David Arioch – Jornalismo Cultural

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Michael Tobias e a vingança contra quem explora e mata animais

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 “Eu era como um computador sem um teclado, um pássaro sem asas. Rugindo por dentro. Eu queria matar aquele homem”

Livro foi publicado originalmente em 1994 e relançado em 2001 (Foto: Reprodução)

“Me lembro de um lince-pardo que eles tinham aqui – agora os linces são uma espécie ameaçada de extinção nesta região da floresta. Eles o capturaram e o queimaram pelo menos uma dúzia de vezes em seus experimentos antes de finalmente falarem que aquele animal era completamente inútil. Como se fosse uma lata de cerveja vazia.

E então, vocês sabem o que eles fizeram com ele? Claudius estava atrasado para o almoço, e em vez de colocar para dormir aquele animal que ainda respirava, ele o pegou pelas patas traseiras e esmagou sua cabeça contra uma parede até matá-lo. Como eu poderia esquecer isso? Eles me colocaram para limpar a bagunça.

A cabeça tinha afundado. Os olhos se fecharam vagarosamente. As garras, outrora orgulhosas, estavam penduradas e sem vida, a total insensatez de tudo, e o ódio me consumindo como um hormônio perigoso, ou químico – uma porção do cérebro transformada em uma bomba de nêutrons. Exceto que eu não sabia como explodir. Eu era como um computador sem um teclado, um pássaro sem asas. Rugindo por dentro. Eu queria matar aquele homem. Fazer aos outros o que eles tinham feito comigo. Eu era o lince-pardo, e é melhor você acreditar nisso.”

Excertos de “Rage and Reason”, do escritor e ecologista estadunidense Michael Tobias, publicado originalmente em 1994 e relançado em 2001. A obra é um thriller que tem como protagonista um ex-veterano das Forças Especiais que viaja o mundo se vingando de pessoas e empresas que cometem atrocidades contra os animais.

No livro, a cabeça de um CEO de uma indústria que lucra com a exploração e a morte de animais é servida em um almoço para acionistas; um peleiro tem a sua pele arrancada enquanto ainda está vivo; caçadores tailandeses são mortos da mesma forma que os animais caçados por eles; e o primeiro dia de caça em uma estação do Maine termina em um massacre humano. “Rage and Reason” é uma controversa obra ficcional a favor do abolicionismo animal.

 

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Saboteur e o antinazismo de Hitchcock

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Um filme-propaganda lançado pelo mestre do suspense em 1942

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Robert Cummings e Priscilla Lane em thriller de Hitchcock (Foto: Reprodução)

O thriller Saboteur (Sabotador) é um filme do mestre do suspense Alfred Hitchcock. Ele soube muito bem aproveitar a Segunda Guerra Mundial para criar uma obra que ressalta a antipatia aos nazistas e a exaltação aos norte-americanos. Lançada em 1942, a película é a reação do cineasta inglês de 42 anos que, como não podia ir para o campo de batalha por diversos fatores, decidiu usar o cinema como ferramenta de combate.

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A cena mais eletrizante acontece no topo da Estátua da Liberdade (Foto: Reprodução)

A obra conta a história do operário Barry Kane (Robert Cummings) que testemunha o bombardeamento da fábrica de aviões onde trabalha. Na explosão, o melhor amigo do protagonista morre e Barry é injustamente acusado pelo crime. Na tentativa de provar a inocência, Kane inicia uma busca pelo verdadeiro criminoso. Durante a jornada, conhece a bela e desconfiada Pat (Priscilla Lane) que ameaça denunciá-lo, mas depois muda de ideia.

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Filme transmite o ideal estadunidense dos anos 1940 (Foto: Reprodução)

O filme tem um forte caráter de propaganda, além de uma abordagem, por vezes, maniqueísta. Como é ambientado nos Estados Unidos de 1942 aproveita por explorar a rejeição aos nazistas e exalta tendenciosamente as qualidades dos norte-americanos. Há uma supervalorização ficcional que se alinha ao idealismo e se distancia do realismo. Um grande exemplo é a exagerada solidariedade recebida por Barry enquanto viaja pelo país.

Em Nova York, a cena mais eletrizante acontece no topo da Estátua da Liberdade, quando o operário confronta o sabotador. É sempre destacável a maneira como o cineasta manipula luzes e sombras para despertar dúvida, apreensão e expectativa, além de outras emoções e pensamentos.

Com preciosismo e rigor técnico, Alfred Hitchcock conseguiu transmitir o ideal estadunidense da época; o triunfo hollywoodiano como prelúdio do fim da guerra. Embora não menos importante, a obra é uma das produções mais subestimadas do cineasta, até pelo caráter propagandístico que tornou o filme muito popular nos Estados Unidos e Inglaterra, mas nem tanto em outros países.

Francis Ford Coppola revisita Roger Corman

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Filme carrega referências do cinema de Corman e Hitchcock

Demência 13, um thriller que figura entre os grandes filmes B da história

Lançado em 1963, o thriller de horror “Demência 13”, o primeiro longa-metragem do cineasta estadunidense Francis Ford Coppola, revisita o trabalho de Roger Corman, uma das grandes referências dos filmes B de todos os tempos.

“Demência 13”, filme que marcou a estreia oficial de Coppola, é lembrado como um clássico em que a influência de Corman fez o cineasta se aproximar da fórmula hitchcockiana de fazer suspense. Um grande exemplo são as referências à psicologia freudiana. A obra que ganhou status de cult surpreende principalmente pela velocidade dos acontecimentos.

A história apresenta o casal Richard Haloran (William Campbell) e Louise Haloran (Luana Anders) que todos os anos realiza na Irlanda um ritual de celebração da memória da filha Kethleen (Barbara Dowling), morta há 29 anos. Porém, os planos do casal terão a interferência de um assassino que inicia uma carnificina nas imediações do Castelo Haloran. “Demência 13” é um clássico que revela os primeiros indícios da genialidade de Coppola.

O cineasta constrói um misto sólido e intrigante de suspense e horror sem precisar apelar para cenas pesadas de violência, assim como aborda os conflitos psicológicos dos personagens sem necessidade de forçar diálogos a partir de tomadas longas. É um filme com uma linguagem objetiva e clara, assim como as cenas que destoam do artificialismo que mais tarde povoaria os filmes do gênero. Com a obra, Coppola também coloca em prática técnicas em que personagens antagonizam o ambiente. Um exemplo é a cena do casal despontando na noite tenebrosa.