David Arioch – Jornalismo Cultural

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Partido ANIMAIS precisa de 500 mil assinaturas para concorrer às eleições

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“Temos uma pauta clara, a ampla defesa de todos os animais nas suas representações biológicas”

Qualquer pessoa que entenda que a criação do partido é um direito democrático pode contribuir, seja preenchendo uma ficha de apoio ou ajudando a coletar assinaturas (Foto: Partido ANIMAIS)

No final de 2015, integrantes de mais de 20 organizações não-governamentais (ONGs) e representantes de 18 estados do Brasil se reuniram e concluíram que o Brasil precisa de um partido voltado à defesa dos direitos animais, já que praticamente todos os partidos ignoram essa causa. Como resultado de uma série de discussões, o grupo elaborou um estatuto e fundou o Partido ANIMAIS em agosto de 2016 mediante publicação no Diário Oficial da União.

Atualmente o partido já conta com o apoio de partidos e iniciativas que atuam na defesa dos direitos animais nos Países Baixos, Espanha, Portugal, Itália, Reino Unido, Estados Unidos e Austrália. Porém, para que o partido possa atuar como ferramenta política, ou seja, disputar as eleições nas esferas municipal, estadual e federal, é necessário que pelo menos 500 mil assinaturas válidas sejam entregues pelo partido ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Sendo assim, o Partido ANIMAIS precisa de ajuda do maior número possível de pessoas que veem essa iniciativa como um bom ponto de partida para a defesa contínua dos direitos animais em âmbito político. Na realidade, qualquer pessoa que entenda que a criação do partido é um direito democrático pode contribuir, seja preenchendo uma ficha de apoio ou ajudando a coletar assinaturas. “A assinatura de qualquer pessoa é importante. Esse apoio não é filiação, quem colabora não tem qualquer compromisso com o partido. Apenas reconhece que o partido tem o direito de atuar como ferramenta política. As pessoas não precisam se preocupar, todos os dados são confidenciais e enviados apenas para o TSE”, explica o porta-voz Frank Alarcón.

O Partido ANIMAIS é o primeiro projeto político animalista latino-americano que conseguiu vencer todas as etapas burocráticas que o Tribunal Superior Eleitoral exige, desde o cadastro na Receita Federal, publicação no Diário Oficial e obtenção de CNPJ. Ou seja, todas as exigências do poder público. “Estamos agora na fase final e mais trabalhosa que é a obtenção das 500 mil assinaturas válidas. Queremos chegar a três milhões de fichas de apoio, porque isso seria um excelente sinal de que existe uma massa crítica, uma parcela significativa da sociedade civil que tem interesse genuíno na discussão e defesa dessas pautas que nos são caras, e que se voltam principalmente para a defesa dos animais não humanos”, relata Alarcón.

Na prática, o apoio ao Partido ANIMAIS ocorre de forma bem simples, bastando o apoiador informar dados como o nome completo, número do título de eleitor, zona de votação e assinatura semelhante a do título. Os dados devem ser precisos senão a ficha pode ser considerada inválida pelo Tribunal Superior Eleitoral. “Temos uma pauta clara e de fácil compreensão, a ampla defesa de todos os animais nas suas mais diversas representações biológicas. Além disso, estamos realmente focados na proteção do meio ambiente e na implantação de soluções que amenizam o imenso impacto humano causado sobre o planeta. Lembre-se: nós seres humanos também somos animais”, enfatiza Frank Alarcón.

O partido fundado em 2016 tem conquistado boa aceitação, inclusive de muitas pessoas sem qualquer relação com a causa animal. A explicação para isso é bem simples. “Elas entendem que é justo que um partido animalista também tenha a sua expressividade, espaço de manifestação dentro do cenário político”, justifica o porta-voz do Partido ANIMAIS.

Para quem quer contribuir coletando assinaturas, o site do partido disponibiliza as fichas de apoio e a Cartilha de Coleta de Assinaturas (CCA) com todas as diretrizes de coleta e preenchimento das fichas de apoio. Oferece também sugestões de abordagem para se obter resultados mais eficazes. É uma cartilha indicada para qualquer pessoa, sem restrições. “Temos até a metade de 2018 para fornecer as assinaturas. Poderíamos tentar fazer isso até março para termos candidatos concorrendo ao pleito de outubro, porém no momento a nossa atenção está completamente voltada para a conquista das 500 mil assinaturas válidas”, revela Frank Alarcón.

Segundo a diretoria do partido, assim que o ANIMAIS for reconhecido pelo TSE como um partido em condições de atuar como ferramenta política, o movimento nacional em defesa dos direitos animais terá uma nova opção nas eleições, assim como todos os eleitores que buscam renovação. “Poderemos colocar em curso práticas que normalmente ONGs não conseguem, como um mandado de segurança junto ao STF [Supremo Tribunal Federal] contra qualquer um dos absurdos relativos à exploração animal que você possa imaginar. É algo que nos dará a possibilidade de expandir a nossa linha de atuação em relação à questão animal e ambiental. Afinal, somos um partido animalista que prega a completa abolição da exploração e do uso animal. Todos nós somos veganos e entendemos os animais como indivíduos”, argumenta Alarcón.

De acordo com o porta-voz do Partido ANIMAIS, é preciso de uma vez por todas ocupar um espaço político de forma séria e definitiva no que diz respeito à questão animal. “Devemos nos lembrar que aqueles que não gostam ou não se interessam por política estão condenados a serem governados por aqueles que se interessam. Se nós não tomarmos a frente nessa luta, outros o farão, e são grupos ou interesses contrários aos que temos, que é a defesa de animais não humanos, meio ambiente, enfim, vulneráveis de um modo geral. Se não tomarmos a dianteira e coletarmos as assinaturas que precisamos dentro do prazo estabelecido, estaremos perdendo uma grande oportunidade”, alerta Frank Alarcón.

Saiba Mais

Quando for preencher a ficha de apoio, caso o apoiador não esteja com o título à mão, aconselha-se entrar no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e resgatar essas informações. Para isso, basta informar o nome completo, nome completo da mãe e data de nascimento. Com essas informações, o TSE fornece instantaneamente o número do título de eleitor e o número da zona de votação. Caso o apoiador não possa fazer esse resgate, ele pode fornecer os seus dados a lápis no verso da ficha para uma equipe de colaboradores do Partido ANIMAIS. Assim eles poderão resgatar no site do TSE os dados que faltam.

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Entre em contato para participar: partido@animais.org.br

 





 

A surpresa de Tom Regan em sua primeira grande conferência sobre proteção animal

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Tom se recusou a se alimentar de animais

Depois de tornarem-se vegetarianos, o filósofo Tom Regan e a esposa Nancy decidiram participar de uma conferência sobre proteção animal na Universidade de Cambridge no verão de 1978. O tema naquele ano era o “laço que envolve humanos e outros animais”. Regan ficou extremamente empolgado com a possibilidade de conhecer os maiores pensadores da época tratando-se da questão animalista.

Porém, à noite, durante o primeiro jantar realizado pelos organizadores da conferência, Tom e Nancy ficaram chocados quando viram que o prato principal era “filé wellington”, que consiste em filé mignon coberto por massa folhada. O café da manhã oferecido ao casal incluía presunto, bacon, salsichas e arenque. Os almoços contavam inclusive com pâncreas de bezerro e fatias de língua ensanguentada. Na segunda noite, a comissão organizadora da conferência ofertou aos convidados um jantar com carne de veado selvagem. Nos outros dias, serviram perna de carneiro assada e vitela cordon bleu.

Constrangidos nessas situações, Tom e Nancy pediam que lhes preparassem algo livre de qualquer ingrediente de origem animal. O filósofo não considerava correto passar o dia discursando sobre os deveres humanos para com os animais e depois alimentar-se deles. Quando a comissão organizadora foi informada da recusa de Tom e Nancy em alimentar-se de animais, interpretaram aquilo como insolência, um tremendo desrespeito. Na realidade, os poucos vegetarianos da conferência passaram a ser vistos com maus olhos.

Apesar de tudo, a experiência serviu para mostrar ao casal de defensores dos direitos animais que diferentes pessoas entendem a proteção animal de diferentes modos. A importante lição influenciaria o caminho trilhado por Tom e Nancy, e reforçaria o posicionamento dos dois em relação ao que acreditavam e lutariam para defender, mesmo que isso custasse confrontar muita gente ligada à proteção animal.

 





Caninus, a história de uma banda vegana liderada por pit bulls

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Proposta era conscientizar sobre vegetarianismo, veganismo e adoção de cães abandonados

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Fundada em 2003, a banda nova-iorquina de grindcore Caninus, que chegou definitivamente ao fim no início de 2016, conquistou muita popularidade ao longo dos anos por ter duas cadelas da raça pit bull terrier como vocalistas – Basil e Budgie. Com uma proposta de promover o vegetarianismo, veganismo, a importância da adoção de cães abandonados e a conscientização em torno da desinformação sobre os pit bulls, a banda surgiu por iniciativa do guitarrista Justin Brannan e da guitarrista Rachel Rosen, da banda de Metalcore Most Precious Blood, que são ativistas dos direitos animais.

“As duas cadelas eram muito vocais, sempre brincávamos com elas, e elas possuíam rosnados excelentes. Crescemos ouvindo Cannibal Corpse, Napalm Death e Terrorizer [bandas de metal extremo], então achamos que seria engraçado fazer um som com elas rosnando sobre a música”, conta Brannan.

O que começou como uma brincadeira que entraria como bônus em um CD do Most Precious Blood, se tornou algo mais sério. Eles receberam propostas para gravar alguns discos, sem qualquer compromisso, e aceitaram. “O Caninus surgiu com uma mensagem bem direcionada – direitos animais, vegetarianismo, veganismo e adoção de animais. Nosso propósito maior era esse, até porque Budgie e Basil foram adotadas, eram cães resgatados por nós”, garante o guitarrista.

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A princípio, muita gente achou que o Caninus era uma sátira às bandas de grindcore e brutal death metal, porém Justin e Rachel fazem questão de deixar bem claro que isso não era verdade. “Todas as bandas de death metal têm caras que tentam soar como animais, e percebemos que poderíamos dar isso a eles da forma mais verdadeira possível. Somos fãs desses estilos. Não fazemos piadas disso. Foi tudo uma boa diversão. E os cães eram as estrelas. Somos os anônimos, seres humanos descartáveis”, esclareceu Brannan.

Até 2011, o grupo lançou o álbum “Now the Animals Have a Voice”, de 2004, um split com o projeto Hatebeak – que tem como vocalista um papagaio do congo chamado Waldo, e outro split com a banda também vegana Cattle Decapitation, os dois em 2005 e lançados pela War Torn Records. Entre as músicas mais conhecidas do Caninus estão “Brindle Brickheads (Unprecedent Ferocity)”, “No Dogs, No Masters”, “Fear of Dogs (Religious Myths)”, “Human Rawhide”, “Bite the Hand That Breeds You”, “Locking Jaws” e “Fuck The American Kennel Club”.

Esta última é uma crítica ao American Kennel Club, um dos maiores clubes de registro de genealogias de cães dos Estados Unidos, que realiza um trabalho que vai contra tudo aquilo que o Caninus defende, já que a banda entende que esse tipo de entidade só existe porque há pessoas criando animais de raças que são visadas comercialmente, assim estimulando a venda de cães como produtos e inviabilizando a adoção de animais abandonados.

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“As canções dizem respeito a questões que os pit bulls enfrentam hoje. É a raça mais mal compreendida e abusada lá fora”, acrescentou Brannan. Entre os bateristas que participaram do Caninus, um dos grandes colaboradores foi Colin Thundercurry. Em 2008, o baterista Richard Christy, que tocou com importantes bandas de metal como Death, Control Denied e Iced Earth participou de algumas músicas do Caninus.

Todo o processo de gravação da banda só foi colocado em prática com os cães bem à vontade, e livres para serem eles mesmos. Justamente para não condicioná-los, Justin Brannan e Rachel Rosen optaram por não fazer shows.

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Mesmo assim, o trabalho do Caninus foi longe, e teve um retorno tão positivo e inesperado para os músicos que até celebridades como as atrizes Susan Sarandon e Bernadette Peters declararam o seu amor pela banda e pela proposta de conscientização sobre os direitos animais.

Infelizmente, em 5 de janeiro de 2011, Basil faleceu aos dez anos, e sua morte se tornou notícia em diversos sites especializados em heavy metal. O Metal Sucks, um dos mais populares, publicou um texto em que declarou: “Sabemos como os animais podem tocar a vida das pessoas e sentimos sinceramente ao saber da passagem de Basil, R.I.P., nossas condolências a Justin e Rachel.”

O Caninus ainda realizou alguns registros ocasionais, inclusive assumiu o compromisso de lançar um novo disco em 2016, mais uma vez sem finalidade comercial, porém, a vocalista Budgie faleceu em 3 de janeiro de 2016, aos 16 anos, assim marcando o fim definitivo da banda. Em homenagem à ela, Justin e Rachel publicaram um texto emocionado:

É com grande tristeza que devemos transmitir esta mensagem:

Budgie, a fundadora e único membro original do Caninus, faleceu. Ela tinha 16 anos. Originalmente chamada Shelby, depois de ter sido atirada de um Mustang e deixada para morrer com uma pesada corrente ao redor do seu pescoço, ela foi adotada por Belle [Rachel] and Sudz [Justin], do North Hempstead Animal Shelter, e renomeada Budgie. Ela ganhou uma nova vida no Brooklyn no verão de 2000.

Budgie era muito parecida com o Lemmy [Kilmister]. Desde o primeiro dia, ela viveu sua vida baseada em suas próprias regras. Era uma apaixonada e tinha o coração de um campeão. Eles dizem que os cães nos ensinam tudo que precisamos saber sobre a vida sem dizer uma palavra – esta era Budgie. Há alguns meses, Budgie gravou vocais para o lançamento do último trabalho do Caninus, que deve ver a luz do dia em breve.

Todos nós fomos sortudos por tê-la conosco pelo tempo que foi possível. Ela tocou muitas vidas, lambeu muitos rostos, empurrou muitas pessoas para fora da cama, roubou muitas fatias de pizza, comeu muitos burritos e, mais importante, inspirou muita gente a adotar animais de abrigos em vez de comprá-los em pet shops ou de vendedores online.

Saiba Mais

Antes do surgimento do Caninus, Justin Brannan e Rachel Rosen já realizavam trabalho voluntário no North Hempstead Animal Shelter, uma das entidades mais respeitadas no resgate de animais abandonados em Nova York.

No site do Caninus, eles divulgavam produtos livres de crueldade contra animais e também dicas para veganos e para quem tinha interesse em aderir ao veganismo, além de informações sobre doações e resgate de animais.

Referências

Caninus

http://www.verbicidemagazine.com/2013/08/08/caninus-grindcore-death-metal-band-dog-vocalist-singers-brindle-brickheads/

http://www.metalinsider.net/in-memoriam/r-i-p-budgie-pit-bull-and-caninus-vocalist

http://www.mtv.com/news/1525305/for-those-about-to-squawk-metal-bands-with-non-human-singers/

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Guatemala proíbe testes em animais e aprova leis que criminalizam outros abusos

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Considerada uma conquista histórica, a lei promete melhorar a vida dos animais no país

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Teste em animais passa a ser considerado crueldade contra animais (Foto: Arzte Gegen Tieversuche)

Na semana passada, o Congresso da Guatemala aprovou um pacote de leis proibindo uma série de abusos contra animais. Por enquanto, uma das mais importantes foi a proibição da realização de testes em animais na indústria cosmética. Considerada uma conquista histórica, a lei promete melhorar a vida dos animais no país.

Além de evitar que animais sejam usados pela indústria cosmética, também passa a ser considerado crime qualquer abuso contra animais selvagens e animais de companhia, incluindo uso de animais em circos e lutas de cães. Sobre essa conquista, a CEO da Cruelty Free International, Michelle Thew, disse que conforme países como a Guatemala caminham em direção ao futuro há um ímpeto maior em torno de uma adesão global.

“A única maneira de garantir que nenhum animal sofra nessa indústria é por meio da proibição global, proibindo em todos os lugares. O próximo passo é que a ONU tome uma iniciativa decisiva e adote uma convenção internacional que ajude a acabar com esses testes antiquados e cruéis para sempre”, declarou. A Cruely Free International é uma organização que já ajudou mais de 30 países a proibirem testes em animas.

O novo conjunto de leis aprovado pelo Congresso da Guatemala contou com consultoria da Humane Society International (HSI), que tem experiência em legislação voltada à proteção de animais. “A lei enfraquece quem pratica crueldade contra os animais, estabelecendo multas e exigindo que o governo lide com os casos de abuso”, declarou a gerente global de campo da HSI, Cynthia Dent, no site da organização.

A nova legislação também prevê a esterilização e castração de animais, assim diminuindo principalmente a população de cães abandonados. O abandono de animais também passa a ser considerado crime, assim como a caça de animais selvagens.

“A lei cria uma plataforma oficial de governo para tratar do bem-estar animal”, informou o presidente da Humane Society, Wayne Pacelle.  A HSI, que continua prestando consultoria ao governo guatemalteco, já ajudou o estado do Pará a banir o teste em animais. No Brasil, a organização também trabalha com programas de eliminação de práticas de confinamento intensivo de animais de produção e com a campanha “Segunda Sem Carne”.

Ajuda

Participe da campanha da Cruelty Free International para banir mundialmente o teste em animais na indústria cosmética:

https://e-activist.com/page/6541/data/1?ea.tracking.id=web

Referências

https://www.crueltyfreeinternational.org/guatemalan-congress-approves-animal-testing-ban

http://blog.humanesociety.org/wayne/2017/02/guatemala-passes-omnibus-anti-cruelty-law-striking-blow-against-wide-range-of-practices.html?credit=blog_post_030317_idhome-page

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Caroline Earle White, uma pioneira da proteção animal

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“Não há dúvida de que sua verdadeira vocação era ajudar os negligenciados, os sem voz: os animais”

Caroline Earle White

Caroline Earle White fundou a Women’s Humane Society em 1869 (Foto: Women’s Humane Society)

Criada em uma família de abolicionistas e sufragistas, Caroline Earle White é um dos nomes mais importantes da história da proteção animal nos Estados Unidos. Em 1869, depois de ter o seu pedido negado para ocupar uma posição de liderança na Pennsylvania Society for the Prevention of Cruelty to Animals (Sociedade da Pensilvânia pela Prevenção da Crueldade aos Animais), e simplesmente por ser mulher, ela fundou a sua própria entidade, Depois criou o primeiro abrigo para animais dos Estados Unidos e a primeira sociedade anti-vivissecção. Em síntese, a sua história é marcada por muita luta e adversidades.

Nascida na Filadélfia, no estado da Pensilvânia em 1833, Caroline Earle White era filha de Thomas Earle e Mary Hussey. Dedicado à causa abolicionista, seu pai era advogado e representava tanto afro-americanos livres quanto fugitivos. Sua mãe, além de abolicionista, também era sufragista. Educada em Nantucket, em Massachusetts, onde estudou astronomia e diversos idiomas, Caroline se interessou ainda muito jovem por questões sociais e humanitárias.

Aos 33 anos, ela se tornou co-fundadora da Pennsylvania Society for the Prevention of Cruelty to Animals (PSPCA), que iniciou suas atividades em 1866. Porém, quando soube que por ser mulher não poderia ocupar nenhuma posição de destaque na entidade, ela optou por se afastar e criou em 14 de abril de 1869 a Women’s Pennsylvania Society for the Prevention of Cruelty to Animals (Sociedade das Mulheres da Pensilvânia pela Prevenção da Crueldade aos Animais).

Segundo informações da Women’s Humane Society, a entidade criada pela Carolina White, e guiada por um conselho administrativo formado somente por mulheres, se tornou uma força na comunidade humanitária. Em 1912, a organização abriu um pequeno abrigo para animais abandonados, dando a eles uma chance de ter um novo lar.

O novo abrigo oferecia o primeiro programa de adoção de animais do país, e foi um grande sucesso porque atendeu uma importante necessidade da comunidade. Até então, os animais que viviam nas ruas sofriam muito, porque havia uma política “higienista” nos Estados Unidos que permitia que eles fossem mortos.

“Há muitas pessoas que, quando lhes pedimos para se juntarem a nós, dizem que preferem trabalhar para os seres humanos. Mas nós não estamos trabalhando para os seres humanos? Nós não estamos nos esforçando constantemente para fazer homens e mulheres mais humanos e dispostos a todos os sentimentos de bondade e a ensinar as crianças a serem gentis e misericordiosas?”, disse Caroline Earle White em declaração histórica que pode ser lida no site da Women’s Humane Society, dos Estados Unidos.

Circa 1911 - Caroline Earle White and the women of the WPSPCA…

Protesto contra a crueldade animal liderado por Caroline em 1911 (Foto: Women’s Humane Society)

Após fundar a American Anti-Vivisection Society (Sociedade Americana Anti-Vivissecção) em 1883, como forma de combater a vivissecção, ou seja, operações feitas em animais vivos com o objetivo de realizar estudo ou experimentação, ela começou a produzir e distribuir folhetos com a intenção de chamar a atenção para a inadmissível violência praticada contra os animais.

Em 1893, na Feira Mundial de Chicago, ela distribuiu milhões de panfletos explicando que os animais usados nesses experimentos eram inclusive roubados. A ideia de que poderia ser errado matar animais mesmo com o propósito de obter alimentos desfrutou de uma proeminência considerável, observou Carol Helstosk na página 184 do livro “The Routledge History of Food”, publicado em 2014.

À época, o vegetarianismo começou a ser promovido em todo o país porque os defensores e simpatizantes da causa animal entenderam que não seria possível lutar pelos direitos animais enquanto se alimentavam de animais. Caroline White adotou o vegetarianismo na década de 1890, assim como sua colaboradora Mary F. Lovell, a escritora e anti-vivisseccionista Cynthia Fairchild-Allen e a fundadora da Boston Animal Rescue League Anna Harris Smith, o que ajudou a fortalecer ainda mais o discurso contra a exploração animal.

“Agora quase todos concordam que os animais inferiores têm certos direitos, tão inalienáveis como os do homem para a vida, a liberdade e a busca da felicidade”, frisou Caroline Earle em citação escrita em um relatório ao Conselho Administrativo da WPSPCA, reproduzida no boletim informativo “The Guardian”, da Women’s Humane Society, em outubro de 2014.

Apesar da sua referência aos animais como “inferiores”, é importante entender que Caroline não via os animais exatamente dessa forma. Talvez ela não tenha usado palavras mais auspiciosas por causa do contexto da época, já que se tratava de uma realidade do século 19. Como ativista, ela também escrevia sobre direitos animais e fez o possível para minimizar o sofrimento dos animais usados principalmente como meio de transporte, que eram vítimas constantes de maus-tratos, assim como cães e gatos.

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Cavalos estavam entre os animais que despertavam sua preocupação (Foto: Women’s Humane Society)

Caroline Earle White garantiu a instalação de fontes de água para cavalos em locais públicos. Em 1909, inauguraram a Caroline Earle White Dispensary, uma clínica que oferecia serviços veterinários gratuitos para equinos e animais menores. Após alguns anos lidando com sérios problemas de saúde, a ativista dos direitos animais faleceu em 7 de setembro de 1916 em Nantucket, Massachussets. “Ela era uma grande mulher com o coração de uma pequena criança. Suas obras a louvam; as milhões de criaturas de Deus que ela salvou do sofrimento cantam em seu louvor”, escreveu a sua sobrinha e poeta Florence Earle Coates.

Apesar da sua morte, as instituições criadas por Caroline continuam na ativa até hoje. Exemplos são a Women’s Pennsylvania Society for the Prevention of Cruelty to Animals, que adotou o nome de Women’s Humane Society em 1988, e a American Anti-Vivisection Society. Segundo a escritora Diane L. Beers, autora do livro “For the Prevention of Cruely: The History and Legacy of Animal Rights Activism in the United States”, Caroline Earle White foi uma pioneira do chamado “feminismo social”.

Ela lutou para que as mulheres tivessem a oportunidade de desempenhar importantes papéis na sociedade, particularmente como fundadoras e líderes de organizações sem fins lucrativos. “Mas não há dúvida de que sua verdadeira vocação em vida era ajudar os negligenciados, os sem voz: os animais. Ela não era apenas prática e inovadora em suas campanhas, mas uma firme e implacável oponente para aqueles que prejudicavam os animais”, definiu Diane L. Beers.

Referências

Beers, Dianne. For the Prevention of Cruelty: The History and Legacy of Animal Rights Activism in the United States. Ohio. Ohio University Press (2006).

Hawthorne, Mark. A Vegan Ethic: Embracing a Life of Compassion Toward All. Changemakers Books (2016).

Mrs. Caroline Earle White, Reformer. Records of the American Catholic Historical Society of Philadephia. Volume 33. Março de 1922 (Página 52).

https://www.womenshumanesociety.org/sites/default/files/5109%20WHS%206%20page_web-10-20-2014.pdf

https://womenshumanesociety.org/history

http://www.museumofanimals.org/caroline-earle-white/3788770

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