David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

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“Vixi, mano. Vegano?”

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Voltando para casa, encostei o carro rente ao meio-fio e atendi uma ligação. De repente, um cara em outro carro, e do outro lado da rua, esticou o pescoço para fora. Ele parecia levemente (ou não) embriagado.

— Ô, mano, que barba da hora. Empresta aí.
— O quê?
— A barba. Empresta aí.
— E como seria emprestar a barba?
— Corta um pedaço aí e joga pra cá.
O rapaz abriu o porta-luvas e mostrou um tubo de cola.
— Olhe aqui, problema resolvido.
Esfregou um pouco de cola nas maçãs e sorriu.
— Não posso fazer isso. Não faz o menor sentido — respondi.
— Eu pago, irmão. Não é de graça não. Olhe aqui, po. Já estou com o rosto branco.
— Por que você fez isso, cara? Isso é perigoso. É tóxico.
Silêncio. Começou a gemer e a tremer como se estivesse tendo uma convulsão.
Desci do carro para socorrê-lo.
— Rá! Te peguei! — gritou e começou a gargalhar.
Minha barba se encolheu como um pequeno arbusto massageando o meu pescoço.
— Não vai topar mesmo?
— Já disse. Não tenho interesse, mas obrigado.
— Caramba, mano! Você é mau!
— É que sou vegano. Toda vida importa pra mim, inclusive a da minha barba.
— Vixi, mano. Vegano? Mexo com essas coisas não. Valeu!
Deu partida no carro e foi embora com o rosto cheio de cola.





Written by David Arioch

November 15th, 2017 at 10:44 am

O que aconteceria com os animais se o mundo se tornasse vegano?

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Arte: Irmãos de Mães Diferentes, da série Utopia, do artista alemão Hartmut Kiewert

Não é incomum as pessoas perguntarem o que aconteceria com os animais se o mundo se tornasse vegano. Quando alguém faz tal questionamento, é importante que essa pessoa pondere sobre uma realidade alcançável, não utópica, digressiva. Essa pergunta é feita de duas formas – buscando uma resposta realmente válida ou simplesmente como uma forma de tentar minar qualquer argumento vegano.

Essa pergunta, se feita de forma capciosa, é tola. O mundo não vai se tornar vegano hoje ou amanhã. Esse trabalho em prol do abolicionismo animal é feito como qualquer projeto de longo prazo colocado em prática pela humanidade. Analise com brevidade o nosso passado e reflita sobre a abolição da escravidão, grandes conquistas sociais, entre outras coisas. Algumas delas vieram à tona subitamente? Foram alcançadas rapidamente? Não. São sempre trabalhos iniciados há muito, muito tempo, e que exigem maturação. Toda luta que coloque em xeque o status quo jamais teve visibilidade até o momento em que passou a ser vista como realmente é, ou seja, algo credível e justo.

O vegetarianismo e o veganismo, embora não nos moldes atuais, existem desde o princípio da humanidade. Mas só a partir dos séculos 19 e 20 que passou a haver maior articulação em torno desses ideais. Tivemos um amadurecimento estrutural e nos aproximamos do que entendemos hoje como direitos animais e abolicionismo animal. A literatura da libertação animal, criada formalmente na década de 1970, por exemplo, foi inspirada nas ideias do escritor inglês Henry Salt, que já versava sobre o assunto em 1885.

Vivemos um período de aperfeiçoamento das ideias do abolicionismo animal, de luta pela implementação de políticas públicas. Há mais produção, mais acesso à informação, e isso é muito bom para a mentalização, porque impacta nas nossas relações de consumo, no fortalecimento da ideia de que animais não são objetos, mas sim seres sencientes que merecem viver à sua maneira. Claro, o abolicionismo animal não vai acontecer facilmente ou tão logo. Ninguém vai pegar um megafone e anunciar em um canal no YouTube ou na TV que repentinamente todos os animais foram libertados dos matadouros, das áreas de confinamento.

Não creio que veremos bilhões de animais atravessando ruas e pastos. Nem mesmo sendo remanejados para outras áreas. Sabe por que? Porque o veganismo pelo menos por enquanto tem acontecido majoritariamente sob o aspecto da desaceleração de consumo. O que isso significa? Significa que o veganismo vai ganhando espaço conforme a demanda de produtos de origem animal for diminuindo. Com isso, quem lucra com a exploração animal não terá motivos para investir tanto, até por entender que trata-se de mau investimento.

Com a desaceleração do consumo, será mais fácil desenvolver um trabalho de educação vegana. Na minha opinião, a educação vegana depende dessa desaceleração. Atualmente, estamos caminhando para banir a realização de testes de produtos em animais nos próximos anos. Pode parecer pouco, mas só de instigar nas pessoas a reflexão contra a objetificação animal em laboratórios já existe uma possibilidade de ponderação mais ampla sobre a exploração animal.

Atualmente, as pessoas não veem com bons olhos os circos que exploram animais, tanto que é uma prática banida em muitos estados e países. Os zoológicos que lucram com a exploração animal também já não são romantizados. Há cada vez mais pessoas reprovando a realização de vaquejadas, touradas e rodeios, entre outras práticas violentas. Há mais comoção em relação ao abandono de animais, e as pessoas estão mais preocupadas com a origem do que consomem. Prova disso é que se você apresentar uma boa alternativa de produto industrializado sem ingrediente de origem animal, sempre haverá aqueles que optarão por não continuarem endossando esse tipo de exploração. O mundo vegano tem sido construído a cada dia, e não da forma utópica apontada de forma jocosa por quem o considera irrealizável.

Se pensarmos que há 20 anos, ou até menos, tudo que citei acima era parte de uma realidade considerada normal, não é difícil reconhecer que essas mudanças são pontos positivos e determinantes para a construção de um mundo vegano, e todos esses fatores dependem da conscientização sobre a exploração animal em todas as esferas. Penso que se o veganismo se tornar uma realidade para a maioria da população, e espero que seja, mesmo que eu não esteja aqui, o número de animais criados e reduzidos a produtos e entretenimento será surpreendentemente menor. Tão menor se comparado à atualidade que não será difícil remanejar para santuários os últimos animais explorados, onde poderão viver até os seus últimos dias.





O vegano e o pecuarista

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É evidente que bovinos têm emoções e sentimentos

Na casa de um amigo já idoso, chegou um senhor com um chapéu de couro sobre a cabeça. Nos cumprimentamos e ele começou a reclamar com o anfitrião.

— Como vai o senhor? — perguntou o amigo.
— O senhor fique sabendo que gado hoje em dia não dá dinheiro como antigamente — respondeu coçando a cabeça.
— Pra mim o manejo do gado tá saindo muito caro, sempre sobra pouco depois da venda do rebanho. Isso não é certo. A indústria tá levando a melhor.
— É, não é fácil.
— Esse menino aqui não come carne, não come nada de origem animal — comentou o amigo apontando para mim.
— Por que não, rapaz?
— Não vejo necessidade, é desnecessário.
— Como assim desnecessário?
— Olhando pra mim, o senhor acha que eu pareço alguém que precisa de carne ou algo de origem animal?
— Não. Mas o que tem de errado em comer carne?
— O que tem de errado em não comer carne?

Silêncio.

— Bom, vou ser honesto com o senhor. Não acho correto matar animais para reduzi-los à comida. Será que a morte vale a pena? Qual seria a expectativa de vida desses animais se eles não fossem enviados para o matadouro?
— Ih, rapaz. Nem sei, se não desse dinheiro, eu nem criaria. Quando a gente faz isso a vida toda não pensa nessas coisas não — comentou sorrindo.
— Mas o senhor já considerou isso?
— Talvez, quando era criança, mas a vida endurece o homem.
— O senhor tem razão, mas acredito que a vida só endurece o homem quando ele fecha os olhos para coisas que em algum nível já o incomodaram.
— Sim, mas a vida é desse jeito mesmo, realidade pura e cada um cuidando do seu.
— O senhor tem filhos, netos, não?
— Sim…
— Eles brincam com os animais que o senhor cria?
— Meus netos, às vezes, mas só com bicho manso, né?
— E o que isso significa?
— Não sei, me diga você.
— Um animal que brinca com um ser humano normalmente reage a um estímulo, e esse estímulo é baseado em como ele se sente diante do outro. Quero dizer, enquanto reação natural esse comportamento revela emoção, sentimento. O senhor concorda?
— Pode ser.

— Na realidade, até quando o gado é bravo, ele revela emoção e sentimento, já que isso significa que ele resiste a ser subjugado.

— Não tem problema, dá-se um jeito.
— Como seus netos brincam com o gado manso, por exemplo?
— Passam a mão na cabeça, afagam o pelo.
— Como o gado reage?
— Fecham os olhos. Temos um novilho que deita no chão e esfrega as costas no pasto, parece cachorro — respondeu rindo.
— E ele vai ser enviado para o matadouro?
— Sim…claro, criamos pra isso.
— Me desculpe a pergunta, mas como o senhor se sentiria se um amigo o abraçasse, o tratasse com carinho e no dia seguinte preparasse uma emboscada para matá-lo?
— Claro que ficaria bravo e decepcionado. O que isso tem a ver com a conversa?
— Não é esse o tratamento dado ao gado?
— Gado não é gente, meu rapaz.
— Sim, o senhor tem razão. Mas a questão não é coloca-los no nível dos seres humanos. Se eles brincam, demonstram emoções, será que não são capazes de sentirem-se traídos?
— Não tenho a mínima ideia.
— Não é uma forma de dissimulação ou traição evitar que o gado reconheça o seu destino? Quero dizer, não é padrão um boi testemunhar outro sendo morto. Provavelmente, porque ele vai querer fugir. Afinal, não é isso que ele quer para a vida dele, não é mesmo?
— Não sei. A gente só recebe de volta o que foi investido no animal.
— O senhor, nunca se sentiu como se estivesse traindo esses animais? Imagino que também já acariciou bois, vacas…

Silêncio.

— Essa conversa tá estranha, rapaz.
— Tudo bem.
— O senhor comentou há pouco que a criação de gado não está dando dinheiro. Há culturas hoje em dia com boa demanda e pouca oferta, como chia orgânica e feijão orgânico. Talvez seja algo que o senhor possa considerar. Tenho um amigo que é engenheiro agrônomo e já transformou áreas de pastagens, inclusive degradadas, em lavouras de chia e feijão aqui no Norte do Paraná.
— Se dá dinheiro, me interessa. Peça pra ele falar comigo.
— Ok.





Written by David Arioch

September 29th, 2017 at 2:02 pm

Batata pré-frita pode não ser vegetariana

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Muita gente crê que batata pré-frita, por se tratar de um tubérculo, não tem como não ser um alimento vegetariano, mas a realidade é que tem como sim, principalmente porque a batata pode ter sido pré-frita em banha, ou seja, gordura de porco. O mesmo pode acontecer quando você pede uma porção de fritas em algum lugar. Por isso é importante ficar atento ou entrar em contato com o fabricante caso as informações não estejam tão claras.





Written by David Arioch

September 25th, 2017 at 12:54 am

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Multivitamínico vegano da Deva Nutrition

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Foto: David Arioch

Uma opção para veganos e vegetarianos que precisam de um multivitamínico livre de ingredientes de origem animal, e também livre de testes em animais, é o multivitamínico da Deva Nutrition, uma empresa pioneira na fabricação e distribuição de suplementos veganos nos Estados Unidos. A Deva ajuda organizações comprometidas com os direitos animais e é registrada junto à Vegan Society. Também faz parte da Green America e é parceira da American Forests. Todos os seus produtos têm certificação GMP, de boas práticas de produção, começando pela escolha ética da matéria-prima. Os produtos deles estão à venda na Iherb.

Para mais informações, acesse o site da Deva Nutrition.

 





Written by David Arioch

September 14th, 2017 at 8:21 pm

Quando alguém aponta o dedo para um vegano…

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Quando alguém aponta o dedo para um vegano, que não o agrediu ou ofendeu, e aqui me refiro a alguém que escolheu essa filosofia de vida por querer o melhor para os animais, esse alguém deve pensar o seguinte: Qual é a minha filosofia de vida? Será que estou empenhado em fazer a diferença na vida de outras pessoas? De outros seres vivos?

Estou tentando contribuir para um mundo melhor? Fiz alguma grande coisa este ano sem pensar em ser recompensado por isso? Mudei alguma vida? Se a resposta para todas as perguntas for não, o que essa pessoa está fazendo é uma crítica rasa e iníqua. Se aponto o dedo para o outro, tenho sempre que observar primeiro aquele que mantenho apontado para mim.

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Written by David Arioch

September 14th, 2017 at 12:48 am

Você que é o vegano?

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“Olhe, menino, a gente cuida bem deles a vida toda”

Uma amiga que eu não via pessoalmente há mais de três anos me convidou para ir até a sua casa na semana passada. Enquanto conversávamos na varanda, seu pai chegou com dois peões. Ele é pecuarista e estavam descarregando pedaços de um boi morto. Havia tanta carne que eu seria incapaz de dizer a quantidade. Encheram dois freezers. De repente, o homem tirou o chapéu da cabeça e sorriu.

— Você que é o vegano?
— Sim.
— No meu tempo não existia essas coisas.
— Tem certeza?
— Olhe que tenho.
— Acho que não, senhor. Sempre tivemos pessoas que não se alimentam de animais. A história da humanidade está repleta deles. A diferença é que essa faceta da vida de muitos foi ignorada. O veganismo, por exemplo, existe formalmente desde 1944. É um bom tempo, não?
— Hummm…é…mas não consigo entender o que tem de errado em comer carne. É parte de quem somos, da nossa história. Minha família cria gado há cinco gerações, e somos bons na lida com eles. Não deixamos faltar nada.
— Não duvido. Mas o senhor analisa a situação do ponto de vista humano ou não humano?
— Como?
— O senhor disse que é bom pra eles. Mas o que é bom pro gado? Será que o bom pro gado é o bom pra eles ou o bom pra nós?
— Aí você tá de sacanagem comigo.
— Não, de modo algum. Falo honestamente.
— Olhe, menino, a gente cuida bem deles a vida toda.
— Mas no final eles morrem?
— Claro, as pessoas precisam de carne.
— Precisam?
— O que você quer dizer com isso?
— Eu pareço doente para o senhor?
— Não, tá melhor que meus peões — comentou sorrindo.
— Então, e estou aqui vivo sem me alimentar de animais.
— Mas aí é uma opção sua. Tem gente que opta por comer os animais e o que eles oferecem.
— Sim, a princípio é uma opção, mas que deixa de ser vista dessa forma quando há o entendimento de que os animais não escolheram morrer. Veja bem, como comer animais pode ser uma opção se ninguém levou em conta os interesses deles?
— E boi lá tem interesse, rapaz? O boi é a gente que cria e molda do nosso jeito.
— Mas o senhor já viu um animal desejando a morte? Algum deles deita a cabeça calmamente para receber uma pancada ou um tiro de pistola pneumática? Eu nunca vi.
— Ai ai ai. Que conversa é essa. Acho que a gente pensa diferente.
— Pois é.
— Minha filha agora anda com essas conversas também. Você que andou fazendo a cabeça dela?
— Pare, pai. Que pergunta!
— Bom, eu não creio que eu faça a cabeça de ninguém, eu ofereço possibilidades de reflexão. Mostro outra face da realidade da exploração de animais, e sempre tenho o cuidado de fazer isso sem agredir ninguém.
— E você me acha ruim por ser pecuarista?
—Não, mas acho que seria interessante o senhor refletir um pouco sobre a pecuária de um ponto de vista que não envolva lucro, costume, essas coisas. Pense fora da sua zona de conforto. Te convido apenas a se colocar no lugar, por exemplo, desse boi que hoje se resume a porções dentro do freezer. Ele era dócil? Gostava de sentir o sol? O vento? Se relacionava com os outros animais? Uma vida, por mais que ela seja subestimada, nunca é somente uma vida, há todo um conjunto de fatores que a envolve. Quando um animal morre, eu me pergunto se ele tinha desejos, se alguém vai sentir sua falta. Imagino que o senhor já tenha acariciado alguns desses animais.

Um dos peões começou a rir e o homem chamou-lhe a atenção.

— Acaricio todos eles. Trato que nem gente da família.
— Hum, mas se o senhor trata como gente da família, por que mata eles?
— Eles vivem pra isso, menino. É a vida. Vamos deixar esse papo pra outro dia que tenho que dar tarefa pra esses peões. Mas fique à vontade, só não coloque minhoca na cabeça da minha menina — disse sorrindo.
— O senhor sabe que eles têm potencial para viver muito mais. É a objetificação que mata, o fato de resumir um ser vivo a pedaços de carne.
— Sei não, filho. Talvez. Outra hora a gente conversa. Mas te respeito por defender essa sua filosofia de vida e não abaixar a cabeça durante a conversa.
— Certo. Obrigado.

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Written by David Arioch

September 12th, 2017 at 1:41 am

Sobre o equívoco do discurso “Vegano, minha comida caga na sua”

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Como alguém pode persistir no discurso: “Vegano, minha comida caga na sua”, sendo que o escândalo envolvendo a Operação Carne Fraca, realizado pela Polícia Federal em março deste ano, surpreendeu muita gente ao revelar que não é raro encontrar coliformes fecais na carne, desde que em níveis aceitáveis. Seria ignorância ou negação?

Em entrevista sobre coliformes fecais na carne, Eduardo Tondo, professor de microbiologia de alimentos do Instituto de Ciência e Tecnologia de Alimentos da UFRGS disse que a carne de “muito boa qualidade” tem coliformes fecais e ainda endossou:

“Isso é normal, mas em níveis baixos.” Ou seja, não são veganos nem vegetarianos que consomem coliformes fecais. Ademais, é importante considerar que, partindo de um pressuposto lógico, o discurso “a minha comida caga na sua” não faz o menor sentido. Claro, a não ser que você se alimente de pasto, o que não condiz nem mesmo com a realidade dos bovinos criados sob o regime da pecuária intensiva.

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Se sou vegano, é claro que a minha defesa é pelo abolicionismo animal

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Veganismo é isso, independente se alguém o considera visceral ou não. E ele não se tornou assim hoje.

Se sou vegano por crer que os animais não devem ser explorados de modo algum, é claro que a minha defesa é pelo abolicionismo animal. Diariamente, me deparo com pessoas surpresas quando meus textos vão por esse caminho, os considerando exagerados ou radicais. Veganismo é isso, independente se alguém o considera visceral ou não. E ele não se tornou assim hoje.

Essa é a essência do veganismo desde 1944. Inclusive ele foi formatado como uma reação aos muitos autodenominados vegetarianos ingleses da época. Isto porque estes herdaram dos vitorianos o hábito de consumir laticínios e ovos, reprovado pelos vegetarianos estritos e éticos que encaravam esses hábitos como comodismo e legitimação da exploração romantizada; o que justifica a origem do veganismo.

O veganismo desde o seu princípio já não reconhecia nada de origem animal como alimento. Sendo assim, não há nada que deveria chocar ou surpreender nos meus discursos. É tudo uma questão de informação e desinformação. Tudo que escrevo vai ao encontro de algo que foi proposto pelos veganos antes da metade do século XX.

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Written by David Arioch

August 28th, 2017 at 12:23 am

“Você sabe que não como nada de origem animal”

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Arte: Sue Coe

Um amigo me ofereceu um pedaço de bolo.

— Você sabe que não como nada de origem animal.

— É praticamente um bolo vegetariano, só tem um ovo. Nada de mais. Come aí, só hoje, um pedaço. Você não vai nem sentir o gosto de ovo porque a gema foi peneirada. Não tem leite.

— Entendi. Então, o problema não é o gosto de ovo. Qual mensagem eu estou te passando se eu comer um pedaço desse bolo?

— Sei lá…a mensagem de que você é um vegano flexível.

— A mensagem que eu passaria seria a de que não tem nada de errado em ocasionalmente comer algo de origem animal. E isso não condiz com o que eu defendo, que é não enxergar os animais como fonte de alimentos ou produtos. Conheço a realidade das galinhas poedeiras, e isso não é algo que eu gostaria de incentivar, mesmo que minimamente, até porque não penso só na galinha que botou esse ovo, mas em todas. Inclusive aquelas que nesse momento estão confinadas em gaiolas. Talvez esse ovo não traga o pior dos sofrimentos, mas em algum nível traz algum tipo de exploração. Isso já vem implícito quando pensamos na galinha como fonte de alimento para seres humanos, na ideia de que elas podem e até devem nos servir. E a ideia de servir, para não falar em servidão, reflete, no melhor cenário, conveniência, caso alguém diga que as galinhas são “bem tratadas”. Não concordo com isso porque não reconheço nada de origem animal como algo que eu possa ou deva consumir. Um ovo foi botado por uma galinha, e não creio que ela o botou para que eu o comesse.  Afinal, ovos nada mais são do que ovulação de galinha.

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Written by David Arioch

August 26th, 2017 at 12:24 pm