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O assassinato de Raphael Azambuja na Areia Branca do Tucum

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Amigo de Leonel Brizola e primo de Erico Verissimo, empreendedor foi assassinado em 1962 durante negociação de terras na região de Paranavaí

Alan Azambuja: "Desferiu cinco tiros à queima-roupa contra meu pai, um homem de bem e que andava desarmado." (Foto: Acervo Familiar)

Alan Azambuja: “Desferiu cinco tiros à queima-roupa contra meu pai, um homem de bem e que andava desarmado” (Foto: Acervo Familiar)

Em 1962, o empreendedor gaúcho Raphael Verissimo Azambuja costumava vir a Paranavaí, no Noroeste do Paraná, pelo menos uma vez por mês para comprar terras e investir no desenvolvimento da Gleba Areia Branca do Tucum, às margens do Rio Paraná. Sempre telefonava do Rio Grande do Sul pedindo que o gerente da Reta Táxi Aéreo, Augustinho Borges preparasse um avião para levá-lo até o local.

“Ô Augustinho, e no domingo, tal hora, você me pega lá pra eu tomar o avião da Varig para o Rio Grande do Sul, mas antes ligo confirmando”, lembra Borges, reproduzindo as palavras de Azambuja na primeira semana de julho de 1962. O então gerente estranhou que o final de semana terminou e não recebeu nenhum telefonema de Raphael Verissimo.

Na segunda-feira de manhã, logo depois de levar alguns pilotos e passageiros para o Aeroporto Edu Chaves, o telefone tocou. Era o governador do Rio Grande do Sul. “Ô meu jovem, é o seguinte: Falei com a diretoria da Reta em Londrina e eles recomendaram que eu entrasse em contato com você. Preciso que me faça um grande favor”, disse Leonel Brizola.

O governador explicou que o seu amigo Raphael Verissimo Azambuja foi assassinado no sábado. “Perguntei o que ele queria que eu fizesse. ‘Olha, arruma o corpo, põe dentro do avião e manda ele pra mim. Pago todas as despesas aqui’”, prometeu Brizola após detalhar a situação.

Surpreso com a educação e cordialidade do governador que preferiu resolver tudo por conta própria em vez de transferir a responsabilidade para alguém, Borges se tornou fã do político. “Levei um susto. De todos os homens públicos com quem conversei até hoje, o Brizola foi o que mais se destacou pra mim. Tinha grandes valores e conversava com todo mundo de igual para igual”, justifica Augustinho Borges.

De acordo com Augustinho Borges, Azambuja era um sujeito excepcional, de caráter inquestionável (Foto: Amauri Martineli)

De acordo com Augustinho Borges, Azambuja era um sujeito excepcional, de caráter inquestionável (Foto: Amauri Martineli)

Naquele tempo, Azambuja tinha uma fazenda que ficava próxima a Nova Londrina e Marilena. Acostumado a viajar pela região, o empreendedor de 53 anos não imaginava que seria assassinado por um amigo na manhã do dia 7 de julho de 1962. A traição aconteceu quando o homem percebeu que as terras que vendeu a Raphael Verissimo conquistaram um bom valor de mercado em pouco tempo. “O sujeito de sobrenome Volpato ficou enciumado e desferiu cinco tiros à queima-roupa contra meu pai, um homem de bem e que andava desarmado”, afirma Alan Verissimo Azambuja.

Sobre o episódio, o conceituado escritor Erico Verissimo declarou que a discussão começou quando o suposto amigo de Azambuja exigiu um reajuste de preços por compensação. “Meu primo disse que o negócio estava feito e pronto. Quando se recusou a concedê-lo, o outro meteu-lhe vários balaços no corpo, matando-o quase instantaneamente”, escreveu Verissimo na biografia Solo de Clarineta, lançada em 1973.

De acordo com Augustinho, Azambuja era um sujeito excepcional, de caráter inquestionável. No entanto, foi iludido pela própria ingenuidade, pois não sabia que a Gleba Areia Branca, nas imediações do Porto São José, tinha uma das piores famas do Paraná. “A demanda de terras naquele lugar era tão grande quanto a criminalidade. Era violência em cima de violência. Pra você ter uma ideia, meus parentes moravam lá e chegavam a juntar sacos de cápsulas de balas”, confidencia Borges.

Após o crime, os funcionários da fazenda de Azambuja encaminharam o corpo para uma funerária de Nova Londrina. De lá, Augustinho o trouxe a Paranavaí, onde preparou um quadrimotor de Havilland DH.114 Heron para 16 passageiros. “O avião tinha o apelido de Constellation Baiano. Aluguei ele com piloto e copiloto para levar o caixão porque naquela época não tinha aeronave própria pra esse tipo de transporte”, explica Borges que contou com a ajuda da Star Taxi Aéreo, de Londrina.

Erico Verissimo: "“Comprou terras de um sujeito de maus bofes que ele, Raphael, na sua boa-fé, julgava seu amigo" (Foto: Acervo Familiar)

Erico Verissimo: “Comprou terras de um sujeito de maus bofes que ele, Raphael, na sua boa-fé, julgava seu amigo” (Foto: Acervo Familiar)

Como não podia se ausentar do trabalho, Augustinho relatou a situação para o Major Valle, responsável por comandar o trabalho policial na região de Paranavaí. “Falei que veio um pedido do Brizola para que o major acompanhasse o transporte do corpo. Então o comandante contou que tinha medo de andar de avião, tanto que nunca entrou em um”, destaca.

Para convencer o Major Valle a embarcar na aeronave, Borges o levou até um boteco em frente ao Aeroporto Edu Chaves. Lá, garantiu que o homem ganharia coragem depois de tomar algumas doses de uma pinga com cascavel. “O couro da cobra chegava a balançar no fundo da garrafa. Consegui arrumar tudo e coloquei ele dentro do avião. Mas, rapaz, quando era mais ou menos 6h recebi um telefonema”, enfatiza.

Augustinho despertou com os berros do Major Valle. O homem gritava: “Filho da puta, você vai me pagar quando eu chegar aí. O avião pegou fogo na descida, perto de uma mangueira. Esfumaçou tudo!”, recorda Borges às gargalhadas. Apesar dos imprevistos, o comandante cumpriu a missão. Em Porto Alegre, entregou o corpo de Raphael Azambuja para o governador Leonel Brizola que o agradeceu pessoalmente e cobriu todas as despesas.

Ainda assim, o Major Valle se recusou a voltar de avião e embarcou em um ônibus. Chegou bravo em Paranavaí, mas se acalmou e convidou Augustinho para tomar chimarrão. “Só me deu uns tapas na cabeça por ter que ficar mais de oito horas passando medo dentro da aeronave”, conta sorrindo.

Azambuja queria transformar o Noroeste no celeiro do Brasil

Segundo o filho Alan Verissimo Azambuja, Raphael Verissimo Azambuja acreditou tanto no desenvolvimento da região de Paranavaí que abriu mão de ser ministro da agricultura quando o amigo João Goulart assumiu a presidência do Brasil. “Mesmo com os apelos dos mais próximos, meu pai preferiu dedicar-se integralmente ao grande projeto de sua vida que era transformar o Noroeste do Paraná no celeiro do Brasil. Seu empreendimento colonizador ia de vento em popa”, assinala.

Raphael Azambuja se casou com Marion Mitterling, sobrevivente da Segunda Guerra Mundial e da Ocupação Soviética na Romênia (Foto: Acervo Familiar - 1958)

Raphael Azambuja se casou com Marion Mitterling, sobrevivente da Segunda Guerra Mundial e da Ocupação Soviética na Romênia (Foto: Acervo Familiar – 1958)

No livro Solo de Clarineta, de 1973, o escritor Erico Verissimo narrou que nos últimos anos de vida a atenção e energia de Azambuja se voltaram para a região de Paranavaí. “Comprou terras de um sujeito de maus bofes que ele, Raphael, na sua boa-fé, julgava seu amigo. Organizou loteamento de terras e fez ruas com entusiasmo e esperança. Quando nos encontrávamos, me expunha seus planos para o futuro: novas cidades, fundação de um banco e construção de um grande edifício. Acreditou sempre no futuro do Brasil e costumava lançar longe o dardo de seus bem arquitetados sonhos”, registrou Verissimo, falecido em 1975.

No livro, o escritor relata que de uma das janelas da casa onde morava em Cruz Alta, no Rio Grande do Sul, avistava o cemitério onde o corpo do primo foi enterrado. “Raphael, assim como tantos outros amigos, como a minha própria mãe, na realidade não se encontra em seu túmulo. Com maior ou menor intensidade, continua ainda vivo dentro de mim. Por um desses milagres da memória, eu o tenho sempre ao meu lado”, poetizou.

Raphael Verissimo coordenou as campanhas de Brizola

Raphael Verissimo Azambuja nasceu em Cruz Alta, no Rio Grande do Sul, em 1º de março de 1909. Nos anos 1940, trabalhou como assistente do ministro João Alberto de Lins e Barros e desempenhou os cargos de chefe do Setor do Abastecimento Nacional e do Serviço de Fiscalização de Preços do governo federal. Atuou também na chefia de propaganda do Partido Social Democrático (PSD). À época, chegou a receber uma carta de agradecimento do presidente da República, Eurico Gaspar Dutra.

Em 1947, quando estava hospedado em um hotel em frente a um lago em Velden am Wörther See, na Áustria, Azambuja conheceu a jovem Marion Mitterling, antes chamada Doina Sturza. Era uma jovem romena que perdeu pai, mãe e seis irmãos na Segunda Guerra Mundial e na Ocupação Soviética da Romênia.

Marion trabalhava como assistente da rainha da Bélgica e estava de férias na Áustria no mesmo período em que Raphael Verissimo chefiou uma missão diplomática de seleção de estrangeiros dispostos a se mudarem para o Brasil. “Ele a convidou para um passeio de barco a remo e ela aceitou. Assim começou um grande romance”, frisa Alan Verissimo Azambuja, o primeiro filho, nascido em 1948.

Em 1950, o casal deixou Salzburgo, na Áustria, e se mudou para o Rio de Janeiro, onde Raphael Azambuja trabalhou no Ministério da Agricultura. Em 1955, se tornou chefe do jornal O Clarim, de Porto Alegre, e coordenador das campanhas eleitorais de Leonel Brizola.

A partir de 1956, desempenhou muitas atividades. Comandou o Departamento de Administração e Finanças do Instituto Nacional de Imigração e Colonização e, atendendo a um pedido do governador Brizola, assumiu a Comissão Interestadual para Estudos dos Problemas da Bacia Paraná-Uruguai. “Em 1960, ele foi chefe de assessoria técnica do Ministério da Agricultura e no ano seguinte o nomearam como ministro interino”, cita Alan Azambuja.

Um gaúcho à frente do seu tempo

Um gaúcho à frente do seu tempo é a expressão que melhor define o perfil de Raphael Verissimo Azambuja. “Foi o primeiro sujeito em Cruz Alta [no Rio Grande do Sul] a sair à rua sem chapéu, chocando os nativos. ‘Que desaforo!’, ‘Que desrespeito para com as famílias!’, exclamavam as comadres”, escreveu o primo e escritor Erico Verissimo na biografia Solo de Clarineta.

Azambuja era conhecido como um sujeito questionador, que herdou a inteligência do pai e a vivacidade e capacidade de fazer amigos da mãe. “Ganhou dos dois a coragem para opinar. Nunca deixou de manifestá-la livremente. Era ávido leitor e quando se tornou homem maduro passou a acreditar na vida e na capacidade do ser humano de traçar o próprio destino”, testemunhou Erico Verissimo na obra.

Nos bailes, desde a mocidade atraía atenção pelo costume de dançar com todas as moças menos desejadas. “Ele as enlaçava e saia a rodopiar pelo salão. Dizia coisas agradáveis. Fazia elogios à beleza ou à elegância. Em suma, tornava-as felizes”, declarou o escritor que também fez menção à maneira impecável como o primo se vestia. Azambuja era habilidoso para escrever, mas nunca pensou em dedicar-se à literatura.

Frase de Erico Verissimo sobre o primo Raphael Azambuja

Desde mocinho revelara uma grande generosidade, dessas que se manifestam nas menores coisas.”

Agradecimento especial

Alceu O. Annes, autor da Genealogia dos Annes Verissimo – material que serviu como principal fonte de pesquisa para a elaboração da reportagem.

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A trágica história de João Levinho

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Um grande jóquei que teve um triste fim como andarilho

Levinho foi encontrado morto na área rural de Marilena (Foto: Reprodução)

O roraimense João Ortino Moreira, conhecido como João Levinho, foi um jóquei que teve a carreira interrompida em Boa Vista, Roraima, em 1952, e veio ao Noroeste do Paraná a pé, fixando residência em Paranavaí. Mais tarde, se tornou agricultor, mas devido a algumas desilusões abandonou tudo e passou os últimos dias de vida vagando como andarilho pela região.

João Levinho nunca conheceu os pais. Em 1929, foi abandonado numa sarjeta da periferia de Boa Vista seis meses após o nascimento. Dizem que no mesmo dia a proprietária de um prostíbulo o recolheu e lhe deu abrigo até os cinco anos, além de registrá-lo.

“Um dia, Levinho foi chamar a mulher pela manhã e a encontrou morta, estirada sobre a cama. Parece que teve um ataque cardíaco. Quando ouviu as garotas da casa falando que deveriam entregá-lo à polícia, ele se assustou e fugiu”, relata o aposentado Juraci Martins que conheceu João Moreira em um bar em 1955.

Afastou o frio e a fome cheirando cola de sapateiro

Levinho não teve infância. Enquanto as outras crianças brincavam, o garoto andava pelas ruas procurando restos de alimentos no chão e em latas de lixo. Para afastar o frio e a fome, muitas vezes recorreu a um tipo de cola de sapateiro que os companheiros de rua partilhavam. Costumava passar a noite em um terreno baldio. Pulava o muro e dormia enrolado em folhas de bananeira. “Falou que se sentia protegido assim. Quando tinha uns 12 anos, Levinho conheceu Orlando de Maria, um comerciante que o ajudou”, conta Martins.

O homem levou João Moreira a um clube de hipismo, onde lhe mostrou as corridas de cavalos. Foi aí que surgiu a oportunidade de se tornar um jóquei e o garoto aceitou. O pequeno e leve João se destacou, demonstrando talento para o esporte. Até os 22 anos, conquistou títulos que renderam bastante prestígio nas regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil.

Com uma carreira de sucesso, surgiram melhores oportunidades, mas Levinho não aceitou nenhuma, pois tinha uma dívida de gratidão. “O João continuou vivendo em Boa Vista e dividia tudo que ganhava com o comerciante”, explica o aposentado. Numa noite de 1952, Orlando de Maria foi assassinado a tiros por um apostador na saída do clube de hipismo, após mais uma vitória de Levinho.

Assustado, Moreira recebeu a recomendação de ir embora de Boa Vista. Partiu para Belém, no Pará, a pé, só com a roupa que estava usando e um anel de ouro que tinha uma pequena pedra no formato de um cavalo – presente do comerciante. Lá, Levinho ouviu a conversa de dois homens na saída de um bondinho. “Falavam de um lugar no Paraná pra onde as pessoas estavam indo, algo como ‘Paraivaí’ ou ‘Paranaivaí’”, diz Martins, reproduzindo as palavras de Levinho. Moreira, que nem sabia onde ficava o Sul do Brasil, decidiu encarar a aventura e tomou a decisão de vir ao Paraná.

Atravessou rios e matas para chegar a Paranavaí

A viagem toda foi percorrida a pé porque antes de João Moreira deixar Boa Vista o rapaz fez uma promessa de nunca mais depender de ninguém para alcançar qualquer objetivo. “Levinho andou mais de cinco mil quilômetros, atravessou rios e matas. Queria provar a si mesmo do que era capaz”, justifica Juraci Martins. Antes de completar metade do trajeto, João Ortino estava quase descalço, com a sola do sapato completamente gasta. Então Levinho improvisou um calçado feito de chapa de madeira, borracha e barbante.

Andou mais centenas de quilômetros até chegar a Ponta Porã, no Mato Grosso. Lá, Moreira dormia sob um banco de praça quando foi surpreendido por um ladrão que tentou arrancar-lhe o anel do dedo. Levinho resistiu e levou duas facadas, uma na perna e outra no braço. Ainda assim preservou o seu único bem material. Em vez de ir a um hospital, conseguiu uns pedaços de tecido e um pouco de pó de café num armazém e os usou para estancar o ferimento.

Algumas semanas mais tarde, já recuperado, prosseguiu viagem. “Quando chegou na divisa com o Paraná era de madrugada. Levinho viu uma canoa encostada, a desamarrou e atravessou o Rio Paraná”, narra o amigo. Quando se sentia cansado, para não ser surpreendido por animais selvagens, dormia quase no topo das árvores, preso à corda que antes estava amarrada à canoa. “O João a usava para evitar que caísse da árvore durante o sono”, comenta Martins. Levinho chegou a Paranavaí cinco meses depois que deixou Boa Vista.

Abandonou tudo em 1965

Na cidade, conheceu um migrante português que estava de partida para Londrina, no Norte Central Paranaense. O homem ofereceu uma chácara em troca de 50% dos rendimentos. Levinho hesitou por um instante, mas aceitou a proposta. Na propriedade situada na saída de Paranavaí, o roraimense construiu um rancho. Para investir na propriedade, trabalhou como peão na derrubada de mata. “João Levinho comia só uma vez por dia pra guardar dinheiro pra investir na cafeicultura.  Conseguiu uma fazenda de café em menos de dez anos”, enfatiza o aposentado.

Moreira se casou em 1957 com uma moça de origem polonesa. O relacionamento foi mantido até 1965, quando descobriu que a mulher o traía. Um ano antes já tinha vivido uma tragédia. Os três filhos de Levinho, que tinham entre três e seis anos, estavam brincando quando foram atropelados por um caminhão carregado de café que ia para o Mato Grosso. “A traição foi o estopim. Ele abandonou tudo, fugiu de casa. Procurei por toda parte, mas não o achei em canto nenhum”, garante Juraci Martins.

Após o Natal de 1968, um caminhoneiro, amigo do aposentado, informou que um homem com as características de João Moreira foi visto nas imediações de Marilena, a 70 km de Paranavaí. Martins percorreu a localidade por horas, até que viu um homem deitado sobre um capinzal, às margens de uma estrada que dava acesso à Fazenda Santa Lúcia. “Levinho estava muito mal vestido, barbudo e com o cabelo comprido. Quase não o reconheci. Tinha um ar sereno no rosto, apesar de um dedo torto, que parecia quebrado, e as cinco facadas que o mataram, deixando a blusa toda vermelha”, confidencia.

Pela primeira vez em 26 anos, João Moreira estava sem o anel de ouro no dedo. “Se tornou o seu bem mais precioso. Sempre me dizia isso. Até hoje não dá pra acreditar que João Ortino Moreira foi morto por aquilo que lhe era tão importante, mas não tão significante para quem quer que tenha sido seu assassino”, declara Juraci Martins. Quando a polícia desistiu das investigações, o amigo percorreu a região tentando descobrir quem matou Moreira. Soube apenas que João Levinho tinha ganhado o apelido de “Quietinho”, um andarilho que nada falava ou pedia a quem quer que fosse e por onde passasse.

Saiba Mais

João Levinho foi encontrado morto em 27 de dezembro de 1968, dia em que completaria 39 anos.

Curiosidade

João Ortino Moreira começou a competir por volta dos 14 anos. Era rápido e leve como o vento, diziam os outros jóqueis que o apelidaram no primeiro campeonato em que participou.