David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for the ‘Violência’ tag

Passagem do livro “Infância Roubada: Crianças atingidas pela Ditadura Militar no Brasil”

without comments

Página 17 do livro “Infância Roubada: crianças atingidas pela Ditadura Militar no Brasil”, lançado em 2014 pela Comissão da Verdade do Estado de São Paulo:
 
“A repressão política não poupou nem crianças nem mulheres grávidas. Muitas mulheres abortaram nas dependências dos DOI-CODIs de tanto apanharem e levarem choque na barriga, vagina e demais partes do corpo. Assim como existiram mulheres que tiveram seus partos, na mais ferrenha clandestinidade, outras tiveram seus filhos na cadeia, como Hecilda, Crimeia Schmidt, Linda Tayah. Todas foram presas grávidas e, mesmo sendo muito torturadas, permaneceram grávidas e seus filhos nasceram sob a ameaça de torturas sendo que algumas dessas crianças sofreram a tortura ainda na barriga de suas mães. Nessa seara, temos o caso do Joca, João Carlos Schmidt de Almeida Grabois. Sua mãe, Criméia, foi presa com sete para oito meses de gravidez. Levou choques elétricos, foi espancada em diversas partes do corpo e sofreu socos no rosto. Quando os carcereiros pegavam as chaves para abrir a porta da cela e levá-la à sala de tortura, o seu bebê ainda na barriga começava a soluçar. Nasceu na prisão e, mesmo anos depois, quando ouvia o barulho de chaves, voltava a ter soluços.”

Written by David Arioch

October 21st, 2018 at 9:01 pm

Quando alguém me diz que eu deveria ser assassinado ou roubado por não defender o discurso “bandido bom é bandido morto”

without comments

Quando alguém me diz que eu deveria ser assassinado, roubado ou algo do tipo por não defender o discurso “bandido bom é bandido morto”, eu desejo apenas muita luz e serenidade pra quem diz isso. Eu não nego que venho de uma realidade confortável, mas por uma mistura de influência familiar e iniciativa própria comecei a conviver com os mais desfavorecidos ainda muito cedo. Na infância, meu pai me levava para passear pelos bairros mais pobres (Vila do Sossego, Vila Alta, Região do Brejo), para conviver com crianças que atuavam como engraxates, que fumavam e eram usuárias de drogas. Não viviam em casas, mas em barracas de lona – chamavam de balão mágico. Você acha isso visceral? Visceral é a vida e o obscurantismo da zona de conforto.

No início da adolescência, meu pai saiu de cena e minha mãe passou a me levar para a Vila Alta para acompanhá-la em trabalhos sociais, realização de reuniões e festinhas para as crianças. Também tive o exemplo da minha avó, que levava andarilhos para a sua casa, e um deles hoje é um empresário do ramo de consultoria em commodities. Minha avó foi a primeira pessoa a estender uma mão quando ele mais precisou.

Anos depois, adulto, terminei a faculdade e voltei a frequentar a Vila Alta, graças a um amigo que me levou a conhecer outro amigo. Isso foi na década passada. Estava tudo bem diferente, talvez nem tanto. Passei anos convivendo com menores infratores, crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. Ouvia suas histórias, filmava. Transformei algumas em pequenos filminhos e em um documentário. Você não conhece a humanidade de alguém até que ele abra seu coração na espontaneidade, livre das amarras da ignorância social. O ódio muitas vezes é apenas a casca do que existe de mais nobre na alma humana.

E sim, como outras pessoas desejaram, não sei se maldosamente ou apenas de forma impensada, em março do ano passado um rapaz estava tentando furtar o meu carro quando eu o vi tentando abrir a porta (essa história chegou a ser publicada na época). Perguntei pra ele o que pretendia. Ficou assustado e deixou algo cair rente ao meio fio. Claro que não recomendo que ninguém faça isso, mas eu faço, porque esse sou eu.

Eu já tinha visto ele na Vila Alta. Seu pai vivia em uma cadeira de rodas, a mãe atuava ocasionalmente como diarista e ele tentou justificar me dizendo que “ninguém dava emprego, então tava arriscanu”. Moravam em um barraco na Rua E (soube depois). Perguntei se valeu a pena o risco, que eu poderia tê-lo matado ou espancado. Ele disse que não pensou pra agir. “Viu o carro e bateu a vontade”. “Colei aqui só!” Com 19 anos, explicou que não pagava a pensão da criança tinha meses e não queria ir pra cadeia. Já tinha cometido outros pequenos delitos, como “furto de radinho, coisa pouca, duas, três vezes”, confidenciou.

Falei pra ele sair dessa vida. Já tinha terminado o ensino médio, mas só conseguia bico de vez em nunca como servente de pedreiro. Disse que “aliviava pra ele” com uma condição – encontrar um amigo meu que atua como engenheiro. Conseguiu trabalho. Isso tem mais de um ano. Hoje Fimo trabalha como pedreiro e está cursando engenharia. Talvez tenha sido loucura. Mas faria tudo de novo. É verdade.

 

Written by David Arioch

October 10th, 2018 at 1:22 pm

“Qual foi a sua maior realização?”

without comments

“Você gostaria de ter um dardo penetrando o seu cérebro? Particularmente, reconheço que não” (Foto: Halal Slaughter Watch)

Hoje, pensei brevemente no alemão Hugo Heiss, falecido há muito tempo. Ele é o criador da captive bolt pistol, a pistola usada para “atordoar” animais antes da morte desde 1903. Não pude deixar de considerar o pretenso diálogo:

— Qual foi a sua maior realização?
— Criei uma arma que dispara um dardo que penetra o crânio e o cérebro de um animal. No futuro será uma aliada na morte de bilhões de animais por ano.

Acredito que nem Hugo Heiss imaginaria como sua invenção seria tão naturalizada no futuro, e considerada um “ato de humanidade para com os animais”. Então eu te pergunto, você gostaria de ter um dardo penetrando o seu cérebro? Particularmente, reconheço que não.





Vídeo mostra funcionários torturando frangos e pintinhos em um aviário na Polônia

without comments

“O que documentei nessa fazenda ilustra os aspectos cotidianos da crueldade relacionada à criação de frangos e galinhas no mundo todo”

Adam: “A crueldade que testemunhei ficará comigo para sempre” (Acervo: Open Cages)

Esta semana, um homem, que pediu para ser identificado apenas como Adam, disponibilizou na internet um vídeo que mostra funcionários torturando frangos e pintinhos em uma fazenda no Condado de Strzelce-Drezdenko, na voivodia da Lubúsquia, na Polônia. Adam instalou uma câmera e registrou a violência contra os animais ao longo de seis semanas.

Em uma das cenas, um funcionário ataca os pintinhos e os espanca até a morte com um cano de metal antes de jogar seus corpos dentro de baldes. Um dos animais mortos era um frango de três patas. Uma ave cega também é violentada até a morte.

“O que documentei nessa fazenda ilustra os aspectos cotidianos da crueldade relacionada à criação de frangos e galinhas no mundo todo, como excesso de estoque, fraturas ósseas, insuficiência cardíaca e animais que crescem tão rapidamente que não conseguem andar. Também ilustra o que consideramos abuso ilegal de animais”, declara Adam.

Alguns funcionários da fazenda aparecem recolhendo uma grande quantidade de animais mortos que estão apodrecendo no chão, provavelmente em decorrência de violência. A organização de proteção animal Open Cages analisou o vídeo e disse que aquela realidade pode ser testemunhada em qualquer país que produz e comercializa carne de frango.

“A única diferença é o nível de crueldade e violência”, explica Kirsty Henderson, da Open Cages, acrescentando que animais vivendo em superlotação e em condições imundas em aviários não é nada incomum.

Um funcionário também aparece “ensinando” como matar pintinhos que estão muito doentes ou demorando demais para crescer. Ele os agarra e esmaga seus crânios contra um trilho de metal. “A crueldade que testemunhei ficará comigo para sempre”, enfatiza Adam.

 

 

 




Written by David Arioch

June 22nd, 2018 at 2:48 pm

Mais de 10 mil cães serão mortos até o final do Festival de Yulin

without comments

Talvez o evento tivesse um potencial muito maior se fosse transformado em um festival só de lichias frescas e licores

Durante o festival, muitos animais são mortos aos olhos do público (Acervo: Munchies/Vice)

Começou ontem um dos eventos mais controversos da China – o Festival de Lichia e Carne de Cachorro. Este ano, a previsão é de que mais de 10 mil cães serão mortos para consumo. No ano passado, ativistas dos direitos animais conseguiram evitar a morte de mil animais. Com duração de dez dias, o festival que ocorre em Yulin, na província de Guangxi, oferece carne de cachorro, carne de gato, lichias frescas e licores.

O primeiro festival foi realizado em 2009, e surgiu a partir da crença de que comer carne de cachorro durante o verão chinês traz sorte e boa saúde. Há até mesmo uma crença de que afasta doenças e aumenta o desempenho sexual dos homens. O problema é que o custo disso é a morte violenta de milhares de cães, que de certo não gostariam de ter suas vidas precocemente usurpadas para atender interesses humanos não imprescindíveis, assim como fazemos com bois, vacas, porcos, frangos, galinhas, etc. Afinal, senciência é senciência, não é mesmo? E todos os animais que os seres humanos comem partilham dessa mesma capacidade.

Embora tenha se tornado tradicional, já tem alguns anos que o Festival de Lichia e Carne de Cachorro, mais conhecido internacionalmente como Festival de Yulin, conquistou má fama fora da China, inclusive por práticas nada ortodoxas de abate de animais. Não são poucos os cães e gatos servidos no festival que são abatidos aos olhos do público. Outro problema é que o festival incentiva o roubo de cães. Prova disso é que visitantes de passagem pelo festival já testemunharam que viram animais com coleira de identificação – cães que também foram mortos para consumo. No entanto, o que não pode ser desconsiderado é que o Festival de Yulin representa muito pouco quando analisamos o cenário nacional chinês.

Há uma estimativa de que até 20 milhões de cães são mortos por ano na China para serem reduzidos a pedaços de carne. E talvez a prática tenha alguma relação com a Revolução Cultural Chinesa iniciada em 1966, e idealizada por Mao Tsé-tung, que à época proibia que cães fossem criados como animais de estimação, impedindo o desenvolvimento de vínculos afetivos. Por outro lado, e felizmente, a China se tornou um país onde muitos não concordam nem com a realização do festival nem com o consumo de carne de cachorro. Uma prova disso é que há 62 milhões de cães e gatos domésticos registrados no país.

Mas se há tantas pessoas que não concordam com o festival, por que ele continua sendo realizado? Provavelmente porque muitos o reprovam, mas não o suficiente para deixarem suas casas e protestarem contra a matança de animais iguais aqueles que eles mantêm ao seu lado. Quem sabe, impere algo como o clichê: “O que os olhos não veem o coração não sente.” Sobre a possibilidade de se interromper o festival, o governo municipal de Yulin alega que não “há nada a ser feito porque o festival não existe como evento oficial”. Em síntese, o clássico “lava mãos”.

Talvez o Festival de Yulin, que hoje é um evento que ocorre em uma época auspiciosa, afinal, é isso que o verão também simboliza para os chineses, tivesse um potencial muito maior se fosse transformado em um festival só de lichias frescas e licores – o que provavelmente atrairia muito mais visitantes. Afinal, lichia e licor combinam muito mais com a fausta representatividade do verão, com sua luz e cores, do que o sangue derramado de criaturas que gostariam de viver.

Claro, não há como negar que a oposição ao festival tem o seu aspecto positivo, de conscientização em relação à coisificação de cães e gatos, mas talvez seja válido ir um pouquinho além, e estender essa mesma preocupação a outros animais que todos os dias matamos aos milhões mais para satisfazer os nossos paladares que sem muitas dificuldades poderiam ser reeducados.





Written by David Arioch

June 22nd, 2018 at 12:16 pm

Ativistas filmam espancamento de porcos em matadouro na Inglaterra

without comments

“Eles estavam abusando dos animais que já estavam aterrorizados”

Um dos funcionários da Bramall & Son que estava chutando um porco (Foto: Sheffield Animal Save)

Na segunda-feira, dez ativistas do Save Movement, de Sheffield, na Inglaterra, estavam participando de uma vigília com duração de três horas em frente ao matadouro Bramall & Son quando testemunharam a chegada de 10 a 12 caminhões que transportavam porcos, ovelhas, bois e vacas.

Na ocasião, Jordan Heart e outros ativistas ouviram gritos partindo do pátio. Quando chegaram ao local, testemunharam um funcionário do matadouro chutando um porco que gemia e gritava. As cenas foram filmadas e compartilhadas pelo Sheffield Animal Save.

“Eles estavam abusando dos animais que já estavam aterrorizados. Ficamos chocados com a possibilidade de chutarem e abusarem dos animais, especialmente porque os fazendeiros alegam que se preocupam com os seus animais”, declarou Heart.

Após o abate, antes de deixarem o local, os ativistas viram partes dos animais, antes amedrontados, serem jogadas em uma caçamba de lixo do lado de fora do matadouro. O Save Movement é conhecido por acompanhar e registrar a realidade dos matadouros, principalmente o abate de porcos, bois, vacas, frangos, galinhas, ovelhas e de outros animais. O objetivo é conscientizar as pessoas sobre a realidade da produção de alimentos de origem animal.

 

 

 





 

Como o consumo de carne favorece a destruição da identidade dos animais

without comments





 

Alguém diz: “Defendo o fim das vaquejadas e da farra do boi, mas não sou contra matar um animal para comer”

without comments

“Para o animal não importa a finalidade de sua morte, porque isso não muda o fato de que ele deixará de existir”

Um animal não vai te agradecer porque não foi torturado na vaquejada, mas, por exemplo, morreu logo em seguida no matadouro (Fotos: Reprodução)

Alguém diz:

— Eu defendo o fim das vaquejadas e da farra do boi, mas não sou contra matar um animal para comer.

— Imagino que você conheça vegetarianos ou veganos, certo?

— Sim…

— Estão vivos, bem?

— Acho que sim…

— Então por que se alimentar de animais?

— Ora, isso é problema deles, escolha deles. Como porque é gostoso.

— Certo. Se alimentar de um animal então é gostoso. Isso realmente é uma boa justificativa para matar animais? Melhor do que a de não matar que se baseia no fato de que não temos necessidade de tirar vidas para viver bem? E se há pessoas que vivem bem sem consumir a carne de animais, logo sem financiar esse sistema, isso não significa que matar animais acaba por ser um capricho? Quero dizer, privamos um animal de viver, impomos a morte e o comemos. A escolha que existe para nós é inexistente para ele.

— Ainda acho que comer carne não é um problema, porque o animal existe pra isso.

— Entendo, mas quem disse isso?

— A sociedade, o mundo. Ao longo da história, a “sociedade e o mundo” disseram muitas coisas, mas recuaram ou mudaram em diversos aspectos quando houve um entendimento abrangente das consequências de nossas ações em relação ao que não diz respeito somente a nós. Além disso, me responda uma pergunta. Se a “sociedade” decidir que não há nada de errado em sair matando pessoas aleatoriamente, você endossaria isso?

— Claro que não, né?

— Então, isso é uma baliza moral. Independente dos preceitos socialmente aceitáveis, você faria o que considera certo. Sendo assim, matar animais é correto?

— Hum…complicado.

— Considere um ponto. Para o animal não importa a finalidade de sua morte, porque isso não muda o fato de que ele deixará de existir. Ele não vai te agradecer porque não foi torturado na vaquejada, mas, por exemplo, morreu logo em seguida no matadouro. Matar um animal para se alimentar, não anula o fato de que antes ele passou por algum tipo de privação, medo, sofrimento e, claro, algum tipo de violência final que custou a sua vida, tenha sido esse ato curto ou prolongado. Em síntese, nunca há uma boa maneira de matar um animal que não quer morrer.





 

Jornalista britânico denuncia que a matança de cães abandonados prossegue na Rússia

without comments

Segundo Newkey-Burden, há um orçamento de pouco mais de R$ 6 para cada morte

Segundo o jornalista britânico, uma empresa privada de controle de pragas foi contratada para a matança, inclusive se referindo aos cães como “lixo biológico” (Foto: Bici Crono)

O jornalista e escritor britânico Chas Newkey-Burden publicou esta semana no The Guardian um artigo intitulado “Russia is killing stray dogs. World Cup stars must help stop the slaughter” ou “A Rússia está matando cães abandonados. As estrelas da Copa do Mundo precisam parar a matança”.

No texto, o jornalista informa que mesmo com a proximidade da Copa do Mundo na Rússia, os esquadrões da morte continuam atacando cães abandonados nas cidades que sediarão o evento. A justificativa ainda é a mesma de quando surgiram as primeiras denúncias há alguns meses – “uma tentativa de tornar a Rússia mais agradável para a mídia e para os visitantes”.

Newkey-Burden relata que quem conhece a Rússia sabe o quanto esses cães abandonados são amáveis. “Eles chamam a atenção por sua inteligência e resiliência. Muitos deles viajam pela cidade todas as manhãs de trem. Eles sabem quais são os horários em que há menos pessoas nos vagões e também sabem onde encontrar a melhor comida”, revela.

Segundo o autor, quando imploram por comida, os cães mais jovens e mais bonitos tomam a frente do bando, porque entendem que essa é a melhor forma de sensibilizar as pessoas. Em ruas mais movimentadas, os cães obedecem aos semáforos e atravessam apenas em locais seguros, trotando ao lado dos pedestres:

“Essas são as criaturas doces e abandonadas que estão sendo exterminadas em nome de um belo jogo. Muitos são mortos com comida envenenada. Essa forma furtiva de violência condena os animais a uma morte lenta e dolorosa, geralmente com convulsões, quando se engasgam com o seu próprio vômito antes de eventualmente apagarem.”

O jornalista enfatiza também que há caçadores de cães usando zarabatanas e dardos envenenados. E assim, vidas são silenciosamente apagadas porque não se encaixam na imagem que as autoridades querem apresentar ao mundo. Sobre o assunto, as autoridades negam que a eutanásia seja a política oficial, alegando que o foco é levar os cães para os abrigos.

No entanto, a organização Open Cages e outros grupos em defesa dos animais também garantem que o massacre continua. Prova disso é que as mídias sociais na Rússia estão repletas de fotos e vídeos de cães mortos ou convulsionando. Tudo isso permite traçar um paralelo com os Jogos Olímpicos de Inverno de 2014, quando cães abandonados também foram mortos em Sochi, na Rússia.

Além disso, segundo o jornalista britânico, uma empresa privada de controle de pragas foi contratada para a matança, inclusive se referindo aos cães como “lixo biológico”. A realidade foi confirmada pelo membro do parlamento russo Vladimir Burmatov que visitou um abrigo em Ecaterimburgo, na porção oriental dos Montes Urais, e encontrou muitos cães desnutridos e em situações que jamais poderiam ser consideradas satisfatórias.

Burmatov relatou também que uma grande quantidade de cães do abrigo foi colocada para “dormir”. Para se ter uma ideia da gravidade da situação, há um orçamento de pouco mais de R$ 6 para cada morte. Preocupante também é a denúncia de que os abrigos para os animais “retirados de circulação” na Rússia não são dirigidos por especialistas em bem-estar animal, mas por uma empresa de coleta e descarte de lixo.

Há aproximadamente dois milhões de cães abandonados nas 11 cidades que vão sediar a Copa do Mundo, e isso reflete um descaso cultural que não deveria ter como “solução” o extermínio de animais. “A solução mais eficaz para o problema pode ser uma política de longo prazo de castração. Uma abordagem mais imediata para os cães que continuam nas ruas seria o investimento adequado em abrigos adequados. Deus sabe, a Copa do Mundo traz dinheiro o suficiente para a Fifa, a entidade que controla o futebol e fatura milhões”, pondera Chas Newkey-Burden.

A Fifa também poderia exigir que as autoridades russas parassem imediatamente os assassinatos. De acordo com o jornalista, outra medida poderia ser a inserção de uma cláusula de bem-estar animal no contrato com os anfitriões, impedindo esse tipo de prática. Em 2022, por exemplo, a Copa do Mundo vai ser no Qatar, um país que também tem muitos cães abandonados.

“Talvez algumas estrelas da Copa do Mundo também estejam à frente? Lionel Messi, Mesut Ozil e Harry Kane costumam postar fotos posando com seus cães. Neste jogo que movimenta muito dinheiro, a influência dessas superestrelas é imensa. Aí está a chance de mostrarem que realmente amam os cães”, sugere Newkey-Burden.

Referência

Newkey-Burden, Chas. Russia is killing stray dogs. World Cup stars must help stop the slaughter. The Guardian (4 de junho de 2018)

 





 

Não é radical o ato de se alimentar de animais?

without comments