David Arioch – Jornalismo Cultural

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A triste realidade de ovelhas e carneiros

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Esses animais normalmente são mortos ainda jovens

Ovelhas e carneiros são tosquiados ao longo de toda a vida, assim servindo como matéria-prima para a indústria de lã. Porém, é importante considerar que há um mercado consumidor para o cordeiro, que é o carneiro ainda filhote. A carne de cordeiro é bastante valorizada quando o animal tem entre cinco e seis meses. No caso de animais da raça Dorper o abate é feito a partir de três meses.

Porém, o que determina o envio para o abate é a qualidade da carne e se o produtor tem interesse em usá-lo ou não como reprodutor. Caso contrário, mata-se nos primeiros meses um animal com expectativa de vida de 12 anos. No mais tardar, carneiros com dois anos e ovelhas com seis anos são enviados ao matadouro. Isto porque como os níveis de reprodução de ovelhas e carneiros caem nessa faixa etária, eles são considerados velhos e financeiramente inviáveis pelos produtores.

Como não são mais vistos como “boa matriz”, o destino desses animais, que muita gente pensa que são simplesmente tosquiados e têm uma vida feliz até os seus últimos dias, é o matadouro. Em qualquer parte do mundo, carneiros e ovelhas explorados pela indústria morrem precocemente, independente da finalidade da criação. Não é difícil chegar a essa conclusão se considerarmos que eles são mortos nos primeiros anos de vida, mesmo tendo uma expectativa de vida de 12 anos que pode ser estendida a 20 anos caso haja boa qualidade de vida.

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A violência na indústria de peles de animais

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Se a sua pele é importante para você porque a de um animal não seria para ele?

Não há como negar que a indústria de peles de animais é violenta, isto porque muitos animais que são reduzidos a artigos de vestuário levam uma vida de privação, sofrimento e morte. Algumas espécies são mortas no ato da captura. Outras são mantidas em cativeiro, e até mesmo sem comida e água até o momento em que são mortas. Dificilmente algum animal tem sua pele extraída de forma não violenta. Além disso, se a sua pele é importante para você, por que a de um animal não seria para ele?

No Brasil, há leis que proíbem atos de crueldade contra os animais, porém na prática como elas funcionariam se não há fiscais para realizar esse trabalho? Também é preciso entender que a maior parte dos animais são mortos nesse processo, independente se o tipo de morte é classificada como cruel ou não. Se você acha que lã ou seda são matérias-primas que não envolvem sofrimento, sugiro que se aprofunde nessa questão. Para se ter uma ideia da gravidade da situação, ovelhas, carneiros e cordeiros geralmente têm suas caudas cortadas e as orelhas perfuradas sem anestesia.

De acordo com o Projeto Esperança Animal (PEA), os machos explorados pela indústria de peles são castrados com duas a oito semanas de vida. Também são obrigados a usar anéis que impedem que o sangue chegue aos testículos, o que é naturalmente muito doloroso. E como os trabalhadores da indústria de extração de pele são mal remunerados e ganham por volume, muitas vezes eles fazem esse trabalho com tanta pressa que acabam por ferir gravemente os animais. Há inclusive casos de desfiguração facial em decorrência da violência nesse processo. O que podemos fazer para evitar isso? Não comprar produtos baseados em peles de animais, porque assim desestimulamos esse mercado.

 

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Quase 18 milhões de bovinos e suínos foram mortos no Brasil no terceiro trimestre de 2016

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Obras “Hoist”, de Jackson Thilenius e “Kilohinta”, de Heidi Huovinen

De acordo com o IBGE, 7,32 milhões de bois foram enviados para o matadouro no Brasil no terceiro trimestre de 2016 para que suas carnes fossem comercializadas como produtos. Também segundo o IBGE, 10,57 milhões de porcos foram mortos no terceiro trimestre de 2016 no Brasil. Tudo isso para que as pessoas comam picanha, coxão mole, coxão duro, maminha, fraldinha, paleta, acém, ponta de agulha, filé mignon, alcatra, músculo, cupim, costela, bisteca, bacon, costela, lombo, contrafilé, cupim, lagarto, salsicha, linguiça e hambúrguer.

 

 

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Written by David Arioch

August 3, 2017 at 5:00 pm

Um exemplo de simplicidade e sensibilidade

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Arte: John Lautermilch

Fui na Vila Alta conversar com uma senhora que teve o marido assassinado com um tiro na cabeça em um bar. Ele foi usado como escudo em um acerto de contas entre jovens envolvidos com o narcotráfico. Me surpreendeu a simplicidade dela, uma pessoa de fala mansa que não sente raiva nem ódio de ninguém, mesmo depois de uma tragédia. Me disse que gostaria apenas que as pessoas parassem de se matar em vez de destruir a própria vida e a dos outros.





Written by David Arioch

July 26, 2017 at 9:38 pm

A morte e a ajuda de Chester Bennington

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Chester Bennington, encontrado morto hoje

Em muitos vídeos da banda Linkin Park no YouTube tem dezenas, talvez centenas ou milhares, de comentários de pessoas que sofriam ou sofrem de depressão e encontraram alento nas músicas do vocalista e compositor Chester Bennington, encontrado morto hoje, após cometer suicídio por enforcamento.

Inclusive pessoas que disseram ter desistido da ideia de cometer suicídio enquanto ouviam Linkin Park. Música é uma coisa extremamente poderosa. Há pessoas que confortam tanta gente em proporção inimaginável, o que não significa que sejam inatingíveis ou que não sejam frágeis.

Written by David Arioch

July 21, 2017 at 2:09 am

Ele amou a morte da minha mãe!

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Cliquei sem querer na reação “amei” do Facebook

A mãe de um amigo faleceu. Cliquei sem querer na reação “amei” do Facebook e houve um blecaute. Não tive tempo de corrigir. Sozinho em casa, peguei o celular. Bateria descarregada, desespero, olhos fumegantes. 15 minutos depois gritaram na calçada.

— Chega aí, mano. Quero falar com você.
— E aí, irmão. Tudo bem?
— Como assim tudo bem, cara? Você amou a morte da minha mãe. Nem acreditei quando vi. O que tem de errado contigo? Te fiz alguma coisa?

Berros, palavras inintelígiveis na calçada e dedo apontado em minha direção. Vizinhos observando.

— Você é mau, cara. Você é muito mau!
— Não sou não!
— É sim! Nunca vou esquecer que você amou a morte da minha mãe.
— Nunca faria isso. Foi um equívoco. Perdão.
— Não perdoo!
— Perdoa sim!
— Perdoo não!

Sentou no meio-fio e chorou. Olhos avermelhados, boca entreaberta e cabelos desgrenhados. Alguém chamou a polícia.

— O que tá acontecendo aqui? — Perguntou o policial.
— Ele amou a morte da minha mãe!
— Não amei não.
— Como assim ele amou a morte da sua mãe?
— Ele amou! Amou! Amou! É um amante de mortes!

Olhos coçando, barba pinicando e cachorros uivando.

— Isso não é verdade. Eu soube da morte da mãe dele e sem querer cliquei em “amei” no Facebook. Quando tentei corrigir houve um blecaute.
— Isso é muito triste. Entendo a sua dor, meu amigo. Tome cuidado com isso aí, cara. Olhe como você deixou seu amigo.
— Po, como assim? Apenas fui traído pelo mouse.
— Traído pelo mouse? Vai culpar mesmo o mouse?
— É, você tem razão. Isso seria especismo.
— Quê?
— Nada não…

Caminhão de lixo passando, gatos miando e duas testemunhas de Jeová me olhando torto e panfletando.

— Quer dar queixa?
— Como assim dar queixa? Não fiz nada. E não existe queixa para esse tipo de situação. O que seria isso, uma queixa de emoticons?
— Está me gozando? É isso?
— Eu não…
— Sei…
— Quer dar queixa, amigo?
— Hum…não sei.
— Pense bem.
— Ah, deixa pra lá.
— Você que sabe.
— E, você, amigo, cuidado com esses dedos aí.

 

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Written by David Arioch

July 1, 2017 at 8:24 pm

O que aprendi com meu pai vale por uma vida

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Arte: Min Suh

Meu pai faleceu quando eu tinha 13 anos, mas o que aprendi com ele vale por uma vida; e isso nem o tempo é capaz de apagar. Sou grato por ter sido uma criança curiosa, atenta e observadora, assim os ensinamentos da minha infância podem me acompanhar até o fim dos meus dias.

Written by David Arioch

June 21, 2017 at 11:36 pm

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Sobre morrer de tristeza

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Por causa de tristeza, minha bisavó perdeu o interesse pela vida e parou de se alimentar (Foto: Arquivo Familiar)

Quando eu era criança, sempre ouvia minha mãe dizendo que minha bisavó morreu de tristeza, porque um de seus filhos foi assassinado e o outro cometeu suicídio. Um com pouco mais de 30 anos e o outro com 26 anos. Aquilo me surpreendia, porque eu não entendia como alguém poderia morrer de tristeza.

Na adolescência então entendi que a tristeza realmente não mata, mas o que ela acarreta sim. Por causa de tristeza, e provavelmente depressão (algo ainda desconhecido há quase 50 anos), minha bisavó perdeu o interesse pela vida e parou de se alimentar. Então descobriu um câncer e faleceu algum tempo depois.





Written by David Arioch

June 17, 2017 at 7:25 pm

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Quando um cão morre…

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Kika, minha companheira por 12 anos (Foto: David Arioch)

Quando um cão morre, e me recordo de sua doçura e inocência, me pergunto se existe um céu para os cães, porque eles merecem o céu depois de uma vida de doação que começa após o nascimento. Não me importo que haja um céu para mim, mas me importo o suficiente para desejar que exista um para os cães, seres que vivem a plenitude da bondade.

Dizem que os cães já nascem amando, enquanto nós precisamos aprender a amar, e por isso vivem pouco. Para eles, que têm mais a ensinar do que a aprender, tudo é pleno e intenso porque as chamas de suas vidas são efêmeras, mas muito mais longas do que as nossas. Talvez, em sua invisibilidade, elas toquem o céu sem que percebamos, porque ainda somos humanos demais para enxergar o que somente uma natureza não humana pode semear.

Written by David Arioch

May 28, 2017 at 10:27 pm

Não comemoro mortes, independente de quem seja

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Arte: Goya

Não comemoro mortes, independente de quem seja. Mas entendo que há pessoas que a buscam incessantemente, ou que provocam reações que podem levá-las a amargar um fim impensado, que não desejavam. Ou seja, consequências da vida que levavam. Sendo assim, se causo um grande mal a alguém, não posso descartar que em algum momento alguém pode cobrar pelo mal que causei.





Written by David Arioch

May 24, 2017 at 1:38 am

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