David Arioch – Jornalismo Cultural

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Avenida Paulista vai ser cenário do Encontro Vegano Junino no domingo

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O evento vai ser realizado das 12h às 20h nos Salões Gran Real e Nobre do Clube Homs

Encontro Vegano vai oferecer uma grande diversidade de opções alimentícias (Fotos: Divulgação)

No próximo domingo, 24, vai ser realizado na Avenida Paulista, em São Paulo, das 12h às 20h, o Encontro Vegano Junino JMA J’adore mes amis. Realizado nos Salões Gran Real e Nobre do Clube Homs, o evento oferece em 1500 metros quadrados uma grande diversidade de alimentos tipicamente juninos – como bolo de milho, canjica, buraco quente, pamonha, feijão tropeiro, além de muitas outras opções de lanches, refeições, bebidas e sobremesas. Quem chegar às 10h, pode participar das atividades de yoga e meditação.

Além das opções alimentícias, o Encontro Vegano Junino vai contar com expositores comercializando vestuários, calçados, cosméticos, artesanatos e acessórios – tudo isento de exploração animal. Outro atrativo é que a Econudo estará no local com suas peças em inox reutilizáveis, acompanhando a tendência da abolição dos canudos de plástico.

Este ano o Programa das Nações Unidas para Meio Ambiente (UN Environment) elegeu como tema principal o combate à poluição plástica, e cada vez mais a população mundial está se conscientizando sobre a quantidade desnecessária de lixo produzido pela humanidade, gerando impacto negativo no planeta e na vida dos animais – que acabam ingerindo acidentalmente esses produtos que não são biodegradáveis. Como os canudos comuns não são reciclados, o Encontro Vegano JMA o baniu das últimas edições.

Em 2018, o Encontro Vegano JMA completa quatro anos. Aberto gratuitamente ao público, já recebeu cerca de 80 mil visitantes e contou com mais de 500 empreendedores, tornando-se referência no veganismo em acessibilidade. Nos encontros, o público tem uma prova de que é possível um estilo de vida baseado na ética e respeito aos animais, aos humanos e ao planeta.

Acompanhando o crescimento do veganismo no Brasil e no mundo, o evento reúne na curadoria expositores qualificados em bens e serviços veganos, ou seja, baseados em ingredientes e matéria-prima sem origem animal e também não testados em animais. O espaço sempre conta com abertura antecipada para a atividade de yoga e meditação, e presença de ONGs e protetores de animais independentes que recebem doações de ração, medicamentos, fraldas, jornais, tapetes higiênicos, cobertores e outros itens para ajudá-los nos resgates.

Serviço

Encontro Vegano JMA

Entrada gratuita

Av. Paulista, 735 –  Salões Gran Real e Nobre do Clube Homs –  São Paulo

Próximo ao metrô Brigadeiro

12h às 20h – Yoga e meditação às 10h

Acessibilidade com elevador

A maioria dos expositores aceita cartão





Written by David Arioch

June 18th, 2018 at 2:41 pm

Maior feira de produtos naturais do Brasil conta com Espaço Vegano

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O Espaço Vegano pode ser visitado a partir de amanhã, das 11h às 20h, no Pavilhão do Anhembi

O Espaço Vegano vai oferecer uma boa diversidade para quem busca alimentos e produtos isentos de ingredientes de origem animal e livres de testes em animais (Fotos: Divulgação)

Começa amanhã e termina no sábado, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, na zona norte de São Paulo, a NaturalTech – 14ª Feira de Alimentação Saudável, Suplementos, Produtos Naturais e Saúde. Para os veganos, o diferencial é que pelo terceiro ano consecutivo, e em parceria com o Encontro Vegano JMA, o evento disponibiliza uma área com diversos expositores. No local, produtos e serviços veganos serão oferecidos, incluindo lançamentos como salgados, hambúrgueres, doces, bebidas, cosméticos, roupas, calçados e acessórios.

Com entrada gratuita, a NaturalTech deve receber mais de 25 mil visitantes, dentre compradores, profissionais da área de saúde, fornecedores, produtores, imprensa, entidades, associações e instituições de ensino de diversos estados brasileiros e também de outros países.

Vale lembrar que há quatro anos a JMA realiza o Encontro Vegano, aberto gratuitamente ao público em São Paulo, e que já recebeu cerca de 80 mil visitantes ao longo das edições e mais de 500 empreendedores, tornando-se referência em veganismo ao divulgar um estilo de vida baseado na ética e respeito aos animais, aos humanos e ao planeta. Os estandes do Espaço Vegano JMA na NaturalTech ficam na Rua 4E do Pavilhão de Exposições do Anhembi.

Serviço

Pavilhão de Exposições do Anhembi

Av. Olavo Fontoura, 1209 – Portão 1 – Santana, São Paulo – SP

Traslado gratuito entre a Estação Tietê do metrô e a feira

Dias 6 a 9 de junho de 2018 – Quarta a sábado, das 11h às 20h

Credenciamento em www.naturaltech.com.br

 





 

Written by David Arioch

June 5th, 2018 at 2:21 pm

2ª Edição do Mega Brechó Vegano vai ser no domingo em São Paulo

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Arte: Divulgação

No domingo, das 12h às 20h, vai ser realizada a 2ª Edição do Mega Brechó Vegano JMA J’Adore mes amis, na Rua Joaquim Távora, 605 (perto do metrô Ana Rosa), na Vila Mariana, em São Paulo.

Com o tema sustentabilidade e consumo consciente, o evento vegano tem como proposta uma renovação ecológica que envolve desde vestuário, calçados e acessórios à área de alimentação. Na 2ª Edição do Mega Brechó Vegano, os expositores vão comercializar itens promocionais em cosméticos, produtos de higiene, artesanato, decoração, alimentos e artigos para animais.

Todos os itens à venda são produzidos à base de ingredientes e matérias-primas sem origem animal, além de não serem testados em animais. Quem tiver roupas, calçados, acessórios, brinquedos, livros, eletrodomésticos e objetos decorativos também pode levá-los para a Feirinha de Troca, desde que não tenham componentes ou insumos de origem animal.

De acordo com a comissão organizadora, é um evento para toda a família e uma boa oportunidade para fazer aquela limpeza em casa, assim minimizando o acúmulo desnecessário e promovendo mais solidariedade e mais interação social. Diversas ONGs também confirmaram presença no Mega Brechó, onde vão receber doações e realizar a adoção responsável de cães.

Em 2018, o Encontro Vegano JMA completa quatro anos. Aberto gratuitamente ao público, já recebeu cerca de 80 mil visitantes e contou com mais de 500 empreendedores, tornando-se referência no veganismo em acessibilidade. No Mega Brechó Vegano, o público tem mais uma prova de que é possível um estilo de vida baseado na ética e respeito aos animais, aos humanos e ao planeta.

Saiba Mais

O evento oferece acessibilidade com rampa e estacionamento terceirizado. Além disso, a maioria dos expositores aceita cartão. Porém, como o brechó também conta com não comerciantes, é importante levar dinheiro trocado.

Written by David Arioch

April 13th, 2018 at 5:57 pm

Avenida Paulista recebe Festival de Gastronomia Vegana

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Festival vegano vai oferecer opções para todos os gostos no domingo (Acervo: Rayanne Monstans Galavotti/Divulgação)

No domingo, dia 8, das 12h às 20h, o Festival de Gastronomia Vegana JMA J’adore mes amis vai oferecer no Club Homs, no número 735 da Avenida Paulista, próximo ao Metrô Brigadeiro, em São Paulo, um circuito gastronômico com falafel, samosa, cheesecake, bolos, comida árabe, do Congo, da Índia, do Japão e de tantos outros locais – além dos quitutes brasileiros como a coxinha de jaca verde, sorvetes com frutas tropicais, sucos diversos e até alimentos para animais. De acordo com a organização do evento, são muitas as iguarias para provar sem dor na consciência, ou seja, sem exploração animal.

Além da alimentação para consumo imediato no local ou para viagem – como leites, manteigas e queijos, todos de origem vegetal, haverá expositores de outros setores como cosmético, higiene, artesanato, decoração, vestuário, calçados, acessórios e itens para pets. Será um evento para toda a família, com abertura antecipada às 10h para yoga e meditação com Cláudio Duarte; das 14h às 15h30 a nutricionista vegana Andressa Roehrig Volpe palestra sobre “Os benefícios da dieta 100% vegetariana”; e para as crianças haverá às 17h narração de histórias com o tema “O Casarão das Gatas” com Marcya Harco, vegana idealizadora e organizadora do projeto PAZ.

Em 2018, o Encontro Vegano JMA completa quatro anos. Aberto gratuitamente ao público, já recebeu cerca de 80 mil visitantes e contou com mais de 500 empreendedores, tornando-se referência no veganismo em acessibilidade. No festival, o público tem uma prova de que é possível um estilo de vida baseado na ética e respeito aos animais, aos humanos e ao planeta.

Acompanhando o crescimento do veganismo no Brasil e no mundo, o evento reúne na curadoria expositores qualificados em bens e serviços veganos, ou seja, baseados em ingredientes e matéria-prima sem origem animal e também não testados em animais. O espaço sempre conta com abertura antecipada para a atividade de yoga e meditação, e presença de ONGs e protetores de animais independentes que recebem doações de ração, medicamentos, fraldas, jornais, tapetes higiênicos, cobertores e outros itens para ajudá-los nos resgates.

Saiba Mais

Entrada franca com atividades gratuitas

Acessibilidade com elevador

A maioria dos expositores aceita cartão

Página do evento:  www.facebook.com/events/356043328138658

 





O que eu acho do projeto de lei da “Segunda Sem Carne”?

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Fotos: Jo-Anne McArthur/G1

O projeto de lei que estabelece a “Segunda Sem Carne” foi aprovado na Assembleia Legislativa de São Paulo, mas acho difícil ser sancionado pelo governador Geraldo Alckmin. Ele vetou até o projeto de lei que proibia o uso de animais vivos no ensino. Sendo que hoje em dia essa prática não é apenas comprovadamente desnecessária como ultrapassada. Além disso, tem o lobby da indústria frigorífica. Mesmo que isso represente apenas um dia, e em órgãos públicos, os frigoríficos farão alguma pressão.

Acho interessante o projeto de lei porque chama atenção para o assunto, ou seja, leva à reflexão até pessoas que nunca deram atenção para essa questão da abstenção do consumo de carne; mas não sei se isso realmente funcionaria. Tenho visto uma confusão em relação à divulgação nos meios de comunicação. Porque se trata apenas de não fornecer carne em estabelecimentos públicos em um dia da semana, mas isso não significa que esses servidores deixarão de consumir carne nesse dia.





O veto de Geraldo Alckmin ao projeto que garantiria o fim do uso de animais vivos em instituições de ensino

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Uso de animais no ensino é totalmente desnecessário hoje em dia

Projeto de autoria do deputado estadual Feliciano Filho (PSC), disponível em https://www.al.sp.gov.br/propositura/?id=1110256, que garantiria o fim do uso de animais vivos em escolas e universidades de São Paulo, foi vetado ontem por Geraldo Alckmin. Em publicação no Diário Oficial, o governador simplesmente alegou que o tema não é de competência do Estado de São Paulo, já que é tratado e regulamentado em âmbito federal, por meio do Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea).

Mesmo apresentando argumentos consistentes e óbvios de que é possível qualificar bons profissionais e realizar experiências sem o uso de animais, seguindo o exemplo de instituições de ensino dos Estados Unidos, Canadá, Alemanha e Inglaterra, o projeto foi desconsiderado por Alckmin, que parece ignorar o fato de que estamos em 2017 e há inúmeras alternativas sem o uso de animais vivos. As mais comuns são o uso de manequins e cadáveres. Ou seja, ele poderia ter demonstrado mais boa vontade em discutir e entender melhor o projeto que envolve o destino de muitos animais de várias espécies.

É importante ter a compreensão de que os animais não estão disponíveis para serem condicionados aos nossos interesses, de acordo com a perspectiva dos direitos animais. Na literatura científica, há bons exemplos do quanto isso é desnecessário e anacrônico hoje em dia. Em síntese, representa uma falta de visão em direção ao futuro, já que há tantas iniciativas voltadas para garantir, de fato, o verdadeiro bem-estar animal. E claro, talvez haja algum tipo de lobby nesse meio também.

Em março de 2016, uma matéria publicada pela USP, já mostrou o quanto tais práticas são desnecessárias. Infelizmente, ainda assim, o governador Geraldo Alckmin diz em julho de 2017 que é necessário o uso de animais vivos em escolas e universidades. Esses políticos agem de má-fé ou desconhecem a realidade, ou os dois.

Novos métodos substituem o uso de animais vivos nas aulas de veterinária

 

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Written by David Arioch

July 27th, 2017 at 1:19 pm

Livro de poesia, música e HQ em defesa dos direitos animais vai ser lançado no sábado

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Livro “Os Animais Declamam e Cantam” vai ser vendido por R$ 35

Coordenado pelo jornalista Maurício Kanno, o livro “Os Animais Declamam e Cantam” vai ser lançado no sábado às 15h30 no Lar Vegetariano Vegan, em Perdizes, na zona oeste de São Paulo. A obra reúne colaborações literárias e visuais de artistas do Brasil, Peru, Chile, Equador, Colômbia, Argentina, Alemanha e Espanha.

“É um livro que reúne 87 poemas e músicas de 47 autores. O trabalho de compilação, ordenação, estímulo à produção e revisão crítica começou em 2013”, conta Maurício Kanno que coordenou outra antologia literária coletiva publicada em julho de 2016, reunindo 36 contos de 21 autores.

Os subcapítulos dos poemas brasileiros em “Os Animais Declamam e Cantam” foram intitulados como Irmãos Terráqueos, Humanos, Liberdade e Escravidão, e Festa, Dor e Humanos de Esperança. “E Ar, Terra e Água, no caso da poesia hispano-americana”, informa.

As músicas em defesa dos animais incluem rock, pop, samba, rap, paródias de Carnaval e de Natal, além de outros tipos de paródia. “Tivemos a contribuição de 10 artistas gráficos com 16 ilustrações e uma história em quadrinhos poética de sete páginas”, diz Kanno.

“Os Animais Declamam e Cantam” vai ser vendido por R$ 35. Quem não puder participar do evento, pode entrar em contato pelo e-mail mauricio.kanno@gmail.com para checar a disponibilidade de exemplares do livro. “Durante o lançamento, teremos declamações e apresentações das músicas que integram o livro. Além disso, o público e os autores podem debater sobre as obras publicadas”, enfatiza.

Localização

O Lar Vegetariano Vegan fica na Rua Clélia, 278, em Perdizes – a três pontos de ônibus a partir da estação de metrô da Barra Funda. Depois é só descer no ponto do Sesc Pompeia, já que o restaurante fica na mesma rua do Sesc. Chegando ao endereço, suba para o andar superior.

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O Bardo e o Banjo, a força do bluegrass à brasileira

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“Não foi uma formação planejada, mas sim uma união de bêbados que deu muito certo”

As primeiras releituras de O Bardo e o Banjo foram de bandas como Lynyrd Skynyrd, The Beatles e Johnny Cash (Foto: Divulgação)

O Bardo e o Banjo começou fazendo releituras de Lynyrd Skynyrd, The Beatles e Johnny Cash (Foto: Divulgação)

Em 2012, quando o multi-instrumentista e compositor Wagner Creoruska Junior se apresentava nas ruas mais movimentadas de São Paulo, divulgando a cultura bluegrass como um homem-orquestra, ele conheceu o violinista Antonio de Souza. “A ideia de criar uma banda veio daí. E logo sugiram convites para participarmos de shows e festivais. Então pensamos na entrada do Marcus Zambelo como vocalista, visando preencher mais o som que fazíamos. Ele tocava em uma banda cover do Rush”, narra Wagner em referência ao início da banda O Bardo e o Banjo, de bluegrass e folk, criada no mesmo ano.

Com a popularidade do grupo, Maurício Pilczuk, que já integrava outras bandas e era professor de música, foi convidado a ingressar como baixista, dando mais corpo aos shows. “Todos acabamos nos conhecendo enquanto tocávamos por aí. É interessante porque não foi uma formação planejada, mas sim uma união de bêbados que deu muito certo”, conta Creoruska rindo.

As primeiras releituras de O Bardo e o Banjo foram de bandas como Lynyrd Skynyrd, The Beatles e Johnny Cash, com o diferencial de uma peculiar roupagem bluegrass, o que Wagner admite não ser uma novidade, já que nos anos 1970 o grupo Old and in the Way, de San Francisco, na Califórnia, fazia covers do The Rolling Stones.

A primeira música autoral do grupo foi "Sweetums", lançada no final de 2012 (Foto: Divulgação)

A primeira música autoral do grupo foi “Sweetums”, lançada no final de 2012 (Foto: Divulgação)

“O Hayseed Dixie também ficou muito conhecido fazendo isso. Adaptar arranjos é sempre um exercício de desconstrução e reconstrução musical. Para nós é legal porque tocamos do nosso jeito as músicas que adoramos, soando menos ‘agressivas’. É engraçado, por exemplo, tocar ‘Ace of Spades’, do Motörhead, e ver as crianças dançando como se fosse o show daquela galinha azul”, comenta às gargalhadas. Outro ponto positivo é que covers bem executados atraem bom público. Por isso a banda gosta de mesclar músicas autorais e releituras, tornando o show bastante interativo.

Influenciado pela música irlandesa e norte-americana desde a infância, Wagner ainda se recorda das tardes ouvindo os discos de Willie Nelson que pertenciam ao seu tio. “Ouvia também Beatles, Creedence e Rick Wakeman. Mas diria que todos viemos do rock e do metal, embora nossas maiores inspirações sejam Heyseed Dixie, Greensky Bluegrass, Old and in the Way e Bill Monroe, entre outros. Como o bluegrass é um tipo de música folclórica com raízes nas fiddle tunes irlandesas, no country e no blues, nos definimos com bluegrass e folk. Buscamos muito essa linguagem mais tradicional”, destaca.

A primeira música autoral do grupo foi “Sweetums”, lançada no final de 2012. Desde então a boa aceitação estimulou O Bardo e o Banjo a seguir em frente. “Não parei mais de compor e hoje temos cerca de 30 composições, incluindo gravadas e não gravadas”, revela Creoruska. Entre os temas das letras estão o cotidiano, relacionamentos, histórias fictícias e divagações.

De 2012 para cá, O Bardo e o Banjo passou por apenas uma mudança na formação (Foto: Divulgação)

De 2012 para cá, passaram por apenas uma mudança na formação (Foto: Divulgação)

Em 2013, a banda lançou o EP Sinergy, seguido pelo EP Lakeside, de 2014. No mesmo ano lançaram também o álbum Homepath e o CD ao vivo Folk n’ Roll que traz covers de Motörhead, Del and Dawg, Black Sababth, Lynyrd Skynyrd, Dire Straits, The Beatles, Ozzy Osbourne, Old Truck Revival, Johnny Cash e ZZ Top.

“O Homepath teve uma divulgação bem legal desde que foi lançado. Através dele conseguimos matérias em jornais e demos entrevistas para a TV. Inclusive tivemos uma das faixas tocadas em um episódio da novela ‘I Love Paraisópolis’, da Rede Globo”, explica Creoruska. Em síntese, o álbum se tornou uma ótima porta de entrada para os outros trabalhos da banda, também servindo como convite para que mais pessoas conheçam e se aventurem pelo universo do bluegrass.

De 2012 para cá, O Bardo e o Banjo passou por apenas uma mudança na formação. Em 2015, o violinista Antonio de Souza deixou a banda e foi substituído por Peter Harris. “Também fizemos alguns shows com o baixista Beto Grangeia que chegou a tocar baixo no clipe de ‘Homepath’. Tivemos ainda a participação do violinista Rik Dias em alguns shows antes da entrada do Peter”, enfatiza.

Em 2014, a banda lançou o álbum Homepath (Foto: Divulgação)

A banda lançou o álbum Homepath em 2014 (Foto: Divulgação)

O que também chama muita atenção no trabalho da banda é a qualidade dos vídeos, acima da média nacional. De acordo com Wagner, os clipes são sempre produzidos em parceria com produtoras e filmmakers aptos a captarem a essência de cada música. “Fizemos muitos vídeos a convite de produtoras com um portfólio incrível. E todos eles estão disponíveis no YouTube”, avisa.

Atualmente os integrantes estão trabalhando na produção do segundo álbum. Tudo indica que as gravações vão ser iniciadas nos próximos meses. “Quanto a instrumentos novos, estamos experimentando outros timbres. Por exemplo, um banjo feito de lata que uso em algumas músicas novas”, informa Creoruska.

O Bardo e o Banjo já fez shows em nove estados do Brasil. Ainda assim há muitas cidades onde a banda pretende se apresentar até o final do ano. “Agora vamos fazer uma pequena turnê pelo estado de São Paulo. Serão 15 shows em duas semanas. Possivelmente passaremos por Brasília no final de julho e também pela região Sul em agosto e setembro. Em novembro voltaremos a Maringá para participar da Virada Cultural”, anuncia.

“Tocar na rua é uma experiência única”

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Wagner Creoruska: “Fico bastante impressionado com a aceitação do público em geral” (Foto: Divulgação)

O fundador da banda O Bardo e o Banjo, Wagner Creoruska Junior conta que quando começou a tocar sozinho pelas ruas de São Paulo jamais imaginou que um dia as pessoas iriam se interessar tanto por bluegrass e folk. “Fico bastante impressionado com a aceitação do público em geral. Hoje temos muitas bandas de folk, muitos artistas tocando e começando pelas ruas. Acho incrível e apoio todos eles. Tocar na rua é uma experiência única”, admite.

E foi justamente a boa repercussão do trabalho que motivou Creoruska a fundar o projeto Redneck Murder que recentemente disponibilizou o EP No Road is Too Long no site SoundCloud. “É um som mais puxado para o rock e southern rock. Fica o convite para todos ouvirem!”, recomenda o multi-instrumentista que vê a internet como aliada e a considera fundamental na divulgação de sessions, vídeos e matérias sobre o trabalho da banda – publicadas principalmente em blogs. No entanto, defende que o contato com o público nas ruas é de suma importância e nunca deve ser subestimado. “O contato visual real, a música ao vivo ali na sua frente, causa um impacto muito maior do que um vídeo ou áudio na internet”, avalia.

Wagner Creoruska também reconhece o potencial dos sites de financiamento coletivo, ferramenta que tem ajudado a transformar boas ideias em realidade. “Para quem precisa de dinheiro para gravar um álbum ou clipe, o financiamento é uma grande solução. Porém, tem que ser bem pensado e estruturado para que você consiga convencer as pessoas a participarem do projeto”, argumenta.

“Agradecemos sempre aos nossos fãs. Eles são nossos principais parceiros e patrocinadores. Realmente, o Bardo e o Banjo não estaria onde está não fosse por eles” – Wagner Creoruska Junior.  

Formação Atual

Wagner Creoruska Junior – vocal, banjo e percussão

Marcus Zambelo – vocal, bandolim, percussão e sapateado

Maurício Pilcsuk – vocal e baixo acústico

Peter Harris – violino

Saiba Mais

 O Bardo e o Banjo continua aberto a convites de shows. Para entrar em contato, ligue para (11) 98863-2373 ou envie mensagem por WhatsApp. O e-mail da banda é obardoeobanjo@gmail.com. A agenda pode ser acompanhada pelo site www.obardoeobanjo.com

 O CD Homepath, camisetas, bonés e posters podem ser comprados na loja virtual da banda: http://www.obardoeobanjo.lojaintegrada.com.br

Porianna, nascimento e morte de um jovem neonazista

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Não o reconhecia. Defendia crimes contra migrantes, imigrantes e falava em limpeza étnica

A última vez que o encontrei pessoalmente foi em 2001, num festival de bandas de heavy metal no Tribo’s Bar (Foto: Maringá Histórica)

A última vez que o encontrei pessoalmente foi em 2001, num festival de bandas de heavy metal no Tribo’s Bar (Foto: Maringá Histórica)

Conheci Piero pessoalmente quando tínhamos 17 anos. Ele era um adolescente comum. Estatura mediana, magro, cabelos e olhos castanhos e uma exímia vontade de existir e ser notado para além dos cravos e das espinhas que o exasperavam. No final dos anos 1990, nos tornamos amigos por meio da música. Eu já gostava muito de heavy metal e ele também. Então começamos a fazer trade em Maringá, onde ele visitava familiares. Eu saía de Paranavaí e ele de São Paulo. Nos encontrávamos na Musical Box, na Avenida Brasil, onde trocávamos CDs e cópias de fitas de shows em VHS.

Piero era mais tímido do que eu. Falava pouco e não saía sozinho, pelo menos a maior parte do tempo. Me parecia sempre inseguro com seu olhar enviesado e vacilante que fortuitamente mirava o chão ou a parede mais distante. “Depois de mais de dois anos trocando ideias, é legal te conhecer, velho!”, eu disse apertando sua mão tão escanzelada que me dava a impressão de que eu estava segurando pés de galinha. Ele deu um sorriso fragilizado e acenou com a cabeça, em concordância, retomando uma postura que se esforçava para velar uma precoce hiperlordose.

Meu primeiro contato com Piero foi pela internet, em um canal de fãs de heavy metal da velha rede social Brasnet, acessada pelo programa mIRC, muito usado pela geração anos 1980. Tínhamos um grupo de dezenas de pessoas e passávamos pelo menos duas horas por dia tentando expandir nosso canal, fazendo brincadeiras e trocando informações sobre música. Era divertido. Eu era um dos operadores do canal, assim como Piero. Na internet ele se soltava mais. Se sentia mais livre e seguro para manifestar suas opiniões, anseios e inclinações. Nessas horas suas mãos não suavam ou tremulavam porque não havia contato físico. Pessoalmente, Piero só perdia a inibição em shows, quando o álcool e a música em volume extremamente alto o livrava das amarras da excessiva ponderação.

Ficava sorridente, falava com estranhos, perdia o medo de se aproximar de garotas e até trocava números de telefone. Sóbrio, continuava vivendo em um mundo que distante da realidade eletrônica parecia-lhe visceralmente acinzentado e taciturno. Mais tarde, descobri que Piero sofria de ansiedade e depressão. Nem mesmo seu pai sabia disso. A verdade é que se sentia feio, deslocado, magro demais e desprezado pelo mundo. Seu único orgulho eram os cabelos longos que movimentava com a destreza de um chicote amendoado nos shows que assistia motivado pela mais bucólica das empolgações. Sorria como criança vendo um pônei pela primeira vez.

A última vez que o encontrei pessoalmente foi em 2001, num festival de bandas de heavy metal no Tribo’s Bar, em Maringá. Ele tinha bebido bastante e estranhei quando percebi que sumiu em meio à multidão. Eram três horas da manhã e Piero estava lá fora, sentado sobre o meio-fio enquanto a aragem repentina fazia seus cabelos velarem seu rosto como uma máscara. Ele ajeitou os fios e vi seus olhos vermelhos e úmidos – vestígios de choro.

“Meu pai me expulsou de casa e agora estou sem rumo. E pra piorar, ele ainda fez eu perder meu emprego. Foi bêbado lá na loja de discos onde eu trabalhava e bateu no meu chefe, falando que ele estava usando a música pra me ensinar a venerar o diabo. Foi punk, mano! Minha sorte é que arrumei um quarto na casa da minha tia em Santo André”, desabafou.

A mãe de Piero faleceu em decorrência de câncer de mama quando ele tinha 13 anos. A convivência com o pai era muito conturbada. Ele não passava um dia sem ouvir críticas e ofensas à sua aparência e estilo de vida. Sempre que o pai bebia demais era obrigado a suportar as consequências. Muitas vezes teve de pular a janela e dormir em banco de praça para não ser espancado no próprio quarto. A hiperlordose de Piero também era resultado de chutes e socos desferidos pelo pai.

Quando se mudou para Santo André, Piero abandonou o nosso canal na Brasnet. O procurei por semanas até encontrá-lo em um canal secreto chamado Porianna. Consegui ingressar no grupo com um novo pseudônimo, me passando por outra pessoa. A liberação levou alguns dias. No grupo, Piero usava o nome de Globocnik, em homenagem ao austríaco Odilo Globocnik, general da SchutzStaffel (SS), a tropa de proteção do partido nazista.

Piero usava o pseudônimo de Odilo Globocnik, general da SchutzStaffel (SS) (Foto: Reprodução)

Piero usava o pseudônimo Globocnik, em homenagem ao general da SchutzStaffel (SS) (Foto: Reprodução)

Porianna era um grupo neonazista criado em 1999 e que contava com dezenas de participantes, talvez muito mais, principalmente das regiões Sul e Sudeste do Brasil. Alguns defendiam o racialismo pacífico enquanto outros pregavam o ódio contra raças não-brancas, defendendo inclusive ações pontuais de violência que eram cuidadosamente articuladas. Muitas eram tão bem mascaradas que a polícia acreditava que eram casos isolados.

Acompanhando o grupo pelo canal da Brasnet, notei o embrutecimento e a transformação de Piero. Não o reconhecia. Defendia crimes contra migrantes e imigrantes. Falava em limpeza étnica e na aquisição coletiva de uma fazenda onde fundariam a sociedade Porianna, um novo país dentro do Brasil, onde pessoas armadas impediriam a entrada de pessoas não-brancas.

“Estamos em todas as camadas da sociedade. Temos os boneheads na parte mais baixa da pirâmide, agindo junto ao proletariado, e juízes, advogados, médicos, engenheiros e jornalistas, todos bem preparados para influenciar a opinião pública. Não há como isso dar errado. Pode ser que não tão logo, mas um dia chegaremos lá”, declarou um homem, fundador do grupo que usava o pseudônimo de Plínio Salgado, em homenagem ao criador do movimento integralista ultranacionalista.

À época, registrei o discurso de uma mulher de 29 anos que se dizia juíza e era conhecida no Porianna como Vera Wohlauf por causa da sua simpatia pela esposa do oficial da SS Julius Wohlauf. O casal ficou famoso após passar a lua de mel assistindo e participando do massacre de judeus no gueto polonês de Miedzyrzec-Podlaski em 1942.

“A democracia não funciona, só que devemos fingir que sim. O que precisamos é encontrar, forjar ou criar um ponto de ruptura que faça a população, até mesmo inferiores como pretos, amarelos, pardos e outros mestiços, acreditarem que o melhor caminho é uma política austera e ao mesmo tempo flexivelmente reacionária. As pessoas precisam achar que existe liberdade demais e que isso está associado à libertinagem. Façamos de conta que a nossa política há de ser maleável e quando ascendermos ao poder colocaremos em prática o nosso segundo plano que é a instauração de um governo verdadeiramente estoico, de extrema direita, mas muito superior ao molde hitlerista e franquista. Pinochet também descambou para o fracasso. O segredo é fingir que todos estão incluídos em nossas propostas. Nossa propaganda deve ser voltar para isso, uma ilusão factível”, dissertou Vera.

Aproximadamente um mês depois de ingressar no canal, conversei com Piero. Ele parecia mais seguro de si. No entanto, eu não tinha a mínima ideia de como isso poderia ser bom, levando em conta que ele se tornou uma pessoa completamente diferente. Estava morando sozinho e me contou que era bem pago para produzir, distribuir e despachar o material de divulgação do Porianna.

“A nossa sociedade foi construída sob os preceitos da cultura branca, totalmente ocidentalizada, então por que devemos absorver uma cultura que não corrobora esses valores? O resto é irrelevante, meu amigo, não tem o mesmo peso, a mesma significância. E quem não aceita isso merece ser expulso do Brasil, nem que seja à base de chutes e socos. Ter a pele clara também não diz nada. O que vale é a sua origem, sua identidade racial. Se você tem sangue não-branco, você não é branco, mesmo que sua pele seja a mais clara do mundo. Cor de pele não prova que você seja caucasiano. Os traços também dizem mais do que a cor da pele”, defendeu Piero numa noite de conversa privada.

Ele já não ouvia mais heavy metal, somente bandas nacionais e internacionais de hatecore e rock against communism (RAC), grupos que pregavam racialismo, racismo, xenofobia, separatismo, violência e intransigência política e social. “Pela primeira vez eu tenho família, cara! Sou amado de verdade. Sou Porianna até a morte!”, comentou em outra ocasião. Um dia, não resisti e falei a ele quem eu era de verdade.

O questionei sobre o seu sumiço e o novo rumo de sua vida. Deixei claro que era difícil crer que alguém pudesse mudar tanto e se tornar algo completamente avesso a tudo em que ele acreditava. “Você desprezava violência e preconceito, cara. Tudo aquilo que seu pai era te dava repulsa. O que houve nesse entrementes?”, disparei. Piero demorou a responder e fiquei em silêncio aventando o que me esperava. Talvez me denunciasse e neonazistas viessem atrás de mim. Quem sabe a poucos quilômetros de distância houvesse algum simpatizante do Porianna disposto a atear fogo em minha casa quando soubesse que eu não era um deles.

Mas isso não aconteceu, embora a probabilidade não pudesse ser desconsiderada. Isto porque na chamada mais baixa hierarquia, o grupo contava com pessoas sem perspectivas de futuro. Eram capazes de matar ou morrer por um propósito, mesmo que ruim. Confundiam a ficção com a realidade, crentes de que talvez fossem heróis, que a morte não era o fim e que talvez renascessem como um tipo mais contemporâneo de highlander.

“Você é um merda, David! Sempre com esse papo de tolerância e não percebe que a própria vida é uma guerra. Estamos aqui para mostrar que uns merecem mandar e outros nasceram para obedecer. Nem todo mundo deve ter direito à vida, e muito menos o direito de tomar decisões que exigem reflexão. O mundo deve ser comandado pelos fortes, pelos puros de sangue, que conhecem a sua própria história. Não quero um mundo que prega a mistura de raças, a extinção dos povos caucasianos. Brancos não devem ser influenciados por outras raças”, registrou sem velar a irritação.

Depois daquele dia, desapareci do canal e soube que eles migraram para a rede internacional Undernet, onde criaram um vínculo com neonazistas portugueses. Em 2004, Jonas, um amigo em comum com Piero, dos tempos de shows em Maringá, me informou que ele foi assassinado dentro de casa, em Santo André. Além de mim, havia outro jovem infiltrado no grupo e ele estava lá para preparar uma retaliação pela surra que um grupo de simpatizantes do Porianna deu em seu irmão, um sharp (skinhead contra o preconceito racial), perto da Praça da Sé, em São Paulo, o deixando paraplégico.

Piero, que desconhecia o episódio, ouviu alguém batendo palmas em frente à sua casa numa manhã ensolarada de verão. Assim que se aproximou do portão segurando um copo de café, um homem disparou um tiro certeiro contra seu peito. O copo se espatifou no chão e Piero caiu agonizando, ainda com vida. Porém não resistiu às coturnadas que recebeu na cabeça, causando afundamento craniano e morte cerebral. Sobre a estante na sala de Piero havia uma foto em que aparecia eu, ele e Jonas em frente ao Tribo’s Bar em 2001. Naquela madrugada, Piero imobilizou um ladrão, impedindo que um sharp que também estava no Tribo’s fosse assassinado a facadas por um ladrão no Terminal Rodoviário Urbano de Maringá.

Aves Exiladas

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Eles contavam histórias de um lugar mítico, chamado Paraná. Um mar de terras férteis

Crônica em homenagem aos paranaenses faz parte do livro "Memorial do Alto Tietê", de Antonio Neto (Foto: David Arioch)

Crônica em homenagem aos paranaenses faz parte do livro “Memorial do Alto Tietê”, de Antonio Neto (Foto: David Arioch)

Maringá, Apucarana, Cornélio Procópio, Londrina, Cianorte, Campo Mourão, São José dos Pinhais: nomes que começaram a ser ouvidos na periferia de Poá, em meados dos anos 70, com a chegada de inúmeras famílias paranaenses. Eles contavam histórias de um lugar mítico, chamado Paraná. Um mar de terras férteis. Um mundo belo, onde cresciam as lendárias araucárias e se ouvia o canto da gralha azul.

Chegavam famílias inteiras. Pai, mãe, filhos e agregados. Procuravam os terrenos baratos da periferia. Construíam casas pequenas, nas quais acontecia o milagre do compartilhamento dos mínimos espaços e recursos. Êxodo rural era uma expressão que eu não compreendia. Quando, por acaso, eu a ouvia; logo imaginava o êxodo bíblico. Moisés à frente. O povo eleito atrás. Seguindo-o. Todos atravessando, estupefatos, o Mar Vermelho. Qual faraó teria expulsado tanta gente do Paraná? Quem seria o Moisés que os conduzira até ali?

Perguntas que ficaram sem resposta…

Início dos anos 80. Mais famílias chegando! Construção do conjunto habitacional Nova Poá. Meu pai e um vizinho, paranaense, trabalharam na construção desse novo bairro. Íamos eu e uma mocinha, a Eva, levar as marmitas para os nossos pais. A Eva me falava de Maringá, da torre da catedral em formato de cone e de outras singularidades. Ganhávamos, desses vizinhos, belos cartões-postais dessa terra intrigante.

E a década de 80 avançava trazendo mais gente do Sul. Que faraó teria o poder de exilar tanta gente? Quem seria o Moisés que guiaria esse povo? Adonai! Não havia nenhum Moisés! Só a dor de deixar a terra natal e chegar, quase sem recursos, a uma Canaã pauperizada!

Muitos migrantes, que chegaram crianças, já são avós. Criaram raízes no Alto Tietê. Perderam a verdura e o cheiro de novidade que trouxeram na chegada. Foram bem-vindos! Integraram-se! Trouxeram cultura e foram aculturados. Antropofagia cultural: paulistas e paranaenses.

O Alto Tietê acolheu e aninhou um número fora das estatísticas dessas aves exiladas, que chegaram cansadas, desiludidas e traziam no olhar a esperança de encontrar a Terra Prometida. Adonai!!! Por que da terra não mana mais leite e mel?

Crônica de autoria do escritor paulista Antonio Neto, radicado em Santa Maria de Jetibá, no Espírito Santo. O texto faz parte do seu livro de crônicas “Memorial do Alto Tietê, comercializado no site da livraria da Editora Penalux (editorapenalux.com.br/loja) por R$ 32.  

Sobre a crônica, Antonio Neto explica:

“É um tributo aos migrantes paranaenses que se aninharam no Alto Tietê. A migração paranaense ficou esquecido por causa da maciça migração vinda de outros estados. Então eu quis resgatar essa história pouco contada.”