David Arioch – Jornalismo Cultural

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Uyara Torrente lança o seu primeiro single amanhã

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“No começo, a ideia de um trabalho solo quase me assombrava, mas o meu coração foi me direcionando muito pra isso” (Foto: Rosano Mauro Jr.)

A cantora e atriz Uyara Torrente, mais conhecida como vocalista de A Banda Mais Bonita da Cidade, que conquistou grande visibilidade nacional e internacional a partir de 2011, está se preparando para iniciar uma nova etapa na carreira. Amanhã, dia 17, Uyara lança o seu primeiro single solo “A Temperança”, música que traduz as transformações pessoais da cantora nos últimos dois anos. Regionalismo, cosmopolitismo, modernidade, espiritualidade, busca pelo autoconhecimento e respeito à vida – são elementos diversos que compõem “A Temperança”. Para conversar sobre o projeto solo, encontrei Uyara na casa de seus pais, Neli e Dorival, em Paranavaí, no Noroeste do Paraná, onde batemos um papo sobre as motivações por trás da nova trajetória que inclui o veganismo. Essa foi a primeira entrevista da cantora sobre o projeto. Confiram:

O que despertou o interesse por um projeto solo paralelo ao trabalho com A Banda Mais Bonita da Cidade?

No começo, a ideia de um trabalho solo quase me assombrava, mas o meu coração foi me direcionando muito pra isso. Só que eu não sabia o que seria. Aí tive algumas vivências muito bonitas, em um processo de autoconhecimento. Fiz terapia, rituais xamânicos, coisas que me botaram de encontro comigo. Aí veio o meu encorajamento. E o meu companheiro, que é o meu parceiro de amor e vida, que é o Marano, baixista da Banda Mais Bonita, me estimulou muito e resolvi dar esse passo. Então estou lançando o meu projeto solo, ainda não é com o disco, é com o single. A minha ideia é lançar uns quatro singles este ano e no ano que vem tentar fazer o disco.

E as composições, você que está escrevendo ou são contribuições de outros compositores?

Eu queria muito compor, mas não tenho ainda essa segurança. Essa música que escolhi para ser o meu single, surgiu em um desses rituais xamânicos, de ayahuasca. Quando tive um encontro muito forte comigo em uma miração, estava tocando essa música – “A Temperança”. Pensei: “É essa música que vou gravar”. Aí fui atrás e a compositora é uma mulher lá do Rio de Janeiro, maravilhosa, tem 60 anos, é dona de um centro de meditação, toda hiponga assim [risos]. Entrei em contato com ela e falei: “Olha, meu, não nos conhecemos, não tenho grana, quero gravar e aí?” A gente chegou a um acordo e ela entrou super na parceria – adorou, achou o máximo. Mas pro disco coloquei que tem que ter pelo menos uma música minha [risos].

Como está sendo o processo de produção de “A Temperança”?

A gente começou a produzir em abril. Eu, o Marano, que também tem um trabalho solo lindo que se chama Ailum, e o Jean, nosso superamigo, que é de uma banda de Curitiba muito conhecida que se chama Tuyo. Como moramos em uma chácara em uma florestinha, a gente se isolou e começou a fazer ela. Depois levamos pra um outro amigo que é o Du Gomide. Ele terminou essa produção com a gente, e então a música foi mixada pelo Guguinha, que é um cara de Olinda muito massa, do dub, que já trabalhou com o Cordel do Fogo Encantado. Ela tá finalmente pronta e vamos lançar no dia 17 de agosto [amanhã] com o clipe.

As parcerias que você citou são fixas ou eventuais?

Boa pergunta. O Du Gomide está no próximo single que vou fazer, porque já estou gravando uma segunda música. Algumas parcerias continuam em algumas músicas, mas eu também tenho vontade de experimentar mais porque tem muitas pessoas com quem sempre quis trabalhar e que com A Banda [Mais Bonita da Cidade] era mais complexo porque a logística é maior, muitas pessoas e tal. Acho que nesse trabalho vou explorar bastante essas parcerias. Sempre com o Marano do meu lado, porque para além de companheiro da vida, gosto muito do olhar artístico e musical dele. Então ele me ajuda bastante a direcionar isso.

O clipe da nova música foi gravado onde?

Foi uma interna, a gente não gravou externa, e usamos chroma key. Então isso possibilita muitos movimentos apesar de ter sido gravado em um lugar fechado. Gravamos com o Rosano Mauro Jr., que é o meu grande amigo e já gravou várias coisas da Banda, inclusive ele também está no vídeo de “Oração”. Na verdade, as pessoas são todas amigas de muitos anos, porque saquei que pra fazer esse projeto atravessei muitos medos e precisei da equipe mais amorosa possível.

Com relação às experiências de vida, autoconhecimento, que você mencionou antes, isso tem quanto tempo?

Tem dois anos. Dos 29 para os 30, me deu um estalo de muitas coisas, de muitas percepções na vida, inclusive o veganismo. Fichas que vão caindo e você pensa: “Por que nunca olhei pra isso? Por que nunca percebi isso?” Veio uma percepção mais sensível do mundo, sabe? Não tenho como não dizer da influência da ayahuasca na minha vida, porque é uma planta de poder que é muito séria, que não pode ser usada de forma leviana. Não é uma apologia, não é nada disso, mas quando você usa da maneira certa, no lugar certo, ela abre o inconsciente e você tem percepções muito finas sobre traumas, sobre coisas que te bloqueavam e não deixavam você fluir na vida. A terapia com a ayahuasca, o veganismo, as minhas escolhas que me fazer ver as coisas de maneira mais sensível me trouxeram pra esse encontro comigo e me trouxeram até esse trabalho.

Você vê como um projeto em que já mira o crescimento? A continuidade? Porque tenho a impressão que você está seguindo um caminho para realmente desenvolver esse caminho.

Penso que sim. Não sei que tipo de repercussão esse trabalho vai ter. Nunca imagino uma coisa como “Oração” porque sei que “Oração” foi uma coisa muito única. Não tenho essa pretensão. Mas o tipo de coisa que ele alimenta em mim, tipo de estado em que esse trabalho me coloca, de criatividade, de vida, de potência, é uma parada que sei que independentemente do sucesso ou da repercussão que vai ter ele é muito pra mim.  Sei que tem muita coisa ainda pra sair. Então acredito que seja um trabalho pra vida mesmo.

É quase como uma necessidade, uma realização, uma coisa sua mesmo…

Muitas pessoas me perguntam: “Ah, por que você não vai em tal programa, não faz tal coisa.” Não tenho nenhum tipo de preconceito, julgamento com grandes mídias, nada disso. Acho maravilhoso poder chegar lá, só que a questão é que chega uma hora que você faz por necessidade tua mesmo. Por exemplo, se fico dez dias sem cantar, preciso cantar, porque isso me faz viva. Embora eu ame a Banda, e amo muito, e sou muito inteira lá, a Banda faz o que ela quer fazer, mas a Banda já tem um compromisso com o público. O que a gente faz, a gente pensa: “Putz, será que isso vai chegar, não vai chegar?” A gente faz de maneira muito honesta, mas passamos por esse questionamento. Esse trabalho é um trabalho que estou fazendo muito pra mim. É muito pessoal, pra celebrar o meu encontro comigo mesma.

Tem uma entrega maior sua…

É…eu sinto que a Banda é muito coletiva.

Um pouquinho de cada…

É…e nesse pouquinho não estava cabendo essa parte minha. Então tive que abrir uma outra portinha e seguir junto assim.

Um ponto bem positivo é que você tem parceiros que ajudam a alavancar isso em você, te estimular…

Sim! Muito! Nós vemos muitos relatos dentro do feminismo de caras que botam as minas pra baixo e tive a sorte de encontrar um parceiro, o Marano, que é o contrário. Ele quer ver brilhar as minhas potências. Tanto ele quanto os meninos da Banda, quando contei que eu estava fazendo esse trabalho, eles foram muito maravilhosos. Estou cercada de pessoas que me estimulam muito. É muito fácil a gente ser tomada pelo medo. O medo paralisa. E tenho muitos medos, de muitas coisas. Então acho que essa rede de segurança é muito importante.

Com relação à apresentação do single, já pensa em shows?

Penso, ainda não tenho. Estava até anotando isso ontem no meio da minha ansiedade porque, mesmo que eu tenha só um single, já tenho repertório que quero permear. Esse repertório tem a ver com Paranavaí, tem a ver com a minha família, porque desce que nasci os meus pais tocam todo final de semana. Na realidade, quase todo dia [risos]. O grande insight desse trabalho foi o Marano que me deu quando perguntei se ele achava que havia alguma coisa em mim que eu poderia explorar. Ele respondeu: “Tem, a sua regionalidade, que é uma coisa muito forte em você, de onde você vem.” É verdade. Tatuei coração de Jacu em mim, porque sou jacu, cara, sou do interior. E isso é a coisa mais linda que eu tenho e carrego. Tenho essa frase que brinco que é cabelo moderno e coração de jacu. É justamente isso o repertório do show. É pegar essas canções, e quero até incluir alguma coisa do Gralha Azul [um dos grupos de música regionalista mais tradicionais do Paraná], que eram coisas que meus pais cantaram a vida inteira, e passei a vida inteira cantando com eles.

É a sua história também…

É a minha história. Vou colocar a música pra você ouvir e você vai perceber que tem elementos muito regionais e elementos de música do mundo, e elementos modernos, e é uma mistura mesmo. Então pro show eu vou levar esse lado que é o eu mais eu possível. Quero deixar pelo menos um pocket show pronto. Porque vai que eu lanço e alguém queira um show [risos].

É legal isso, porque você está seguindo um trabalho novo sem se desvincular da Banda. De repente, acaba até fortalecendo o vínculo de vocês. 

É…a banda faz parte da pessoa que eu sou. O histórico da banda, o estouro de 2011 foi uma coisa muito louca, igualmente maravilhosa e traumática.

Porque vem tudo em grande intensidade?

Foi muito rápido e muito grande e muito louco, porque de repente tem uma invasão louca na sua vida, e muitas pessoas achando muitas coisas, e eu muito nova e muito perdida.

E falta tempo pra aprender a lidar com isso. É uma avalanche, não?

É uma avalanche, você aprende na marra.  Hoje consigo falar disso com tranquilidade, e o quanto isso me fez ser a pessoa que eu sou, mas durante muito tempo isso foi uma grande confusão dentro de mim, chegando a ter palpitações. Então a banda é muito parte do que eu sou. Então ela está inevitavelmente em mim e eu inevitavelmente nela [risos].

Uyara, e como o veganismo entrou na sua vida?

Fiquei muitos anos comendo só peixe, não tinha empatia por peixe, até que vi um programa de pesca, aqueles caras se exibindo com um peixão na mão, tantos reais, aí falei: “Meu Deus! O que é isso?” Então parei com o peixe. O Vini [Vinícius Nisi], que você deve conhecer, que é meu amigo há muitos anos, inclusive a gente fundou a Banda, virou vegano. Então vi que era possível. Mas eu não tinha ainda uma questão animal. Isso foi entrando aos poucos, quando assisti “Black Fish”, quando tive uma gata. Tudo isso me influenciou, mudou muita coisa, porque tenho uma conexão com ela; não em uma lógica racional, intelectual, mas existe alguma coisa, uma outra sensibilidade, que a gente nesse mundo louco abafou. Aí no meu primeiro trabalho de ayahuasca veio o veganismo, porque veio a conexão com a natureza, os animais. Nessa época, assisti aquele filme “Okja”, e no meio do filme, cara, eu nunca consumia leite, mas me deu vontade de comprar Sucrilhos, aí quando levantei a colher: “Putz, não vai dar mais.” E não deu.

É uma coisa que você nem percebe e vai acontecendo dentro de você, e quando você se dá conta não tem mais condições de seguir adiante.

Realmente, não tem, totalmente. E o Marano estava na mesma vibe. E daí a gente falou: “Vamos assistir os docs.” Assistimos o “Cowspiracy” e mais uns outros. Daí a gente percebeu que realmente não dava mais. Vai fazer um ano que viramos veganos. Acho que o veganismo me traz uma sensação de coerência com as coisas que escolho. Sinto que respeito mais as coisas. Como posso ser uma pessoa que bate no no peito pela preservação da [Área de Proteção Ambiental da] Escarpa Devoniana, que a galera quer derrubar, quer acabar com tudo, e ao mesmo tempo come carne? Meu, eles querem destruir pra fazer pasto, entendeu?

E teve algum resultado positivo a campanha a favor da Escarpa Devoniana? 

É complicado. A gente consegue e depois eles vão lá e conseguem. Daí a gente briga, briga, briga, mas infelizmente acho que é muito difícil, porque o dinheiro é uma coisa que comanda, né? Interesse de três, quatro ou cinco pessoas.

Onde o single vai estar disponível para compra?

Então, como é um single, vou disponibilizar tudo gratuitamente. Vai estar nas redes e vai ser distribuído pela Tratore. Ela que vai colocar em todas as plataformas.

Written by David Arioch

August 17th, 2018 at 1:12 am

Os 35 anos do clássico punk pela libertação animal “Carne Significa Assassinato”

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Arte: Conflict/Foto: Jo-Anne McArthur/We Animals

Dois anos antes do The Smiths lançar “Meat is Murder”, a banda britânica de anarco-punk Conflict lançou o clássico “Meat Means Murder” ou “Carne Significa Assassinato”, que faz uma crítica direta ao consumo de carne e à exploração animal. A música faz parte do álbum “It’s Time to See Who’s Who”, lançado em Londres em março de 1983, e que à época se tornou uma referência para o movimento pela libertação animal na Inglaterra.

Em entrevista a Pete Woods, do Ave Noctum, publicada em 5 de dezembro de 2013, o vocalista e membro-fundador do Conflict, Colin Jerwood, disse que a princípio a ideia era simplesmente formar uma banda sem maiores pretensões. Porém, com o tempo, eles ficaram surpresos com o impacto que suas músicas tiveram entre os ativistas pelos direitos animais. “Na verdade, nunca imaginei que essas palavras que escrevi teriam esse impacto e inspirariam tantas pessoas”, disse.

Quando “Meat Means Murder” foi lançada, Colin era apenas um jovem vegetariano de 20 anos, que mais tarde se tornaria vegano. Em entrevista a Niall McGuirk, publicada pelo The Thumped em 5 de maio de 2013, ele relatou que logo se envolveu com o grupo de ação direta Animal Liberation Front (A.L.F), conhecido por invadir lojas, laboratórios e fazendas para libertar animais. “A A.L.F teve que ser muito cuidadosa depois de algumas grandes prisões. Coisas ainda acontecem. Há um grupo chamado A-Team que tenta acabar com brigas de cães [na Inglaterra]. Não são tantos os estabelecimentos de vivissecção que podem ser invadidos agora porque eles são intocáveis por causa do dinheiro”, revelou.

Em 1984, o Conflict realizou shows em protesto contra a prisão de membros da A.L.F. Também arrecadou dinheiro para a libertação dos ativistas. Na página 166 do seu livro “No Future: Punk, Politics and British Youth Culture – 1976-1984”, lançado em 2017, Matthew Worley escreveu que em termos práticos o anarquismo punk tende a desautorizar a organização política formal a favor da ação, e entre as suas diversas facetas, principalmente na Inglaterra, estão ações de libertação animal, sabotagem à caça e levantamento de fundos para grupos de ativismo animalista: “Alguns, incluindo Colin Jerwood, do Conflict, alinharam-se com a Animal Liberation Front (A.L.F), o que condiz com a ação direta defendida em seu EP To a Nation of Animal Lovers EP (1983).”

Outro autor que reconhece a importância musical do Conflict como instrumento de conscientização sobre a realidade da exploração animal e do chamamento para o ativismo em favor dos direitos animais a partir da década de 1980 é Ian Glasper, autor do livro “The Day the Country Died: A History of Anarcho Punk 1980-1984″, de 2006. “Depois do Crass, a maioria das pessoas quando fala no gênero anarco-punk pensa imediatamente no Conflict, uma banda cuja música era honesta, agressiva e intransigente, e que fazia dos direitos animais a sua questão principal”, destacou na página 104 do seu livro.

No artigo “Nailing Descartes to the Wall: animal rights, veganism and punk culture”, publicado em 2014 na Anarchist Library, Len Tilbürger e Chris P. Kale citam que entre as inúmeras bandas anarco-punk que abraçaram os direitos animais e o veganismo nos anos 1980, Conflict é considerada a mais importante: “Para complementar suas exortações líricas, eles projetavam imagens de vídeo, obtidas pela própria banda que se infiltrou em matadouros, em telas por trás do palco enquanto se apresentavam. Eles também exaltavam os movimentos de ativistas pela libertação animal na década de 1980”.

Nas páginas 232 e 233 da tese de PhD “An Investigation into the Emergence of the Anarcho-Punk Scene of the 1980s”, publicada pela Universidade de Salford, no Reino Unido, em outubro de 2004, o autor Mike Dines observa que muito do material do Conflict oferece um “chamado às armas” na luta contra matadouros e as estruturas do governo. Ele usa como exemplo a faixa “Ungovernable Force”, de 1986, em que Colin Jerwood questiona: “O que significa ação direta?” Então ele continua: “Isso significa que não estamos mais preparados para continuarmos sentados e permitir que coisas terríveis e cruéis aconteçam. Ação direta pelos direitos animais significa causar danos econômicos aos que abusam e lucram com a exploração”.

Meat Means Murder (Carne Significa Assassinato) – 1983

A fábrica está produzindo, tudo processado, embalado e organizado

Uma substância abatida e obscura, e no rótulo lê-se “carne”

Escondida por trás de nomes falsos como porco, presunto, vitela e bife

Um olho é um olho, uma vida é uma vida, a atual crença esquecida

A linha de produção diária ainda está alimentando essa farsa

Para acabar sobre a sua mesa e então sair pela sua bunda

 

Você ainda continua na fila e continua assistindo

Serrarem os membros adequadamente para os ensopados

Carcaças empilhadas num monte

Sortidos, macios, suculentos pedaços congelados

Bem, você não percebe que aquele suco é sangue?

De gargantas recém-nascidas, rios de sangue jorram

Sangue de jovens corações, sangue de veias

Seu sangue, o sangue deles, serve da mesma maneira!

 

Agora você está diante da mesa, sentado, sorrindo

Sentado ali comendo, você nunca perceberá como aquilo foi feito.

Está servido sobre um prato esterilizado, você não pensará na matança

O mais longe que seu cérebro irá é “isso é pra fritar ou grelhar?”

Você lamenta pelo abate de focas, pelo massacre de baleias

Mas realmente importa se vive na terra ou na água?

Você nunca teve um casaco de pele, você acha que é cruel com os visons

Bem, e quanto à vaca, o porco ou a ovelha? Eles não te fazem pensar?

Desde o dia em que você nasceu, nunca te contaram da peça que está faltando?

Saiba Mais

O Conflict foi fundado em Eltham, Sul de Londres, em 1981. A formação original da banda era Colin Jerwood (vocal), Francisco ‘Paco’ Carreno bateria), Big John (guitarra), Steve (Guitarra) e Pauline (vocal). O primeiro lançamento do Conflict foi o EP “The House Man Built”, de 1982. Em 1983, no EP “To a Nation of Animal Lovers”, Steve Ignorant, do lendário Crass, fez uma participação especial. Mais tarde, com o fim do Crass, ele ingressou como segundo vocalista.

Referências

Woods, Pete. Interview – Conflict. Ave Noctum (5 de dezembro de 2013).

McGuirk, Niall. It’s Not About Sitting In Your Slippers – An Interview With Conflict’s Colin Jerwood. The Thumped (5 de maio de 2013).

Worley, Matthew. No Future: Punk, Politics and British Youth Culture – 1976-1984. Página 166. Cambridge University Press (2017).

Glasper, Ian. The Day the Country Died: A History of Anarcho Punk 1980-1984. Página 104. PM Press (2014).

Tilbürger, Len; Kale, Chris P. Nailing Descartes to the Wall: animal rights, veganism and punk culture. Anarchist Library (2014).

Dines, An Investigation into the Emergence of the Anarcho-punk Scene of the 1980s. PhD thesis. University of Salford, UK. Páginas 232-233 (2004).





 

“Free Me”, clássico vegano de John Feldmann, completa 16 anos

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Feldmann protestando contra a KFC em Melbourne, na Austrália (Foto: Animal Liberation Victoria)

O clássico vegano “Free Me”, “Me Liberte”, música escrita e gravada por John Feldmann, conhecido internacionalmente como o fundador da banda de punk rock/ska Goldfinger, está completando 16 anos. A composição faz parte do álbum “Open Your Eyes”, lançado pela banda em 2002. Na composição, Feldmann assume a voz dos animais explorados pela humanidade das mais diferentes formas. O clipe da música apresenta imagens registradas em fazendas, matadouros, laboratórios, indústrias e espaços de entretenimento.

Desde que se tornou vegetariano em 1996, Feldmann fez dos direitos animais a sua principal bandeira. Ele é da opinião que, se alguém estiver disposto a ouvi-lo, ele é capaz de passar o dia todo falando sobre a importância dos direitos animais, justificando que a causa se tornou a coisa mais importante da sua vida.

Algumas pessoas podem dizer que a realidade retratada no clipe “Free Me”, que ganhou várias versões, não retrata a realidade de todos os matadouros, e que são casos isolados. Porém, para quem pensa assim, Feldmann tem uma mensagem: “A verdade é que isso acontece em todos os lugares e a todo momento. No final dos meus shows, pelo menos 20 jovens me dizem que vão se tornar vegetarianos ou veganos por causa desse vídeo [Free Me], ou da música, ou da nossa banda. Isso é a coisa mais poderosa de todas que conquistei em minha carreira”, declarou.

Questionado sobre o que o motivou a tornar-se vegetariano e mais tarde vegano, ele contou que a sua transformação começou quando, por meio de informações do Instituto Earth Island, de São Francisco, ele soube dos abusos sofridos pelos golfinhos. “Eu disse: ‘Isso é errado, o que posso fazer?’ Então parei de comer atum de empresas que usavam redes [responsáveis pela morte de golfinhos]. A partir daí, comecei a prestar atenção nos circos, de onde vem o couro, coisas assim”, informou em entrevista à revista Satya em maio de 2003.

A mudança maior veio com “Babe”, de Chris Noonan, lançado em 1995. O filme levou John Feldmann a fazer a conexão entre os animais e a origem da comida. “Parei de comer porcos assim que vi o filme. Então todas as outras coisas, como pedaços crocantes de frango que eu mordia, fiquei como: ‘Por que estou comendo isso? O que estou fazendo?’ É tão errado! Naquele tempo, eu não tinha ideia das atrocidades nos matadouros”, justificou.

O impacto foi ainda maior quando descobriu que porcos são espertos como os cães. Depois, ele continuou pesquisando e encontrou muitas filmagens de matadouros. “Aquilo foi horrível. Quanto mais eu buscava, mais eu encontrava. Para mim, os laticínios são os piores. Cheguei a preferir que as pessoas comessem um bife do que bebessem um copo de leite, porque pelo menos a vaca logo estaria livre de sua vida miserável. Com o leite, a situação é outra [o sofrimento é prolongado, já que elas são abatidas somente quando param de produzir leite]”, lamentou à Satya.

Embora tenha sido lançado em 2002, o vídeo da música “Free Me”, ou “Me Liberte”, em que Feldmann reage contra a indústria da exploração animal ao dar voz aos animais, é considerado um dos hinos dos direitos animais, inclusive sendo usado até hoje por organizações e ativistas de todo o mundo.

Saiba Mais

Em 15 de outubro de 2003, enquanto estava em turnê com o Goldfinger pela Austrália, John Feldmann endossou um dos protestos organizados pela Animal Liberation Victoria contra a rede de fast food KFC por envolvimento em crueldade contra animais.

Me Liberte

Eu não pedi pra você me tirar daqui
Eu não pedi para ser quebrado
Eu não pedi para acariciar o meu pelo
Você me trata como uma lembrança sem valor

Mas minha pele é densa
E minha mente é forte
Fui criado como meu pai
Não fiz nada de errado

Então me liberte
Eu só quero sentir o que a vida deveria ser
Eu só quero espaço suficiente para me virar
E enfrentar a realidade
Então me liberte

Quando você vai se dar conta de que
Você está errado
Você não consegue nem pensar por si mesmo
Você não consegue se decidir
Por isso, minha mente é uma jaula
Eu odeio toda a maldita raça humana
Que diabos você quer de mim?
Mate-me se você não sabe
Ou me liberte

Eu só quero sentir o que a vida deveria ser
Eu só quero espaço suficiente para me virar
Porque vocês estão todos ferrados
Algum dia talvez você me trate como a si mesmo.

 

 

 

 

 





 

A morte de Chuck Mosley

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Chuck Mosley faleceu no último dia 9 de novembro

Fiquei sabendo agora que o Chuck Mosley faleceu. Triste. Embora eu curta muito o vocal do Mike Patton, Mosley fez história com o Faith No More também. Cantei muito “We Care a Lot” na minha adolescência nos anos 1990. Música que deu origem ao disco homônimo dos caras em 1985.

Written by David Arioch

November 12th, 2017 at 11:34 pm

O vegetarianismo na vida de Attila Csihar

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Csihar: ” “Fiquei terrivelmente apavorado. Foi algo como: “Porra, não sei se quero fazer parte disso”

O vocalista e compositor húngaro Attila Csihar, que se tornou famoso como vocalista da banda de black metal Mayhem, não cansa de surpreender quem não o conhece. Levando em conta o seu perfil performático, sombrio e chocante durante suas apresentações, as pessoas rendidas aos clichês dificilmente imaginam que ele seja vegetariano. Sim, Attila Csihar se tornou vegetariano nos anos 1990.

Em entrevista à Revolver Magazine, ele contou que ficou enojado quando encontrou cabeças e pedaços de suínos no palco em seu primeiro show com o Mayhem. “Fiquei terrivelmente apavorado. Foi algo como: “Porra, não sei se quero fazer parte disso”, relatou.

Csihar explicou mais tarde que com o tempo entendeu que as carcaças de animais sobre o palco refletem a sociedade, a gula humana e a sua relação com os animais, o que pode parecer horrível ou reprovável para muita gente, mas para ele isso apenas reforça um fato cotidiano.

O vocalista e compositor concorda que embora estejamos imersos em uma sociedade acostumada a se alimentar de animais, a maioria rejeita a possibilidade de ter que confrontar uma realidade mais próxima de um matadouro do que de um açougue, onde os pedaços são fatiados e embalados de forma a despersonalizar o que a morte de animais realmente representa.

Antes de tocar no Mayhem, com quem gravou três álbuns entre os anos de 1994 e 2014, Attila Csihar fez parte da banda de black metal Tormentor, fundada em 1984, e que gravou o primeiro álbum “Anno Domini” em 1988. Ele ingressou na banda norueguesa em 1994, após a morte do fundador e guitarrista Oystein Aarseth, mais conhecido como Euronymous, assassinado em 10 de agosto de 1993.

Além do seu projeto Plasma Pool e da sua carreira solo, Csihar também teve passagens por bandas como Aborym, Limbonic Art, Korog, Anaal Nathrakg, Keep of Kalessin, Emperor, Sear Bliss, Sunn O))), Astarte, Ulver, Taake, Burial Chamber Trio e Grave Temple, entre outras. Ele também é conhecido por suas máscaras peculiares, como as criadas pelo egípcio Nader Sadek, que já assinou a direção de efeitos visuais dos shows do Mayhem e de seus projetos.

Saiba Mais

Attila Csihar nasceu em Budapeste, na Hungria, em 29 de março de 1971.

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Livro de poesia, música e HQ em defesa dos direitos animais vai ser lançado no sábado

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Livro “Os Animais Declamam e Cantam” vai ser vendido por R$ 35

Coordenado pelo jornalista Maurício Kanno, o livro “Os Animais Declamam e Cantam” vai ser lançado no sábado às 15h30 no Lar Vegetariano Vegan, em Perdizes, na zona oeste de São Paulo. A obra reúne colaborações literárias e visuais de artistas do Brasil, Peru, Chile, Equador, Colômbia, Argentina, Alemanha e Espanha.

“É um livro que reúne 87 poemas e músicas de 47 autores. O trabalho de compilação, ordenação, estímulo à produção e revisão crítica começou em 2013”, conta Maurício Kanno que coordenou outra antologia literária coletiva publicada em julho de 2016, reunindo 36 contos de 21 autores.

Os subcapítulos dos poemas brasileiros em “Os Animais Declamam e Cantam” foram intitulados como Irmãos Terráqueos, Humanos, Liberdade e Escravidão, e Festa, Dor e Humanos de Esperança. “E Ar, Terra e Água, no caso da poesia hispano-americana”, informa.

As músicas em defesa dos animais incluem rock, pop, samba, rap, paródias de Carnaval e de Natal, além de outros tipos de paródia. “Tivemos a contribuição de 10 artistas gráficos com 16 ilustrações e uma história em quadrinhos poética de sete páginas”, diz Kanno.

“Os Animais Declamam e Cantam” vai ser vendido por R$ 35. Quem não puder participar do evento, pode entrar em contato pelo e-mail mauricio.kanno@gmail.com para checar a disponibilidade de exemplares do livro. “Durante o lançamento, teremos declamações e apresentações das músicas que integram o livro. Além disso, o público e os autores podem debater sobre as obras publicadas”, enfatiza.

Localização

O Lar Vegetariano Vegan fica na Rua Clélia, 278, em Perdizes – a três pontos de ônibus a partir da estação de metrô da Barra Funda. Depois é só descer no ponto do Sesc Pompeia, já que o restaurante fica na mesma rua do Sesc. Chegando ao endereço, suba para o andar superior.

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Bola Sete, um vegetariano que deixou seu nome na história do jazz

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Carlos Santana considera Bola Sete um dos maiores guitarristas de todos os tempos (Foto: Reprodução)

O compositor, violonista e guitarrista carioca Bola Sete, que foi aluno do maestro Moacyr Santos, fez muito sucesso tocando jazz nos Estados Unidos e no México nas décadas de 1960 e 1970. De origem pobre, mas com uma herança musical muito forte, descobriu a aptidão para a música ainda na infância, quando começou a tocar cavaquinho e violão.

No Estados Unidos, Bola Sete foi um grande parceiro de Dizzy Gillespie e Vince Guaraldi, com quem lançou em 1963 o disco “Vince Guaraldi, Bola Sete and Friends”. Guaraldi foi o autor da trilha sonora do desenho animado “Peanuts”, que traz personagens como Charlie Brown e Snoopy. Em 1967, Bola Sete deixou o Vince Guaraldi Trio para criar o seu próprio trio, que trazia na formação os brasileiros Sebastião Neto e Paulinho, contrabaixista e baterista.

Quando o grupo decidiu se separar, Bola Sete já era um homem de meia-idade com sobrepeso e alguns problemas de saúde. Então ele viu que seria necessário dar uma guinada em sua vida. Parou de tocar e começou a meditar, praticando regularmente o hatha yoga. Primeiro, ele abandonou o consumo de carne e mais tarde se tornou vegetariano.

“Isso não apenas permitiu que ele perdesse mais de 22 quilos, mas também que ele conseguisse controlar a sua asma agravada por anos inalando fumaça nos clubes onde tocava. O novo estilo de vida garantiu que ele produzisse a música mais incrível de sua carreira”, afirmou o pesquisador Gerald E. Brennan.

Embora Bola Sete tenha seu nome quase sempre relacionado ao jazz, estudiosos de sua música como Brennan o consideram o pai da música new age. Isto porque as composições do brasileiro se tornaram muito espiritualizadas, destoando do jazz tradicional; algo que ficou mais claro depois que ele se tornou vegetariano.

Em 1970, quando excursionou pelo México com Stan Getz e outros artistas do jazz, Bola Sete se tornou extremamente popular, o que o motivou a lançar em 1971 o álbum “Shebaba”. “Bola Sete é tão significativo quanto Jimi Hendrix e Segovia, no sentido de ter sabedoria, conhecimento, alma e paixão”, escreveu o célebre guitarrista mexicano Carlos Santana. Nos Estados Unidos, há mais artistas que consideram Bola Sete um dos maiores guitarristas de todos os tempos, e não somente do jazz.

Saiba Mais

Djalma de Andrade, mais conhecido como Bola Sete, nasceu em 16 de julho de 1923 no Rio de Janeiro, e faleceu nos Estados Unidos em Greenbrae, na Califórnia, em 14 de fevereiro de 1987.

Entre os anos de 1958 e 1985, Bola Sete gravou 14 discos.

Referências

Http://www.bolasete.com/index.php

http://www.musicianguide.com/biographies/1608002433/Bola-Sete.html

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Matt Skiba: “Foi uma reação instintiva não querer carne [de animais] em meu corpo”

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Skiba é fundador da banda de punk rock Alkaline Trio, além de guitarrista e vocalista da banda Blink 182

““Imaginei-me comendo meu gato e, de repente, não pareceu tão bom para mim” (Foto: Reprodução)

Fundador da banda de punk rock Alkaline Trio, além de guitarrista e vocalista da banda Blink 182 desde 2016, Matt Skiba se tornou vegetariano aos 19 anos, assim que deixou a casa dos pais. Um dia, ele estava comendo um pedaço de carne e notou os olhos do seu companheiro felino em sua direção.

“Imaginei-me comendo meu gato e, de repente, não pareceu tão bom para mim. Foi uma reação instintiva não querer carne [de animais] em meu corpo. Isso é parte de quem sou. Foi uma decisão pessoal e natural”, informou em entrevista concedida a Liz Miller, do Veg News, e publicada em 22 de fevereiro de 2010.

Skiba não teve trabalho em levar muitos amigos para o vegetarianismo. Na realidade, ele não precisou dizer nada para convencê-los a não consumir mais alimentos de origem animal. Sua tática sempre foi levá-los para comer em restaurantes vegetarianos e veganos, mostrando que opções que não custem a exploração animal não faltam.

“Se eu não tivesse dito a eles que o sanduíche de ‘frango’ que eles estavam comendo era na realidade vegetariano, eles nunca saberiam, e tinha o gosto mais fresco e melhor do que o de qualquer frango. Há muita comida de boa qualidade lá fora e isso fala por si mesmo”, exemplificou o guitarrista e vocalista.

Matt Skiba acredita que a maioria das pessoas amam os animais, e que não é porque elas comem carne que elas são más ou desgostam deles. Para o músico, o problema é a ausência do reconhecimento de uma conexão entre as coisas, de reconhecer as implicações da exploração animal. “Acho que ignorância é uma bênção para muitas pessoas”, declarou.

Ele também disse que muita gente come comida vegetariana sem saber, sem vê-las como comida vegetariana; e que isso é a maior prova de que o vegetarianismo e o veganismo não estão realmente distantes de ninguém.

“Perdi o gosto pela carne. Não como carne há 17 anos. Lembro que olhei para o meu gato e pensei: ‘Cara, não posso comê-lo. Que diferença faria se fosse um gato pequeno ou uma vaca?’ E ocorreu-me que tudo está conectado e que eu não poderia mais contribuir com isso [a exploração animal]”, enfatizou em entrevista ao Cool Try, da Austrália.

Saiba Mais

Matt Skiba nasceu em McHenry, Illinois, em 24 de fevereiro de 1976. Ele fundou o Alkaline Trio em 1996.

Entre os anos de 1998 e 2013, Skiba lançou os álbuns “Goddamnit”, “Maybe I’ll Catch Fire”, “From Here to Infirmary”, “Good Morning”, “Crimson”, “Agony & Irony”, “This Addiction” e “My Shame Is True” com o Alkaline Trio.

Com o Blink 182, ele gravou o álbum “California” em 2016.

Referências

http://vegnews.com/articles/page.do?pageId=1716&catId=5

http://cooltry.com.au/interview-matt-skiba-alkaline-trio-matt-skiba-and-the-skerets/

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Johnny Marr: “Desde que escrevemos ‘Meat is Murder’, nunca mais comi carne”

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“Eu não poderia ser hipócrita. Para ser honesto, não foi realmente um sacrifício [ficar sem comer carne]”

Johnny Marr: “Não teria sido certo para mim tocar essa música sem ser vegetariano”

Um dos fundadores da icônica banda britânica de rock The Smiths, Johnny Marr até hoje é citado como um dos mais importantes guitarristas dos anos 1980. Ao lado de Morrissey, ele gravou o álbum “Meat is Murder”, que se tornou um símbolo para vegetarianos e veganos do mundo todo. Enquanto Morrissey assinava as letras das músicas, Marr se responsabilizava pela harmonia. A parceria durou cinco anos, e juntos gravaram quatro discos.

Em entrevista a John Hind, do The Guardian, publicada em 20 de novembro de 2016, Johnny Marr contou que desde que ele e Morrissey escreveram “Meat is Murder”, ele nunca mais comeu carne. “Eu não poderia ser hipócrita. Para ser honesto, não foi realmente um sacrifício [ficar sem comer carne], disse em referência ao álbum lançado em 1985.

A faixa título, que critica o consumo de carne, e ainda traz o apelo de uma pequena gravação de vacas mugindo em um matadouro, mudou a vida de muita gente. Enquanto Morrissey canta: “Morte sem razão é assassinato”, a guitarra de Johnny Marr chora ao fundo. Sem dúvida, “Meat is Murder” é uma das composições mais intensas e perturbadoras escritas pelo The Smiths em sua curta e produtiva carreira.

Prova da força da música é que até hoje os fãs se aproximam de Johnny Marr para dizer que “Meat is Murder” mudou completamente seus hábitos alimentares, e mais – suas vidas. Ele se orgulha de encontrar pessoas dizendo que se tornaram vegetarianas ou veganas por causa da composição, de acordo com informações publicadas no Clash Music em 27 de julho de 2010.

“Não teria sido certo para mim tocar essa música sem ser vegetariano. A coisa engraçada é que até então a minha única interação com os animais tinha sido algo como: “Espero que este cão não me morda”. […] Mas quando parei de comer animais, comecei a sentir mais empatia por eles”, declarou em entrevista publicada por Louise Wallis em 6 de agosto de 2011.

Johnny Marr se tornou vegano em 2005, quando se mudou para Portland, no estado do Oregon, nos Estados Unidos. Sobre essa decisão, ele justificou que gosta da ideia do progresso, de ser progressista.Portland tem uma atitude muito liberal e moderna, e alguns dos meus amigos lá já eram veganos. Estou feliz por ter entrado nessa. É muito mais fácil ser vegano nos Estados Unidos do que na Europa; há mais variedade cultural e, portanto, mais escolhas”, argumentou.

Questionado sobre o processo de composição de “Meat is Murder”, Marr relatou que Morrissey deu o título e a letra da música e ele entrou com o sentimento. “Apareci com a melodia, que interpretei como sugestiva, contudo inquietante, e a banda captou isso em uma tarde de inverno em Liverpool. A senti intensa, mas estranhamente bela quando a criamos. Adoro essa faixa”, admitiu a Louise Wallis.

“Desistir dessas coisas [alimentos de origem animal] não significa sacrifício ou miséria para mim. Vejo isso como o oposto, é interessante. […] Todas essas coisas me tornaram mais focado e energizado. Toda a minha família é vegetariana. Angie [esposa] era vegetariana quando nos conhecemos. Eu tinha 15 anos, e ela 14. Era bem informada. Eu provavelmente teria me tornado vegetariano mesmo sem a música, suponho”, destacou.

Saiba Mais

Johnny Marr nasceu em Manchester, na Inglaterra, em 31 de outubro de 1963.

Ele gosta de comer salada com tofu, comida tailandesa, mediterrânea e mexicana, além de massas e muito espinafre.

Referências

https://www.theguardian.com/lifeandstyle/2016/nov/20/life-on-a-plate-johnny-marr-the-smiths

http://www.clashmusic.com/news/johnny-marr-talks-vegetarianism

Johnny Marr interview

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Lindsay Schoolcraft: “Vejo os animais como iguais [quanto ao direito à vida], enquanto os outros os veem como mercadorias”

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“Ser vegano é ter consciência de que você pode melhorar o planeta e a vida dos outros seres tomando decisões mais inteligentes de consumo”

Lindsay se tornou vegana em 2012 (Foto: Divulgação)

Vocalista e tecladista da banda inglesa de metal extremo Cradle of Filth, Lindsay Schoolcraft se tornou vegana em 2012. O que a fez refletir profundamente sobre a realidade da produção e do consumo de alimentos de origem animal foi o documentário “Food, Inc”, lançado em 2008 por Robert Kenner.

“Depois que assisti ‘Food, Inc’, me senti desconfortável com os produtos de origem animal. Na mesma época, comecei a aprender o que significava esse estilo de vida [veganismo]. Imediatamente, me livrei de tudo que eu possuía que era feito de animais, o que se resumia a um cinto de couro, produtos de beleza e produtos domésticos testados em animais. Me tornei vegana entre o Natal e o Ano Novo de 2012. Eu não gostaria de viver de outra maneira, e gostaria de ter feito isso mais cedo”, disse Lindsay em entrevista publicada pela Headbangers Lifestyle em 23 de fevereiro de 2016.

A vocalista canadense sempre gostou de animais, mas admite que a indústria tem a seu favor recursos que dissimulam a realidade no que diz respeito ao sofrimento e à exploração animal, o que faz com que as pessoas não “liguem os pontos”. “Para mim, ser vegano é ter consciência de que você pode melhorar o planeta e a vida dos outros seres tomando decisões mais inteligentes de consumo. É libertador saber que você tem esse tipo de controle, para si mesmo e para os animais que você beneficia com essas ações”, declarou à Liselotte ‘Lilo’ Hegt, do Headbangers Lifestyle.

Ela acredita que o veganismo tem se tornando mais comum e conquistado mais reconhecido no mundo do metal, o que a deixa mais confortável. “Quando me juntei ao Cradle of Filth, pensei que seria difícil, mas quanto mais shows fazemos, mais encontro refeições veganas disponíveis nos festivais, e geralmente quando saio em turnê sempre encontro outra pessoa vegetariana viajando com a gente”, relatou.

Por outro lado, é inevitável que haja oposição, mas Lindsay acredita que isso acontece em qualquer lugar. Quando alguém a confronta e tenta apontar alguma contradição no veganismo, por exemplo, alegando que não é uma filosofia de vida que faz a diferença no mundo, a cantora argumenta que, independente das pessoas aceitarem ou não, um fato é que o consumismo está cercado pela crueldade animal. “E eu escolho não me envolver com isso”, declarou em entrevista ao Logical Harmony em 2015.

Lindsay, que faz questão de pesquisar e conhecer o sistema de produção das próprias roupas, inclusive as usadas nos shows com o Cradle of Filth, destacou que quando alguém faz piada sobre o fato dela não se alimentar de animais, ela explica todo o processo até a carne e outros produtos de origem animal chegarem ao prato das pessoas.

“É libertador saber que você tem esse tipo de controle, para si mesmo e para os animais que você beneficia com essas ações” (Foto: Divulgação)

“Posso ser desagradável sobre isso de forma sarcástica [se eu for provocada]. Mas nunca tentarei forçar minha opinião porque acredito que você tem ou não tem compaixão. Não gosto de ser ignorante. Tudo que uso, coloco em meu corpo, gosto de saber onde veio. Vejo os animais como iguais [quanto ao direito à vida], enquanto os outros os veem como mercadorias. Se você estiver interessado, vou dizer tudo o que sei”, garantiu em entrevista a Levi Seth Buckley, do Sticks For Stones, em publicação de 9 de julho de 2015.

Lindsay contou que ficou muito feliz quando soube que suas duas cantoras favoritas – Ellie Goulding e Sia, são veganas. “Quando você conhece outro vegano é como conhecer um bom amigo pela primeira vez”, comentou com Tashina Combs, do Logical Harmony. Entre as cidades em que esteve e que hoje considera duas das melhores para os veganos, ela cita Glasgow, na Escócia, e Montreal, no Canadá.

“É tão fácil ser vegano nessas cidades. Amo comida asiática. Os vegetais e as especiarias são muito bem combinados”, revelou ao Local Harmony. Ao Headbanger Lifestyle, a vocalista e tecladista do Cradle of Filth também frisou que faz o possível para sensibilizar as pessoas sobre a importância dos santuários para animais que seriam mortos pela indústria alimentícia.

“Eles merecem nosso amor e respeito tanto quanto os animais de estimação. Faço o meu melhor para ajudar instituições de caridade que defendem os direitos animais. Eu gostaria de me envolver mais com esses tipos de campanha”, garantiu.

Saiba Mais

Lindsay Schoolcraft nasceu em Ontário, no Canadá, em 26 de fevereiro de 1986.

De 2007 a 2014, ela foi vocalista da banda Mary and the Black Lamb.

Lindsay tornou-se vocalista e tecladista da banda Cradle of Filth em 2013.

Em 2015, participou da gravação do disco “Hamer of the Witches”, do Cradle of Filth.

Referências

http://www.headbangerslifestyle.com/face-body/276/beauty-and-lifestyle-profile-with-lindsay-schoolcraft-keyboardist-and-female-vocalist-of-cradle-of-filth

http://www.sticksforstones.net/single-post/2015/07/09/Interview-Lindsay-Schoolcraft-CRADLE-OF-FILTH

An Exclusive Interview with Lindsay Schoolcraft from Cradle Of Filth

 

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