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Paranavaí terá “Conversa Entre Amigos” em junho
Programa literário visa estimular não apenas a leitura, mas também o senso crítico
Dia 11 de junho, às 18h, será realizado mais um encontro do programa de incentivo a leitura Conversa Entre Amigos na Biblioteca Municipal Júlia Wanderley. O livro a ser discutido é “Terra Vermelha”, do escritor paranaense Domingos Pellegrini. O evento vai contar com a participação do deputado federal Marcelo Almeida, idealizador do programa.
O programa Conversa Entre Amigos é voluntário e gratuito, e visa facilitar o acesso às grandes obras da literatura brasileira e internacional, além de formar uma rede de grupos de discussão. Criado em Curitiba em fevereiro de 2004, o programa já conta com mais de 1,5 mil leitores cadastrados, divididos em grupos por todo o Paraná.
O Conversa Entre Amigos não impõe nenhuma restrição quanto a faixa etária, profissão, crença e origem. Inclusive tal diversidade contribui para o enriquecimento dos debates, segundo o deputado federal Marcelo Almeida, conhecido pelo trabalho que desenvolve em prol da cultura. Almeida é o responsável por disponibilizar gratuitamente livros aos grupos de leitura espalhados pelo Paraná.
Em Paranavaí, o primeiro encontro do programa Conversa Entre Amigos foi em março, quando houve discussão da obra “O Caçador de Pipas”, de Khaled Hosseini. Os encontros são realizados a cada dois meses na Biblioteca Municipal Júlia Wanderley. “A escolha de cada livro é definida pelo próprio grupo. Atualmente, temos 56 pessoas participando do programa”, revela a assessora de projetos culturais da Fundação Cultural, Ivonete Almeida.
O livro da vez, “Terra Vermelha”, a ser debatido às 18h do dia 11 de junho na Biblioteca Municipal, foi escrito por Domingos Pellegrini que conta a trajetória de um casal de migrantes durante a colonização do Norte do Paraná. A história de José e Tiana, no entanto, é apenas simbólica, pois o que Pellegrini faz com profundidade é traçar reflexões sobre temas atemporais da existência humana. Paixões, valores e conflitos servem de alicerce a obra que se tornou um clássico da literatura brasileira.
Entre os livros que o grupo de leitura do programa “Conversa Entre Amigos” de Paranavaí tem disponível para leitura e debate estão: “1808”, de Laurentino Gomes; “O Advogado”, de John Grisham”; “A Distância Entre Nós”; de Thrity Umrigar; “Um Doce Aroma de Morte”, de Guilhermo Arriaga; “A Eternidade e o Desejo”, de Inês Pedrosa; “O Filho Eterno” e “O Fotógrafo”, de “Cristovão Tezza; “O Guardião de Memórias”, de Kim Edwards; “Herdando uma Biblioteca”, de Miguel Sanches Neto; “O Livreiro de Cabul”, de Asne Seierstad; “A Menina que Roubava Livros”, de Markus Zuzak; “Os Meninos da Rua Paulo”, de Ferenc Mólnar; “Rota 66 – A História da Polícia que Mata”, de Caco Barcellos; “Sua Resposta Vale Um Bilhão”, de Vikas Swarup; e “Tocquevilleanas”, de Roberto da Matta.
Saiba Mais
Cada participante tem o prazo de um mês para ler o livro a ser debatido. Os exemplares estão disponíveis na Fundação Cultural. Para mais informações, ligar para (44) 3902-1128
Persil: brasilidade em evidência
Premiado artista plástico destaca a importância de se valorizar a cultura brasileira
O paranavaiense Roberto Persil se interessou pelas artes plásticas ainda na juventude. De lá para cá, são mais de 40 anos de carreira, sintetizados em pelo menos 1,5 mil obras, entre pinturas e esculturas que retratam a brasilidade. O reconhecimento de tal longevidade são as inestimáveis premiações e participações em salões de artes do Paraná, São Paulo e Mato Grosso.
Apaixonado pela cultura nativa brasileira e regionalista, Persil trabalha com elementos que resgatam lendas de um Brasil ainda desconhecido pela maioria. Exemplo é uma série de esculturas que vai muito além da acadêmica releitura contemporânea. “Recriei os Gabirus. São seres que moram embaixo de pontes e se situam entre o homem e o animal. Representam as pessoas que perderam o vínculo com a sociedade e com a família”, revela.
Outra característica dos Gabirus é que, assim como os mendigos, eles também vagam pelas ruas recolhendo coisas do lixo para comer. Além disso, criam relações afetivas com animais, principalmente gatos, cães e ratos – seres que consideram pertencentes a um mesmo plano existencial.
O artista plástico também se dedica a fazer releituras mais sofisticadas da realidade. Em uma de suas obras, a profundidade expressionista entre a fusão de colagem e pintura lhe rendeu um prêmio em um salão de artes. Conceituado pelo aporte inovador, gosta de mesclar materiais e elementos das mais diversas correntes artísticas. Algo perceptível no atelier que criou em casa, onde reúne centenas de obras.
O amor pela atividade é tão grande que Persil também montou um atelier em Cuiabá, no Mato Grosso, para onde viaja quando tem tempo. Sobre o motivo da escolha, justifica que é uma região com fortes elementos da cultura primitiva brasileira. “Vou pra lá todo mês de julho e aproveito pra absorver isso.Transfiro todo o conhecimento adquirido para as minhas esculturas e quadros”, frisa.
Quando tem pouco tempo disponível, o artista opta por concepções artísticas mais objetivas, em que o uso de tintas acrílicas é mais comum, pelo fato do processo de secagem ser mais acelerado. “Lecionei língua portuguesa por 30 anos, então adquiri esse costume de me dedicar a artes mais sofisticadas apenas quando tenho bastante tempo livre”, declara.
Eis que surge um artista
Na infância, Persil tinha dificuldades para escrever, então seus pais o encaminharam a um artista local que dava aulas de caligrafia. Superado o problema e passado alguns anos, Persil se sentiu atraído pelos desenhos. “Tinha 12 anos e fiquei maravilhado com a beleza dos desenhos coloridos, do simples lápis-de-cor e da anatomia humana”, lembra.
Apesar de ter convivido durante décadas com a falta de tempo, o artista plástico já ultrapassou a marca de 1,5 mil obras. “Uma vez, para participar de um salão de artes, fiz 400 desenhos em dois meses. Isso foi em outubro e novembro de 1989”, conta.
Mesmo com um currículo artístico extenso, o prolífico Roberto Persil garante que as premiações recebidas no Paraná, São Paulo e Mato Grosso são sempre simbólicas. “Às vezes, somos premiados com R$ 500 e os custos com a peça é de R$ 800. Então é mais para somar à carreira”, garante. Persil faz parte do grupo de artistas brasileiros que sempre trabalharam para investir em arte. “O que não é fácil, pois exige dedicação”, assegura.
Aos 15, começou a usar crayon, determinante para se tornar frequentador do Empório Artístico Michelangelo, localizado na Líbero Badaró, em São Paulo. “Ia pra lá só pra comprar lápis francês e outros materiais”, destaca em tom bem-humorado. Mesmo muito jovem, os desenhos do artista já representavam mais que formas e cores; era o reflexo de um dom que partia do coração e se conduzia até os dedos das mãos. “Resolvi ir para São Paulo e Rio de Janeiro, o sonho de todo menino. Só que como vivíamos a Ditadura Militar era complicado. Sem emprego fixo, um garotinho era visto como suspeito”, revela.
Depois de dois anos vivendo entre São Paulo e Rio de Janeiro, produzindo arte final para listas telefônicas, Roberto Persil não conseguiu alcançar o sonho, mas descobriu nas capitais um novo fazer artístico. “Em 1973, me encantei pelas esculturas em madeira. Naquele tempo, trabalhos que valorizavam a cultura brasileira, principalmente nordestina, estavam no auge”, reitera. Mesmo não lucrando muito nas capitais, o artista trouxe consigo uma bagagem cultura que, segundo ele, não tem preço.
“Troquei a arte pela sobrevivência”
Em 1976, Roberto Persil começou a trabalhar com esculturas em madeira. Logo foi obrigado a render-se a uma indústria cultural em que a originalidade artística perdia espaço para a injusta e desleal dinâmica das produções em série. “Como não tinha terminado a faculdade ainda, troquei a arte pela sobrevivência. Fazia tudo em um atelier no fundo de casa”, salienta.
No ano seguinte, retomou a carreira artística e conquistou estabilidade financeira se tornando professor de português. Em 1980, o artista ganhou seus primeiros prêmios. “Lembro bem da primeira vez. Foi no 2º Salão de Artes Plásticas para Novos, em Cascavel [no Oeste Paranaense]. Acho que deveriam investir mais nesses salões porque ajuda os artistas que estão em processo de maturação”, recomenda.
De acordo com Persil, é lamentável que os curadores de eventos artísticos não visitem ateliers de artistas principiantes. “São esses que precisam de ajuda, não os renomados. Nenhum órgão vinculado à cultura brasileira dá valor a quem está começando”, desabafa. Uma ótima contribuição seria a Secretaria de Cultura do Estado ou o Ministério da Cultura, por exemplo, ajudarem jovens artistas a criarem seus primeiros catálogos.
Contra o estrangeirismo
Produzir peças que resgatem a cultura nativa brasileira significa ofertar elementos históricos ainda desconhecidos pela população. Com esse pensamento, Roberto Persil faz um apelo para que os novos pintores e escultores brasileiros acreditem em si mesmo e no local em que vivem.
“Um artista não deve se vincular a estrangeirismo nenhum se quer reconhecimento genuíno. Devemos parar de importar ideias. Temos doze horas de luz, e essa luminosidade já pode ser explorada como fruto da nossa cultura”, enfatiza.
Saiba mais
Roberto Persil produzia 15 esculturas por semana na época em que contava com ajuda de um auxiliar.
Em média, o artista plástico pinta uma tela por semana.
Frase de destaque
“Nunca saberei dizer quantos desenhos já fiz, porque toda arte que produzo nasce de um desenho.”