David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for the ‘Spike Jonze’ tag

A crise de Kaufman

without comments

Quando as dificuldades de um roteirista se tornam tema de um filme

Nicolas Cage interpreta o próprio roteirista do filme (Foto: Reprodução)

Nicolas Cage interpreta o próprio roteirista do filme (Foto: Reprodução)

Lançado em 2002, Adaptação, do cineasta Spike Jonze, é um filme de caráter metalinguístico que conta a história de um roteirista vivendo uma crise criativa ao adaptar um livro para o cinema.

Depois de Being John Malkovich, Spike Jonze e Charlie Kaufman conquistaram outra parceria de sucesso com o filme Adaptação que conta a história do próprio Kaufman quando teve dificuldades em adaptar o conteúdo de um livro para o cinema. Na obra, Charlie e Donald são dois irmãos interpretados por Nicolas Cage que enveredam pelo mercado cinematográfico.

No filme, personagens antagônicos representam o mesmo autor (Foto: Reprodução)

No filme, personagens antagônicos representam o mesmo autor (Foto: Reprodução)

Enquanto o antisocial Charlie, roteirista com alguma experiência, mais sensível e introspectivo, não consegue dar vida a história de um vendedor de orquídeas, Donald, o extrovertido roteirista iniciante, o faz. A partir das lições aprendidas em workshops sobre roteiro de cinema, o inexperiente Donald atende todas as expectativas da indústria cultural. Cria uma história baseada numa fórmula recheada dos clichês que costumam lotar as salas de cinema.

Donald, que existe apenas no filme, é uma representação das qualidades que faltavam ao verdadeiro Charlie Kaufman durante a crise criativa. Além de ser uma particular idealização de Charlie, Donald é também uma subjetiva figura antagônica do irmão. Do início ao fim, o filme mistura fatos e ficção, tornando mais difícil para o espectador desatento distinguir a realidade da ilusão, se tratando da verdadeira concepção da obra. O filme também traz no elenco algumas estrelas como Meryl Streep, Chris Cooper, Cara Seymour, Tilda Swinton e Brian Cox. A trilha sonora é de Carter Burwell.

Todos querem ser John Malkovich

without comments

A busca do ser humano por uma identidade que o faça sentir-se especial

Being John Malkovich trata da complexidade da natureza humana (Foto: Reprodução)

Being John Malkovich aborda a complexidade da natureza humana (Foto: Reprodução)

Lançado em 1999, Being John Malkovich (Quero Ser John Malkovich), do cineasta estadunidense Spike Jonze, é um filme sobre a busca do ser humano por uma identidade que o faça sentir-se especial, mesmo por alguns minutos.

A obra marcou a estreia do cineasta Spike Jonze que teve o mérito de contar com um bom roteiro de Charlie Kaufman, também conhecido por roteirizar filmes que estão muito além do padrão hollywoodiano – como Adaptação, Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças e Confissões de uma Mente Perigosa.

Obra é protagonizada por John Cusack (Foto: Reprodução)

Obra é protagonizada por John Cusack (Foto: Reprodução)

O argumento do filme de Jonze se sustenta na psicologia da natureza humana, o que justifica porque Quero Ser John Malkovich é pautado na subjetividade da existência. No filme, Craig Schwartz (John Cusack em uma de suas melhores interpretações) é um titereiro que descobre acidentalmente como entrar na mente de John Makovich ao longo de 15 minutos. A descoberta torna-se um refúgio para dar vazão ao sentimento de inferioridade do protagonista.

Logo Craig tem a ideia de partilhar a oportunidade com outras pessoas. Sob influência de uma colega de trabalho, decide cobrar U$ 200 para proporcionar a mesma experiência aos outros. A chance de ser o famoso Malkovich por alguns instantes torna-se uma catarse para muitos, pessoas que se apegam a tal realidade virtual como uma ilusória autoafirmação, e mais, a confirmação da crescente falta de identidade do ser humano.

Nem o homenageado, que na história é um personagem caricato, abre mão da oportunidade de entrar dentro da sua própria mente. Quero Ser John Makovich é um filme que recria diversas realidades pessoais que se afunilam e homogeneizam não partindo apenas do que cada um se condiciona a ver, mas também da necessidade que cada personagem tem de existir para além de si mesmo. O filme também traz no elenco Cameron Diaz, Catherine Keener, Orson Bean e Charlie Sheen. A trilha sonora é de Carter Burwell.