David Arioch – Jornalismo Cultural

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Archive for the ‘Vegano’ tag

Multivitamínico vegano da Deva Nutrition

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Foto: David Arioch

Uma opção para veganos e vegetarianos que precisam de um multivitamínico livre de ingredientes de origem animal, e também livre de testes em animais, é o multivitamínico da Deva Nutrition, uma empresa pioneira na fabricação e distribuição de suplementos veganos nos Estados Unidos. A Deva ajuda organizações comprometidas com os direitos animais e é registrada junto à Vegan Society. Também faz parte da Green America e é parceira da American Forests. Todos os seus produtos têm certificação GMP, de boas práticas de produção, começando pela escolha ética da matéria-prima. Os produtos deles estão à venda na Iherb.

Para mais informações, acesse o site da Deva Nutrition.

 





Written by David Arioch

September 14th, 2017 at 8:21 pm

Quando alguém aponta o dedo para um vegano…

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Quando alguém aponta o dedo para um vegano, que não o agrediu ou ofendeu, e aqui me refiro a alguém que escolheu essa filosofia de vida por querer o melhor para os animais, esse alguém deve pensar o seguinte: Qual é a minha filosofia de vida? Será que estou empenhado em fazer a diferença na vida de outras pessoas? De outros seres vivos?

Estou tentando contribuir para um mundo melhor? Fiz alguma grande coisa este ano sem pensar em ser recompensado por isso? Mudei alguma vida? Se a resposta para todas as perguntas for não, o que essa pessoa está fazendo é uma crítica rasa e iníqua. Se aponto o dedo para o outro, tenho sempre que observar primeiro aquele que mantenho apontado para mim.

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Written by David Arioch

September 14th, 2017 at 12:48 am

Você que é o vegano?

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“Olhe, menino, a gente cuida bem deles a vida toda”

Uma amiga que eu não via pessoalmente há mais de três anos me convidou para ir até a sua casa na semana passada. Enquanto conversávamos na varanda, seu pai chegou com dois peões. Ele é pecuarista e estavam descarregando pedaços de um boi morto. Havia tanta carne que eu seria incapaz de dizer a quantidade. Encheram dois freezers. De repente, o homem tirou o chapéu da cabeça e sorriu.

— Você que é o vegano?
— Sim.
— No meu tempo não existia essas coisas.
— Tem certeza?
— Olhe que tenho.
— Acho que não, senhor. Sempre tivemos pessoas que não se alimentam de animais. A história da humanidade está repleta deles. A diferença é que essa faceta da vida de muitos foi ignorada. O veganismo, por exemplo, existe formalmente desde 1944. É um bom tempo, não?
— Hummm…é…mas não consigo entender o que tem de errado em comer carne. É parte de quem somos, da nossa história. Minha família cria gado há cinco gerações, e somos bons na lida com eles. Não deixamos faltar nada.
— Não duvido. Mas o senhor analisa a situação do ponto de vista humano ou não humano?
— Como?
— O senhor disse que é bom pra eles. Mas o que é bom pro gado? Será que o bom pro gado é o bom pra eles ou o bom pra nós?
— Aí você tá de sacanagem comigo.
— Não, de modo algum. Falo honestamente.
— Olhe, menino, a gente cuida bem deles a vida toda.
— Mas no final eles morrem?
— Claro, as pessoas precisam de carne.
— Precisam?
— O que você quer dizer com isso?
— Eu pareço doente para o senhor?
— Não, tá melhor que meus peões — comentou sorrindo.
— Então, e estou aqui vivo sem me alimentar de animais.
— Mas aí é uma opção sua. Tem gente que opta por comer os animais e o que eles oferecem.
— Sim, a princípio é uma opção, mas que deixa de ser vista dessa forma quando há o entendimento de que os animais não escolheram morrer. Veja bem, como comer animais pode ser uma opção se ninguém levou em conta os interesses deles?
— E boi lá tem interesse, rapaz? O boi é a gente que cria e molda do nosso jeito.
— Mas o senhor já viu um animal desejando a morte? Algum deles deita a cabeça calmamente para receber uma pancada ou um tiro de pistola pneumática? Eu nunca vi.
— Ai ai ai. Que conversa é essa. Acho que a gente pensa diferente.
— Pois é.
— Minha filha agora anda com essas conversas também. Você que andou fazendo a cabeça dela?
— Pare, pai. Que pergunta!
— Bom, eu não creio que eu faça a cabeça de ninguém, eu ofereço possibilidades de reflexão. Mostro outra face da realidade da exploração de animais, e sempre tenho o cuidado de fazer isso sem agredir ninguém.
— E você me acha ruim por ser pecuarista?
—Não, mas acho que seria interessante o senhor refletir um pouco sobre a pecuária de um ponto de vista que não envolva lucro, costume, essas coisas. Pense fora da sua zona de conforto. Te convido apenas a se colocar no lugar, por exemplo, desse boi que hoje se resume a porções dentro do freezer. Ele era dócil? Gostava de sentir o sol? O vento? Se relacionava com os outros animais? Uma vida, por mais que ela seja subestimada, nunca é somente uma vida, há todo um conjunto de fatores que a envolve. Quando um animal morre, eu me pergunto se ele tinha desejos, se alguém vai sentir sua falta. Imagino que o senhor já tenha acariciado alguns desses animais.

Um dos peões começou a rir e o homem chamou-lhe a atenção.

— Acaricio todos eles. Trato que nem gente da família.
— Hum, mas se o senhor trata como gente da família, por que mata eles?
— Eles vivem pra isso, menino. É a vida. Vamos deixar esse papo pra outro dia que tenho que dar tarefa pra esses peões. Mas fique à vontade, só não coloque minhoca na cabeça da minha menina — disse sorrindo.
— O senhor sabe que eles têm potencial para viver muito mais. É a objetificação que mata, o fato de resumir um ser vivo a pedaços de carne.
— Sei não, filho. Talvez. Outra hora a gente conversa. Mas te respeito por defender essa sua filosofia de vida e não abaixar a cabeça durante a conversa.
— Certo. Obrigado.

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Written by David Arioch

September 12th, 2017 at 1:41 am

Sobre o equívoco do discurso “Vegano, minha comida caga na sua”

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Como alguém pode persistir no discurso: “Vegano, minha comida caga na sua”, sendo que o escândalo envolvendo a Operação Carne Fraca, realizado pela Polícia Federal em março deste ano, surpreendeu muita gente ao revelar que não é raro encontrar coliformes fecais na carne, desde que em níveis aceitáveis. Seria ignorância ou negação?

Em entrevista sobre coliformes fecais na carne, Eduardo Tondo, professor de microbiologia de alimentos do Instituto de Ciência e Tecnologia de Alimentos da UFRGS disse que a carne de “muito boa qualidade” tem coliformes fecais e ainda endossou:

“Isso é normal, mas em níveis baixos.” Ou seja, não são veganos nem vegetarianos que consomem coliformes fecais. Ademais, é importante considerar que, partindo de um pressuposto lógico, o discurso “a minha comida caga na sua” não faz o menor sentido. Claro, a não ser que você se alimente de pasto, o que não condiz nem mesmo com a realidade dos bovinos criados sob o regime da pecuária intensiva.

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Se sou vegano, é claro que a minha defesa é pelo abolicionismo animal

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Veganismo é isso, independente se alguém o considera visceral ou não. E ele não se tornou assim hoje.

Se sou vegano por crer que os animais não devem ser explorados de modo algum, é claro que a minha defesa é pelo abolicionismo animal. Diariamente, me deparo com pessoas surpresas quando meus textos vão por esse caminho, os considerando exagerados ou radicais. Veganismo é isso, independente se alguém o considera visceral ou não. E ele não se tornou assim hoje.

Essa é a essência do veganismo desde 1944. Inclusive ele foi formatado como uma reação aos muitos autodenominados vegetarianos ingleses da época. Isto porque estes herdaram dos vitorianos o hábito de consumir laticínios e ovos, reprovado pelos vegetarianos estritos e éticos que encaravam esses hábitos como comodismo e legitimação da exploração romantizada; o que justifica a origem do veganismo.

O veganismo desde o seu princípio já não reconhecia nada de origem animal como alimento. Sendo assim, não há nada que deveria chocar ou surpreender nos meus discursos. É tudo uma questão de informação e desinformação. Tudo que escrevo vai ao encontro de algo que foi proposto pelos veganos antes da metade do século XX.

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Written by David Arioch

August 28th, 2017 at 12:23 am

“Você sabe que não como nada de origem animal”

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Arte: Sue Coe

Um amigo me ofereceu um pedaço de bolo.

— Você sabe que não como nada de origem animal.

— É praticamente um bolo vegetariano, só tem um ovo. Nada de mais. Come aí, só hoje, um pedaço. Você não vai nem sentir o gosto de ovo porque a gema foi peneirada. Não tem leite.

— Entendi. Então, o problema não é o gosto de ovo. Qual mensagem eu estou te passando se eu comer um pedaço desse bolo?

— Sei lá…a mensagem de que você é um vegano flexível.

— A mensagem que eu passaria seria a de que não tem nada de errado em ocasionalmente comer algo de origem animal. E isso não condiz com o que eu defendo, que é não enxergar os animais como fonte de alimentos ou produtos. Conheço a realidade das galinhas poedeiras, e isso não é algo que eu gostaria de incentivar, mesmo que minimamente, até porque não penso só na galinha que botou esse ovo, mas em todas. Inclusive aquelas que nesse momento estão confinadas em gaiolas. Talvez esse ovo não traga o pior dos sofrimentos, mas em algum nível traz algum tipo de exploração. Isso já vem implícito quando pensamos na galinha como fonte de alimento para seres humanos, na ideia de que elas podem e até devem nos servir. E a ideia de servir, para não falar em servidão, reflete, no melhor cenário, conveniência, caso alguém diga que as galinhas são “bem tratadas”. Não concordo com isso porque não reconheço nada de origem animal como algo que eu possa ou deva consumir. Um ovo foi botado por uma galinha, e não creio que ela o botou para que eu o comesse.  Afinal, ovos nada mais são do que ovulação de galinha.

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Written by David Arioch

August 26th, 2017 at 12:24 pm

Meu trabalho é em prol dos animais, não para agradar egos

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Charge que vai ao encontro da filosofia vegana

Me falaram que tem gente me chamando de bem-estarista, só não sei por qual motivo, já que nenhum dos meus textos vai por esse caminho. Se isso é verdade ou não, sinceramente, não é relevante. Como já disse outras vezes, não brigo por títulos. Meu trabalho é em prol dos animais, não para agradar egos (nem mesmo o meu) ou concepções ideológicas. Faço o que faço, respondendo à minha consciência e é isso que importa. Se desagrado alguns ou muitos, isso é apenas parte de um processo natural.

E como já disse outras vezes, quando escrevo, não respondo a ninguém, a não ser a mim mesmo e a minha própria consciência. Discordar das pessoas é natural, e se posicionar sobre isso de forma crítica, porém honesta e ponderada, é muito saudável. Mas é importante ter comedimento o suficiente para não espalhar inverdades ou interpretações equivocadas sobre ninguém, até porque isso é antiético, principalmente quando conjeturamos superficialidades sobre pessoas que na realidade nem conhecemos.

Cada dia que passa tenho me preparado mais para jamais reagir a críticas que não são construtivas, até porque tudo aquilo que é destrutivo ou negativo em essência, não está apto para frutificar. Acho importante ter cuidado com o excesso de passionalidade quando lutamos por algo, porque se fugimos à sombra da realidade, a passionalidade facilmente pode ser transformada em um veneno difícil de dosar. Desse mal, acredito que não sofro, porque sei que quando falo com pessoas estou sempre me direcionando a alguém que, assim como eu, pensa, sente, tem sua própria visão de mundo, sua própria individualidade. Se alguém falar que não sou vegano? Não faço nada, porque isso não importa. O que importa é o resultado das minhas ações.

O que é bem-estarismo?

Basicamente, bem-estarismo ou utilitarismo é uma corrente filosófica que visa a redução da exploração animal, mas que não se preocupa com a libertação desses animais. Inclusive bem-estaristas consideram aceitáveis o abate desde que não seja imposto “sofrimento desnecessário” aos animais. O chamado abate humanitário, por exemplo, é uma proposição defendida pelo bem-estarismo. E muitos bem-estaristas não veem nada de errado em usar animais em inúmeras atividades e até mesmo se alimentar deles, desde que não imponham o que consideram “sofrimento desnecessário”. Em síntese, na premissa bem-estarista há uma crença de que animais são inferiores e podem ser usados pelos seres humanos, porém dentro do que eles chamam de “aceitável”. Chamar de bem-estarista também tem se popularizado como um termo pejorativo entre veganos, principalmente quando acusam alguém de não ser realmente vegano.

 

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A Eslovênia já teve um primeiro-ministro e um presidente vegano

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Janez Drnovšek em 2003 (Foto: Srdjan Zivulovic)

A Eslovênia já teve um primeiro-ministro e um presidente vegano – Janez Drnovšek, que atuou como primeiro-ministro da Eslovênia de 1992 a 2002 e como presidente de 2002 a 2007. Graças ao seu trabalho, o país entrou para a lista de nações com maiores índices de desenvolvimento humano do mundo.





Written by David Arioch

August 16th, 2017 at 12:09 pm

Não brigo para parecer mais ou menos vegano aos olhos de ninguém

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Arte: Sue Coe

Não brigo para parecer mais ou menos vegano aos olhos de ninguém. O foco do meu trabalho não é esse, mas sim informar, conscientizar e sensibilizar as pessoas sobre a exploração animal. Sou um cara comum, que anda e vive como uma pessoa comum. Como já disse outras vezes, as pessoas podem me chamar do que elas quiserem: vegano, vegetariano ou nada. Eu me importaria ou brigaria por algo assim se a minha luta fosse por identidade, mas não é. Minha luta é por justiça, e essa luta independe disso.

 





Para ser vegano, não é preciso amar os animais, basta respeitá-los

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Arte: Alok Appadurai

Um amigo — Cara, eu até acho legal quem é vegano, mas a verdade é que não amo animais. Para ser honesto, nem gosto muito de animais. O negócio é eles lá e eu aqui. Como isso poderia funcionar? Não vejo como.

Eu — Não há problema nenhum nisso. Você não precisa gostar de animais, tutelar animais, resgatar animais ou algo do tipo. Basicamente, você não precisa querer conviver com animais. Claro, muitos veganos fazem isso, mas não é uma regra ou algo do tipo. Para ser vegano, você precisa apenas ter a consciência de que os animais não humanos merecem viver, não morrer.

Para ser mais preciso, não merecem ser explorados. Então o seu papel como vegano seria esse, se empenhar em não contribuir com a exploração animal.  A questão é você entender, reconhecer isso e colocar em prática. O amor pelos animais realmente é uma coisa nobre e bonita, mas a consciência sobre justiça nesse contexto é imprescindível, logo mais importante. Isto porque ela tem forte apelo junto ao discernimento moral e ético em uma sociedade construída sobre valores equivocados que levaram ao antropocentrismo e consequentemente ao especismo.

Independente de alguém se reconhecer ou não como superior a outras formas de vida, o que é preciso entender em relação a isso é que não interessa qual animal é mais inteligente, qual é mais amável ou qual é mais sensível. O entendimento que se deve ter é de que o direito à vida deve ser assegurado e que não cabe a nós decidirmos quais animais devem viver ou morrer levando em conta nossas pretensas necessidades ou preferências. Eles são conscientes, sencientes e merecem viver à sua maneira.

Nossa interferência deve ocorrer apenas quando eles precisam de nós, sem subjugação. Se esforçar para não impactar negativamente na vida dos animais é uma forma de aperfeiçoamento civilizatório, porque se você é capaz de respeitar honestamente a vida de um animal que não é capaz de falar, isso te conduz a respeitar mais a vida em geral. Gostar ou amar animais é uma questão de pessoalidade. Você pode desenvolver isso ou não, e sem que isso prejudique ninguém. Por outro lado, é a falta de entendimento de que os animais não existem para nos servir que tem perpetuado práticas desnecessárias que anualmente custam a vida de bilhões de animais.

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Written by David Arioch

August 10th, 2017 at 8:11 pm