David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for the ‘Rua’ tag

Sorrindo na rua

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Arte: Silvina Lanusse

Esses dias, andando pelo centro, decidi sorrir, sorrir sem parar. Comecei a pensar em algumas coisas que me ajudaram a manter o sorriso o tempo todo. Eu sorria e olhava diretamente para os transeuntes. Algumas pessoas gostaram, tanto mulheres quanto homens das mais diferentes faixas etárias. Outras pessoas simplesmente me observavam com expressão de estranhamento, talvez achando que eu tivesse algum problema. Ninguém me ofendeu. Isso é bom.

 





Written by David Arioch

October 17th, 2017 at 11:36 am

Posted in Crônicas/Chronicles

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O homem e o cão faminto

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Arte: Maxim Kantor

No caminho para o veterinário, encontrei um cãozinho roçando o focinho já sujo em uma sacola rasgada de lixo rente ao meio-fio da Rua John Kennedy. Ao lado, restos de alimentos de outras duas sacolas estavam esparramados pela galeria. Perto do animalzinho acastanhado e sujo, um homem gritava e ameaçava golpeá-lo com o cabo de uma vassoura.

— Suma daí, seu lazarento!
— Era só o que faltava. Arrastou todo o lixo. É um filho da…

Vendo a cena, encostei o carro, desci e caminhei até o homem.

— Boa tarde. Tudo bem com o senhor?
— Não tem nada bem aqui. Esse cachorro arrastou todo o lixo. Olhe essa porcaria toda. Vou ter que limpar essa bagunça. Desg….
— O senhor não precisa se preocupar porque eu limpo tudo.

O homem ficou em silêncio me observando.

— Como é?
— Eu limpo a bagunça do cachorro.
— E por que você faria isso?
— Sim. Farei isso para o cachorro não apanhar do senhor.

Silêncio novamente.

— Eu não iria bater nele — explicou visivelmente constrangido, com um sorriso amarelecido.
— Isso é muito bom, senhor. Porque eu realmente não gostaria de apanhar se estivesse faminto e de repente fosse obrigado a mexer no lixo de alguém. É triste, não? Tantos animais abandonados e desejando apenas um pouco de comida para não morrer de fome. Animais como esse não escolheram nascer, mas nem por isso desejam ou merecem sofrer. O senhor concorda?
— Hum…
— É…acho que talvez você tenha razão – respondeu coçando a cabeça.
— O senhor já viu esse cachorrinho por aqui?
— Não.
— Sabe se ele tem casa?
— Não tenho a mínima ideia.
— Essa vida de cão não é fácil, né?

Silêncio.

— Ah, tenho um pouco de comida pronta lá dentro. Acho que não tem problema dar um pouco pra ele.
— Muito gentil de sua parte.
— Que nada. Faço o que posso — comentou sorrindo.
— Não tenho dúvida de que já é mais do que muitos fariam.
— Você acha?
— Sim…
— Pensando bem, acho que posso cuidar dele hoje.
— Sabe, filho, meu irmão tem uma chácara na saída da cidade e acho que pode ser um bom lugar pra um cachorrinho agitado como esse.
— Sério?
— Ah, é sim. É um lugar muito bonito e espaçoso.
— Isso seria muito legal. O senhor vai fazer uma baita diferença na vida dele. Pode ter certeza.
— É…não custa ajudar de vez em quando.
— Se precisar de mim, moro algumas quadras acima, quase em frente ao Corpo de Bombeiros.
— Sei onde é. Já o vi.
— Bom saber. Muito obrigado.
— Disponha.

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Written by David Arioch

July 17th, 2017 at 10:29 pm

Psiu! Psiu!

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“Winter Rags”, de Richard Lithgow

Assim que cheguei em casa, notei que alguém jogou ou deixou cair um pouco de lixo na calçada. Então recolhi e comecei a organizar tudo com os braços apoiados sobre a lixeira. Um sujeito encostou o carro e chamou a minha atenção:

— Psiu! Psiu!
— É comigo?
— Sim…
— Pode perguntar.
— Não quero perguntar nada não, meu amigo. Quero te ajudar.
— Me ajudar? Como assim?
— Olhe, lá em casa está cheio de materiais recicláveis. Pode te garantir uma graninha boa.
— É?
— Sim. Você vai gostar.
— Muito obrigado mesmo. Mas eu moro aqui. Só estou recolhendo o lixo que caiu na calçada.
— Não precisa ter vergonha, rapaz. Seu trabalho é muito digno.
— Ok…
— Quer que te leve lá agora?
— Não precisa não. Estou bem aqui mesmo.
— Ah, mas você pode ganhar uma graninha pelo menos pra tirar ou diminuir essa barba numa boa barbearia.
— Como assim?
— Te reconheci pela barba.
— Reconheceu o quê?
— Que você é andarilho.
— Não sou andarilho…
— É sim.
Abri o portão de casa e ameacei entrar.
— Cuidado, vão chamar a polícia pra você.
— Claro que não.
— Claro que sim.
— Ué…
— Então vamos fazer o seguinte. Fica com meu endereço, e quando você quiser é só passar lá pra buscar.
— Ah sim. Muito obrigado pela gentileza.

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Written by David Arioch

June 15th, 2017 at 1:08 am

Gosto de subverter expectativas

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Arte: Cadenza

Gosto de subverter expectativas. Um motorista apressado ficou irritado quando diminuí a velocidade do carro para que um cão tivesse tempo de atravessar a rua. Incomodado, o sujeito acelerou, buzinou e mostrou o dedo médio. Então retribuí sorrindo e mostrando o dedo polegar. O sujeito ficou desconcertado, e se pensou em me xingar mudou de ideia.





Written by David Arioch

May 27th, 2017 at 3:41 pm

O gato branco com o rato na boca

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Foto: NatalieShuttleworth/Getty Images

Vejo o gato branco e bem alimentado pela vizinha com algo acinzentado na boca. Paro o carro e reconheço que é um ratinho ainda vivo. O gato retribui o meu olhar com altivez. Encosto o carro, desço e vou atrás do gato.

Ele sai correndo e sigo no encalço. Depois de correr três quarteirões, o gato invade um terreno baldio. Pulo o muro e continuo a perseguição. Ele continua me olhando com ar de vitória, uma expressão capciosa de deboche; como se eu jamais fosse capaz de encurralá-lo.

Então o gato se embrenha no meio da sarça e, sem contar com o imprevisível, fica preso em uma planta rasteira. Me aproximo, ele não vela o desgosto. Massageio seu cangote e, apesar da resistência inicial, acaba soltando o ratinho ainda vivo. Por dois ou três segundos, parece que nem o camundongo acredita no que aconteceu. Quando recobra os sentidos, desaparece através de um buraco no muro.

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Written by David Arioch

May 10th, 2017 at 2:19 pm

Um resgate incidental

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17021465_1354973091260749_1752600405138776377_nSaí para correr, e na volta, perto do posto da polícia rodoviária federal, ouvi um gatinho miando, correndo atrás de mim. Parei, ele ficou me olhando e continuei, então ele veio atrás. Peguei ele e voltei correndo. E as pessoas olhando um barbudo musculoso correndo com um gatinho miando e cheirando à manga. Provavelmente foi jogado num descampado.

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Written by David Arioch

March 1st, 2017 at 11:39 pm

Posted in Autoral

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“Fazia muito tempo que eu não encontrava nenhum grego ortodoxo”

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Andando pelo centro de Paranavaí, agachei para amarrar o cadarço do meu tênis, uma pessoa passou e jogou uma nota de R$ 2 e algumas moedas em minha direção. Vai entender. Mais tarde, quando saí da academia e atravessei a rua, uma senhorinha acompanhada da neta, me parou perto do Rotary. Pensei que ela estava perdida ou queria alguma informação, mas me enganei.

Ela pediu para segurar as minhas duas mãos. Reconhecendo seu olhar de ternura, consenti na hora. No mesmo instante, a senhorinha balançou minhas mãos e disse o seguinte: “Olhe esse moço, minha neta! Fazia muito tempo que eu não encontrava nenhum grego ortodoxo nesta cidade. Não estou nem acreditando! Adonai Echad, meu filho!”

20 de outubro de 2016.

Written by David Arioch

November 16th, 2016 at 10:31 am

A lição do malabarista

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Num reflexo inimaginável, o malabarista segurou a pedra no ar

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Sem mudar o semblante, o malabarista continuou movimentando as bolinhas (Foto: Reprodução)

Em frente a um semáforo no centro de Paranavaí, um artista de rua fazia malabarismo quando um rapaz dentro de um carro arremessou uma pedra em sua direção. Num reflexo inimaginável, o malabarista segurou a pedra no ar. Sem mudar o semblante, continuou movimentando as bolinhas que, mesmo com a inesperada adição do calhau, formaram um arco aéreo multicolorido e extremamente vívido.

O responsável pela pedrada agiu como se nada tivesse acontecido. Desviou o olhar, simulou expressão serena e fingiu que estava guardando alguma coisa dentro do porta-luvas. Faltando uma bolinha para o sinal ficar verde, o sorridente artista de rua finalizou a apresentação e, acompanhado de um amigo, se ajoelhou no asfalto gelado e áspero.

No mesmo instante, abriu os braços e pediu que os motoristas aguardassem um momento. “Por favor, esperem! Agora o sinal que está vermelho não vem do alto!”, disse. Todos ou quase todos entenderam o recado. Então ele se levantou e exibiu as palmas das mãos. Eu estava na primeira fileira e vi que as duas tinham inúmeras cicatrizes, mas somente a mão direita sangrava. O sangue escorria pelo seu braço e respingava na rua.

“Por favor, você aí, meu jovem! Venha aqui!”, falou o malabarista para o seu agressor, a poucos metros de distância de mim. O rapaz fingiu que não entendeu e virou o rosto para a calçada à sua direita. O artista de rua caminhou até ele e acenou gentilmente para que saísse do carro. Diante de tantos olhares curiosos e inquiridores, o jovem acabou cedendo.

Fora do automóvel, o agressor ficou constrangido e rubro. Mais do que isso, temeu a reação do malabarista. “Não se preocupe! Só vou dar a você a única coisa que tenho a oferecer. E ela não vem de baixo, não vem de cima, não vem da frente nem dos lados. Ela vem de dentro! É tão poderosa que toca até o intocado”, declarou o artista.

De repente, o malabarista apertou a mão direita do rapaz, fazendo com que ele sentisse o ferimento e o sangue que começava a engrossar em sua mão. Sem dizer mais nada, o abraçou com ternura e devolveu-lhe o calhau tornado vermelho por causa do sangue. “Que nenhum moribundo se entregue ao terror profundo! Porque sem gentileza só resta a aspereza!”, gritou o artista de rua, tão jovem quanto o próprio agressor, antes de subir na calçada.

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Carnavais do passado deixaram saudade

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Época de carnaval é marcada pela lembrança dos grupos que fazem parte da história de Paranavaí

Dorival Torrente e a sua famosa boneca: diversão garantida (Acervo: Sesc)

Em Paranavaí, no Noroeste do Paraná, os carnavais da década de 1970 e 1980, marcados pelos grupos Escola do Biga, Clube da Binidita e Bloco dos Sujos, se caracterizaram como ícones da liberdade. A magia emblemática que deu origem aos ritos carnavalescos se desvaneceu no final dos anos 1990, mas ainda subsiste no ideário de quem viveu esse período. Hoje, prevalece um saudosismo rememorado nos balcões de bares.

Célebre, o ex-jogador e ex-técnico do Atlético Clube Paranavaí (ACP), o falecido Chico Venâncio, conhecido como Biga, é o responsável pelo surgimento do carnaval de rua local. “Em 1975, ele trouxe para a nossa cidade uma realidade conhecida apenas por quem passou pelos grandes centros”, conta o comerciante e ex-integrante do extinto Clube da Binidita, Luís Carlos do Amaral, em referência ao surgimento da Escola do Biga.

Segundo o técnico em atividades do Serviço Social do Comércio (Sesc) e ex-coordenador do extinto Bloco dos Sujos, Dorival Torrente, Biga corria atrás de tudo sozinho, representando magistralmente o ideal de uma época. “Naqueles anos, o pessoal não simplesmente curtia o carnaval, mas vivia. Passavam 12 meses pensando nisso”, comenta Amaral, exemplo pródigo da realidade.

O comerciante foi um membro importante do Clube da Binidita, o segundo grupo carnavalesco da cidade, fundado em 1977, com origem no salão. Somente após dez anos de festividades no Clube Campestre e nas ruas é que houve uma queda no número de participantes da “Binidita”. “Nos primeiros anos, quase todo mundo era solteiro ou só namorava, então a presença era garantida. Já em 1987, muitos estavam casados e se tornaram pais de família”, lembra Luís Carlos.

O terceiro grupo a entrar para a história do carnaval de Paranavaí foi o irreverente Bloco dos Sujos, criado em 1981. Com cunho social e político, os participantes aproveitavam o período de folia para expressar as insatisfações da época. “Era tudo muito divertido. Tinha homem travestido de mulher e vice-versa. Não esqueço até hoje que fizeram um camelo em tamanho original e uma pessoa representando o Saddam Hussein, além de outros personagens políticos”, destaca Dorival Torrente.

Personagens irreverentes do extinto Bloco dos Sujos (Foto: Sesc)

Personagens irreverentes do extinto Bloco dos Sujos (Acervo: Sesc)

O Bloco dos Sujos foi o último dos três a chegar ao fim, encerrando atividades em 1999, quando o Carnaval de rua local perdeu sua importância junto à população.  “Desapareceu a magia de antigamente, pelo menos no interior do Paraná. Vai ser sempre uma época que deixa saudades porque as coisas não voltam”, desabafa Luís Carlos do Amaral.

Torrente concorda e atribui a desvalorização do carnaval a um processo de desvirtuação e individualismo gerado pela tecnologia. “A juventude não valoriza mais o congraçamento social. As pessoas preferem o isolamento diante da TV, aparelhos de DVD e computadores”, lamenta.

Hoje em dia, Torrente, Amaral e outros ex-integrantes dos três grupos ainda relembram o passado quando se reúnem diante de um balcão. “O bar é o local ideal para parir novas ideias e relembrar carnavais de antigamente”, avalia Dorival Torrente.

Auge do carnaval de rua foi na década de 1980

Na década de 1960, os clubes de Paranavaí estavam sempre lotados de foliões no mês de fevereiro. Os maiores exemplos eram o Paranavaí Tênis Clube, Harmonia Country Cub, Clube Campestre e Salão Paroquial da Igreja São Sebastião. “Nessa época, o pau comia”, diz, às gargalhadas, o técnico em atividades do Serviço Social do Comércio (Sesc) e ex-coordenador do extinto Bloco dos Sujos, Dorival Torrente.

O carnaval de rua local teve seu auge na década de 1980, quando a folia era baseada em canções como “Mamãe eu quero”, “Você pensa que cachaça é água?”, “Meu coração é corinthiano” e “Atirei o pau no gato”. As marchinhas compostas na década de 1950 eram determinantes e ditavam o carnaval paranavaiense. “Me recordo das canções do Moacyr Franco e do Sílvio Santos. Eram como símbolos. Bem diferente disso que tocam hoje em dia”, frisa Torrente. A opinião é partilhada pelo comerciante e ex-integrante do extinto Clube da Binidita, Luís Carlos do Amaral que considera inadequado celebrar o carnaval com outros gêneros musicais.

Até 1999, o tradicional carnaval de rua de Paranavaí tinha como ponto de partida a Avenida Distrito Federal, em frente ao Posto São José. “A gente descia até onde está localizado o atual Bar Toyokawa. O movimento nas ruas era imenso, havia muita gente”, explica Torrente. O evento começava às 20h30 e terminava por volta das 23h. Amaral revela que no Clube Campestre reuniam até 20 blocos carnavalescos.

 Clube da Binidita teve quase 300 integrantes

Clube da Binidita colecionava prêmios no carnaval do Campestre (Acervo: Sesc)

Clube da Binidita colecionava prêmios no carnaval do Campestre (Acervo: Sesc)

De acordo com o comerciante Luís Carlos do Amaral, o Clube da Binidita chegou a ter aproximadamente 300 integrantes quando se tornou uma escola de samba. “Esse foi o número de componentes por volta de 1986, quando tínhamos até samba-enredo e resolvemos homenagear o radialista José de Matos, falecido em um acidente automobilístico”, conta.

À época, a conquista de recursos era feita junto ao comércio local que contribuía e muito com o Clube da Binidita. “Foi mais difícil quando resolvemos levar o carnaval do salão para as ruas. Tivemos de montar uma estrutura com instrumentos e roupas”, relata Amaral, mas admite que o esforço valeu a pena.

Com base nas escolas dos grandes centros, o Clube da Binidita tinha samba-enredo, puxador de samba (o próprio Amaral), abre-alas, 60 componentes na bateria, ala das baianas, das crianças e da velha guarda. “Seguimos os moldes do que vimos em São Paulo e Rio de Janeiro. Queríamos fazer bonito perto da Escola do Biga”, revela Luís Carlos, referindo-se ao primeiro grupo carnavalesco da cidade.

O técnico em atividades do Serviço Social do Comércio (Sesc) e ex-coordenador do extinto Bloco dos Sujos, Dorival Torrente, admite ter sido um fã incondicional do Clube da Binidita e afirma que a maior qualidade dos integrantes era o respeito mútuo. “Sempre chegavam a um denominador comum quando queriam decidir algo. Nunca havia briga. Era tudo extremamente organizado”, comenta.

Quando o Clube da Binidita chegou ao fim, Amaral e outros ex-integrantes resolveram fundar a Ala do Cachorro Louco. “Apenas os mais jovens da época participaram. Ficamos alguns anos, só que não era a mesma coisa. O pessoal mais antigo já tinha se desligado do carnaval”, garante o comerciante.

Saiba mais

Origem do Clube da Binidita – Em 1977, Jacaré e Mineiro estavam em um bar próximo à Praça da Xícara. Era sábado, e a pinga com limão era sagrada para os dois no final de semana. Então pediram a birita e em seguida verteram um pouquinho no chão. Quando questionados sobre o ato, disseram que era para São Benedito. Então alguém perguntou: “Por que não Binidita?” Em seguida, batizaram como Clube da Binidita o bloco formado principalmente por apreciadores da cachacinha.

Se estivesse na ativa, o Clube da Binidita completaria 32 anos.

Durante o carnaval de rua da década de 1980, comerciantes aproveitavam a oportunidade parar criar “camarotes” improvisados, com o objetivo de agregar mais renda. Normalmente reservavam espaços privilegiados.

No final da década de 1980, a bateria da Binidita fez uma parceria com o Bloco dos Sujos, dando sustentação musical para o desfile. Mas no final da década de 1990 alguns participantes do Bloco dos Sujos fizeram brincadeiras pejorativas, surgindo embate com a proposta inicial do grupo. Assim a coordenadoria do bloco optou por encerrar as atividades.

O Bloco dos Sujos era conhecido como uma fusão de Clube da Binidita com Escola do Biga. Na década de 1980, os três grupos atraíam pelo menos 12 mil pessoas para as ruas de Paranavaí, uma quantidade superior ao público que prestigiava o desfile de 7 de setembro.

Emblemáticos no carnaval de rua do Bloco dos Sujos eram o bumba-meu-boi e a boneca nega maluca de Dorival Torrente.

Em uma edição do Carnaval de Rua, Lourival Félix Carneiro, que posteriormente se tornaria prefeito de São João do Caiuá, provocou comoção popular ao participar do Bloco dos Sujos com um pênis de três metros usando uma camisinha. A proposta era educativa e alertava para os riscos do HIV.

O ritual do Clube da Binidita antes de se apresentar em público era se concentrar na residência de alguém para tomar caipirinha.

O Clube da Binidita ganhava todos os anos o prêmio disputado por todos os blocos que participavam do carnaval no Clube Campestre.

O folião Luís Carlos do Amaral não costumava entrar em férias. Aproveitava para folgar alguns dias no período do carnaval.

 

 

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Written by David Arioch

February 18th, 2009 at 3:08 pm