vidas. No final de 1989, Pozinho ainda me observava ao longe. Tentando me provocar, um dia balançou o controle retangular do Master System para fora da sacada do seu quarto. O cumprimentei e sorri brevemente. Não, não quis ser irônico. Senti pena e compaixão ao ter certeza de que enquanto ele simulava ser um personagem aventureiro de um videogame, nós éramos felizes por sermos os Alex Kidd do mundo real.

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